Desertores cubanos são encontrados e presos no Rio
02/08/2007
Os dois boxeadores cubanos que desertaram da delegação de seu país durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro foram encontrados e detidos nesta quinta-feira pela polícia brasileira, informou o telejornal RJTV da Rede Globo.
Os lutadores sumiram no dia 23 de julho e deixaram de se apresentar para a pesagem obrigatória antes de seus combates. Ambos eram favoritos em suas categorias.
Medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Sidney-2000 e Atenas-2004 e no Pan de Santo Domingo-2003, Rigondeaux era franco favorito na categoria até 69 kg.
Lara, por sua vez, era o grande nome dos meio-médios. Com a ausência do cubano, o brasileiro Pedro Lima conquistou o ouro e encerrou um jejum de 44 anos do país sem medalhas de ouro no boxe em Pans.
13/9/2006
Exército – Mais de cinco mil soldados americanos se recusam a ir para guerras e buscam refúgio em países como o Canadá
Os EUA têm serviço militar voluntário: desde 1973 nenhum cidadão americano é obrigado a lutar por seu país. As vantagens de quem se alista são várias: bolsa de estudo, treinamento em carreira técnica e seguro-saúde para o resto da vida. “Todos os soldados que estão no Iraque, no Afeganistão ou em outras frentes onde as Forças Armadas mantêm presença optaram de livre e espontânea vontade por servir à pátria”, diz a tenente-coronel Ellen Krenke, porta-voz do Pentágono. Mas, se o soldado desertar, ele será julgado por uma corte marcial. Na guerra do Iraque, uma tropa com cerca de 5,5 mil supostos guerreiros está correndo da briga. Isso é mais que o dobro de mortos na guerra do Golfo ou o equivalente a uma brigada. E, com a oposição à guerra entrando na casa dos 62%, os incentivos para o adeus às armas ficam ainda maiores.
Um ato que antigamente era considerado covardia, o chamado “AWOL” (Absent Without Leave ou, em tradução livre, ausente sem licença), tem merecido simpatia dos americanos. Muitos jovens que se recusam a lutar já foram combater no Iraque e estão sendo chamados para novos combates. Traumatizados, eles ainda estão desiludidos com as causas da invasão, sem ter a definição exata de sua missão. Além disso, viram suas famílias entrar em falência financeira, moral e social. “Como se pode exigir que uma pessoa nessas condições faça tantos sacrifícios?”, pergunta o coronel Alfred Warren, do grupo Veteranos Pela Paz. Ele foi um dos acompanhantes do sargento Ricky Clousing que desertou há um ano e no dia 6 de agosto se entregou às autoridades no Forte Lewis, no Estado de Washington.“Eu não fugi da luta, pois estive no Iraque durante 18 meses. Também não estou alegando oposição a todas as guerras, porque aquelas feitas em autodefesa são aceitáveis. Sou contra a guerra do Iraque, porque vi nas ruas de Bagdá e de Mossul as atrocidades que estão sendo cometidas. Fui interrogado em um centro de detenção onde até crianças de 12 anos foram torturadas e mortas”, disseClousing. O sargento, que agora aguarda julgamento pela corte marcial, ficou um ano foragido. Parte desse tempo ele passou no Canadá, país com tradição em receber desertores americanos.
Depois de uma licença de um mês, a recruta Suzanne Swift, da 54ª Companhia de Polícia Militar, deveria ter se apresentado no Forte Lewis. Mas seu carro a levou ao Canadá. Suzanne diz que diversas vezes sofreu abusos sexuais, humilhações e assédios durante o período em que envergou a farda. “Quando reclamei aos meus superiores, eles não tomaram conhecimento e me mandaram de volta ao posto”, diz ela. “Essa recruta era policial militar. Estava armada. Por que não usou sua arma?”, pergunta o coronel Jeremy Roberts, um dos porta-vozes da Reserva Guarda Nacional, onde Suzanne se alistou. “O que eu deveria fazer? Matar um agressor e depois enfrentar um pelotão de fuzilamento?”, indaga Suzanne. Até agora, cerca de 150 mil americanas já foram para guerras. As queixas contra agressões sexuais continuam e casos de estupro levaram moças a pedir dispensa e buscar tratamento psicológico no Hospital de Veteranos.
Durante a guerra do Vietnã, o Pentágono estima que cerca de 500 mil soldados desertaram. Naquela época, o Canadá, que considerava a deserção exílio político, recebeu cerca de dez mil. Hoje o governo canadense recusa exílios porque os soldados são voluntários. Mas a objeção por motivos de consciência ainda continua com o mesmo valor dos anos 60 e 70. “Uma pessoa que foi voluntariamente para um serviço pode aprender que aquela tarefa é contrária à sua consciência”, diz Gerry Condon, que lutou no Vietnã. Condon hoje comanda, em Vancouver, um dos grupos de socorro a desertores americanos. “Atualmente, temos cerca de 200 pessoas apelando da decisão do governo canadense em recusar exílio. São todos veteranos do Iraque e Afeganistão. A maioria tem família para sustentar. Atualmente, 62% das famílias de homens alistados estão falidas economicamente”, diz Condon.
Muitas pessoas optam pela deserção por problemas concretos. Falência econômica na família é um exemplo disso. Violência sexual, e que não ocorre apenas com mulheres, é outro item nessa categoria. Mas existem também os motivos impalpáveis, como a questão da objeção de consciência. Muitos daqueles que se alistaram voluntariamente acabaram verificando que a invasão do Iraque não foi conduzida pelas razões que se pensava e a condução da ocupação vai contra os princípios que os americanos respeitam. “As pessoas podem mudar de opinião depois de experimentarem uma situação real”, diz o coronel Alfred Warren. Ou seja: para muitos soldados não falta coragem, sobra consciência.
Governador de Nebraska a favor da normalização das relações com Cuba
4/2/2007
O governador do estado norte-americano de Nebraska, Dave Heineman, pronunciou-se em Havana a favor da normalização das relações entre os Estados Unidos e Cuba com vista a facilitar um comércio bilateral benéfico.
Em sua terceira viagem à Ilha, o político estadunidense exprimiu satisfação e otimismo pela assinatura de dois acordos comerciais — que qualificou de muito significativos — com dirigentes da Empresa Cubana Importadora de Alimentos (Alimport).
No hotel Palco, na capital, teve lugar a assinatura do acordo, com o qual Heineman continuará impulsionando o comércio no setor agropecuário, tal como fez com os acordos assinados em 2005 e 2006.
O governador assegurou que para os agricultores e granjeiros de Nebraska tem muita importância a sociedade “mutuamente benéfica” estabelecida com as autoridades cubanas, embora lamentasse as limitações impostas pelo bloqueio econômico estadunidense.
“Vamos continuar para frente com nosso propósito de comercializar com Cuba, agradecemos essas relações e continuaremos ampliando-as no futuro”, sublinhou Heineman, que veio acompanhado de 30 empresários de seu estado.
Após chegar a Havana, Heineman considerou em declarações à imprensa que é muito animador que produtos como o feijão e outros grãos de Nebraska possam serem exportados para Cuba, apesar do embargo econômico, acirrado por Washington nos últimos anos.
Pela parte cubana, o presidente da Alimport assinalou que o bloqueio impede os cidadãos estadunidenses de viajarem à Ilha e proíbe as exportações cubanas, afetando a capacidade de pagamento de Cuba. Além disso, destacou que, enquanto Cuba cresce com o Mercosul, os EUA, com suas leis, prejudica suas próprias companhias.
Em face do bloqueio, Cuba é obrigada a pagar à vista e antecipadadamente a mercadoria que comprar a qualquer empresa norte-americana.
Sem mudar a essência de sua política de asfixia econômica, o Congresso dos EUA sancionou em 2001 uma lei que autorizou o comércio unilateral, com vendas à vista, de alimentos e de alguns produtos norte-americanos à ilha antilhana, embora as recentes restrições impostas pelo governo de Bush tenham obstaculizado ainda mais essas compras.
A delegação de Nebraska manifestou seu interesse em ampliar suas relações com Cuba em outros setortes, como o farmacêutico.