ENCALHE

maio 31, 2008

Antiga, mas tá valendo: Sindicato de Professores des escolas particulares questiona valores salariais apresentados na vEJINHa de 16/04/08!!

Aqui, a questão é a seguinte: o referido sindicato questiona os valores que saíram na vEJINHA, mas entendendo que, na verdade, as escolas passaram à revista dados que não seriam corretos. E que, portanto, se existem erros – e o sindicato acha que sim -, estes são fruto da má informação dada pelos colégios ou ( na pior das hipóteses ) má-fé destes. Mas, conhecendo as revistas do Klã Civita, os dados podem muito bem ter sido passados corretamente pelas escolas. Pois a montagem e, no final, a conclusão que foi publicada, interessaria àqueles que tentam culpar os professores da rede estadual pelo Apagão Educacional Continuado Tucano ( envelhecido 12 anos ) de São Paulo, naquela linha de raciocínio: “Os professores da rede particular ganham muitíssimo mais que os da rede pública, mas porque os da rede pública são mal-preparados; o Serra é bom até demais, já que estes professores só sabem faltar e não reconhecem o que o governo estadual faz por eles, dando um monte de bonus; se fossem melhor qualificados, ganhariam mais, mas se apegam a um corporativismo grevista e só fazem política…”.
E por aí vai. Ou seja, mesmo que as escolas tenham dado tudinho mastigado para a vEJINHA, discriminando direitinho os números exatos de horas e aulas, dias e semanas, isso não seria interessante para a revista. Não importa falar em 10 horas-aula semanais e projeções, já que, feitas as contas, ela não teria como empurrar no rabo de seu leitor os valores vultosos apresentados, e que servem para justificar os péssimos salários e condições da rede estadual, como fruto intencional da política de escola arrasada do governador de São Paulo.
SINPRO-SP questiona salários de professores informados pelas escolas
25/04/2008
A diretoria do SINPRO-SP ficou surpresa com os valores dos salários pagos aos professores nas escolas particulares que obtiveram melhor resultado no ENEM. Tão logo tomamos conhecimento da matéria publicada pela Veja São Paulo, edição de 16 de abril de 2008, procuramos averiguar a exatidão dos números divulgados, recorrendo à fonte mais confiável que o Sindicato tem em mãos: as guias de recolhimento da contribuição sindical.
Trata-se de documento incontestável, já que o recolhimento anual desse imposto se faz com base no salário efetivamente pago aos professores, a menos que a empresa cometa a irregularidade de fazer algum tipo de pagamento fora do holerite. Para obter a média real dos valores recebidos pelos docentes de uma escola, portanto, o SINPRO-SP apurou a massa salarial através da contribuição sindical e dividiu-a pelo número de professores da escola. Com essa metodologia, pudemos constatar que na maioria das escolas apresentadas pela revista o salário efetivamente pago não corresponde aos constantes na reportagem, conforme se verifica abaixo:

Escola (por ordem de desempenho no ENEM)
Salário médio divulgado na Veja São Paulo
Salário médio efetivamente pago de acordo com a contribuição sindical

Vértice R$ 6.000,00
R$ 2.285,90
Bandeirantes
R$ 7.400,00 R$ 6.491,45
Móbile R$ 9.400,00 R$ 3.898,35
Santa Cruz R$ 8.350,00
R$ 5.568,23
Agostiniano Mendel R$ 3.500,00 R$ 2.924,53
Etapa R$ 6.300,00
R$ 2.010,09
Palmares R$ 6.000,00
R$ 3.646,64
Albert Sabin R$ 7.200,00 R$ 3.275,23
A que se deve essa divergência? Ou por incompreensão sobre a forma como salário do professor é composto ou deliberada má-fé, neste caso com o objetivo de apresentar à sociedade aquilo que não são, isto, é boas pagadoras, as escolas informaram à revista Veja o resultado do salário aula de seus docentes multiplicado por 44 horas semanais, fato que superdimensinou os salários que os professores de fato recebem. Um exemplo serve para ilustrar essa lógica perversa: um professor recebe R$ 20,00 por hora-aula. Se o cálculo do salário for feito por 44 horas semanais, ele receberá, hipoteticamente, R$ 4.851, com a inclusão do DSR e da hora-atividade. No entanto, se esse mesmo professor der, por exemplo, 10 aulas na mesma escola, receberá apenas R$ 1.102,50. Para a revista Veja, as escolas – por incompreensão ou má-fé – informaram o que seria uma mera projeção de 44 horas semanais e não das 10 horas-aula que o professor efetivamente leciona.
O erro traz para os professores dessas escolas um profundo prejuízo porque criou situações de constrangimento embaraçosas, ao mesmo tempo em que estabeleceu uma falsa relação entre salários e desempenho didático-pedagógico, com a eventual conclusão de que a competência profissional dos docentes dessas escolas deve ser medida por valores arbitrários e equivocados. Os professores sabem que não é assim.
A diretoria do SINPRO-SP pretende oferecer a revista Veja esses esclarecimentos, a fim de que os jornalistas responsáveis pela edição do especial sobre o resultado obtido pelas escolas no ENEM, em ocasiões futuras, disponham de fontes mais confiáveis.

abril 11, 2008

Serra cobra "qualificação" e denuncia "falta de preparo" de professores, mas suspendeu programa de incentivo a pós-graduação. Esquizofrenia total!!!

Recebi este email, que deve ter vindo por engano. Parece que saiu do Diário Oficial. Mas caiu no lugar certo. Hoje, os jornais publicaram a história de que o governo estadual conseguiu uma vitória acachapante contra estes barnabés do serviço público que só fazem faltar o tempo todo, sem prejuízo de seus ofensivos, vultosos e nebabescos vencimentos.
Só que, o Estadão, velho de guerra fez questã de colocar a parte pelo todo: aonde se leria “funcionalismo público”, o jornal deu aquela velha mãozinha pro Serra, e botou que “o governo vai limitar as faltas DOS PROFESSORES”.
Amanhã, às 14 horas, haverá nova concentração da conspirata dos professores comunistas – não me perguntem onde, não lembro – em São Paulo. Lembrando que, há cerca de duas semanas, houve uma assembléia no MASP, e não saiu em lugar nenhum – salvo na Internet -, nem mesmo para dizer que “prejudicou o trânsito da Capital”. Deixaram de falar do trânsito, só para não ter que fazer qualquer menção ao ato que juntou, segundo os sindicalistas, cerca de 5000 marajás despreparados que, obviamente, faltaram às aulas, apenas por caprichos corporativistas, prejudicando o aprendizado de nossas esforçadas crianças.
Sem contar que, na publicação Nova Escola, da Fundação Victor Civita – que tem, entre os membros de seu Conselho, a senhora Cláudia Costin, tucana de carteirinha e ex-secretária de Cultura de São Paulo – edição de Abril, a reportagem principal trata de abordar a saúde do professor. Apesar de indicada, tanto para docentes da rede pública como também aos professores da rede particular, pululam ali exemplos de servidores públicos às voltas com estresse, esgotamento, problemas psicológicos afins, entre outras moléstias adquiridas na sala de aula. Reconhece-se então ( apesar das besteiras sugeridas ) os problemas de saúde decorrentes da lida. Justamente aquilo que, de acordo com o Manual Serrista do trato ao Professor, chama-se “Indústria das Faltas” ou “Farra dos Atestados”.
Caros todos:
Nao bastace a impozição da “Caminho Soave do Pofeçor Semiglota”, esta é mais uma medida do governo paragaramtir uma educasao de cualidade, com conpetença ejestao de rezultados. Eu to fazeno a minha parte, evoçe?
Resolução SE – 3, de 17-1-2008
Suspende, pelo prazo que determina, os efeitos de dispositivo da Resolução SE nº 131 de 04/12/2003, e constitui Grupo de Trabalho. A Secretária de Estado da Educação, considerando a necessidade de proceder:
à uma efetiva avaliação dos procedimentos e resultados da implementação do Projeto Bolsa Mestrado, ao aperfeiçoamento dos critérios e rotinas que vêm disciplinando a participação dos integrantes do Quadro do Magistério nesse Projeto, Resolve:
Art. 1º – Ficam suspensos, por seis meses a contar da publicação da presente resolução, os efeitos do artigo1º da Resolução SE nº 131 de 04/12/2003 que dispõe sobre a participação dos integrantes do Quadro doMagistério no Projeto Bolsa Mestrado instituído pelo Decreto nº 48.298 de 01/12/2003.
Parágrafo único: As concessões de bolsas mestrado e doutorado, à vista do contido no caput deste artigo ficam suspensas pelo prazo determinado.
Art. 2º – Os integrantes do Quadro do Magistério com pedido de concessão da Bolsa Mestrado já deferido nos termos da Res. SE nº 131/2003, terão seus direitos assegurados.
Art. 3º – Fica constituído Grupo de Trabalho com aatribuição de analisar e avaliar os critérios e osprocedimentos que disciplinaram a implementação do Projeto Bolsa Mestrado e de propor alternativas com vistas a seu aperfeiçoamento e atualização.
Art. 4º – o Grupo de Trabalho de que trata o artigo anterior, será composto por representantes dosdiferentes órgãos desta Pasta, conforme segue:
I – Gabinete da Secretária: Gilda Figueiredo Portugal Gouveia – RG nº 2.974.444, a quem caberá a coordenaçãodo grupo;
II – Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas: Pedro Bernardes Magalhães: RG nº 4.792.941-8;
III – Departamento de Recursos Humanos: Cristty Anny Sé Hayon RG nº 19.197.897;
IV – Coordenadoria de Ensino do Interior: Amália Salazar dos Reis RG nº 7.157.466-9;
V – Coordenadoria de Ensino da Região Metropolitana da Grande São Paulo: Christina de Paula Queiroz Silva R.G nº 10.730.449.
Art. 5º – Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Nota: Altera artigo 1º da Res. SE n.º 131/03, à pág. 142 do vol. LVI;
Decreto n.º 48.298/03, à pág. 97 do vol. LVI.

fevereiro 23, 2008

As cenouras do senhor governador: vEJA compara educação finlandesa com a brasileira, mas esquece que Estado de São Paulo é que puxa a média para baixo

O texto que segue foi extraído do site da Apeoesp, e resume o ideal-tipo do professor da gestão tucana: a(o) professora(o)-bônus: ela (e) trabalha com o pé quebrado, a voz inexistente, a mãe no caixão, lambe miseravelmente suas feridas no HTPC [ N.do blog: "Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo", que são as reuniões pedagógicas semanais ] , enquanto solta aos ventos suas lamúrias do tipo “alguém tem que fazer alguma coisa pela gente ( sic )”, mas não vai às assembléias porque ninguém na sua escola vai, acha que as mazelas das políticas educacionais são exatamente TODAS IGUAIS, e, por isto, é desnecessário entender as relações econômicas e políticas que permeiam a educação e, na dúvida, vota nos “mais chiques e com diploma superior”, mas brada, orgulhosa (o) de sua condição intelectual, de que “político é tudo igual, ladrão”, mas dá uma escapadinha antes do horário sempre que pode; não conhece a legislação que rege seu próprio trabalho, partilhando e disseminando, assim, o senso-comum educacional e político. Por fim, acredita piamente que a culpa da educação brasileira é do presidente, por ser ele um analfabeto, o pior exemplo humano que uma criança pode ter. ( L.C. )

O professorado e a “baboseira ideológica”
Por Gabriel Perissé em 19/2/2008
A edição nº 2047 (de 13/2/2008) da revista Veja dedicou um espaço considerável ao tema da educação nacional. A entrevista com a secretária estadual de Educação em São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro, e os artigos dos economistas Claudio de Moura Castro e Gustavo Ioschpe compõem uma espécie deconcepção “vejiana” da educação.
A secretária Maria Helena enfatiza que um dos maiores problemas da deplorável situação da educação em São Paulo ( leia-se, por exemplo, matéria da Folha, publicada faz um ano ) é o insatisfatório nível profissional dos professores. Os professores seriam incapazes de dar boas aulas. Quando a jornalista Monica Weinberg lhe pergunta qual o caminho para melhorar esse nível, a resposta da secretária é, digamos, corajosa: “Num mundo ideal, eu fecharia todas as faculdades de pedagogia do país, até mesmo as mais conceituadas, como a da USP e a da Unicamp, e recomeçaria tudo do zero.” Essas faculdades apenas perpetuariam “baboseira ideológica”.
Maria Helena é socióloga, mestre em Ciência Políticapela Unicamp e, segundo informações oficiais, está concluindo doutorado na USP em Ciências Sociais. Sua crítica, portanto, é de quem se sente apta a julgar como totalmente ineficazes os professores que ao longo das últimas décadas deram o tom da formação pedagógica brasileira. Pensemos nas aulas, conferências e escritos de Dermeval Saviani ( Unicamp ) e Antonio Joaquim Severino ( USP ), para mencionar, entre tantos outros, dois acadêmicos de prestígio.

O modelo da gincana

Seriam os doutores em pedagogia os principais responsáveis por fomentar vários mitos que atrapalham a educação pública. Para Maria Helena, é um mito afirmar que o aumento salarial dos professores ou um plano de carreira influenciariam a melhoria do ensino.

Na sua opinião, dinheiro ( para falar curto e grosso ) não resolve. A menos que esteja vinculado a uma”política de reconhecimento do mérito”. Por isso, a secretária pretende pagar bônus a todos os que, numa escola – funcionários, professores e diretor –”levarem” os alunos a alcançar determinadas metas de bom desempenho. Os bônus poderão chegar a três salários por ano.
Imagina Maria Helena que os professores, motivados pela perspectiva de um prêmio pecuniário, insuflados pela súbita adoção da meritocracia (como se esta existisse no plano político…), realizarão o milagre de transformar a realidade educacional. Essa metodologia do burro atrás da cenoura sussurra aos ouvidos do professor: “Quer mais dinheiro? Então trabalhe mais!”

“Nham!! Como é doce o meu bônus!”

Não leva em conta os problemas reais que tornam a boa vontade e o esforço do docente, por maiores que sejam, fonte de mais estresse. Contudo, e vai aqui simplória sugestão — uma vez que os bônus estarão condicionados ao desempenho dos alunos, porque não prometer também aos estudantes uma participação? Uns 5% poderiam incentivá-los a colaborar com essa escola de resultados!

A idéia simplista de que a repetência, o abandono escolar (vale a pena ler matéria do Correio Braziliense), o desinteresse crônico, a indisciplina, o fraco rendimento etc. devem-se sobretudo à falta de bons “dadores de aula” demonstra que o estilo “PSDB”de governar não tem condições de analisar a realidade educacional e oferecer soluções melhores do que o modelo da gincana. Quem correr mais, quem tiver sorte e/ou for mais criativo, atinge os objetivos, ganha pontos e arrebata o prêmio.

Formação humanística

Não poucos alunos enfrentam problemas fora da escola ( famílias desestruturadas, ambiente social adverso, falta de valores, de referências, carências alimentares e de saúde ) e esses problemas geram novas e complexas dificuldades na sala de aula, associadas a outros mil problemas que independem de uma boa aula.

Aliás, impedem a boa aula que o bom professor porventura preparou. Como poderá a cenoura bonificadora fazer professores e diretores deterem o tráfico de drogas que invade as escolas, consertarem móveis quebrados, reformarem os banheiros, transformarem salas sem ventilação em paraísos didáticos, evitarem a violência entre os alunos?

Há professores despreparados? Há. Escolheram o magistério por idealismo ( acreditaram na pedagogia do amor à la Gabriel Chalita, ex-secretário da Educação no tempo de Geraldo Alckmin ) ou por falta de alternativas. São sobreviventes de um ensino básico sofrível, de um ensino médio deficiente, falta-lhes até mesmo estrutura física e emocional para dar contada sobrecarga de classes, expediente necessário na luta por somar salários.

Há professores que faltam muito? Sim. Os que faltam, não raro, fogem das condições de trabalho: indisciplina incontrolável, humilhações e arbitrariedades que usurpam sua autonomia, falta de recursos materiais, falta de tempo e de saúde por excesso de atividades. Lembrando que a maioria feminina entre os docentes põe em jogo outra questão para além da sala de aula. São as mulheres que, professoras com 30 a 40 horas/aula por semana, estão sobrecarregadas também pelas tarefas domésticas.

E não só isso. Educar, ensinar, é tão ou mais exigente do que outras exigentes profissões. Requer a prática da comunicação, o dom da invenção, a capacidade de avaliar (intuitiva e objetivamente) o comportamento humano ( de crianças e adolescentes! ), forte autonomia profissional, virtudes que só se desenvolvem com formação humanística prévia e auto-aprendizagem contínua. Estas, por sua vez, implicam leitura, reflexão, acesso à cultura no sentido amplo, apoio profissional ( bons cursos, boas oficinas, orientação didática, ajuda psicológica ) e tranqüilidade econômica.

Salário não é tudo, mas…

Como uma espécie de comprovação das opiniões da secretária, Claudio de Moura Castro escreve na mesma edição da Veja um artigo igualmente curto e grosso: “Salário de professor”. Baseado em que, segundo as sempre infalíveis estatísticas, os docentes brasileiros possuem remuneração compatível com a realidade empregatícia nacional, o articulista conclui que os sistemas públicos se tornariam mais eficazes se “conseguissem criar um ambiente mais positivo e estimulante”.

O exemplo estaria nas escolas privadas, em que os professores, com “níveis salariais parecidos”, estão contentes.

O mais estimulante seria então a tal cenoura tentadora do bônus? Moura Castro não afirma nem nega. Menciona outro tema: o da gestão. “Como a escola tem a cara do diretor”, dependeria então desse gerente do ensino, digamos assim, valorizar os professores, motivá-los, com bônus ou sem bônus. Mas se, na prática, os diretores são indicados pelo clientelismo dos governos locais ou, mediante concurso, estão politicamente compromissados de modo mais ou menos velado com estes mesmos governos, a escola desse diretor dificilmente terá a cara dos professores nem dos alunos que lá estão. A propósito, recomendo que economistas e sociólogos que se autoproclamam especialistas em educação leiam outro uspiano ( antes de se fecharem as faculdades de Educação ): o pesquisador Vitor Henrique Paro, sobre a eleição de diretores em escola pública como experiência democrática de grande valor.

Nenhuma palavra da secretária e do articulista sobre a iniciativa do governo federal de estipular o salário mínimo dos professores em 850 reais, o que significará um aumento de quase 50%. Não concordam eles com o ministro Fernando Haddad? Salário, concordo eu com eles, não é tudo, mas, sem cuidar dos salários, tornando-os, inclusive, atrativos para melhores profissionais, o governo poderá jogar no sistema o dinheiro que bem quiser ( contratar consultorias, investir em computadores, instalar câmeras paramonitorar os alunos etc. ), mas os problemas continuarão a se perpetuar.

Finlândia, o paradigma

O terceiro capítulo educacional dessa edição da Veja é assinado por Gustavo Ioschpe: “Pelo direito à ruindade”. Gustavo critica o MEC pela iniciativa, que considera “antiliberal”, de averiguar melhor a qualidade do ensino superior ( em particular as faculdades de direito e pedagogia ), sob pena de fazer reduzir a oferta de vagas ou mesmo fechar o curso.

Ora, não dissera a secretária de Educação que, se fosse possível, fecharia todas as faculdades de pedagogia, mesmo as que têm a melhor avaliação? Não são essas faculdades que prejudicam a escola, transmitindo baboseiras ideológicas em lugar de ensinar os professores a serem professores?

A contradição é só aparente. No momento em que as faculdades de pedagogia estivessem todas fechadas, sobretudo as públicas, mais críticas, menos dóceis ao mando, tudo recomeçaria do zero. Ou ficaria tudo na estaca zero. Quem quisesse abrir fábricas de diplomas pedagógicos teria amplo direito de fazê-lo, sem maiores impedimentos ou muitas cobranças, como em outros tempos, e os professores formados nessas faculdades teriam o dever de superar sua posterior “ruindade”, rezando pela cartilha da “pedagogia do bônus”.

Estaria assim o mercado controlando as coisas ao seu modo: o famoso “salve-se quem puder”.

Mas o espírito “vejiano” continua a dar lições sobre a arte de lecionar… Na edição desta semana (nº 2048,de 20/2/2008), a revista Veja publica a matéria “A melhor escola do mundo”. Thomas Favoro, diretamente da Finlândia ( país com características idênticas às do Brasil ), revela o que podemos aprender em termos educacionais.

No quesito “salário”, os professores finlandeses, infinitamente melhores do que nós, recebem cerca de 2.500 dólares/mês; nós embolsamos algo em torno de mil dólares/mês. Esclarece a matéria, em letras minúsculas, que se trata de professores do ensino fundamental com 15 anos de experiência.

Segundo o texto, e deve ser verdade, 100% dos professores finlandeses possuem o mestrado. Já no Brasil, somente 2%. Mas se depender da gestão do governador José Serra, essa disparidade continuará. Em meados do mês de janeiro de 2008, suspendeu-se o programa “Bolsa Mestrado” para os professores estaduais. O intuito deve ser viabilizar o tal bônus que aí vem!

dezembro 15, 2007

OOps!! Eu fiz de novo! Jornal SPTV faz jogo de cena "mostrando mensagens" de professores irados com reportagem pró-Serra e reitera o que já havia dito

Então, a Carla Vilhena sacou um belo maço de mensagens que, segundo ela, seriam de professores indignados com a matéria do SPTV rodada no dia anterior.
E revelou ( pois muita gente pensa saber muito sobre funcionalismo público, doutrinada que foi nessas últimas duas décadas ) que os professores não podem, em termos práticos, se defender publicamente das frequentes acusações, que os culpa ( claro que nem sempre de forma direta ) pelo fracasso a que o PSDB levou a educação em São Paulo.
A causa do silêncio dos servidores públicos em geral, contra supostos ou possíveis desmandos dos “gestores”, está numa lei da época da ditadura.
Só que, d. Vilhena, o fato de existir uma lei nesse sentido – e que, serve muito bem aos propósitos desmanteladores do PSDB – não explica e nem justifica o SPTV ter feito uma matéria tão vil e pró-governo estadual. A pauta deve ter saído dessa agência de comunicação dos amigos de Serra. A equação é: fracasso de SP = professores faltosos + lei estadual que lhes garante faltar “à vontade”.
Falta perguntar: por quê uma lei que “favorece os professores faltosos” é tão danosa, mas uma lei de 1968 ( que ajuda o governo estadual a calar os descontentes que poderiam constrangê-lo e cai como uma luva aos propósitos privatizantes de José Serra ) pode ser mantida sem questionamentos?
E, de mais a mais, o SPTV usou seu pedido de “desculpas”, apenas para reiterar o que havia dito no dia anterior.

dezembro 14, 2007

Trocentos anos de Apagão Educacional Continuado tucano em São Paulo, e SPTV da Globo faz matéria escabrosa e suspeita contra os professores!

Inacreditável!! Ontem, no jornal global transmitido no horário do almoço, para e sobre São Paulo, o SPTV, a pauta deve ter saído direto da mesa do José Serra, não é possível!
O Estado de São Paulo, como é de costume ( horrível, por sinal ) passou vergonha em mais um teste internacional – o PISA, cujo resultado saiu na semana passada, dia 6 – e o imprensalão, como é de costume ( horrível, por sinal ), tentou jogar a dolorosa na conta do “Brasil”.
O jeito como o imprensalão golpista trata a destruição escolar proposital – é isso mesmo!!! – empreendida pelo PSDB paulista já passou da ma-fé para a canalhice desavergonhada.
O negócio é tão perverso que, ao “diluir” os resultados dos alunos paulistas na contagem geral do país, simplesmente deixa de lado e não celebra os resultados que os alunos de estados paupérrimos obtiveram, tendo contra si toda a carga que significa ter nascido naquele lugar.
Ou seja: se o Piauí obtém resultados melhores que São Paulo deve-se, antes de mais nada, comparar com os próprios resultados anteriores do estado nordestino, a fim de aferir se se trata de um resultado “passageiro”, ou uma tendência em crescendo, iniciada há algum tempo, o que demonstraria ser substancial e não um “vôo de galinha”. Em caso positivo, parabéns!
Mas saiba que, aqui em São Paulo, seu mérito – por modesto que seja – vai ainda ter que ser ofuscado pelo péssimo tratamento que este estado dá à Educação e que ( creia ) : é algo pensado.
Bem, o SPTV, para quem não viu, não se referiu exatamente ao PISA, mas tocou novamente no assunto “Educação” e, assim, veio novamente com aquela maneira sinuosa de transferir a culpa da burrice dos alunos da rede pública de São Paulo aos professores “faltosos”.
Como sempre, a cobertura parcial, pró-PSDB, omissa, mentirosa e por aí vai, veio com a velha história da Carochinha e verdadeiro lugar-comum: os professores faltam e isso prejudica nossas crianças. E tome ficar mostrando aquelas mesmas crianças que fizeram o Serra criar uma lei proibindo os alunos de falar em telefone celular em plena aula, dizendo que “querem estudar, mas não tem aula e nem atividade” ( sic ).
A matéria do jornal já começa ruim, pelo fato de não ter dado o devido espaço para a APEOESP, em igual ao dado para toda a suja mensagem contra-professor. O Carlão, da Apeoesp, disse que sua entrevista foi toda editada, mas a Secretária de Educação do Estado falou ao vivo e respondeu perguntas do Chico Pinheiro.
A bem da verdade, as denúncias que o professorado faz já não são mais segredo, e a população devia deixar de lado esse papel de “café-com-leite” que lhe tem servido muito bem. Os pais não comparecem às reuniões ou aos convites que a escola de seus filhos lhes mandam. Só que, no final, vão reclamar na Secretaria de Ensino. E olha que, pro filho repetir, precisa muito. Mas o moleque consegue. Eu já vi ( JURO! ) aluno de 5a. Série errar o próprio nome. Há escolas que estão abertas, em pleno recesso e com as notas finais já definidas e mostradas, mas que permanecerão funcionando até o dia 21 ( final do calendário escolar, se me informei bem ) porque alguns pais não quiseram ter os filhos já em casa. Pode isso? O moleque já tem as notas, mas a escola estará aberta para recebê-lo. Só não sei se estas escolas são do estado ou municipais. Tanto faz, não importa a qual famiglia você pertence, já que os objetivos são os mesmos.
São 50 alunos ou mais por sala de aula; a maior parte dos professores faz mais de uma escola; o salário é um dos piores da Federação, só que – vou repetir mais uma vez – a tucanalha e seus asseclas midiáticos somam salários MAIS as gratificações ( que não contam para a aposentadoria ) e fazem parecer, à população, que o professor ganha bem. Ora, fazendo 60 horas semanais ( se somarmos, então, o trabalho não-remunerado que acaba fazendo em casa… ) , alguém só pode mesmo é ficar doente.
As faltas, geralmente por motivos de saúde – decorrentes, aliás, da própria condição que o governo estadual oferece – estão previstas nos Estatutos.
( Acabei de lembrar que Serra divulgou aos quatro ventos que colocaria “um professor” ( sic ) auxiliar na sala de aula e teve que desdizer, pois tratou-se, realmente, de um estagiário sem formação e nem autoridade e responsabilidades verdadeiras; talvez tenha inventado isso para suavizar o fato de ter encerrado o “Escola da Família”. Mas, como não ouvi falar mais nada sobre os “dois professores por sala de aula”, creio que foi só mais um factóide irresponsável que deu em nada e a imprensa não falou mais nisso. )
A sabotagem que o governo tucano faz contra o ensino público paulista ocorre a todo vapor, e só quando tornar-se lei a não obrigatoriedade do Estado em prover a instrução do povo, é que a população paulista ( e paulistana ) vai deixar de lado as preocupações “com o trânsito da Capital”. A tática é fazer parecer que o governo estadual recompensa e paga regiamente aos professores, só que estes ficam sabotando os esforços governamentais, sempre exigindo mais e faltando de propósito, contemplados por uma lei que os torna “marajás” do ensino.
O governo Serra está fechando salas de aula, determinando às escolas que evitem as matrículas do EJA ( Educação para Jovens e Adultos ) dificultando, ao máximo, a entrada destes pobres coitados na rede. Futuramente, dará instruções à imprensa, mostrando “não existir demanda” e, assim, justificando o fechamento em definitivo o projeto que, se não me engano, foi preconizado por Paulo Freire. A lógica é a mesma para a rede inteira. Destrói-se, sucateia-se e privatiza-se.
Bem, eu sei que falta um monte de coisa, mas chega por hoje.
PROFESSORES ( PRINCIPALMENTE OS DA REDE ESTADUAL PAULISTA)!
FAÇAM ALGO POR SUA AUTO-ESTIMA: BOICOTEM A REDE GLOBO!

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.