Não me refiro a algum programa de repressão policial. Eu estava a ler o Propaganda & Marketing, e aparece a coluna de alguém:
TOLERÂNCIA ZERO NAS EMPRESAS
Prá começo de conversa, quem nos acompanha aqui no blog ( Ei, você, acorde !! ) sabe que essa pilantragem de Recursos Humanos, aquela história de GESTÃO MOTIVACIONAL, também tem esses lances de Administração de Empresas, tudo isso é MERDA para mim !!
Cansei de ver gente semi-analfabeta funcional tentando pagar uma de investidor, de corretor de mercado, de gestor, essas bostas todas.
A questão, cara para mim é: capitalismo, socialismo ou anarquismo: seja qual for o tipo de agregamento humano ou sei lá, sociedade, ou forma de convívio social que escolhamos, o certo é que existe a necessidade de subsistirmos, a chamada ancestral para que mantenhamos vivos, a nós e a humanidade. Comer e procriar. Água. Frio.
Não domino de forma alguma a História das Sociedades diversas que apareceram e deram aqui como estamos hoje. Não sei quem foram os Sumérios e não imagino quando e como foi desenvolvida a Revolução Industrial, como chegamos a isso a que dá-se o nome de Democracia Representativa, como apareceu o Estado Moderno, isso tudo me é distante.
Mas eu sinto fome. E sede. E frio ( além da raiva ) . Vocês também têm isso.
E aí, eu pergunto: dá para levar a sério alguém que, em meio àquelas conversas típicas de classe-média-profissional-liberal, saca da manga uma série de jargões e lugares-comuns ( em todos os ambientes existem os seus lugares-comuns ) , para impressionar os outros? Aquele típico puxa-saco arrivista, caixa de ressonância de interesses acima dos seus ( do patrão, por exemplo ) , humilde seguidor da doutrina do “vestir a camisa da empresa”, ” somos uma equipe”, “vamos vencer os desafios”… ( BLEARGH !!! ) …
“Vencer os desafios”? A quê se refere isso ?
À concorrência [ "(...) a cada dia mais acirrada, num mundo cada dia mais dinâmico e competitivo (...) "... Viram como qualquer imbecil sabe de cor e salteado a cantilena ? ] ou ao “inimigo” ? Quem é o inimigo?
Outro sujeito querendo ganhar dinheiro para viver e sobreviver.
E essa competição está em quase todo lugar. O Vestibular é uma coisa assim.
Até me lembrei agora: estava conversando com o Vinícius, e mencionamos os cursos que poucos se interessam, em que até existe – em alguns momentos – sobra de vagas, como Letras, História, Filosofia. Esses cursos, e não é segredo nenhum, estão ocupados pelos mais pobres e remediados, a classe média baixa, o white-trash… enfim, ou existe uma exigência por Kant ( ou por ) Latim na sociedade brasileira, ou as pessoas estão desesperadas por um diploma universitário.
E nessa conversa me veio uma tese ( nada tão sério, que possa ser chamado dessa forma mas dane-se ) . Quando se diz - e isso vem à tona, a cada vez que há referências à trágica e descomunal obra de destruição das escolas e da Educação sob os cento e lá vai porrilhão de anos de governo tucano aqui em São Paulo – que só o diploma interessa, passo a achar que isso acontece também com relação aos estudantes desses cursos referidos acima.
Eles querem seu diploma, e não interessa se não é aquele desejado. Engenharia, Medicina são, em sua larguíssima maioria, para aquela japonesada do Objetivo.
Há excessões, que justificam a regra, como de alguém que passou fome, morou nas ruas, dormiu debaixo do viaduto ( até ser expulso pela Prefeitura ) , dormiu em casa abandonada ( até que a Cyrela foi lá, comprou barato o imóvel, demoliu-o, construiu um forte-apache com salão de festas e garage-band e destruiu o bairro, desvalorizou a região, comprou os outros imóveis – bem barato -, demoliu-os, construiu outras torres, e agora ficamos sabendo que o governo estadualvai construir um parque ecológico bem ao lado das propriedades – isso é que é sorte !!! ) e passou em primeiro na FUVEST em engenharia nuclear, só com seu esforço ( todo mundo pode, basta acreditar… ) .
Eu fugi bastante do assunto inicial, né? Eu sempre faço isso.
Bem. Onde quero chegar – nem eu sei direito – com isso ?
Digamos que eu apenas gostaria de saber quem foi o FDP quem inventou a competição entre pessoas que têm o mesmo objetivo ou, antes de tudo, as mesmas necessidades?
Outra coisa. Solta um mimeógrafo nas mãos de um desses caras ( o gestor, por exemplo ) e poucos saberão usá-lo. O mesmo vale para o manejo da Natureza em nosso proveito de de nossa sobrevivência. Fluxo de caixa ou MBA em gerenciamento de pessoas ? Isso só funciona em uma sociedade extremamente burocratizada. Quando digo “burocratizada”, quero dizer, cheia de merda e blá-blá-blá. O almofadinha precisa de alguém que faça o ( perdão pela expressão batida ) “trabalho sujo” ( melhor: o “trabalho de verdade” ) .
Nessa mesma conversa, o Vinícius pediu que eu desse um jeito de falar sobre o “desenvolvimento” ou o “crescimento”. Como assim?
Aparece alguém dizendo: “O que o Brasil precisa ( enfático, hein? ) é de crescimento”.
Acabamos concordando, pois em nossa cabeça, crescimento significa “emprego”, logo “grana”, logo “comida”, e por aí vai. Não que desejemos pensar dessa forma.
Acho que nunca paramos para pensar o significado disso e, conforme as perguntas vão ficando mais difíceis de serem respondidas, faltam-nos aqueles que clarificam as coisas, em linguagem de gente. Eu nunca toparia participar de um debate com o Gustavo Franco ou o Mendonção. Eles iam acabar me convencendo que o que sinto não é fome, mas preguiça. E que me falta competência. E ambição.
Sacaram?
Só tem “direito” a um trabalho – ou ao melhor trabalho, que paga mais – quem for mais ambicioso que o próximo. Só merece alimentar-se quem for ambicioso. Se você não aceita isso, prepare-se, pois seu vizinho aceita.
Quem não tiver ambição, não terá direitos quaisquer ( já que pessoas não ambiciosas costumam ser também não-produtivas ) , pois “direitos” são comprados.
Aos poucos, você será excluído em favor das pessoas que formarão a sociedade perfeita. Essa sociedade será formada por indivíduos ambiciosos. Cada vez mais ambiciosos. Ilimitadamente ambiciosos.
Um dia desses, ouvi um cidadão ligar para alguém ( talvez um corretor ) para que este buscasse uma “terra”, que ele queria começar a plantar EUCALIPTO. Há uma bela polêmica a respeito. Dizem que consome muita água e destrói o solo, que não aceitará mais cultivo algum.
Isso, quinzenas depois do relatório, que anunciou o aquecimento global apocalíptico.
O cara deve achar que isso acontecerá em Marte, que não é problema dele.
Outro dia recente, uma mulher pediu ao comerciante UM MAÇO MISERÁVEL DE CIGARRO, e ao invés de levar no bolso, a bruxa velha PEDIU UMA SACOLA. O sujeito, para não contrariar a “cliente” ( que tem sempre razão; ou direitos – “comprados”, aliás ) deu-lhe uma sacola enorme, pois só tinha daquele tamanho.
Gente como essa maluca
!!!
Eu ia escrever: “Gente como essa maluca é que faz com que, no futuro, passemos a respirar chumbo!!!”.
Mas lembrei que a gente já respira chumbo e que não há futuro.
Saí de novo da linha de raciocínio.
Eu estava pensando em um tipo de REALITY SHOW. E os participantes não seriam essas garotas de programa que aparecem costumeiramente, mas pessoas que viveram trabalhando no chamado “MERCADO” e que, graças a alguma ocorrência envolvendo:
- papéis virtuais;
- ações de empresas que só serão criadas quando acharem a cura da gripe;
- a quebra da Bolsa de Valores da Bolívia;
- uma epidemia de varíola causada por cobertores doados pelo USAID a populações de algum país rico em etanol e petróleo ( governado por uma família real corrupta e fanaticamente religiosa, porém aliado ) e que contaminou a plantação de milho transgênico usado na fabricação de salsichas refogadas e enlatadas;
- a especulação contra a moeda do Nepal;
e a decisão do governo de Nauru em atrasar o pagamento da dívida interna com os principais conglomerados bancários e famílias detentoras de papéis de curto prazo – contraída pela ditadura que governou o país durante 78 anos – para tentar resolver um problema envolvendo saneamento básico e mortes em massa de recém-nascidos acéfalos ( causado pelo despejo de chumbo no lençol freático da região, por uma empresa francesa de perfume ) , esses eventos todos fizeram com que a corretora em que eles trabalhavam viesse a falir.
Pois bem. Esses caras falidos terão que viver a vida real nesse nosso reality show com leves pitadas de snuff-movie, um formato que revolucionará a televisão brasileira.
Participante 1 :”Ei, o que é isso?”
P2 : “Eu já vi no You Tube. É um ônibus. “
P1 : ” Ah, que alívio.”
P2 : “AHHHHHRRRGHHH!!!”
Todos: “Keke foi ? Vc tá bem ?”
P2 : “É um morto. Um morto.”
P3 : “É claro que não. Ele tá se mexendo.”
P2 : ” Eu sei que ele está se mexendo. Não sou burro. Mas deveria estar. Está consumindo meu oxigênio.”
P4 : “Ele tem direito de respirar.”
P2 : “É? E ele comprou esse direito aonde?”
P1 : “Temos que gerenciar nossas necessidades. Otimizar nossos recursos. Quanto você tem, P4 ?”
P4 : “Só cartão de crédito. Qual você quer?”
P2 : “Deixa esse pra depois. Talvez precisemos para gastar no BAMBOA.”
P3 : “Eu não vou nesse lugar. Sou casado com a minha namorada de Faculdade. Fizemos Administração e MBA juntos. Agora demos entrada num três dormitórios da Cyrela. Só que agora não sei como vou pagar. Só se vendermos nossas FDCIs conjuntas e um pouco das ações da Vale que temos, quando comprei baratíssimo, antes de privatizar.”
ENTRA A VOZ DO LOCUTOR:
“Ih, P3, tua mulher fugiu com o presidente sênior daquela companhia que quebrou e que depois descobriram que o cara fraudava os balanços, ganhava bônus polpudos e salários e comissões astronômicas, além de levar a maior parte na divisão dos lucros entre os acionistas, o que resultou na ruína dos acionistas minoritários, na falência de fundos de pensão que aplicavam as aposentadorias de idosos uruguaios e na demissão de milhares de agricultores da Namíbia. Se fudeu ! “
P3: ” Pois é… o mercado oscila muito e só quem está preparado para competir é que conquista o sucesso.”
OS OUTROS: “Éééé !!!”
Depois eu retomo, pois fugi de novo do assunto.