ENCALHE

janeiro 23, 2008

Os "Mercados" podem se matar que não dou a mínima! Estadão admitiu que "economistas" erraram praticamente todos os chutes em 2007. 2008 será idem.

Aliás, “economista” é o Belluzzo e o PNBJr. Os caras que o Estadão mostrou são os tais “consultores” de Finanças.
Esses dias foram de “terror” para muitos: crise nos EUA ( “Viva a Crise” disse o Hora do Povo ), inflação no Brasil, aumento do feijão, um monte de mensagens apocalípticas desencontradas. E estes jornais têm capacidade de dizer que a equipe do Lula bate cabeça, quando dois ministros divergem sobre qualquer migalha que seja.
O camarada comum ( entre os quais me incluo ) fica realmente sem saber o que ocorre. Excesso de informação leva a total desconhecimento. Que paradoxo, não? Qual é a informação que presta, afinal de contas?
Vejam só isso que saiu publicado no caderno de Economia do Estadão, em 12 de Janeiro: o título da matéria é “Inflação de 4,46% encosta na meta”.
Tipo “meio-gol”.
A certa altura do texto, lê-se o seguinte: “(…) Eulina [ Nunes dos Santos, coordenadora de índices de preços do IBGE ] listou como principais motivos para o bom comportamento do grupo [ os "não-alimentícios"que, segundo consta, "contribuíram para que a taxa { de inflação de 2007 } não fosse maior" ] a influência do dólar sobre preços de eletrodomésticos, vestuário e energia elétrica (…), e a ausência de reajuste nos preços da gasolina [ o último foi em janeiro de 2006 ] (…)”.
PERALÁ! A gasolina não aumenta há quase 2 anos??
Eu não entendo nada de gasolina, combustíveis e detesto carros. Mas qualquer zé ruela sabe que, quando a gasosa aumenta de preço, é a maior chiadeira por aqui. Geralmente mais preocupados com o BBB, futebol, celular no ônibus ou com seus interesses mesquinhos, os consumidores – mais notadamente os paulistanos, de todas as classes – não querem saber se o petróleo está custando US$ 200 o dedal. Quer porque quer, a R$ 1,99 o navio tanque e pronto.
Uma pesquisa rápida na Internet e pronto: fico sabendo que, em janeiro de 2006 o barril chegou a mais de US$ 69,00.
Mais uma pesquisa e tenho com o que comparar: um barril de um determinado tipo de petróleo está na casa de 86 dólares e uns trocados ; em Novembro de 2007, um outro tipo do produto chegou a mais de 95 dólares.
Mérito de quem? Isso não vem ao caso. A impressão que eu tenho é a de que estou subsidiando os poluidores, mimados e assassinos motoristas de automóveis para que eles prossigam poluindo o ar que eu respiro.
E foda é que, se num dia desses o preço da gasolina aumentar, vai ser aquela puta encheção, e como sempre, sem base e nem motivo, só preconceito e ignorância.
Aliás, também o Bigstate trouxe uma entrevista com um economista em que este diz que é bobagem culpar as condições sociais pelo verdadeiro massacre que ocorre, diariamente, no Brasil. Eu ia começar a levar a sério, mas como o próprio jornal já decretou que os economistas erraram tudo, em 2207, conforme já dito acima, então deixa prá lá ( será que ao menos o rebaixamento do Corínthians eles acertaram? ).
Falando em polução. Um dia eu li umas linha em tom triunfante, acho que foi no Celso Ming, que Bush lançaria algumas medidas para aumentar o nada modesto consumo dos americanos, visando sair da recessão. Veja que coisa: os americanos não assinaram o Protocolo de Kiyoto, com a desculpa que o seu desenvolvimento não podia ser cerceado. A papelada das hipotécas escafedeu-se, o mundo vai virar pó ( de acordo com o imprensalão, é isso ) e nós dependemos, então, do aumento do consumo – logo, da poluição – pelos americanos para sair do buraco em que eles mesmos nos meteram. E ainda vem o Estadão, num editorial, chorar as pitangas que o Brasil está deixando “nosso principal mercado e parceiro” de lado. Parece que o jornal dos cafeeiros está se condoendo pelo Império. Vão dar pro cavalo!!

novembro 8, 2007

O esperado nunca acontece

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.
A valorização cambial pode pôr em risco o dinamismo da economia e ressuscitar a vulnerabilidade externa
ESTAMOS entrando provavelmente em uma nova fase da economia internacional. Pela primeira vez, a China e a Índia são os países que mais contribuem para o crescimento mundial, segundo estimativas do FMI. A participação dos países em desenvolvimento no PIB global vem aumentando de maneira contínua. Países como China, Rússia, Brasil e Índia estão adquirindo uma importância econômica e política gradualmente maior. Nem sempre os países desenvolvidos encaram essas mudanças com tranqüilidade. As velhas potências econômicas, embora ainda dominantes, estão em processo de declínio relativo aparentemente inexorável. O seu comportamento é cada vez mais defensivo e protecionista. Não querem abrir espaço para os que vêm de baixo. Os países do G7 (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá) ainda respondem por 40% do PIB mundial, mas sua participação tende a diminuir. São países economicamente maduros, basicamente acomodados e satisfeitos, com populações estacionárias ou cadentes. O crescimento demográfico que ainda conseguem registrar resulta, freqüentemente, dos fluxos de imigrantes legais ou ilegais provenientes da América Latina, da África ou da Ásia. Atualmente, os países do G7 abrigam apenas 11% da população do planeta. Os países em desenvolvimento, 85%. Na crise financeira recente, as economias emergentes desempenharam um papel estabilizador, compensando os efeitos recessivos oriundos dos EUA e da Europa. Tumulto financeiro no Norte e -quem diria?- relativa calma no Sul. Como dizia Keynes, “the expected never happens; it is the unexpected always” (o esperado nunca acontece; é o inesperado sempre). Quem poderia prever que uma grave crise financeira nos EUA e na Europa teria, pelo menos em uma fase inicial, repercussões tão modestas na periferia do sistema internacional? Enquanto as velhas potências se debatem com surpreendente fragilidade financeira, países como o Brasil estão assoberbados por influxos excessivos de capital que, quando não são neutralizados ou contidos, contribuem para a valorização da moeda nacional, solapando a competitividade externa. O que está por trás dessa relativa tranqüilidade dos emergentes é o grande progresso que esses países fizeram em termos de redução das suas vulnerabilidades financeiras. As contas públicas e os sistemas financeiros nacionais foram fortalecidos. Houve um notável ajustamento das contas externas. Em boa parte do mundo emergente, os balanços de pagamento tornaram-se superavitários e as reservas internacionais aumentaram de forma expressiva. Com algum atraso, o Brasil acompanhou essa onda e está hoje em posição razoavelmente confortável. Mas atenção: não há muito espaço para complacência. A situação internacional pode se complicar. Se a economia americana entrar em recessão, se a crise financeira no Norte se agravar, é pouco provável que países como o Brasil saiam ilesos. Por isso, é essencial deter a valorização cambial, que vem produzindo efeitos cada vez mais claros nos setores de “tradeables” e nas contas externas brasileiras. A valorização não é inevitável. Uma combinação de abrandamento da política monetária, com intervenções cambiais esterilizadas e controles sobre a entrada de capitais, pode ser suficiente para enfrentar o problema. Se ele não for enfrentado, estaremos colocando em risco o dinamismo da economia e ressuscitando o problema da vulnerabilidade externa.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR., 52, escreve às quintas-feiras nesta coluna. Diretor-executivo no FMI, representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago).
pnbjr@attglobal.net

Folha de São Paulo – 8/11/2007

agosto 17, 2007

Elevar salário é melhor remédio

AUMENTO DURANTE CRUZADO GEROU SALDO DE US$ 1 BI
Ex-ministro da Previdência Social destaca importância do crescimento

“O Plano Cruzado permitiu um surto de desenvolvimento e significativo aumento do salário mínimo, além de ter um generoso gatilho salarial. O resultado foi um saldo de caixa de US$ 1 bilhão. Ou seja, aumentar salários produz uma super-receita para a Previdência.” A afirmação foi feita pelo ex-ministro da Previdência Raphael de Almeida Magalhães, em seminário, no Rio, promovido, por Conselhos Regionais de Economia, Fundação Rosa Luxemburgo e Frente Parlamentar pelo Pleno Emprego.
O ex-ministro enfatizou que “o desenvolvimento com justiça social resolve os problemas da Previdência”. E denunciou a má-vontade dos bancos no trato com a economia popular: “Roberto Bonhousen (ex-presidente da Federação Nacional dos Bancos) não queria processar a folha de benefícios até quatro salários. Tentei passar para o Banco do Brasil e estaduais, mas o presidente do BB, Camilo Calazans, temeu um conflito com os privados. Até o presidente do Banco Central ligou, tentando me demover da idéia”, contou.
Magalhães lembrou que as contribuições sociais surgiram para que eventuais ajustes na Previdência fossem feitos sem reduzir benefícios: “Cofins e CSLL tinham como objetivo enfrentar momentos de recessão em um país com salários baixos e informalidade alta. O princípio básico é que não poderia haver dedução nos gastos da Seguridade Social”, disse, lembrando que a Constituinte abraçou a idéia, “apesar da resistência aguerrida do então senador paulista José Serra (PSDB).”
E frisou que o orçamento da Seguridade é separado da União, porque Previdência não é gasto, mas transferência de renda via uma agência do Estado: “No Plano Real, o sistema criado na Constituinte foi destruído pela desvinculação das receitas da União (DRU), que criou condições para o Tesouro subtrair recursos das contribuições. A inconstitucionalidade é gritante.”
Rogério Lessa
MONITOR MERCANTIL
16/08/2007 – 22:08

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