ENCALHE

agosto 23, 2007

Democratas querem saber se FMI apoia golpismo!!!

Democratas questionam posição do FMI após golpe na Venezuela
O Fundo Monetário Internacional (FMI) se defendeu das acusações feitas por deputados democratas americanos sobre o papel assumido pelo órgão, logo após o golpe na Venezuela, em 2002, contra o presidente Hugo Chávez.
Chávez anunciou que pretende retrirar Venezuela do FMI

Cinco deputados democratas enviaram uma carta na semana passada ao diretor do Fundo, Rodrigo de Rato, na qual fazem questionamentos sobre as declarações feitas por Thomas Dawson, o então diretor de relações externas do FMI, logo após o golpe na Venezuela, em abril de 2002.
Na carta, eles alegam que os comentários de Dawson de que o Fundo estava “pronto a ajudar a nova administração da maneira que for julgada apropriada” foram feitos horas após o golpe contra Hugo Chávez e questionam se o Fundo tinha conhecimento prévio da tentativa de derrubá-lo.
O FMI se defendeu das acusações dizendo que, na ocasião, o diretor de relações externas do Fundo expressou preocupações com o que se passaria com a população do país.
O Fundo acrescentou ainda que não tinha qualquer conhecimento prévio de nenhum tipo de tentativa de golpe na Venezuela.
Na entrevista, Dawson afirma que a instituição estava preocupada “que houvesse o risco de perdas de vidas” na Venezuela.
‘Incomuns’
A carta foi enviada por cinco deputados da esquerda democrata: Dennis Kucinich – um dos presidenciáveis do partido -, Raul Grijalva, Jose Serrano, Barbara Lee e Tammy Baldwin
No documento divulgado pelos democratas, os deputados classificam os comentários como “altamente incomuns”, visto que “o FMI é normalmente cauteloso sobre os governos que auxilia ou que considera parceiros apropriados para acordos, empréstimos ou outras formas de assistência por parte do FMI”.
A carta vai além, ao dizer que as declarações de Dawson são “ainda mais incomuns”, visto que na ocasião em que foi feita, na manhã do dia 12 de abril de 2002, “o governo comandado por Pedro Carmona na Venezuela tinha apenas algumas horas de idade e não contava com as marcas de um governo democrático”.
Além de questionarem se os os membros do FMI tinham conhecimento prévio do então recém-ocorrido golpe, os deputados perguntam como e por quem a decisão de apoiar Carmona foi informada a Thomas Dawson.
Apoio rápido
O último questionamento da carta é se o FMI alguma vez ofereceu um apoio tão rápido a um governo que tomou o poder através de um golpe militar.
Hugo Chávez recentemente afirmou que a Venezuela vai se retirar do Banco Mundial e do FMI.
O candidato europeu à sucessão de Rodrigo de Rato, Dominique Strauss-Kahn, disse que a saída da Venezuela seria lamentável e que faria tudo a seu alcance para que os países-membros permanecessem na instituição.
Strauss-Kahn é o mais cotado para suceder Rato, que deixará o comando do Fundo em outubro deste ano.
A Rússia apresentou nesta terça-feira, no entanto, uma candidatura alternativa para a direção do FMI, a do ex-primeiro-ministro checo e atual presidente do Banco Central do país, Josef Tosovsky.

julho 19, 2007

Granier não viu o ‘Livro Branco sobre a RCTV’? (1)

Filed under: golpismo, RCTV, Venezuela — Humberto @ 12:22 am
José Carlos Moutinho
18-Jul-2007
Correio da Cidadania

O diretor-presidente da RCTV (Rádio Caracas de Televisão), Marcel Granier, foi entrevistado no programa “Canal Livre”, da Rede Bandeirantes de Televisão (Band), no dia 01/07. O “comunicador” venezuelano tentou passar para os brasileiros a imagem de um perseguido político. Os jornalistas da Band ficaram no trivial. Optaram por não incomodar muito seu colega de imprensa com questionamentos mais aprofundados sobre o vencimento (legal) da concessão da RCTV, a participação desta no golpe de Estado de 11 de abril de 2002, sobre financiamentos das multinacionais e programação inapropriada para as crianças, entre outros. A preocupação principal daquela espécie de convescote jornalístico era atacar o Governo Hugo Chávez. Não tiveram preocupação de analisar o direito constitucional do Governo da República Bolivariana da Venezuela sobre as concessões do espaço radiofônico. Como se faz no vôlei, os entrevistadores só se empenharam em levantar a bola para que ele cortasse. Levantaram a auto-estima do pobre ricaço.

Pautada pela corporação Ruppert Murdoch/Fox News Cannel, a Band manifestou seu nítido apoio àquele irresponsável comunicador. O “Canal Livre” deu a oportunidade para Granier mentir a vontade.

Granier disse, entre outras coisas, não ter recebido, nem visto o “Livro Branco sobre a RCTV”. Um dossiê elaborado pelo Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação da Venezuela, que trás a luz do dia o obscurantismo daquela rede de televisão. Disse que sua televisão é democrática, que não participou do golpe contra Chávez. Mas não se conteve em manifestar sua repulsa, intolerância, arrogância e desrespeito pelo líder venezuelano.

A partir do presente artigo vamos trazer algumas importantes questões que Granier não quis que os brasileiros soubessem e nem os jornalistas da Band fizeram esforço para que ele dissesse. O “Livro Branco sobre a RCTV” é um libelo para a imprensa responsável e um míssil (no bom sentido) contra o conglomerado da mentira internacional e seus “afiliados”.

Caixa de ressonância

A posição submissa ao império da mentira internacional não é só uma qualidade da RCTV, pelo visto. É, também, do “Canal Livre” (Band), é da Globo, e de outras mais, que seguem a pauta exógena de tentar desqualificar o presidente da Venezuela, Hugo Chávez Frías, e, paralelamente, a integração sul-americana. Tal orientação nada mais é do que a manifestação objetiva das instituições financeiras imperialistas contra a Revolução Bolivariana e o Mercosul. Os financiadores da invasão ao Iraque acusam o presidente venezuelano de agredir à liberdade de imprensa e expressão, de ser um presidente totalitário e ditador, um incômodo nos encontros de chefes de Estados. Tal linha editorial foi a tônica da entrevista de Granier no programa “Canal Livre”.

Existe um influente número de esclerosados no mundo (esses que figuram na revista “Fortune”) que só sabem contar dinheiro, checar seus longos extratos bancários. Vivem a vida toda contando dinheiro e tentando golpear os outros para ganhar mais e mais dinheiro. E há os gerentes ideológicos destes, que ganham algum dinheiro para ajudar os poucos biliardários a tomar posse das riquezas alheias e subverter a cultura de um povo. Para ajudar na identificação dos gerentes, são os Roberto Campos e os FHCs da vida, que tudo fizeram para acabar com a Era Vargas e pôr fim ao Estado brasileiro. Conseguiram entregar (a preço de banana) setores estratégicos, como a Vale do Rio Doce, as telecomunicações, o transporte de cabotagem. E há ainda os novos neoliberais, que hoje sonham fazer o mesmo com a Petrobrás, na medida em que estão aumentando cada vez mais o nível de internacionalização da estatal e exportando petróleo bruto como se fosse uma “commodity” qualquer. Estamos perto de ver todo lucro das nossas empresas (estatais ou privadas) esvaírem para o exterior. E o brasileiro que vá “catar coquinho” e plantar cana para os gringos.

Na Venezuela há os Granier e os Carmonas, que seguem a mesma lógica de seus homólogos brasileiros. Preferem ver aquele rico país caribenho curvado ante o capital estrangeiro. Acham que os anglo-saxãos são bons administradores, por isso, mantiveram, por longos anos, a PDVSA distante do povo e em estreito laços com os acionistas em Wall Street, que mamavam nas tetas daquela estatal venezuelana. Essa é a questão de fundo oculta nos debates sobre a liberdade de imprensa e expressão, não só na Venezuela como no Brasil e demais países. O direito de quem deve prevalecer: o da maioria do povo ou a minoria de serviçais do sistema financeiro internacional?

Tal alarde da mídia, questionando o direito legal de um Estado soberano, pode funcionar como uma tentativa de intimidação para evitar a não renovação de outras concessões, como por exemplo, as do setor petrolífero. Nós assistimos o caso da Bolívia. Mas podemos, também, um dia, que esperamos seja breve, assistir no Brasil, quando decidir pôr fim aos leilões de nossas bacias sedimentares, que concedem imensas áreas do território nacional às multinacionais. As multinacionais vão gritar (a mídia vai reforçar o grito) e o Brasil entrará para o “Eixo do Mal”.

Esses personagens, via as maçudas edições dos mega-jornais, TVs e rádios procuram denegrir as forças progressistas. Eles têm verdadeira antipatia pelas expressões “defesa da soberania nacional”, “Estado de Bem-estar Social”, “projeto de desenvolvimento nacional”, “empresas estatais”, “monopólio estatal do petróleo”, “reforma agrária”, “gastos sociais”, “distribuição de renda com justiça social”, “pleno emprego”, “investimentos nas Forças Armadas”, “sentimento de pátria”, entre outras. Dia e noite, ininterruptamente e subliminarmente, trabalham para distanciar o povo de tais princípios fundamentais para conformar a cidadania.

A mensagem dos oligopólios midiáticos é o individualismo: você tem vida curta, viva a vida, viva o agora, ganhe dinheiro rápido, diante do estresse e do desemprego leia livros de auto-ajuda, saiba economizar seu salário (se é baixo, foi devido a sua qualificação que não acompanhou o mundo globalizado), Carteira de Trabalho é coisa do passado, seja autônomo, não se misture aos sindicalistas e aos defensores da soberania nacional e do socialismo.

Goebbels global

O escritor Richard Neville, em seu artigo “La vida y los crímenes de un Goebbels global” (Rebelión.org, 12-09-06), citou um fato bastante didático sobre a “liberdade” da mídia internacional. Ele disse que a jornalista Serene Sabbagh (ex-Fox News) explicou o motivo pelo qual chegou ao limite com os bombardeios no Líbano. “Como mãe de três, contemplava as imagens, as imagens em carne viva de crianças arrancadas dos escombros, e logo distorcidas pela Fox News. E escutava alguns de seus apresentadores, que afirmavam que esses pequenos assassinados, essas vítimas inocentes assassinadas, eram escudos humanos utilizados pelo Hezbollah. E um dos apresentadores chegou a dizer que foram colocados ali para o Hezbollah ganhar apoio nesta guerra. Foi algo incrível. Para mim, foi o ponto de ruptura”.

Sabbagh e uma colega, ressaltou Neville, enviaram uma carta conjunta de renúncia à Fox News com os seguintes termos: “Vocês não são só um instrumento da Casa Branca de Bush, e da propaganda israelense, vocês incitam a guerra sem ter sentido de decência, nem de profissionalismo”. “Um veredito amplamente compartido”, sublinhou Neville. “Fox News tem tido repórteres correndo no norte de Israel para detalhar cada ataque com foguetes e cada mobilização israelense, no entanto tem mostrado pouco ou nenhum interesse em relação a qualquer coisa que acontece do outro lado da fronteira”, disse Andrew Gumbel ao jornal britânico “Independent”.

Essa é a qualidade da “liberdade de imprensa” que eles pretendiam (e pretendem) manter na Venezuela. Distorcer fatos. Por isso, gritam contra o encerramento da concessão da RCTV. Mas não gritam contra outras centenas de concessões que não foram renovadas pelo mundo, inclusive nos EUA, como vimos no nosso artigo “Venezuela quer imprensa responsável”. E na concorrência de tal gritaria, a Band, não querendo ficar para trás da Globo, correu para entrevistar seu colega de mídia, o diretor-presidente da RCTV, Marcel Granier.

Além do apresentador Joelmir Betting, participaram os jornalistas Fernando Mitre, Antônio Teles, Fernando Dias de Melo, e Marcelo Parada, vice-presidente da Band, responsável pela TV aberta.

Joelmir Betting fez uma apoteótica apresentação daquela edição do “Canal Livre”, com imagens pinçadas de funcionários da RCTV chorando, bem ao estilo “Domingão do Faustão”. Outras imagens projetavam o presidente da Venezuela, Hugo Chávez Frías, fazendo contundente discurso (de uniforme militar e boina vermelha) chamando a RCTV de televisão fascista e avisando sobre a não renovação da concessão. Com a manipulação das imagens, a Band tentou engabelar os brasileiros ao projetar o enérgico presidente Chávez em contraste com os emocionados funcionários da RCTV.

Dizia a apresentação da Band: “O fim das transmissões emocionou os funcionários e levantou a discussão sobre a liberdade de expressão na Venezuela e em toda a América Latina. Os protestos se espalharam por todo o país. As medidas também afetaram as relações entre Brasil e a Venezuela. No início de junho o Senado brasileiro aprovou um requerimento em defesa do funcionamento da RCTV. Em resposta o presidente Hugo Chávez disse que o Congresso brasileiro agia como um papagaio do Congresso americano. O presidente Lula botou ‘panos quentes’ e disse que o presidente Chávez é parceiro do Brasil”. E a Band arrematou com uma alucinação: “A polêmica pode gerar conflitos na região”. “Hugo Chávez afirmou que está disposto a retirar o pedido de ingresso da Venezuela no Mercosul por causa da pressão do bloco contra o fechamento da RCTV”.

Joelmir, numa completa falta de respeito ao país vizinho e numa total paranóia, fez a pergunta que deu o tom daquela edição do “Canal Livre”: “Marcel Granier, a Venezuela estaria em contagem regressiva para a ditadura chavista?” E citou que tal processo teria três movimentos: presidência vitalícia de Hugo Chávez, a censura a toda liberdade de expressão e o partido único (acreditamos que seja uma alusão ao recém criado Partido Socialista Unido da Venezuela, que já tem mais de 5 milhões de filiados).

Marcel Granier, naturalmente, agradeceu muito a oportunidade e disse em tom absurdado disse que “a Venezuela está em marcha para um regime totalitário”. Afirmou que todos os Poderes na Venezuela são partidários do presidente Hugo Chávez. Disse que uma reforma constitucional está sendo elaborada secretamente, que há um clima de repressão policial, que Hugo Chávez tem sido muito aclamado pelo povo em geral (civil ou militar). Ele disse, mais absurdado ainda, que até os militares dão “vivas!” ao presidente Chávez.

Em resposta ao Fernando Mitre, que quis saber sobre a resistência ao presidente venezuelano, Granier disse que a oposição está planejando uma reação, mas que os partidos políticos estão em crise há muitos anos. Nesse sentido, o diretor-presidente da RCTV tem razão. Se de um lado os movimentos sociais (do povo) estão empolgados com a gestão de Hugo Chávez, de outro o movimento conservador realmente entrou em crise política, inclusive de desarticulação partidária. Isso talvez explique o fato de Granier ter reclamado tanto, durante a entrevista, que Chávez nunca se reúne com a oposição, nunca se reúne com os dirigentes sindicais, não se reúne com os intelectuais, e por aí foi.

Como pode o Sr. Granier querer tapear os brasileiros com tais afirmações de que um presidente, várias vezes reeleito, com milhões de pessoas nas ruas enfrentando os covardes tiros disparados pelas armas dos oposicionistas, não querer se reunir com as lideranças daquele país? Se a afirmativa do Sr. Granier fosse verdadeira (o que não é) estaríamos diante de um acontecimento incrível, sem igual no mundo. Ou seja, como Chávez teria conseguido tal façanha – ser reeleito diversas vezes, conseguir doação de vidas humanas (civis e militares) em defesa da Revolução Bolivariana? Como ele conseguiu tal feito sem sequer se reunir com as lideranças daquele país? Sem ouvir as lideranças, é algo impensável. Ou então, o presidente da RCTV tem um critério diferente de nós normais para definir “lideranças representativas”.

O vice-presidente da Band, Marcelo Parada, antes de dirigir nova pergunta ao Sr. Granier chamou este pelo título de presidente. E os demais jornalistas, como bons funcionários que são, também passaram a chamar Granier de presidente. Um tanto estranho, não é? Na linguagem popular isso significa “puxar o saco”. Parada: “Presidente, o senhor atribuiria essa perseguição do presidente Chávez ao seu canal de televisão, e ao senhor pessoalmente, o fato de que no golpe militar de 2002, que depôs o presidente Chávez por alguns dias, a sua rede de televisão teria se posicionado francamente a favor desse golpe?”.

E vem a mentira das grossas do “Goebbels” Granier: “Não é assim. É claro que meu canal de televisão não se posicionou em favor desse golpe, nem de nenhum outro golpe. Nossa televisão é uma televisão democrática”. Dá para acreditar? Não é o que diz o “Livro Branco sobre a RCTV”, que Granier, respondendo ao Fernando Mitre, disse não ter lido. É o que trataremos na nossa breve série de artigos.

Finalizamos este primeiro artigo introdutório, com uma importante pergunta do Fernando Mitre: “Presidente, o Ministério das Comunicações da Venezuela publicou um documento – o Livro Branco – que seria uma série de acusações à RCTV. Entre essas acusações estaria a ação objetiva da televisão apoiando o movimento golpista. Quais foram os movimentos que ocorreram no noticiário da televisão que o Governo Chávez considera golpista?”.

O “comunicador” venezuelano disse que, primeiro, foi devido o posicionamento crítico de sua televisão à concentração de poder do presidente Chávez. “Mas a publicação desse livro mostra como o governo venezuelano viola o Estado de Direito. Se o governo venezuelano tem alguma queixa sobre a RCTV ou de qualquer outra emissora (rádio, televisão) não tem que andar publicando livros. Ele tem é que iniciar um processo policial, que prevêem as leis, dando a oportunidade das emissoras se defenderem das acusações que se formulam. Esse documento é um documento parcial. (…) Não é nenhuma decisão administrativa, nem policial, e nenhum processo”. “Esse tal livro nunca nos foi entregue. Nós não vimos o livro. Nós não o recebemos. Entendo que ele circula em alguns meios, em alguns fóruns internacionais. Mas ele não tem nenhuma sustentação legal. E não estão permitindo a defesa de quem é acusado nesse livro”.

Granier não viu o Livro Branco? Então, como tece juízos sobre o petardo? Como pode ele arrogar-se no direito de dizer que o Governo da Venezuela, notadamente o Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação, não tem que publicar livros? Granier é um tremendo arrogante. Ele não viu o livro? A publicação oficial (que é efetivamente o início de um processo, no qual a não renovação da concessão foi uma das sentenças) está disponível na internet, no portal do referido ministério. E mais: o livro é lido semanalmente pelo programa “La Trinchera”, na Emissora Comunitária ARTE 91,5 FM. Ele poderia ouvir essa rádio, seria educativo.

O livro foi publicado em março de 2007, bem antes de expirar a concessão da RCTV. Ou seja, houve tempo suficiente para o Sr. Granier ter lido o livro de 184 páginas. Mas ele pode estar falando a verdade, pode ser que não tenha lido. E se não leu está configurada a sua incompetência como administrador de uma concessão pública. Nós aqui do Brasil conseguimos baixar, com muita facilidade, nossa cópia, no formato PDF, gratuitamente, sem precisar preencher nenhum formulário de identificação. Está na primeira página do endereço eletrônico (http://www.conatel.gob.ve), do Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação.

Os efeitos negativos do monopólio da comunicação

O “Livro Branco sobre RCTV”, em seu quinto capítulo, fala sobre a concentração das televisões privadas no espectro radiofônico, que, até 26/01/07, detinham 80% (UHF) e 78% (VHF). O livro lembra que a Declaração da Convenção Interamericana de Direitos Humanos da Organização de Estados Americanos (OEA), firmada em Washington declara: “Os monopólios ou oligopólios na propriedade e controle dos meios de comunicação devem estar sujeitos a leis anti-monopolistas por quanto conspiram contra a democracia ao restringir a pluralidade e diversidade que assegura o pleno exercício do direito a informação dos cidadãos. Em nenhum caso, essas leis devem ser exclusivas para os meios de comunicação. As concessões de rádio e televisão devem considerar critérios democráticos que garantem uma igualdade de oportunidades para todos os indivíduos no acesso aos mesmos”. Será um dos assuntos do próximo artigo Granier não viu o “Livro Branco sobre a RCTV”? (2).

José Carlos Moutinho é jornalista.

Para comentar este artigo, clique aqui.

Granier não viu o ‘Livro Branco sobre a RCTV’? (1)

Filed under: golpismo, RCTV, Venezuela — Humberto @ 12:22 am
José Carlos Moutinho
18-Jul-2007
Correio da Cidadania

O diretor-presidente da RCTV (Rádio Caracas de Televisão), Marcel Granier, foi entrevistado no programa “Canal Livre”, da Rede Bandeirantes de Televisão (Band), no dia 01/07. O “comunicador” venezuelano tentou passar para os brasileiros a imagem de um perseguido político. Os jornalistas da Band ficaram no trivial. Optaram por não incomodar muito seu colega de imprensa com questionamentos mais aprofundados sobre o vencimento (legal) da concessão da RCTV, a participação desta no golpe de Estado de 11 de abril de 2002, sobre financiamentos das multinacionais e programação inapropriada para as crianças, entre outros. A preocupação principal daquela espécie de convescote jornalístico era atacar o Governo Hugo Chávez. Não tiveram preocupação de analisar o direito constitucional do Governo da República Bolivariana da Venezuela sobre as concessões do espaço radiofônico. Como se faz no vôlei, os entrevistadores só se empenharam em levantar a bola para que ele cortasse. Levantaram a auto-estima do pobre ricaço.

Pautada pela corporação Ruppert Murdoch/Fox News Cannel, a Band manifestou seu nítido apoio àquele irresponsável comunicador. O “Canal Livre” deu a oportunidade para Granier mentir a vontade.

Granier disse, entre outras coisas, não ter recebido, nem visto o “Livro Branco sobre a RCTV”. Um dossiê elaborado pelo Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação da Venezuela, que trás a luz do dia o obscurantismo daquela rede de televisão. Disse que sua televisão é democrática, que não participou do golpe contra Chávez. Mas não se conteve em manifestar sua repulsa, intolerância, arrogância e desrespeito pelo líder venezuelano.

A partir do presente artigo vamos trazer algumas importantes questões que Granier não quis que os brasileiros soubessem e nem os jornalistas da Band fizeram esforço para que ele dissesse. O “Livro Branco sobre a RCTV” é um libelo para a imprensa responsável e um míssil (no bom sentido) contra o conglomerado da mentira internacional e seus “afiliados”.

Caixa de ressonância

A posição submissa ao império da mentira internacional não é só uma qualidade da RCTV, pelo visto. É, também, do “Canal Livre” (Band), é da Globo, e de outras mais, que seguem a pauta exógena de tentar desqualificar o presidente da Venezuela, Hugo Chávez Frías, e, paralelamente, a integração sul-americana. Tal orientação nada mais é do que a manifestação objetiva das instituições financeiras imperialistas contra a Revolução Bolivariana e o Mercosul. Os financiadores da invasão ao Iraque acusam o presidente venezuelano de agredir à liberdade de imprensa e expressão, de ser um presidente totalitário e ditador, um incômodo nos encontros de chefes de Estados. Tal linha editorial foi a tônica da entrevista de Granier no programa “Canal Livre”.

Existe um influente número de esclerosados no mundo (esses que figuram na revista “Fortune”) que só sabem contar dinheiro, checar seus longos extratos bancários. Vivem a vida toda contando dinheiro e tentando golpear os outros para ganhar mais e mais dinheiro. E há os gerentes ideológicos destes, que ganham algum dinheiro para ajudar os poucos biliardários a tomar posse das riquezas alheias e subverter a cultura de um povo. Para ajudar na identificação dos gerentes, são os Roberto Campos e os FHCs da vida, que tudo fizeram para acabar com a Era Vargas e pôr fim ao Estado brasileiro. Conseguiram entregar (a preço de banana) setores estratégicos, como a Vale do Rio Doce, as telecomunicações, o transporte de cabotagem. E há ainda os novos neoliberais, que hoje sonham fazer o mesmo com a Petrobrás, na medida em que estão aumentando cada vez mais o nível de internacionalização da estatal e exportando petróleo bruto como se fosse uma “commodity” qualquer. Estamos perto de ver todo lucro das nossas empresas (estatais ou privadas) esvaírem para o exterior. E o brasileiro que vá “catar coquinho” e plantar cana para os gringos.

Na Venezuela há os Granier e os Carmonas, que seguem a mesma lógica de seus homólogos brasileiros. Preferem ver aquele rico país caribenho curvado ante o capital estrangeiro. Acham que os anglo-saxãos são bons administradores, por isso, mantiveram, por longos anos, a PDVSA distante do povo e em estreito laços com os acionistas em Wall Street, que mamavam nas tetas daquela estatal venezuelana. Essa é a questão de fundo oculta nos debates sobre a liberdade de imprensa e expressão, não só na Venezuela como no Brasil e demais países. O direito de quem deve prevalecer: o da maioria do povo ou a minoria de serviçais do sistema financeiro internacional?

Tal alarde da mídia, questionando o direito legal de um Estado soberano, pode funcionar como uma tentativa de intimidação para evitar a não renovação de outras concessões, como por exemplo, as do setor petrolífero. Nós assistimos o caso da Bolívia. Mas podemos, também, um dia, que esperamos seja breve, assistir no Brasil, quando decidir pôr fim aos leilões de nossas bacias sedimentares, que concedem imensas áreas do território nacional às multinacionais. As multinacionais vão gritar (a mídia vai reforçar o grito) e o Brasil entrará para o “Eixo do Mal”.

Esses personagens, via as maçudas edições dos mega-jornais, TVs e rádios procuram denegrir as forças progressistas. Eles têm verdadeira antipatia pelas expressões “defesa da soberania nacional”, “Estado de Bem-estar Social”, “projeto de desenvolvimento nacional”, “empresas estatais”, “monopólio estatal do petróleo”, “reforma agrária”, “gastos sociais”, “distribuição de renda com justiça social”, “pleno emprego”, “investimentos nas Forças Armadas”, “sentimento de pátria”, entre outras. Dia e noite, ininterruptamente e subliminarmente, trabalham para distanciar o povo de tais princípios fundamentais para conformar a cidadania.

A mensagem dos oligopólios midiáticos é o individualismo: você tem vida curta, viva a vida, viva o agora, ganhe dinheiro rápido, diante do estresse e do desemprego leia livros de auto-ajuda, saiba economizar seu salário (se é baixo, foi devido a sua qualificação que não acompanhou o mundo globalizado), Carteira de Trabalho é coisa do passado, seja autônomo, não se misture aos sindicalistas e aos defensores da soberania nacional e do socialismo.

Goebbels global

O escritor Richard Neville, em seu artigo “La vida y los crímenes de un Goebbels global” (Rebelión.org, 12-09-06), citou um fato bastante didático sobre a “liberdade” da mídia internacional. Ele disse que a jornalista Serene Sabbagh (ex-Fox News) explicou o motivo pelo qual chegou ao limite com os bombardeios no Líbano. “Como mãe de três, contemplava as imagens, as imagens em carne viva de crianças arrancadas dos escombros, e logo distorcidas pela Fox News. E escutava alguns de seus apresentadores, que afirmavam que esses pequenos assassinados, essas vítimas inocentes assassinadas, eram escudos humanos utilizados pelo Hezbollah. E um dos apresentadores chegou a dizer que foram colocados ali para o Hezbollah ganhar apoio nesta guerra. Foi algo incrível. Para mim, foi o ponto de ruptura”.

Sabbagh e uma colega, ressaltou Neville, enviaram uma carta conjunta de renúncia à Fox News com os seguintes termos: “Vocês não são só um instrumento da Casa Branca de Bush, e da propaganda israelense, vocês incitam a guerra sem ter sentido de decência, nem de profissionalismo”. “Um veredito amplamente compartido”, sublinhou Neville. “Fox News tem tido repórteres correndo no norte de Israel para detalhar cada ataque com foguetes e cada mobilização israelense, no entanto tem mostrado pouco ou nenhum interesse em relação a qualquer coisa que acontece do outro lado da fronteira”, disse Andrew Gumbel ao jornal britânico “Independent”.

Essa é a qualidade da “liberdade de imprensa” que eles pretendiam (e pretendem) manter na Venezuela. Distorcer fatos. Por isso, gritam contra o encerramento da concessão da RCTV. Mas não gritam contra outras centenas de concessões que não foram renovadas pelo mundo, inclusive nos EUA, como vimos no nosso artigo “Venezuela quer imprensa responsável”. E na concorrência de tal gritaria, a Band, não querendo ficar para trás da Globo, correu para entrevistar seu colega de mídia, o diretor-presidente da RCTV, Marcel Granier.

Além do apresentador Joelmir Betting, participaram os jornalistas Fernando Mitre, Antônio Teles, Fernando Dias de Melo, e Marcelo Parada, vice-presidente da Band, responsável pela TV aberta.

Joelmir Betting fez uma apoteótica apresentação daquela edição do “Canal Livre”, com imagens pinçadas de funcionários da RCTV chorando, bem ao estilo “Domingão do Faustão”. Outras imagens projetavam o presidente da Venezuela, Hugo Chávez Frías, fazendo contundente discurso (de uniforme militar e boina vermelha) chamando a RCTV de televisão fascista e avisando sobre a não renovação da concessão. Com a manipulação das imagens, a Band tentou engabelar os brasileiros ao projetar o enérgico presidente Chávez em contraste com os emocionados funcionários da RCTV.

Dizia a apresentação da Band: “O fim das transmissões emocionou os funcionários e levantou a discussão sobre a liberdade de expressão na Venezuela e em toda a América Latina. Os protestos se espalharam por todo o país. As medidas também afetaram as relações entre Brasil e a Venezuela. No início de junho o Senado brasileiro aprovou um requerimento em defesa do funcionamento da RCTV. Em resposta o presidente Hugo Chávez disse que o Congresso brasileiro agia como um papagaio do Congresso americano. O presidente Lula botou ‘panos quentes’ e disse que o presidente Chávez é parceiro do Brasil”. E a Band arrematou com uma alucinação: “A polêmica pode gerar conflitos na região”. “Hugo Chávez afirmou que está disposto a retirar o pedido de ingresso da Venezuela no Mercosul por causa da pressão do bloco contra o fechamento da RCTV”.

Joelmir, numa completa falta de respeito ao país vizinho e numa total paranóia, fez a pergunta que deu o tom daquela edição do “Canal Livre”: “Marcel Granier, a Venezuela estaria em contagem regressiva para a ditadura chavista?” E citou que tal processo teria três movimentos: presidência vitalícia de Hugo Chávez, a censura a toda liberdade de expressão e o partido único (acreditamos que seja uma alusão ao recém criado Partido Socialista Unido da Venezuela, que já tem mais de 5 milhões de filiados).

Marcel Granier, naturalmente, agradeceu muito a oportunidade e disse em tom absurdado disse que “a Venezuela está em marcha para um regime totalitário”. Afirmou que todos os Poderes na Venezuela são partidários do presidente Hugo Chávez. Disse que uma reforma constitucional está sendo elaborada secretamente, que há um clima de repressão policial, que Hugo Chávez tem sido muito aclamado pelo povo em geral (civil ou militar). Ele disse, mais absurdado ainda, que até os militares dão “vivas!” ao presidente Chávez.

Em resposta ao Fernando Mitre, que quis saber sobre a resistência ao presidente venezuelano, Granier disse que a oposição está planejando uma reação, mas que os partidos políticos estão em crise há muitos anos. Nesse sentido, o diretor-presidente da RCTV tem razão. Se de um lado os movimentos sociais (do povo) estão empolgados com a gestão de Hugo Chávez, de outro o movimento conservador realmente entrou em crise política, inclusive de desarticulação partidária. Isso talvez explique o fato de Granier ter reclamado tanto, durante a entrevista, que Chávez nunca se reúne com a oposição, nunca se reúne com os dirigentes sindicais, não se reúne com os intelectuais, e por aí foi.

Como pode o Sr. Granier querer tapear os brasileiros com tais afirmações de que um presidente, várias vezes reeleito, com milhões de pessoas nas ruas enfrentando os covardes tiros disparados pelas armas dos oposicionistas, não querer se reunir com as lideranças daquele país? Se a afirmativa do Sr. Granier fosse verdadeira (o que não é) estaríamos diante de um acontecimento incrível, sem igual no mundo. Ou seja, como Chávez teria conseguido tal façanha – ser reeleito diversas vezes, conseguir doação de vidas humanas (civis e militares) em defesa da Revolução Bolivariana? Como ele conseguiu tal feito sem sequer se reunir com as lideranças daquele país? Sem ouvir as lideranças, é algo impensável. Ou então, o presidente da RCTV tem um critério diferente de nós normais para definir “lideranças representativas”.

O vice-presidente da Band, Marcelo Parada, antes de dirigir nova pergunta ao Sr. Granier chamou este pelo título de presidente. E os demais jornalistas, como bons funcionários que são, também passaram a chamar Granier de presidente. Um tanto estranho, não é? Na linguagem popular isso significa “puxar o saco”. Parada: “Presidente, o senhor atribuiria essa perseguição do presidente Chávez ao seu canal de televisão, e ao senhor pessoalmente, o fato de que no golpe militar de 2002, que depôs o presidente Chávez por alguns dias, a sua rede de televisão teria se posicionado francamente a favor desse golpe?”.

E vem a mentira das grossas do “Goebbels” Granier: “Não é assim. É claro que meu canal de televisão não se posicionou em favor desse golpe, nem de nenhum outro golpe. Nossa televisão é uma televisão democrática”. Dá para acreditar? Não é o que diz o “Livro Branco sobre a RCTV”, que Granier, respondendo ao Fernando Mitre, disse não ter lido. É o que trataremos na nossa breve série de artigos.

Finalizamos este primeiro artigo introdutório, com uma importante pergunta do Fernando Mitre: “Presidente, o Ministério das Comunicações da Venezuela publicou um documento – o Livro Branco – que seria uma série de acusações à RCTV. Entre essas acusações estaria a ação objetiva da televisão apoiando o movimento golpista. Quais foram os movimentos que ocorreram no noticiário da televisão que o Governo Chávez considera golpista?”.

O “comunicador” venezuelano disse que, primeiro, foi devido o posicionamento crítico de sua televisão à concentração de poder do presidente Chávez. “Mas a publicação desse livro mostra como o governo venezuelano viola o Estado de Direito. Se o governo venezuelano tem alguma queixa sobre a RCTV ou de qualquer outra emissora (rádio, televisão) não tem que andar publicando livros. Ele tem é que iniciar um processo policial, que prevêem as leis, dando a oportunidade das emissoras se defenderem das acusações que se formulam. Esse documento é um documento parcial. (…) Não é nenhuma decisão administrativa, nem policial, e nenhum processo”. “Esse tal livro nunca nos foi entregue. Nós não vimos o livro. Nós não o recebemos. Entendo que ele circula em alguns meios, em alguns fóruns internacionais. Mas ele não tem nenhuma sustentação legal. E não estão permitindo a defesa de quem é acusado nesse livro”.

Granier não viu o Livro Branco? Então, como tece juízos sobre o petardo? Como pode ele arrogar-se no direito de dizer que o Governo da Venezuela, notadamente o Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação, não tem que publicar livros? Granier é um tremendo arrogante. Ele não viu o livro? A publicação oficial (que é efetivamente o início de um processo, no qual a não renovação da concessão foi uma das sentenças) está disponível na internet, no portal do referido ministério. E mais: o livro é lido semanalmente pelo programa “La Trinchera”, na Emissora Comunitária ARTE 91,5 FM. Ele poderia ouvir essa rádio, seria educativo.

O livro foi publicado em março de 2007, bem antes de expirar a concessão da RCTV. Ou seja, houve tempo suficiente para o Sr. Granier ter lido o livro de 184 páginas. Mas ele pode estar falando a verdade, pode ser que não tenha lido. E se não leu está configurada a sua incompetência como administrador de uma concessão pública. Nós aqui do Brasil conseguimos baixar, com muita facilidade, nossa cópia, no formato PDF, gratuitamente, sem precisar preencher nenhum formulário de identificação. Está na primeira página do endereço eletrônico (http://www.conatel.gob.ve), do Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação.

Os efeitos negativos do monopólio da comunicação

O “Livro Branco sobre RCTV”, em seu quinto capítulo, fala sobre a concentração das televisões privadas no espectro radiofônico, que, até 26/01/07, detinham 80% (UHF) e 78% (VHF). O livro lembra que a Declaração da Convenção Interamericana de Direitos Humanos da Organização de Estados Americanos (OEA), firmada em Washington declara: “Os monopólios ou oligopólios na propriedade e controle dos meios de comunicação devem estar sujeitos a leis anti-monopolistas por quanto conspiram contra a democracia ao restringir a pluralidade e diversidade que assegura o pleno exercício do direito a informação dos cidadãos. Em nenhum caso, essas leis devem ser exclusivas para os meios de comunicação. As concessões de rádio e televisão devem considerar critérios democráticos que garantem uma igualdade de oportunidades para todos os indivíduos no acesso aos mesmos”. Será um dos assuntos do próximo artigo Granier não viu o “Livro Branco sobre a RCTV”? (2).

José Carlos Moutinho é jornalista.

Para comentar este artigo, clique aqui.

Granier não viu o ‘Livro Branco sobre a RCTV’? (1)

Filed under: golpismo, RCTV, Venezuela — Humberto @ 12:22 am
José Carlos Moutinho
18-Jul-2007
Correio da Cidadania

O diretor-presidente da RCTV (Rádio Caracas de Televisão), Marcel Granier, foi entrevistado no programa “Canal Livre”, da Rede Bandeirantes de Televisão (Band), no dia 01/07. O “comunicador” venezuelano tentou passar para os brasileiros a imagem de um perseguido político. Os jornalistas da Band ficaram no trivial. Optaram por não incomodar muito seu colega de imprensa com questionamentos mais aprofundados sobre o vencimento (legal) da concessão da RCTV, a participação desta no golpe de Estado de 11 de abril de 2002, sobre financiamentos das multinacionais e programação inapropriada para as crianças, entre outros. A preocupação principal daquela espécie de convescote jornalístico era atacar o Governo Hugo Chávez. Não tiveram preocupação de analisar o direito constitucional do Governo da República Bolivariana da Venezuela sobre as concessões do espaço radiofônico. Como se faz no vôlei, os entrevistadores só se empenharam em levantar a bola para que ele cortasse. Levantaram a auto-estima do pobre ricaço.

Pautada pela corporação Ruppert Murdoch/Fox News Cannel, a Band manifestou seu nítido apoio àquele irresponsável comunicador. O “Canal Livre” deu a oportunidade para Granier mentir a vontade.

Granier disse, entre outras coisas, não ter recebido, nem visto o “Livro Branco sobre a RCTV”. Um dossiê elaborado pelo Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação da Venezuela, que trás a luz do dia o obscurantismo daquela rede de televisão. Disse que sua televisão é democrática, que não participou do golpe contra Chávez. Mas não se conteve em manifestar sua repulsa, intolerância, arrogância e desrespeito pelo líder venezuelano.

A partir do presente artigo vamos trazer algumas importantes questões que Granier não quis que os brasileiros soubessem e nem os jornalistas da Band fizeram esforço para que ele dissesse. O “Livro Branco sobre a RCTV” é um libelo para a imprensa responsável e um míssil (no bom sentido) contra o conglomerado da mentira internacional e seus “afiliados”.

Caixa de ressonância

A posição submissa ao império da mentira internacional não é só uma qualidade da RCTV, pelo visto. É, também, do “Canal Livre” (Band), é da Globo, e de outras mais, que seguem a pauta exógena de tentar desqualificar o presidente da Venezuela, Hugo Chávez Frías, e, paralelamente, a integração sul-americana. Tal orientação nada mais é do que a manifestação objetiva das instituições financeiras imperialistas contra a Revolução Bolivariana e o Mercosul. Os financiadores da invasão ao Iraque acusam o presidente venezuelano de agredir à liberdade de imprensa e expressão, de ser um presidente totalitário e ditador, um incômodo nos encontros de chefes de Estados. Tal linha editorial foi a tônica da entrevista de Granier no programa “Canal Livre”.

Existe um influente número de esclerosados no mundo (esses que figuram na revista “Fortune”) que só sabem contar dinheiro, checar seus longos extratos bancários. Vivem a vida toda contando dinheiro e tentando golpear os outros para ganhar mais e mais dinheiro. E há os gerentes ideológicos destes, que ganham algum dinheiro para ajudar os poucos biliardários a tomar posse das riquezas alheias e subverter a cultura de um povo. Para ajudar na identificação dos gerentes, são os Roberto Campos e os FHCs da vida, que tudo fizeram para acabar com a Era Vargas e pôr fim ao Estado brasileiro. Conseguiram entregar (a preço de banana) setores estratégicos, como a Vale do Rio Doce, as telecomunicações, o transporte de cabotagem. E há ainda os novos neoliberais, que hoje sonham fazer o mesmo com a Petrobrás, na medida em que estão aumentando cada vez mais o nível de internacionalização da estatal e exportando petróleo bruto como se fosse uma “commodity” qualquer. Estamos perto de ver todo lucro das nossas empresas (estatais ou privadas) esvaírem para o exterior. E o brasileiro que vá “catar coquinho” e plantar cana para os gringos.

Na Venezuela há os Granier e os Carmonas, que seguem a mesma lógica de seus homólogos brasileiros. Preferem ver aquele rico país caribenho curvado ante o capital estrangeiro. Acham que os anglo-saxãos são bons administradores, por isso, mantiveram, por longos anos, a PDVSA distante do povo e em estreito laços com os acionistas em Wall Street, que mamavam nas tetas daquela estatal venezuelana. Essa é a questão de fundo oculta nos debates sobre a liberdade de imprensa e expressão, não só na Venezuela como no Brasil e demais países. O direito de quem deve prevalecer: o da maioria do povo ou a minoria de serviçais do sistema financeiro internacional?

Tal alarde da mídia, questionando o direito legal de um Estado soberano, pode funcionar como uma tentativa de intimidação para evitar a não renovação de outras concessões, como por exemplo, as do setor petrolífero. Nós assistimos o caso da Bolívia. Mas podemos, também, um dia, que esperamos seja breve, assistir no Brasil, quando decidir pôr fim aos leilões de nossas bacias sedimentares, que concedem imensas áreas do território nacional às multinacionais. As multinacionais vão gritar (a mídia vai reforçar o grito) e o Brasil entrará para o “Eixo do Mal”.

Esses personagens, via as maçudas edições dos mega-jornais, TVs e rádios procuram denegrir as forças progressistas. Eles têm verdadeira antipatia pelas expressões “defesa da soberania nacional”, “Estado de Bem-estar Social”, “projeto de desenvolvimento nacional”, “empresas estatais”, “monopólio estatal do petróleo”, “reforma agrária”, “gastos sociais”, “distribuição de renda com justiça social”, “pleno emprego”, “investimentos nas Forças Armadas”, “sentimento de pátria”, entre outras. Dia e noite, ininterruptamente e subliminarmente, trabalham para distanciar o povo de tais princípios fundamentais para conformar a cidadania.

A mensagem dos oligopólios midiáticos é o individualismo: você tem vida curta, viva a vida, viva o agora, ganhe dinheiro rápido, diante do estresse e do desemprego leia livros de auto-ajuda, saiba economizar seu salário (se é baixo, foi devido a sua qualificação que não acompanhou o mundo globalizado), Carteira de Trabalho é coisa do passado, seja autônomo, não se misture aos sindicalistas e aos defensores da soberania nacional e do socialismo.

Goebbels global

O escritor Richard Neville, em seu artigo “La vida y los crímenes de un Goebbels global” (Rebelión.org, 12-09-06), citou um fato bastante didático sobre a “liberdade” da mídia internacional. Ele disse que a jornalista Serene Sabbagh (ex-Fox News) explicou o motivo pelo qual chegou ao limite com os bombardeios no Líbano. “Como mãe de três, contemplava as imagens, as imagens em carne viva de crianças arrancadas dos escombros, e logo distorcidas pela Fox News. E escutava alguns de seus apresentadores, que afirmavam que esses pequenos assassinados, essas vítimas inocentes assassinadas, eram escudos humanos utilizados pelo Hezbollah. E um dos apresentadores chegou a dizer que foram colocados ali para o Hezbollah ganhar apoio nesta guerra. Foi algo incrível. Para mim, foi o ponto de ruptura”.

Sabbagh e uma colega, ressaltou Neville, enviaram uma carta conjunta de renúncia à Fox News com os seguintes termos: “Vocês não são só um instrumento da Casa Branca de Bush, e da propaganda israelense, vocês incitam a guerra sem ter sentido de decência, nem de profissionalismo”. “Um veredito amplamente compartido”, sublinhou Neville. “Fox News tem tido repórteres correndo no norte de Israel para detalhar cada ataque com foguetes e cada mobilização israelense, no entanto tem mostrado pouco ou nenhum interesse em relação a qualquer coisa que acontece do outro lado da fronteira”, disse Andrew Gumbel ao jornal britânico “Independent”.

Essa é a qualidade da “liberdade de imprensa” que eles pretendiam (e pretendem) manter na Venezuela. Distorcer fatos. Por isso, gritam contra o encerramento da concessão da RCTV. Mas não gritam contra outras centenas de concessões que não foram renovadas pelo mundo, inclusive nos EUA, como vimos no nosso artigo “Venezuela quer imprensa responsável”. E na concorrência de tal gritaria, a Band, não querendo ficar para trás da Globo, correu para entrevistar seu colega de mídia, o diretor-presidente da RCTV, Marcel Granier.

Além do apresentador Joelmir Betting, participaram os jornalistas Fernando Mitre, Antônio Teles, Fernando Dias de Melo, e Marcelo Parada, vice-presidente da Band, responsável pela TV aberta.

Joelmir Betting fez uma apoteótica apresentação daquela edição do “Canal Livre”, com imagens pinçadas de funcionários da RCTV chorando, bem ao estilo “Domingão do Faustão”. Outras imagens projetavam o presidente da Venezuela, Hugo Chávez Frías, fazendo contundente discurso (de uniforme militar e boina vermelha) chamando a RCTV de televisão fascista e avisando sobre a não renovação da concessão. Com a manipulação das imagens, a Band tentou engabelar os brasileiros ao projetar o enérgico presidente Chávez em contraste com os emocionados funcionários da RCTV.

Dizia a apresentação da Band: “O fim das transmissões emocionou os funcionários e levantou a discussão sobre a liberdade de expressão na Venezuela e em toda a América Latina. Os protestos se espalharam por todo o país. As medidas também afetaram as relações entre Brasil e a Venezuela. No início de junho o Senado brasileiro aprovou um requerimento em defesa do funcionamento da RCTV. Em resposta o presidente Hugo Chávez disse que o Congresso brasileiro agia como um papagaio do Congresso americano. O presidente Lula botou ‘panos quentes’ e disse que o presidente Chávez é parceiro do Brasil”. E a Band arrematou com uma alucinação: “A polêmica pode gerar conflitos na região”. “Hugo Chávez afirmou que está disposto a retirar o pedido de ingresso da Venezuela no Mercosul por causa da pressão do bloco contra o fechamento da RCTV”.

Joelmir, numa completa falta de respeito ao país vizinho e numa total paranóia, fez a pergunta que deu o tom daquela edição do “Canal Livre”: “Marcel Granier, a Venezuela estaria em contagem regressiva para a ditadura chavista?” E citou que tal processo teria três movimentos: presidência vitalícia de Hugo Chávez, a censura a toda liberdade de expressão e o partido único (acreditamos que seja uma alusão ao recém criado Partido Socialista Unido da Venezuela, que já tem mais de 5 milhões de filiados).

Marcel Granier, naturalmente, agradeceu muito a oportunidade e disse em tom absurdado disse que “a Venezuela está em marcha para um regime totalitário”. Afirmou que todos os Poderes na Venezuela são partidários do presidente Hugo Chávez. Disse que uma reforma constitucional está sendo elaborada secretamente, que há um clima de repressão policial, que Hugo Chávez tem sido muito aclamado pelo povo em geral (civil ou militar). Ele disse, mais absurdado ainda, que até os militares dão “vivas!” ao presidente Chávez.

Em resposta ao Fernando Mitre, que quis saber sobre a resistência ao presidente venezuelano, Granier disse que a oposição está planejando uma reação, mas que os partidos políticos estão em crise há muitos anos. Nesse sentido, o diretor-presidente da RCTV tem razão. Se de um lado os movimentos sociais (do povo) estão empolgados com a gestão de Hugo Chávez, de outro o movimento conservador realmente entrou em crise política, inclusive de desarticulação partidária. Isso talvez explique o fato de Granier ter reclamado tanto, durante a entrevista, que Chávez nunca se reúne com a oposição, nunca se reúne com os dirigentes sindicais, não se reúne com os intelectuais, e por aí foi.

Como pode o Sr. Granier querer tapear os brasileiros com tais afirmações de que um presidente, várias vezes reeleito, com milhões de pessoas nas ruas enfrentando os covardes tiros disparados pelas armas dos oposicionistas, não querer se reunir com as lideranças daquele país? Se a afirmativa do Sr. Granier fosse verdadeira (o que não é) estaríamos diante de um acontecimento incrível, sem igual no mundo. Ou seja, como Chávez teria conseguido tal façanha – ser reeleito diversas vezes, conseguir doação de vidas humanas (civis e militares) em defesa da Revolução Bolivariana? Como ele conseguiu tal feito sem sequer se reunir com as lideranças daquele país? Sem ouvir as lideranças, é algo impensável. Ou então, o presidente da RCTV tem um critério diferente de nós normais para definir “lideranças representativas”.

O vice-presidente da Band, Marcelo Parada, antes de dirigir nova pergunta ao Sr. Granier chamou este pelo título de presidente. E os demais jornalistas, como bons funcionários que são, também passaram a chamar Granier de presidente. Um tanto estranho, não é? Na linguagem popular isso significa “puxar o saco”. Parada: “Presidente, o senhor atribuiria essa perseguição do presidente Chávez ao seu canal de televisão, e ao senhor pessoalmente, o fato de que no golpe militar de 2002, que depôs o presidente Chávez por alguns dias, a sua rede de televisão teria se posicionado francamente a favor desse golpe?”.

E vem a mentira das grossas do “Goebbels” Granier: “Não é assim. É claro que meu canal de televisão não se posicionou em favor desse golpe, nem de nenhum outro golpe. Nossa televisão é uma televisão democrática”. Dá para acreditar? Não é o que diz o “Livro Branco sobre a RCTV”, que Granier, respondendo ao Fernando Mitre, disse não ter lido. É o que trataremos na nossa breve série de artigos.

Finalizamos este primeiro artigo introdutório, com uma importante pergunta do Fernando Mitre: “Presidente, o Ministério das Comunicações da Venezuela publicou um documento – o Livro Branco – que seria uma série de acusações à RCTV. Entre essas acusações estaria a ação objetiva da televisão apoiando o movimento golpista. Quais foram os movimentos que ocorreram no noticiário da televisão que o Governo Chávez considera golpista?”.

O “comunicador” venezuelano disse que, primeiro, foi devido o posicionamento crítico de sua televisão à concentração de poder do presidente Chávez. “Mas a publicação desse livro mostra como o governo venezuelano viola o Estado de Direito. Se o governo venezuelano tem alguma queixa sobre a RCTV ou de qualquer outra emissora (rádio, televisão) não tem que andar publicando livros. Ele tem é que iniciar um processo policial, que prevêem as leis, dando a oportunidade das emissoras se defenderem das acusações que se formulam. Esse documento é um documento parcial. (…) Não é nenhuma decisão administrativa, nem policial, e nenhum processo”. “Esse tal livro nunca nos foi entregue. Nós não vimos o livro. Nós não o recebemos. Entendo que ele circula em alguns meios, em alguns fóruns internacionais. Mas ele não tem nenhuma sustentação legal. E não estão permitindo a defesa de quem é acusado nesse livro”.

Granier não viu o Livro Branco? Então, como tece juízos sobre o petardo? Como pode ele arrogar-se no direito de dizer que o Governo da Venezuela, notadamente o Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação, não tem que publicar livros? Granier é um tremendo arrogante. Ele não viu o livro? A publicação oficial (que é efetivamente o início de um processo, no qual a não renovação da concessão foi uma das sentenças) está disponível na internet, no portal do referido ministério. E mais: o livro é lido semanalmente pelo programa “La Trinchera”, na Emissora Comunitária ARTE 91,5 FM. Ele poderia ouvir essa rádio, seria educativo.

O livro foi publicado em março de 2007, bem antes de expirar a concessão da RCTV. Ou seja, houve tempo suficiente para o Sr. Granier ter lido o livro de 184 páginas. Mas ele pode estar falando a verdade, pode ser que não tenha lido. E se não leu está configurada a sua incompetência como administrador de uma concessão pública. Nós aqui do Brasil conseguimos baixar, com muita facilidade, nossa cópia, no formato PDF, gratuitamente, sem precisar preencher nenhum formulário de identificação. Está na primeira página do endereço eletrônico (http://www.conatel.gob.ve), do Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação.

Os efeitos negativos do monopólio da comunicação

O “Livro Branco sobre RCTV”, em seu quinto capítulo, fala sobre a concentração das televisões privadas no espectro radiofônico, que, até 26/01/07, detinham 80% (UHF) e 78% (VHF). O livro lembra que a Declaração da Convenção Interamericana de Direitos Humanos da Organização de Estados Americanos (OEA), firmada em Washington declara: “Os monopólios ou oligopólios na propriedade e controle dos meios de comunicação devem estar sujeitos a leis anti-monopolistas por quanto conspiram contra a democracia ao restringir a pluralidade e diversidade que assegura o pleno exercício do direito a informação dos cidadãos. Em nenhum caso, essas leis devem ser exclusivas para os meios de comunicação. As concessões de rádio e televisão devem considerar critérios democráticos que garantem uma igualdade de oportunidades para todos os indivíduos no acesso aos mesmos”. Será um dos assuntos do próximo artigo Granier não viu o “Livro Branco sobre a RCTV”? (2).

José Carlos Moutinho é jornalista.

Para comentar este artigo, clique aqui.

Granier não viu o ‘Livro Branco sobre a RCTV’? (1)

Filed under: golpismo, RCTV, Venezuela — Humberto @ 12:22 am
José Carlos Moutinho
18-Jul-2007
Correio da Cidadania

O diretor-presidente da RCTV (Rádio Caracas de Televisão), Marcel Granier, foi entrevistado no programa “Canal Livre”, da Rede Bandeirantes de Televisão (Band), no dia 01/07. O “comunicador” venezuelano tentou passar para os brasileiros a imagem de um perseguido político. Os jornalistas da Band ficaram no trivial. Optaram por não incomodar muito seu colega de imprensa com questionamentos mais aprofundados sobre o vencimento (legal) da concessão da RCTV, a participação desta no golpe de Estado de 11 de abril de 2002, sobre financiamentos das multinacionais e programação inapropriada para as crianças, entre outros. A preocupação principal daquela espécie de convescote jornalístico era atacar o Governo Hugo Chávez. Não tiveram preocupação de analisar o direito constitucional do Governo da República Bolivariana da Venezuela sobre as concessões do espaço radiofônico. Como se faz no vôlei, os entrevistadores só se empenharam em levantar a bola para que ele cortasse. Levantaram a auto-estima do pobre ricaço.

Pautada pela corporação Ruppert Murdoch/Fox News Cannel, a Band manifestou seu nítido apoio àquele irresponsável comunicador. O “Canal Livre” deu a oportunidade para Granier mentir a vontade.

Granier disse, entre outras coisas, não ter recebido, nem visto o “Livro Branco sobre a RCTV”. Um dossiê elaborado pelo Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação da Venezuela, que trás a luz do dia o obscurantismo daquela rede de televisão. Disse que sua televisão é democrática, que não participou do golpe contra Chávez. Mas não se conteve em manifestar sua repulsa, intolerância, arrogância e desrespeito pelo líder venezuelano.

A partir do presente artigo vamos trazer algumas importantes questões que Granier não quis que os brasileiros soubessem e nem os jornalistas da Band fizeram esforço para que ele dissesse. O “Livro Branco sobre a RCTV” é um libelo para a imprensa responsável e um míssil (no bom sentido) contra o conglomerado da mentira internacional e seus “afiliados”.

Caixa de ressonância

A posição submissa ao império da mentira internacional não é só uma qualidade da RCTV, pelo visto. É, também, do “Canal Livre” (Band), é da Globo, e de outras mais, que seguem a pauta exógena de tentar desqualificar o presidente da Venezuela, Hugo Chávez Frías, e, paralelamente, a integração sul-americana. Tal orientação nada mais é do que a manifestação objetiva das instituições financeiras imperialistas contra a Revolução Bolivariana e o Mercosul. Os financiadores da invasão ao Iraque acusam o presidente venezuelano de agredir à liberdade de imprensa e expressão, de ser um presidente totalitário e ditador, um incômodo nos encontros de chefes de Estados. Tal linha editorial foi a tônica da entrevista de Granier no programa “Canal Livre”.

Existe um influente número de esclerosados no mundo (esses que figuram na revista “Fortune”) que só sabem contar dinheiro, checar seus longos extratos bancários. Vivem a vida toda contando dinheiro e tentando golpear os outros para ganhar mais e mais dinheiro. E há os gerentes ideológicos destes, que ganham algum dinheiro para ajudar os poucos biliardários a tomar posse das riquezas alheias e subverter a cultura de um povo. Para ajudar na identificação dos gerentes, são os Roberto Campos e os FHCs da vida, que tudo fizeram para acabar com a Era Vargas e pôr fim ao Estado brasileiro. Conseguiram entregar (a preço de banana) setores estratégicos, como a Vale do Rio Doce, as telecomunicações, o transporte de cabotagem. E há ainda os novos neoliberais, que hoje sonham fazer o mesmo com a Petrobrás, na medida em que estão aumentando cada vez mais o nível de internacionalização da estatal e exportando petróleo bruto como se fosse uma “commodity” qualquer. Estamos perto de ver todo lucro das nossas empresas (estatais ou privadas) esvaírem para o exterior. E o brasileiro que vá “catar coquinho” e plantar cana para os gringos.

Na Venezuela há os Granier e os Carmonas, que seguem a mesma lógica de seus homólogos brasileiros. Preferem ver aquele rico país caribenho curvado ante o capital estrangeiro. Acham que os anglo-saxãos são bons administradores, por isso, mantiveram, por longos anos, a PDVSA distante do povo e em estreito laços com os acionistas em Wall Street, que mamavam nas tetas daquela estatal venezuelana. Essa é a questão de fundo oculta nos debates sobre a liberdade de imprensa e expressão, não só na Venezuela como no Brasil e demais países. O direito de quem deve prevalecer: o da maioria do povo ou a minoria de serviçais do sistema financeiro internacional?

Tal alarde da mídia, questionando o direito legal de um Estado soberano, pode funcionar como uma tentativa de intimidação para evitar a não renovação de outras concessões, como por exemplo, as do setor petrolífero. Nós assistimos o caso da Bolívia. Mas podemos, também, um dia, que esperamos seja breve, assistir no Brasil, quando decidir pôr fim aos leilões de nossas bacias sedimentares, que concedem imensas áreas do território nacional às multinacionais. As multinacionais vão gritar (a mídia vai reforçar o grito) e o Brasil entrará para o “Eixo do Mal”.

Esses personagens, via as maçudas edições dos mega-jornais, TVs e rádios procuram denegrir as forças progressistas. Eles têm verdadeira antipatia pelas expressões “defesa da soberania nacional”, “Estado de Bem-estar Social”, “projeto de desenvolvimento nacional”, “empresas estatais”, “monopólio estatal do petróleo”, “reforma agrária”, “gastos sociais”, “distribuição de renda com justiça social”, “pleno emprego”, “investimentos nas Forças Armadas”, “sentimento de pátria”, entre outras. Dia e noite, ininterruptamente e subliminarmente, trabalham para distanciar o povo de tais princípios fundamentais para conformar a cidadania.

A mensagem dos oligopólios midiáticos é o individualismo: você tem vida curta, viva a vida, viva o agora, ganhe dinheiro rápido, diante do estresse e do desemprego leia livros de auto-ajuda, saiba economizar seu salário (se é baixo, foi devido a sua qualificação que não acompanhou o mundo globalizado), Carteira de Trabalho é coisa do passado, seja autônomo, não se misture aos sindicalistas e aos defensores da soberania nacional e do socialismo.

Goebbels global

O escritor Richard Neville, em seu artigo “La vida y los crímenes de un Goebbels global” (Rebelión.org, 12-09-06), citou um fato bastante didático sobre a “liberdade” da mídia internacional. Ele disse que a jornalista Serene Sabbagh (ex-Fox News) explicou o motivo pelo qual chegou ao limite com os bombardeios no Líbano. “Como mãe de três, contemplava as imagens, as imagens em carne viva de crianças arrancadas dos escombros, e logo distorcidas pela Fox News. E escutava alguns de seus apresentadores, que afirmavam que esses pequenos assassinados, essas vítimas inocentes assassinadas, eram escudos humanos utilizados pelo Hezbollah. E um dos apresentadores chegou a dizer que foram colocados ali para o Hezbollah ganhar apoio nesta guerra. Foi algo incrível. Para mim, foi o ponto de ruptura”.

Sabbagh e uma colega, ressaltou Neville, enviaram uma carta conjunta de renúncia à Fox News com os seguintes termos: “Vocês não são só um instrumento da Casa Branca de Bush, e da propaganda israelense, vocês incitam a guerra sem ter sentido de decência, nem de profissionalismo”. “Um veredito amplamente compartido”, sublinhou Neville. “Fox News tem tido repórteres correndo no norte de Israel para detalhar cada ataque com foguetes e cada mobilização israelense, no entanto tem mostrado pouco ou nenhum interesse em relação a qualquer coisa que acontece do outro lado da fronteira”, disse Andrew Gumbel ao jornal britânico “Independent”.

Essa é a qualidade da “liberdade de imprensa” que eles pretendiam (e pretendem) manter na Venezuela. Distorcer fatos. Por isso, gritam contra o encerramento da concessão da RCTV. Mas não gritam contra outras centenas de concessões que não foram renovadas pelo mundo, inclusive nos EUA, como vimos no nosso artigo “Venezuela quer imprensa responsável”. E na concorrência de tal gritaria, a Band, não querendo ficar para trás da Globo, correu para entrevistar seu colega de mídia, o diretor-presidente da RCTV, Marcel Granier.

Além do apresentador Joelmir Betting, participaram os jornalistas Fernando Mitre, Antônio Teles, Fernando Dias de Melo, e Marcelo Parada, vice-presidente da Band, responsável pela TV aberta.

Joelmir Betting fez uma apoteótica apresentação daquela edição do “Canal Livre”, com imagens pinçadas de funcionários da RCTV chorando, bem ao estilo “Domingão do Faustão”. Outras imagens projetavam o presidente da Venezuela, Hugo Chávez Frías, fazendo contundente discurso (de uniforme militar e boina vermelha) chamando a RCTV de televisão fascista e avisando sobre a não renovação da concessão. Com a manipulação das imagens, a Band tentou engabelar os brasileiros ao projetar o enérgico presidente Chávez em contraste com os emocionados funcionários da RCTV.

Dizia a apresentação da Band: “O fim das transmissões emocionou os funcionários e levantou a discussão sobre a liberdade de expressão na Venezuela e em toda a América Latina. Os protestos se espalharam por todo o país. As medidas também afetaram as relações entre Brasil e a Venezuela. No início de junho o Senado brasileiro aprovou um requerimento em defesa do funcionamento da RCTV. Em resposta o presidente Hugo Chávez disse que o Congresso brasileiro agia como um papagaio do Congresso americano. O presidente Lula botou ‘panos quentes’ e disse que o presidente Chávez é parceiro do Brasil”. E a Band arrematou com uma alucinação: “A polêmica pode gerar conflitos na região”. “Hugo Chávez afirmou que está disposto a retirar o pedido de ingresso da Venezuela no Mercosul por causa da pressão do bloco contra o fechamento da RCTV”.

Joelmir, numa completa falta de respeito ao país vizinho e numa total paranóia, fez a pergunta que deu o tom daquela edição do “Canal Livre”: “Marcel Granier, a Venezuela estaria em contagem regressiva para a ditadura chavista?” E citou que tal processo teria três movimentos: presidência vitalícia de Hugo Chávez, a censura a toda liberdade de expressão e o partido único (acreditamos que seja uma alusão ao recém criado Partido Socialista Unido da Venezuela, que já tem mais de 5 milhões de filiados).

Marcel Granier, naturalmente, agradeceu muito a oportunidade e disse em tom absurdado disse que “a Venezuela está em marcha para um regime totalitário”. Afirmou que todos os Poderes na Venezuela são partidários do presidente Hugo Chávez. Disse que uma reforma constitucional está sendo elaborada secretamente, que há um clima de repressão policial, que Hugo Chávez tem sido muito aclamado pelo povo em geral (civil ou militar). Ele disse, mais absurdado ainda, que até os militares dão “vivas!” ao presidente Chávez.

Em resposta ao Fernando Mitre, que quis saber sobre a resistência ao presidente venezuelano, Granier disse que a oposição está planejando uma reação, mas que os partidos políticos estão em crise há muitos anos. Nesse sentido, o diretor-presidente da RCTV tem razão. Se de um lado os movimentos sociais (do povo) estão empolgados com a gestão de Hugo Chávez, de outro o movimento conservador realmente entrou em crise política, inclusive de desarticulação partidária. Isso talvez explique o fato de Granier ter reclamado tanto, durante a entrevista, que Chávez nunca se reúne com a oposição, nunca se reúne com os dirigentes sindicais, não se reúne com os intelectuais, e por aí foi.

Como pode o Sr. Granier querer tapear os brasileiros com tais afirmações de que um presidente, várias vezes reeleito, com milhões de pessoas nas ruas enfrentando os covardes tiros disparados pelas armas dos oposicionistas, não querer se reunir com as lideranças daquele país? Se a afirmativa do Sr. Granier fosse verdadeira (o que não é) estaríamos diante de um acontecimento incrível, sem igual no mundo. Ou seja, como Chávez teria conseguido tal façanha – ser reeleito diversas vezes, conseguir doação de vidas humanas (civis e militares) em defesa da Revolução Bolivariana? Como ele conseguiu tal feito sem sequer se reunir com as lideranças daquele país? Sem ouvir as lideranças, é algo impensável. Ou então, o presidente da RCTV tem um critério diferente de nós normais para definir “lideranças representativas”.

O vice-presidente da Band, Marcelo Parada, antes de dirigir nova pergunta ao Sr. Granier chamou este pelo título de presidente. E os demais jornalistas, como bons funcionários que são, também passaram a chamar Granier de presidente. Um tanto estranho, não é? Na linguagem popular isso significa “puxar o saco”. Parada: “Presidente, o senhor atribuiria essa perseguição do presidente Chávez ao seu canal de televisão, e ao senhor pessoalmente, o fato de que no golpe militar de 2002, que depôs o presidente Chávez por alguns dias, a sua rede de televisão teria se posicionado francamente a favor desse golpe?”.

E vem a mentira das grossas do “Goebbels” Granier: “Não é assim. É claro que meu canal de televisão não se posicionou em favor desse golpe, nem de nenhum outro golpe. Nossa televisão é uma televisão democrática”. Dá para acreditar? Não é o que diz o “Livro Branco sobre a RCTV”, que Granier, respondendo ao Fernando Mitre, disse não ter lido. É o que trataremos na nossa breve série de artigos.

Finalizamos este primeiro artigo introdutório, com uma importante pergunta do Fernando Mitre: “Presidente, o Ministério das Comunicações da Venezuela publicou um documento – o Livro Branco – que seria uma série de acusações à RCTV. Entre essas acusações estaria a ação objetiva da televisão apoiando o movimento golpista. Quais foram os movimentos que ocorreram no noticiário da televisão que o Governo Chávez considera golpista?”.

O “comunicador” venezuelano disse que, primeiro, foi devido o posicionamento crítico de sua televisão à concentração de poder do presidente Chávez. “Mas a publicação desse livro mostra como o governo venezuelano viola o Estado de Direito. Se o governo venezuelano tem alguma queixa sobre a RCTV ou de qualquer outra emissora (rádio, televisão) não tem que andar publicando livros. Ele tem é que iniciar um processo policial, que prevêem as leis, dando a oportunidade das emissoras se defenderem das acusações que se formulam. Esse documento é um documento parcial. (…) Não é nenhuma decisão administrativa, nem policial, e nenhum processo”. “Esse tal livro nunca nos foi entregue. Nós não vimos o livro. Nós não o recebemos. Entendo que ele circula em alguns meios, em alguns fóruns internacionais. Mas ele não tem nenhuma sustentação legal. E não estão permitindo a defesa de quem é acusado nesse livro”.

Granier não viu o Livro Branco? Então, como tece juízos sobre o petardo? Como pode ele arrogar-se no direito de dizer que o Governo da Venezuela, notadamente o Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação, não tem que publicar livros? Granier é um tremendo arrogante. Ele não viu o livro? A publicação oficial (que é efetivamente o início de um processo, no qual a não renovação da concessão foi uma das sentenças) está disponível na internet, no portal do referido ministério. E mais: o livro é lido semanalmente pelo programa “La Trinchera”, na Emissora Comunitária ARTE 91,5 FM. Ele poderia ouvir essa rádio, seria educativo.

O livro foi publicado em março de 2007, bem antes de expirar a concessão da RCTV. Ou seja, houve tempo suficiente para o Sr. Granier ter lido o livro de 184 páginas. Mas ele pode estar falando a verdade, pode ser que não tenha lido. E se não leu está configurada a sua incompetência como administrador de uma concessão pública. Nós aqui do Brasil conseguimos baixar, com muita facilidade, nossa cópia, no formato PDF, gratuitamente, sem precisar preencher nenhum formulário de identificação. Está na primeira página do endereço eletrônico (http://www.conatel.gob.ve), do Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação.

Os efeitos negativos do monopólio da comunicação

O “Livro Branco sobre RCTV”, em seu quinto capítulo, fala sobre a concentração das televisões privadas no espectro radiofônico, que, até 26/01/07, detinham 80% (UHF) e 78% (VHF). O livro lembra que a Declaração da Convenção Interamericana de Direitos Humanos da Organização de Estados Americanos (OEA), firmada em Washington declara: “Os monopólios ou oligopólios na propriedade e controle dos meios de comunicação devem estar sujeitos a leis anti-monopolistas por quanto conspiram contra a democracia ao restringir a pluralidade e diversidade que assegura o pleno exercício do direito a informação dos cidadãos. Em nenhum caso, essas leis devem ser exclusivas para os meios de comunicação. As concessões de rádio e televisão devem considerar critérios democráticos que garantem uma igualdade de oportunidades para todos os indivíduos no acesso aos mesmos”. Será um dos assuntos do próximo artigo Granier não viu o “Livro Branco sobre a RCTV”? (2).

José Carlos Moutinho é jornalista.

Para comentar este artigo, clique aqui.

junho 23, 2007

Não satisfeito em ter criado o Valerioduto, Azeredo ( PSDB ) convida golpista da RCTV para dar palestra motivacional em pleno Senado brasileiro!!!!

Filed under: Eduardo Azeredo, golpismo, PSDB, RCTV, Senado Federal, Venezuela — Humberto @ 2:35 pm
da Agência Senado
O presidente da Radio Caracas Television (RCTV), Marcel Granier, deverá comparecer à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) para falar sobre o fechamento da emissora pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O convite está previsto em requerimento de autoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), aprovado nesta quinta-feira (21) pela comissão.
A presença de Granier será importante, na avaliação de Azeredo, para que o empresário possa comentar as “graves conseqüências” do fechamento da emissora “à liberdade de expressão na América Latina e no mundo livre”.
Ainda durante a reunião da CRE, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) relatou as suas negociações com o governo federal e com o governo paulista para que permaneça na cidade de São Paulo a sede do Parlamento Latino-americano (Parlatino). O presidente da comissão, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), sugeriu – com o apoio de Suplicy – que a emenda da CRE ao projeto de Orçamento da União para 2008 contemple recursos para a manutenção do Parlatino na capital paulista.
Presidente da RCTV será ouvido no Senado
do Comunique-se
O Senado Federal, pelo visto, não deu ouvidos ao conselho de Lula de que cada um cuide do seu país. A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Casa receberá o presidente da Radio Caracas Televisión (RCTV), Marcelo Granier, para uma audiência sobre a não-renovação da concessão pública do canal de TV. O convite foi feito na quinta-feira (24/06) pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).
Para Azeredo, a presença de Granier será importante para que o fechamento da emissora possa ser devidamente avaliado pelos senadores. O senador afirmou que o caso gera “graves conseqüências à liberdade de expressão na América Latina e no mundo livre”.
A data da audiência ainda será definida.

junho 22, 2007

“Mídia nunca reclamou quando antiga PDVSA vendia petróleo aos EUA a preço de banana”

Filed under: mídia, PDVSA, Petróleo, RCTV, Venezuela — Humberto @ 2:38 pm
“A mídia imperialista, a oposição e alguns desavisados continuam com a ladainha de que eu dou de presente o dinheiro produto da venda do petróleo, mas não dizem que a venda a um preço com desconto se trata de ajuda social a países pobres da América Latina e do Caribe”, assinalou Hugo Chávez, no ato realizado no ministério de Ciência e Tecnologia, em incentivo a ciência e tecnologia nacionais.
O chefe de Estado sublinhou que “a oposição não diz que, durante muitos anos, antes do nosso governo, a velha PDVSA vendia petróleo e seus derivados aos Estados Unidos a preço de banana, com descontos inexplicáveis. Era uma vergonha, porque o país é o mais rico do mundo. Estavam nos saqueando. Nos saquearam durante muito tempo. Os meios de comunicação que defendem os interesses imperialistas semeiam que nós temos outros interesses que não são os da solidariedade, da justiça, da união entre os povos para juntos avançarem e se desenvolverem. Tamanha sem-vergonhice!”.
Lembrou que uma das linhas do Projeto Nacional Simon Bolívar é transformar a Venezuela em potência energética mundial. “Ainda não somos, mas vamos ser e para isso se requer um grande esforço científico e tecnológico”, concluiu.
do Hora do Povo

Livro trata da mídia na Venezuela

Filed under: RCTV, Venezuela — Humberto @ 2:23 pm
“Midiático Poder – o caso Venezuela e a guerrilha informativa”, de Renato Rovai
A questão midiática na Venezuela, depois da não-renovação da concessão da RCTV, tornou-se o centro da pauta no que diz respeito às questões da comunicação. Seu debate tem sido pautado por posições extremadas. Ou se aponta Chávez como um herói pela coragem do ato ou como vilão, pelo autoritarismo como conduziu o processo.
O livro do jornalista Renato Rovai é um registro jornalístico dos antecedentes dessa história e um estudo sobre as formas como a disputa política tem se dado nos aparelhos informacionais na Venezuela.

junho 15, 2007

Silêncio é patriotismo.

Filed under: Bush, Greg Palast, Hugo Chávez, RCTV — Humberto @ 3:46 pm
Estou relendo “A melhor democracia que o dinheiro pode comprar” ( altamente recomendável ) de Greg Palast. É dele a frase que peguei emprestado para o título do post.
Por quê ele disse isso? Porque, ao contrário do horroroso ditador Hugo Chávez, que fica perseguindo os pobres jornalistas e fechando um monte de redes de TV da Venezuela, o governo Bush permite e fica até feliz quando um repórter de verdade mostra as conexões do presidente com a famíla Bin Laden, ou quando alguém faz as perguntas mais constrangedoras ao vencedor das eleições da Flórida.
Ou quando revela como foi feito o expurgo de eleitores negros – eleitores dos Democratas – ou da intrincada amizade de Bush com as grandes empresas.
Só que, apesar de gozar de tamanha liberdade, Greg Palast só consegue publicar suas matérias na Inglaterra.

junho 7, 2007

A longa carreira de crimes da RCTV contra a Venezuela

Filed under: CIA, golpismo, Hugo Chávez, RCTV, Venezuela — Humberto @ 4:04 am

Mentir, deformar e falsificar informação para perpetrar golpe de Estado é atentado contra a liberdade de informação. Canais de televisão e emissoras de rádio são concessão do Estado e não capitania hereditária

Não existe, talvez, maior evidência da hipocrisia da grita contra a não-renovação da concessão da RCTV (Radio Caracas Television), do que a animada comemoração, ao vivo, no dia seguinte do golpe de abril de 2002 contra o governo legítimo de Hugo Chávez, conduzida pelo seu apresentador Napoleón Bravo, cercado de golpistas, “comentaristas” e “jornalistas”, que se parabenizavam mutuamente pelo papel de cada qual. Sem se aperceber da avalanche humana prestes a se derramar sobre Caracas, Napoleón é visto se jactando do próprio papel no golpe e revelando que a entrevista, transmitida pela RCTV com os chefes militares golpistas, e elemento chave da trama, havia sido feita na casa dele, para, dizia, forçar Chávez a “não viajar para a Costa Rica”, e assim estar disponível, no Palácio Miraflores.
FRACASSOS
Não se sabe se eles teriam algum pudor se desconfiassem que o golpe de 2002 ia passar para a história como um dos mais breves já vistos. Provavelmente não. Depois de seis anos convocando, e fracassando, a derrubada do governo, agora, nos estertores, a RCTV pregou publicamente, como denunciou Chávez, “o magnicídio” – o assassinato do presidente. Em operação conjunta com a Globovisión, sob o pretexto de entrevistar o dono da RCTV, Marcel Granier, foi embutida, a título de mostrar as ‘imagens históricas’ do canal, a repetição do atentado contra o papa João Paulo II, com uma frase de uma música de Ruben Blades de fundo, que diz que “isso não termina aqui”. Assim, a não-renovação não se deve ao fato de a RCTV “fazer oposição”, mas por reincidir em tentar derrubar o governo legítimo.
Outros episódios da atuação da RCTV no golpe de 2002 são bastante conhecidos. Quando os chefes golpistas desviaram a marcha dos esquálidos, para conduzi-la até o Palácio Miraflores, então cercado de manifestantes chavistas, a RCTV exibiu sobre a imagem da turba um letreiro: “Ni uno paso atras”. Lembremos que essa alteração de roteiro não tinha como objetivo apenas produzir uma confrontação com os defensores do governo legítimo, mas criar o cenário para os assassinatos, por franco-atiradores previamente dispostos em prédios da área, de chavistas principalmente, mas até mesmo esquálidos e transeuntes. A deflagração do golpe visou impedir que o governo assumisse o controle da principal riqueza do país, o petróleo, nomeando uma diretoria da estatal PDVSA disposta a atender à determinação de Chávez de colocar o petróleo para desenvolver a Venezuela e enfrentar a pobreza, ao invés de servir às Sete Irmãs e à compra de mansões em Miami.
MANUAIS DA CIA
Uma peça típica dos manuais de golpes da CIA. Os golpistas matam civis, culpam o governo constitucional pelos assassinatos que eles próprios cometeram, e com a ajuda da mídia que controlam e/ou pagam, deflagram o golpe dizendo “não poderem aceitar” a inexistente ordem de disparar contra a população. A imputação do governo legítimo serve para dois fins, paralisar a população e os setores leais das forças armadas. Uma questão determinante para os golpistas, dada a imensa popularidade de Chávez e seu prestígio entre os militares. Não havia como ser um golpe “a seco”. Como de praxe, havia navios de guerra ianques ao largo do litoral venezuelano, boletim da CIA anunciou o golpe dias antes, adidos militares de Washington sequer tentavam ser discretos e a Casa Branca apoiou na hora. E o primeiro-ministro espanhol Aznar. Só. Mais ninguém no planeta inteiro.
O papel da RCTV nessa parte do golpe é bastante claro: manipular as imagens e os fatos para responsabilizar os defensores do governo legítimo pelos assassinatos cometidos pelos próprios golpistas. Essa manipulação foi repetida por todos os canais privados, ao mesmo tempo em que os golpistas agiram para tirar do ar o único canal estatal. O documentário “A Revolução não será televisionada” mostrou a seqüência completa das imagens de Ponte Laguno, de onde supostamente os chavistas “teriam atirado”. Com a sequência, se vê que os chavistas respondem, tentando defender seus manifestantes, ao fogo dos franco-atiradores, que atiravam do alto. E que a rua diante da ponte estava vazia, nenhum opositor de Chávez.
A RCTV prosseguiria, junto com outros canais privados mancomunados com o golpe. Mentiram dizendo que “Chávez tinha renunciado”, quando tinha sido seqüestrado e estava em local ignorado. Quando o procurador-geral do governo Chávez, Isaías Rodriguez, se disse disposto a confirmar ao vivo a “renúncia”, e já no ar passou-lhes a perna, gritando ao povo que “Chávez não renunciara” e denunciando a violação da constituição, tiraram a transmissão do ar. A reação popular começou, mas nada aparecia nos canais de televisão venezuelanos. A canalhice fez o novo diretor do principal telejornal do país, o da RCTV, Andrés Izarra, se demitir, e, depois, se tornar uma importante testemunha do crime. “O golpe de Estado de 2002 foi um ‘golpe midiático’. Os conspiradores, na euforia do triunfo, revelaram seus segredos, contaram tudo ou quase tudo”, confirmou Izarra. “Foi uma operação montada pela e com a televisão”.
Enquanto pôde, a mídia golpista cantou em prosa e verso a democracia de Pedro Carmona: decretação do fechamento da assembléia nacional e cassação dos deputados, fechamento da suprema corte e cassação dos juízes e supressão da justiça eleitoral. Um portento. Iam preparando o clima para uma caça às bruxas. Mas o povo venezuelano passou por cima de todas as mentiras, falsificações e manipulações.
MIRAFLORES
Um milhão de pessoas cercou o palácio Miraflores, depois o forte Tiuna, QG das forças armadas, e rapidamente os representantes do governo constitucional voltaram à recém libertada sede presidencial. Carmona, o Breve, teve de fugir às carreiras, junto com outros golpistas, enquanto os comandos legalistas exigiam a rendição dos golpistas e a imediata soltura de Chávez, até que este foi localizado e trazido de volta. Quando a situação começou a virar, e ficou evidente o fracasso do golpe, a RCTV e congêneres trocou de ação, para continuar apoiando os golpistas. Não dava uma só notícia, só filmes e desenhos animados.
Mas a folha corrida da RCTV vai além. Inclui, segundo recente pronunciamento do Tribunal Supremo de Justiça, “promoção ilegítima e imoral de prostituição”, o que era feito com anúncios na RCTV de prostitutas oferecendo “serviços” e com telefones de atendimento. Também está sendo processada por sonegação fiscal entre 1999 e 2003 e outros delitos. Bem antes de Chávez, a RCTV já havia, em 1976, sido tirada do ar por três dias por veicular notícias falsas. Em 1980, mais 36 horas por “programação sensacionalista”. Outras 24 horas por transmitir pornografia. Também o programa La Hojilla, da rede venezuelana VTV, exibiu, no dia 22 de maio, documentos desclassificados do Departamento de Estado dos EUA, que revelam que vários jornalistas da RCTV receberam dinheiro da embaixada norte-americana, assim como da Globovisión e o diretor do Noticiero Digital e editor do Tal Cual, em 2003 e 2004.
Portanto, a não-renovação da concessão, não apenas está respaldada na constituição, como ocorre no interesse da liberdade de informação. Liberdade do povo ser informado, liberdade de acesso à verdade, liberdade de consciência, versus a pretensa “liberdade” de deformação, mentira e falsificação, de invasão de privacidade, que um monopólio de mídia subserviente se arroga, agindo em conluio com os serviços secretos dos EUA e os mais apodrecidos círculos internos. Trata-se, essencialmente, que canais de televisão e emissoras de rádio são uma concessão do Estado, isto é, é do povo venezuelano, não uma capitania hereditária.
Do Hora do Povo

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.