Ele não explica. Apenas diz que está sendo feito um levantamento, e que este deverá confirmar a cifra. Ele aproveita para acusar as rádios chamadas “piratas” e prevê o fim destas com o crescimento do rádio digital. Não sei muito a respeito, mas as rádios “piratas” têm alcance limitado ( um bairro, por exemplo ) e não movimenta verbas publicitárias, privadas ou públicas. Claro, se você não considerar o reclame de açougue pago com um kilo de alcatra. É na raça, mesmo. Por quê as emissoras estabelecidas não auxiliam as rádios locais, piratas, clandestinas, comunitárias a conseguir seu ( delas, as rádios “piratas ) alvará de transmissão? Medo da concorrência? Eu mesmo seria um apoiador da legalização, e faço uma estimativa tosca: 95% das transmissões-fantasma que invadem o dial, são evangélicas ou religiosas.
Voltando ao bolo publicitário fermentado não-oficialmente: de olho, pois o que tem de governo estadual dando verba publicitária para amigo e aliado não tá escrito.
Rádios já representam até 13% do bolo publicitário, diz Elias
DCI, 02.06.08
Como parte das comemorações de oito anos da rádio Nova Brasil FM, Azis José Elias, superintendente da Central de Rádios, que tem, entre outros veículos, a Nova Brasil FM, anuncia um projeto junto à Fundação Getúlio Vargas para apurar com precisão qual a participação da publicidade em rádio diante do bolo publicitário nacional. Segundo ele, hoje se fala em 4,5% a 5%.
Como parte das comemorações de oito anos da rádio Nova Brasil FM, Azis José Elias, superintendente da Central de Rádios, que tem, entre outros veículos, a Nova Brasil FM, anuncia um projeto junto à Fundação Getúlio Vargas para apurar com precisão qual a participação da publicidade em rádio diante do bolo publicitário nacional. Segundo ele, hoje se fala em 4,5% a 5%.
“Mas nós temos certeza de que não é. É muito mais que isso. Devemos estar hoje na casa dos 12%, 13%, na participação”, conta o executivo, que também alerta o setor de uma possível concorrência futura com os veículos de Internet.
Confira abaixo alguns trechos da entrevista feita por Roberto Müller, Márcia Raposo, diretora de Redação do DCI, e Milton Paes, da rádio Nova Brasil FM, com José Elias, que será exibida nesta segunda-feira no programa Panorama do Brasil, uma parceria do jornal DCI com a TVB e a rádio Nova Brasil FM.
Roberto Müller: Elias, eu queria que você falasse um pouco deste veículo, que resistiu a tantas inovações, tantas modificações, ao advento da televisão, que diziam que o rádio ia acabar, mas que, ao final, sobreviveu. Conte-nos como é esta vida neste velho e jovem veículo?
Azis José Elias: Eu não trabalhava em rádio. Eu sempre gostei muito de rádio, eu era um ouvinte de rádio. Depois de muitos anos, fui convidado a trabalhar na Rede Central de Comunicação, que tinha a Nova FM naquela época, em 1995. De lá pra cá, virei um apaixonado por rádio. E, é verdade, o rádio passou por várias fases. Quando chegou a televisão, disseram que o rádio ia acabar. Mas, com o dinamismo que o rádio tem de dar a notícia em cima da hora, ele se torna o companheiro de todos os momentos, de quando você está em casa, em cima da cama, deitado, ouvindo seu rádio, tomando banho, no carro etc., o rádio é o maior companheiro do homem, da mulher, do cidadão.
Márcia Raposo: Parece que a participação da rádio no bolo publicitário nacional ainda é muito portentosa. Você poderia dar alguns números para nós?
A.J.E.: Eu sou diretor vice-presidente da Associação das Emissoras de Rádio e Televisão, e nós estamos fazendo um grande trabalho para fazer justamente este levantamento sobre a participação no bolo publicitário, do rádio. Porque fala-se muito que a nossa participação é de 4,5%, 5%. E nós temos certeza de que não é. É muito mais que isso. Devemos estar hoje na casa dos 12%, 13%, na participação.
R.M.: E esse bolo vem crescendo?
A.J.E.: Vem crescendo. Em São Paulo, hoje nós temos 37 rádios AM e FM. A nossa participação no bolo publicitário realmente não é só de 4,5%. É um pouco mais. Nós contratamos a Fundação Getúlio Vargas para fazer um trabalho em cima disso. Estamos coletando dados agora, junto aos nossos colegas, as outras emissoras de rádio, para darmos informações corretas. Isso vai ajudar a mostrar ao público e ao anunciante qual é a verdadeira participação do rádio no meio publicitário. É bem maior do que se pensa. Como se vê, a Internet está crescendo. E a Internet corresponde hoje a 3,7% do bolo publicitário.
R.M.: A Internet concorre com vocês?
A.J.E.: Ainda não, mas pode ser que algum dia possa concorrer.
Não só com a gente, com a televisão também.
Milton Paes: De 12 ou 15 anos para cá, aumentou a questão das rádios em rede. A Nova Brasil é uma emissora de rede, com a programação feita de São Paulo para todo o Brasil. Há uma preocupação em relação a outros locais, por conta do regionalismo, do Rio de Janeiro, Brasília. O que é hoje fazer uma programação de São Paulo para o Brasil, sem se preocupar com a questão regional?
A.J.E.: Esta era uma preocupação nossa, quando começamos a rede, oito anos atrás. Então, quando surgiu a Internet, o rádio virou um companheiro de quem está na Internet. O site da Nova Brasil FM ganhou o Prêmio iBest: na categoria Rádio, foi qualificada com o primeiro lugar e, no geral, ficou na terceira colocação. Foi muito interessante, eu fiquei muito contente e nosso pessoal ficou muito satisfeito. E vamos melhorar o site mais ainda.M.R.: Isso significaria uma convergência multimídia?
A.J.E.: Exatamente. Mas o rádio ajuda muito o internauta. Ele fica navegando, clica na rádio e ouve a sua MPB enquanto está trabalhando.
R.M.: Já é significativa a participação de ouvintes na Internet?
A.J.E.: Nós temos 10 mil ouvintes ouvindo simultaneamente. É um número significativo. E a rádio tem, em média, 100 mil ouvintes por minuto, ouvindo a todo momento, com uma cobertura de quase 1 milhão.
M.R.: Por isso que você e o seu maior concorrente se alternam na liderança em São Paulo, não é?
A.J.E.: A gente nunca sai do primeiro ou do segundo lugar. Mas tem alguns perfis de público, por exemplo, o da faixa de 20 a 40 anos, que é o jovem que está ficando mais adulto e é mais consumista mesmo. Entre estes estamos sempre em primeiro lugar.
R.M.: A faixa etária dominante é entre 20 e 40 anos, de classe A e B.
A.J.E.: É o nosso público-alvo. Além disso, em Campinas, onde nós temos a Nova Brasil e a Rádio Central, que é uma AM e é líder de audiência, você vai a qualquer lugar da cidade e vê que estão ouvindo a Nova Brasil FM. Você mensura a audiência por aí.
M.P.: Hoje, por exemplo, a maioria das empresas tem uma AM e uma FM e muitas vezes utilizam a AM como uma barganha publicitária. No caso específico da Rádio Central AM de Campinas, ela tem o seu público publicitário específico. É uma rádio que surpreende pelo ponto de vista da qualidade da programação e de interatividade da participação do ouvinte?
A.J.E.: Nós tivemos o cuidado de premiar a nossa AM com os melhores equipamentos para este tipo do rádio, não só no Brasil, mas no exterior. Ela tem um som quase igual ao de FM, sem ser digital. Ela tem o esporte muito forte, e tem os melhores comunicadores de Campinas. A rádio lá é muito forte mesmo. E é uma rádio que está sempre junto do ouvinte, tem uma empatia muito forte com a comunidade da cidade. Ela se dá bem exatamente por isso.
R.M.: Tem uma coisa que me chama muito a atenção, na rádio. Vocês têm uma liga de audiência em Campinas, que é na AM. A interatividade da rádio, sua participação com os ouvintes, é uma coisa que eu acho que nem a Internet conseguiu ainda, não é?
A.J.E.: É verdade. No caso específico de rádio AM, sim. E a AM põe o ouvinte no telefone, ela começa a ter o comunicador como alguém quase da família.
M.R.: Perguntando do ponto de vista empresarial, pois você representa as emissoras de rádio na associação, vocês tem um evento enorme pela frente agora, e tem um outro desafio muito grande, a digitalização das rádios, que vai exigir uma nova onda de investimentos no rádio no Brasil. Fale um pouco, como empresário deste setor, dos desafios financeiros de todas estas questões que o setor terá de enfrentar.
A.J.E.: Nós vamos realizar aqui, no mês de setembro, uma feira de rádio, televisão, de empresas de telefonia e eletroeletrônicas. Mais ou menos como foi feito em Las Vegas. Este ano, nós levamos 340 pessoas para lá e foi muito interessante. A idéia é fazer em São Paulo algo desse tipo. Menor. Uma feira para a nossa realidade. Será no Anhembi e teremos mais ou menos 350 expositores. Vai ser muito interessante e bom para o meio, principalmente agora, com a entrada definitiva do rádio digital. A televisão já está entrando, aos poucos. Agora, o rádio precisa entrar realmente. O ministro Hélio Costa [das Comunicações] esteve em Las Vegas e comentou bastante sobre o problema de rádio digital. Agora, no começo de 2009, faremos grandes investimentos. Alguns colegas já andam fazendo alguns investimentos, outros não. Quem não fizer, vai ficar para trás. O rádio digital é o futuro.
R.M.: E as rádios piratas? Porque além destes problemas que eles criam, de entrar nas transmissões, existe também a interferência deles nas freqüências, atrapalhando a comunicação entre comandantes e torres.
A.J.E.: O nome já diz, “pirata”. Eles estão completamente fora da lei, eles interferem em todas as freqüências, não se incomodam de entrar na sua freqüência. Não é perto, não, é em cima da sua freqüência. Quer dizer, você gasta, você paga funcionários, está dentro da lei, o seu ouvinte está ouvindo a sua rádio, descendo a serra, ou passeando pelas ruas de São Paulo e a sua rádio desaparece. Aí você tem de falar com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que vai lá e tenta fechar.
M.R.: Tem de chegar com a polícia?
A.J.E.: Ninguém vai nessas rádios sem polícia.
M.P.: Essa questão da fiscalização melhorou bastante nos últimos anos, não é? Inclusive, aqui em São Paulo a própria Anatel e as emissoras de rádio divulgam um telefone gratuito para as pessoas denunciarem.
A.J.E.: Sim. Aqui em São Paulo o pessoal é bem atuante. Mas você tira a rádio hoje, pega os equipamentos todos, leva embora e amanhã ela está outra vez no ar. Aí você pensa, “mas como?”. Existem também os fabricantes de equipamentos que vendem para eles. Ou eles compram de rádios velhas do interior. Quer dizer, você tira do ar hoje e amanhã eles estão no ar outra vez.
M.R.: E você acha que isso pode ter um fim?
A.J.E.: Com o rádio digital, eles não terão muita chance.

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