ENCALHE

março 12, 2008

Do you believe rock’n'roll radio?*

*Trocadilho com ” Do you remember rock’n'roll radio? “, dos Ramones.
“(…) Para o Ministério e a Anatel, tudo não passa, simplesmente, de um fato técnico-administrativo. Mas, caso alguma entidade do município de São Paulo queira pleitear uma outorga em algum destes canais ocupados por rádios licenciadas para outra cidade, irá ouvir um “não é possível, o canal já está ocupado”.
Há casos, porém, em que a ocupação dos canais paulistanos por entidades outorgadas para o interior foi questionada. É o caso da concessão dada à empresa Kiss Telecomunicações Ltda..
A outorga está relacionada ao município de Arujá, distante mais de 50 km de São Paulo. A Anatel questionou a transmissão do sinal da rádio para a capital (o estúdio da emissora fica, inclusive, na Avenida Paulista). A Justiça ainda não julgou o mérito da questão, mas concedeu liminar à Kiss para seguir operando.
É importante ressaltar que o levantamento dos dados específicos dos processos referentes a cada uma das 22 emissoras “interioranas” ainda não foi feito. Por esta razão, não é possível sequer afirmar que todas elas têm, de fato,autorização para operar nas condições em que funcionam hoje. Para tal, seria necessário levantar todas os atos e portarias relacionados a cada entidade outorgada (…).”
Mais da metade das rádios não têm outorga da capital“, Portal Rádio Livre, 10/10/07
“(…) Em São Paulo, embora formalmente essa exigência seja cumprida, na prática o princípio é flagrantemente desrespeitado. Dois grandes grupos orgulham-se de ter cinco emissoras em FM transmitindo para a capital, chegando a vender publicidade casada para as diversas emissoras. O Grupo Bandeirantes controla a Band FM, a Bandeirantes (que retransmite a programação da AM), a BandNews, a Nativa e a Sul América Trânsito. Já o grupo CBS (Comunicação BrasilSat), dos irmãos Paulo e José Masci de Abreu, controla a Kiss, a Mundial, a Tupi, a Scalla e a rádio Terra. Embora não constem no site do grupo, a Apollo e a pentecostal Deus é Amor também tem Paulo Masci de Abreu entre os sócios e como dirigente.
Além das cinco rádios declaradas e das duas em que constam como cotistas, os Abreu também controlam, na prática, a Rádio Atual. Nos sistemas da Anatel, estranhamente, não aparecem os nomes dos sócios da emissora que detém a permissão para São Paulo, a Rádio Difusora Atual Ltda. No entanto, há uma outra emissora registrada no sistema da Anatel, a Sistema Atual de Radiodifusão Ltda., sediada no mesmo endereço, mas que não tem outorgas em seu nome. Essa empresa tem como sócios José Masci de Abreu e Maria Cristina Hellmeister de Abreu (…)”.
De forma ilegal, grupos controlam até cinco emissoras”, Portal Rádio Livre, 10/10/07
“(…) Dono da Rádio Atual AM (1.370Khz), o deputado federal José de Abreu (PSDB-SP) mantém no Estado de São Paulo três emissoras irregulares que não têm concessão do governo federal que as autorize a funcionar. Em sociedade com o irmão Paulo Masci de Abreu, o deputado mantém as rádios 94,1 (94,1Mhz) e Apolo AM (1.230Mhz), em São Paulo, e a Difusora de Iguape (750Khz), em Registro, a 185km a sudoeste da capital. Todas são consideradas clandestinas ou piratas pelo ministério das Comunicações (…)”.
A história da pendência judicial da 94 FM“, Rádio Base, 21/03/04
“(…) O vereador paulistano Arselino Tatto (PT) entrará com representação na Promotoria de Justiça e Cidadania contra o secretário de Coordenação das Subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo.
Matéria publicada no dia 22 de janeiro no jornal Diário de S. Paulo denunciou a participação cativa de Andréa Matarazzo em programas das rádios Capital e Tupi. Coincidentemente, as duas emissoras foram as mais beneficiadas com verba publicitária da Prefeitura de São Paulo no ano de 2006.
O secretário das Subprefeituras, homem forte do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e do governador José Serra (PSDB), é postulante ao cargo de vice-prefeito no pleito de 2008 e sua participação assídua nos programas das rádios pode representar propaganda eleitoral antecipada.
A representação encaminhada por Arselino Tatto pede que sejam apurados eventuais crimes administrativos e eleitorais e que os envolvidos sejam responsabilizados, civil e criminalmente.
O documento sugere ainda suspender eventual participação de Matarazzo em programas das emissoras até que os fatos sejam investigados. Tatto também entrará com requerimento de pedido de informações na Câmara Municipal sobre os gastos com publicidade da Prefeitura no ano de 2007 (…)”.
Petista aciona MP contra secretário de Kassab“, Portal PT, 31/01/08
(…) O vereador paulistano Arselino Tatto (PT) promete dar muita dor de cabeça ao secretário de Coordenação das Subprefeituras de São Paulo, Angelo Andréa Matarazzo. Tatto entrará com representação na Promotoria de Justiça e Cidadania contra Matarazzo, para que seja apurada a suposta participação cativa do secretário em programas das rádios Capital e Tupi(…)” ;
“(…) Por ser postulante ao cargo de vice-prefeito no pleito de 2008, a participação de Matarazzo nos programas das rádios poderia representar propaganda eleitoral antecipada. As más línguas questionam a coincidência das duas emissoras terem sido as mais beneficiadas com verba publicitária da Prefeitura de São Paulo no ano de 2006 (…)”.
Representação” e “Coincidência”, Tribuna da Imprensa online, 05/02/08
“(…) A Rádio Capital, emissora que transmite aos sábados programa sobre os problemas da cidade com a participação fixa do secretário municipal de Coordenação de Subprefeituras, Andrea Matarazzo, não tem licença do governo para exercer sua atividade. Além disso, atualmente está fazendo obra sem autorização da Prefeitura, como confirmou ontem o subprefeito da Vila Mariana, Fábio Augusto Lepique.
Já famoso pelo rigor em emparedar bares, casas noturnas e estabelecimentos comerciais que atuam à margem da lei de uso e ocupação do solo, Matarazzo tem um quadro em que escuta e comenta reclamações dos ouvintes no espaço do apresentador Paulo Barboza, que vai ao ar das 9 horas ao meio-dia dos sábados.
Anteontem, os proprietários do prédio onde ficam os estúdios da Rádio Capital foram multados em R$ 865,60 e intimados a se regularizarem e a apresentarem a papelada em 15 dias. Ontem, fiscais da Subprefeitura voltaram ao edifício, na Praça Rodrigues de Abreu, 228, Paraíso, para confirmar se a solicitada paralisação da construção para troca da antena no telhado também tinha sido seguida.
Como realmente nada estava em andamento, não houve o embargo por parte das autoridades. Mas a Rádio Capital deverá, se quiser continuar a empreitada, requerer a autorização oficial da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab). ‘Como eles se comprometeram a colaborar, vamos agora apenas acompanhar e cobrar’, disse Lepique.
Os diretores da empresa não foram encontrados. Já Matarazzo apoiou a medida do subprefeito e assumiu que tem participação no programa aos sábados: ‘Não vou quando não posso.’ O secretário, porém, disse ser ‘impossível’ entrar só em prédios regulares. ‘Não dá para eu saber se todo restaurante que vou tem alvará. Se bem que, em alguns, a gente sai e já pede uma fiscalização’, argumentou (…) “.

“Rádio em que Matarazzo colabora está irregular“,
OESP , 17/01/08
“(…) Floriano Pesaro, da Assistência e Desenvolvimento Social, sairá da prefeitura. Ele não informou detalhes sobre a candidatura e a saída da secretaria (…) O secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, vai sair do secretariado municipal para se candidatar a uma vaga de vereador nas próximas eleições. A mudança foi divulgada na manhã desta sexta-feira (08), pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), logo após reunião realizada com os secretários para determinar a agenda de 2008.
Pesaro confirmou a saída, mas não deu maiores informações sobre sua candidatura ou até quando ele ainda ocupa o cargo de secretário (…)”.

Secretário deixa cargo para tentar vaga de vereador“,
G1, 08/02/08
“(…)O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), responsabilizou o secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro (PSDB), pela contratação da Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos), a R$ 1,1 milhão, ainda que a entidade seja considerada “inidônea pela administração”.
Embora Pesaro admita ter cometido um erro, ele lembra que o contrato teve parecer favorável da Procuradoria do município.
Tanto em nota oficial como em entrevista, Kassab disse que Pesaro errou. “Acho que o secretário errou, tanto que eu de público afirmei isso numa nota. Acho que não é uma decisão correta contratar sem licitação uma fundação que é suspeita por nossa administração”, disse.
Em 2005, a corregedoria da prefeitura apontou irregularidades num contrato superior a R$ 12 milhões firmado com a Finatec pelo governo da antecessora, a hoje ministra Marta Suplicy (PT).
Em novembro de 2007, a secretaria assinou um contrato com a Finatec para consolidação dos dados sobre convênios, a cargo do Observatório de Políticas Sociais -o serviço foi feito por dois meses. Segundo Pesaro, a Finatec foi recomendada pelo chefe do departamento, Marcelo Kawatoko.Até janeiro, a prefeitura tinha empenhado (“carimbado”) R$ 1.105 milhão para a Finatec. Mas, como o dinheiro não tinha sido liberado, foi bloqueado.”O prefeito está correto. O contrato passado estava no currículo da Finatec e não percebi que se tratava da mesma fundação. Mas nada foi pago”, afirmou.
Apesar da retenção dos recursos, o contrato do atual governo com a Finatec foi usado pelo vereador petista Antônio Donato, secretário de Subprefeituras do governo Marta, como prova de que a fundação não tem vínculo com o PT. Informado do contrato pela imprensa, Kassab determinou que seja submetido à corregedoria.”
Kassab culpa secretário por contratação“, Folha de S. Paulo, 25/02/08
E eis que na segunda-feira ( 10 ) eu estava ouvindo rádio, pulando de estação para estação. Funciona assim: Alpha FM, pula, Scalla, pula, Kiss FM. Opa! Dá para escutar…
Acaba a música, começa outra que eu não gosto e o ciclo recomeça: Alpha, Scalla, Antenna 1, OBA!
Acaba a música, retoma o “zapping”, até encontrar algo que eu goste ou não me chateie.
E, às 18 hs, sintonizara a Kiss FM. Para quem não a conhece, é uma emissora que toca, segundo sua própria definição, “Classic Rock”. Aqueles medalhões que, convencionou-se afirmar, seriam o tal “classic rock”: Pink Floyd, Led Zeppelin, Deep Purple, cock-rock, hard-rock, a turma dos anos 70. E de vez em quando Beatles, Rolling Stones, bandas brasileiras, 80′s, Pop, New Wave, etc. Mas o forte é mesmo o som setentista. Acho que, pela questão não apenas de audiência ( sem querer supervalorizar o gosto conservador dos ouvintes da rádio ), mas de direitos autorais, repete-se muito. Demais. Acho que eles pegam coletâneas, botam no carrossel, e programam prá tocá-las. Engraçado que, apesar de se dizer “Classic” ( que significaria, então, “à favor da corrente” ), agride-se naturalmente a própria afirmação. Pego um exemplo: eles tocam Alice Cooper; um apreciador mediano, sem muita informação, saberia que, o hit explosivo de Alice Cooper foi “Eighteen”, que poderia ser considerado um “clássico”. Eu jamais ouvi esta música na rádio, mas “I never cry”, um hit menor, toca direto. Tá certo, às vezes tocam “Billion Dollar Babies”. É pouco. Apesar da banda ter sido tão grande como outros cabeludos que freqüentam o hit parade da rádio, ela não é tão solicitada pelo público “clássico”.
E eis que, às 18 hs, começa o programa “Alternativa Kiss”, onde se ouve música e alguma notícia ( geralmente curiosidades inofensivas, tipo “na Inglaterra, mecânico encontra dentadura dentro de porta-luvas do carro de Ozzy”, e coisas assim ), algumas até “merecendo” comentários pertinentes do locutor. Pertinentíssimos…
Vale lembrar, que é para melhor ilustrar o que estou tentando passar: há muito que um dos anunciantes é a gloriosa Prefeitura de São Paulo. A peça de propaganda institucional que mais me recordo fala sobre o programa “Mãe Paulistana”, que me abstenho de enumerar as qualidades apontadas pela propaganda. Sem vinhetas sonoras, apenas narração do locutor, parece até que se trata de uma notícia. Pega a gente de surpresa mesmo. Aproveito para apontar a ironia de, a mesma Prefeitura que anuncia um programa municipal de Saúde, dirigido às gestantes paulistanas, não faz muito tempo rejeitou a licença-maternidade de 6 meses para seu funcionalismo feminino.
E um convidado especial seria entrevistado no “Alternativa”: o secretário de Assistência e Desenvolvimento Social do governo Kassab, Floriano Pesaro.
Às vezes há entrevistas no programa. Na semana passada, uma espécie de ONG para portadores de necessidades especiais teve o microfone do programa à disposição. Noutras vezes, uma banda ou um músico marcam presença. Etc.
Bom, sinceramente eu não acompanho o trabalho desta Secretaria, e o Pesaro pareceu ser um cara, deixa ver…, bom, ele não parecia um Arthur Virgílio ou uma Zulaiê. É o máximo de elogio que eu posso conceder a um tucano.
O apresentador, cumpriu um papel previsível, não fazendo perguntas que pudessem constranger nosso convidado, e deixando-o à vontade para fazer seu proselitismo e vender seu peixe: solicitou à população que não despejasse lixo em qualquer lugar; detonou o Bolsa-Família com a velha história do “dar o peixe”, “assistencialismo”; a quantidade de moradores nas ruas da Capital ( 12 mil ).
Não lhe ocorreu que o maior programa assistencialista que este país já teve foi justamente promovido pelo PSDB/ DEM, mas na ocasião era chamado de programa de desestatização, as famigeradas privatizações. Não dava o peixe, mas dava uma estrada e uma rede de pedágios se lançõu sobre o bolso do brasileiro.
Sei lá, foi muito esquisito. É o tipo de coisa que não destoaria na Tupi, Capital ou América, emissoras acostumada à pesença e desenvoltura de tucanos e demos em geral, mas ali estava estranho.
Voltamos do comercial, já com “Que país é esse ?“, da Legião Urbana; escolhida, segundo o apresentador, pelo convidado – que pôde, ainda, dar suas impressões sobre o país.
Não lembro direito a ordenação do set list.
Rolou a arrasa quarteirão “We´re not gonna take it“, do divertido Twisted Sisters. O locutor fez questão de frisar que esta foi tema da vitoriosa campanha de Arnold Schwarzenegger ao governo californiano e perguntou ao candidato, ops, secretário, se este sabia disso. Bastaria dizer “sim” ou “não”, mas depois de alguns segundos de hesitação ( que, no rádio, fazem o silêncio parecer eterno ) tascou: “Maravilha, então”, ou algo assim. Deve ter pensado que, se fizesse alusão a sua candidatura à vereança paulistana, poderia acabar sendo punido por propaganda eleitoral. Afinal, não era para isso que ele estava ali. Responderia perguntas de ouvintes, postadas no site do programa. Nada muito confrontador.
Também ficamos sabendo que Pesaro seria palmeirense e que irá ao show do Ozzy. Rockeirão.
Roy Orbinson, “I drove all night”.
Tears for Fears.
Quando se despediu de sua participação, Pesaro escolheu “Quadrophenia”. Fim da primeira hora do programa e da entrevista.
Não foi argüido sobre o resultado do caso Júlio Lancelotti ( talvez pelo desfecho favorável ao padre? ), ao contrário de quando apareceu, no ano passado, para dar uma entrevista à CBN ( link abaixo ), em pleno calor dos acontecimentos que se sucediam e implicavam mais constrangimentos ao religioso.
Acho que o “titio Marco Antonio” ( o “host” do programa ) nem sabe de quem se trata. Talvez os donos da rádio saibam.
http://pmsp.boxnet.com.br/visualizar/Radio.aspx?ID=7393031&ID_MESA=5
Cumprimentos, despedidas, etc, e o locutor expressou a disposição – ou fez um convite direto – em ter, quem sabe um dia, nos estúdios da rádio, para mais uma entrevista descontraída, o prefeito Gilberto Kassab, “também ouvinte do programa”.
Bom, eu também vou sugerir personagens a serem entrevistados até Outubro: Andrea Matarazzo, que pelo estilo, deve adorar um rock ( Pat Boone, talvez? Não. Muito radical, o homem. O Pat Boone, digo. ).
Acho que Geraldo Alckmin também seria um bom entrevistado. Andrea Matarazzo, de novo. José Serra, sempre muito sumido da mídia.
Júlio Lancelotti, jamais. O rock’n'roll sempre foi coisa do Diabo.

fevereiro 6, 2008

Imprensalão: uma via de mão única. Apresento casos.

Olha só isso: catei do já famoso e muito por nós citado jornal O Paulistano, da propriedade de Wagner Salustiano. Na coluna da Redação, de 11/ 01/ 08, falam sobre um bate boca que houve entre o deputado estadual Adriano Diogo, do PT e o subprefeito de Sapopemba, Felipe Sigollo, durante a apresentação da prestação de contas à população, da referida subprefeitura. Isso, para que desconhece, em São Paulo, Capital.
Acontece que Diogo, de acordo com o jornal, chegou com uma turma de comerciantes de Teotônio Vilela ( Z. Leste pobre de São Paulo, onde dona Vanessa Damo não vai presenciar os problemas da população, preferindo ficar enchendo o saco buscando os votos da classe-média alta que veio tomar a outrora pacata Vila Zelina ), que reivindicavam a regularização de suas atividades. Sem entrar no mérito dessa discussão, o que me chamou a atenção mesmo foi o último trecho do artigo: ” (…) Outro caso agitado foi o de uma comerciante que, nervosa, acusou um funcionário da Subprefeitura de COBRAR PROPINA [ destaque meu ], dela e de outros comerciantes (… )”.
Digamos que o prefeito de São Paulo fosse José Dirceu ou Celso Daniel. O script enlatado do imprensalão traria: “Testemunhas afirmam que propina recebida por funcionário de Subprefeitura administrada pelo PT iria para caixa 2 do partido”. Entenderam? Script enlatado. Agora, nem vou procurar aqui no blog, mas quantas acusações de propina envolvendo Subprefeituras aqui de São Paulo eu já mencionei? O “mensalinho da Bresser”, para mim, é o mais famoso. Mas há denúncias da Sub Vila Mariana, Sé, Moóca ( de novo ), Pinheiros, Butantã.
E o silêncio do imprensalão é a prova de que algo ocorre. O prefeito, ou subprefeito “demite os envolvidos” e fica por isso mesmo. Silêncio sepulcral, ao gosto de Conde Nosferatu.
Mas tem mais. E o caso do prefeito de fato de São Paulo, Andrea Matarazzo. Outro dia veio dizer que a Sé estava um “caos” ou “sujeira” – não disse assim – por causa das ONGs que levariam moradores de rua para morar lá. Chiou que, se a prefeitura faz alguma coisa – ou seja, passa o buldôzer – é acusada de higienização.
Calma, senhor. Deixa as torpes acusações conta o pe. Lancelotti dissiparem por força da Justiça, que aí a luta contra seu pogrom higienista será reforçada.
Enquanto isso, o senhor pode continuar com seu posto de radialista cativo da rádio Tupi.
“Os jornais não teriam tocado no assunto, Humberto? Sua paranóia está exagerada!!”
Não, Voz na Minha Cabeça. Acontece que os jornais mostraram “o secretário de Kassab”, como tendo comparecido às rádios, para deitar proselitismo.
Só que o Conde é o procurador de Serra na administração Kassab. Além disso, há rumores de que ele poderia, também, sair candidato à Prefeitura de São Paulo.
Deixaram de falar, inclusive, que a Tupi esteve às voltas com aquela história de recebimento de verba publicitária que Alckmin garantiria a aliados, como a Primeira Leitura e a revista de Fato ( de Wagner Salustiano ). Ou estou me confundindo?
E Matarazzo foi embaixador durante o governo FHC, e havia doado 3 milhões de reais à campanha de Cardoso em 1998. Portanto, o que se fez, foi escamotear a proximidade de Matarazzo com os “Ladrões de Casaca” tucanos e usar o restante do caso para queimar Kassab. O próprio aliado.
Vê só. Peguei o seguinte, que foi publicado no Diário de São Paulo, em 22 de Janeiro, quando o assunto é apresentado ao leitor: No programa “São Paulo Cidadão”, da Rádio Tupi, em 09 de Janeiro, estava Matarazzo. E ele fala sobre as AMAs que Kassab havia inaugurado. Só fala do município.
E o apresentador manda esta: “(…) É a população de São Paulo, ganhando na saúde com a administração de Gilberto Kassab [ olha só o que vem a seguir!!! ] e também José Serra junto com Andrea Matarazzo…(…)”.
“São Paulo Cidadão”, até onde percebo é sobre o município. Não precisa mencionar Serra ou o governo estadual pois, claro, o Governo Federal deveria ser incluído também. Afina, já transcrevi neste blog, no passado, trecho de entrevista com o próprio Kassab, em que este reconhece e elogia o tratamento que o governo Federal dispensa à cidade por ele administrada. Mas no programa da Tupi, parece que não existe a possibilidade de Kassab ser elogiado sozinho, por sua administração, sem trazer junto, à reboque, alguma menção elogiosa a Serra, o presidente ( segundo Paulo Henrique Amorim ).
Eu também ia falar duma matéria do Jornal da Tarde, de 29/01/08, que diz que os impostos que paulistas e paulistanos pagam, andam cada vez maiores. Traz uma tabelinha e pinço dados.
Se, em 2001 – primeiro ano da administração Marta – o munícipe, na média, pagou 845 reais de impostos, em 2004 – seu último ano à frente da prefeitura – o mesmo munícipe desembolsou 1240 reais. Isso, em meio às crises que o governo tucano legava à Nação. E, sem contar que sua administração foi posterior à de Maluf e Pitta. O aumento ( tomando apenas os números que o jornal traz e que servem, tanto para mim como para o leitor-alvo do jornal, que os entenderá da maneira que lhe aprouver ) foi, então, de mais ou menos 400 reais.
Em 2005, primeiro ano de Serra, o paulistano pagou 1416 reais em impostos municipais. Já com a economia estabilizada. E, em 2007, pagamos 1918 reais. 700 reais em 3 anos…e ainda tem mais um ano.
Sabe, a Marta pegou, à semelhança de Pitta, uma situação que Mestre Aloysio Biondi havia descrito, mas que não consigo trazer em detalhes. Ocorreu que as prefeituras ficaram responsáveis por levar a energia elétrica às residências, depois da fatiação da Eletropaulo, obra de tucanos. Taxa do poste, lembram?
E, com tudo isso, quem ganhou a pecha de Martaxa foi a ex-prefeita. Só que nenhum desses velhos e arcaicos leitores do Estadão e JT fazem as contas como esta que eu fiz, mesmo rasteiramente. É claro que as coisas não são simples assim, do ponto de vista contábil. Acontece que eu disponho dos mesmos números e dos mesmos artigos de jornais e revistas que eles.
Eles não sabem que PSDB e DEMO é que aumentam as cargas tributárias, sempre que podem, para, de alguma forma, entregar esse montanhão de grana para a iniciativa privada – que, aliás, sempre contará com algum quadro tucano em seu Conselho de Administração – na caradura?
Foi uma pergunta retórica. É claro que sabem. Os jornais também, só que trata-se de uma via de mão única.
O que me inspirou a escrever isso acima, foi um post do ONIPRESENTE, o qual ele inicia dizendo que procurava dados sobre “José Serra” ou algo assim, relacionando com os tais gastos dos cartões corporativos.
Eu estou de saco cheio. Este blog aqui devia ser uma diversão para mim, e não é o que acontece. Eu reproduzi hoje um post do Vermelho dizendo que os blogs, digamos, pró-Lula, saíram em reação aos ataques que a ex-ministra e o governo vêm sofrendo por causa dos tais gastos, e que o imprensalão e a tucanalha estão fazendo a festa. Os blogueiros estariam, então, fazendo o papel que caberia, em tese, ao próprio governo.
Acho que eu tenho feito isso, à minha maneira. Soubessem vocês a quantidade de jornais, revistas e anotações que tenho em meu quarto, apenas aguardando para servirem de fonte para meus escritos aqui, achariam que eu sou aquela velha espanhola que guardava lixo em casa. Mas eu não fico saindo atrás daquilo QUE O IMPRENSALÃO DIZ QUE É NOTÍCIA. A batalha dos dados – que gente como eu jamais saberia interpretar – me incomoda, porque pouco dá para extrair de uma montanha de números elaborada por gente que dispõe de conhecimentos técnicos. Logo, isso se torna inócuo para mim. E é por isso que eu também não fico reproduzindo os dados pró-governo mesmo que eu, instintivamente, o aprove e o defenda, afinal de contas, neste espaço.
Só que estão chegando as eleições, e eu não estou disposto a gastar energia para disputar, virtualmente, uma eleição, junto a meu candidato. Pois São Paulo não merece. Que eu faça como o ONIPRESENTE, e siga gastando meu dinheiro e saúde para descobrir alguma fenda na reputação dos tucanos, cuidadosamente construída e mantida intacta pelo imprensalão golpista e entreguista.
O paulistano não merece. O selvagem paulistano dorme tranquilo. Ele entucha as ruas da cidade com seus carros poluentes, atropela, mata e quer que a solução caia do céu. Pois seu esforço está concentrado no foco de comprar um carro. E beber cerveja. E comprar celular para, quando estiver no ônibus, ouvir música. E acreditando nas propagandas de cerveja, carros e cartão de crédito, segue cada vez mais egoísta e consumista, além de arrivista.
Eu não tenho filhos, logo não precisaria me preocupar com a qualidade das escolas públicas. Aliás, melhor para mim, não é?
E o trânsito, roubo de carros, sequestros-relâmpago? Ora, nada disso me atinge. Nem as enchentes em São Paulo.
Para o paulistano é fácil sair repetindo o Diogo Mainardi ou o Estadão. E continuar preocupado com seu umbigo.
Por quê deveria eu, então, me preocupar? Mas vamos ver como estará meu estado de espírito nos próximos meses.
Afinal, nada representa melhor o espírito paulistano da gema, como a lamentável batalha do bolo que ocorre todo ano em 25 de Janeiro, no Bexiga. Eis o Símbolo de São Paulo.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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