ENCALHE

agosto 29, 2009

Ex-secretário da Receita de FHC diz que Lina Vieira é factóide! Everaldo Maciel demole "crises" fabricadas pelo imprensalão tucano

Para Everardo, casos Petrobrás e Lina são “farsa” e “factóide”
Na opinião do ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel, “a Petrobrás está absolutamente certa” e “o factóide” contra a estatal “foi criado para justificar a queda da arrecadação na gestão Lina Vieira”.
Everardo Maciel: “Lina é factóide”
O programa “Entre aspas”, do canal Globo News, com Mônica Waldvogel, entrevistou na terça-feira o ex-secretário da Receita Federal, Everardo Maciel (falando dos estúdios do canal em Brasília), o presidente do SindiReceita (Sindicato dos Analistas-Tributários da Receita Federal), Paulo Antenor de Oliveira e o advogado tributarista, Paulo Sigaud.
Para espanto da apresentadora do programa, feito ao vivo, que antes fez ataques ao governo e elogios a Lina Vieira, os três foram unânimes em criticar duramente a gestão da ex-funcionária. Para o insuspeito ex-secretário da Receita da gestão de Fernando Henrique, Everardo Maciel, “o factóide sobre a Petrobrás foi criado para justificar a queda da arrecadação na gestão Lina”.
Na abertura, o Globo News falou em uma suposta politização da Receita e insinuou que o governo teria afastado Lina Vieira para aliviar grandes devedores. Apresentou a ex-funcionária do órgão como vítima de perseguição, falou em crise na Receita Federal e acusou a Petrobrás de cometer irregularidades tributárias.
Entretanto, o primeiro entrevistado, Paulo Antenor Oliveira, presidente do SindiReceita, disse que o aparelhamento da Receita foi feito sim, “mas por Lina”. Que o grupo indicado por ela não demonstrou competência técnica e nem capacidade de planejamento. Disse ainda que o pedido de demissão coletiva dos antigos superintendentes foi uma antecipação para demissões que já ocorreriam. O advogado tributarista, Paulo Sigaud foi na mesma direção e também negou crise na Receita. Para ele, não houve mudança nenhuma em relação aos grandes contribuintes.
Everardo Maciel, perguntado se confirmava a politização, também disse que a politização ocorreu com Lina e que não há ingerência política nenhuma, porque “mudanças de comando do órgão é uma atribuição do ministro”. A apresentadora, surpresa, tentou defender a gestão de Lina mostrando números que apontariam um crescimento da arrecadação no primeiro semestre de 2009 em relação a 2008. Maciel desmentiu os números. Disse que eles são números parciais. “No Brasil a arrecadação caiu na administração de Lina”, enfatizou.
Waldvogel, gaguejando e tropeçando nas palavras, voltou à conversa de que Guido Mantega estaria pressionando para não apertar os grandes contribuintes. Os três entrevistados negaram. Everardo mostrou que esse foco nos grandes contribuintes começou em sua gestão e que nada mudou em relação à fiscalização. O ex-secretário disse que a queda da arrecadação foi causada pela crise econômica, mas criticou a gestão de Lina por não ter tomado medidas para enfrentar a situação. Segundo ele, a queda da receita foi maior do que a queda do PIB o que, para Maciel, mostra que a equipe dirigida por Lina não fez o que tinha que fazer.
Ela mudou de assunto e introduziu o tema da opção do regime de tributação de competência para o de caixa, feita pela Petrobrás no meio de 2008. Disse que isso teria representado uma manipulação contábil pela estatal. Everardo foi categórico: “a Petrobrás está absolutamente certa”. “Falou-se em manobra contábil, que manobra contábil?”. “A lei foi feita durante a minha gestão e tinha exatamente o objetivo de proteger as empresas da maxidesvalorização cambial”. “Não havia data para mudar o regime fiscal porque as crises cambiais não são previsíveis”, acrescentou. “Caixa ou competência não representam nenhuma diferença no imposto devido”, explicou Maciel sobre a escolha da Petrobrás. “Explicar queda da arrecadação com essa história da Petrobrás, isso é rigorosamente falso”.
Vejam alguns trechos do debate entre ela, Everardo, Paulo Antenor e Sigaud:
Waldvogel: se fosse tão clara a possibilidade de mudar o regime no meio do ano, não haveria essa controvérsia.
Everardo: a regra é clara e foi feita em 1999, justamente para enfrentar o problema da desvalorização cambial.
Waldvogel: mas até agora a Receita está para soltar um parecer…
Everardo e os demais: já foi feito, concordando com a Petrobras. Essa prática existe há muito tempo, não existe qualquer ilegalidade ou manobra contábil.
Waldvogel: a regra é claríssima?
Sigaud: a regra é clara
Waldvogel: Houve então uma manipulação da opinião pública?
Sigaud: Uma exploração indevida
Ela passou para o caso Sarney, perguntando se é legítimo pressionar a Receita para abrandar a fiscalização. O presidente do Sindicato disse que é impossível essa pressão. Disse que sempre trabalhou próximo à chefia da Receita e nunca viu esse procedimento. O chefe da Receita conversa com políticos todos os dias. “Mas esse tipo de ingerência é novidade para a gente”, respondeu. “A gestão dela [Lina] foi muito ruim para a Casa. Ela abalou a credibilidade da Receita Federal”, disse Paulo Antenor.
Everardo disse que se tivesse ocorrida a “ingerência” política, o momento certo de trazer a público seria na época em que foi feita. Se não fez, cometeu prevaricação. Mais tarde, em entrevista ao Terra Magazine, Maciel voltou a acrescentar que o assunto Lina/Dilma é uma farsa. “A história do virtual diálogo que teria ocorrido entre a ministra-chefe da casa civil, Dilma Rousseff, e a secretária da receita, Lina Vieira. Não tem como se assegurar se houve ou deixou de haver o diálogo, mormente que teria sido entre duas pessoas, sem testemunhas. Agora tomemos como verdadeiro que tenha ocorrido o diálogo. Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal”, apontou.
E concluiu: “Se era algo banal, deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era algo grave, deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo”.
MANTEGA
Na quarta-feira, em entrevista à imprensa, o ministro Guido Mantega também negou que haja crise na Receita Federal e disse que “é uma balela dizer que não estamos fiscalizando os grandes contribuintes”. “É balela e é uma desculpa para encobrir ineficiência”, acrescentou o ministro, referindo-se ao argumento usado pelos funcionários que pediram demissão de seus cargos de confiança. Segundo Mantega, as pessoas que estão pedindo demissão seriam substituídas. “É normal a substituição quando há mudança de comando”, salientou.
HORA DO POVO, ed. 2795, 28.08.09
LEITURA ( OU SURRA ) COMPLEMENTAR:
Fernando Lyra diz que Maciel foi “lúcido” sobre Dra Lina
28/agosto/2009 8:29
O Conversa Afiada reproduz o blog de Inaldo Sampaio:
27 de Agosto de 2009 às 18:21:34
O ex-deputado e presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Fernando Lyra, telefonou nesta quinta-feira para o ex-secretário da Receita, Everardo Maciel, para parabenizá-lo pelos comentários feitos acerca da crise artificial que há naquele órgão.
Lyra classificou de “sensatas e esclarecedoras” as observações do ex-secretário, segundo as quais do suposto encontro que sua antecessora, Lina Vieira, teria tido com a ministra Dilma Rousseff só pode fazer duas leituras: ou foi um fato muito banal ou muito grave.
Se foi banal, disse ele, deveria ter sido esquecido e não estar nas manchetes dos jornais. E, se foi grave, deveria ter sido denunciado por Lina Vieira quando o episódio aconteceu.
“Para mim, que li dezenas de opiniões sobre este episódio, Everardo definiu em poucas palavras e com uma lucidez invejável, até porque conhece aquela Casa, essa crise que não é crise”, afirmou Fernando Lyra.
PREGO NO CAIXÃO GOLPISTA:
Quando Lina ainda não era “heroína” ( site Vi o Mundo )
26 de agosto de 2009
Chefe da Receita loteia cargos entre sindicalistas
AE – Agencia Estado
em 29 de agosto de 2008
BRASÍLIA – Com seis anos de atraso, os sindicalistas chegaram ao poder na Receita Federal. Desde que assumiu o cargo, no dia 31 de julho, a nova comandante do órgão, Lina Maria Vieira, vem discretamente substituindo os ocupantes dos principais cargos. O processo tem o seguinte padrão: para as superintendências regionais, preferencialmente sindicalistas; para a estrutura central da Receita em Brasília, técnicos.
Para a superintendência de São Paulo, Lina escolheu Luiz Sérgio Fonseca Soares, até então presidente da delegacia sindical do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Unafisco) em Belo Horizonte. Subordinada a ele, comandando a Delegacia Especial de Instituições Financeiras, está Clair Maria Hickman, ex-diretora de Estudos Técnicos da Unafisco.
A superintendência em Minas Gerais foi entregue a Eugênio Celso Gonçalves, que era o secretário de Contabilidade da Unafisco em Belo Horizonte. Antes, Eugênio presidiu o sindicato em meados dos anos 80 e foi chefe da delegacia sindical de Belo Horizonte entre 1991 e 1993. Para chefiar a 4ª Região Fiscal, que abrange os Estados de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte, o escolhido foi Altamir Dias de Souza, ex-presidente da delegacia sindical da Unafisco em Salvador e vice-presidente da diretoria nacional do sindicato entre 1999 a 2001.
Conhecida dos colegas por atuações de destaque em assembléias do sindicato, a auditora Eliana Polo Pereira foi nomeada para comandar a estrutura da Receita no Rio de Janeiro e Espírito Santo. De perfil também técnico, ela chefiou a Divisão de Tributação da Receita naquele Estado. Para comandar a Receita na Região Norte, foi nomeado Esdras Esnarriaga Júnior, ligado à Associação Nacional dos Auditores Fiscais (Anfip).
Para os funcionários experientes da Receita, o fato de sindicalistas terem sido guindados ao comando das unidades regionais do órgão aumenta o risco de atuação política. Existem parâmetros para a definição de pessoas e empresas a serem visitadas pelos fiscais, mas o superintendente e os delegados têm autonomia para definir as estratégias de fiscalização e arrecadação. Por outro lado, os sindicalistas são todos aprovados em concurso público. Portanto, ao menos em tese, têm preparo para assumir essas funções.Alguns técnicos negam que haja algum projeto político de aparelhamento e dizem que a secretária está apenas trocando “a turma do Everardo”. Sempre falando sob condição de se manterem no anonimato, esses técnicos dizem que a Fazenda está pondo um ponto final na influência do ex-secretário Everardo Maciel, que comandou a Receita nos dois mandatos do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e prolongou sua influência no órgão por mais seis anos e meio do governo Lula com a escolha de Jorge Rachid – substituído por Lina em julho passado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

maio 24, 2009

Vale reduz "projeção" de investimentos mas, AO CONTRÁRIO DA FOLHA, não diz que é por causa da "crise"

Filed under: "Proxenetas da Crise", crise econômica mundial, Vale do Rio Doce — Humberto @ 3:14 am
Primeiro: press release da Vale, sobre seu desempenho no primeiro trimestre de 2009, dando um panorama da situação da companhia:
O desempenho da Vale no 1T09
Lidando com o cenário atual
6/5/2009
A Vale apresentou sólido desempenho no primeiro trimestre de 2009 (1T09), apesar do impacto desfavorável da mais severa recessão global no período pós-guerra.
Para enfrentar o cenário recessivo, temos focado na flexibilidade operacional e financeira, procurando maximizar eficiência, minimizar custos e contribuir para o reequilíbrio dos mercados onde atuamos. Nosso portfólio de ativos de classe mundial, solidez financeira e a rápida resposta dada à dinâmica da recessão, nos possibilitam continuar a gerar valor ao longo dos ciclos.
Os principais destaques do desempenho da Vale no 1T09 foram:
. Receita bruta de US$ 5,4 bilhões, tendo havido redução de 27,2% relativamente aos US$ 7,4 bilhões do 4T08.
. Lucro operacional, medido pelo EBIT ajustado(a) (lucro antes de juros e impostos), de US$ 1,7 bilhão, 16,3% menor do que 4T08.
. Margem operacional, medida pela margem EBIT ajustado, de 31,6%, com elevação de 390 pontos base em relação à margem do trimestre anterior.
. Geração de caixa, medida pelo EBITDA ajustado(b) (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização): US$ 2,3 bilhões no 1T09, comparado a US$ 2,7 bilhões no 4T08.
. Lucro líquido de US$ 1,4 bilhão, equivalente a US$ 0,26 por ação diluído, igual ao alcançado no 4T08.
. Investimento – excluindo aquisições – de US$ 1,7 bilhão contra US$ 3,5 bilhões no trimestre anterior.
. Distribuição de dividendos de US$ 1,25 bilhão – US$ 0,24 por ação ordinária ou preferencial – pagos em 30 de abril de 2009, correspondente a primeira parcela da remuneração mínima ao acionista para 2009.
. Sólida posição financeira, apoiada em expressivo caixa de US$ 12,2 bilhões, disponibilidade de linhas de crédito de médio e longo prazo para o financiamento de projetos e endividamento de baixo risco.
Olha, eu não entendo NADA desses assuntos, mas eu sei ler ( ao contrário dos futuros adultos que estão sendo AGORA alfabetizados pelo Apagão Educacional Continuado do governo Covas/ Alckmin/ Serra ), pelo menos. E, no fato relevante que a Vale mandou publicar [ abaixo ], não há nada que sugira que a empresa esteja tirando o pé do freio ( com relação ao iniciamente previsto – previsto, repito – em outubro de 2008 ) devido, especialmente, à crise. Vejam e digam se não tenho alguma razão:
VALE R DOCE (VALE-N1) – FATO RELEVANTE / RETIFICACAO (22/05) VALE R DOCE (VALE-N1) – Revisao do Orcamento de investimentos de 2009 – Fato Relevante – Retificacao DRI: Fabio De Oliveira Barbosa
A empresa enviou o seguinte fato relevante:
A Companhia Vale do Rio Doce (Vale) informa que o Conselho de Administracao aprovou a revisao do orcamento de investimentos de 2009 para US$ 9,035 bilhoes , ante US$ 14,235 bilhoes anunciado em 16 de outubro de 2008. Essa revisao reflete basicamente variacao de preco das moedas nas quais nossos dispendios sao denominados, revisao de custos de equipamentos e de implantacao,
atrasos associados principalmente a obtencao de licencas ambientais, e simplificacao ou mudanca de escopo de alguns projetos.
De acordo com o novo orcamento, serao investidos US$ 6,961 bilhoes em crescimento organico, dos quais US$ 5,930 bilhoes em projetos e US$ 1,031 bilhao em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Esperamos investir US$ 2,074 bilhoes na manutencao das operacoes existentes.
Serao investidos US$ 3,109 bilhoes em minerais nao-ferrosos, representando 34,4% do capex total para 2009, enquanto minerais ferrosos receberao o montante de US$ 2,302 bilhoes, 25,5% do capex total. Dispendios com infra-estrutura incluem US$ 630 milhoes em geracao de energia e US$ 1,858 bilhao em logistica, cuja maior parte sera destinada para suportar o plano de expansao de capacidade de producao de minerio de ferro. Planejamos investir US$ 578 milhoes no segmento de carvao em 2009.
Os projetos com maiores dispendios em 2009 sao: linha de transporte maritimo (US$ 595 milhoes), Goro (US$ 520 milhoes), Carajas 130 Mtpa (US$ 455 milhoes), Onca Puma (US$ 435 milhoes), Salobo (US$ 375 milhoes), Oma (US$ 353 milhoes), Moatize (US$ 319 milhoes), Bayovar (US$ 308 milhoes), Tubarao VIII (US$ 230 milhoes) e Serra Sul
MAIS:

Vale revisa orçamento de investimentos de 2009 para US$ 9,0 bilhões
http://www.vale.com/vale/media/0521RevCapex_p.pdf
Então. Tem a ver com câmbio ( pode ocorrer a qualquer época; e o que tem de empresa que especulou com o dólar e perdeu… “Culpa” da crise? ) e “demora” em licenças ambientais. Da mesma forma com que tratam a “sonegação” da Petrobrás, os jornais contam com a ignorância do público [ eu incluso ] sobre estas questões para divulgar o que quiserem.
Vejam como a Folha manchetou, em 22 de maio [ pág. B-1 ]:
“Abalada pela crise [ sic ], Vale corta U$ 5, 2 bi em investimentos”
O sub-título: “Empresa cita atraso em licença ambiental e real valorizado para explicar cortes”
Ou seja: nem com a própria Vale explicando, a Folha acata. E, pior, trata o que seria, originalmente, uma previsão [ uma "estimativa" ] da empresa, como um orçamento cristalizado e que, portanto, foi “cortado” antes de ter sido realizado. Quero dizer: a Vale não separou a grana – dinheiro vivo – num cofre e disse: “Ano que vem, este será o nosso gasto” para, sete meses depois, chegar e tirar alguns valores daquele que estava “reservado”. Aliás, isso pode ter acontecido sim: separou a grana e pôs no cofre, contando com uma licença ambiental que viria, só que esta não veio. E aí? Vai ficar com este dinheiro “parado” no cofre? Talvez seja melhor esperar um pouco. Enquanto isso, vamos comprar uns papéis do governo, antes que os juros baixem demais.
Prosseguindo. Ainda sobre a Vale, a matéria prossegue na página B-3:
“Vale corta 37% de seu investimento neste ano” [ Ou melhor: "Vale revê previsão de investimento em 2009, que poderá ser 37% menor que o estimado ].
Na verdade, estou indo pelo caminho errado: o câmbio está AJUDANDO A VALE. Vejam [ em vemelho ]:
Vale corta 37% de seu investimento neste ano
Mineradora diz que câmbio barateou investimentos, mas encolhe projetos.
Mineradora é uma das mais afetadas pela crise global, que reduziu a demanda por minério de ferro, seu principal produto.
Uma das empresas brasileiras mais afetadas pela crise global, a Vale do Rio Doce anunciou ontem uma redução drástica de seu plano de investimento para 2009. Os US$ 14,235 bilhões em investimentos anunciados em outubro de 2008 foram reduzidos agora para US$ 9,035 bilhões. Trata-se de um corte de 37% -ou US$ 5,2 bilhões.
Segundo a Vale, a valorização do real reduziu seus custos, permitindo que ela faça investimentos gastando menos recursos. A mineradora, segunda maior empresa do Brasil (atrás só da Petrobras), alega ainda que atrasos em licenças ambientais seguraram investimentos.
Essa revisão reflete basicamente a variação de preço das moedas nas quais nossos dispêndios são denominados, revisão de custos de equipamentos e de implantação, atrasos associados principalmente à obtenção de licenças ambientais e simplificação ou mudança de escopo de alguns projetos”, disse a Vale em comunicado no início da noite de ontem.
A empresa não atribuiu à crise o corte de investimentos, [ OBS: ao contrário da Folha ] mas ‘é natural rever projetos em momentos de forte desaceleração do consumo global de minério de ferro’ [ "É natural rever projetos", diz a Folha, com razão, mas não há nada dizendo que a Vale esteja aplicando essa teoria neste momento; isso é, no mínimo, uma elucubração do jornal, só que contrabandeada para o texto ]. A crise travou a produção siderúrgica mundial – que, em alguns país, foi reduzida à metade – e levou à reboque o mercado de minério de ferro, principal insumo do aço.
Diante desse cenário, a produção da Vale, maior produtora mundial do minério, caiu 25,9% no primeiro trimestre na comparação com o período de outubro a dezembro do ano passado. Segundo a companhia, uma “redução de demanda sem precedentes” provocou o tombo.
Com uma produção menor, a empresa viu seus ganhos minguarem. A mineradora lucrou R$ 3,151 bilhões no primeiro trimestre deste ano, abaixo da cifra recorde de R$ 10,4 bilhões do quarto trimestre de 2008.
Nos números apresentados à CVM, porém, a Vale ajustou o balanço do primeiro trimestre deste ano e os dos trimestres anteriores às novas regras contábeis [ É...Essa parte me parece importante mas, infelizmente, eu não entendo de Contabilidade ] e informou um crescimento de 29,1% no lucro no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre de 2008, que teve o valor revisado para R$ 2,4 bilhões. Se comparado o resultado do primeiro trimestre com os R$ 10,4 bilhões dos três meses anteriores (sem ajuste), a queda seria de 69%.
Projetos
Pelo novo orçamento, serão investidos US$ 6,961 bilhões em expansão de suas atividades -dos quais US$ 5,930 bilhões em projetos e US$ 1,031 bilhão em pesquisa e desenvolvimento. Outros US$ 2,074 bilhões irão para a manutenção das operações existentes.
Por áreas de negócio, US$ 3,109 bilhões serão alocados em minerais não-ferrosos (especialmente cobre e níquel), o que representa 34,4% do total. Os ferrosos receberão US$ 2,302 bilhões, 25,5% do investimento global.
Para a área de infraestrutura, foram alocados US$ 630 milhões em geração de energia e US$ 1,858 bilhão em logística -cuja maior parte será destinada para suportar o plano de aumento da produção de minério de ferro. Em carvão, a Vale investirá US$ 578 milhões.
Ações
Desde a eclosão da crise global, em 15 de setembro passado, as ações da Vale chegaram a cair 37%, mas se recuperaram e ontem acumulavam queda de 9,3% desde aquela data, ante 4,39% do Ibovespa.
- A “concorrência” [ no caso, o Estadão ] dando a mesma notícia:
Vale corta US$ 5 bilhões em investimentos
Estado, 22/05/2009
A Vale reduziu em US$ 5,2 bilhões sua projeção de investimentos para 2009. A decisão, aprovada ontem pelo conselho de administração da companhia, foi motivada por três fatores: redução de custos [ UAI! E isso é ruim ou é bom? ] , desvalorização do real e alongamento dos cronogramas de alguns projetos [ OBS: aqui não fala em "licenças ambientais" ] . A cifra supera o valor de todos os projetos de expansão do setor de papel e celulose para os próximos quatro anos, que soma cerca de US$ 4,5 bilhões, segundo estimativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Em comunicado divulgado ontem ao mercado, a Vale informou que o novo orçamento para 2009 é de US$ 9,035 bilhões, 36,5% inferior aos US$ 14,235 bilhões projetados inicialmente. A possibilidade de revisão [ OPS! É apenas uma "possibilidade" de revisão? Agora eu me compliquei! ] dos investimentos foi sinalizada durante a divulgação do balanço do primeiro trimestre da companhia, em virtude das mudanças no cenário econômico desde o estouro da crise financeira mundial.
Em outubro de 2008, quando a companhia bateu o martelo e divulgou seu plano de investimento, o ambiente ainda não refletia uma desaceleração tão forte da economia mundial. O cenário piorou nos meses seguintes, obrigando a companhia a adotar uma série de medidas, como a demissão de 1,3 mil funcionários e a suspensão de atividades em algumas minas, com a concessão de férias coletivas aos trabalhadores. Por outro lado, naquela época, os custos estavam inflados por conta do ritmo acelerado de investimentos dos últimos anos.
A companhia diz que a revisão dos investimentos não significa que os projetos deixarão de ser tocados. Em alguns casos, a redução de gastos foi obtida com a queda no custo de insumos e matérias-primas nos últimos meses. Em outros, há o impacto da desvalorização cambial, que reduz o valor em dólar de encomendas de bens e serviços que são pagas em reais.
Mas há também a postergação de investimentos em projetos que não têm mercado consumidor neste momento. Nesse caso, se enquadram principalmente as operações em níquel, que tiveram redução de 18,2% nos investimentos previstos em 2009, para US$ 1,381 bilhão. No texto divulgado ontem, a empresa diz que os projetos de níquel Onça Puma, Goro, Totem e Salobo – com investimento total de US$ 7,9 bilhões – têm sua conclusão “sujeita às condições de mercado”.
O corte mais significativo, porém, recaiu sobre os projetos do segmento de minerais ferrosos, especialmente nas minas de Carajás e Serra Sul, ambas no Pará. A previsão era gastar com ferrosos US$ 4,554 bilhões este ano, volume reduzido para US$ 2,853 bilhões. Só o projeto Serra Sul teve seu orçamento encolhido de US$ 675 milhões para US$ 233 milhões.
Maior investimento individual da companhia atualmente, com o orçamento total de US$ 11,297 bilhões, tem início de operações previsto para o primeiro semestre de 2013.
A expansão da mina de Carajás para 130 milhões de toneladas de capacidade também sofreu corte expressivo, de US$ 798 milhões para US$ 455 milhões. A empresa projeta uma nova usina de britagem e ampliação da estrutura logística para 2011.
O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, lamentou a redução de investimentos, mas reconheceu que a empresa tem de se ajustar ao cenário atual. “Ela está se adaptando à nova realidade de demanda internacional”, afirmou. Em abril, a companhia já havia anunciado uma redução de US$ 600 milhões em seus investimentos em logística programados até 2013, que caíram de US$ 12 bilhões para US$ 11,4 bilhões.

CONCLUSÃO: Que falta o Aloysio Biondi nos [ me ] faz…
AGORA SE VOCÊ, MEU SENTIMENTAL AMIGO, FICOU COM PENA DA VALE, LEIA ISTO:
Maria Antonieta não teria feito pior
Vale demite, reduz salários e distribui R$ 5 bi a acionistas
Conselho ratificou a indecorosa proposta da diretoria da empresa
Nos últimos meses, a Vale tem demitido e imposto reduções de salário, usando a crise como pretexto. Na segunda-feira, o Conselho de Administração da empresa anunciou que distribuirá entre os acionistas R$ 5,059 bilhões e que, depois de pagar esses dividendos, a empresa ainda terá, em lucros acumulados, R$ 15,178 bilhões, que serão mantidos como “reserva” – ou seja, irão para a especulação financeira. A Vale, roubada do Estado – isto é, do povo – e sorvendo bilhões do BNDES tem uma folha de pagamento mundial que é metade do que ela distribuiu em dividendos.
Vale usa a crise como pretexto para demitir e reduzir salários
HORA DO POVO, 18 DE MARÇO DE 2009
Empresa lucra R$ 15 bilhões, distribui R$ 5 bilhões em dividendos e demite 12 mil
Havíamos noticiado há algumas semanas que a Vale do Rio Doce, no mesmo momento em que demitia trabalhadores e chantageava sindicatos para que aceitassem reduções de salários, resolvia, por decisão de sua diretoria, distribuir US$ 2,5 bilhões – ou cerca de R$ 5 bilhões – em dividendos.
De lá para cá, a Vale demitiu, segundo fontes sindicais, alguns milhares de trabalhadores (o número de 1.300 demitidos, fornecido pela diretoria da empresa, segundo vários dirigentes sindicais, é totalmente subestimado; a CUT denunciou um total de 12 mil demissões, se incluídos os funcionários terceirizados). Além disso, alguns sindicatos fecharam acordos de redução de salário com a ridícula compensação de “estabilidade até 31 de maio”.
Na última semana, o Conselho de Administração da Vale anunciou que distribuirá entre os acionistas a quantia de 5 bilhões e 59 mil reais – ou seja, aprovou a proposta da diretoria. E, mais, declarou que depois de pagar esses dividendos, a empresa ainda terá, em lucros acumulados, R$ 15 bilhões e 178 milhões, que serão mantidos como “reserva”, o que, para bom entendedor, significa que estão sendo usados na especulação financeira, pois não existe a hipótese desse dinheiro ficar parado no banco ou no cofre do Agnelli – preposto que o Bradesco, acionista minoritário, encilhou na presidência da Vale ao módico salário de R$ 448 mil por mês.
Somente para frisar: não estamos falando de “entradas”, de “receita” ou de “faturamento” – o Conselho de Administração da Vale declarou que, depois de distribuir R$ 5 bilhões, ainda terá em caixa R$ 15 bilhões em lucros, ou seja, dinheiro líquido, já pagos os impostos e as despesas de produção.
Os números batem, exatamente, com aqueles citados pelos sindicatos de Congonhas, Ouro Preto e Itabira, em documento enviado à diretoria da Vale. Por essa razão, é possível confiar em outro dado fornecido por esses sindicatos: a folha de pagamento mundial da Vale equivale meramente à metade dos dividendos que estão sendo distribuídos aos acionistas. No entanto, há meses que a diretoria da Vale tenta cortar os salários em 50%, recorrendo a pressões a que alguns mais débeis cederam.
Mas, com R$ 15 bilhões de lucros em caixa e R$ 5 bilhões distribuídos aos acionistas, qual a necessidade de demitir ou reduzir salários? Ora, a necessidade é arrancar o couro dos trabalhadores, lucrar mais e mais, nem que seja pisando o pescoço dos funcionários.
Isso numa companhia que era estatal, que foi vendida a um preço tão irrisório que seu suposto “valor de mercado” hoje é quarenta vezes o da época da “privatização” – certamente não porque a diretoria seja mais competente que na época em que era estatal (nem os privatistas conseguiram ser cínicos o suficiente para fazer tal afirmação). Simplesmente, a privatização foi um roubo.
E, mais: é uma empresa que, depois de privatizada, vive dragando o dinheiro do BNDES. Somente uma das linhas de crédito que o BNDES concedeu à Vale, no primeiro semestre do ano passado, monta a US$ 7,3 bilhões (sete bilhões e 300 milhões de dólares – ver o recente artigo do presidente do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro, Paulo Passarinho, “A Vale do Rio Doce, a CUT e o governo Lula”).
Em suma, é uma empresa que foi roubada do Estado e do seu dono, o povo brasileiro, e que não realiza seus investimentos com financiamentos do Bradesco, mas com financiamentos do BNDES – dinheiro público e dinheiro dos trabalhadores, através do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), principal fonte de recursos do BNDES.
Depois disso tudo, a decantada “responsabilidade social” da Vale está em demitir e reduzir os salários dos trabalhadores, sem outra necessidade que a maximização do lucro por meios abertamente anti-sociais.
No entanto, os entes estatais – fundos de pensão públicos, o próprio BNDES e o governo federal – têm a maioria das ações da empresa. Estranhamente, o Bradesco, que emplacou o atual presidente, tem cerca de 8% das ações. Os fundos de pensão (Previ, do Banco do Brasil; Petros, da Petrobrás; Funcef, da Caixa Econômica Federal) mais o BNDES (através da BNDESPar) detêm 60,52% do “consórcio controlador”, a Valepar, que, por sua vez, controla 53,6% das ações com direito a voto da empresa – e, além disso, o governo federal ainda possui mais 6,8% dessas ações com direito a voto.
Portanto, em princípio, nada impede que o governo acabe com uma administração que transformou um dos maiores patrimônios do povo brasileiro numa fonte de desemprego e miséria – mesmo quando está abarrotada de lucros.
No entanto, as ações dos fundos de pensão e do BNDES – embora não aquelas pertencentes diretamente ao governo federal – têm servido apenas para catapultar interesses minoritários e lesivos ao país, especialmente aos seus trabalhadores. Não é racional – e, sobretudo, não é saudável – que isso continue por mais tempo.
CARLOS LOPES
Após demitir no Brasil, Vale explora africanos
HORA DO POVO, 01 DE ABRIL DE 2009
Após demitir mais de mil trabalhadores brasileiros no final do ano passado e de anunciar recentemente a compra de 50% de participação no capital das subsidiárias da TEAL Exploration & Mining Incorporated, que atuam em projetos de exploração e mineração na República Democrática do Congo, Moçambique, Namíbia e Zâmbia, a mineradora Vale do Rio Doce programa mais um investimento no exterior. Trata-se da construção de uma usina térmica a carvão em Moçambique, que deverá consumir cerca de US$ 2,8 bilhões.
Segundo informações de integrantes do governo local, o novo aporte da Vale é uma continuidade do projeto Carvão Moatize, que absorverá investimentos da ordem de US$ 1,3 bilhão. O objetivo seria a produção de energia elétrica para atender a própria demanda e para vender em outros países da África.
Em 2008, a Vale teve um lucro líquido recorde de R$ 21,279 bilhões, o que representa um crescimento de 6,36% em relação ao ano anterior. No início deste mês, a empresa aprovou a distribuição de US$ 2,5 bilhões – ou cerca de R$ 5 bilhões – em dividendos. Além disso, informou que mantinha em caixa, como “reserva”, R$ 15,178 bilhões. Ao mesmo tempo em que expande seus negócios para outros países e promove demissões no Brasil, a Vale recebe bilhões do BNDES em empréstimos subsidiados.

abril 15, 2009

CRISE HORROROSA E APOCALÍPTICA LEVA BRASIL A EXPORTAR no 1º. trimestre, 50% MAIS ARROZ QUE NO MESMO PERÍODO DE 2008

E AÍ? Achou meio esquisita essa chamada do post? Quando você ler a matéria que reproduzo a seguir, vai entender menos ainda. Sugiro, inclusive, que você visite ESTE POST primeiro, antes de seguir em frente. [ Pode ir que a gente espera... ]
Exportações de arroz crescem no primeiro trimestre de 2009
13 de abril de 2009
As vendas externas de arroz totalizaram 70,4 mil toneladas no mês de março, um crescimento de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Rio Grande do Sul contribuiu com 88% das operações. Do volume exportado, no mês, 91% correspondeu ao arroz beneficiado.
Para o assessor de Mercado do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Marco Tavares, o perfil do produto exportado, concentrado em arroz industrializado, que agrega valor, contribuiu para que, no primeiro trimestre de 2009, o faturamento, apresentasse crescimento de 111% sobre as exportações do mesmo período em 2008, alcançando U$ 58, milhões.
Os principais destinos das exportações foram: Benin 29,8 mil toneladas e África do Sul 16,1 mil toneladas, com destaque para a inclusão de um novo cliente no portfólio brasileiro, Camarões com 9,2 mil toneladas, que identifica a importância da diversificação de mercados.
No primeiro trimestre de 2009 (ano comercial), as exportações atingiram, em volume, 173 mil toneladas, base casca. O dado representa um crescimento de quase 50% sobre o mesmo período do ano anterior. As vendas externas continuam fluindo em 2009 – destaca Tavares.
O fato contribui, decisivamente, para o fortalecimento dos preços internos, “atualmente estabilizados em plena safra e com boas possibilidades de recuperação nas próximas semanas”, juntamente com a farta disponibilidade de recursos para o carregamento dos estoques do governo federal e a implantação do programa de leilões de opções públicas a partir da próxima semana”, analisa.
As importações em março alcançaram 74,5 mil toneladas. O volume ultrapassou as exportações, com incremento de 35% sobre o mês anterior. Nesse trimestre, as importações alcançaram 230 mil toneladas.
Segundo Tavares, a projeção da Conab é de 500 mil toneladas para as exportações e 950 mil toneladas, mas o desempenho do primeiro trimestre permite projetar possíveis alterações nestes números, reduzindo os estoques finais projetados em 1,250 milhão de toneladas, “e que muito vai depender dos preços do mercado internacional e do câmbio ao longo do ano safra”, observa.
Em 2008, as exportações alcançaram 790 mil toneladas, enquanto as importações foram de apenas 590 mil toneladas.
Fonte: Irga
ENTENDEU? Seguinte: naquele post indicado, você leu o artigo do Bernardo Kucinski. E o que ele diz? Explico de meu modo tôsco: ele disse que o imprensalão, golpista e tucano, tem usado a crise para tentar minar um pouco da popularidade do Lula, além de tentar vender-nos a candidatura do Serra. Para não correr o risco de ver a Dilma Roussef ganhar do tucano em 2010 e, com isso, continuar o mandato do Lula ( o terceiro ). Por isso, aproveitando-se da crise econômica mundial iniciada nos EUA e que respingou aqui ( honestamente, não creio que saiba-se quanto ), o PIG tem publicado manchetes e notícias com tons mais apocalípticos que o próprio Roubini, o chamado “Profeta do Apocalipse”. Que, por sinal, excetuando a Carta Capital, era um completo e ignorado desconhecido pelos nossos jornais e revistas apesar de, muito antes do negócio estourar mesmo, ele já alertava o mundo. Enfim, se o Roubini é o “Profeta do Apocalipse”, os nossos jornais e revistas são os “Proxenetas da Crise”, que a usam e abusam da forma que lhes convir, contanto que ela sirva para derrubar o Lula.
Então, voltando ao Kucinski, ele escreveu o seguinte:
“Uma das edições do principal jornal de economia do país , Valor Econômico, trouxe no início de março nada menos que 15 manchetes e títulos com a palavra “crise”. Era “crise” para todo lado, quando havia e quando não havia. “Teles lucram mais apesar da crise.” Se lucram mais, não há crise para elas, então por que dizer “apesar da crise”? Ou “Mesmo com crise, JBS aposta nos EUA”. Ou ainda: “Contra a crise Volvo investe na AL”. Nessas manchetes, o fato noticiado é a negação da crise, mas o sentido transmitido é de crise.
Manchetes revelam como os editores querem que o leitor receba a notícia. Direcionam o modo de leitura. E muitos leitores ficam só nas manchetes. Imagine o empresário lendo essa edição do Valor. Depois de a palavra “crise” tanto martelar sua cabeça, imediatamente manda rever os investimentos, cortar gastos e horas extras ( … ) A palavra “crise” virou o que o filósofo francês Roland Barthes chamou de “mito”, não no sentido de lenda, e sim como um conjunto de significações que vão além da própria palavra. Nosso empresário pensou imediatamente em queda brutal nas encomendas, atrasos nos pagamentos, necessidade de agir rápido para evitar o fim de sua querida firma. O fim do seu mundo. O fim do mundo. A narrativa da crise virou a narrativa do fim do mundo. “Crise” tornou-se obsessão linguística e editorial. Editores destacam toda informação que corrobore o estado de crise e escasseiam as que negam ou confrontam esse estado ( … ) Assim, o jornalismo econômico abandonou o modo triunfalista, que remetia à ideia da modernidade e da pujança. Em seu lugar entrou a profecia do fim do crescimento econômico, do fim das exportações, do fim do emprego, do fim do mundo.Essa nova narrativa busca o enfoque mais negativo possível. Em janeiro, por exemplo, depois de três meses de declínio, a produção da indústria brasileira cresceu 2,3%, mas a assustadora manchete de primeira página da Folha, “Indústria tem a maior queda em 19 anos”, privilegiou a comparação com janeiro de 2008, e não com o mês anterior. No caderno de economia a manchete foi “Indústria tem o pior resultado desde Collor”. Também nesse caso, observou o ombudsman do jornal, a assertiva é falsa, já que a produção hoje é de qualquer forma muito maior do que na era Collor ( … )”.
O que isso tem a ver com o arroz? Bem, seguindo o modelo da “narrativa” ( como diria Kucinski ) do imprensalão, eu botei logo no título um “apesar da crise”, que costuma adornar as chamadas e manchetes da vida real, ainda que eles estejam passando uma receita de bolo:
BOLO DE CENOURA ( 6 PORÇÕES, APESAR DA CRISE )
10 ovos ( se, devido à crise, você tiver apenas 9 unidades, não tem problema, complete com Maisena – ou um genérico, que é mais barato );
4 cenouras grandes ( mas se, por causa da crise, você não tiver 4 cenouras ou elas não sejam grandes e sim médias, então ponha mais uma unidade, ou substitua-a por mandioquinha ou giló );
E por aí vai. ( Gostei da idéia. Se der, vou postar uma receita de verdade, “à moda da crise”. )
Então: acrescentei a expressão famigerada, que ficou contrastando bizonhamente com o enunciado: a exportação cresceu 50% apesar da crise. Não só. Eu creditei diretamente à crise o aumento destas exportações. Uma bobagem, claro. Algo péssimo causando algo bom, digamos. Não mostrei quaisquer evidências de que a crise tenha feito aumentar as exportações de arroz. A palavra “crise” ficou como uma saliência, um apêndice desnecessário e fora do contexto. Outra coisa: no exemplo de Kucinski, ele reclama que o jornal mostrou ( privilegiou ) a queda da produção indústrial ( “A maior em 19 anos” ) destacando os números obtidos com a comparação entre “janeiro de 2009 ( depois de 3 meses de declínio ) e o mesmo mês, de 2008″ e não “janeiro de 2009″ com “dezembro de 2008″, quando haveria uma ligeira melhora a reportar ao público. Na manchete do nosso post fiz a mesma coisa: primeiro trimestre de 2009 “em relação ao mesmo período do ano anterior”, houve um crescimento de 50% ( OPS! “Apesar da crise”… ) ; o faturamento cresceu: 111% sobre as exportações do mesmo período de 2008. Em relação aos meses, março de 2009 X março de 2008, 30% a mais exportado [ e é arroz industrializado ].
A bem da verdade, esse artigo falando do arroz parece bem comedido, pois os números – confesso que nem arroz eu sei fazer, quanto mais analizar o mercado agrícola… – apresentados por ele ( crescimento de 30, 50 e 111%, qualquer que seja a base de comparação ) soam muito bons mesmo. Enfim.

CRISE HORROROSA E APOCALÍPTICA LEVA BRASIL A EXPORTAR no 1º. trimestre, 50% MAIS ARROZ QUE NO MESMO PERÍODO DE 2008

E AÍ? Achou meio esquisita essa chamada do post? Quando você ler a matéria que reproduzo a seguir, vai entender menos ainda. Sugiro, inclusive, que você visite ESTE POST primeiro, antes de seguir em frente. [ Pode ir que a gente espera... ]
Exportações de arroz crescem no primeiro trimestre de 2009
13 de abril de 2009
As vendas externas de arroz totalizaram 70,4 mil toneladas no mês de março, um crescimento de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Rio Grande do Sul contribuiu com 88% das operações. Do volume exportado, no mês, 91% correspondeu ao arroz beneficiado.
Para o assessor de Mercado do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Marco Tavares, o perfil do produto exportado, concentrado em arroz industrializado, que agrega valor, contribuiu para que, no primeiro trimestre de 2009, o faturamento, apresentasse crescimento de 111% sobre as exportações do mesmo período em 2008, alcançando U$ 58, milhões.
Os principais destinos das exportações foram: Benin 29,8 mil toneladas e África do Sul 16,1 mil toneladas, com destaque para a inclusão de um novo cliente no portfólio brasileiro, Camarões com 9,2 mil toneladas, que identifica a importância da diversificação de mercados.
No primeiro trimestre de 2009 (ano comercial), as exportações atingiram, em volume, 173 mil toneladas, base casca. O dado representa um crescimento de quase 50% sobre o mesmo período do ano anterior. As vendas externas continuam fluindo em 2009 – destaca Tavares.
O fato contribui, decisivamente, para o fortalecimento dos preços internos, “atualmente estabilizados em plena safra e com boas possibilidades de recuperação nas próximas semanas”, juntamente com a farta disponibilidade de recursos para o carregamento dos estoques do governo federal e a implantação do programa de leilões de opções públicas a partir da próxima semana”, analisa.
As importações em março alcançaram 74,5 mil toneladas. O volume ultrapassou as exportações, com incremento de 35% sobre o mês anterior. Nesse trimestre, as importações alcançaram 230 mil toneladas.
Segundo Tavares, a projeção da Conab é de 500 mil toneladas para as exportações e 950 mil toneladas, mas o desempenho do primeiro trimestre permite projetar possíveis alterações nestes números, reduzindo os estoques finais projetados em 1,250 milhão de toneladas, “e que muito vai depender dos preços do mercado internacional e do câmbio ao longo do ano safra”, observa.
Em 2008, as exportações alcançaram 790 mil toneladas, enquanto as importações foram de apenas 590 mil toneladas.
Fonte: Irga
ENTENDEU? Seguinte: naquele post indicado, você leu o artigo do Bernardo Kucinski. E o que ele diz? Explico de meu modo tôsco: ele disse que o imprensalão, golpista e tucano, tem usado a crise para tentar minar um pouco da popularidade do Lula, além de tentar vender-nos a candidatura do Serra. Para não correr o risco de ver a Dilma Roussef ganhar do tucano em 2010 e, com isso, continuar o mandato do Lula ( o terceiro ). Por isso, aproveitando-se da crise econômica mundial iniciada nos EUA e que respingou aqui ( honestamente, não creio que saiba-se quanto ), o PIG tem publicado manchetes e notícias com tons mais apocalípticos que o próprio Roubini, o chamado “Profeta do Apocalipse”. Que, por sinal, excetuando a Carta Capital, era um completo e ignorado desconhecido pelos nossos jornais e revistas apesar de, muito antes do negócio estourar mesmo, ele já alertava o mundo. Enfim, se o Roubini é o “Profeta do Apocalipse”, os nossos jornais e revistas são os “Proxenetas da Crise”, que a usam e abusam da forma que lhes convir, contanto que ela sirva para derrubar o Lula.
Então, voltando ao Kucinski, ele escreveu o seguinte:
“Uma das edições do principal jornal de economia do país , Valor Econômico, trouxe no início de março nada menos que 15 manchetes e títulos com a palavra “crise”. Era “crise” para todo lado, quando havia e quando não havia. “Teles lucram mais apesar da crise.” Se lucram mais, não há crise para elas, então por que dizer “apesar da crise”? Ou “Mesmo com crise, JBS aposta nos EUA”. Ou ainda: “Contra a crise Volvo investe na AL”. Nessas manchetes, o fato noticiado é a negação da crise, mas o sentido transmitido é de crise.
Manchetes revelam como os editores querem que o leitor receba a notícia. Direcionam o modo de leitura. E muitos leitores ficam só nas manchetes. Imagine o empresário lendo essa edição do Valor. Depois de a palavra “crise” tanto martelar sua cabeça, imediatamente manda rever os investimentos, cortar gastos e horas extras ( … ) A palavra “crise” virou o que o filósofo francês Roland Barthes chamou de “mito”, não no sentido de lenda, e sim como um conjunto de significações que vão além da própria palavra. Nosso empresário pensou imediatamente em queda brutal nas encomendas, atrasos nos pagamentos, necessidade de agir rápido para evitar o fim de sua querida firma. O fim do seu mundo. O fim do mundo. A narrativa da crise virou a narrativa do fim do mundo. “Crise” tornou-se obsessão linguística e editorial. Editores destacam toda informação que corrobore o estado de crise e escasseiam as que negam ou confrontam esse estado ( … ) Assim, o jornalismo econômico abandonou o modo triunfalista, que remetia à ideia da modernidade e da pujança. Em seu lugar entrou a profecia do fim do crescimento econômico, do fim das exportações, do fim do emprego, do fim do mundo.Essa nova narrativa busca o enfoque mais negativo possível. Em janeiro, por exemplo, depois de três meses de declínio, a produção da indústria brasileira cresceu 2,3%, mas a assustadora manchete de primeira página da Folha, “Indústria tem a maior queda em 19 anos”, privilegiou a comparação com janeiro de 2008, e não com o mês anterior. No caderno de economia a manchete foi “Indústria tem o pior resultado desde Collor”. Também nesse caso, observou o ombudsman do jornal, a assertiva é falsa, já que a produção hoje é de qualquer forma muito maior do que na era Collor ( … )”.
O que isso tem a ver com o arroz? Bem, seguindo o modelo da “narrativa” ( como diria Kucinski ) do imprensalão, eu botei logo no título um “apesar da crise”, que costuma adornar as chamadas e manchetes da vida real, ainda que eles estejam passando uma receita de bolo:
BOLO DE CENOURA ( 6 PORÇÕES, APESAR DA CRISE )
10 ovos ( se, devido à crise, você tiver apenas 9 unidades, não tem problema, complete com Maisena – ou um genérico, que é mais barato );
4 cenouras grandes ( mas se, por causa da crise, você não tiver 4 cenouras ou elas não sejam grandes e sim médias, então ponha mais uma unidade, ou substitua-a por mandioquinha ou giló );
E por aí vai. ( Gostei da idéia. Se der, vou postar uma receita de verdade, “à moda da crise”. )
Então: acrescentei a expressão famigerada, que ficou contrastando bizonhamente com o enunciado: a exportação cresceu 50% apesar da crise. Não só. Eu creditei diretamente à crise o aumento destas exportações. Uma bobagem, claro. Algo péssimo causando algo bom, digamos. Não mostrei quaisquer evidências de que a crise tenha feito aumentar as exportações de arroz. A palavra “crise” ficou como uma saliência, um apêndice desnecessário e fora do contexto. Outra coisa: no exemplo de Kucinski, ele reclama que o jornal mostrou ( privilegiou ) a queda da produção indústrial ( “A maior em 19 anos” ) destacando os números obtidos com a comparação entre “janeiro de 2009 ( depois de 3 meses de declínio ) e o mesmo mês, de 2008″ e não “janeiro de 2009″ com “dezembro de 2008″, quando haveria uma ligeira melhora a reportar ao público. Na manchete do nosso post fiz a mesma coisa: primeiro trimestre de 2009 “em relação ao mesmo período do ano anterior”, houve um crescimento de 50% ( OPS! “Apesar da crise”… ) ; o faturamento cresceu: 111% sobre as exportações do mesmo período de 2008. Em relação aos meses, março de 2009 X março de 2008, 30% a mais exportado [ e é arroz industrializado ].
A bem da verdade, esse artigo falando do arroz parece bem comedido, pois os números – confesso que nem arroz eu sei fazer, quanto mais analizar o mercado agrícola… – apresentados por ele ( crescimento de 30, 50 e 111%, qualquer que seja a base de comparação ) soam muito bons mesmo. Enfim.

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