setembro 29, 2008
A segurança da baixa velocidade
outubro 18, 2007
Jaz São Paulo – Paroquianas: Bairro invadido por especulação imobiliária e suas conseqüências, deseja relação de mão-única com Estado!!
É isso mesmo!! SENSACIONAL!!
Os poucos leitores de nossos blogs ( muito obrigado, aliás ) já devem conhecer o processo de adensamento pelo qual o bairro onde resido vem passando e a piora na “qualidade de vida” ( puta, que termo infeliz ) de quem já está aqui há bastante tempo. Sob minha ótica, claro, eu não nego. Porém, como não possuo os conhecimentos de urbanismo necessários, sou obrigado a apelar à minha memória e conversar com outros, que tampouco dispõem deste conhecimento especializado. E, inclusive, buscar alguma história semelhante de outros bairros. Um dia eu conto uma pequena situação engraçada que ocorreu comigo, tendo como ponto de partida o imóvel onde foi filmado o “DURVAL DISCOS”. O referido local, próximo a Pinheiros, não existe mais: foi derrubado para a construção de uma ou duas torres de apartamentos; em resumo, quero dizer que, por mais que uma incorporadora ou um investidor venham tentar vender a idéia de que o “progresso” teria que vir, obrigatoriamente, precedido por seus lançamentos e construções, por menor instrução que eu tenha, eu não sou convencido disso nem a pau. Quando comecei a perceber a mudança deste bairro aqui- a Vila Prudente mas, em especial, a Vila Zelina – busquei ver a entrelinha da coisa da forma que eu conseguisse. Para falar a verdade, sucintamente, a derrubada impiedosa de imóveis antigos em bom estado e sua substituição por caixas de concreto não mais para uma, mas duas ( e até três ) famílias foi o que começou a chamar a minha atenção, até por uma questão de interesse pessoal: eu moro aqui, gosto daqui, mas pago aluguel. Com a especulação, os imóveis para aluguel foram encarecendo ou escasseando, de modo que, no caso de uma improvável possibilidade de eu descolar algum dinheiro nos próximos 200 anos para comprar uma residência, com certeza esse valor não será suficiente para continuar por aqui mesmo. Imóveis, aluguéis mais caros…que mais? Ah, aumento do número de automóveis circulando por um bairro de ruas estreitas e habitado – pelo menos estava assim – por idosos, majoritariamente. Quando dei por mim, nos jornais do bairro ( sim, “nos” jornais, existem uns 3 ou 4 que circulam por aqui, semanalmente ) começaram a aparecer insistentemente matérias relatando atropelamentos próximo à praça central do bairro. E, não tardou, surgiram as propostas de se colocar fiscalização da CET no pedaço. Acho que eu nunca tinha visto uma viatura da CET por aqui, sério. Fixar um fiscal de trânsito na praça seria o troféu da derrota. Eu não cheguei a falar aqui da fila dupla que as mães faziam ( fazem ) na frente dum colégio na Avenida Zelina ( Marco Zero )? Parece até matéria do JT falando do DANTE, daquela falta de educação, da carteirada… Engraçado que, nesse lugar onde as infrações são flagrantes, não se ouve exigir uma fiscalização mais atuante.
Bom, daí, tentando entender o que estava se passando, mas com uma certa noção, contatei por email 3 ou 4 vereadores: dois me responderam, deram uma ou duas sugestões, mas daí percebi que era muita areia para meu caminhão. Teria que estudar o Plano Diretor, aprender um bocado de coisa técnica ou especializada até baixei no site da Prefeitura uns mapas cheios de siglas, e aí fudeu… ZEI, ZEI-2, vixi… e até que serviu – um pouco – para entender certas mudanças que se iniciaram há algum tempo, mas se acentuaram ultimamente. Se existiu alguma consulta à gente do bairro eu desconheço, pois um prédio instalado onde até sobrados estavam proibidos de serem levantados, ou a permissão para que em determinado local se possa abrir um estabelecimento, onde só havia residências, implica em mudanças sensíveis no modo de vida do morador.
Se fosse uma construção, eu não tinha nem o alicerce, eu ainda estava fazendo o curso de pedreiro, sem chance. Eu já percebia que isso estava ocorrendo também no Ipiranga e dei conta de que eu não havia ainda sequer considerado a vinda do Metrô para esta região e o que costuma suceder quando isso acontece. Fora o “boom imobiliário” pelo qual o País tem passado. Enfim, é demais para uma pessoa só. Começou com o lamentar por uma casinha derrubada aqui, outra lá; uma suspeita de que uma obra próxima não esteja sendo fiscalizada devidamente ou que nem devesse estar ocorrendo; um prédio de 10 andares brotando, outro ali, e tudo então agigantou-se. Menos, Humberto, menos. Caindo na real, decidi que posso, ao menos, acompanhar de longe o andamento das coisas. Se tiver alguma coisa que eu possa escrever aqui, eu escrevo; fazer isso, acho eu que consigo.
E de repente, apareceu – ou eu finalmente soube – o ( a ) político ( a ) carreirista. Surge do nada, sem raízes no bairro, e já quer liderar.
“Credenciais? Papai prefeito de outro município, por exemplo. Noivo, funcionário de gabinete. Liderança: esse bairro está sendo tomado pelo crime? Não tem problema: me relaciono muito bem com o Governador, e já estou exigindo um posto policial aqui para a comunidade. Ah, sabiam que eu estou ME MUDANDO para cá? Pelo menos, é o que um jornal do bairro disse ( e não é o jornal que pertence ao Wagner Salustiano/WAS/Revista de Fato/ Nossa Caixa não ). Tem um outro que não está MORANDO aqui, mas tem mostrado sua fuça por aqui direto… sabe, acho até que vamos tentar transformar esta localidade em um CURRAL ELEITORAL nosso; o Metrô já está chegando – e nós é que fizemos, apesar do atraso de 10 anos – e isso está causando transformações, sem as quais jamais perceberíamos que este lugar existe; o perfil de classe média/ média alta em que vêm se transformando os bairros daqui é justamente o perfil de nosso eleitorado, então temos que estar MUITO PRÓXIMOS da nossa base; a região pode se tornar uma nova trincheira, tipo a Rebouças, então temos que dar muita atenção a este eleitorado exigente, que paga impostos, não quer ser assaltado, quer andar de carro ou Metrô sem problemas, e exige qualidade de vida. Agora temos motivo para fincar nossa bandeira aqui neste rincão.”
Bom, espero que esse texto, que inicialmente não devia ser tão extenso, torne clara a minha forma de pensar. E, finalmente, servirá para entender o título do post e o significado daquele ditado: “Cuidado com o que deseja, pois pode acabar conseguindo”, que, penso tem a ver com a reportagem abaixo, publicada – aí sim – no jornal de bairro O PAULISTANO, que circula por estes lados, em sua edição de número 105 ( de 11 a 16/10/07 ). Notícia local, mas tema de alcance geral.
Vila Zelina pediu policiamento, agora reclama de multas no trânsito
Saudada por comerciantes e moradores do bairro, a chegada há pouco menos de duas semanas da Base Móvel Comunitária da Polícia Militar na Praça República Lituana, em Vila Zelina, está trazendo maior sensação de segurança e ar de tranqüilidade. As principais manifestações da comunidade são de rasgados elogios pela iniciativa. Por coincidência, porém, desde que no mesmo intervalo de tempo um destacamento especial da Polícia Militar passou a fiscalizar o trânsito em toda a cidade, motoristas da região reclamam do excessivo rigor das multas aplicadas perto da Praça República Lituana, o conhecido Largo de Vila Zelina. Esses PMs habilitados a multar estão identificados com braçadeira de cor branca no ombro. Suas investidas não perdoam os mínimos deslizes de indisciplina no trânsito local. Outros alvos de reclamações são as poucas vagas disponíveis para estacionamento na Avenida Zelina, a falta de sinalização de solo e a ausência de placas de orientação. Enquanto isso, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) anuncia reajuste nos valores das multas, que estão congelados há sete anos.
Depois de assaltos, multas geram reclamações
Comerciantes saúdam presença da Base Comunitária Móvel da PM no Largo de Vila Zelina, mas sobram queixas sobre multas
( Legenda para foto ) Base móvel da Polícia Militar é recebida com elogios, mas multas aplicadas por destacamento especial recebem queixas.
( Legenda para foto ) Mesmo com a ação da polícia, infrações continuam, como parar em local proibido.
Saudada por comerciantes e moradores do bairro, a chegada há pouco menos de duas semanas da base móvel da Polícia Militar na Praça República Lituana, em Vila Zelina, está trazendo maior sensação de segurança e ar de tranqüilidade. As principais manifestações da comunidade são de rasgados elogios pela iniciativa. Por coincidência, porém, desde que no mesmo intervalo de tempo um destacamento especial da Polícia Militar passou a fiscalizar o trânsito em toda a cidade, motoristas da região também reclamam do excessivo rigor das multas aplicadas perto da Praça República Lituana, o conhecido Largo de Vila Zelina. Esses PMs habilitados a multar estão identificados com braçadeira de cor branca no ombro. Suas investidas não perdoam os mínimos deslizes de indisciplina no trânsito local.
“Antes as queixas eram com a falta de policiamento e com os constantes assaltos a clientes de bancos, pois ao sacar valores eles tinham seus passos vigiados para os roubos nas ruas e se tornavam vítimas dos ladrões”, comenta o impressor gráfico aposentado Vitor P. Starkovs, morador no bairro há mais de 40 anos. “Agora, escuto diversas reclamações de motoristas que, ao estacionar em fila dupla ou em local proibido, receberam multas recentemente. O ser humano é complicado”. De acordo com Vitor, isso mostra a grave situação a que chegaram as irregularidades e as indisciplinas no trânsito nessa parte do bairro. “Nos dias da feira-livre [sexta-feira], aqui virava um território livre para abusos e precisava de um basta”, relata. “A lei existe para ser respeitada e para oferecer convivência entre as pessoas”. As situações de risco eram freqüentes, antes da instalação da base da PM. “Somente numa noite tivemos duas ocorrências, uma com um senhor que foi pego na Rua Rio do Peixe e teve que sacar dinheiro no Bradesco e entregar seu carro para os bandidos e outra com uma senhora na Rua Manaias”, relata o dono de uma farmácia da Avenida Zelina, Alexandre Casado. “Hoje, estamos notando que a PM também interpela carros e pessoas em atitudes suspeitas”. Para o comerciante aposentado Leandro Vera Fernandes, de 90 anos, e que sempre está observando a movimentação perto do largo, a situação mudou da água para o vinho. “É sempre boa a presença da polícia, que espanta os bandidos”, comenta o aposentado que mora na Vila Zelina há 47 anos. “Desde que eles chegaram, não tive notícia de ocorrência policial”. Já o gerente de uma famosa padaria da praça, Edmilson Barros dos Santos, afirma que no local havia também muitos roubos de carros. “Precisamos que eles [policiais militares] também possam ficar à noite ou até mesmo 24 horas”, observa. “Sei que estão batalhando para isso virar realidade”.
PAPEL DA POLÍCIA “Não estou pedindo vista grossa, mas tolerância da PM para certas situações, pois não há locais disponíveis para estacionar e comprar remédio na farmácia”, reclama a comerciante Edileuza Peres. Ela reside no Jardim Avelino e vai quase que diariamente aos estabelecimentos comerciais da Vila Zelina. Recentemente, foi multada por estacionar quase na esquina da Rua Inácio com o Largo de Vila Zelina. “Estou pedindo um pouco de compreensão, mesmo porque meu carro não estava atrapalhando o fluxo de trânsito”. O dono de um açougue das proximidades, Valdemar Loureiro Filho, acredita que o policiamento da base móvel é sempre bem-vindo, pois traz mais segurança, mas faz algumas ressalvas na questão do monitoramento do trânsito por outros policiais. “A aplicação de multas deveria continuar exclusiva com os agentes da CET [Companhia de Engenharia de Tráfego], pois o papel da polícia é na questão da segurança pública, no combate aos assaltantes”, argumenta. “A polícia militar deveria sim, ao ver irregularidades, acionar os ‘marronzinhos’ para cuidar do trânsito e até multar quem comete essas infrações”.
Para o vendedor de uma loja das proximidades do largo, Reinaldo Gomes Conrado, as multas estão sendo aplicadas de forma contínua. “O pessoal faz coisas erradas como dirigir sem cinto de segurança, atendendo aos telefonemas nos celulares e parando em locais proibidos. As multas não são de graça”, comenta. “Mas até que melhorou, pois já faz mais de uma semana que são raros os motoristas que param em fila dupla na frente dos bancos”. Uma das pessoas mais indignadas não propriamente com as multas, mas com a falta de coerência da Prefeitura, é o bancário aposentado, Nelson F. Castanho de Bastos. “Se pelo menos o dinheiro arrecadado com as multas fosse investido em melhorar as condições do trânsito, seria justo”, argumenta. “Há anos estamos solicitando pinturas de faixas para travessia e até agora nada”. Já o projetista mecânico Paulino Jorge prefere enaltecer o bom comportamento dos motoristas, mas aponta o mesmo problema da ausência das faixas. “O motorista que obedece à sinalização jamais vai receber multa, mas deve-se considerar que a falta de sinalização [horizontal] e vertical [placas] podem fazer com que elas sejam anuladas”, disse. “A faixa de pedestre é sinal de cidadania e não entendo porque a CET [Companhia de Engenharia de Tráfego] não atende às reivindicações. Afinal, qual o custo da pintura de uma faixa em relação ao montante obtido com as multas?”, questiona.
outubro 6, 2007
Notícias locais, mas podem atingir uma repercussão maior: Metrô em Vila Prudente anda de mãos dadas com os especuladores imobiliários!!!
METRÔ RUMO À VILA PRUDENTE: DESAPROPRIAÇÕES NO BAIRRO PROMETEM ‘PARADA’ NA JUSTIÇAO sonho do Metrô na Vila Prudente, literalmente, virou pesadelo para alguns dos declarados desapropriados pelo Governo do Estado. A negociação entre a Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô e os proprietários de imóveis está apenas no início e já há caso concreto de contestação na Justiça. Se por um lado a queixa é a indenização ofertada, tida como baixa para os atuais valores de mercado do bairro, inflacionados com a ajuda do próprio Metrô, por outro, o motivo de descontentamento é a absoluta falta de qualquer tipo de informação. A seguir, relatos de dois xarás que estão perdendo o sono por conta da futura estação Vila Prudente, que segundo estimativas oficiais, deve ser inaugurada em maio de 2.010 no entroncamento das ruas Ibitirama, Cavour e avenida Anhaia Mello.
Empurrão para periferia
O advogado Osmar Lemes dos Santos nasceu na Vila Prudente e desde 1981, mora no número 355 da rua Pires Pimentel, onde hoje também vive a esposa e os dois filhos. Destaca, sem meias palavras, que “é vilaprudentino ‘da gema’, bem como sua família, mas, está sendo expulso do bairro pelo Metrô”. O grande problema é que a residência, instalada num terreno de 175 metros quadrados e separada por um quarteirão e a avenida Anhaia Mello do ponto exato da futura estação do transporte metroviário, teve avaliação de R$ 98.400 da técnica enviada pela Companhia. Para piorar a situação, Santos tem direito, assim como todo expropriado, a sacar apenas 80% desse valor, pouco mais de R$ 78 mil. “Parece ironia, mas, recebi um comunicado do Metrô informando que fui ‘contemplado com a desapropriação’. Esta avaliação não me dá condições de adquirir outro imóvel na Vila Prudente, nem nos arredores”, ressalta o advogado que está recorrendo do processo formalizado pelo Estado.
Santos conta ainda que o transtorno começou bem antes da definição da indenização. Uma das queixas, comum a outros moradores do bairro que estão entre os desapropriados, é que o Metrô não teve o cuidado de se reunir com os envolvidos antes da questão se tornar pública. “Quando soube que estava na lista, supostos técnicos já estavam batendo na minha porta e até advogados oferecendo seus serviços sem o menor pudor e ética“, comenta. Outra insatisfação é o desencontro de informações. Ele conta que numa manhã de sábado, a esposa e a filha chegaram até a ligar para a polícia porque, sem qualquer aviso prévio, um homem se apresentou no portão da residência como engenheiro do Metrô e queria entrar para fazer medições. “Em meio a tudo isso ainda há aqueles que tocam a campainha para nos oferecer caminhão de mudança”, desabafa.
A pedido da Folha dois corretores de tradicionais imobiliárias da região visitaram o imóvel da rua Pires Pimentel na semana passada. Os profissionais são de empresas distintas, promoveram a avaliação em dias separados, de forma que um não tinha conhecimento da ação do outro, e chegaram ao mesmo valor que oferta, no mínimo, R$ 71.600 a mais que a proposta da Companhia do Metropolitano.
A primeira vistoria foi efetuada pela corretora Ivani Aparecida Picolomini, da Torres & Picolomini. Partindo do fato do metro quadrado na Vila Prudente estar em torno de R$ 700, chegou-se a conclusão que apenas o terreno pode ser avaliado em R$ 120 mil.
Considerando a residência, foi proposto o valor mínimo de R$ 170 mil e máximo de R$ 200 mil. A segunda visita ficou a cargo do corretor Joaquim Candido, o Veloso, da Stasi Lar, que avaliou o imóvel em R$ 170.500. “Houve uma recente reforma de ampliação da casa e a localização é privilegiada, próxima de escolas, mercados e outros comércios“, ressaltou o corretor.
Os profissionais ouvidos pela Folha foram categóricos em afirmar que pela quantia proposta pelo Metrô, dificilmente a família Santos conseguirá se manter no bairro. A única opção, segundo eles, é tentar encontrar um apartamento usado de cerca de 50 metros quadrados, mas, adiantam que não será tarefa fácil.
Para comprovar o impacto do Metrô na valorização dos imóveis na região, Veloso dá um exemplo concreto. “Antes, um apartamento quitado no Cohab (Conjunto Habitacional) Cintra Gordinho, na Vila Prudente, valia de R$ 40 a 45 mil, agora, a mesma unidade é negociada por R$ 65 a R$ 70″, compara. “Estou sendo chamado por muitos proprietários de imóveis desapropriados para fazer avaliações e há muito descontentamento com os valores propostos pelo Metrô”, comenta Veloso.
Esperar sentado?
O imóvel adquirido há dois anos no número 406 da rua Cananéia, para fins de moradia da família ou até mesmo para fonte extra de renda, num eventual aluguel, se tornou uma grande incógnita para o morador da Mooca, Osmar Antonio Guinda Ribeiro.
A casa instalada em um terreno de 180 metros quadrados estava em meio a uma grande reforma, que incluiu até a troca do madeiramento e da manta do telhado, quando Ribeiro descobriu que seu imóvel constava na lista dos declarados de utilidade pública pelo Metrô. Sem saber que destino dava às obras em andamento na propriedade, correu atrás do Metrô e foi orientado a aguardar 90 dias.
Atualmente, passados quase 150 dias do decreto publicado, continua sem posicionamento. Nesse meio tempo diz ter ouvido de um funcionário da Companhia que “não deveria colocar sal em carne podre” e recentemente, notou que o imóvel ‘sumiu’ da lista do Metrô, bem como outros da vizinhança.
“Interrompi a reforma e por conta disto, tive um desgaste enorme com os pedreiros. Ainda fui obrigado a correr atrás dos fornecedores para tentar devolver o material comprado. Agora, estou com o imóvel inacabado e não tenho idéia de quando este impasse será resolvido. Já era até para as obras estarem finalizadas”, comenta Ribeiro que tinha a intenção imediata de abrigar no local a mãe e a avó, ambas viúvas, que vivem de aluguel no litoral.
Outra preocupação do proprietário é que a casa, vazia, possa ser alvo de invasões. “Gostaria de obter respostas sobre quanto vão pagar e quanto tempo ainda vai levar para que isso ocorra. Afinal, eu creio serem estas questões básicas que qualquer proprietário que vê o seu imóvel ‘comprado’ sem tê-lo colocado à venda, tem o direito de saber”, sintetiza sobre o seu dilema.
Metrô se pronuncia
Através da assessoria de imprensa do Metrô, foi informado, referente ao primeiro caso abordado, que “os procedimentos avaliatórios executados pelas empresas contratadas pelo Metrô seguiram os critérios normatizados para as avaliações imobiliárias, normalmente utilizados nas desapropriações”. A nota segue alegando que “por decisão da diretoria da Companhia fez-se o ajuizamento das ações de desapropriação, onde os expropriados poderão, com toda liberdade, contestar os valores ofertados”.
Ressalta ainda que o proprietário do imóvel na rua Pires Pimentel recebeu comunicado onde constam os procedimentos adotados nas avaliações, mas, que caso deseje conversar especificamente sobre o seu caso, inclusive valores, deve entrar em contato com a Gerência Jurídica do Metrô.
Sobre o imóvel na rua Cananéia, a explicação oficial é que “foi declarado de utilidade pública pelo decreto 51.795 de 9 de maio de 2007, com vigência pelo prazo de cinco anos, em função de necessidades construtivas constatadas durante o desenvolvimento do projeto preliminar da Linha 2- Verde.
Por fim, a assessoria esclarece que “atualmente, o Metrô está em fase de detalhamento deste projeto não estando definida a necessidade de utilização do referido imóvel”. A promessa é que havendo uma conclusão, os interessados diretos serão comunicados por carta.
Kátia Leite
FOLHA DE VILA PRUDENTE
Edição 803
05 a 10 de Outubro de 2007

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