
BC apoia redução do rendimento dos pobres
Bancos propõem corte na renda da caderneta de poupança em prol do achaque ao Erário
Objetivo é que prossiga a especulação com os juros dos papéis públicos
Os bancos e o BC querem reduzir os rendimentos das cadernetas de poupança porque, segundo eles, senão os especuladores tirarão o dinheiro dos títulos públicos para se juntar aos pobres – recebendo na poupança metade do que recebem na especulação com os títulos… A ideia é se apropriar dos recursos dos mais pobres, pagando menos a eles e acabando com a destinação social das cadernetas, que hoje financiam habitação, saneamento e infra-estrutura, para continuar a especular com os papéis da dívida pública.
BC condena “contracionismo” que os seus juros provocaram
“Contracionismo” econômico resultou na queda de 3,6% do PIB no quarto trimestre de 2008
Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada no dia 19, o Banco Central avalia que o desaquecimento da demanda “criou importante margem de ociosidade dos fatores de produção”. Em outras palavras, contidas na mesma ata, após ter registrado um período de expansão, “a demanda doméstica teria passado a exercer influência contracionista sobre a atividade econômica”.
O “contracionismo” econômico, como é sabido, resultou na queda de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre de 2008, na comparação com o terceiro trimestre imediatamente anterior. Naturalmente, o BC atribuiu a Deus e ao diabo a responsabilidade pelo desaquecimento da demanda, pela ociosidade ou influências contracionistas, menos, é claro, aos juros cavalares estabelecidos pelo Copom, que ainda mantém o Brasil com a maior taxa real de juros do mundo.
No período referido acima, a Formação Bruta de Capital Fixo – o investimento – teve uma queda de 9,8%. Não era para menos, haja vista a condução da política monetária, mesmo quando a crise já havia estourado de forma aguda nos Estados Unidos, em meados de setembro do ano passado. Cinco dias antes da derrocada do Lehman Brothers, o Copom elevou a taxa Selic de 13% para 13,75% e só foi reduzi-la em apenas 1 pontinho percentual em 21 de janeiro de 2009.
Convém lembrar que o BC já vinha elevando a taxa básica de juros desde setembro do ano anterior. Portanto, os juros altos haveriam de cobrar o seu preço…
Foi preciso chegar à situação de “desaquecimento da demanda” para o Copom colocar em sua ata que “esse desenvolvimento deve contribuir para conter as pressões inflacionárias”, “abrindo espaço para flexibilização da política monetária”.
Diz o BC que “as expectativas inflacionárias para 2009 mostraram recuo desde a última reunião do Comitê” e que “a política monetária pode ser flexibilizada sem colocar em risco a convergência da inflação para a trajetória de metas”.
A economia em desaceleração não deve produzir mesmo nenhuma pressão inflacionária. Ocorre que em período de expansão também não havia nenhum descontrole da inflação. Nos três primeiros trimestres o PIB teve uma expansão acumulada de 6,4% e, mesmo com queda verificada no quarto trimestre, fechou o ano com um crescimento de 5,1%. Enquanto isso, o IPCA, que mede a inflação, registrou 4,51% nos três primeiros trimestres e 5,9%, no ano de 2008. Ou seja, a inflação ficou estritamente dentro da meta. O que mostra que não havia outro objetivo do BC em manter os juros altos senão a intenção deliberada de derrubar o crescimento econômico e, ao mesmo tempo, manter abarrotar os cofres dos especuladores.
Segundo levantamento do jornal “Valor Econômico” junto a analistas do mercado financeiro, a anunciada “flexibilização monetária adicional” – em função da situação econômica e sob a chibata do movimento sindical – deverá reduzir os gastos com juros de 5,6% do PIB em 2008 para 4,7% do PIB este ano. Nessa situação, ainda assim seriam torrados com juros cerca de R$ 146 bilhões, em termos absolutos. Isso equivale a 13 vezes o valor previsto para o Bolsa Família, na ordem de R$ 11,4 bilhões. Ainda comparativamente, seria superior à injeção de R$ 101,4 bilhões de gastos públicos estimados como necessários pelo Ipea (Comunicado nº 18 da Presidência) para preencher vazio de demanda em “conseqüência da queda da demanda agregada na forma de consumo doméstico, investimento e exportações”, caso “o crescimento do PIB se confirmar de 0,5%”.
Tal situação não foi derivada da noite para o dia. É o conjunto da obra de Henrique Meirelles à frente do BC. Acelerar a queda dos juros é a única alternativa que se apresenta. Até porque, como já disse o Ipea, em uma situação de crise, a Selic em 7% ao ano ainda é um patamar alto. E ela ainda se encontra em 11,25%.
A CAPIVARA DO “CIDADÃO DE BEM” E AUTORIDADE SOBRE ASSUNTOS ECONÔMICOS, GUSTAVO LOYOLA:


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