ENCALHE

novembro 27, 2008

Paraná: Estado vai pagar R$ 918 mil em indenizações a ex-presos políticos

AEN/PR
26/11/2008
A Comissão Especial de Indenização a Ex-Presos Políticos, do governo do Paraná, concluiu suas atividades e decidiu pela reparação financeira em 47 processos; outros 39 foram indeferidos. No total, o Estado pagará R$ 918 mil aos indenizados. A decisão foi tomada, este mês, em reunião na sede da Secretaria Especial de Corregedoria e Ouvidoria Geral (Seoge), em Curitiba.
Para o corregedor e ouvidor Luiz Carlos Delazari, presidente da Comissão, os resultados do grupo foram de uma grande relevância. “Desde abril, quando as análises dos requerimentos iniciaram, procuramos fazer justiça em cada caso relatado por pessoas que foram presas em dependências do governo durante o período da ditadura militar”, salientou o secretário especial.
O procurador-geral do Estado, Carlos Frederico Marés de Souza Filho, que também integrou a Comissão, afirmou que, com as indenizações, serão reparados erros. “Esse é o resgate de uma dívida política que o Estado do Paraná tinha para os que sofreram com a prisão e a tortura. E também serve para lembrar que esse estado de exceção não pode existir”, observou.
De acordo com Delazari, os pagamentos das reparações financeiras pela administração pública estadual deverão ser feitos no próximo ano. “Isso ocorrerá depois da publicação no Diário Oficial de decreto com o relatório dos trabalhos da Comissão”, explicou.
COMISSÃO – A Comissão Especial teve suas atividades regidas pela lei número 15.671, de 2007, que prorrogou os efeitos de outra lei, a 11.255, de 1995. De acordo com os critérios estabelecidos na legislação – como o tempo de prisão e as torturas físicas e psicológicas sofridas durante o período em que as pessoas estiveram presas –, foram definidas as indenizações, cujos valores variam de R$ 5 mil (mínimo) a R$ 30 mil (máximo).
Participaram das deliberações durante o ano, além de Delazari e Marés de Souza Filho, o secretário de Estado da Saúde, Gilberto Martin; o médico Gerson Zafalon Martins, do Conselho Regional de Medicina (CRM-PR); Maria das Graças Espíndola Corrêa, da área de direitos humanos; o representante dos ex-presos políticos, José Ferreira Lopes, e o juiz aposentado Elísio Eduardo Marques.

Paraná: Estado vai pagar R$ 918 mil em indenizações a ex-presos políticos

AEN/PR
26/11/2008
A Comissão Especial de Indenização a Ex-Presos Políticos, do governo do Paraná, concluiu suas atividades e decidiu pela reparação financeira em 47 processos; outros 39 foram indeferidos. No total, o Estado pagará R$ 918 mil aos indenizados. A decisão foi tomada, este mês, em reunião na sede da Secretaria Especial de Corregedoria e Ouvidoria Geral (Seoge), em Curitiba.
Para o corregedor e ouvidor Luiz Carlos Delazari, presidente da Comissão, os resultados do grupo foram de uma grande relevância. “Desde abril, quando as análises dos requerimentos iniciaram, procuramos fazer justiça em cada caso relatado por pessoas que foram presas em dependências do governo durante o período da ditadura militar”, salientou o secretário especial.
O procurador-geral do Estado, Carlos Frederico Marés de Souza Filho, que também integrou a Comissão, afirmou que, com as indenizações, serão reparados erros. “Esse é o resgate de uma dívida política que o Estado do Paraná tinha para os que sofreram com a prisão e a tortura. E também serve para lembrar que esse estado de exceção não pode existir”, observou.
De acordo com Delazari, os pagamentos das reparações financeiras pela administração pública estadual deverão ser feitos no próximo ano. “Isso ocorrerá depois da publicação no Diário Oficial de decreto com o relatório dos trabalhos da Comissão”, explicou.
COMISSÃO – A Comissão Especial teve suas atividades regidas pela lei número 15.671, de 2007, que prorrogou os efeitos de outra lei, a 11.255, de 1995. De acordo com os critérios estabelecidos na legislação – como o tempo de prisão e as torturas físicas e psicológicas sofridas durante o período em que as pessoas estiveram presas –, foram definidas as indenizações, cujos valores variam de R$ 5 mil (mínimo) a R$ 30 mil (máximo).
Participaram das deliberações durante o ano, além de Delazari e Marés de Souza Filho, o secretário de Estado da Saúde, Gilberto Martin; o médico Gerson Zafalon Martins, do Conselho Regional de Medicina (CRM-PR); Maria das Graças Espíndola Corrêa, da área de direitos humanos; o representante dos ex-presos políticos, José Ferreira Lopes, e o juiz aposentado Elísio Eduardo Marques.

Paraná: Estado vai pagar R$ 918 mil em indenizações a ex-presos políticos

AEN/PR
26/11/2008
A Comissão Especial de Indenização a Ex-Presos Políticos, do governo do Paraná, concluiu suas atividades e decidiu pela reparação financeira em 47 processos; outros 39 foram indeferidos. No total, o Estado pagará R$ 918 mil aos indenizados. A decisão foi tomada, este mês, em reunião na sede da Secretaria Especial de Corregedoria e Ouvidoria Geral (Seoge), em Curitiba.
Para o corregedor e ouvidor Luiz Carlos Delazari, presidente da Comissão, os resultados do grupo foram de uma grande relevância. “Desde abril, quando as análises dos requerimentos iniciaram, procuramos fazer justiça em cada caso relatado por pessoas que foram presas em dependências do governo durante o período da ditadura militar”, salientou o secretário especial.
O procurador-geral do Estado, Carlos Frederico Marés de Souza Filho, que também integrou a Comissão, afirmou que, com as indenizações, serão reparados erros. “Esse é o resgate de uma dívida política que o Estado do Paraná tinha para os que sofreram com a prisão e a tortura. E também serve para lembrar que esse estado de exceção não pode existir”, observou.
De acordo com Delazari, os pagamentos das reparações financeiras pela administração pública estadual deverão ser feitos no próximo ano. “Isso ocorrerá depois da publicação no Diário Oficial de decreto com o relatório dos trabalhos da Comissão”, explicou.
COMISSÃO – A Comissão Especial teve suas atividades regidas pela lei número 15.671, de 2007, que prorrogou os efeitos de outra lei, a 11.255, de 1995. De acordo com os critérios estabelecidos na legislação – como o tempo de prisão e as torturas físicas e psicológicas sofridas durante o período em que as pessoas estiveram presas –, foram definidas as indenizações, cujos valores variam de R$ 5 mil (mínimo) a R$ 30 mil (máximo).
Participaram das deliberações durante o ano, além de Delazari e Marés de Souza Filho, o secretário de Estado da Saúde, Gilberto Martin; o médico Gerson Zafalon Martins, do Conselho Regional de Medicina (CRM-PR); Maria das Graças Espíndola Corrêa, da área de direitos humanos; o representante dos ex-presos políticos, José Ferreira Lopes, e o juiz aposentado Elísio Eduardo Marques.

Paraná: Estado vai pagar R$ 918 mil em indenizações a ex-presos políticos

AEN/PR
26/11/2008
A Comissão Especial de Indenização a Ex-Presos Políticos, do governo do Paraná, concluiu suas atividades e decidiu pela reparação financeira em 47 processos; outros 39 foram indeferidos. No total, o Estado pagará R$ 918 mil aos indenizados. A decisão foi tomada, este mês, em reunião na sede da Secretaria Especial de Corregedoria e Ouvidoria Geral (Seoge), em Curitiba.
Para o corregedor e ouvidor Luiz Carlos Delazari, presidente da Comissão, os resultados do grupo foram de uma grande relevância. “Desde abril, quando as análises dos requerimentos iniciaram, procuramos fazer justiça em cada caso relatado por pessoas que foram presas em dependências do governo durante o período da ditadura militar”, salientou o secretário especial.
O procurador-geral do Estado, Carlos Frederico Marés de Souza Filho, que também integrou a Comissão, afirmou que, com as indenizações, serão reparados erros. “Esse é o resgate de uma dívida política que o Estado do Paraná tinha para os que sofreram com a prisão e a tortura. E também serve para lembrar que esse estado de exceção não pode existir”, observou.
De acordo com Delazari, os pagamentos das reparações financeiras pela administração pública estadual deverão ser feitos no próximo ano. “Isso ocorrerá depois da publicação no Diário Oficial de decreto com o relatório dos trabalhos da Comissão”, explicou.
COMISSÃO – A Comissão Especial teve suas atividades regidas pela lei número 15.671, de 2007, que prorrogou os efeitos de outra lei, a 11.255, de 1995. De acordo com os critérios estabelecidos na legislação – como o tempo de prisão e as torturas físicas e psicológicas sofridas durante o período em que as pessoas estiveram presas –, foram definidas as indenizações, cujos valores variam de R$ 5 mil (mínimo) a R$ 30 mil (máximo).
Participaram das deliberações durante o ano, além de Delazari e Marés de Souza Filho, o secretário de Estado da Saúde, Gilberto Martin; o médico Gerson Zafalon Martins, do Conselho Regional de Medicina (CRM-PR); Maria das Graças Espíndola Corrêa, da área de direitos humanos; o representante dos ex-presos políticos, José Ferreira Lopes, e o juiz aposentado Elísio Eduardo Marques.

Paraná: Estado vai pagar R$ 918 mil em indenizações a ex-presos políticos

AEN/PR
26/11/2008
A Comissão Especial de Indenização a Ex-Presos Políticos, do governo do Paraná, concluiu suas atividades e decidiu pela reparação financeira em 47 processos; outros 39 foram indeferidos. No total, o Estado pagará R$ 918 mil aos indenizados. A decisão foi tomada, este mês, em reunião na sede da Secretaria Especial de Corregedoria e Ouvidoria Geral (Seoge), em Curitiba.
Para o corregedor e ouvidor Luiz Carlos Delazari, presidente da Comissão, os resultados do grupo foram de uma grande relevância. “Desde abril, quando as análises dos requerimentos iniciaram, procuramos fazer justiça em cada caso relatado por pessoas que foram presas em dependências do governo durante o período da ditadura militar”, salientou o secretário especial.
O procurador-geral do Estado, Carlos Frederico Marés de Souza Filho, que também integrou a Comissão, afirmou que, com as indenizações, serão reparados erros. “Esse é o resgate de uma dívida política que o Estado do Paraná tinha para os que sofreram com a prisão e a tortura. E também serve para lembrar que esse estado de exceção não pode existir”, observou.
De acordo com Delazari, os pagamentos das reparações financeiras pela administração pública estadual deverão ser feitos no próximo ano. “Isso ocorrerá depois da publicação no Diário Oficial de decreto com o relatório dos trabalhos da Comissão”, explicou.
COMISSÃO – A Comissão Especial teve suas atividades regidas pela lei número 15.671, de 2007, que prorrogou os efeitos de outra lei, a 11.255, de 1995. De acordo com os critérios estabelecidos na legislação – como o tempo de prisão e as torturas físicas e psicológicas sofridas durante o período em que as pessoas estiveram presas –, foram definidas as indenizações, cujos valores variam de R$ 5 mil (mínimo) a R$ 30 mil (máximo).
Participaram das deliberações durante o ano, além de Delazari e Marés de Souza Filho, o secretário de Estado da Saúde, Gilberto Martin; o médico Gerson Zafalon Martins, do Conselho Regional de Medicina (CRM-PR); Maria das Graças Espíndola Corrêa, da área de direitos humanos; o representante dos ex-presos políticos, José Ferreira Lopes, e o juiz aposentado Elísio Eduardo Marques.

Um debate interessante: Celso Lungaretti escreve a respeito de artigo de Augusto Nunes sobre execução de militante da ALN pelos próprios companheiros

OS MORTOS CONVENIENTES… E OS OUTROS
Celso Lungaretti
, 26.11.08
Meu ex-colega de ECA/USP, Augusto Nunes, escreveu sobre um militante da ALN executado por seus companheiros em 1971:
http://jbonline.terra.com.br/leiajb/noticias/2008/11/19/temadodia/coisas da_politica_as_travessuras_do_jovecombatente.htmlm_
Foi um erro terrível? Foi, claro. Nenhum verdadeiro revolucionário pode admitir que, mesmo durante uma luta de resistência à tirania, decisão tão extrema seja tomada enquanto perdurar a mínima dúvida sobre a culpa do acusado.
Quanto a justiçamentos em regime democrático, são simplesmente inconcebíveis e inaceitáveis. Ponto final.
Chocou-me, principalmente, saber que Márcio Leite de Toledo não teve o direito de se defender no tribunal revolucionário convocado para julgar o seu caso. Continuou cumprindo normalmente suas tarefas de militante, alheio ao que estava ocorrendo. Depois, foi emboscado e morto.
É óbvio que poderiam tê-lo convocado para o julgamento, dando-lhe a oportunidade de pronunciar-se sobre as suspeitas (não certezas) que havia contra ele. É como minha organização, a VPR, certamente procederia.
Mas, não se pode omitir, como Nunes faz, a situação catastrófica que a ALN vivia nos estertores da luta armada, tendo seus quadros dizimados dia a dia, já que a ditadura partira para o extermínio sistemático dos quadros da resistência.
A VPR não quis acreditar que o cabo Anselmo fosse espião e pagou um preço altíssimo por isto.
A ALN executou quem não era espião, mas parecia ser (acreditava-se que ele tivesse entregado à repressão Joaquim Câmara Ferreira, causando sua morte).
Trata-se de ocorrências deploráveis, mas recorrentes, nas lutas travadas em circunstâncias dramáticas, contra inimigos muito mais poderosos, como foram os casos da resistência ao nazi-fascismo na Europa e ao totalitarismo de direita no Brasil.
Márcio Leite de Toledo indubitavelmente merece as lágrimas por ele derramadas.
Mas também as merecem os revolucionários que sofreram torturas atrozes e depois foram abatidos como cães, em aparelhos clandestinos da repressão como a Casa da Morte de Petrópolis (RJ). Foi onde evaporaram meus queridos companheiros José Raimundo da Costa e Heleny Ferreira Telles Guariba.
E é repulsivo perceber que as tribunas da grande imprensa estão escancaradas para artigos como esse, mas blindadas contra os que evocam os episódios igualmente dramáticos dos companheiros que foram martirizados pelo regime militar.
A mídia anda burguesa como nunca. Recebendo, às vezes, uma pequena ajuda de esquerdistas que não tiveram coragem de pegar em armas quando esta era a única opção que restava, sob o festival de horrores do AI-5.
Continuam despeitados até hoje, por não terem ousado ir até onde fomos. E tudo fazem para desmerecer nossa luta.

agosto 10, 2008

Nesse eu não voto: Cabo Anselmo quer disputar eleição!!! Só falta o Buzaid!!

Mainardi, Azevedo e companhia já têm em quem votar na eleição de 2010
ENTRELINHAS, 08.08.08
Acabou o drama da ultra-direita brasileira, órfã de candidato para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nada de tucanos bunda-moles como Serra, Alckmin ou Aécio ou de democratas com o rabo preso e fala fina na hora que o jogo engrossa. Matéria do Jornal do Brasil, reproduzida abaixo, apresenta a melhor alternativa para Diogo Mainardi, Reinaldão Azevedo, o tal Coronel do Coturno Noturno e sua patroa Nariz Gelado, mais toda a turma do Mídia Sem Máscara: Cabo Anselmo vem aí, para salvar o Brasil do comunismo. Afinal, lugar de esquerdista é no pau de arara e o único erro de Brilhante Ustra foi ter deixado parte dessa gentinha escapar com vida (não, não é brincadeira nem ironia, é o que dizem os “comentaristas” dos blogs direitosos).A seguir, a íntegra da matéria, publicada no dia 7/8.Maior traidor da luta armada quer sair da clandestinidade e suceder LulaVasconcelo QuadrosBRASÍLIAParece brincadeira, mas era só o que faltava para tornar ainda mais exótica a política brasileira: Anselmo José dos Santos, o Cabo Anselmo, o ex-marinheiro que traiu a esquerda armada na época da ditadura militar, quer ser candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010 com uma bandeira de extrema direita: “Salvei o Brasil do comunismo em 64 e quero salvá-lo de novo” ( Leiam, abaixo, um artigo de nosso Jasson a respeito do Cabo Anselmo ).
O slogan está sendo divulgado pelo delegado da Polícia Civil paulista Carlos Alberto Augusto, conhecido no período da repressão por Carteira Preta, policial que há 39 anos desempenha sozinho os papéis de protetor, guardião e porta-voz do Cabo Anselmo.
O suposto lançamento da candidatura ocorre num momento em que o país assiste a um novo confronto entre direita e esquerda: o ministro da Justiça, Tarso Genro, pede o julgamento dos torturadores, passando por cima da Lei de Anistia, e o Clube Militar, em represália, divulga hoje no Rio documento com a ficha de homens e mulheres que foram classificados como terroristas à época, entre eles o próprio Genro, e que integram o governo Lula.Traição mortalO delegado garante que a candidatura não é apenas mais uma idéia excêntrica dos órfãos da ditadura militar.– Hoje, cinco partidos de direita querem o Anselmo como candidato. E ele será – disse. – Está faltando a documentação que devolva a ele a cidadania e os direitos políticos.Traidor que levou à morte dezenas de ex-companheiros das guerrilhas urbana e rural, Cabo Anselmo é um triste personagem que vaga clandestinamente pelo país há mais de 40 anos. No ato de traição mais marcante, entregou à morte seis ex-companheiros do grupo guerrilheiro Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), entre os quais, sua ex-mulher, a paraguaia Soledad Barret Viedma, grávida de cinco meses.As execuções, ocorridas em janeiro de 1973, em Abreu e Lima, município da Região Metropolitana de Recife, ficaram conhecidas como o Massacre da Chácara São Bento e deram a Anselmo José dos Santos o apelido de Anjo da Morte. Embora já tenha afirmado que não sabia da gravidez da ex-mulher, o fato de Soledad ter sido encontrada morta ao lado do feto é o maior trauma que carrega na sua vida errante.Poucas pessoas conhecem hoje a fisionomia do marinheiro que atiçou a ira da cúpula militar com o radical discurso de resistência no Automóvel Clube do Brasil, no Rio, em 1964, e que o aproximaria do ex-presidente João Goulart e do ex-governador Leonel Brizola. Ninguém tem dúvidas, no entanto, que Cabo Anselmo ainda é um fantasma capaz de assombrar a direita e a esquerda: conviveu na luta armada com personagens que integram atualmente a cúpula do governo, mas também conhece segredos de políticos de direita que estiveram muito próximos dele nos conturbados tempos da repressão política.– O Anselmo também foi traído – afirma Carteira Preta.
A seguir, o artigo de Jasson que mencionei acima:
Cabo Anselmo quer receber indenização por ter sido, segundo ele, perseguido pelo Golpe de 64. Por este motivo, esse meu artigo, escrito em março de 2004, é bem atual. JASSON
Cabo Anselmo e o Golpe 64
Jasson de Oliveira Andrade
Em “Julgar pressupõe equilíbrio” (Folha, 19/3/2004), o coronel da reserva Jarbas Passarinho, ex-ministro da Educação (Médici) e da Previdência (Figueiredo), ao comentar o golpe de 64, ressaltou: “(…) as Forças Armadas só reagiram quando feridas no âmago da hierarquia e da disciplina, PILARES DE SUA EXISTÊNCIA (destaque meu).” O jornalista Sérgio Dávila, na reportagem “O dia em que a direita foi às ruas” (Folha, 19/3), sobre a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, constatou: “O objetivo inicial da marcha do dia 19 [março de 1964] era pressionar João Goulart. Mas não seria preciso. O presidente se sabotaria sozinho, ao visitar no dia 30 (março de 64), no Automóvel Clube do Rio de Janeiro, marinheiros rebelados há cinco dias. (…) Era a desculpa que faltava para o golpe” Leôncio Basbaum, na “História Sincera da República”, volume 4, afirma: “A sublevação dos marinheiros e fuzileiros, nos últimos dias de março [de 64], foi como um fósforo atirado a um tambor de gasolina”. Os três destacam a importância fundamental que os sargentos tiveram no Golpe de 64. Sem essa indisciplina, não existiria a Revolução: os militares indecisos, a maioria, depois dessa circunstância, aderiram ao Golpe. Maria da Conceição Tavares, em “Fatos e mitos de 1964″ (Folha, 28/3), tem a mesma opinião: “A sublevação dos marinheiros, quebrando a hierarquia militar, foi a gota d’água e o sinal para antecipar o golpe, deslocando a lealdade ao presidente de quase todos os comandantes de Exército”. O que o cabo Anselmo, líder do movimento, tem com essa história? Muito!
Antes de 64, Anselmo, cabo da Marinha, era um agente provocador a serviço de Lacerda e da CIA? Parece que sim, mas existem dúvidas. Depois de 64, ficou comprovado que ele traiu seus companheiros, passando a ser remunerado pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, o todo poderoso chefe do Dops, que o usou para dedurar os seus “amigos”. Na entrevista concedida ao jornalista Percival de Souza, “Cabo Anselmo, o rosto da traição” (Época, 15/3/1999), ele confessou que recebia salário no Dops (página 104). Em outra entrevista, esta dada ao jornalista Octávio Ribeiro, “Confissão do cabo” (Istoé, 28/3/1984), consta esse relato: “Pela primeira vez, Anselmo traz a público sua desconcertante versão de que, ao contrário do que dizem ex-companheiros de luta armada, ele jamais foi preso: entregou-se voluntariamente à polícia. A colaboração com o delegado Sérgio Fleury, do DOPS de São Paulo, teria resultado, segundo sua própria avaliação, na morte de “cem, duzentos” militantes de organizações de extrema esquerda. Entre eles estava sua companheira, a jovem paraguaia Soledad Viedma [segundo consta, grávida]” (pág. 3l).Como vimos, a traição de Cabo Anselmo depois do golpe de 64 é certa. A dúvida é se traiu antes de 3l de março, quando comandava as manifestações de sargentos, indisciplina fundamental para que a revolução acontecesse. Marcos Aurélio Borba, no livro “Cabo Anselmo, a luta armada ferida por dentro”, relata uma conversa que o comandante Ivo Acioly Corseuil, então subchefe da Casa Militar da Presidência da República (João Goulart) teve com um jornalista norte-americano, o qual lhe contou sobre a existência de agentes da CIA, por esse motivo “tornava mais fácil entender o motivo do excessivo radicalismo entre eles (sargentos)”. Entre os agentes, o jornalista cita Cabo Anselmo. Se verdadeiro ou não, é discutível. No entanto, uma declaração dele mostra que é possível a traição antes de 64. Na citada entrevista a Octávio Ribeiro, Cabo Anselmo diz, sobre sua fuga da prisão:”A chave da cela ficava na minha mão. (…) A fuga veio com o pessoal da Polop (Organizão Política Operária, grupo de esquerda que reunia trotskistas e militares). Disse ao guarda de plantão que ia encontrar uma mulher e saí pela porta da frente. O pessoal da Polop me levou para São Paulo e de lá, de carro, fui para o Uruguai” (pág.27). Quem conhece a repressão militar daquela época, não pode acreditar que Anselmo tivesse tanta facilidade (chave da cela na mão dele). A não ser que o comandante Corseuil tenha razão na sua denúncia (agente da CIA, antes de 64). Se não é verdade, é bem possível!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista de Mogi Guaçu (março de 2004)
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março 26, 2008

Celso Lungaretti confronta mais uma vez "entulho autoritário" de Elio Gaspari

COMPANHEIROS E AMIGOS:
A POLÊMICA QUE EU E OUTROS ARTICULISTAS ESTAMOS TRAVANDO COM ELIO GASPARI E A “FOLHA DE S. PAULO” TEM UM SIGNIFICADO MAIOR: EXTIRPAR DE VEZ ESSA ERVA DANINHA QUE É O USO DE INFORMAÇÕES CONTAMINADAS PELA TORTURA ( E, PORTANTO, SEM VALOR LEGAL NENHUM ) PARA ACUSAR PERSONAGENS HISTÓRICOS NA IMPRENSA E NA INTERNET.
A ÚLTIMA COLUNA DO GASPARI ESTÁ ABAIXO, PARA QUEM QUISER AVALIAR. E A MINHA RESPOSTA ( QUE LHES ESTOU REPASSANDO EM VERSÃO CONDENSADA ) EVIDENCIA QUE, MAIS DO QUE UM HISTORIADOR EM QUEM SÓ OS DESINFORMADOS CONFIAVAM, ESTÁ SENDO CONFRONTADA UMA PRÁTICA SISTEMÁTICA DE DESMORALIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES DA RESISTÊNCIA À DITADURA MILITAR, MEDIANTE DIFAMAÇÕES E CALÚNIAS.
PEÇO A TODOS QUE REDOBREM SEUS ESFORÇOS PARA QUE AS POSIÇÕES CIVILIZADAS TAMBÉM CIRCULEM E CHEGUEM AOS LEITORES, JÁ QUE O ENTULHO AUTORITÁRIO TEM AMPLO E IRRESTRITO ACESSO À GRANDE IMPRENSA.
EM DEFESA DA DIGNIDADE, DA VERDADE E DA JUSTIÇA,
CELSO LUNGARETTI

SOBRE HISTORIADORES E ARAPONGAS
Celso Lungaretti (*)
O episódio algoz e vítima, que vem provocando uma discussão tensa desde o dia 12, trouxe à tona acontecimentos dolorosos, mas serviu também para aclarar o papel hoje desempenhado pela grande imprensa e por um de seus expoentes mais destacados.
As máscaras foram arrancadas e os leitores, perplexos, vão se dando conta de que formam opinião a partir de informações distorcidas, altamente manipuladas, enquanto os defensores da verdade não encontram tribuna, não têm verdadeiro direito de resposta nem espaço para apresentar o outro lado.
Tudo começou quando o jornalista e historiador Elio Gaspari publicou em sua coluna na Folha de S. Paulo, O Globo e outros jornais uma diatribe contra a União (“Em 2008 remunera-se o terrorista de 1968”), por ter decidido pagar ao suposto algoz Diógenes Carvalho de Oliveira uma indenização duas vezes maior do que a outorgada à sua suposta vítima Orlando Lovecchio Filho.
Como o primeiro era um militante da Resistência à ditadura e o segundo, o cidadão que perdera a perna no atentado supostamente por ele cometido, o assunto logo transbordou do circuito habitual do Gaspari para outros jornais, revistas semanais, sites de extrema-direita e correntes de e-mails neo-integralistas.
Desde então, as refutações têm sido sempre ignoradas ou relegadas à seção de cartas (cortadas até se tornarem anódinas, publicadas com imenso atraso, etc.), enquanto os espaços nobres servem para repercutir o texto de Gaspari ou trazer-lhe acréscimos, na vã tentativa de respaldar suas afirmações indefensáveis.
Tanto a Folha quanto Gaspari chegaram a reconhecer que, dos quatro militantes apontados levianamente como autores do atentado ao consulado estadunidense em 1969, Dulce Maia era inocente e havia sido por eles caluniada.
Mas, nem mesmo o depoimento do único participante ainda vivo desse atentado obteve o merecido destaque, apesar de provocar uma verdadeira reviravolta no caso: Sérgio Ferro, admitiu sua culpa e seus remorsos, mas desmentiu a participação de Diógenes de Carvalho e Dulce Maia, além de esclarecer que se tratou de uma ação da ALN e não (como Gaspari afirmara) da VPR.
Outra informação importantíssima que a grande imprensa escamoteou de seus leitores: Ferro foi acionado na Justiça por Lovecchio e obteve ganho de causa graças aos relatórios médicos que apresentou como prova. O primeiro dá conta de que o ferimento de Lovecchio era grave, mas existia possibilidade de recuperação. Depois, o socorro a Lovecchio foi interrompido pelo Deops, que quis interrogá-lo, provavelmente para saber se ele era vítima do atentado ou um participante azarado. Quando os policiais afinal o liberaram, sua perna já havia gangrenado e teve de ser amputada (2º relatório).
Ora, se o algoz não era algoz, então o texto inteiro do Gaspari perdia o gancho e desabava, bem como as matérias caudatárias publicadas pela Veja e da Época. O que fizeram os veículos, face à evidência de haverem informado mal seus leitores, além de caluniarem dois cidadãos e acusarem falsamente a VPR? Deram desmentido com o mesmo destaque? Nem remotamente.
A consciência da vulnerabilidade de sua posição aos olhos dos (poucos) cidadãos bem informados fez Gaspari voltar ao assunto na sua coluna dominical de 25/03. E o fez recorrendo às informações que, desde o início, foram a viga-mestra de suas perorações fantasiosas: os famigerados inquéritos inquéritos policiais-militares da ditadura.
Como um mero araponga, ele se pôs a revolver o lixo ensanguentado da ditadura, dando grande importância ao fato de que havia congruência entre os depoimentos extorquidos dos torturados e omitindo que os torturadores forçavam todos os presos a coonestarem a versão oficial, a síntese elaborada pelos serviços de Inteligência das Forças Armadas, para que o resultado final tivesse alguma verossimilhança.
Se fosse, como pretende, um verdadeiro historiador, saberia que os militantes eram coagidos a admitir os maiores absurdos nas instalações militares e, depois, encaminhados a delegacias civis onde deveriam repetir, sem torturas, as mesmas afirmações. Os que, pelo contrário, desmentiam tudo, eram recambiados aos quartéis e novamente submetidos a sevícias brutais, até se conformarem em obedecer ao script.
Destrambelhado, Gaspari ousou até fazer novo ataque a Dulce Maia, a quem pedira humildes desculpas no domingo anterior. Que credibilidade espera ter, agindo com tanta incoerência?
A última intervenção de Gaspari no debate foi, de longe, a mais desastrosa. Colocou-o ao lado dos torturadores, defendendo o entulho autoritário. Se a inicial arranhou sua imagem de historiador, a derradeira disse muito sobre suas verdadeiras devoções.
O que, aliás, já se suspeitava: não é qualquer cidadão que desfruta de tal confiança de personagens como Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, a ponto de ser por eles escolhido para repassar ao distinto público suas desculpas esfarrapadas pelo papel histórico que desempenharam, como protagonistas do arbítrio.
O entulho autoritário - Se esse episódio deplorável serviu de algo, foi para comprovar, definitivamente, que o entulho autoritário deve ficar no lugar a que pertence: a lata de lixo da História.
Um regime de exceção utilizou práticas hediondas para investigar a ação dos resistentes que a ele se opunham e os inquéritos assim produzidos serviram para condenar patriotas, heróis e mártires em tribunais militares, com oficiais das Forças Armadas fazendo as vezes de jurados, o que atropelava flagrantemente o direito de defesa.
O quadro era tão kafkiano que, num julgamento em que fui réu, o advogado de ofício designado para um companheiro apresentou-se completamente embriagado e começou sua peroração não falando coisa com coisa. O juiz auditor o expulsou da sala e mandou que outro advogado de ofício improvisasse a defesa, imediatamente, mal tendo tempo para ler os autos. O julgamento prosseguiu.
A Lei da Anistia de 1979 sustou os efeitos concretos desses julgamentos e as ações seguintes do Estado brasileiro, como a constituição das comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos Políticos, evidenciaram que os antes tidos como criminosos passaram a ser considerados, oficialmente, vítimas.
Enfim, os IPMs foram, tão-somente, a versão que um inimigo apresentava do outro, para dar aparência de legalidade ao que não passava de arbitrariedade, sem compromisso nenhum com a verdade e a justiça.
Qual a credibilidade de um regime que fez afixarem-se em logradouros públicos do País inteiro, em meados de 1969, cartazes me acusando de “terrorista assassino” que teria “roubado e assassinado vários pais de família”, embora eu fosse um dirigente e nunca um homem de ação?
Mas, para aqueles militares, a verdade não existia em si. Só lhes interessava a verdade operacional, as versões mais adequadas a seus objetivos na guerra psicológica que travavam.
Passadas quatro décadas, essas versões unilaterais, fantasiosas e espúrias infestam a internet, chegando até a impregnar textos jornalísticos – por má fé dos seus autores ou por preguiça de profissionais que preferem colher subsídios nos sites de busca do que nos arquivos de seus próprios veículos, acabando por comer na mão dos Brilhantes Ustras da vida.
Então, é mais do que tempo da imprensa se compenetrar que, sem uma sentença lavrada por um tribunal na vigência plena do estado de direito, ninguém pode ser apontado taxativamente nos textos jornalísticos como “terrorista” ou autor de tais ou quais crimes com motivação política.
Os repórteres, comentaristas, articulistas e editorialistas que agirem de outra forma, estarão coonestando a prática de torturas e os julgamentos realizados por tribunais de exceção.
E, já que nada do que Gaspari contrapôs pode ser aceito pelos homens decentes que não aceitam mancomunar-se com práticas hediondas, subsiste o fato de que uma versão distorcida e panfletária do episódio teve enorme destaque editorial e, conseqüentemente, ampla repercussão, enquanto as informações que repuseram a verdade dos fatos ficaram, quando muito, jogadas na seção de cartas.
Que cada um tire suas conclusões acerca dessa praga que cada vez mais se alastra pela imprensa brasileira: a burla do direito de resposta e a tendenciosidade no tratamento editorial, não se expondo convenientemente o outro lado ou omitindo-o por completo.
Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista, escritor e ex-preso político. Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

ELIO GASPARI

O terrorista de 1968 remunera-se em 2008
A família do soldado morto no atentado recebe R$ 1.140 mensais, já o rapaz da VPR fatura R$ 1.627
QUARENTA ANOS DEPOIS do atentado a bomba contra o Consulado Americano em São Paulo, Sérgio Ferro, intitulando-se “único sobrevivente” do grupo terrorista que fabricou, transportou e detonou o explosivo, informa:
1) Diógenes Oliveira e Dulce Maia não participaram dessa ação.
2) A ação foi iniciativa da ALN (Ação Libertadora Nacional), e não da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária).Quem disse que Diógenes, o “Luís”, e Dulce de Souza, a “Judith”, participaram do atentado, organizado pela VPR, foi o doutor Sérgio Ferro em seu depoimento à polícia em 29 de março de 1971. Na ocasião, Ferro estava preso e a tortura era uma política de Estado para obtenção de confissões, verdadeiras ou falsas. Passados 37 anos, Ferro julgou oportuno corrigir seu testemunho. Em 1969, na prisão, Pedro Lobo de Oliveira e Diógenes, ambos da VPR, revelaram suas participações no atentado. Diógenes admitiu ter fabricado a bomba, com “um ou dois quilos de dinamite”.
Quando Ferro incriminou Dulce de Souza Maia, sabia que ela estava a salvo, no exílio. Além disso, uma bomba a mais, uma bomba a menos, não faria muita diferença na carga que a polícia imputava à dupla mencionada por Ferro.
Diógenes e Dulce foram associados a dois retumbantes atentados terroristas. No dia 26 de junho de 1968, a VPR lançou um caminhão-bomba com 15 quilos de dinamite contra o Quartel General do 2º Exército, em São Paulo. Na explosão, morreu o soldado Mário Kozel Filho, de 18 anos. Dulce Maia contou sua participação nesse episódio numa entrevista a Luiz Maklouf Carvalho. Ela foi publicada no livro “Mulheres que foram à luta armada”, em 1998. Diógenes nunca falou publicamente sobre o caso. Os documentos conhecidos, que devem ser vistos com reservas, são o depoimento dele e de camaradas seus, todos presos. Diógenes admitiu ter fabricado a bomba. Onofre Pinto, que participou do atentado, disse que Diógenes acendeu o estopim.
Diógenes e Dulce também foram acusados de terem participado do planejamento e do assassinato do capitão americano Charles Chandler, em outubro de 1968. Na mesma entrevista a Maklouf, Dulce narrou sua colaboração no levantamento dos hábitos do capitão. Diógenes nunca discutiu esse atentado em público. Contudo, Pedro Lobo de Oliveira, seu colega de VPR, contou aos organizadores do livro “Esquerda Armada no Brasil”, premiado em Cuba em 1973, que eram três as pessoas que estavam no carro do qual partiram os assassinos do capitão: ele, que ficou ao volante, e mais dois, um com um revólver e outro com uma metralhadora. Pedro Lobo não os nomeou. Informou que a dupla só foi identificada quando um militante da VPR que “sabia quais os companheiros que haviam participado” contou o caso à polícia, na prisão. Esse “delator”, Hermes Camargo, tornou-se um colaborador do regime. Anos mais tarde ele repetiu o dois nomes numa entrevista a “O Estado de S. Paulo”: os atiradores foram Diógenes Oliveira, o “Luís”, e Marco Antonio Brás de Carvalho, o “Marquito”, morto meses depois do atentado.Assim como deve-se dosar o crédito às confissões de Sérgio Ferro e deve-se duvidar dos depoimentos de pessoas presas, é necessário registrar que a narrativa de Diógenes, preso, é semelhante à de Pedro Lobo, solto. Diógenes reconheceu ter sido um dos autores dos disparos.Orlando Lovecchio, que teve a perna esquerda amputada abaixo do joelho por conta da explosão da bomba que Sérgio Ferro e seus camaradas puseram no Consulado Americano, recebe R$ 570 mensais da Viúva. Os pais do soldado Mário Kozel conquistaram em 2003 uma pensão de R$ 330, reajustada no ano seguinte para R$ 1.140 mensais. Desde o dia 24 de janeiro, Diógenes ficou em melhor situação. Ele ganhou uma Bolsa Ditadura de R$ 1.627 mensais (as vítimas, juntas, recebem R$ 1.710), com direito a R$ 400 mil de atrasados. Repetindo: há algo de errado na aritmética das indenizações e numa álgebra que acaba remunerando melhor o terrorista que participou de um atentado do que a família da sentinela assassinada ou o transeunte amputado.

março 18, 2008

UMA COMPARAÇÃO LEVIANA, por Rui Martins

Direto da Redação
13/03/08
Berna (Suiça) – Desta vez, o que me chamou a atenção foi um texto distribuído pela Internet para emigrantes brasileiros na Suíça e Alemanha. Um texto do respeitável e competente Elio Gáspari, cujos livros da série Ditadura, adquiri nas minhas últimas viagens ao Brasil. O texto publicado na Folha de SP, comparando o que uma vítima do atentado de 20 de março de 1968 contra a embaixada americana em São Paulo, recebe do INSS, quando perdeu uma perna, com a aposentadoria paga a um dos autores do atentado pela Anistia. Elio Gaspari, jornalista e escritor, faz uma comparação, fora do contexto da época, e leva os leitores a um julgamento fácil e rápido, de culpado e inocente. Com esse mesmo tipo de argumentação se poderia condenar os resistentes ao nazismo na França ocupada. Os culpados pelos massacres de inocentes cometidos pelos nazistas em represália a atentados contra os ocupantes teriam sido os resistentes.
Fazer uma comparação entre indenizações decididas, 40 anos depois, omitindo o clima reinante na época da ditadura militar e aproveitando para colocar em questão o que animava a extrema esquerda contra a ditadura, não é nada correto. Conhecedor da situação como poucos, Gaspari optou por uma argumentação minimalista e, por isso leviana, que ignora o complexo quadro daqueles anos de chumbo.
Logo no começo da invasão americana ao Iraque, declarei, nas rádios em que falava e onde escrevia, que sempre chamaria os iraquianos de resistentes aos invasores e nunca de terroristas. Durante a ditadura militar, onde muita gente boa se enrustiu, não havia terroristas (essa era a designação dada pela governo e imprensa golpistas) mas resistentes. Idealistas, sonhadores, iludidos, irresponsáveis, tudo isso pode se discutir, mas, no caminho certo ou errado, eram movidos pelo desejo de resistir a uma situação ilegal, criada depois da deposição de um presidente e por instigação americana.
E pagaram caro por isso. Uma parte morreu, outros foram torturados e sofrem sequelas até hoje. Outros que não aderiram à luta armada mas que contestavam o regime tiveram de fugir e perderam carreira, vivendo e sofrendo o exílio. Diógenes, citado como um malvado premiado, sofreu torturas e, no exílo na África, apanhou malária, outro tipo de tortura permanente.
É dentro desse mesmo raciocínio que defendo a concessão da condição de refugiado ao italiano Cesari Battisti, ativista de uma facção de luta armada italiana, preso no Brasil e sob ameaça de extradição. Na verdade, existe hoje no Brasil, por parte da grande imprensa, a quase totalidade daquela que aderiu aos militares, uma campanha para desestablizar o governo, que apesar de numerosos erros, vem favorecendo o grande segmento da população pobre antes esquecido. E, pelo jeito, surge uma tendência negacionista, movida por uma lamentável vontade de reescrever a história. Isso faz parte da democracia, o debate franco ou desleal, porém, não se pode esquecer que no Brasil não existe imprensa de esquerda, que poderia defender o outro ângulo. Existem apenas alguns sites, jornais e revistas mantidos no benevolato, enquanto a direita dispõe de televisões, rádios e jornais de grande tiragem numa espécie esdrúxula de ditadura democrática da informação.

março 1, 2008

UMA RUA CHAMADA TORTURADOR

Celso Lungaretti (*)

Personagens repulsivos, patéticos ou meramente insignificantes dão nome a uma infinidade de rodovias, ruas, avenidas e praças brasileiras. Antigamente, ao ver na placa uma homenagem descabida, eu até me indignava. Com o tempo, passei a encarar o fenômeno de forma mais condescendente, como parte da geléia geral brasileira, tão bem retratada pelos compositores do tropicalismo.
Mário Hato, que foi meu professor de Química no colegial e depois fez carreira política, explicou-me que há um acordo de cavalheiros no Legislativo: vereadores e deputados não vetam as propostas louvaminhas dos seus colegas, salvo em casos extremos – como o ocorrido quando o hoje deputado estadual Carlos Giannazi tentou fazer com que escolas da rede pública reverenciassem a memória dos revolucionários Carlos Marighella e Carlos Lamarca. A bancada de extrema-direita reagiu de forma exacerbada.
Para melhor acomodar vaidades póstumas, chega-se a atribuir vários nomes à mesma rua: para cada trecho, um homenageado. Se fosse descendente de algum desses pseudo-figurões, eu me sentiria ofendido: por que uns são lembrados ao longo de uma estrada inteira e outros têm de se contentar com míseras centenas de metros de uma via secundária?
Meu companheiro de lutas Eremias Delizoicov, que era menor de idade quando tomou a decisão de confrontar uma ditadura bestial e acabou sendo assassinado aos 18 anos, com 35 balaços cravados no corpo, virou nome de uma rua que ninguém conhece, onde ninguém sabe ir e que ninguém jamais viu.
É muito pouco para quem perdeu tanto. Tenho me empenhado em conseguir que, pelo menos, uma escola paulistana receba o nome do Eremias, mantendo viva a lembrança do seu sacrifício – até porque é como estudante que nós, os amigos de infância, nos recordamos dele. Está difícil.
Já a Câmara Municipal de Ribeirão Preto acaba de decidir que uma via pública desse simpático município paulista receberá o nome de Juarez Guimarães de Brito, com a seguinte inscrição na placa indicativa da rua: “patriota brasileiro assassinado pela Ditadura Militar”.
Fico pensando em como o bom Juvenal (o nome-de-guerra pelo qual o conhecíamos) receberia a qualificação de “patriota”. Era um internacionalista, adepto fervoroso da liberdade e justiça social para todos os povos e nações.
Enfim, vale a intenção e é merecidíssima a homenagem a quem deixou uma cátedra universitária para ser professor de humanidade na guerrilha. Sua obsessão em planejar exaustivamente as ações armadas, de forma a reduzir a um mínimo a possibilidade de derramamento de sangue, chegava a ser comovente.
Preferiu, até o fim, correr riscos do que causá-los a outros. Era quem mais se aproximava do homem novo que tínhamos como meta: o indivíduo livre da ganância e do egoísmo, totalmente voltado para o bem comum, que construiria a si próprio à medida que fosse construindo a sociedade nova.
Lesa-humanidade – No outro extremo, a cidade paulista de São Carlos houve por mal ter uma rua com o nome de Sérgio Paranhos Fleury, o que levou os grupos Tortura Nunca Mais de SP e RJ a protestarem energicamente:

Este delegado de Polícia, integrante do Esquadrão da Morte, em São Paulo nos anos de 1960, tornou-se um dos principais agentes do terrorismo de Estado que se instaurou em nosso país oficialmente após o AI-5. (…) Entendemos que tal “homenagem” produz uma memória que enaltece os crimes de lesa-humanidade cometidos por estes agentes.

Trocando em miúdos: atuando no radiopatrulhamento de São Paulo, Fleury organizou um grupo de extermínio semiclandestino chamado Esquadrão da Morte, que, aparentemente, queria livrar a sociedade de suas ervas daninhas.
Requisitado pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social, alcançou repercussão nacional ao comandar a operação que resultou na morte do guerrilheiro Carlos Marighella. Graças à censura, a opinião pública não foi informada das torturas brutais mediante as quais chegou ao seu alvo, nem que organizou a emboscada de forma tão canhestra que o fogo cruzado acabou matando também uma policial e o motorista de um veículo que trafegava na região.
Responsável por um festival de horrores, incluindo a execução de prisioneiros como Devanir José de Carvalho, Fleury ainda cedia seu sítio como aparelho clandestino para os serviços sujos da repressão. Por lá passou Eduardo Leite, o Bacuri, no longo calvário que antecedeu seu assassinato.
Apesar das evidências gritantes da responsabilidade de Fleury nos crimes do Esquadrão da Morte, a ditadura militar não deixava que o bravo promotor Hélio Bicudo o colocasse na cadeia. Chegou até a criar uma lei com o único objetivo de impedir que, pronunciado, Fleury tivesse de aguardar preso o julgamento.
O guarda-chuva protetor só foi retirado quando Bicudo conseguiu provar que Fleury não eliminava marginais em benefício da sociedade, mas sim para fazer jus às recompensas de um grande traficante, empenhado em livrar-se da concorrência. Moralistas, os generais admitiam acobertar um justiceiro, mas não um capanga da contravenção.
Para piorar, com o fim da luta armada haviam terminado também as recompensas que os empresários direitistas ofereciam pela prisão ou morte dos revolucionários; e os rapinantes da repressão já não podiam mais apropriar-se dos bens de suas vítimas, outra das fontes de renda que lhes permitira viver muito acima de suas posses.
Fleury, dono de uma lancha, teria morrido ao cair na água. Falou-se muito em queima de arquivo: sem conseguir mais sustentar o vício que teria ( cocaína ), ele estaria exigindo dinheiro de seus antigos financiadores para não trombetear o que sabia. Como entre eles havia até sádicos que atuaram como torturadores voluntários de presos políticos, dá para imaginar o efeito devastador de uma chantagem dessas… e as prováveis conseqüências.
Nem mesmo os neo-integralistas gostam de mirar-se num exemplo desses, preferindo esquecer que Fleury existiu. Os vereadores de São Carlos provavelmente não sabiam de quem se tratava.
Independentemente do desfecho deste episódio, será sempre uma gota d’água no oceano. Uma busca no Google revela a existência, p. ex., de várias ruas com o nome de Filinto Muller, o torturador-símbolo da ditadura getulista, que chegava a ser comparado aos carrascos da Gestapo.
Para não falar das avenidas Presidente Médici que há no País inteiro, homenageando quem nunca foi presidente eleito pelo povo, mas sim ditador empossado pelas baionetas, sendo responsável pelo período mais tenebroso da História brasileira.

Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista, escritor e ex-preso político. Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

dezembro 8, 2007

Ex-Presos Políticos, torturados e sobreviventes da Ditadura Militar farão Congresso em São Paulo. A Veja cobrirá o evento?

São Paulo sediará o 1º Congresso de Ex-Presos e Perseguidos Políticos
Evento pioneiro no País debaterá a abertura dos arquivos, a anistia e a legislação; a censura aos meios de comunicação e a cultura; os movimentos sociais; a herança da ditadura militar e a impunidade.
Criado pelo Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo, o congresso será realizado nos dias 13 e 14 de dezembro, das 14h às 20h, no anfiteatro Fernando Azevedo, na Secretaria de Estado da Educação, Praça da República, 53 (entrada pela Av. São Luís, portão 4), antigo Instituto de Educação Caetano de Campos.
O evento homenageará os resistentes, mortos e desaparecidos na ditadura militar, além de médicos, dentistas e advogados que colaboraram na resistência democrática. Tem o apoio do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Grupo Tortura Nunca Mais, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo e a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos. O congresso de São Paulo marcará a edição do AI-5 pelo Governo Militar em 1968. Além disso, é um preparatório para o Congresso Nacional dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos, informa o presidente do Fórum Permanente e coordenador do evento, Raphael Martinelli. Para a abertura oficial foram convidados ministros e secretários de estado.Para Martinelli, ainda há muito que se reparar no Brasil. “A história constantemente escondida leva à impunidade e isso precisamos mudar. Por outro lado, reconhecemos os esforços dessa Secretaria e de seus dirigentes pelo que fizeram em favor de nossos direitos”, enfatizou.
Sobre o Fórum
O Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo foi criado para lutar pela reparação das injustiças e contra os desmandos, a impunidade e o esquecimento dos atos praticados pela ditadura. A entidade também atua em defesa dos direitos humanos no mundo e age em conjunto com os comitês internacionais de Direitos Humanos, como a Corte Interamericana de Direitos Humanos. No Brasil, apóia as associações que lutam pelos direitos dos anistiados, o Comitê pelos Mortos e Desaparecidos, o grupo Tortura Nunca Mais e os centros de defesa dos Direitos Humanos.
PROGRAMAÇÃO
13 de dezembro
14h – Abertura Oficial Presidência: Raphael Martinelli – Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo
Convidados: Luiz Antonio Guimarães Marrey, secretário de Justiça e Cidadania de São Paulo; Marlon Weichert, promotor do Ministério Público Federal; Rose Nogueira, presidente do Condepe
Homenagens
15h30 – Seminário/Debate: A anistia política e a legislação; a abertura dos arquivos da ditadura
Coordenação e apresentação: Raphael Martinelli; Marlon Weihert – Procurador Regional da República; Luis Eduardo Greenhalg – advogado; Jayme Antunes, diretor do Arquivo Nacional (RJ)
17h – Seminário/Debate: Movimento Operário, Movimento Camponês – Ontem e hoje Coordenação e apresentação: Raphael Martinelli – Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos; Antônio Flores – militante sindical.
14 de dezembro
14h – Seminário/Debate: Os meios de comunicação, a cultura e a herança da censura na época da ditadura Coordenação e apresentação: Alípio Freire, jornalista, e Idibal Pivetta, advogado e dramaturgo.
17h – Seminário/debate: A ditadura militar e a impunidade: nossa herança social
Coordenação e apresentação: Ivan Seixas – Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos; Rose Nogueira, jornalista, Presidente do Grupo Tortura Nunca Mais
19h – Encerramento oficial
Presença: Ministro Paulo Vannuchi – Secretário Especial dos Direitos Humanos
20h – Show de encerramento
Comunique-se
07/12/07

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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