ENCALHE

junho 3, 2008

"Golpe de 64 em São João da Boa Vista". Livro de Jasson de Oliveira Andrade.

Falo sobre o livro em questão a seguir. Antes disso, porém, quero mostrar a seguinte mensagem, que chegou à minha conta de email, em 23 de Novembro de 2005:
“Humberto: Subscrevo sua opinião exposta hoje no Estado, sob o título “A decência de FHC”. Aproveito a oportunidade para lhe enviar, em anexo, o meu artigo “Palocci e a Convenção tucana”. Abraços, JASSON”
Abaixo, um trecho de minha resposta à mensagem, em 5 de Dezembro:
“Olá, Sr. Como vai?
Desculpe a demora em responder.
Agradeço sua atenção e, lamento, ainda não consegui abrir o anexo que Vsa. enviou-me.A verdade é que não sei mexer direito em computador.E, também, não possuo um próprio.
Sabe, acho que pela primeira vez, aqueles que me escrevem por causa de uma carta minha publicada em algum jornal, não foi para me xingar ( rs ).Ah, houve um, esqueci dele. me xingar ( rs ).Ah, houve um, esqueci dele (…).”
Assim se deu o início das conversas entre eu e Jasson de Oliveira Andrade. Ele viu uma carta minha, publicada no Estadão, e comunicou-se comigo. Foi o único que não me xingou. Podem crer que vários desses caras que têem suas cartas publicadas quase todos os dias, também me contataram. À época eu, metido a sabichão, enviava cartas quase diariamente para a seção dos leitores de jornais e revistas.
Posteriormente, abandonei aos poucos este hábito e passei a escrever um blog. E pedi a Jasson que continuasse me enviando seus artigos, permitindo-me a publicação deles no blog ( foi assim mesmo? ). O que, decididamente, enriqueceu um espaço que, a depender de mim, não prometia muito. Prova disso é que o primeiro artigo de Jasson que postei no Cata-Milho, data apenas de 09 de Junho de 2006: http://ohomemfebril.blogspot.com/2006/06/pefelizao-do-psdb.html#links
A partir deste são dezenas de ( sempre elegantes ) artigos tratando, principalmente, de questões políticas do país. Escritos, primordialmente, para veículos regionais de imprensa, foram cedidos gentilmente por Jasson a este blog, e constituem importante fonte para reflexões acerca de momentos significantes pelos quais o Brasil passou nos últimos 3 anos.
O AUTOR
Filho e neto de fazendeiros ( seu pai, udenista simpatizante, gerente da Cooperativa Agrícola de Cotia, posteriormente se filiou ao partido de Adhemar de Barros, o PSP, e foi candidato a vereador por este partido ), Jasson cresceu, estudou e formou-se em São João da Boa Vista ( SP ).
Lecionou por pouco tempo e ingressou no Samdu ( o Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência, foi conquistado à região pelo deputado petebista [ Varguista e Janguista ] Miguel Jorge Nicolau, importante ex-vereador e prefeito do município de São João da Boa Vista, ), onde trabalhava quando da eclosão do golpe de 64, e de onde foi demitido por sua ligação política ( então suplente de vereador pelo PTB, assumiria o cargo com a cassação dos mandatos dos titulares, mas renunciou sem tomar posse ). Paralelamente ao trabalho no Samdu, exercia a função de redator no jornal O Município, de propriedade de Miguel Nicolau. Foi um dos vários cidadãos presos em meio ao período de caça às bruxas comunistas que se seguiu à deposição de Jango. Formou-se em advocacia e colabora, conforme já foi dito, com diversos jornais regionais do interior de São Paulo.

O LIVRO
Da mesma forma que Jasson de Oliveira Andrade minimiza o papel de seu trabalho, afirmando que este “não tem objetivo histórico” ( que não tenha sido concebido com este objetivo, tudo bem, mas qualidades para isso possui, Jasson ), eu também não pretendo fazer uma resenha. Nem gabarito para isso eu tenho. E, tendo recém terminado a primeira leitura da obra, com uma infinidade de informações saídas de suas 298 páginas ( descontando registros fotográficos e documentos anexos ),e ainda não digeridas por completo, temo não estar a altura do serviço exigido.
Pois uma resenha profissional é o que “Golpe de 64…” merece.
“(…) Este livro não tem objetivo histórico (…) Pretendemos com ele apresentar textos e documentos que estavam perdidos nas páginas de heróicos jornais da região, publicados aqui sem uma ordem cronológica e apenas levando em conta os temas enfocados, favorecendo uma pesquisa mais aprofundada no futuro por verdadeiros historiadores (…) “.

TRECHO DA INTRODUÇÃO, pág. 10
“(…) Valter Peres Franco, jornalista, professor e ex-vereador, em carta a mim ( OBS: ao autor ) dirigida, datada de 20 de novembro de 1984, sugeriu-me:
‘Acredito que cabe a todos nós, você, eu e outros companheiros, elaborarmos um estudo aprofundado deste período através dos documentos existentes ( relatórios, inquéritos, processos, etc. ) para relatarmos às gerações que nos sucederem a verdadeira história do golpe de 1964 em São João da Boa Vista’.
“Agora, vinte e três anos após o pedido, estamos entregando o presente livro, o qual, acredito, cumpre o que nos sugeriu o filho do também jornalista e ex-vereador José Peres Castelhano, que faz parte de nossa história política, principalmente daquele período (… )”.
TRECHO DA INTRODUÇÃO, pág. 09
O livro possui duas partes distintas. Três, se considerarmos os anexos ( inclui-se aí, a peça de defesa de Jasson frente ao processo que respondia por “subversão” ) e registros fotográficos diversos, não só do período do regime militar. Vou tentar comentar em dois posts. O primeiro, hoje.
A segunda parte, é composta de uma série não-cronológica ( há, por exemplo, textos datados de 1986 e mais recentes, de 2007 ) de artigos sob o tema “Política Nacional”, que nos dão a medida exata do que foi o período compreendido entre 64 e 1985 para o Brasil.
Todos os episódios, dramáticos, trágicos e relevantes para o Brasil, a partir de 1930 são tratados, por meio de artigos curtos, neste capítulo. Mostra-se o papel desempenhado por personagens como Getúlio Vargas, Carlos Lacerda, Tancredo Neves, Jânio Quadros, Juscelino Kubitschek, Costa e Silva, Castello Branco, Leonel Brizola, João Goulart e outras personagens do poder e de que modo contribuíram para que fossem eternizados na historiografia política brasileira.
Passagens como o papel do “complexo” IPES-IBAD na preparação ao golpe, a participação da CIA, as diatribes do corvo Lacerda e sua posterior queda em desgraça, a despeito de sua participação como um dos cabeças civis do levante militar que depôs Jango. Não foi o único: Jasson mostra que quase todos os mais importantes líderes e apoiadores do levante de 64, fossem eles civis ( como o próprio governador da Guanabara, Carlos Lacerda, o Governador de São Paulo, Adhemar de Barros, Pedro Aleixo, vice de Costa e Silva, o dono do Estadão, Júlio de Mesquita Filho [ também perseguido por Getúlio Vargas ] etc ) ou mesmo militares ( general Olímpio Mourão Filho, p. ex. ) acabaram sendo postos para escanteio no decorrer do tempo.
Como destaques, a seqüência de artigos que examina as mortes suspeitas de políticos de oposição ao regime ( dez meses foram o suficiente para que os 3 mentores da Frente Ampla, a saber, JK, Jango e Lacerda deixassem de ser preocupação para o governo militar ); outra sequência, desta vez revendo as mortes ( “trágicas” ) de ex-presidentes brasileiros, como Vargas, JK, Costa e Silva e Jânio Quadros; a promulgação do AI-5.
Breves e interessantes, textos que abordam o importante período de Vargas na Presidência, desde a revolução de 30, com a sequënte deposição de Washington Luís e a posse do gaúcho, até o Golpe que culminou na criação o Estado Novo, com influência do fascismo europeu.
Com a “descoberta” do chamado Plano Cohen ( a meu ver, uma aparente versão tupiniquim do Protocolo dos Sábios do Sião – foi redigido por um integralista [ que, mais tarde, tornou-se um dos pontas-de-lança da revolução de 64, o então capitão Olímpio Mourão Filho ] e simulava um aparente plano judeu-comunista de derrubada do governo e tomada do poder ), o perigo comunista passa a justificar a repressão a que Vargas lançou o país, tendo o governo, inclusive, flertado com o Integralismo para, depois, acabar banindo o movimento encabeçado por Plínio Salgado. Tempos depois, [ comenta Jasson a partir do livro A Ditadura Envergonhada, de Élio Gaspari ] um ex-ministro do Estado Novo de Vargas, Vicente Ráo, ajudou o líder civil do golpe Mesquita Filho na redação de uma proposta a Ato Institucional; entre as sugestões, a dissolução de todas as câmaras legislativas nos três níveis, sem exclusão do Senado, suspensão do habeas-corpus, cassação de mandatos de prefeitos e governadores, entre outras medidas “saneadoras”.
Num próximo post, o maior atrativo e mérito do livro de Jasson: o golpe de 64 em nível local. Creiam: apesar da seriedade que o assunto merece, há “causos”…
Em breve!

"GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA". Livro de Jasson de Oliveira Andrade.

Falo sobre o livro em questão a seguir. Antes disso, porém, quero mostrar a seguinte mensagem, que chegou à minha conta de email, em 23 de Novembro de 2005:
“Humberto: Subscrevo sua opinião exposta hoje no Estado, sob o título “A decência de FHC”. Aproveito a oportunidade para lhe enviar, em anexo, o meu artigo “Palocci e a Convenção tucana”. Abraços, JASSON”
Abaixo, um trecho de minha resposta à mensagem, em 5 de Dezembro:
“Olá, Sr. Como vai?
Desculpe a demora em responder.
Agradeço sua atenção e, lamento, ainda não consegui abrir o anexo que Vsa. enviou-me.A verdade é que não sei mexer direito em computador.E, também, não possuo um próprio.
Sabe, acho que pela primeira vez, aqueles que me escrevem por causa de uma carta minha publicada em algum jornal, não foi para me xingar ( rs ).Ah, houve um, esqueci dele. me xingar ( rs ).Ah, houve um, esqueci dele (…).”
Assim se deu o início das conversas entre eu e Jasson de Oliveira Andrade. Ele viu uma carta minha, publicada no Estadão, e comunicou-se comigo. Foi o único que não me xingou. Podem crer que vários desses caras que têem suas cartas publicadas quase todos os dias, também me contataram. À época eu, metido a sabichão, enviava cartas quase diariamente para a seção dos leitores de jornais e revistas.
Posteriormente, abandonei aos poucos este hábito e passei a escrever um blog. E pedi a Jasson que continuasse me enviando seus artigos, permitindo-me a publicação deles no blog ( foi assim mesmo? ). O que, decididamente, enriqueceu um espaço que, a depender de mim, não prometia muito. Prova disso é que o primeiro artigo de Jasson que postei no Cata-Milho, data apenas de 09 de Junho de 2006: http://ohomemfebril.blogspot.com/2006/06/pefelizao-do-psdb.html#links
A partir deste são dezenas de ( sempre elegantes ) artigos tratando, principalmente, de questões políticas do país. Escritos, primordialmente, para veículos regionais de imprensa, foram cedidos gentilmente por Jasson a este blog, e constituem importante fonte para reflexões acerca de momentos significantes pelos quais o Brasil passou nos últimos 3 anos.
O AUTOR
Filho e neto de fazendeiros ( seu pai, udenista simpatizante, gerente da Cooperativa Agrícola de Cotia, posteriormente se filiou ao partido de Adhemar de Barros, o PSP, e foi candidato a vereador por este partido ), Jasson cresceu, estudou e formou-se em São João da Boa Vista ( SP ).
Lecionou por pouco tempo e ingressou no Samdu ( o Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência, foi conquistado à região pelo deputado petebista [ Varguista e Janguista ] Miguel Jorge Nicolau, importante ex-prefeito do município de São João da Boa Vista, ), onde trabalhava quando da eclosão do golpe de 64, e de onde foi demitido por sua ligação política ( então suplente de vereador pelo PTB, assumiria o cargo com a cassação dos mandatos dos titulares, mas renunciou sem tomar posse ). Paralelamente ao trabalho no Samdu, exercia a função de redator no jornal O Município, de propriedade de Miguel Nicolau. Foi um dos vários cidadãos presos em meio ao período de caça às bruxas comunistas que se seguiu à deposição de Jango. Formou-se em advocacia e colabora, conforme já foi dito, com diversos jornais regionais do interior de São Paulo.

O LIVRO
Da mesma forma que Jasson de Oliveira Andrade minimiza o papel de seu trabalho, afirmando que este “não tem objetivo histórico” ( que não tenha sido concebido com este objetivo, tudo bem, mas qualidades para isso possui, Jasson ), eu também não pretendo fazer uma resenha. Nem gabarito para isso eu tenho. E, tendo recém terminado a primeira leitura da obra, com uma infinidade de informações saídas de suas 298 páginas ( descontando registros fotográficos e documentos anexos ),e ainda não digeridas por completo, temo não estar a altura do serviço exigido.
Pois uma resenha profissional é o que “Golpe de 64…” merece.
“(…) Este livro não tem objetivo histórico (…) Pretendemos com ele apresentar textos e documentos que estavam perdidos nas páginas de heróicos jornais da região, publicados aqui sem uma ordem cronológica e apenas levando em conta os temas enfocados, favorecendo uma pesquisa mais aprofundada no futuro por verdadeiros historiadores (…) “.

TRECHO DA INTRODUÇÃO, pág. 10
“(…) Valter Peres Franco, jornalista, professor e ex-vereador, em carta a mim ( OBS: ao autor ) dirigida, datada de 20 de novembro de 1984, sugeriu-me:
‘Acredito que cabe a todos nós, você, eu e outros companheiros, elaborarmos um estudo aprofundado deste período através dos documentos existentes ( relatórios, inquéritos, processos, etc. ) para relatarmos às gerações que nos sucederem a verdadeira história do golpe de 1964 em São João da Boa Vista’.
“Agora, vinte e três anos após o pedido, estamos entregando o presente livro, o qual, acredito, cumpre o que nos sugeriu o filho do também jornalista e ex-vereador José Peres Castelhano, que faz parte de nossa história política, principalmente daquele período (… )”.
TRECHO DA INTRODUÇÃO, pág. 09
O livro possui duas partes distintas. Três, se considerarmos os anexos ( inclui-se aí, a peça de defesa de Jasson frente ao processo que respondia por “subversão” ) e registros fotográficos diversos, não só do período do regime militar. Vou tentar comentar em dois posts. O primeiro, hoje.
A segunda parte, é composta de uma série não-cronológica ( há, por exemplo, textos datados de 1986 e mais recentes, de 2007 ) de artigos sob o tema “Política Nacional”, que nos dão a medida exata do que foi o período compreendido entre 64 e 1985 para o Brasil.
Todos os episódios, dramáticos, trágicos e relevantes para o Brasil, a partir de 1930 são tratados, por meio de artigos curtos, neste capítulo. Mostra-se o papel desempenhado por personagens como Getúlio Vargas, Carlos Lacerda, Tancredo Neves, Jânio Quadros, Juscelino Kubitschek, Costa e Silva, Castello Branco, Leonel Brizola, João Goulart e outras personagens do poder e de que modo contribuíram para que fossem eternizados na historiografia política brasileira.
Passagens como o papel do “complexo” IPES-IBAD na preparação ao golpe, a participação da CIA, as diatribes do corvo Lacerda e sua posterior queda em desgraça, a despeito de sua participação como um dos cabeças civis do levante militar que depôs Jango. Não foi o único: Jasson mostra que quase todos os mais importantes líderes e apoiadores do levante de 64, fossem eles civis ( como o próprio governador da Guanabara, Carlos Lacerda, o Governador de São Paulo, Adhemar de Barros, Pedro Aleixo, vice de Costa e Silva, o dono do Estadão, Júlio de Mesquita Filho [ também perseguido por Getúlio Vargas ] etc ) ou mesmo militares ( general Olímpio Mourão Filho, p. ex. ) acabaram sendo postos para escanteio no decorrer do tempo.
Como destaques, a seqüência de artigos que examina as mortes suspeitas de políticos de oposição ao regime ( dez meses foram o suficiente para que os 3 mentores da Frente Ampla, a saber, JK, Jango e Lacerda deixassem de ser preocupação para o governo militar ); outra sequência, desta vez revendo as mortes ( “trágicas” ) de ex-presidentes brasileiros, como Vargas, JK, Costa e Silva e Jânio Quadros; a promulgação do AI-5.
Breves e interessantes, textos que abordam o importante período de Vargas na Presidência, desde a revolução de 30, com a sequënte deposição de Washington Luís e a posse do gaúcho, até o Golpe que culminou na criação o Estado Novo, com influência do fascismo europeu.
Com a “descoberta” do chamado Plano Cohen ( a meu ver, uma aparente versão tupiniquim do Protocolo dos Sábios do Sião – foi redigido por um integralista [ que, mais tarde, tornou-se um dos pontas-de-lança da revolução de 64, o então capitão Olímpio Mourão Filho ] e simulava um aparente plano judeu-comunista de derrubada do governo e tomada do poder ), o perigo comunista passa a justificar a repressão a que Vargas lançou o país, tendo o governo, inclusive, flertado com o Integralismo para, depois, acabar banindo o movimento encabeçado por Plínio Salgado. Tempos depois, [ comenta Jasson a partir do livro A Ditadura Envergonhada, de Élio Gaspari ] um ex-ministro do Estado Novo de Vargas, Vicente Ráo, ajudou o líder civil do golpe Mesquita Filho na redação de uma proposta a Ato Institucional; entre as sugestões, a dissolução de todas as câmaras legislativas nos três níveis, sem exclusão do Senado, suspensão do habeas-corpus, cassação de mandatos de prefeitos e governadores, entre outras medidas “saneadoras”.
Num próximo post, o maior atrativo e mérito do livro de Jasson: o golpe de 64 em nível local. Creiam: apesar da seriedade que o assunto merece, há “causos”…
Em breve!

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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