ENCALHE

março 6, 2008

Porque Serra apoia Kassab

Jasson de Oliveira Andrade
Fotos: Reprodução
O presidente Vladimir Putin, da Rússia, já reeleito, e não podendo ser candidato pela terceira vez, apoiou Dmitri Medvedev para substituí-lo. Com isso, continuaria no comando do governo russo, o que acontecerá visto que seu pupilo se elegeu com cerca de 70% dos votos. Em São Paulo, o governador José Serra (PSDB) deseja a mesma coisa. Daí o seu apoio a Kassab (DEM) para prefeito de São Paulo. Gilberto era vice dele e com a eleição do tucano ao governo de São Paulo recebeu de presente a Prefeitura da Capital.
No entanto, quem governa é Serra. Andréa Matarazzo (PSDB) é o prefeito de fato e o demista de direito. O PSDB serrista ocupa 70% da máquina municipal. Entretanto, para contrariedade do governador, Geraldo Alckmin é candidato a prefeito de São Paulo. Segundo o Estadão, “O partido [PSDB] revive a crise de 2006, quando aliados de Alckmin e Serra se digladiaram na disputa para decidir quem seria o candidato do partido à Presidência.

Hoje, o grupo de Serra trabalha a favor de uma candidatura à reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Os alckmistas brigam por uma candidatura própria encabeçada pelo ex-governador”. Naquele ano, Alckmin derrotou Serra e se tornou candidato à Presidência. Houve, então, a divisão: o atual governador teve que engolir Alckmin, com a natural animosidade de Serra, que perdura até hoje. Por esse motivo, os serristas preferem Kassab, um aliado, e não desejam o Geraldo, um adversário, embora do mesmo partido. Essa era a perspectiva dele para 2010.

Ao que tudo indica, Serra vai perder mais uma, complicando sua candidatura para Presidência, hoje como favorito. Se perdeu em 2006 e cruzou os braços, preocupando-se com sua eleição ao governo de São Paulo. O medo dele agora é que o mesmo acontecerá caso Alckmin saia vencedor. Em 2010, o Geraldo provavelmente será candidato a governador, repetindo Serra, e cruzará os braços nas eleições à Presidência. Teremos então uma reprise de 2006!

Dora Kramer, em artigo no Estadão (4/3/2008), sob o título “Dois na gangorra”, analisa as candidaturas de Geraldo e Kassab: “Por ora, até o tucanato mais refratário a Alckmin acha que, no fim, ele leva essa. Não se pode dizer que o cenário produza imensa felicidade no grupo, mas trata-se aqui de lidar com a realidade: sem arrumar uma confusão de proporções amazônicas, José Serra e companhia não têm condições políticas nem de comprar a briga para valer com Alckmin nem de convencer Kassab a não concorrer. (…) Bater pé na manutenção da aliança daria aos adversários internos de José Serra a chance de atribuírem a ele a divisão do partido”. A jornalista conclui assim seu artigo: “Nesse quadro, vê-se que a sinuca a ser resolvida na campanha está com o tucanato: o PT concorre como oposição, o DEM como situação, mas o PSDB ainda vai precisar encontrar uma posição”.

Uma outra situação que leva Serra a dar apoio a Kassab. Alckmin, refratário ao governador, é ligado ao Aécio Neves, que também é candidato a Presidência pelo PSDB. Se Geraldo apoiar o governador mineiro, poderá complicar a candidatura de José Serra. Em 2006, as pesquisas mostravam que Serra teria mais voto que Alckmin, mas este é que foi o candidato. Atualmente as pesquisas à Presidência dão, novamente, vantagem ao tucano paulista. Naquela oportunidade, ele não conseguiu sair candidato. E agora, para 20l0? Kassab seria o candidato ideal de Serra à reeleição. Assim continuaria a ter a prefeitura de São Paulo nas mãos. Com a eleição de Alckmin terá um correligionário que lhe é adverso. No entanto, como já disse, ele terá que engolir o Geraldo. Ruim com Alckmin, pior sem ele. Que dilema! Serra gostaria de ser o Putin brasileiro…

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Março de 2008

Postado por Redação Portal Mogi Guaçu

novembro 29, 2007

Franklin Martins manda carta para "O Globo", chamando o jornal de "mentiroso".

Franklin: “O Globo falta com a verdade e desinforma leitor”
O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, enviou carta ao jornal “O Globo”, onde responde e contesta as informações falsas veiculadas na matéria “Presidência cada vez mais cara”, publicada na edição do dia 19 de novembro. Leia a íntegra da carta (*):
“Na tentativa de classificar custos da Presidência da República como “mordomias”, a reportagem do GLOBO (“Presidência cada vez mais cara”, 19/11) mistura dados e confunde números, desinformando o leitor. A denominação “gabinete presidencial”, usada no primeiro parágrafo da reportagem, é equivocada: o valor de R$ 223 milhões anuais refere-se à “administração da unidade Presidência da República” – ou seja, uma estrutura que envolve, além do Gabinete Pessoal do Presidente, a Casa Civil, a Secretaria Geral, a Secretaria de Relações Institucionais, o Gabinete de Segurança Institucional, o Núcleo de Assuntos Estratégicos e a Secretaria de Comunicação Social. A matéria também não diz que os gastos de custeio (água, luz, telefone, aquisição de computadores, passagens, diárias, combustível etc.) têm se mantido praticamente constantes nos últimos quatro anos, sempre na faixa de R$ 90 milhões. O texto cita em tom de denúncia o fato de ter havido um aumento de gastos de 2003 para 2005, sem dizer ao leitor que o programa Pró-Jovem – com orçamento de R$ 262 milhões só em 2005 – foi incorporado à Presidência da República (e não ao gabinete do presidente) naquele ano. Não se trata de “gastança”, mas de um programa que auxilia na educação e formação profissional de 467 mil jovens de 15 a 24 anos em situação de risco social. A reportagem registra ainda que houve um aumento de 68 para 149 funcionários da “assessoria particular” do presidente. Isso não é verdade. O segundo número corresponde basicamente à fusão de estruturas já existentes. Com relação aos gastos com cartões de pagamento, deve-se ressaltar que todas as despesas realizadas têm o amparo da legislação e todas as contas foram aprovadas pelo mesmo TCU, que serviu de fonte para a reportagem, após auditoria de 90 dias entre 2005 e 2006. O repórter é desrespeitoso com ecônomos, servidores públicos encarregados do controle e execução de despesas, a quem chama depreciativamente de “mordomos”. E comete uma inverdade quando afirma que algum desses profissionais está a serviço da primeira-dama. A reportagem menciona também a compra de uma “estante do tipo rack” no valor de R$ 25,1 mil, como se fosse um item de luxo, quando na verdade trata-se de uma estrutura de suporte para computadores e servidores de rede da central de informática do Palácio do Planalto. O valor é compatível com o de mercado. Na mesma linha, a matéria afirma que há custeio de “massagens para os funcionários do Palácio”. Na realidade, o gasto se refere a um programa específico, a Semana de Qualidade de Vida, promovido em maio pela Coordenação de Saúde da Presidência, para orientar os funcionários quanto à postura corporal na prevenção de lesões no trabalho. Programas como esse existem em todas as grandes empresas. Provavelmente, O GLOBO já promoveu atividades dessa natureza para seus funcionários. Certamente não deve considerá-las mordomias. Em suma, a reportagem falta com a verdade na tentativa de passar ao leitor uma imagem de ostentação e luxo, tratando como gastos absurdos investimentos em programas sociais, na saúde dos funcionários e na manutenção e reposição de materiais necessários à administração pública. Ressaltamos que todas essas incorreções e equívocos poderiam ter sido evitados se a Secretaria de Imprensa da Presidência da República fosse contatada previamente, como é de praxe”.
(*) Extraída do site do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu.
Hora do Povo
30/11/07
ed.2624

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