Fotos: Reprodução

Hoje, o grupo de Serra trabalha a favor de uma candidatura à reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Os alckmistas brigam por uma candidatura própria encabeçada pelo ex-governador”. Naquele ano, Alckmin derrotou Serra e se tornou candidato à Presidência. Houve, então, a divisão: o atual governador teve que engolir Alckmin, com a natural animosidade de Serra, que perdura até hoje. Por esse motivo, os serristas preferem Kassab, um aliado, e não desejam o Geraldo, um adversário, embora do mesmo partido. Essa era a perspectiva dele para 2010.
Ao que tudo indica, Serra vai perder mais uma, complicando sua candidatura para Presidência, hoje como favorito. Se perdeu em 2006 e cruzou os braços, preocupando-se com sua eleição ao governo de São Paulo. O medo dele agora é que o mesmo acontecerá caso Alckmin saia vencedor. Em 2010, o Geraldo provavelmente será candidato a governador, repetindo Serra, e cruzará os braços nas eleições à Presidência. Teremos então uma reprise de 2006!

Dora Kramer, em artigo no Estadão (4/3/2008), sob o título “Dois na gangorra”, analisa as candidaturas de Geraldo e Kassab: “Por ora, até o tucanato mais refratário a Alckmin acha que, no fim, ele leva essa. Não se pode dizer que o cenário produza imensa felicidade no grupo, mas trata-se aqui de lidar com a realidade: sem arrumar uma confusão de proporções amazônicas, José Serra e companhia não têm condições políticas nem de comprar a briga para valer com Alckmin nem de convencer Kassab a não concorrer. (…) Bater pé na manutenção da aliança daria aos adversários internos de José Serra a chance de atribuírem a ele a divisão do partido”. A jornalista conclui assim seu artigo: “Nesse quadro, vê-se que a sinuca a ser resolvida na campanha está com o tucanato: o PT concorre como oposição, o DEM como situação, mas o PSDB ainda vai precisar encontrar uma posição”.
Uma outra situação que leva Serra a dar apoio a Kassab. Alckmin, refratário ao governador, é ligado ao Aécio Neves, que também é candidato a Presidência pelo PSDB. Se Geraldo apoiar o governador mineiro, poderá complicar a candidatura de José Serra. Em 2006, as pesquisas mostravam que Serra teria mais voto que Alckmin, mas este é que foi o candidato. Atualmente as pesquisas à Presidência dão, novamente, vantagem ao tucano paulista. Naquela oportunidade, ele não conseguiu sair candidato. E agora, para 20l0? Kassab seria o candidato ideal de Serra à reeleição. Assim continuaria a ter a prefeitura de São Paulo nas mãos. Com a eleição de Alckmin terá um correligionário que lhe é adverso. No entanto, como já disse, ele terá que engolir o Geraldo. Ruim com Alckmin, pior sem ele. Que dilema! Serra gostaria de ser o Putin brasileiro…
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Março de 2008
Postado por Redação Portal Mogi Guaçu

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