ENCALHE

maio 8, 2008

Para o leitor de vEJA, "Escola de Frankfurt" é curso de culinária com foco em embutidos e salsichões!!

Eu sempre me utilizo da história da “roupa nova do rei”, para ilustrar um ponto de vista. Para que não leu, é o seguinte: uns charlatães, se fazendo passar por costureiros famosos, enganaram um rei fútil e vaidoso. Como? Disseram que criariam uma roupa belíssima, mas que só poderia ser enxergada por quem fosse inteligente. Ninguém enxergava a roupa, que não existia de fato, mas não diria isso jamais. Pois isso seria admitir não ser inteligente. Sem contar que não se podia ir contra os “especialistas”, os costureiros que disseram que a roupa era bela, especial, pedra 90. Eles, afinal, entendem do riscado. Se falavam que a roupa era sensacional, quem ousaria afirmar que a roupa não existia? Alguns devem ter pensado em eufemisar, dizendo algo como “para uma peça inexistente, até que é linda, mesmo” ou “se eu estiver enxergando bem, creio que o caimento é meio batido”.
O caso da menina Izabella, ao qual eu passei ao largo, teve um encaminhamento óbvio: as investigações levara ao casal, imputando-o pelo assassinato. Mas não houve ainda a palavra final da Justiça.
Isso não impede que lixos-humanos se amontoem na frente de locais, que se tornaram pontos de vigília, e que tenham algo a ver com o caso. A casa dos Nardoni, dos pais de Alexandre e de Carolina, do Carandiru, de delegacias que acolham os acusados, do IML.
O que desejam? Não sei. Não são parentes, nem nada. De minha parte, creio que estamos diante de mais uma comoção fabricada. Com qual propósito? Não sei.
Mas as vigílias encontraram no Reinaldo “Nostra Caixa” Azevedo um defensor. Podem ler a sua coluna em vEJA desta semana. As pessoas contrárias ao linchamento mediático e à macaquice de populares são comunistas.
E o Reinaldo gasta. Fez menção aos pós ( ou “pré”? Estou tirando pela memória. ) maoístas de Paris 68 e à Escola de Frankfurt. Como eu sou leigo – e admito isso – não tenho o que dizer, exceto o seguinte: o leitor da vEJA tampouco. Só que, salvo alguns, jamais admitirão. A maioria deles, calculo, continuará embevecida, com o arcabouço cultural superior de Reinaldo e orgulhosa de si mesma por acompanhar semanalmente os escritos de pessoa tão culta.
A Reinaldo desagrada as críticas que estão sendo feitas com relação ao linchamento mediático do casal Nardoni e às manifestações “populares”, o tal amontoado de lixos-humanos a que me referi acima. Os detratores, segundo Reinaldo, rezariam a cartilha comunista que desqualifica qualquer manifestação popular que não contenha um componente ideológico de esquerda. Tipo, pela reforma agrária. Aquela coisa de sempre. O povão só serviria, então, para bucha de canhão de revoluções proletárias e só.
Não vou discutir isso. Só vou relatar o que vi, num dia desses na banca de jornal que frequento diariamente, para filar jornal e revista de graça ( o dono não pode se negar a deixar, já que tenho um dossiê mostrando suas atividades extra-conjugais com travestis ).
Mãe, amiga e duas crianças. Entram na banca e pedem algo, que o jornaleiro vai procurar. Enquanto isso, as crianças começam a brincar. De repente, escuto a voz da mãe:
- Eu já falei prá parar de ficar um apertando o pescoço do outro!! Pára com isso!
Quem, quando criança, não brincou de luta? De soquinho?
Apertar o pescoço? De onde será que tiraram isso, as crianças brincalhonas?
Entre os “manifestantes” populares, que participam das vigílias, estava uma avó que levou os netos para visitar e conhecer o prédio onde ocorreu o crime. As crianças, disse, estavam revoltadas. Têm entre 4 e 5 anos e já adquiriram consciência da Justiça.
Na mesma vEJA, o Diogo lamenta que a história de uma mulher que teve seu corpo destruído e queimado com pneus ( acho que no Rio ) não tenha tido destaque algum. Pedisse à vEJA, oras.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.