ENCALHE

março 24, 2009

São Paulo, o túmulo do silêncio

OU: “Vocês estão todos surdos!”
Outro dia saiu num jornal que os pobres jovens estão ficando surdos. O motivo: esse monte de porcarias tecnológicas que, entre outras “maravilhas”, também servem para escutar música. E, segundo o que estava escrito ali, os bacaninhas enfiam os fones no ouvido e escutam o som no “talo”.
Problema deles. Contanto que usem os fones, e não obriguem os outros a escutar, fod**-a-se. Sério mesmo ( tal como aqueles outros débeis-mentais, que se entopem de esteróides para “virar homens”, o problemas é que os efeitos nocivos demoram a penalizá-los. Ou seja, o do esteróide vai ter câncer no fígado, mas isso, infelizmente, ainda vai demorar, o que dará tempo para ele fazer muita merda ainda ).
Mas, depois, fiquei matutando. Eu não saberia definir “barulho”, a não ser em termos de volume, ou decibéis, sei lá. Música ruim não é, necessariamente, “barulho”. E nem, como alguns propoem, “a música que a gente não gosta”.
Olha só: se você morasse ao lado do aeroporto, mesmo que adorasse o som de turbinas, chegaria uma hora que você ia ter que usar uma daquelas “cornucópias” de desenhos animados colada ao ouvido.
Pois bem: os carros, ônibus, motos e caminhões fazem barulho. Acho que os motores não conseguem funcionar sem emitir ruídos. Até aí, tudo bem.
Mas, o que dizer de escapamentos abertos? Motores “fuçados”. Roncos ensurdecedores. O que contribuem para o funcionamento dos motores? A resposta é: nada.
O camarada, com a habitual baixa-estima e dúvidas sobre a própria masculinidade, é quem costuma gostar dessas merdas. É como se estivesse tentando compensar algo.
Olhem. Da forma que eu vejo isso, é uma espécie de “recado”, ou “mensagem” para quem estiver próximo. Sei lá, a natureza presenteia o leão ou o urso com um ronco brutal, e deve ser algo para a sua defesa.
Mas no caso desses caras, o complexo é evidente. É uma forma de nos intimidar ou de intimidar os outros motoristas. E vai evoluindo num crescendo: um dia o cara fica intimidado com um motoqueiro barulhento, e aí bota algo mais barulhento ainda. E assim por diante.
E quanto aos “trios elétricos”? O imbecil tem um um.ponto.zero e se acha no direito de colocar um som que ele mesmo não consegue ouvir dentro do próprio carro.
E o infeliz sai por aí, “exibindo” sua sonoridade, obrigando-nos a ouvir a bosta de música dele.
Sim, porque ainda um dia alguém terá que pesquisar a relação instinseca entre o PÉSSIMO GOSTO MUSICAL dos idiotas e a tendência que estes idiotas tem DE OUVIR PÉSSIMAS MÚSICAS QUE GOSTA NO ÚLTIMO VOLUME ( o 20 )!
Preste atenção: não há, em São Paulo, o relato de alguém que saia poraí com o carro e seus alto-falantes explodindo com os BEATLES ou o CREEDENCE! Nada disso. Quem gosta desse tipo de música não age assim.
Que faz ( e é quase 100% ) isso, são os fãs de:
- FUNK CARIOCA : não funk tipo James Brown ou Earth, Wind & Fire, mas sim aquelas músicas edificantes que abordam e exultam os instintos mais baixos e rasteiros. Por muito menos, conta-se que Deus acabou com Sodoma e Gomorra;
- RAP: não sei de onde saiu essa moda – e é apenas isso: moda – de sair com um rap no último volume, fazendo cara de marginal, olhando feio e enchendo o saco. Certo tá o Requião: pobre no Brasil é bem representado é pelo MST – acrescento eu: e não pelos Bloods ou Creeps tupiniquins. Na própria música americana do fim do século 19, começo do 20 já havia músicas populares ( traditional, folksongs ) homenageando ou narrando as “sagas” de foras-da-lei, ladrões de bancos, assassinos, como Jesse James, Tom Dolley ( assassinou sua amante ), Charles Guiteau ( assassinou o presidente americano James Garfield ) e outros, geralmente tratados, romanticamente, como Robin Hoods. Uma sugestão para um grupo de rap: musiquem a vida e a obra de Daniel Dantas.
- AXÉ: é a alegria do brasileiro em estado bruto. A música preferida de aspirantes a BBBs, bombados e aspirantes a garotas de programa. A musa desse tipo de música é a golpista do Cansei, Ivete Sangalo;
- PAGODE: Não, meu amigos. Quem gosta desse tipo de música não conhece Cartola ou Paulinho da Viola. Quando eu falo em “mais baixos instintos” como presente no FUNK CARIOCA, devo também falar em “baixo conhecimento da música” que dizem gostar;
- SERTANOJO: cresci assistindo o programa do Geraldo Meirelles na Record, ouvindo Zé Bettio, Zé Russo, Linha Sertaneja Classe A ( Rádio Globo AM ), Pedro Bento & Zé da Estrada, Trio Parada Dura, Milionário & José Rico, Chico Rey & Paraná, Mococa & Moraci, Tião Carreiro & Pardinho, Duduca & Dalvan, Tonico & Tinoco… Sobre esses últimos, saibam que, vergonhosamente, o remanescente da dupla, o Tinoco, está vivendo quase na miséria, rifando carro, violão. Enquanto lixos como Teodoro E Sampaio, Crévison e Karrison ( esse eu inventei ), as bostas que infestam a rádio e TV brazucas fazendo pseudo-country americano, já que emulam o péssimo country-music americano atual ( já ele um “pseudo” ).
- REGGAE: a desculpa da playboyzada de praia ou da cidade para justificar o uso de maconha. É apenas isso. Nem é pela música, que é bem bacana e é o resultado de mutações iniciadas a partir de uma matriz de música jamaicana, depois influenciada pelo rhythm’n'blues americano, que derivou no ska. E depois pela soul music dos anos 60.
Agora, do que entendo do “rastafarianismo”, é uma espécie de leitura religiosa. Jah, seria Jeová, e estaria encarnado num imperador etíope. Se não me engano, prega a superioridade da raça negra sobre – talvez não só a ela – raça branca e o retorno à África.
Alude-se a uma suposta descendência de uma das – prestem atenção – 12 tribos de Israel. Acho que quem está nessa apenas pelo fumo nem deve pensar nisso, já que é a maior bandeira louvar o estado sionista que massacra a Palestina. Então, numa equação, fica assim: quem fuma maconha, mesmo sem saber apóia o sionismo e o massacre árabe em Gaza. Que tal?
Se a música sertaneja não é a minha preferida, assim como o samba original, ou mesmo o reggae, ainda assim dá para, com boa vontade mais que obrigatória, reconhecer qualidades em diversos artistas dessas escolas e estilos musicais. O que quer dizer: ao contrário de quem ouve por ouvir e fazer os outros ouvirem, na marretada. Seja no som de um carro ou no MP3 dentro do ônibus [ ou metrô, ou trem ], do idiota sem fone. Isso é barulho. E São Paulo tem produzido isso, diariamente, deixando-nos surdos e loucos. Dá a impressão de que as pessoas têm MEDO DO SILÊNCIO. Algumas dizem que é “chato”…
Acho que é porque elas ficam às voltas com o próprio pensamento, e a sensação de VAZIO ABSULUTO FORMADO NO CÉREBRO as assusta. Para combater isso, tome barulho.
Sabia que de uma singela, suave e, aparentemente inofensiva gota d’água os chineses inventaram uma mortal e enlouquecedora forma de tortura? O brasileiro aperfeiçoou a tortura, colocando música no talo.

São Paulo, o túmulo do silêncio

OU: “Vocês estão todos surdos!”
Outro dia saiu num jornal que os pobres jovens estão ficando surdos. O motivo: esse monte de porcarias tecnológicas que, entre outras “maravilhas”, também servem para escutar música. E, segundo o que estava escrito ali, os bacaninhas enfiam os fones no ouvido e escutam o som no “talo”.
Problema deles. Contanto que usem os fones, e não obriguem os outros a escutar, fod**-a-se. Sério mesmo ( tal como aqueles outros débeis-mentais, que se entopem de esteróides para “virar homens”, o problemas é que os efeitos nocivos demoram a penalizá-los. Ou seja, o do esteróide vai ter câncer no fígado, mas isso, infelizmente, ainda vai demorar, o que dará tempo para ele fazer muita merda ainda ).
Mas, depois, fiquei matutando. Eu não saberia definir “barulho”, a não ser em termos de volume, ou decibéis, sei lá. Música ruim não é, necessariamente, “barulho”. E nem, como alguns propoem, “a música que a gente não gosta”.
Olha só: se você morasse ao lado do aeroporto, mesmo que adorasse o som de turbinas, chegaria uma hora que você ia ter que usar uma daquelas “cornucópias” de desenhos animados colada ao ouvido.
Pois bem: os carros, ônibus, motos e caminhões fazem barulho. Acho que os motores não conseguem funcionar sem emitir ruídos. Até aí, tudo bem.
Mas, o que dizer de escapamentos abertos? Motores “fuçados”. Roncos ensurdecedores. O que contribuem para o funcionamento dos motores? A resposta é: nada.
O camarada, com a habitual baixa-estima e dúvidas sobre a própria masculinidade, é quem costuma gostar dessas merdas. É como se estivesse tentando compensar algo.
Olhem. Da forma que eu vejo isso, é uma espécie de “recado”, ou “mensagem” para quem estiver próximo. Sei lá, a natureza presenteia o leão ou o urso com um ronco brutal, e deve ser algo para a sua defesa.
Mas no caso desses caras, o complexo é evidente. É uma forma de nos intimidar ou de intimidar os outros motoristas. E vai evoluindo num crescendo: um dia o cara fica intimidado com um motoqueiro barulhento, e aí bota algo mais barulhento ainda. E assim por diante.
E quanto aos “trios elétricos”? O imbecil tem um um.ponto.zero e se acha no direito de colocar um som que ele mesmo não consegue ouvir dentro do próprio carro.
E o infeliz sai por aí, “exibindo” sua sonoridade, obrigando-nos a ouvir a bosta de música dele.
Sim, porque ainda um dia alguém terá que pesquisar a relação instinseca entre o PÉSSIMO GOSTO MUSICAL dos idiotas e a tendência que estes idiotas tem DE OUVIR PÉSSIMAS MÚSICAS QUE GOSTA NO ÚLTIMO VOLUME ( o 20 )!
Preste atenção: não há, em São Paulo, o relato de alguém que saia poraí com o carro e seus alto-falantes explodindo com os BEATLES ou o CREEDENCE! Nada disso. Quem gosta desse tipo de música não age assim.
Que faz ( e é quase 100% ) isso, são os fãs de:
- FUNK CARIOCA : não funk tipo James Brown ou Earth, Wind & Fire, mas sim aquelas músicas edificantes que abordam e exultam os instintos mais baixos e rasteiros. Por muito menos, conta-se que Deus acabou com Sodoma e Gomorra;
- RAP: não sei de onde saiu essa moda – e é apenas isso: moda – de sair com um rap no último volume, fazendo cara de marginal, olhando feio e enchendo o saco. Certo tá o Requião: pobre no Brasil é bem representado é pelo MST – acrescento eu: e não pelos Bloods ou Creeps tupiniquins. Na própria música americana do fim do século 19, começo do 20 já havia músicas populares ( traditional, folksongs ) homenageando ou narrando as “sagas” de foras-da-lei, ladrões de bancos, assassinos, como Jesse James, Tom Dolley ( assassinou sua amante ), Charles Guiteau ( assassinou o presidente americano James Garfield ) e outros, geralmente tratados, romanticamente, como Robin Hoods. Uma sugestão para um grupo de rap: musiquem a vida e a obra de Daniel Dantas.
- AXÉ: é a alegria do brasileiro em estado bruto. A música preferida de aspirantes a BBBs, bombados e aspirantes a garotas de programa. A musa desse tipo de música é a golpista do Cansei, Ivete Sangalo;
- PAGODE: Não, meu amigos. Quem gosta desse tipo de música não conhece Cartola ou Paulinho da Viola. Quando eu falo em “mais baixos instintos” como presente no FUNK CARIOCA, devo também falar em “baixo conhecimento da música” que dizem gostar;
- SERTANOJO: cresci assistindo o programa do Geraldo Meirelles na Record, ouvindo Zé Bettio, Zé Russo, Linha Sertaneja Classe A ( Rádio Globo AM ), Pedro Bento & Zé da Estrada, Trio Parada Dura, Milionário & José Rico, Chico Rey & Paraná, Mococa & Moraci, Tião Carreiro & Pardinho, Duduca & Dalvan, Tonico & Tinoco… Sobre esses últimos, saibam que, vergonhosamente, o remanescente da dupla, o Tinoco, está vivendo quase na miséria, rifando carro, violão. Enquanto lixos como Teodoro E Sampaio, Crévison e Karrison ( esse eu inventei ), as bostas que infestam a rádio e TV brazucas fazendo pseudo-country americano, já que emulam o péssimo country-music americano atual ( já ele um “pseudo” ).
- REGGAE: a desculpa da playboyzada de praia ou da cidade para justificar o uso de maconha. É apenas isso. Nem é pela música, que é bem bacana e é o resultado de mutações iniciadas a partir de uma matriz de música jamaicana, depois influenciada pelo rhythm’n'blues americano, que derivou no ska. E depois pela soul music dos anos 60.
Agora, do que entendo do “rastafarianismo”, é uma espécie de leitura religiosa. Jah, seria Jeová, e estaria encarnado num imperador etíope. Se não me engano, prega a superioridade da raça negra sobre – talvez não só a ela – raça branca e o retorno à África.
Alude-se a uma suposta descendência de uma das – prestem atenção – 12 tribos de Israel. Acho que quem está nessa apenas pelo fumo nem deve pensar nisso, já que é a maior bandeira louvar o estado sionista que massacra a Palestina. Então, numa equação, fica assim: quem fuma maconha, mesmo sem saber apóia o sionismo e o massacre árabe em Gaza. Que tal?
Se a música sertaneja não é a minha preferida, assim como o samba original, ou mesmo o reggae, ainda assim dá para, com boa vontade mais que obrigatória, reconhecer qualidades em diversos artistas dessas escolas e estilos musicais. O que quer dizer: ao contrário de quem ouve por ouvir e fazer os outros ouvirem, na marretada. Seja no som de um carro ou no MP3 dentro do ônibus [ ou metrô, ou trem ], do idiota sem fone. Isso é barulho. E São Paulo tem produzido isso, diariamente, deixando-nos surdos e loucos. Dá a impressão de que as pessoas têm MEDO DO SILÊNCIO. Algumas dizem que é “chato”…
Acho que é porque elas ficam às voltas com o próprio pensamento, e a sensação de VAZIO ABSULUTO FORMADO NO CÉREBRO as assusta. Para combater isso, tome barulho.
Sabia que de uma singela, suave e, aparentemente inofensiva gota d’água os chineses inventaram uma mortal e enlouquecedora forma de tortura? O brasileiro aperfeiçoou a tortura, colocando música no talo.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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