JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE
Carlota Joaquina, esposa de D. João 6º e mãe de D. Pedro 1º. Segundo a Folha, ela é descrita como devassa, má, intrigante, feiticeira, feia, vulgar, perversa, despótica, libidinosa, grosseira, depravada. O jornalista Luiz Edmundo, em crônica, a descreve de maneira cruel ou cruamente: “Não há memória em toda a história portuguesa de um rei que fosse, como d. João, tão (…) enganado pela esposa. Chega a causar espanto. Carlota Joaquina, ao procurar seus amantes (…) nem o senso da escolha tinha. Tudo lhe servia, tudo, desde que tivesse a forma aproximada de um homem. Até os subalternos da Quinta do Ramalhão não escaparam à sua depravação messalínica…” Agora, a historiadora Francisca Nogueira de Azevedo, com o livro “Carlota Joaquina – Cartas Inéditas”, procura mostrar que ela não era uma devassa. Ela declarou a Marcos Strecker (Folha, 30/6/2007): “Acredito que tinha tido um amante, mas essas coisas abertas, como libertinagem, acho que é um exagero”. O filho de Carlota Joaquina, D.Pedro1º, também teve uma amante: Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, que exerceu grande influência junto ao imperador brasileiro. O historiador Paulo Setúbal, pai do banqueiro e ex-prefeito de São Paulo, Olavo Setúbal, a imortalizou com o livro (romanceado) “A Marquesa de Santos”.
Na República, tivemos histórias mais recentes e que ficaram, praticamente, em segredo, não fosse o livro “Moisés codinome ULYSSES GUIMARÃES”, escrito pelo jornalista Luiz Gutemberg. É a biografia desse político brasileiro, tragicamente desaparecido no desastre de helicóptero em que voava de Angras dos Reis, no Rio de Janeiro, para São Paulo, no dia 12 de outubro de 1992. O corpo dele jamais apareceu. Mas essa é outra história. Luiz Gutemberg, na página 245, faz uma revelação. É sutil. Ao se referir a Tancredo Neves, político mineiro que ocupou altos cargos, diz que ele, em 1971 “torna-se presidente da Comissão de Economia da Câmara, onde encontrará a funcionária Antônia Gonçalves, sua secretária e NAMORADA (destaque meu), e que o acompanhará até o fim da vida [em 21/4/1985, sem tomar posse como presidente da República] com extrema dedicação e fidelidade”. Logicamente não era “namorada”. Tancredo era casado e nunca se separou! Adiante, na página 317, ele faz outra revelação surpreendente. Desta vez sobre Afonso Arinos, na época deputado. Era da UDN e ferrenho adversário de Getúlio Vargas, juntamente com Carlos Lacerda. Movia uma campanha contra o então presidente. O autor revela uma confidência de Ulysses Guimarães a respeito de sua vida intima: “Eu jamais teria conseguido viver aquele romance louco que o Afonso Arinos manteve com Ivete Vargas. Ela o amedrontava ao dizer-lhe que estava grávida. (…) Mas estou falando de uma história de muitos anos atrás. 1951. Naquele tempo, na força da idade, chegando aos cinqüenta anos, Afonso Arinos era o líder da oposição na Câmara. Estava na linha de frente do combate que levaria ao suicídio Getúlio Vargas [24/8/1954], tio-avô da Ivete. Arinos fazia discursos impiedosos, sendo que o mais terrível deles, considerado um dos dez maiores discursos da nossa história parlamentar contemporânea, era um Apocalipse. No fim da vida, como me confessou, ele se arrependeria desses arrebatamentos. Talvez como remorso por tê-los pronunciados justamente quando vivia sua tardia aventura sexual de um Montechio com uma Capuletto [Romeu e Julieta]”. A UDN era um partido moralista e Afonso Arinos uma pessoa pura, ou quase: essa “aventura sexual” com a sobrinha-neta de seu principal adversário foi realmente incrível. Nunca passaria pela cabeça de alguém!
Outra revelação surpreendente. Esta revelada pela revista IstoÉ, de 7/6/2000, na reportagem “Mataram Lacerda”. Nela foi ouvida a amante dele, que afirmou que Lacerda foi assassinado. A revista conta que o namoro de Maria Cecília de Azevedo Sodré, em 2000 com 46 anos, com o ex-governador começou quando ela, aos 21 anos, trabalhava na editora Nova Fronteira, de Lacerda. “Nosso romance durou dois anos, até sua morte [21/5/1977, aos 63 anos]”. Ele era 30 anos mais velho. Quando morreu , diz a IstoÉ, Lacerda mantinha o casamento de 40 anos com Letícia, mãe de Cristina, Sebastião e Sérgio. A jornalista Celina Côrtes, revela na reportagem: “A amante do ex-governador viveu momentos de muita ebulição. Quando o romance começou, ela participava do movimento estudantil. As divergências políticas foram incapazes de abalar a paixão”. Como aconteceu também com Afonso Arinos e Ivete Vargas. Ele parlamentar da UDN e ela deputada do PTB, partidos antagônicos! No caso de Lacerda, também da ex-UDN e líder civil do Golpe de 64, o movimento estudantil, a que a amante pertencia, era contra Lacerda e o Golpe. Os extremos se unem!
Existe ainda a história de Zélia, ex-ministra da Economia de Fernando Collor, com o ministro da Justiça daquela época, Bernardo Cabral. Fica para outro artigo.
Na República, tivemos histórias mais recentes e que ficaram, praticamente, em segredo, não fosse o livro “Moisés codinome ULYSSES GUIMARÃES”, escrito pelo jornalista Luiz Gutemberg. É a biografia desse político brasileiro, tragicamente desaparecido no desastre de helicóptero em que voava de Angras dos Reis, no Rio de Janeiro, para São Paulo, no dia 12 de outubro de 1992. O corpo dele jamais apareceu. Mas essa é outra história. Luiz Gutemberg, na página 245, faz uma revelação. É sutil. Ao se referir a Tancredo Neves, político mineiro que ocupou altos cargos, diz que ele, em 1971 “torna-se presidente da Comissão de Economia da Câmara, onde encontrará a funcionária Antônia Gonçalves, sua secretária e NAMORADA (destaque meu), e que o acompanhará até o fim da vida [em 21/4/1985, sem tomar posse como presidente da República] com extrema dedicação e fidelidade”. Logicamente não era “namorada”. Tancredo era casado e nunca se separou! Adiante, na página 317, ele faz outra revelação surpreendente. Desta vez sobre Afonso Arinos, na época deputado. Era da UDN e ferrenho adversário de Getúlio Vargas, juntamente com Carlos Lacerda. Movia uma campanha contra o então presidente. O autor revela uma confidência de Ulysses Guimarães a respeito de sua vida intima: “Eu jamais teria conseguido viver aquele romance louco que o Afonso Arinos manteve com Ivete Vargas. Ela o amedrontava ao dizer-lhe que estava grávida. (…) Mas estou falando de uma história de muitos anos atrás. 1951. Naquele tempo, na força da idade, chegando aos cinqüenta anos, Afonso Arinos era o líder da oposição na Câmara. Estava na linha de frente do combate que levaria ao suicídio Getúlio Vargas [24/8/1954], tio-avô da Ivete. Arinos fazia discursos impiedosos, sendo que o mais terrível deles, considerado um dos dez maiores discursos da nossa história parlamentar contemporânea, era um Apocalipse. No fim da vida, como me confessou, ele se arrependeria desses arrebatamentos. Talvez como remorso por tê-los pronunciados justamente quando vivia sua tardia aventura sexual de um Montechio com uma Capuletto [Romeu e Julieta]”. A UDN era um partido moralista e Afonso Arinos uma pessoa pura, ou quase: essa “aventura sexual” com a sobrinha-neta de seu principal adversário foi realmente incrível. Nunca passaria pela cabeça de alguém!
Outra revelação surpreendente. Esta revelada pela revista IstoÉ, de 7/6/2000, na reportagem “Mataram Lacerda”. Nela foi ouvida a amante dele, que afirmou que Lacerda foi assassinado. A revista conta que o namoro de Maria Cecília de Azevedo Sodré, em 2000 com 46 anos, com o ex-governador começou quando ela, aos 21 anos, trabalhava na editora Nova Fronteira, de Lacerda. “Nosso romance durou dois anos, até sua morte [21/5/1977, aos 63 anos]”. Ele era 30 anos mais velho. Quando morreu , diz a IstoÉ, Lacerda mantinha o casamento de 40 anos com Letícia, mãe de Cristina, Sebastião e Sérgio. A jornalista Celina Côrtes, revela na reportagem: “A amante do ex-governador viveu momentos de muita ebulição. Quando o romance começou, ela participava do movimento estudantil. As divergências políticas foram incapazes de abalar a paixão”. Como aconteceu também com Afonso Arinos e Ivete Vargas. Ele parlamentar da UDN e ela deputada do PTB, partidos antagônicos! No caso de Lacerda, também da ex-UDN e líder civil do Golpe de 64, o movimento estudantil, a que a amante pertencia, era contra Lacerda e o Golpe. Os extremos se unem!
Existe ainda a história de Zélia, ex-ministra da Economia de Fernando Collor, com o ministro da Justiça daquela época, Bernardo Cabral. Fica para outro artigo.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
julho de 2007

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