ENCALHE

julho 14, 2008

Deveria eu votar em alguém?

Filed under: "cidadãos de bem", cabotinismo, democracia, partidos políticos, Política — Humberto @ 7:41 am
Por suas teorias e propostas ( que não entendo de jeito nenhum ), todos os partidos políticos oferecem-nos um mundo melhor. Discordâncias entre as linhas de pensamento partidárias ou ideológicas podem ser entendidas como, apenas, afã em acertar de qualquer jeito, sempre buscando o melhor para o coletivo.
Portanto, estou tentado a pensar, a partir de agora, da seguinte forma: acordos não são execráveis por serem acordos e nem configuram, necessariamente, negociatas corruptas; provavelmente, na democracia direta, a menos que se queira discutir até o dia amanhecer, para continuar no dia seguinte, uma hora as partes deverão chegar num acordo. Ou seja, faz-se acordo, só que a representação é outra, segue-se outra “liturgia”.
Desse modo, com as agremiações todas quase-perfeitas, somente variando o grau de competência e entrega, resta atentar aos membros dos partidos.
Já que os partidos são bons, como explicar o estado de coisas atual? Simples.
Os partidos estão sendo sabotados, a partir de dentro, pelas sementes ruins que neles se filiaram. Usam das estruturas e prerrogativas das agremiações visando apenas o seu ( das sementes ruins ) projeto pessoal. As pessoas ( indivíduos ) corrompem os partidos e, depois, a máquina, quando chegam ao poder.
Oras, já é uma verdade monolítica e de pleno domínio popular que a política é “corrupta”, os políticos são “corruptos”, o Estado é corrupto, os governos são corruptos. Todo mundo concorda. Desde o faxineiro, passando pelo bancário, até chegar aos altos escalões da sociedade. Nisso, todos parecem concordar, driblando a velha luta de classes.
Diante desta fatalidade da qual não há mais saída, por quê alguém, que se considere “limpo” e “honesto”, se credencie a disputar alguma eleição? Pior ainda, se for um iniciante. Quer dizer que, com toda a sociedade reclamando, se indignando, lamentando, praguejando – mas, entendendo se tratar de uma situação da qual não há mais escapatória – e etcetera, e o camarada concorda sem pestanejar, e, ainda assim vai tentar um cargo? Ora, se o sujeito já aceitou que todos são corruptos e que não há forma de se mudar isso, então o que o honestão vai fazer lá, no meio da sujeira? Significa que, mesmo sabendo disso ( e POR ISSO MESMO ), é que nosso amigo vai se candidatar. Primeiro ele se filia, depois rasga a carta de princípios do partido ( qualquer partido que seja ) e vai tentar garantir o seu. Ou, em outras palavras: os partidos não são ruins, eles ESTÃO ruins, apodrecido pelos indivíduos que formam seus quadros.
É por isso que eu não confio no ( s ) meu ( s ) vizinho ( s ), ambicioso ( $ ) e cabotino ( s ). Jamais votaria nele.

janeiro 5, 2008

Privatização criminosa do Banespa causou desemprego em massa.

Estudo liga fusões nos bancos a demissões
Privatização do Banespa e vendas do Bamerindus e do Nacional são lembradas em documento do Dieese
São Paulo – O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgou um estudo que mostra em detalhes como as fusões e aquisições ocorridas nos últimos anos provocaram milhares de demissões no setor bancário, “como forma de reduzir os gastos totais, e, em particular as despesas de pessoal”, segundo trecho da nota técnica.
> Clique aqui para ler o estudo completo.
“O documento chega num momento importante, quando a categoria luta para que a fusão entre o Santander e o ABN não traga como conseqüência novas demissões protagonizadas pelo Santander. Os bancos falam muito em responsabilidade social, mas não pensam duas vezes na hora de colocar pais e mães de família na rua, apesar dos fantásticos lucros que registram todos os anos”, destaca o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, lembrando da importância da ratificação, pelo governo brasileiro, da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que proíbe demissões imotivadas.
Um dos casos lembrados no estudo é o da privatização do Banespa. O banco passou por dois processos de demissões: um anterior à venda, entre 1992 e 1999, quando 17.052 empregos foram eliminados, e o segundo em 2001, um ano após a venda para o Santander, com o programa de demissão voluntária que contou com a adesão de 8.300 funcionários. Como conseqüência, em 2002, o Santander contava com apenas 13.722 bancários, contra mais de 37.000 em 1992.
Nacional e Bamerindus – A nota técnica destacou também as fusões do Nacional com o Unibanco, em 1995, e a do Bamerindus com o HSBC, em 1997. No primeiro exemplo, o número de funcionários do Unibanco, que havia crescido logo após a fusão, caiu nos anos seguintes 39,1%, com mais de 11 mil demissões. No caso do Bamerindus, o enxugamento começou ainda antes da concretização da venda, com o número de bancários caindo de 30.434 para 22.950 entre 1992 e 1994. Nos anos seguintes, o HSBC iniciou um processo de demissões que fez o banco chegar a 1999 com apenas 18.845 funcionários.
Danilo Pretti Di Giorgi
Sindicato dos Bancários
04/01/2008

outubro 26, 2007

Imprensa, elite e hipocrisia

Waldir D’Angelis
A imprensa brasileira descobriu a ética. Velhos políticos passaram a falar de ética. Alguns filósofos deitaram falação sob os holofotes da mídia, deleitando-nos a nós pobres mortais e ignorantes das questões de honestidade, com sua sapiência sobre a ética e o comportamento exemplar que cada cidadão deve ter perante a sociedade, numa generalização ao gosto dos livros de auto-ajuda.Por que só agora a mídia, setores da direita, da chamada oposição, da elite econômica, resolveram que o Brasil passa por uma crise de ética? Não leram sobre a formação histórica do Brasil? Desconhecem as capitanias hereditárias e o sistema de heranças e transmissão de terras? Ignoram a escravidão e suas seqüelas? O massacre dos silvícolas? E no Paraná, ignoram as centenas de contratos nefastos ao bem público que foram patrocinados pela corriola do governo anterior? Ignoram a venda da Copel? Os contratos abusivos e desonestos do pedágio? A tentativa de vender o Porto? A venda da Sanepar? A venda de reflorestamentos públicos a preços aviltantes? O Banestado?
Somos todos herdeiros de um sistema político clientelista, cuja compra de votos foi sempre a regra e não a exceção, inclusive para o estabelecimento da reeleição em proveito próprio, como fez Fernando Henrique Cardoso e seu escudeiro Sérgio Motta.
Como o papel aceita tudo, nada mais fácil hoje em dia para os que detêm o poder da informação que levantar calúnias e mentiras contra seus adversários, mesmo que existam aqui e ali alguns deslizes praticados pelos acusados, mas que os próprios acusadores já cometeram algum dia (alguns até mais graves do que os culpados de hoje). E falam todos de boca cheia contra a grande crise de ética no país em defesa da democracia e da liberdade de imprensa. E a entrega da Vale do Rio Doce a preço aviltante? E a maracutaia Abril-TVA? E a CPI do Banestado? E as concorrências públicas no Estado de São Paulo?
Como diria o velho Nietzsche: “ao que serve essa moral?”. Que privilégios estão por detrás desta postura? O que querem os arautos da nova onda moralizadora do “cansei”? O que quer a grande imprensa? O mesmo que queriam os da marcha da família em 64: manter seus privilégios à custa da miséria e ignorância de muitos.
Hipocrisia, fingimento, impostura. Os mesmos que enriqueceram usando o que deveria ser público agora se revoltam quando o poder público se volta para os que nada tem.
Waldir D’Angelis é professor, conferencista, escritor, analista político e assessor no Conselho Revisor do Governo do Paraná – waldirdangelis@uol.com.br
Publicado no blog BOCA MALDITA

março 28, 2007

Os jornais e revistas estão empurrando a culpa do apagão educacional continuado nas costas dos professores. Entretanto…

Filed under: diretor escolar, Educação, escola pública, Política, professores — Humberto @ 12:33 pm
… trata-se de um assunto deveras complexo, mas não impossível de se lidar. Nestes últimos dias, há páginas e páginas de impressões dos especialistas palpitando sobre “o que há de errado” e “como resolver isso”, porém poucas linhas dedicadas a ouvir o pedagogo, o professor ou o sindicato que o representa. Pior, já que é nas costas destes que a conta está sendo jogada. Não está de todo errado. O especialista que me abastece de informações, diz que o professorado aderiu ao tucanismo e está quase que totalmente despolitizado. Pois aquele que questiona certos aspectos, sejam localizados ou estruturais, fatalmente desanimará, pois se descobrirá inapelavelmente enredado no sistema. Voltando aos especialistas do negrito acima. Quando o governo federal anunciou o “PAC” da Educação, o Estadão publicou – para a surpresa de muitos – elogios de, digamos, personalidades, que enxergaram com bons olhos a iniciativa. Como o teclador aqui não sabe patavina do PAC, só desejo mesmo é registrar que as pessoas ouvidas pelo jornal – até onde eu acompanhei – são economistas, “gestores” ( fdpqp!!! como eu detesto esse termo!!! ), “consultores” (fdpqp2!!! ), empresários do setor privado, essa gente que “propõe administrar o Estado como se fosse uma empresa”. Mas não percebi professores, pesquisadores, educadores ou representantes do Magistério e do funcionalismo público já que é da escola pública que estamos falando. Nesses artigos dos jornais, o professor aparece como o vilão especialmente concursado, cujas faltas para ir ao cabeleireiro estão arruinando a revolução educacional adotada por diversos governos estaduais e municipais.
Contribuindo com a discussão, publico abaixo um texto ( já velhinho, de 24 de Novembro de 2005 ), da Agência Estadual de Notícias do Paraná, que me apresentou um fato desconhecido ( quer dizer, eu desconhecia que isso acontecesse ou que houvesse a possibilidade de ) por aqui em SP: diretores de escola eleitos e não indicados politicamente ( mesmo sendo técnico ou profissional de carreira ), como é aqui no Estado. Vejam:


Escolas estaduais realizam eleições para diretores nesta sexta-feira
As 2.100 escolas estaduais que inscreveram chapas até o dia 04 último realizam eleições nesta sexta-feira (25), das 8 às 22 horas, para a recondução ou escolha de novos diretores. As chapas inscritas apresentaram um plano de ação a ser aplicado durante os dois anos de gestão. Com base nesse plano, a Secretaria de Estado da Educação vai preparar o curso de formação para os novos diretores, que será ministrado em Faxinal do Céu.
A primeira etapa do curso acontece entre os dias 05 e 10 de dezembro.Segundo um dos coordenadores da Comissão das Eleições da Secretaria, professor Sérgio Fernandes Stacheski, a Lei estadual número 14.231/03 determina que os diretores poderão participar de até três eleições consecutivas, ou seja, uma eleição mais duas reconduções. O mandato é de dois anos.
A professora Elisabete Mendes dos Santos, também integrante da Comissão, explica que a partir da reformulação da Lei, ocorrida em 2003, a Secretaria deixou de votar na escolha de diretores, como se fazia até então, por intermédio do voto do Núcleo Regional de Educação (NRE). “A Secretaria da Educação fica isenta na escolha de diretores de escolas. Essa prerrogativa, agora, é tão somente da comunidade escolar (alunos, pais, professores e funcionários de estabelecimentos escolares). A isenção traz mais liberdade de escolha para concorrentes e votantes”, diz ela.
O professor Stacheski, explica ainda que, para eleger o novo diretor ou reconduzir o diretor atual, é necessário um quorum de 35% do público apto a votar (pais, alunos, professores e funcionários). Caso esse número não seja atingido, ou o número de votos brancos seja superior aos votos válidos, haverá um novo processo eleitoral nessa escola, no dia 09 de dezembro. Existe ainda a possibilidade de uma intervenção se, nesse segundo pleito, não for possível decidir. Todas as escolas deverão estar com suas direções regularizadas até 15 de abril de 2006.
O público esperado para comparecer às escolas durante as eleições é de 2,3 milhões de votantes, sendo 1,4 milhões de alunos, 95 mil professores e funcionários e aproximadamente 900 mil pais. Na logística das eleições estarão envolvidas 55 mil pessoas.


Chato isso, não? Participação e envolvimento direto das pessoas no processo de escolha do diretor escolar. Talvez a mera escolha direta do diretor não resulte em melhora imediata ou melhora simplesmente, pois há outros aspectos e elas dizem respeito a determinações superiores, ou seja as diretrizes dos governos e suas secretarias de Educação, tanto em nível municipal como no estadual, suas concepções educacionais-pedagógicas e administrativas. Não vou deixar passar batido: o especialista que me abastece de informações, disse que a situação que estamos observando no Estado não era muito diferente na prefeitura de Marta Suplicy, pelo meos no que diz respeito ao tratamento dispensado ao corpo docente.

Aqui nesse ponto: um ensaio aprofundado – ou reflexão filosófica – sobre o papel do diretor de escola pública. Exigirá concentração e disponibilidade de tempo.
Aqui nesse ponto: o que é o Conselho de Escola ?

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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