Para esse post, vou ser obrigado a recorrer ( copiar ) a um artigo de Fausto Wolff publicado no JB, em 14/04. Provavelmente ( caso venha a saber que teve algo copiado sem sua permissão) ele não gostará, mas creiam: é por um bem meior. O artigo de Fausto estará seguido de outro escrito, que tirei de um jornal do bairro aqui, e acho que comprova e complementa o que o Lobo quis dizer. Fica, então, como uma homenagem a este jornalista/ escritor/ cronista.
Agora prestem atenção, pois vamos todos morrer
Depois de fragorosa derrota, nos anos 40, diante de uma tribo de abelhas da terra em Buriti,
no Rio Grande so Sul, e de ter o corpo besuntado de graxa para rodas de carroça a fim de não morrer tão jovem, confesso que passei a respeitar esses bichinhos a longa distância. Nossa intimidade limita-se ao mel que adiciono a alguma cachaça decente. Sabia que elas tinham alguma importância no modo como os pais explicam a vida sexual aos filhos e que eram melhores fabricantes de aparelhos de ar-condicionado que nós, aparentemente humanos.
O redator chefe do meu sítio na internet se chama Jean Scharlau. Politicamente, é dono de cândida ingenuidade que compensa com uma incrível sede de informações. Um abelhudo. Percebeu que a notória revista Spiegel, da Alemanha, publicara no fim de março matéria que tratava da dizimação de populações de abelhas alemãs e americanas.
Já pensava em substituir o mel por outra matéria mais tóxica na minha cana quando fui informado de que se as abelhas desaparecerem do planeta restariam ao homem apenas quatro anos de vida. Coisa simples: acaba a abelha, acaba a polinização, acabam as plantas e acabamos nós, forever.
Por que as abelhas estariam se despedindo da gente? Por que não os banqueiros, por exemplo, que fazem muito mais mal a nossa saúde? Segundo o jornalista Gunther Latsch, o grande vilão seria o ácaro Varroa, oriundo da Ásia, secundado pelo homem, que adora espalhar herbicidas pelas plantas e prefere plantar combustível para máquinas a alimentos para o estômago.
Como todo mundo devia ter feito antes da resistível ascensão de Hitler em 1933, já há três anos as abelhas estão abandonando a mutterland alemã, o que até o momento só tem prejudicado os apicultores.
Já nos Estados Unidos, onde as coisas costumam ocorrer em maior escala, as abelhas estão morrendo aos milhões e as conseqüências poderão ser dramáticas. Seriam as plantas geneticamente modificadas que os gringos gostam de produzir para impressionar a família no fim de semana? Na Baviera, o número de abelhas diminuiu em 12% e em toda a Alemanha a queda foi de 25%.
A situação talvez mude porque os americanos atentaram para o detalhe de que o que mais morre por lá (no Iraque são jovens soldados) são as abelhas. Na Costa Oeste, 60%, contra 70% na Costa Leste. Segundo o New York Times, os prejuízos para a agricultura já estão na casa de dezenas de milhões de dólares. Catástrofe nacional ainda não notada.
Milhões de abelhas desapareceram e deixaram nas colméias proles condenadas. As abelhas mortas, entretanto, não são encontradas nem nas colméias nem nas proximidades. As poucas sobreviventes apresentam cinco ou seis infecções ao mesmo tempo, além de estarem cheias de fungos.
Segundo os cientistas, parece que o sistema imunológico das abelhas entrou em colapso. Outra notícia para a reflexão de algum detetive entomológico: as colméias são largadas intactas mas nenhuma espécie de animal ou inseto ousa invadi-las. Há certamente algum repelente tóxico que permanece na colônia.
Recentemente, os pesquisadores examinaram o efeito do pólen de uma variante geneticamente modificada de milho transgênico chamada Milho B1 sobre as abelhas. Hans Kaatz, um professor da Universidade de Hale, na Alemanha, concluiu que a toxina bacteriana do milho geneticamente modificado pode ter alterado a superfície dos intestinos das abelhas o suficiente para enfraquecê-los e permitir a invasão de parasitas.
Temo que as notícias não sejam alvissareiras para as pessoas que gostam de gritar “alvíssaras”, pois se acabam as abelhas acabamos nós. Por outro lado, morrer em companhia é mais civilizado.
P.S.: Infelizmente, parece que as abelhas também estão sendo ameaçadas no Brasil. Trata-se das amazônicas, conhecidas como abelhas indígenas sem ferrão. Esse nome é dado porque têm o ferrão atrofiado e não podem aferroar. Criar abelhas sem ferrão é muito importante, pois coletam o néctar e o pólen de flor em flor, multiplicando as plantas. E trabalham, as coitadinhas. Para cada grama de néctar precisam passear por 25 mil flores.
As abelhas sem ferrão estão ameaçadas de desaparecer por causa do desmatamento que destrói suas colônias. Útil, belo e vivendo em colônias socializadas, é natural que o homem, que põe tanta destruição no ato de existir, queira acabar com elas. Façam seu jogo, com a ajuda de deputados e senadores da região: quem acabará antes? A abelha ou o índio amazonense?
Fausto Wolff, JB, 14/4/07
Depois de fragorosa derrota, nos anos 40, diante de uma tribo de abelhas da terra em Buriti,
no Rio Grande so Sul, e de ter o corpo besuntado de graxa para rodas de carroça a fim de não morrer tão jovem, confesso que passei a respeitar esses bichinhos a longa distância. Nossa intimidade limita-se ao mel que adiciono a alguma cachaça decente. Sabia que elas tinham alguma importância no modo como os pais explicam a vida sexual aos filhos e que eram melhores fabricantes de aparelhos de ar-condicionado que nós, aparentemente humanos.
O redator chefe do meu sítio na internet se chama Jean Scharlau. Politicamente, é dono de cândida ingenuidade que compensa com uma incrível sede de informações. Um abelhudo. Percebeu que a notória revista Spiegel, da Alemanha, publicara no fim de março matéria que tratava da dizimação de populações de abelhas alemãs e americanas.
Já pensava em substituir o mel por outra matéria mais tóxica na minha cana quando fui informado de que se as abelhas desaparecerem do planeta restariam ao homem apenas quatro anos de vida. Coisa simples: acaba a abelha, acaba a polinização, acabam as plantas e acabamos nós, forever.
Por que as abelhas estariam se despedindo da gente? Por que não os banqueiros, por exemplo, que fazem muito mais mal a nossa saúde? Segundo o jornalista Gunther Latsch, o grande vilão seria o ácaro Varroa, oriundo da Ásia, secundado pelo homem, que adora espalhar herbicidas pelas plantas e prefere plantar combustível para máquinas a alimentos para o estômago.
Como todo mundo devia ter feito antes da resistível ascensão de Hitler em 1933, já há três anos as abelhas estão abandonando a mutterland alemã, o que até o momento só tem prejudicado os apicultores.
Já nos Estados Unidos, onde as coisas costumam ocorrer em maior escala, as abelhas estão morrendo aos milhões e as conseqüências poderão ser dramáticas. Seriam as plantas geneticamente modificadas que os gringos gostam de produzir para impressionar a família no fim de semana? Na Baviera, o número de abelhas diminuiu em 12% e em toda a Alemanha a queda foi de 25%.
A situação talvez mude porque os americanos atentaram para o detalhe de que o que mais morre por lá (no Iraque são jovens soldados) são as abelhas. Na Costa Oeste, 60%, contra 70% na Costa Leste. Segundo o New York Times, os prejuízos para a agricultura já estão na casa de dezenas de milhões de dólares. Catástrofe nacional ainda não notada.
Milhões de abelhas desapareceram e deixaram nas colméias proles condenadas. As abelhas mortas, entretanto, não são encontradas nem nas colméias nem nas proximidades. As poucas sobreviventes apresentam cinco ou seis infecções ao mesmo tempo, além de estarem cheias de fungos.
Segundo os cientistas, parece que o sistema imunológico das abelhas entrou em colapso. Outra notícia para a reflexão de algum detetive entomológico: as colméias são largadas intactas mas nenhuma espécie de animal ou inseto ousa invadi-las. Há certamente algum repelente tóxico que permanece na colônia.
Recentemente, os pesquisadores examinaram o efeito do pólen de uma variante geneticamente modificada de milho transgênico chamada Milho B1 sobre as abelhas. Hans Kaatz, um professor da Universidade de Hale, na Alemanha, concluiu que a toxina bacteriana do milho geneticamente modificado pode ter alterado a superfície dos intestinos das abelhas o suficiente para enfraquecê-los e permitir a invasão de parasitas.
Temo que as notícias não sejam alvissareiras para as pessoas que gostam de gritar “alvíssaras”, pois se acabam as abelhas acabamos nós. Por outro lado, morrer em companhia é mais civilizado.
P.S.: Infelizmente, parece que as abelhas também estão sendo ameaçadas no Brasil. Trata-se das amazônicas, conhecidas como abelhas indígenas sem ferrão. Esse nome é dado porque têm o ferrão atrofiado e não podem aferroar. Criar abelhas sem ferrão é muito importante, pois coletam o néctar e o pólen de flor em flor, multiplicando as plantas. E trabalham, as coitadinhas. Para cada grama de néctar precisam passear por 25 mil flores.
As abelhas sem ferrão estão ameaçadas de desaparecer por causa do desmatamento que destrói suas colônias. Útil, belo e vivendo em colônias socializadas, é natural que o homem, que põe tanta destruição no ato de existir, queira acabar com elas. Façam seu jogo, com a ajuda de deputados e senadores da região: quem acabará antes? A abelha ou o índio amazonense?
Fausto Wolff, JB, 14/4/07
Agora, o artigo publicado no jornal “o Paulistano”, de propriedade de Wagner Salustiano, na edição que circulou entre 13 e 19 de Abril:
Abelhas na Praça
Leitor que pediu para permanecer no anonimato enviou a seguinte carta ao PAULISTANO: “Ao ler este jornal fico conhecendo um pouco mais dos bairros da região, pois estou morando há pouco tempo na Vila Prudente. Gostaria de saber se já houve alguma reclamação sobre uma praça que fica no cruzamento da Rua Fabiano Alves com a rua Armando Tarantino, no Parque Vila Prudente? Pois nesta praça tem um poste de iluminação com um furo, onde existe um ninho de abelhas. Sempre há abelhas em minha casa. Acho que esta praça precisa de uma restauração, como colocar alguns bancos e retirar essas abelhas, etc. Gostaria de não ser identificado, pois sou novo no bairro. Ficarei acompanhando sempre este jornal”
Nota da Redação: Em resposta a questão do leitor, a Assessoria Executiva de Comunicação encaminhou a seguinte informação: “Quanto à reclamação das abelhas na praça, a supervisão de Zoonoses da Subprefeitura de Vila Prudente/ Sapopemba aplicou hoje [ quarta-feira, dia 11 ] inseticida* para eliminar o problema no local”.
*Negrito do Blog
Bem, taí a solução dada ao “problema”: para as abelhas não incomodarem o ser humano e piorar o trânsito na Capital, joga-se inseticida. Na minha época, chamavam os bombeiros, que retiravam a colméia ( percebam que o anônimo leitor/ chorão/ reclamão escreveu “ninho” ) e as transferiam para outro lugar, talvez algum apiário. Até onde eu sei, elas não eram mortas, como ocorreu neste caso.

TRIVELA
Carta Maior
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Celso Lungaretti
CONVERSA AFIADA c/ Paulo Henrique Amorim
Desemprego Zero
Dicionário Jurídico – A a Z – Nota Dez
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