ENCALHE

julho 17, 2008

A Prisão do Banqueiro

 

Jasson de Oliveira Andrade

A prisão do banqueiro Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity, do mega “investidor” Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pita, foi o maior acontecimento do mês de julho. A mídia dedica o seu noticiário diário ao fato, principalmente à prisão do banqueiro. No início, só a ele. Agora o relacionando a alguns petistas, procurando confundir os leitores e ouvintes.

O jornalista Luiz Antonio Magalhães, em seu Blog Entrelinhas, no artigo “Considerações sobre o caso Dantas”, foi um dos poucos a perceber a jogada da mídia. Ele escreveu: “Está havendo uma certa confusão sobre o caso Daniel Dantas. Do jeito que os jornalões estão publicando a história, parece que o banqueiro começou a brincar de homem mau a partir do momento em que o presidente  Luiz Inácio Lula da Silva venceu a eleição de 2002. Dantas teria, desde então, agido com o objetivo de rachar o núcleo duro do governo, a fim de garantir os seus próprios e milionários negócios. Além disto, Dantas seria uma espécie de mentor oculto do mensalão, operando por trás de Marcos Valério. A verdade, infelizmente para os Civitas, Frias, Mesquitas e Marinhos, não é bem esta. Dantas se fez mesmo durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso, período em que passou de executivo de bancos para a condição de empresário notavelmente bem sucedido. Foi durante a gestão FHC que Dantas realizou o grande negócio de se tornar sócio de uma empresa de telecomunicações, após a privatização do sistema Telebrás – processo até hoje bem nebuloso, para dizer o mínimo (…) É evidente que Dantas não parou de “trabalhar” no governo Lula, ao contrário, se mostrou muito atuante na defesa de seus interesses”. Luiz Antonio Magalhães tem razão no que diz respeito ao governo FHC, como veremos a seguir.

Daniel Dantas fundou o Opportunity em 1994, quando Fernando Henrique Cardoso se elegeu presidente da República. No seu governo, graças ao Plano Real, obteve lucros fabulosos. Além do mais, em 1998, o ex-presidente pretendeu favorecer esse banco. Essa manobra foi revela pela Folha de S. Paulo, em reportagem de Fernando Rodrigues e Elvira Lobato publicada em 25/5/1999, mostrando o teor de fitas com conversas de FHC e seus auxiliares, sob o título “Segredos do Poder”, em 12 páginas. Em outra manchete, a Folha diz: “FHC tomou partido de consórcio no leilão das teles, revelam fitas”. O jornal publica, na primeira página, trecho do diálogo gravado: “Lara Resende – Se precisarmos de uma certa pressão … (para forçar a Previ [fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil] a entrar no consórcio Opportunity-Stet). FHC- Não tenha dúvida. Lara Resende – A idéia é que podemos usa-lo aí para isso. FHC – Não tenha dúvida. Lara Resende – Ta bom”. O episódio resultou na queda de Luiz Carlos Mendonça de Barros (do Ministério das Comunicações) e de André Lara Resende (do BNDES). A saída deles ocorreu em 22/11/1998. A Folha ainda publicou um resumo, com fotos, sob o título: “Conheça os envolvidos no grampo telefônico”. Sobre Daniel Dantas, revela: “Economista do grupo da PUC-RJ, controla o Opportunity, banco fundado em 94. A instituição, que estocou títulos públicos antes do lançamento do Plano Real, cresceu 144% desde sua criação, apostando na política de juros altos praticada pela equipe econômica no primeiro mandato de FHC. Também participou de leilões de privatização”. Sem comentários!

FHC participou, como se viu dessa reportagem da Folha, pessoalmente, através de telefonema, da ajuda ao Opportunity. Já o presidente Lula usou a Polícia Federal para prender Daniel Dantas. Uma diferença enorme, que a mídia esconde!

 

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e autor de “64 em São João da Boa Vista”

Julho de 2008
Postado em:17/07/2008

Portal Mogi Guaçu 

 

janeiro 5, 2008

Não é o Pará: PMs e escrivão acusados de torturar menores em SÃO PAULO, em favor de amizade com fazendeiro. ( …?!?! )

Filed under: ECA, Estado de São Paulo, Polícia Militar, tortura — Humberto @ 2:29 pm
Caso de Polícia
Advogado acusa PMs e escrivão de torturar menores
por Claudio Julio Tognolli
O advogado criminalista paulistano Cezar Rodrigues entrou com representação contra um escrivão do 73º DP e policiais militares. Ele alega que dois menores de idade foram torturados. A representação foi ajuizada na Corregedoria da Polícia Civil do Estado de São Paulo, com cópias para a Corregedoria da Polícia Militar e para o juiz-corregedor do Dipo.
Ele quer a instauração de procedimento administrativo contra os acusados. Segundo o advogado, a empresa Alba Comercial, por meio da advogada Aurora dos Santos, comprou três máquinas industriais processadoras de café no valor de US$ 150 mil cada, de um fazendeiro. O advogado diz que o fazendeiro se arrependeu do negócio e doou as máquinas para o filho. Segundo registro na Corregedoria de Polícia, ele usou a amizade com policiais civis e militares para “melar” o negócio.
De acordo com o advogado, o fazendeiro disse ter “fortes ligações com o comandante da Polícia Militar da área do DP” e também “do escrivão chefe do 73º DP”. E mais: “Ao efetuarem a remoção das máquinas, o fazendeiro, seus amigos policiais e o escrivão-chefe estancaram a operação. Mas já no DP uma das autoridades presentes entendeu que aquilo não era problema policial e sim, civil. E liberou todos, de pronto”, conforme o pedido de procedimento administrativo.
Ainda segundo o documento, as máquinas foram removidas do Distrito por dois menores de idade, acompanhados por um ajudante. Os menores, sem habilitação, foram rastreados e perseguidos por um carro da PM, que obedeceu a ordens oriundas da Delegacia, mesmo com a autoridade de plantão tendo dado o caso como encerrado, relata o advogado na representação.
De acordo com o documento, depois de parados, “os menores foram retirados do caminhão que transportava as máquinas e espancados brutalmente pelos milicianos”. Em seguida, ainda segundo o documento, foram reconduzidos ao Distrito, onde o chefe dos escrivães optou por desautorizar a ordem do delegado e resolveu reter as máquinas e deter os menores.
“Os menores espancados aguardaram no camburão da PM, incomunicáveis por horas, e não constaram do boletim de ocorrência elaborado. O ajudante Danilo, também espancado, manteve-se praticamente, com os menores, em cárcere privado”, relata o documento. O criminalista Cezar Rodrigues diz que a chefia dos escrivães, no dia seguinte, teria assinado o confisco das máquinas e as prisões “falsificando a assinatura da autoridade policial”.
Revista
Consultor Jurídico
4 de janeiro de 2008

dezembro 9, 2007

Universitários denunciam, à Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, a truculência da polícia de São Paulo nas invasões de faculdades.

Estudantes apontam autoritarismo em invasões a faculdades
Representantes do movimento estudantil reclamaram de autoritarismo nas invasões da Polícia Militar a faculdades de São Paulo, durante audiência pública realizada nesta quinta-feira pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias para debater o assunto.
A tropa de choque da PM invadiu a Faculdade de Direito do Largo do São Francisco – da Universidade de São Paulo (USP) – em 21 de agosto, e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Centro Universitário Fundação Santo André em 13 de setembro. No caso da USP, estudantes protestavam em defesa da educação pública e ocuparam o prédio da Faculdade de Direito. Já em Santo André, cerca de 300 universitários participavam de protesto contra o reajuste da mensalidade e exigiam melhorias no ensino. Houve tumulto e confronto.
Caso de polícia
Para a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lúcia Stump, é tradição tratar os movimentos populares como caso de polícia no Brasil. “A novidade é isso ocorrer em universidades públicas, que foram por muito tempo espaços resguardados de democracia, e que agora são invadidos pela polícia”, sustentou.
Já o diretor do Centro Acadêmico XI de Agosto (órgão dos estudantes de Direito da USP), Walter de Andrade, destacou que a violência contra o povo que se organiza é freqüente “em uma sociedade autoritária como a brasileira”. O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, deputado Luiz Couto (PT-PB), destacou que as invasões fazem parte de “uma onda de conservadorismo”, que promove a criminalização dos movimentos sociais. “Precisamos trabalhar em conjunto – Ministério Público, Judiciário, Legislativo, Executivo – para abolir essa tendência”, afirmou.
A audiência foi solicitada por Luiz Couto e pelos deputados Pedro Wilson (PT-GO), Pastor Manoel Ferreira (PTB-RJ), Reginaldo Lopes (PT-MG), Janete Rocha Pietá (PT-SP) e Janete Capiberibe (PSB-AP).
Democratização da mídia
Um aspecto que Luiz Couto considera importante para inverter essa situação é a democratização dos meios de comunicação. “Normalmente, os setores majoritários da mídia nacional ficam ao lado dos violadores. Daí a luta para que o governo federal convoque uma Conferência dos Direitos da Comunicação, para que tenhamos novo marco legal, que garanta o respeito à sociedade plural e aos valores democráticos”, reivindicou.
O deputado lamentou a ausência de representantes do governo de São Paulo na audiência. “Eles não gostam de debater aqui, já os convidamos outras vezes e eles não vieram. Fogem da raia”, declarou.
Exclusão
Lúcia Stump afirmou que os movimentos sociais ocuparam a Faculdade do Largo do São Francisco em agosto como forma de demonstrar que a universidade pública deve ser espaço de todos. “Os manifestantes escolheram a Faculdade de Direito da USP por saber tratar-se de uma das maiores ilhas de exclusão da sociedade brasileira, que recebe apenas os filhos da elite, e foram escorraçados pela PM a mando do diretor e com a complacência do governo do estado”, disse.
Ilegalidade
O diretor do Centro Acadêmico XI de Agosto disse que as autoridades sempre justificam as ações violentas como defesa da legalidade. “Mas o que é a legalidade neste País? No andar de cima ela é suspensa, pela ineficácia da Constituição: o Brasil é um País inconstitucional. No andar de baixo, é constantemente subvertida contra o povo. A polícia de São Paulo é a que mais tortura a população”, argumentou.
No caso da invasão da Faculdade de Direito da USP, Walter Andrade afirmou que a polícia foi convocada de ofício pelo diretor e agiu sem ordem judicial. Segundo ele, o diretor da instituição, João Gaudino Rodas, disse ter agido para defender a instituição contra elementos externos. Para Andrade, não havia nenhuma razão para a ação da PM na faculdade, pois tratava-se de uma ocupação simbólica com hora marcada para terminar, 12 horas depois. “Nenhum risco de lápis foi feito nas paredes, não houve agressão, e os professores puderam continuar suas atividades”, ressaltou.
Prêmio
O deputado Pedro Wilson anunciou que, no próximo dia 12, a Comissão de Direitos Humanos vai lançar o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, em comemoração ao Dia Internacional de Direitos Humanos. Segundo ele, a primeira edição da premiação deve ocorrer no ano que vem, e as regras ainda não foram estabelecidas.
Agência Câmara
06/12/07

outubro 21, 2007

Jaz São Paulo ( 3 ) : Advogada e defensora dos Direitos Humanos em Sapopemba presa por "colaborar com o tráfico". "Provas forjadas", diz deputado.

Publicado no jornal Folha de Vila Prudente
Edição 805
19 a 25/10/07
pág. 4 – COLUNÃO
Caso Valdênia
Por iniciativa do deputado estadual Adriano Diogo (PT), aqui da região, ontem, dia 18, foi realizado na Assembléia Legislativa um Ato de Solidariedade à advogada Valdênia Aparecida Paulino, incriminada por policiais do 19º Batalhão da Polícia Militar sob a acusação de colaboração ao tráfico de drogas. Valdênia é uma das mais importantes defensoras dos direitos humanos e vive acusando os abusos da PM. Garante o deputado Adriano Diogo que as provas foram forjadas, como parte de uma vingança da corporação.
Valdênia II
Na segunda-feira, dia 22, por iniciativa do vereador Paulo Fiorilo, do deputado estadual José Zico Prado e do deputado federal Devanir Ribeiro, todos do PT e aqui da região, haverá um ato público na Câmara Municipal em apoio à advogada Valdênia. Ela é responsável pelo afastamento e prisão de mais de 15 policiais acusados de violência e corrupção. O evento se realizará às 19h no auditório Prestes Maia da Câmara Municipal.
Em tempo: a advogada Valdênia integra o Centro de Direitos Humanos de Sapopemba e já foi premiada, internacionalmente, por combater a violência e corrupção.

agosto 21, 2007

Falta de confiança na Justiça e medo da polícia

Filed under: AMB, Justiça, Polícia Federal, Polícia Militar, violência — Humberto @ 4:08 pm
A sensação de insegurança no país é agravada pela falta de confiança nas instituições encarregadas de proteger a população contra o crime. Pesquisa telefônica do Ibope revela que apenas 33% dos entrevistados acreditam na Justiça.
Significa que dois em cada três brasileiros acima de 16 anos têm um pé atrás em relação ao Judiciário. A situação das polícias não é melhor: 26% dos entrevistados disseram temê-las.
A exceção é a Polícia Federal, que se notabilizou nos últimos anos por prender políticos e empresários em grandes operações contra a corrupção.
A PF lidera o ranking de confiança na pesquisa, com índice de 69%. As polícias militares aparecem em segundo lugar, com 50%, seguidas pelas polícias civis, com 48%. A Justiça, a quem cabe decidir o destino dos presos, fica em último lugar.
Apesar da descrença, 70% disseram preferir a polícia mais próxima, contra 26% que gostariam de vê-la mais distante. O percentual de 26% é o mesmo de quem teme a polícia. O maior receio é ser confundido com um bandido (resposta de 42% de quem tem medo), seguido pelo temor de extorsão (25%) e de apanhar (16%).
– É sinal de que a polícia não está servindo a seu propósito.
Imagine a mesma proporção de pessoas dizendo que sente medo e quer distância de médicos ou professores – diz Ignácio Cano, pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Cano observa que o receio de ser confundido com um bandido é revelador de como são tratados os criminosos. Do contrário, um inocente não teria medo de ir a uma delegacia.
Delegado da PF rejeita idéia de marketing na corporação A descrença na Justiça não surpreende o presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), Rodrigo Collaço.
Ele aponta a morosidade dos julgamentos, agravada pelo foro privilegiado – que permite que autoridades sejam processadas apenas nos tribunais superiores -, como o principal obstáculo a ser superado. Collaço acredita que parte significativa da população desconhece o papel da Justiça nas investigações policiais, na autorização de prisões temporárias e de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico.
A pesquisa revela que, no Nordeste, 77% dos entrevistados dizem confiar na PF. Nas capitais, o índice é de 73%. Para o diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, delegado Getúlio Bezerra Santos, a corporação colhe os resultados do bom trabalho que tem feito nos últimos anos. Ele rejeita a crítica de que a boa imagem da PF seria resultado de marketing: – Não tem uma única bala de prata para matar o lobisomem.
O marketing é o tamanho dos golpes e o nome dos envolvidos.
Fraudes bilionárias de sonegação fiscal ou crimes envolvendo parlamentares são manchete em qualquer lugar do mundo.

AMB/ Fenapef

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