ENCALHE

junho 12, 2009

"Para Serra, invadir USP e dissolver greve na porrada é missão da PM", diz Hora do Povo

Para Serra, invadir USP e dissolver greve na porrada é missão da PM
Desde a semana passada, a polícia militar está dentro do campus da USP dissolvendo piquetes e reprimindo a greve dos funcionários – agora com a adesão de professores e alunos. Diante do protesto e da indignação geral da sociedade contra a repressão, o governador José Serra (PSDB) justificou a ação da polícia dizendo que ela estava ali “apenas garantindo uma ação de reintegração de posse”. Não há posse nenhuma a ser reintegrada, pois nenhum prédio público foi ocupado.
HORA DO POVO, ed. 2773
12.06.09
Serra reprime greve na USP com bomba de gás e alega “reintegração de posse”
A greve dos funcionários, professores e alunos da Universidade de São Paulo (USP) já dura quase um mês e ainda não se conseguiu chegar a um entendimento sobre as reivindicações apresentadas. A USP ofereceu apenas 6,05% de reposição salarial. Os funcionários pedem 17% de aumento e os professores reivindicam 10% de reposição. Os estudantes participam do movimento protestando contra a implantação do ensino à distância na universidade.
Sem conseguir reabrir as negociações, o movimento ainda passou a se deparar, nos últimos dias, com uma violência policial poucas vezes vista na história da USP. Desde a semana passada, a polícia militar está dentro do campus dissolvendo piquetes e reprimindo os líderes do movimento.
Na tarde da última terça-feira, a Tropa de Choque da Polícia Militar, a mando do governo do estado, invadiu ostensivamente a universidade e usou bombas de efeito moral e balas de borracha contra cerca de 1500 manifestantes que protestavam pacificamente dentro das dependências do campus, em Pinheiros. Vários estudantes foram parar no Hospital Universitário da USP, localizado na cidade universitária, com ferimentos e problemas respiratórios provocados pela ação policial.
A Tropa de Choque começou a lançar bombas contra os estudantes próximo ao portão 1 da USP e perseguiram os manifestantes até próximo da reitoria para onde diversos manifestantes se dirigiam a fim de ocupar o prédio em resposta contra a repressão. Estes se depararam com a rua da reitoria tomada por policiais que lançavam bombas de gás e também gás de pimenta contra os estudantes, dispersando a manifestação e iniciando uma perseguição aos estudantes que se refugiaram no prédio da faculdade de História e Geografia. A ação da PM foi tão violenta que chegou a jogar bombas dentro do prédio dos cursos de História e Geografia deixando encurralados dezenas de estudantes sob o efeito de gás lacrimogêneo.
As cenas de violência indignaram toda a comunidade universitária e a greve se ampliou. Os professores decidiram em assembléia que só voltam a dar aulas quando a polícia deixar a universidade. Diante do protesto e da indignação geral da sociedade contra a repressão, o governador José Serra (PSDB) justificou a ação da polícia dizendo que ela estava ali “apenas garantindo uma ação de reintegração de posse”.
Serra apresenta a presença ostensiva da PM no campus da USP desde o dia 1º de junho e a ação repressiva desta terça-feira, como uma medida judicial irreversível na qual ele, como principal representante do governo do estado, não teria nenhum poder de ação, a não ser seguir as ordens da justiça que determinou que a PM garantisse a reintegração.
Segundo os líderes da greve, o governador está mentindo. Não há posse nenhuma a ser reintegrada. Nenhum prédio público foi ocupado. O que os grevistas vinham fazendo eram os piquetes comuns em todas as greves. A polícia foi acionada não para garantir reintegração de posse, mas para tentar dissolver a greve com violência, informaram os funcionários Ao invés de negociar, o que Serra passou a fazer foi tentar acabar com a greve reprimindo os trabalhadores, denunciam os organizadores do movimento.
A violência com que a PM agiu sobre os estudantes e funcionários foi, ao contrário do apresentado pelo governador, não uma ação determinada pela Justiça, mas diretamente comandada por ele que implantou na USP um verdadeiro estado de sítio. A partir de agora, o movimento agrega às reivindicações iniciais, a exigência da saída da reitora, Suely Vilela, e do governador José Serra.

fevereiro 10, 2009

Pro imprensalão golpista, uma pessoa acusada é DESDE SEMPRE culpada. Assim, um ex-secretário de governo tucano, acusado de corrupção, é CULPADO!

Ex-secretário é acusado de corrupção
Investigador diz que Lauro Malheiros Neto recebia propina para anular demissão de policiais
Jornal da Tarde, 10.02.08
O investigador Augusto Pena acusou o ex-secretário adjunto da Segurança Pública Lauro Malheiros Neto de participar de um esquema de corrupção e receber propina dentro de seu gabinete, na Rua Líbero Badaró, 39. O dinheiro serviu para anular a demissão de policiais acusados de corrupção. A suposta relação entre Malheiros Neto e o investigador, principal envolvido no escândalo dos achaques à cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), havia motivado a demissão do secretário adjunto, em maio de 2008. O advogado de Malheiros Neto, o criminalista Alberto Zacharias Toron, considerou as declarações do investigador “levianas”. “Esse Pena é um desqualificado. Esse instrumento da delação premiada deve ser usado com rigor. Caso contrário, alguém pode decidir enlamear a honra de outra pessoa apenas para obter benefício legal.” Toron afirmou que a reputação de um homem como Malheiros Neto não pode ficar na mão de um policial comprovadamente corrupto. “É um disparate, pelo que eu conheço o Lauro, pela sua família. Eu fico perplexo. É fundamental que esse homem prove o que está dizendo. O que ele disse é leviano, falso e criminoso”, afirmou Toron.
Homem de confiança do secretário Ronaldo Bretas Marzagão, o ex-adjunto assinava as decisões sobre os processos administrativos envolvendo policiais acusados de corrupção em nome do secretário. Esses processos são instaurados pela Corregedoria da Polícia Civil toda vez que um policial comete falta grave ou crime. Depois de concluídos, eles são encaminhados para o Conselho da Polícia Civil. Em um caso contado por Pena, os policiais pagaram R$ 300 mil de propina para reverter a demissão de três investigadores.
Além de Malheiros Neto, o policial denunciou o advogado Celso Augusto Hentscholer Valente, que seria amigo de Neto, por intermediar negociações com policias interessados em comprar as sentenças dos processos. O advogado Celso Augusto Hentscholer Valente afirmou: “Com certeza não procedem (as acusações). Não sei de onde ele tirou isso. É uma surpresa para mim”. Procurada para saber o que o secretário Marzagão tinha a dizer sobre o caso, a Secretaria da Segurança Pública não quis se manifestar sobre o teor do novo depoimento de Pena.

A CAPIVARA:
Policial é denunciado por desviar carga no Deic
Investigador Augusto Pena está preso desde maio, acusado de se apropriar de videogames
O investigador Augusto Pena foi denunciado pelo Ministério Público Estadual sob a acusação de ter se apropriado de uma carga de videogames que estava dentro do depósito do Departamento de Investigação sobre o Crime Organizado (Deic). Pena está preso desde maio com base em investigações do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Guarulhos sobre os achaques a lideranças do Primeiro Comando da capital (PCC). Sua detenção provocou uma crise na Segurança Pública, conforme antecipou o Estado na ocasião, levando ao pedido de demissão do então secretário-adjunto, Lauro Malheiros Neto, suspeito de ter intercedido a favor do policial apesar da suspeita de corrupção que havia contra Pena.
A denúncia contra Pena foi feita pela promotora Patrícia Cosentino Ferrer, da 4ª Promotoria de Justiça. A carga de PlayStation que Pena é acusado de se apropriar havia sido apreendida pela delegacia em que o investigador trabalhava: a 1ª Delegacia de Investigações Gerais. O sumiço da mercadoria foi investigado pela Corregedoria da Polícia Civil.
Uma testemunha disse aos corregedores que Pena havia feito uma cópia da chave do depósito do Deic, na Avenida São João, perto do Largo do Arouche, no centro. Pena teria entrado no lugar de noite e colocado o material apreendido em uma picape. Tudo teria sido levado em várias viagens para o apartamento de sua ex-mulher, Regina Lemes de Carvalho, em Moema, na zona sul de São Paulo.
Regina, que disputa a guarda do filho do casal com Pena, contou que o material foi vendido pelo investigador por R$ 100 mil. Ela entregou ao Gaeco 200 CDs com escutas telefônicas feitas pelo investigador. Foi com base nesses CDs que os promotores encontraram as provas de que o policial seqüestrara o estudante Rodrigo Olivatto, enteado de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC. O estudante ficou em cativeiro dentro da delegacia de Suzano até o resgate de R$ 300 mil fosse pago.Pena teve a prisão preventiva decretada por causa do seqüestro. Ele foi acusado ainda de achacar R$ 40 mil de um traficante para permitir a sua fuga. Como o policial não teria cumprido o trato, o traficante mandou que a delegacia de Suzano fosse atacada. A guerra que se seguiu deixou quatro bandidos e dois policiais mortos. No caso do furto da carga de PlayStation, a promotoria também deve pedir a prisão preventiva do policial.
A acusação contra Pena é de peculato, por ele ter subtraído a carga apreendida. A promotoria considerou que, no inquérito da corregedoria, havia provas suficientes não só para denunciar o investigador, mas até para condená-lo. A defesa do policial alega inocência. Pena sempre disse ser vítima de uma armação feita por policiais corruptos que ele mesmo investigou e de uma vingança de sua ex-mulher.
Estado, 03.12.08
Serra defende Malheiros, mas reconhece gravidade da denúncia
Secretário de Segurança pediu afastamento do cargo após ter seu nome acusado de envolvimento com o PCC
SÃO PAULO – O governador de São Paulo, José Serra, defendeu nesta quarta-feira, 7, o trabalho realizado pela Secretaria Estadual de Segurança Pública, citando especificamente o ex-secretário adjunto Lauro Malheiros Neto, que se afastou nessa terça do cargo. Malheiros teve seu nome vinculado a investigadores acusados de suposto achaque a integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em contrapartida, Serra considerou graves as denúncias contra os investigadores. “Pelo que eu acompanhei, e pelas evidências que aparecem nos jornais, as denúncias são graves. Mas a Corregedoria da Polícia está investigando”, disse.
Serra disse que Malheiros falou da inconveniência de permanecer no cargo tendo que cuidar também de sua defesa. “Isso tira o tempo de trabalho do secretário adjunto, em uma secretaria que tem tido um desempenho excelente e que é motivo de satisfação nossa, inclusive com relação ao que acontece no Brasil”, argumentou.
Estado, 07.05.08
Secretário-adjunto da Segurança de SP deixa o cargo após denúncias
O secretário-adjunto da Segurança Pública de São Paulo, Lauro Malheiros Neto, entregou sua carta de demissão nesta terça-feira, após denúncias sobre sua ligação com o investigador Augusto Peña, preso por suspeita de extorquir dinheiro de criminosos –entre outros crimes.Peña foi preso na semana passada sob a acusação de ter seqüestrado e exigido R$ 300 mil para não prender, em março de 2005, Rodrigo Olivatto de Morais, 28, enteado do presidiário Marco Willians Herbas Camacho, Marcola, apontado pela polícia paulista como chefe da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), conforme revelou reportagem da Folha. A ex-mulher de Peña, Regina Célia Lemes de Carvalho, afirmou que é capaz de provar que o policial é bastante ligado a Malheiros Neto, cujo escritório de advocacia de sua família atuou em duas causas cíveis para Peña –uma delas a separação do casal. Sem apresentar provas, ela disse que o investigador pagava ao secretário-adjunto para que ele o ajudasse na polícia.
da Folha Online, 06.05.08

Outras reportagens publicadas pelo Estadão, e disponíveis para a leitura da peãozada:
http://busca.estadao.com.br/JSearch/CBQM!cBQM.action?o=1&e=&sE=&s=malheiros+neto&t=

BÔNUS DA SEGURANÇA PAULISTA:
Secretários de Segurança de São Paulo [ Tiranosaulo e Marzagão ] do governo tucano de Alckmin e Serra devem explicar gastos “secretos”. Gabinete comprou aparelho de ginástica. Operações pagas em “cash” não resultaram em prisões, infiltrações ou inquéritos. E houve quem se “indignasse” com tapiocas do governo do Lula. Mas a classe-média paulistana é de uma hipocrisia sem paralelos mesmo! Sorte que o TCE e o MP estão de olho!

MP estuda ação contra secretários
Titulares da Segurança teriam de explicar gastos
O procurador-geral de Justiça, Fernando Grella Vieira, admite que pode investigar os gastos com operações policiais reservadas realizadas no primeiro semestre do ano passado pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Bretas Marzagão. O antecessor de Marzagão na pasta, Saulo Abreu, também pode ser investigado. Grella Vieira disse que está tomando providências sobre o assunto. “Preciso de mais detalhes para decidir se vamos ou não instaurar um procedimento. Tanto Saulo quanto Marzagão podem ser investigados”, afirmou.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) convocou Marzagão para explicar as despesas. Assinado pelo conselheiro Eduardo Bittencourt Carvalho, o despacho foi publicado ontem no Diário Oficial do Estado e dá 15 dias para Marzagão se apresentar. A convocação, inédita na história recente, foi motivada por reportagens publicadas em dezembro pelo Estado.
O gabinete de Marzagão gastou em dinheiro vivo mais do que foi destinado a operações policiais reservadas do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Corregedoria da Polícia Civil. Tudo isso sem efetuar prisão, infiltração no crime organizado ou instaurar inquérito. Ontem, o secretário disse que prestará os esclarecimentos ao TCE. Na convocação, ressalta-se que a chefia de gabinete da secretaria é um órgão político e não de execução, o que impediria despesas sem identificação. Em dezembro, o gabinete negou irregularidades. Entre as compras efetuadas pelo departamento constam aparelhos de ginástica.Nessa rubrica, a gestão de Abreu gastou R$ 2,2 milhões e a de Marzagão, R$ 479 mil.
Estado, 08.02.09

fevereiro 4, 2009

"Porque teve essa explosão de violência em Paraisópolis?", por Joildo Santos

Eu desconheço por completo o cotidiano das pessoas que habitam o lugar, e aquilo que escreve/ mostra o imprensalão transita [ até onde eu acompanhei ] entre a pura especulação e a versão do governo estadual. PCC? Baderneiros? Ontem, num jornal do SBT, a reportagem apareceu com uns caras que pareciam exercer o papel de porteiros de boate. A voz em off dizia que “encapuzados” blablabla. Só que aqueles caras ( foram ouvidos pelo reporter, e o que falou apresentava um sotaque nitidamente nordestino e até articulado, e não o característico jeito berrado de falar de malandros, com gírias e gestos e coisa e tal, o que dava a perceber que não fossem “bandidos” ) não usavam “capuzes”, mas ergueram a camiseta até o topo da cabeça, pelo colarinho, e ficavam segurando. Ou seja, para mim faltavam certos “traquejos”. Como se não bastasse, o “encapuzado” disse que [ prestem atenção ] “policiais ( talvez em ações de revista) pegavam a carteira das pessoas, com documentos e tal, depois jogavam no chão e quando o revistado ia pegar, não havia dinheiro.” Em resumo, as pessoas – segundo o encapuzado – seriam roubadas por policiais. Se acham difícil de crer, lembrem daquele “Rambo”.
Assim, reproduzo um texto postado no blog do Joildo Santos que pode contribuir para clarear um pouco as coisas.
Joildo Santos, 03.02.09
Não me surpreendo mais em ler nas mal traçadas letras de jornalões paulistas, de assistir em canais da TV tradicional e ouvir nas rádios, as mentes iluminadas da imprensa brasileira, que a serviço sabe-se lá de quem preferem esconder a realidade da população, transparecendo que fatos como que os que ocorreram em Paraisópolis são fatos isolados e que para resolvê-los basta a ocupação policial permanente e intensiva.
À exceção do jornalista
Mílton Jung que publicou um post sobre o que ocorreu ontem [ Nota do BFI: "Muito bom, por sinal." ] e de mais alguns poucos que conseguem não se contaminar pelo discurso preconceituoso contra nossa comunidade.
A tese de muitos é exemplificada da seguinte maneira: “Ao encontrar sua filha transando no sofá, o sujeito joga fora o sofá”, resolvendo assim um problema eminentemente de educação sexual.
Não adianta virar a cara para o outro lado e achar que bloqueando a comunidade esses problemas vão ser resolvidos, fingir que se preocupa também não adianta, o problema continua lá. O que falta é comprometimento e descer do pedestal de senhores iluminados e buscar arregaçar as mangas em prol da população.
A ameaça do Morumbi é aumentar a pressão sobre Paraisópolis. Costumamos dizer que “Não existe Morumbi bom com Paraisópolis Ruim.”
Movimento espontâneo que se descontrolou ou ação manipulada não importa, porque o que devemos nos atentar agora é a razão que leva a ocorrência de atos deste tipo.
Julguemos que sejam presos os tais responsáveis por orquestrar essa ação, o que fazer daqui para frente? Deixar para lá? Fingir que nada aconteceu? Barril de pólvora é assim quanto mais é pressionado tem cada vez mais chance de explodir. Deve-se lembrar que ali residem mais de 80.000 pessoas, cidadãos que precisam ser assistidos pela sociedade, ser inclusos para exercerem plenamente sua cidadania.
Agora a polícia ocupa Paraisópolis por tempo “indeterminado”, até prender os responsáveis [dizem os comandantes]. Espero que os direitos dos moradores, falo daqueles que saem as 5 da manhã e voltam às 18-19 horas e não estavam naquela baderna não sejam mais uma vez violados à guisa de “encontrar” os responsáveis pela ação.
Tem um detalhe que gostaria que analisassem, o estopim que está sendo relatado na imprensa, o suposto assassinato de um trabalhador [ou de um bandido, como diz a PM] teria ocorrido por volta do meio-dia do domingo, e a manifestação de ontem ocorreu bem próximo dos horários dos programas polícias da TV aberta [Brasil Urgente, SP Record e logo mais o SPTV da Rede Globo], ou seja mais de 24 horas depois do ocorrido.
Acredito que o que realmente ocorreu foi a demonstração de poder de uma facção que o Governo do Estado de São Paulo já disse não existir mais, e que a imprensa prefere encampar o discurso oficial. Ao ver um dos “seus” ser assassinado, precisavam dar uma resposta ao fato e demonstrar que “quem manda” são eles.
Neste fogo cruzado quem é a verdadeira vítima, é a população que vive nesta comunidade, com índices baixos de violência, com histórico de atuação dos movimentos sociais em rede entre outras ações.
A violência tem raiz e é ela que deve ser atacada, não os frutos, pois assim as razões dos problemas permanecem intactos.

"Porque teve essa explosão de violência em Paraisópolis?", por Joildo Santos

Eu desconheço por completo o cotidiano das pessoas que habitam o lugar, e aquilo que escreve/ mostra o imprensalão transita [ até onde eu acompanhei ] entre a pura especulação e a versão do governo estadual. PCC? Baderneiros? Ontem, num jornal do SBT, a reportagem apareceu com uns caras que pareciam exercer o papel de porteiros de boate. A voz em off dizia que “encapuzados” blablabla. Só que aqueles caras ( foram ouvidos pelo reporter, e o que falou apresentava um sotaque nitidamente nordestino e até articulado, e não o característico jeito berrado de falar de malandros, com gírias e gestos e coisa e tal, o que dava a perceber que não fossem “bandidos” ) não usavam “capuzes”, mas ergueram a camiseta até o topo da cabeça, pelo colarinho, e ficavam segurando. Ou seja, para mim faltavam certos “traquejos”. Como se não bastasse, o “encapuzado” disse que [ prestem atenção ] “policiais ( talvez em ações de revista) pegavam a carteira das pessoas, com documentos e tal, depois jogavam no chão e quando o revistado ia pegar, não havia dinheiro.” Em resumo, as pessoas – segundo o encapuzado – seriam roubadas por policiais. Se acham difícil de crer, lembrem daquele “Rambo”.
Assim, reproduzo um texto postado no blog do Joildo Santos que pode contribuir para clarear um pouco as coisas.
Joildo Santos, 03.02.09
Não me surpreendo mais em ler nas mal traçadas letras de jornalões paulistas, de assistir em canais da TV tradicional e ouvir nas rádios, as mentes iluminadas da imprensa brasileira, que a serviço sabe-se lá de quem preferem esconder a realidade da população, transparecendo que fatos como que os que ocorreram em Paraisópolis são fatos isolados e que para resolvê-los basta a ocupação policial permanente e intensiva.
À exceção do jornalista
Mílton Jung que publicou um post sobre o que ocorreu ontem [ Nota do BFI: "Muito bom, por sinal." ] e de mais alguns poucos que conseguem não se contaminar pelo discurso preconceituoso contra nossa comunidade.
A tese de muitos é exemplificada da seguinte maneira: “Ao encontrar sua filha transando no sofá, o sujeito joga fora o sofá”, resolvendo assim um problema eminentemente de educação sexual.
Não adianta virar a cara para o outro lado e achar que bloqueando a comunidade esses problemas vão ser resolvidos, fingir que se preocupa também não adianta, o problema continua lá. O que falta é comprometimento e descer do pedestal de senhores iluminados e buscar arregaçar as mangas em prol da população.
A ameaça do Morumbi é aumentar a pressão sobre Paraisópolis. Costumamos dizer que “Não existe Morumbi bom com Paraisópolis Ruim.”
Movimento espontâneo que se descontrolou ou ação manipulada não importa, porque o que devemos nos atentar agora é a razão que leva a ocorrência de atos deste tipo.
Julguemos que sejam presos os tais responsáveis por orquestrar essa ação, o que fazer daqui para frente? Deixar para lá? Fingir que nada aconteceu? Barril de pólvora é assim quanto mais é pressionado tem cada vez mais chance de explodir. Deve-se lembrar que ali residem mais de 80.000 pessoas, cidadãos que precisam ser assistidos pela sociedade, ser inclusos para exercerem plenamente sua cidadania.
Agora a polícia ocupa Paraisópolis por tempo “indeterminado”, até prender os responsáveis [dizem os comandantes]. Espero que os direitos dos moradores, falo daqueles que saem as 5 da manhã e voltam às 18-19 horas e não estavam naquela baderna não sejam mais uma vez violados à guisa de “encontrar” os responsáveis pela ação.
Tem um detalhe que gostaria que analisassem, o estopim que está sendo relatado na imprensa, o suposto assassinato de um trabalhador [ou de um bandido, como diz a PM] teria ocorrido por volta do meio-dia do domingo, e a manifestação de ontem ocorreu bem próximo dos horários dos programas polícias da TV aberta [Brasil Urgente, SP Record e logo mais o SPTV da Rede Globo], ou seja mais de 24 horas depois do ocorrido.
Acredito que o que realmente ocorreu foi a demonstração de poder de uma facção que o Governo do Estado de São Paulo já disse não existir mais, e que a imprensa prefere encampar o discurso oficial. Ao ver um dos “seus” ser assassinado, precisavam dar uma resposta ao fato e demonstrar que “quem manda” são eles.
Neste fogo cruzado quem é a verdadeira vítima, é a população que vive nesta comunidade, com índices baixos de violência, com histórico de atuação dos movimentos sociais em rede entre outras ações.
A violência tem raiz e é ela que deve ser atacada, não os frutos, pois assim as razões dos problemas permanecem intactos.

janeiro 30, 2009

Limpando o baú

Não ter computador é uma mer***da. Às vezes surge uma idéia, e aí eu acabo passando prum papel, e deixo na espera. E acabo esquecendo, ou o tempo daquilo passa e aí não faz sentido escrever. O mesmo vale para algo que eu descolo num jornal ou alguma revista. Esses eu também guardo para depois e fica por isso mesmo.
Claro, tem coisas que são atemporais, mas não é o caso das coisas que escrevo. E,também tem coisas que eu leio e penso: “Put**quepari**u! Esse filhodap#%+*& me deixou put**o! Vou escrever a respeito!!”. E faço nada.
Enfim, depois dessas chorumelas, vou registrar aqui uns rabiscos que havia bolado há dias e, se valem alguma coisa ou não fod**a-s**e!
O CULPADO DE SEMPRE –
Meio fora da mídia ( já que esta decidiu que a crise é maior no Brasil que nas demais – todas – nações do globo, e a culpa é do Lula ) os ataques de Israel à Gaza tiveram como alvo – intencional ou não – até uma escola da ONU. Israel corre o risco de ser julgado por algum tribunal internacional por “crimes de guerra“, ou “crimes contra a humanidade”. Sobre diversas acusações ( uso de armas ou substâncias horrendas, como fósforo branco, urânio sei-la-o-quê ) eu não sei, mas com relação ao bombardeio à escola da ONU supra citada, Israel pode usar a seguinte estratégia de defesa: CULPE OS PROFESSORES. Essa manobra é usada exaustivamente aqui no Estado de São Paulo, e funciona que é uma beleza…
BATTISTI –
Hoje saiu o seguinte na Folha Online: “Itália aposta no STF para extraditar Battisti“.
Seria o famoso Berlusconi outro a contar com facilidades no STF?
JOSÉ ANÍBAL E O ESTADO POLICIAL –
O preclaro foi gravado por engano, já que os detetives arapongas estavam investigando caso de traição conjugal de um terceiro, com quem parece que o Inábi, OPS, Aníbal conversou por telefone.
Curioso é que ele só foi revelar isso um mês e pouco depois de ter sido informado do suposto fato. Saiu assim na Folha, em 08.01:
Polícia aponta esquema de grampo ilegal e prende nove
Segundo investigação, quadrilha atuaria em espionagem industrial e casos de infidelidade
Deputado José Aníbal foi um dos alvos da organização, que envolveria policiais e funcionários de empresas de telefonia e de bancos
Uma operação da Polícia Civil de São Paulo desbaratou quadrilhas de dois detetives particulares que quebravam ilegalmente sigilos telefônicos, bancários e fiscais. Os dados eram usados em espionagem industrial e investigações sobre infidelidade conjugal.
Uma das vítimas dos criminosos foi o deputado federal José Aníbal (PSDB). “Isso vem confirmar que o grampo ilícito está se tornando um problema muito grande no país. Milhares de pessoas podem estar sendo vítimas desse crime”, disse ele.”
( OPA! PAROU, PAROU, PAROU!! Que porra é essa? “Neste país”? Pegou e decorou a cartilha do Gilmar Mendes? Por quê não se atém ao fato que, supostamente, envolve você diretamente? Vejam o lindão aproveitar um episódio que parece ter sido feito sob medida para a tucanalha. )
“Segundo o delegado Ruy Ferraz Fontes, do Deic (Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado), criminosos obtiveram registros de ligações feitas pelo deputado, mas nenhuma conversa foi gravada. Fontes diz não ter identificado o interessado em comprar dados sigilosos de Aníbal [ se é que há, né? ] , mas crê [ crê? ] que um dos objetivos era identificar contatos políticos do deputado. O delegado não descarta a possibilidade de outros políticos terem sido investigados ou terem pagado [ "Outros políticos terem pago"? Quem faria isso, Deus? ] para receber dados sigilosos. O Deic prendeu nove suspeitos de duas quadrilhas chefiadas pelos donos de agências de detetives Domingos Esteves Júnior, 52, e Rosimeire da Silva Scrittore, 47. As quadrilhas eram contratadas sobretudo por empresários interessados em espionagem industrial e por pessoas que desconfiavam da fidelidade dos cônjuges. O Deic também investiga a possibilidade de que os criminosos possam ter agido para obter informações sigilosas para políticos [ Repito a pergunta anterior ] . Os detetives entravam em contato com funcionários de bancos e de empresas de telefonia que integravam as quadrilhas. Em troca de pagamentos entre R$ 200 e R$ 2.000, obtinham extratos bancários, registros de chamadas telefônicas e escutas telefônicas ilegais. Os detetives vendiam as informações por preços que variavam de acordo com o interessado e com a pessoa investigada. “Centenas de pessoas tiveram seus sigilos quebrados. Já tomamos depoimento de 30 dessas vítimas”, disse Fontes.”
( OPA! PAROU, PAROU, PAROU!! E isso que eu quis dizer sobre “episódio feito sob medida”. A bem da verdade, o episódio não chega a ser o problema mas sim, a leitura que se dispõe a fazer: o espertão do Aníbal foca nos grampos oportunisticamente, mas não menciona que bancos ou funcionários deles roubavam informações ( extratos ) dos clientes, o mesmo ocorrendo com funcionários de empresas de telefonia. Mas o Aníbal é esperto, ele apenas sugere as coisas. O melhor ainda está por vir. Continuem com a leitura. )
“O esquema ilegal começou a ser investigado pelo Deic em 2004.”
( OPA! PAROU, PAROU, PAROU! Em 2004? Já havia suspeitas é, há 4 anos pelo menos? E desde quando? E o seu Aníbal fala de modo a insinuar como se tudo começasse com o “grampo” mediúnico sobre o seu Gilmar Dantas. A isso se dá o nome “jogar para a torcida”. Faz até lembrar do caso do “antrax” na Moóca, ainda em 2001, lembram? A moda era o antrax…Antrax por todo lado! )
“Na ocasião foi descoberto um grupo envolvendo cinco policiais civis. Eles falsificavam mandados de quebra de sigilo telefônico e os enviavam para empresas de telefonia.”
( OPA! Ahh, chegou o ponto crucial! Membros da Polícia Civil de São Paulo? Da São Paulo governada há um porrilhão de anos pelo PSDB? Que que isso tem a ver com “os grampos NESTE PAÍS”? Em resumo: trata-se de uma questão local, e possivelmente anterior até mesmo a Operação Chacal. Então, uma gangue de arapongas formada por membros das polícias Civil e Militar de São Paulo estariam – supõe-se – arapongando e vendendo as informações “até para políticos”? Mmm. Estas polícias estão subordinadas a quem, mesmo? Isso pode ser uma pista… )
“Sem saber do esquema, as empresas forneciam dados sigilosos e até gravavam conversas, que eram então vendidas para pessoas que contratavam os policiais. No decorrer das investigações sobre os policiais [ OPA! PAROU! Os policiais estavam sendo investigados e, A PARTIR DAÍ, foram descobertos os detetives!! Isso quer dizer que o caso poderia ser apresentado assim: "Gang de policiais paulistas arapongavam um monte de gente desde 2004. Detetives teriam se unido posteriormente ao esquema"] , o Deic identificou duas quadrilhas de detetives particulares.
“Foram pedidas prisões de 20 pessoas, mas a Justiça só concedeu dez mandados -nove foram cumpridos. Além de Esteves Júnior e Rosimeire Scrittore, foram presos os operadores de telefonia Aline Aparecida Cerqueira de Moura, 28, e Simone Sampaio dos Santos, 36; o prestador de serviços César Barbosa Costa, 31; o bancário Marcos Palace Chagas, 47; a intermediária entre os detetives e os funcionários de operadoras Elisângela Novais da Silva, 32; seu namorado, Daniel Aparecido da Silva, 30, e sua funcionária Flávia Priscila de Paula, 26. Também foi identificado um coronel da reserva da PM suspeito de intermediar aluguel de aparelho que faz escutas por R$ 2.500 por 15 dias.”
( OPA!! Um coronel da PM do Estado de São Paulo, e não um araponga da ABIN ou PF! )
“Os cinco policiais e o coronel da reserva estão em liberdade e são investigados pela Corregedoria da Polícia Civil. Segundo a polícia, não é mais possível falsificar mandados de quebra de sigilo.
Segundo Aníbal, a polícia lhe mostrou duas gravações. Numa, duas mulheres teriam pedido registros das chamadas do número da secretária do deputado em Brasília. Na outra, um homem recebeu dados sobre Aníbal. O deputado diz ter pedido ao secretário de Segurança, Ronaldo Marzagão, que descubra quem pediu o grampo.”
( Bom, não sei em que pé está a coisa, mas fica pelo registro. Vamos aguardar, né? )

outubro 25, 2008

PIG trabalhando: o que eles disseram sobre a greve da Polícia Civil de São Paulo

As três revistonas insistiram na versão oficial – ou seja, a de Serra e a delas mesmas, o que dá na mesma – que responsabiliza PT, PDT, Paulinho da Força, etc., pelas cenas de batalha entre policiais civis e militares próximo ao Palácio dos Bandeirantes. E acrescentaram um componente perverso: trataram de nacionalizar a greve dos policiais civis de São Paulo, incluíndo-a junto com a demais que ocorrem pelo País, dando ao leitor a impressão de que o governo Lula enfrenta crises Brasil afora. Mas também, que o PT – partido de Lula – estaria por trás disso tudo ( seria para prejudicar a imagem de Lula junto à população? ). Uma delas ( das matérias ) ainda fez pior: juntou greves e crise econômica mundial!! Pânico total, leitores! Tomem seu Prozac antes de continuar com a leitura do post!
ÉPOCA: “Só falta rolar na lama”
A matéria, que ocupa as páginas 40 a 42, contextualiza a greve dos policiais civis no âmbito das eleições, e começa assim: “A dez dias do segundo turno da eleição, a disputa eleitoral pela Prefeitura de São Paulo virou um jogo sujo.” ( sic ) É. A gente percebe esse “jogo sujo” cada vez que abre um jornal ou revista.
Trata-se de vincular a greve dos policiais civis a supostos interesses políticos-eleitorais; para piorar, dá um jeito de associar esse assunto com o suposto “escorregão” da campanha de Marta ( aquela em que pergunta-se “se Kassab é casado, se tem filhos”, o que teria gerado um chilique coletivo entre os jornais tucanos – ou seja, todos… ); da mesma forma como fez Serra, alude-se à participação de Paulinho ( ex-aliado de Serra e Mário Covas, diga-se de passagem ) da Força Sindical como um dos responsáveis por “insuflar” a turba, ops, os policiais civis, induzindo-os a tentar tomar o Palácio dos Bandeirantes ( “… confronto entre os policiais em greve e os PMs encarregados de PROTEGER a sede do governo de São Paulo …”, vixii, se dão esse tratamento a policiais, imagine o que não fariam com sem-teto? ). O autor da tentativa, frustrada pela PM, de promover um “Putsch“, lembra a zelosa revista, é aliado da candidata Marta Suplicy. Acusar – assim como a versão oficial, a de José Serra – Paulinho de “incitar os policiais a subir ao Palácio dos Bandeirantes”, equivale a dizer que a Época justifica a agressão dos policiais civis pela PM ( por ordem de Serra, segundo denuncia o Hora do Povo ). Lembra, também, que esse aliado de Marta Suplicy enfrenta, como deputado federal, um processo pelo Conselho de Ética da Câmara, sob a acusação de ter recebido propinas na liberação de financiamentos para prefeituras pelo BNDES. Um dos prefeitos acusados de pagar essa tal propina é Alberto Mourão, de Praia Grande ( SP ), do mesmo partido de José Serra, o PSDB. Mourão ( conforme notícia divulgada pela Agência Brasil, em 14 de Outubro ) disse, em depoimento ao Conselho de Ética, que contraiu o empréstimo antes de Paulinho ter se tornado deputado federal e que, mesmo deputado, Paulinho jamais contatou-o para tratar de empréstimos. Coisas que a Época não fez questão de mencionar, senão não daria para produzir a farsa, ops, matéria que apresenta a seus leitores.
Prossegue a revista, ainda transcrevendo a pauta chapa-azul-amarela de Serra, que a greve dos policiais civis, tendo recebido aporte material e moral de Paulinho ( pode ser até verificado num vídeo no You Tube ) , durava já um mês, mas “curiosamente” – segundo Época – “só tenha chegado ao auge às vésperas da eleição”, e não só isso, “quatro dias após a campanha de Marta ter veiculado aquela peça “maliciosa” – assim está na revista – sobre Kassab”. Por quê a revista não deu um jeito de comprometer também a campanha martista com a paralisação de poucos dias dos defensores públicos estaduais ocorrida a partir da segunda quinzena de Outubro é um mistério. Talvez porque, se fizesse isso, acabaria revelando mais focos de insatisfação com o governo estadual – apontado, apenas, como “supostamente” intransigente nas negociações – e não só a Polícia Civil. E fazer isso, às vésperas de eleição…
Época, claro, embarcou naquela de “Marta baixou o nível”, tema que já foi devidamente explorado pelo PIG e não terá maiores comentários aqui.

ISTOÉ:
ÍNDICE: “BRASIL: Confronto entre polícias em São Paulo chama a atenção para a onda de greves que se espalha PELO PAÍS” (sic!)
PÁGINA 92: “COMPORTAMENTO ( sic!!! ): GREVES DE ALTO-RISCO – Conflito entre PM de São Paulo e policiais civis chama a atenção para a onda de paralisações que se espalha pelo País ( sic ) no momento da crise econômica” ( siiiic!! )
IstoÉ, mais sofisticada que a rival ( “rival”? ) da Editora Globo arrastou, na matéria assinada pela jornalista Camila Pati ( não é “Paty”, hein… ), uma greve estadual ( São Paulo ) para o âmbito nacional e eliminou suas particularidades como o fato de ocorrer no Estado mais rico do Brasil, e que é governado há 14 anos pelo PSDB, de Alckmin e Serra; bem, o sucateamento dos serviços públicos em São Paulo, também alvo das denuncias dos grevistas, obedece a uma agenda partidária posta em prática pelo PSDB ( repito: nos últimos 14 anos ), e isso reflete também na questão da Segurança Pública. Mas a sofisticação da IstoÉ é revelada aqui: os irresponsáveis policiais civis fazem greves, juntamente com outros trabalhadores, espalhando-se perigosamente pelo país, bem na hora em que há uma fabulosa e difícil de mensurar crise econômica mundial em andamento. Como são mesquinhos esses grevistas, hein? Por outro lado, não seria passível de interrogarmo-nos se a crise econômica, o bug econômico do milênio, possa ter sido provocada justamente para dificultar e, assim – nesse clima de pânico todo -, injustificar as greves no Estado de São Paulo, ops, no País?
vEJA: “BRASIL: VALE-TUDO ELEITORAL ( sic ) – As campanhas de Marta Suplicy, em São Paulo, e de Eduardo Paes, no Rio de Janeiro, lançam mão de golpes baixos contra seus adversários, Kassab e Gabeira”
Da vEJA, é só o que se pode esperar: a sutileza de um Chicão ( R.I.P.). Aqui cabe uma pequena explicação de minha parte: eu li esta droga durante a semana, e não achei menção à batalha entre policiais. Não acreditando que nem a vEJA, por pior que seja, tivesse sido capaz de ignorar o fato, ainda assim, passei essa informação a algumas pessoas. Ontem, dei mais uma olhada e achei. Preferia que:
- não tivesse achado e,
- que a revista tivesse ignorado o assunto;
Em minha defesa, quero que entendam meu estado de espírito, no momento em que pego essa porcaria para folhear:
Sabe quando você descobre uma ratazana morta em sua casa, e num local de acesso difícil? Você pega uma pazinha de plástico e, com todo o cuidado ( apesar do bicho estar morto mesmo ) recolhe o cadáver? Aí, com mais cuidado ainda e toda a repulsa decorrente, transporta – ANDA LOGO!! – o bicho para a lixeira, evitando a todo custo que a mínima molécula pegajosa daquilo tenha contato com sua mão, apesar de saber que há o cabo da pá garantindo a distância entre você e o ratão?
Pois bem, não há nenhum cabo te protegendo do contato quando você segura um exemplar da vEJA. UGHHH!
Para constar: a revista segue o padrão das reportagens descritas acima.
E, agora, vou descartar o ratão. UGHHH!

outubro 21, 2008

A COVARDIA DE SERRA, por Adriano Diogo / "Lindemberg não é do PT"

Adriano Diogo, 21.10.08
BLOG DO ADRIANO DIOGO
Dirijo-me aos vazadores de frases fora de contexto para publicação na imprensa de forma indevida: vou fazer um pronunciamento forte. Podem anotar as frases de forma isolada.
José Serra, V. Exa. casou-se com Mónica Allende, embora não reconheça as relações de parentesco com Salvador Allende, talvez para não queimá-lo, não sujar seu currículo nas relações com a direita.
O que V. Exa. pensa? Que é o Presidente Salvador Allende no Palácio de La Moneda cercado pelas tropas legalistas mandando atirar na população à esmo, ditador José Serra? O que V. Exa. está pensando! Fazer aquela loucura na frente do Palácio e ainda instrumentalizar as emissoras de rádio e televisão para dizer que estavam se repetindo os episódios de Volta Redonda que levaram a oposição a ganhar as eleições nas prefeituras, inclusive Luíza Erundina aqui em São Paulo? Até onde vai a sua loucura, José Serra? Um mês de greve e V. Exa. joga irmãos contra irmãos armados?! Vossa Excelência podia ter feito isso em qualquer sala do Palácio. Despreparado!
Poderia ter ocorrido uma tragédia e V. Exa. já tinha um discurso pronto: a culpa é do PT, a culpa é da CUT, a culpa é dos inimigos. O Paulinho da Força só servia quando ele estava com Vossa Excelência. Entrou em crise, foi criminalizado e desmoralizado; virou bandido. Esse é V. Exa., José Serra, maquiavélico! Pôr a tropa para receber seus irmãos do outro lado? O que é isso? Vossa Excelência pensa que os policiais militares estão contentes com sua atuação desde que V. Exa. destruiu a Carteira de Aposentadoria e todos os seus direitos?
José Serra, V. Exa. não é querido por ninguém. Vossa Excelência é temido. As pessoas temem o seu poder. Vossa Excelência jamais será Presidente da República do Brasil. Jamais! Imaginou se V. Exa. tratasse a Polícia Federal e as Forças Armadas com esse despreparo, com esse desatino, com esse ódio que V. Exa. tem pelas pessoas, pelas instituições?
Vossa Excelência tem uma belíssima cobertura de mídia, da TV Globo e das outras emissoras. As emissoras mostravam e diziam: “o Palácio cercado? Será que vão derrubar as grades do Palácio?”
Quem derrubou as grades do Palácio? Chame Gilberto Natalino na sua sala e pergunte a ele quem derrubou as grades do Palácio. Sr. José Serra! Sr. José Serra, pôr a culpa no PT porque o nosso líder da bancada, em seu papel institucional, estava lá como líder? Que absurdo! Vossa Excelência é uma pessoa de esquerda, sabe o que é movimento social, sabe o que é organização social, sabe da estrutura da nossa Polícia. Até os jovens defensores públicos V. Exa. os acusou de serem manipulados pelo PT.
Vossa Excelência não tem respeito por ninguém, nem pelas suas raízes. Sr. José Serra, V. Exa. sabe que nosso partido não teve participação. Não queira ferir a livre organização do povo, de seus segmentos, usando seu pragmatismo. Como disse o Deputado José Zico Prado, ao citar suas palavras, “são os comunistas, são os subversivos, são os terroristas, são os petistas, é a campanha da Marta.”
Arrume outro bode, José Serra. Arrume outro bode, José Serra, para pôr na sala. Arrume outro pretexto. Explique o que aconteceu em Santo André. Explique, José Serra. Não ataque. Todo o mundo sabe que o PT não tem vínculo com a Polícia. Tinha até bem pouco tempo uma relação de antagonismo. Reconhecemos a liberdade, a beleza e a organização do movimento. Não temos nenhuma influência, José Serra. E o pior: V. Exa. sabe disso. Vossa Excelência é o que mais sabe. Vossa Excelência tem serviço reservado de informações.
Vossa Excelência sabe de tudo, José Serra. Vossa Excelência manipula. Pode ser que este meu pronunciamento me custe caro, mas não poderia deixar de dizer que Vossa Excelência se vitimizou da forma mais cruel, da forma mais covarde, José Serra.
BÔNUS:
- Perguntas sem respostas
- Deputado vai a Brasília pedir intervenção do governo no Estado
21.10.08

Eu, Prefeito

Caso eu, hipotéticamente, tivesse o cargo almejado pelos dois atuais postulantes, eu proporia isso, por uma São Paulo quase utópica:
- ÔNIBUS GRATUITO PARA TODOS: Sim, já houve alguém – acho que foi a Erundina, em 2004 – que lançou essa idéia. Eu mesmo, à época, não levei a sério. Hoje, mais velho e maduro ( rsrsrs ), com toda a sabedoria que o mundo me deu nessses últimos anos, acho viável adotar essa revolução.
Na ponta do lápis, muito dinheiro na caixinha
Haverá custos, claro. Mas que serão satisfatoriamente cobertos com um saudável e óbvio aumento e/ ou remanejamento de determinados tributos municipais. Porém, fazendo pequena pesquisa, eu que sou leigo pacas, descobri que parcelas de impostos estaduais, como o IPVA, são repassados aos municípios. Bom saber disso. Essas receitas devem ser compreendidas minuciosamente, tanto pelo gestor ( AAii!! ) municipal quanto pela própria população.
Os cofres públicos terão um belo retorno financeiro, já que a população, com mais grana em seu surrado bolso, comprará mais e, principalmente, ítens sobre os quais incidem cascatas e cascatas de taxas das quais o pobre [ sem a "engenharia contábil" que salva a pele de muitos poraí ] não escapa. Essa bola de neve fiscal garantirá recursos para implementar nososo busão grátis.
O famigerado “Mercado de Trabalho”
Além disso, pensem em termos de “empregabilidade” ( AAii!! ): o patrão poderá, finalmente, deixar de procrastinar e contratar aqueles funcionários de que tanto necessita, sem precisar desembolsar o Vale-Transporte. Mais dinheiro no caixa do patrão. Por sua vez, o candidato a um emprego não será preterido devido às dificuldades que o Vale-Transporte traria aos patrões, e descolará um trabalho muito mais rápido, mesmo morando nos Confins do Judas. Morar longe e não ter dinheiro para se deslocar não será mais empecilho.
Inclusão social e cordão umbilical cortado
Imagine você, aí longe, onde você mora. A escola é uma merda. Biblioteca depredada, inclusive pelos próprios moradores. Só tem campão de terra para tirar um lazer, mas a birita, as brigas e tretas, até mesmo o tráfico, não te dão vontade de circular por seu próprio bairro. Mas a falta de grana nem mesmo para comer uns pães de queijo 12 x R$ 1,00 te diz: “Você vai ficar aqui, queira ou não.” Que desespero, querer botar a cabeça para fora do insuportável cotidiano paupérrimo e sem perspectivas, e não poder sair. Tipo um gigantesco campo de concentração perverso, confinado e perdido nas distâncias da Metrópole.
E se você pudesse ir para longe? Não muito longe: tipo o “Parque do Povo” ou o “Centro Cultural São Paulo”, ou algum SESC da vida? Ou naqueles lugares lindíssimos perto dos Jardins, olhar as vitrines da Oscar Freire?
Levar seus filhos para conhecer através do muro. Sair daí nem que seja pelo alívio de estar longe. Espairecer de verdade. Longe do cenário deprimente ( e muito pior que ) descrito acima. Quantos Domingos você poderia ter passado longe daí, se tivesse um mínimo de dinheiro?
Com 10 contos, dá para comer um pastel na feira do Pacaembú, catar o busão grátis ( de acordo com nosso projeto ) até o Ibirapuera e, no fim do dia, voltar para casa, sem gastar grana de condução. Parece sonho, né? Ainda é. Mas alguém, um dia, pensará nisso, não só na questão empresarial e financeira.
Cara de palhaço, pinta de palhaço
Digamos, caro cidadão, você seja um desses felizardos que conseguem pagar a condução, ali, diariamente, na justa.
Aí você cata o busão, demora para descolar um lugar para sentar, som ilegal rolando dentro do veículo e coisa e tal. Para ajudar a compor com maior fidelidade este quadro Guantanamero, o busão pára num ponto, e de fora você ouve:
- Aê motô… dá por favor, na umildade ( sem “h”, errado até para falar ), dá prá dar uma carona aê?
“Sobe lá atrás”, responde o motô.
Sobem uns 3 moleques, que alugam logo o fundão do busão, mexendo com as pessoas na rua, cuspindo nos transeúntes, aquela merda. E eles logo desolam lugar para sentar, ao contrário de você. Um deles tira da bermuda modelo “cagada” um…celular. E começa a ouvir um som alto.
Você se sente um idiota por obedecer certas regras de convívio social impostas em priscas eras e, de quebra, um perfeito idiota paulistano, por pagar condução, enquanto lixos viajam gratuitamente? Pois bem, com nosso projeto de busão grátis, não podemos garantir paz dentro dos transportes, mas a sensação de inutilidade que lhe assenhora diante dessas situações vai acabar. Melhor, esses babacas não poderão se achar os mais malandrões por andarem de graça enquanto nós, os “otários” pagamos por eles. A auto-estima deles vai cair bastante. Talvez deixem de pegar ônibus, depois desse golpe.
- RECUPERAÇÃO DA “INDÚSTRIA DA MULTA”. AGORA A AUTORIDADE VAI MANDAR: Desde 2007, a PM manda para as ruas de São Paulo, um contingente de policiais que ajuda a heróica CET. Isso meio que desagradou o cidadão de bem, que não pôde [ quer dizer, não que não continue fazendo ] mais fazer as cavalices de costume. Além disso, uns desses cidadãos de bem argumentam, do alto de todo o seu saber a respeito do aparelho repressivo – prerrogativa do Estado -, que a PM não poderia estar tratando de ficar multando a gente boa paulistana. E que seu papel é “pegar bandido” [ excluíndo-se, lógico, o do trânsito ]. Por sua vez, vários policiais se sentiram rebaixados ao papel de “guardinha de trânsito”. Bom, todo esse esforço não parece ter surtido um efeito considerável. Do jeito que devia ter sido, claro.
Nossa proposta é simples: vamos fazer o “guardinha de trânsito” atingir o status de “Tropa de Elite”. Os PMs serão – muito agradecido! – devolvidos à sua condição anterior, e a Prefeitura fechará um convênio em que a ROTA assumirá o papel desses PMs. Conosco na Prefeitura, a ROTA vai pra rua. Multar sim. Guinchar, talvez. Engolir sapo de “cidadão de bem” mau-caráter e mau motorista, JAMAIS. Olha o dinheiro entrando no caixa da Prefeitura, permitindo que nós implantemos o busão gratuito. Talvez possamos encarregar-lhes, até mesmo, da tarefa de fazer cumprir a lei que proíbe o uso de aparelhos sonoros dentro dos ônibus. Nextel inclusive.

Aí foram algumas das propostas formuladas por nossa equipe de governo. Novas idéias para transtornos simples de resolver. Contamos com seu voto, num futuro ainda incerto.

outubro 20, 2008

O imprensalão ( vilgo PIG ) usa a tragédia de Santo André para esconder a crise na Segurança Pública paulista de Serra e a greve da Defensoria Pública

Não tem denúncia bombástica aqui, são simples observações e anotações, enumeradas e sem ordem cronológica. Mas acompanhem, por favor:
1 – Marcha de defensores públicos pela valorização profissional acontece em São Paulo ( 01/09 ); em 16/09, a Polícia Civil de São Paulo entra, oficialmente, em greve. População não notará muito, já que pouco sairá nos jornais, além de opiniões governistas, a minimizar a paralisação;
2 – Policiais civis ( 1500 ou 3000 pessoas, dependendo a fonte ) fazem manifestação na Avenida Paulista ( 10/10 ) e marcam novo encontro para a 5ª. feira;Defensores Públicos de São Paulo decidem por PARALISAÇÃO de cinco dias;
2a – Em NOTA OFICIAL, a APADEP responde à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania. Associação esclarece “informações imprecisas” divulgadas pela Secretaria, que disse ser a greve dos defensores “política e ideológica” ( batata!!); em 13/10, a APADEP emitiria mais uma resposta à Secretaria;
3 – Começa o sequestro em Santo André ( 13/10 );
4 – Continua o sequestro ( 14/10 );
5a – O sequestro em Santo André continua;
5b – Policiais civis grevistas dirigem-se à sede do governo estadual, polícia militar tenta bloquear, e inicia-se a batalha campal, que resulta em dezenas de feridos; noticiário mostra imagens do que parecem ser policiais civis armados em meio aos manifestantes – e, como supostos participantes, foram apresentados à população; as imagens de todo o confronto REPERCUTEM MUNDIALMENTE.
6 – José Serra FINALMENTE aparece em cena, e imputa a bagunça toda ao PT, à CUT, à Força Sindical e a Paulinho da Força ( de quem, inclusive, Serra recebeu apoio para sagrar-se prefeito, nas eleições municipais de 2004 ); e diz que armas – instrumento de trabalho das polícias, cedido pelo Estado – não podem ser usadas contra o Estado; falou-se, inclusive, que veículos oficiais da Polícia Civil foram utilizados pelos participantes da marcha; sequestro em Santo André prossegue e imprensa sensacionalista faz a festa;
7 – No sábado, 18/10, é publicado que boa parte dos policiais ( ARMADOS ) do GOE destacados – escalados pelo governo – para acompanhar e monitorar a manifestação dos grevistas da polícia civil, aliou-se a estes na manifestação; a participação de policiais do grupo no quebra-quebra foi negada pelo supervisor do GOE, Luiz Antonio Pinheiro ( jornal AGORA, 18/10 );
8 – Suposta ação desastrosa da PM no seqüestro em Santo André; reféns são baleadas, uma delas Eloá, o alvo do sequestrador, entra em coma e tem morte cerebral anunciada pelos médicos; imagem do Coronel da Polícia de Choque passa a monopolizar o noticiário, sendo chamado “às falas” para explicar o porquê do fracasso da operação. Greve da polícia civil e dos defensores públicos some miraculosamente do noticiário.
MORAL DA HISTÓRIA: A PM passa a ser um chamariz ideal, já que consegiu participar de dois episódios espetaculares – e, “polêmicos” – em menos de uma semana, sendo que o caso do sequestro recebe muito mais atenção e, por extensão, se torna o assunto principal entre a população. Morte da namorada, um novelão formidável e anestesiante, anula o assunto “greve da polícia civil”, que já dura mais de um mês. A PM, retratada como despreparada, tanto para conter grevistas como para solucionar um caso de sequestro, passa a ter seus métodos e ações questionados. Fato chocante e isolado passa a subordinar o restante do noticiário, ofuscando aquilo que, noutras ocasiões, seria apontado como uma das maiores preocupações da população ( “a Segurança” ). Esta, por sua vez, reclama da chuva, da greve dos bancários e comenta a morte da menina, o suposto homossexualismo de um prefeito, mas estranhamente não se lembra de que costuma – e muito – se lamentar pela “falta de segurança”.

outubro 18, 2008

Parlamentares chegaram ao Palácio dos Bandeirantes antes de manifestantes para tentar interceder pela volta das negociações

Major Olímpio ( PV-SP )

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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