Justiça rejeita denúncia sobre morte do Toninho do PT
13/09/2007
O presidente do Tribunal de Júri de Campinas, interior de São Paulo, José Henrique Torres, decidiu nesta quinta-feira (13) não aceitar a denúncia do Ministério Público que apontava a quadrilha do seqüestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, como responsável pelo assassinato do prefeito Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, há seis anos. Para o juiz, o processo não apresenta provas cabais.
A Promotoria de Justiça do Estado em Campinas vai recorrer amanhã da decisão, ao Tribunal de Justiça de São Paulo. “Essa decisão é um manifesto à impunidade, é antidemocrática porque subtrai do júri popular, do povo de Campinas, a possibilidade de olhar para este caso. E é ilegal porque exigiu que acrescentássemos provas cabais, enquanto o Código Penal fala de indício de autoria”, afirmou o promotor Fernando Vianna. “É uma decisão conservadora, anacrônica, que desconstrói as provas que produzimos. Estou indignado”, acrescentou.
Com a impronúncia da Justiça, a polícia deve retomar as investigações do caso. Hoje, a viúva de Toninho, a psicóloga Roseana Garcia, comemorou a decisão do juiz. “Ele (Torres) foi corajoso. E a gente fez um apelo ao Ministério Público para não recorrer, mas eles vão entrar com recurso, é lamentável. O Andinho está preso e os outros três homens, mortos. O resultado das investigações do Ministério Público é uma obra de ficção.” Torres não foi encontrado hoje para comentar sua decisão.
O Ministério Público em Campinas enviou à Vara do Júri em novembro de 2006 as alegações finais do processo que investigava a morte de Toninho do PT e pediu que Andinho fosse levado a júri popular. O suspeito está no presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes, a 589 quilômetros de São Paulo.
A Promotoria aponta Andinho como co-autor do crime. A autoria seria, segundo os promotores, de Anderson José Bastos, conhecido como Anso, suposto autor dos três disparos contra o carro do prefeito, morto na saída de um shopping da cidade por volta das 22h15 de 10 de setembro de 2001. Anso morreu em outubro de 2001, um mês após o assassinato do prefeito, em confronto com policiais. A Promotoria disse não ter elementos para associar as duas ocorrências.
A Polícia Civil de São Paulo classificou o crime como “comum” e atribuiu à quadrilha de Andinho a morte do prefeito. Para a corporação, o carro do prefeito teria atrapalhado uma fuga de Andinho, Anso, Valmir Conti (Valmirzinho) e Valdecir de Souza Moura (Fiínho). Assim como Anso, Valmirzinho morreu durante troca de tiros com a polícia em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, em outubro de 2001. Fiínho também foi morto em confronto com policiais, em fevereiro de 2002. (AE)

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