Reproduzo – ao final – a notícia. Antes, acrescento mais algumas informações, com a intenção de refrescar a memória de quem, na falta de outros motivos menos infantis, não votou em Marta por esta ser, supostamente, “arrogante”.
Antes de tudo, a traição e a soberba. Grifos meus.:
TALES FARIA, 08.07.08
No dia 21, o PSDB colocou no ar o seu programa na TV e no rádio do horário partidário gratuito. Centrou-se na crítica ao governo Lula e na defesa enfática das privatizações da administração Fernando Henrique Cardoso, vangloriando-se por ter criado uma “gestão moderna e responsável”, com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O ator Jackson Antunes, estrela do programa, empolgou-se: “A inflação acabou quando Fernando Henrique e o PSDB criaram o Plano Real”. Pano rápido! O ex-presidente Itamar Franco – em cujo governo foi criado o Plano Real, tendo FHC como ministro da Fazenda – não assistiu ao programa de imediato. Foi avisado por amigos e acabou vendo uma reprodução. Itamar – cujas animosidades com o PSDB o governador tucano de Minas Gerais, Aécio Neves, vinha driblando – perdeu a paciência: – Mandei um telegrama para o presidente nacional do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE). Normalmente eu deixo passar. Mas desta vez eu fiquei muito chateado. Eles não podem sair por aí dizendo que o PSDB lançou o Plano Real, quando a verdade é que ele foi criado no meu governo!
– E o que o senhor disse no telegrama?
– Disse: ‘Só os de má fé distorcem a história. Lamento a inverdade sobre o Plano Real lançada no programa do PSDB. Assinado, ex-presidente Itamar Franco’. Em geral assino apenas Itamar Franco, mas desta vez coloquei o ‘ex-presidente’ para refrescar um pouco a memória deles.
– Fora isso, o que o senhor achou do programa do PSDB?
– Muito ruim. Muito medíocre. Na verdade, eles não têm o que falar da época em que dirigiram o país. Veja o que fizeram com as privatizações. Eu até brinquei com o meu amigo, o governador Aécio Neves. Disse-lhe: ‘Desse jeito vocês não chegam a lugar nenhum’.
– E o senhor? Para onde vai? Vai mesmo filiar-se ao PPS?
– Tudo isso é muito incipiente. Nada está definido. De fato, o PPS tem me procurado e devemos ter uma conversa na quarta-feira. Mas sem definições por enquanto. Não ando com muito apetite…
Com apetite ou sem apetite, o ex-presidente Itamar Franco não é peça que se deixe solta no xadrez da política. Tem eleitorado cativo em Minas – um dos maiores Estados da Federação – e no resto do país.
O trecho a seguir foi copiado de um extenso artigo de Sérgio Augusto ( “Os gringos que o Lula arrumou” ) , publicado no Pasquim21, em 13.08.2002 ( infelizmente agora não vou poder reproduzir outros trechos deste artigo, que trazem os números da gestão FH na economia, mas fica para a próxima ):
“(…) E agora, a palavra serena de Márcio Moreira Alves: ‘Talvez, no futuro, tenhamos saudades de muitos aspectos do governo FH. Mas, no presente, o caos que sua política econômica criou, gerando as menores taxas de crescimento dos últimos cem anos e criando uma vulnerabilidade externa gigantesca para o país, fala mais alto. Os eleitores querem acertar uma pedrada na arrogância tucana e na empáfia presidencial (…)”.
Empáfia é uma palavra que se aplica à pefeição aos tucanos. Caso você, leitor de classe-média paulistana, não saiba ( e não deve saber mesmo, afinal, classe-média só se insere pelo consumo ) quem é Márcio Moreira Alves, saiba apenas que…Vai procurar saber, oras!
Genoino chama FHC de arrogante e rebate críticas ao governo Lula
O deputado federal José Genoino (PT-SP) rebateu nesta quarta-feira (29) as críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso às medidas do governo Lula para enfrentamento da crise financeira internacional, bem como suas declarações a respeito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista a uma revista semanal.
Para Genoino, FHC quis mostrar uma “roupa limpa” do governo dele, “lavada e enxaguada agora, na crista da onda da atual crise financeira e, por outro lado, novamente traça um auto-retrato de bom-mocinho, de administrador exemplar (que não foi) e de dono da verdade. Coisa típica de político vaidoso e arrogante”.
Chamou a atenção sobretudo a observação do ex-presidente tucano de que “Lula tenta enganar, mas a crise está aí”. Para Genoino, desta maneira “FHC está embarcando, com novo vocabulário, na canoa dos críticos mais descorteses dos últimos dias, quando se lê, em colunistas que conhecem bem seu próprio público (e)leitor. Agora, passaram a xingar o presidente Lula”.
Trabalhadores
Segundo Genoino, “nessas horas de vitórias menores em certas eleições municipais”, mais uma vez “as oposições tentam se unir e desgastar o discurso oficial, pretendendo desestabilizar o Presidente Lula”. E completou: “Não será FHC, do alto de seu retrato na galeria de ex-presidentes da República, que vai desestabilizar Lula. O governo toma medidas para garantir o valor do real, a política de crescimento, sem sacrificar os trabalhadores e o povo mais pobre com os efeitos da crise internacional. “
“Lula demonstra ter todo o domínio da situação e atua exatamente como um estadista. E o faz desde o início de seu governo.”,disse..
O parlamentar observou que a crise financeira internacional em curso “desmorona as bases do modelo neoliberal”, a marca principal do governo FHC, que defendeu a desregulamentação do mercado, o enfraquecimento do papel do Estado, as privatizações e uma inserção subalterna na globalização, entre outras ações contrárias ao interesse nacional.
Ao comparar as medidas que o governo Lula com as adotadas por FHC em momentos de turbulência internacional -com as crises do México (1994),Ásia (1997) e Rússia (1998) — Genoino assinalou que o presidente Lula tem agido com “muita paciência, determinação e vontade para enfrentar a turbulência criada pelos mesmos agentes e pelos valores que orientaram a hegemonia neoliberal no mundo e no Brasil durante mais de uma década”.
Guerra
A corrente crise, ponderou Genoino, tem uma extensão infinitamente maior que as três crises localizadas da década de 90, quando o Brasil foi a nocaute. Pela entrevista , FHC dá a entender que venceu a guerra contra as três crises , mas o que se viu foram problemas e problemas, observou Genoino. Ele frisou que as crises por que passou o governo FHC, além menor extensão que a atual, não foram facilmente digeridas e debeladas pelo governo do PSDB e do ex-PFL (atual Dem).
Segundo recordou o petista, no primeiro mandato de FHC o Brasil não teve desenvolvimento econômico, convivendo com estagnação, agravada por uma taxa de câmbio artificialmente fixada, mas já crescentemente desvalorizada no plano da economia real. O que significou, por exemplo em 1997, um déficit da balança comercial da ordem de US$8,4 bilhões e, em 1988, de US$ 6,5 bilhões. A taxa de crescimento das exportações, no período de 1995 a 1998 foi de minguados 4,2%, enquanto, de 1991 a 1994 a taxa média anual de nossas exportações atingiu 11,3%. A moeda (artificialmente) forte prejudicou a indústria e gerou forte desemprego.
“ O final dessa história todo o mundo sabe: elevada taxa de desemprego; crescente valorização do dólar norte-americano frente ao Real, atingindo um valor de mais de R$4,00 essa relação desfavorável a nós, no final de 2002; performance ridícula de nossas exportações durante todo o período FHC; reservas cambiais que somaram, ao cabo dos oito anos FHC, US$ 17 bilhões; esgotamento do patrimônio público nacional por meio de um processo de privatização danoso aos interesses brasileiros.”, disse Genoino.
Crise Pronta
Genoino criticou FHC por atribuir ao presidente Lula o motivo da crise do País em 2002. “ Lula recebeu uma crise pronta e acabada do governo FHC, como toda a nossa política de controle inflacionário em deterioração, sem divisas, sem perspectivas para setores que, no atual governo, se agigantaram no processo de desenvolvimento”, disse o deputado. Ele citou o crescimento da indústria nacional, parte voltada para um mercado interno renascido, parte deslanchada para as exportações, como também o caso do agronegócio, da indústria de construção civil, do retorno da indústria da construção naval, da expansão de nossa fronteira pretrolífera etc.
Genoino também rebateU a empáfia de FHC, que disse à revista que não daria conselhos a Lula, para ele um presidente “inaconselhável”. Para Genoino, pelo contrário, Lula é “ um político aberto às idéias e sensível ao bom senso de experiência alheia”. A diferença é que, o atual presidente não se julga onisciente, mas sabe que tem o feeling suficientemente agudo para agir na hora certa, sem perda de objetividade.
Para Genoino, FHC mostrou “desorientação opinativa, não está dizendo coisa com coisa”, pois se mostrou confuso ao fazer observações sobre o governo Lula e ao próprio presidente da República.
Proer
Genoino também retrucou a informação de FHC de que o governo Lula já injetou no sistema financeiro, em razão da crise atual, muitos mais recursos do que os do Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional), durante o governo tucano. “ Ora, o que se deve perguntar a FHC é sobre qual a natureza dos recursos utilizados no Proer? A resposta é, certamente, do Tesouro Nacional, portanto recursos orçamentários”, disse Genoino, ao explicar que o governo Lula nãoestá injetando recursos públicos no sistema bancário.
Agência Informes
FHC, cujo triste e desesperador mandato é, a cada dia, candidato a ser soterrado mais e mais na lata de lixo da História, tem às vezes a coceirinha que o impele a tentar sair do ostracismo e, à falta de luz própria, tem sempre que buscar os holofotes alheios.