04.12.08
da Efe, em Istambul
Leyla Zana, a primeira deputada curda da Turquia, foi condenada nesta quinta-feira por um tribunal da Província turca de Diyarbakir a dez anos de prisão pelo crime de integrar grupo terrorista. Zana, que ficou presa de 1993 a 2004 por ligação com o clandestino Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), já recorre de uma sentença, dada em abril passado, que a condenou a dois anos de prisão por fazer propaganda de grupo terrorista.
No processo julgado nesta quinta-feira, Zana era acusada, com base em declarações, de auxiliar o PKK, considerado terrorista por Turquia, Estados Unidos e União Européia (UE) [ OBS: pois é, né? ].
Leyla Zana, a primeira deputada curda da Turquia, foi condenada nesta quinta-feira por um tribunal da Província turca de Diyarbakir a dez anos de prisão pelo crime de integrar grupo terrorista. Zana, que ficou presa de 1993 a 2004 por ligação com o clandestino Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), já recorre de uma sentença, dada em abril passado, que a condenou a dois anos de prisão por fazer propaganda de grupo terrorista.
No processo julgado nesta quinta-feira, Zana era acusada, com base em declarações, de auxiliar o PKK, considerado terrorista por Turquia, Estados Unidos e União Européia (UE) [ OBS: pois é, né? ].
Zana, muito popular entre os curdos da Turquia, fez, em 1991, o juramento do seu cargo de deputada em língua curda, iniciando assim uma série de tensões com as autoridades turcas até ser presa em 1994, após perder a imunidade parlamentar.
Durante sua estada em prisão, recebeu o Prêmio Sakharov do Parlamento Europeu, foi designada presa política pela Anistia Internacional, e o diretor peruano de cinema Javier Corcuera mostrou sua história no documentário “La Espalda del Mundo” (“As Costas do Mundo”, em tradução livre).
Após sua saída de prisão em 2004, especulou-se com teria um papel relevante no Partido da Sociedade Democrática (DTP), mas a ex-deputada optou por se manter à margem da direção política, embora continuasse sendo referência para os curdos no sudeste do país e militante a favor da autonomia curda.
Atualmente, o DTP, que responde a um processo que pode determinar sua ilegalidade, tem 20 deputados no Parlamento, maior número de representação política conseguido por um partido nacionalista curdo na Turquia.
Durante sua estada em prisão, recebeu o Prêmio Sakharov do Parlamento Europeu, foi designada presa política pela Anistia Internacional, e o diretor peruano de cinema Javier Corcuera mostrou sua história no documentário “La Espalda del Mundo” (“As Costas do Mundo”, em tradução livre).
Após sua saída de prisão em 2004, especulou-se com teria um papel relevante no Partido da Sociedade Democrática (DTP), mas a ex-deputada optou por se manter à margem da direção política, embora continuasse sendo referência para os curdos no sudeste do país e militante a favor da autonomia curda.
Atualmente, o DTP, que responde a um processo que pode determinar sua ilegalidade, tem 20 deputados no Parlamento, maior número de representação política conseguido por um partido nacionalista curdo na Turquia.
QUESTÃO CURDA
Le Monde Diplomatique, Outubro/ 2002
Le Monde Diplomatique, Outubro/ 2002
Oitenta anos depois…
10 de agosto de 1920: O tratado de Sèvres, assinado entre os Aliados da I Guerra Mundial e a Turquia, prevê a criação de um Curdistão autônomo no leste da Anatólia e na província de Mossoul. Este tratado nunca seria aplicado.
8 de julho de 1937: Pacto de Saadabad, entre a Turquia, o Iraque, o Irã e o Afeganistão. Prevê, entre outras cláusulas, uma coordenação da luta contra a “subversão” curda.
Setembro de 1961: Início de uma rebelião, no norte do Iraque, dirigida por Mustapha Al Barzani sob a palavra de ordem: “Autonomia para o Curdistão, democracia para o Iraque”.
1970: O Ba’ath, partido que chegou ao poder no Iraque em 1968, autoriza a criação de uma região curda autônoma e lhe concede alguns direitos: a língua curda torna-se a segunda língua do país [ grifo do blog ]
6 de março de 1975: O acordo de Argel, entre Bagdá e Teerã, põe fim ao conflito de fronteiras entre os dois países e acarreta a suspensão de qualquer ajuda iraniana à rebelião curda, que é aniquilada.
1988: Repressão contra os curdos no fim da guerra Iraque-Irã. Em março, Bagdá utiliza gases químicos contra o vilarejo de Halabja. Cem mil curdos fogem para a Turquia.
5 de abril de 1991: A ONU aprova a Resolução 688 que exige o fim da repressão contra os curdos e solicita que Bagdá facilite o encaminhamento de ajuda humanitária.
19 de maio de 1992: Eleições livres no Curdistão iraquiano, mas nenhuma autoridade estável é empossada. O Partido Democrático do Curdistão (PDK) controla o Norte da região até a fronteira com a Turquia, e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) controla o Sul até a fronteira com o Irã.
Setembro de 1998: Acordo de Washington, entre o PDK e o PKK, sobre a formação de um governo e de um Parlamento provisório no Curdistão iraquiano.
Outubro de 1998: O Irak Liberation Act norte-americano prevê aumentar o apoio à oposição iraquiana, que inclui os partidos curdos, com o objetivo de desestabilizar o presidente Saddam Hussein.
8 de setembro de 2002: Os dirigentes do PDK e do PKK assinam um acordo de paz, reativando o Parlamento unificado. Esta unificação intervém no momento em que Washington se prepara para atacar o Iraque a fim de derrubar seu governo.
10 de agosto de 1920: O tratado de Sèvres, assinado entre os Aliados da I Guerra Mundial e a Turquia, prevê a criação de um Curdistão autônomo no leste da Anatólia e na província de Mossoul. Este tratado nunca seria aplicado.
8 de julho de 1937: Pacto de Saadabad, entre a Turquia, o Iraque, o Irã e o Afeganistão. Prevê, entre outras cláusulas, uma coordenação da luta contra a “subversão” curda.
Setembro de 1961: Início de uma rebelião, no norte do Iraque, dirigida por Mustapha Al Barzani sob a palavra de ordem: “Autonomia para o Curdistão, democracia para o Iraque”.
1970: O Ba’ath, partido que chegou ao poder no Iraque em 1968, autoriza a criação de uma região curda autônoma e lhe concede alguns direitos: a língua curda torna-se a segunda língua do país [ grifo do blog ]
6 de março de 1975: O acordo de Argel, entre Bagdá e Teerã, põe fim ao conflito de fronteiras entre os dois países e acarreta a suspensão de qualquer ajuda iraniana à rebelião curda, que é aniquilada.
1988: Repressão contra os curdos no fim da guerra Iraque-Irã. Em março, Bagdá utiliza gases químicos contra o vilarejo de Halabja. Cem mil curdos fogem para a Turquia.
5 de abril de 1991: A ONU aprova a Resolução 688 que exige o fim da repressão contra os curdos e solicita que Bagdá facilite o encaminhamento de ajuda humanitária.
19 de maio de 1992: Eleições livres no Curdistão iraquiano, mas nenhuma autoridade estável é empossada. O Partido Democrático do Curdistão (PDK) controla o Norte da região até a fronteira com a Turquia, e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) controla o Sul até a fronteira com o Irã.
Setembro de 1998: Acordo de Washington, entre o PDK e o PKK, sobre a formação de um governo e de um Parlamento provisório no Curdistão iraquiano.
Outubro de 1998: O Irak Liberation Act norte-americano prevê aumentar o apoio à oposição iraquiana, que inclui os partidos curdos, com o objetivo de desestabilizar o presidente Saddam Hussein.
8 de setembro de 2002: Os dirigentes do PDK e do PKK assinam um acordo de paz, reativando o Parlamento unificado. Esta unificação intervém no momento em que Washington se prepara para atacar o Iraque a fim de derrubar seu governo.
Cronologia completa em: http://www.monde-diplomatique.fr/cahier/irak/chrono-kurde
(Trad.: Iraci D. Poleti)
(Trad.: Iraci D. Poleti)
( … ) Segundo o site, os curdos são uma etnia não-árabe, composta principalmente por mulçumanos sunitas e habitam a região entre as fronteiras do Iraque, Irã, Síria e Turquia. Metade da população curda do mundo, enumerada em cerca de 30 milhões, vive na Turquia, principalmente na região sudeste. Durante a história, os curdos foram subjugados e Irã, Iraque e Turquia têm resistido à criação de um Estado curdo. O nacionalismo curdo se desenvolveu na década de 1890, na época em que o Império Otomano decaiu. O Tratado de Sevres (1920), que impôs o território da Turquia atual, após a I Guerra Mundial (1914-1918), prometera aos curdos sua independência. Em 1923, este tratado foi rompido por Kemal Ataturk, líder turco. Durante os anos de 1920 e 1930, revoltas curdas foram reprimidas pelo Exército turco. Os curdos não foram reconhecidos como outra etnia e foram proibidos de falar sua língua em público [ grifo do blog ] . O Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), criado em 1978, pegou em armas contra a Turquia em 1984, com o objetivo de criar um Estado curdo no sudeste do país. Desde então, mais de 30 mil pessoas já morreram no conflito. Nos últimos dois anos, atentados contra civis e confrontos entre os rebeldes e militares turcos voltaram a acontecer com maior freqüência. Os curdos do norte do Iraque não tiveram mais êxito do que os curdos da Turquia. Os curdos iraquianos passaram a lutar de maneira intermitente contra Bagdá. A queda de Saddam aumentou a gana por autonomia. Cerca de 3.500 rebeldes do PKK estão baseados no norte do Iraque, onde preparam ataques contra alvos civis e militares na Turquia. Os países com populações curdas significativas temem que o desenvolvimento, a prosperidade e a autonomia do Curdistão iraquiano fomentem o sentimento separatista.


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