Crescimento econômico a vista
Antônio Delfim Netto
Em fórum sobre o cenário econômico promovido pela revista Exame na semana passada em São Paulo para discutir basicamente opções para sair da crise financeira global, reafirmei que a economia brasileira pode voltar a crescer 4% em 2010, respondendo às ações de governo e na medida em que continuem positivas as reações do setor privado e dos consumidores.Diante da divulgação de previsões ( algumas de organismos internacionais e de corporações privadas de peso ) que variam entre uma queda do PIB brasileiro de 4% em 2009, com uma retomada pífia do crescimento em 2010, minha opinião é que nenhuma delas pode ser levada a sério.
Antônio Delfim Netto
Em fórum sobre o cenário econômico promovido pela revista Exame na semana passada em São Paulo para discutir basicamente opções para sair da crise financeira global, reafirmei que a economia brasileira pode voltar a crescer 4% em 2010, respondendo às ações de governo e na medida em que continuem positivas as reações do setor privado e dos consumidores.Diante da divulgação de previsões ( algumas de organismos internacionais e de corporações privadas de peso ) que variam entre uma queda do PIB brasileiro de 4% em 2009, com uma retomada pífia do crescimento em 2010, minha opinião é que nenhuma delas pode ser levada a sério.
O crescimento de 2009 não está escrito nas estrelas, nem o de 2010 pode ser visto numa bola de cristal. Ele será aquilo que formos capazes de fazer, a sociedade reagindo aos estímulos da política econômica, os empresários acreditando nas medidas do governo, os consumidores mostrando que não se deixaram inibir com o pânico midiático e o setor financeiro voltando gradualmente à normalidade.
Hoje, o que já se pode antecipar com razoável segurança é que o crescimento de 2009 não será negativo. Tivemos um primeiro trimestre negativo e alguma tênue reação neste segundo trimestre, que ainda está no meio.
Pelo comportamento que observamos do setor produtivo e dos níveis de consumo, acredito que podemos recomeçar a crescer, lentamente, já no próximo trimestre e terminar o último trimestre do ano com um crescimento de uns 2% do PIB em relação ao mesmo trimestre de 2008.
É perfeitamente possível termos em cada trimestre de 2010 um crescimento mínimo de 1% sobre o trimestre anterior.
Significa que podemos chegar ao final do ano com 4% de crescimento do PIB, ou algo muito próximo.
É uma avaliação que faço e que está no nível das probabilidades, voltando a insistir que vai depender da boa política do governo, de como o setor privado vai interpretar essa política e da resposta do consumidor brasileiro.
Esse consumidor tem se comportado bastante bem, reagindo aos estímulos, o que comprova que eles estão na direção correta.
A verdade é que a sociedade não se deixou acorrentar nem pelo medo nem pelo tom negativo das análises que povoam uma parte da mídia. É preciso que a população esteja preparada e não se deixar influenciar pelo fato de que no ano que vem, mesmo com a retomada do crescimento, os dados do crescimento anual medidos entre os trimestres ainda não serão positivos, o que dará a impressão de que a economia está se reduzindo, quando na realidade ela já estará em recuperação.
Voltando ao Fórum da Exame, em que foram avaliados alguns dos obstáculos que os países terão de enfrentar para superar a crise, ouvi com muita satisfação que os outros três conferencistas, os notáveis “Prêmios Nobel” de Economia Edward Prescott, Joseph Stiglitz e Roberto Mundell (de 2004, 2001 e 1999, respectivamente) concordaram (em graus ligeiramente diferentes) que o Brasil não só vem reagindo bem aos efeitos da crise como será um dos primeiros países a sair mais rápido do prejuízo. Prescott foi mais longe, ao concluir sua intervenção dizendo que “a questão agora não é se, mas quando o Brasil entrará na lista das maiores economias do mundo”…
A questão, na verdade, é que já fomos a oitava economia do mundo. Demos uma grande bobeada nas duas últimas décadas do século 20, mas podemos apostar que vamos chegar lá. Quando, só depende de nós mesmos…

TRIVELA
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