ENCALHE

março 27, 2009

Deputado Paulo Teixeira relembra o Golpe 64, por Jasson de Oliveira Andrade


Poucos dias antes de completar 45 anos do Golpe de 64, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) pronunciou um histórico discurso na Câmara Federal, analisando a Ditadura Militar, citando ainda o que ocorreu em São João da Boa Vista, além de meu livro. Eis o que ele disse:
“Daqui a menos de uma semana, o Golpe de 64 completará 45 anos. Não é uma data para se comemorar. Muito menos uma data para ser esquecida. Nem diminuída como fez há pouco um grande jornal. O que se seguiu ao Golpe foi uma sucessão de arbitrariedades, injustiças, desmandos que as novas gerações precisam conhecer.
Muita gente foi perseguida, presa, torturada e morta. Muita gente teve a vida irremediavelmente atingida. Muita gente sofreu, muita gente se perdeu.
Vários já falaram sobre esses dias de Chumbo. Mas hoje, nessa tribuna, gostaria de lembrar de gente absolutamente inocente, gente que foi perseguida porque era adversária política dos grandes coronéis da época e que ousou deixar claras suas posições. Isso aconteceu tanto a homens conhecidos e lembrados até hoje, como Vladimir Herzog quanto com alguns colegas de profissão de Herzog que, mesmo em cidades pequenas, tiveram que enfrentar a fúria dos truculentos de plantão. Falo especificamente de um homem, um jornalista, um advogado, um pensador muito querido por mim: meu amigo Jasson de Oliveira Andrade.
Em 1964, Jasson era um exemplar funcionário do então Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (Samdu) em São João. Nas horas vagas, também era redator do jornal O Município, onde era encarregado, além de redigir as páginas de esportes, de cobrir as atividades da Câmara Municipal.
Jasson também era militante do PTB. Talvez isso tenha irritado o que se chamava de “direita de plantão” na época. O fato é que ele foi preso dois dias depois do Golpe. Passou mais de um mês na cadeia. Depois, foi exonerado.
Perdeu seu emprego no Samdu sem qualquer motivo. Tinha mulher e um bebê de nove meses para sustentar. Não houve qualquer explicação legal para o fato. Jasson não foi o único. Outros companheiros de São João da Boa Vista como Ito Amorim, Hélio Fonseca, Benedito Sérgio de Almeida Brandão, Wilson Lourenço Gomes foram presos e acusados.
Os “comunistas” foram inclusive acusados de serem os responsáveis por uma série de incêndios que haviam ocorrido na região na década anterior. Anos depois foi apurado que não só os acusados eram inocentes como também passou a haver a forte suspeita de que os mesmos dedos que acusavam haviam participado da “obra”.
Jasson conta a sua história no livro “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”. Um relato histórico, mas emocionado, de como a ditadura foi capaz de alterar para sempre o destino e a história dele e de outros brasileiros, dos mais comuns aos mais ilustres.
Quem tenta reduzir a extensão dos danos que a ditadura causou a nosso país incorre não apenas num erro histórico detestável, mas numa enorme injustiça. O Golpe não foi nem um pouco brando com Jasson. Mas ele está vivo para contar sua história. Mas também não houve qualquer brandura com outros tantos como Vladimir Herzog, Edson Luiz, Manoel Fiel Filho ou Rubens Paiva – só para citar alguns.
Então, senhor presidente, senhoras e senhores deputados, minha homenagem a todos que se mantiveram firmes naqueles tempos duros. Meu profundo respeito aos que ousaram acreditar. E meu apelo para que não nos esqueçamos daqueles dias. Para que eles jamais se repitam”. (PEQUENO EXPEDIENTE, 25/3/2009)
Torcemos para que realmente aqueles dias jamais se repitam: DITADURA NUNCA MAIS!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
25 de Março de 2009

Deputado Paulo Teixeira relembra o Golpe 64, por Jasson de Oliveira Andrade


Poucos dias antes de completar 45 anos do Golpe de 64, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) pronunciou um histórico discurso na Câmara Federal, analisando a Ditadura Militar, citando ainda o que ocorreu em São João da Boa Vista, além de meu livro. Eis o que ele disse:
“Daqui a menos de uma semana, o Golpe de 64 completará 45 anos. Não é uma data para se comemorar. Muito menos uma data para ser esquecida. Nem diminuída como fez há pouco um grande jornal. O que se seguiu ao Golpe foi uma sucessão de arbitrariedades, injustiças, desmandos que as novas gerações precisam conhecer.
Muita gente foi perseguida, presa, torturada e morta. Muita gente teve a vida irremediavelmente atingida. Muita gente sofreu, muita gente se perdeu.
Vários já falaram sobre esses dias de Chumbo. Mas hoje, nessa tribuna, gostaria de lembrar de gente absolutamente inocente, gente que foi perseguida porque era adversária política dos grandes coronéis da época e que ousou deixar claras suas posições. Isso aconteceu tanto a homens conhecidos e lembrados até hoje, como Vladimir Herzog quanto com alguns colegas de profissão de Herzog que, mesmo em cidades pequenas, tiveram que enfrentar a fúria dos truculentos de plantão. Falo especificamente de um homem, um jornalista, um advogado, um pensador muito querido por mim: meu amigo Jasson de Oliveira Andrade.
Em 1964, Jasson era um exemplar funcionário do então Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (Samdu) em São João. Nas horas vagas, também era redator do jornal O Município, onde era encarregado, além de redigir as páginas de esportes, de cobrir as atividades da Câmara Municipal.
Jasson também era militante do PTB. Talvez isso tenha irritado o que se chamava de “direita de plantão” na época. O fato é que ele foi preso dois dias depois do Golpe. Passou mais de um mês na cadeia. Depois, foi exonerado.
Perdeu seu emprego no Samdu sem qualquer motivo. Tinha mulher e um bebê de nove meses para sustentar. Não houve qualquer explicação legal para o fato. Jasson não foi o único. Outros companheiros de São João da Boa Vista como Ito Amorim, Hélio Fonseca, Benedito Sérgio de Almeida Brandão, Wilson Lourenço Gomes foram presos e acusados.
Os “comunistas” foram inclusive acusados de serem os responsáveis por uma série de incêndios que haviam ocorrido na região na década anterior. Anos depois foi apurado que não só os acusados eram inocentes como também passou a haver a forte suspeita de que os mesmos dedos que acusavam haviam participado da “obra”.
Jasson conta a sua história no livro “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”. Um relato histórico, mas emocionado, de como a ditadura foi capaz de alterar para sempre o destino e a história dele e de outros brasileiros, dos mais comuns aos mais ilustres.
Quem tenta reduzir a extensão dos danos que a ditadura causou a nosso país incorre não apenas num erro histórico detestável, mas numa enorme injustiça. O Golpe não foi nem um pouco brando com Jasson. Mas ele está vivo para contar sua história. Mas também não houve qualquer brandura com outros tantos como Vladimir Herzog, Edson Luiz, Manoel Fiel Filho ou Rubens Paiva – só para citar alguns.
Então, senhor presidente, senhoras e senhores deputados, minha homenagem a todos que se mantiveram firmes naqueles tempos duros. Meu profundo respeito aos que ousaram acreditar. E meu apelo para que não nos esqueçamos daqueles dias. Para que eles jamais se repitam”. (PEQUENO EXPEDIENTE, 25/3/2009)
Torcemos para que realmente aqueles dias jamais se repitam: DITADURA NUNCA MAIS!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
25 de Março de 2009

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.