ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

junho 25, 2008

A triste morte de Lúpulo, o craque

Lembram do Lúpulo? Meia habilidoso, jogava e chutava com as duas. Era meio baixinho, mas quase sempre se saía bem na disputa pelo alto. Boa impulsão.
Seu nome de batismo era Luís Puccini Lopes ( daí veio “Lúpulo”, uma espécie de anagrama ) e foi descoberto num time amador do interior do Estado – grande celeiro de craques deste Brasil – por um velho técnico, já quase aposentado. Trazido para a Capital, estreou no profissional com 16 anos. Foi dele o gol, aos 45 do segundo tempo, que acabou com a fila de 27 anos que seu time então enfrentava. Devido a sua idade, o técnico da Seleção achou melhor não chamá-lo para disputar a Copa daquele ano. Demos azar e a amarelinha caiu na primeira fase, num grupo que tinha Escócia, Costa Rica e Irã. Ficamos em quarto lugar.
Mas a mídia já fazia planos para o futuro. Com a nova leva de jogadores, encabeçada pelo cracão Lúpulo, essa Copa seria devidamente esquecida pela torcida brasileira. Só mais quatro anos de espera.
Então , a vida seguiu. No campeonato estadual, Lúpulo foi o grande destaque do time, que faturou o bi. O primeiro da história do clube.
Só que a mão-boba do mercado não perdoa. No campeonato nacional, o time não disporia de sua estrela. Foi negociado com um time do Rio. E foram glórias e glórias, até que Lúpulo saiu para o Exterior. Ganhou mais uma legião de fãs.
Na temporada que precedia a Copa, Lúpulo, de volta ao Brasil – pois não gostou do clima europeu – disputava o campeonato paulista quando machucou-se. Nada sério, mas os açougueiros do departamento médico ferraram com seu joelho, e ele ficou parado mais tempo do que o previsto.
Todos o dias ia até o clube, fazia leves exercícios, andava em volta do campo, tentava dar uns piques e parava, pois doía demais. E o tempo passava…
O pai de Lúpulo morrera cêdo. Cirrose, devido ao altíssimo consumo de álcool. A mãe de Lúpulo morrera também, antes do pai, só que num acidente de automóvel. O carro em que viajava era conduzido pelo pai de Lúpulo. O condutor, aliás, dirigia em estado deplorável de embriaguez.
Vamos pular a parte triste.
Um dia, para combater o tédio, Lúpulo entrou num bar e pediu uma cerveja. Estava calor. Os rostos jovens e lindos dos e das modelos, que adornavam um cartaz publicitário de conhecida marca de cerveja eram por demais convincentes.
Lembrou-se de sua condição de atleta. Mas estava em “férias forçadas”. E, afinal, era só uma mesmo. E foi só uma mesmo.
Tempos depois, ainda não recuperado da lesão, Lúpulo estava no boteco, e já terminara sua 4ª. ou 5ª. cerveja da manhã. Pessoas passavam, olhavam e reconheciam o craque. Alguns acenavam. Outros, entre o reverente e o curioso, se aproximavam e trocavam umas palavras. Pediam autógrafos.
Passaram-se meses, e a Copa começou e acabou. Lúpulo assistiu o torneio em casa, pela televisão. O Brasil foi vice-campeão. Perdeu a final para a surpreendente Nova-Guiné.
Os dirigentes do clube, que não os mencionei até aqui, viam seu craque desandar. Não sabiam exatamente o que ocorria. Lúpulo passava no médico, mas não parecia muito dedicado a recuperar sua forma. Junto com a lesão no joelho, uma fadiga persistente. Noites mal-dormidas, má-alimentação. Disscussões e brigas. Uma realidade completamente diferente daquela mostrada nos filmes publicitários. Torcedores cobravam do jogador que tivesse atitude. Ele disse que era adulto, e que não tinham que cuidar de sua – dele – vida. Retrucavam, diziam que o álcool estava fazendo-lhe mal e ele treplicava: “Sou adulto, e este produto é dirigido a adultos!!”
Uma noite, Lúpulo estava num bar e, já bebaço, decide ir para casa. Com certa dificuldade, pega o carro, dá a partida e segue.
Em seu caminho, reencontra o passado: sem condições de enxergar o próprio nariz, Lúpulo atropela um senhor que atravessava a rua. O homem estava na faixa e o sinal vermelho para Lúpulo. Por pouco não terminou em tragédia. Quando percebeu o vulto atravessando a rua, uma centelha de lucidez surgiu, e Lúpulo – que ia a 110 Km por hora – desviou da vítima, atingindo-a apenas de raspão.
Apavorado e ofegante, Lúpulo se desvencilha totalmente do efeito do álcool que consumira. Prontamente, aciona a polícia e o socorro, e os aguarda junto à vítima, que está bem, foi meio que um susto e alguns arranhões.
Tomado de imensa vergonha e remorso, Lúpulo confessa às autoridades que estava dirigindo embriagado, e que tinha a verdadeira noção daquilo que causara. Não se furtaria a prestar assistência à vítima, e responderia à Justiça por seu ato.
A imprensa, claro, fez uma festa. Celebridades embriagadas costumam atrair muita atenção, audiência e, claro, anunciantes. Famosa revista de fofocas conseguiu um belo – e caro – contrato de publicidade com uma marca de cerveja que costumava patrocinar festas juninas em colégios.
O episódio, de certa maneira, ajudou o jogador. Voltou a se empenhar em sua recuperação. Parou de beber. Entendeu aquilo como um sinal, uma mensagem enviada por seus pais, falecidos em situações parecidas com essa.
***
As coisas iam bem. Lúpulo havia voltado aos gramados, jogando tudo o que sabia. Seu time era líder do campeonato, com bastante folga. O jogador se encontrava noivo, com casamento marcado para breve.
Certo dia, cedinho, Lúpulo caminha por uma rua tranquila. Estava indo para o treino. Deixou o carro a algumas quadras do clube, e completava o percurso andando, para “economizar” aquecimento.
De onde não se sabe, mas surgiu um carro à toda, e pegou Lúpulo em cheio. Apesar do sinal estar vermelho para os carros, a vítima atravessando na faixa e o limite de direção naquele trecho ser de 30 km p/h ( o carro ia a 100 km p/ h ), Lúpulo foi colhido pelo veículo e morreu na hora. Como não tinha olhos na nuca, o jogador não viu o carro, que vinha de marcha-à-ré.
Os ocupantes do carro travam o seguinte diálogo:
- IHhHHhaimeudeuzz…mmmerrmãoo…óóóbrôu…V-V-vai v-v-verr como tááá ou ca…rinhaaa…
- Zuzobem…
- Eaí… … … coommé que apesssoa tá??
- Vudeu…GelAAAAAaaaadaaaa!!!
E fogem, sem dar assistência a Lúpulo.

maio 27, 2008

O mundo vai acabar!! A gente só precisa ajudar!! Método K.Da1 K.Da1 de Auto – A – Judas! O Çegredo!

Digamos: você aí, meu amigo, minha amiga…digamos que você possua um mínimo de “consciência ecológica”, essas coisas. Ou, talvez, que ache bacana o trabalho das muitas ONGs conservacionistas. Legal, né? Mas, havemos de reconhecer, nem todos queremos passar o resto da vida salvando crustáceos do Himalaia, não é? Mas, sabemos que algo podemos fazer: não desperdiçar alimentos, água, evitar o consumo exagerado, a produção de detritos, lixo, reduzir o uso do automóvel, de petróleo. Não é porque a vEJA diz que o aquecimento global não existe, e alguns cientistas dizem que existe; que alguns colunistas de direita dizem que não existe, mas colunistas “de esquerda” dizem que existe; que alguns cientistas dizem que não existe, mas algumas revistas dizem que existe…Enfim!! Não é pelo fato de não existir consenso, que não possamos dar nosso pitaco. Aliás, nós estamos mais do que envolvidos nisso tudo. Ou você acha que o planeta em que, dizem, haverá guerra pela posse dos recursos hídricos é qual? Marte? Besteira. Em Marte deve ter é petróleo.
Voltando. Se você acha que vem agindo “bem”, e que, apesar das freqüentes farpas entre a direita e a esquerda, as ONGs fazem o trabalho certo – sendo, então, alvos de direita e esquerda, cada qual acusando as ONGs de pertencerem, camufladamente, ao outro lado – apesar disso, vai que você não saiba, e ambos estejam com a razão. Haveria, sim, um consenso. Paz, finalmente.
Você, meu amigo, sabe de que lado está? Você pode provar que o aquecimento global existe? E, pode provar, por outro lado, que não existe? Lógico que não.
Então, liberte-se: para quê continuar agindo “bem”? No More, Mr. Nice Guy.
Pense agora, principalmente, naqueles que não crêem ( ou são pagos para isso ) no aquecimento global. Seja honesto. Você não tem – repito – como provar. Como eles também não podem.
Mas, digamos que exista mesmo e eles estejam enganados. Ou que estejam a soldo de interesses que não dizem o nome. Pense nos colunistas de direita. E pense em seus filhos e netos.
Agora eu pergunto: que catzo nós temos na cabeça, que nos inibe, e nos leva a querer que o planeta continue existindo? Para quê deixar o mundo para o filho do Diogo Mainardi, ou para os netos do Olavo de Carvalho ( se é que ele têm algum ), do Rush Limbaugh, do Reinaldo Azevedo, do Fernando Henrique, do Klan Civita? Se eles mesmos não pensam em catástrofe…quem, eu me preocupar? Economize água, recicle papel e plástico, e deixe um mundo para os descendentes dos personagens mencionados comandarem.
Isso é injustiça para conosco!!
A solução é: POLUIR!! MAIS E MAIS!!
Por quê não emporcalhar o mundo agora mesmo? Traga para si o sucesso e o prestígio que tanto buscas! Tenha o destino do mundo em suas mãos, e a prosperidade te iluminará!
Garantindo, assim, a inviabilidade da vida neste planeta, daqui uns 50 anos e alguma lambuja. Pense nisso. Abra a torneira, deixe a água correr por umas duas horas, para começar. Deixe-a escorrer pelo ralo. Relaxe. Medite. Sem estas estúpidas amarras morais, você se sentirá livre, leve. É aí que nosso método demonstra – claramente – seus efeitos inegáveis e benéficos para sua vida!!
É claro que você não precisa fazer isso pensando apenas nos netos do Olavo, do Reinaldo, dos Civita. Eles ( os avôs ) nem sabem que você existe.
Pense naqueles seus vizinhos de classe-média. Ignaros, mal-educados e ( sabe-se-lá o motivo ) narcisistas. Observe seus ( dos vizinhos ) filhos: mimados, igualmente mal-educados. Perceba o quanto o pai se empenha para garantir ao filho um futuro “de qualidade”: refeições regulares, escola particular, revista Recreio, dentista, jiu-jitsu, cursinho, facú ( USP, pois o cara não faz isso pensando naquelas que cobram caro e estão abaixo dos quesitos do MEC ), inglês, informática. Tranca o filho numa redoma contra o mundo lá fora. Preparando o moleque para que este ganhe seu primeiro milhão antes dos trinta mortos, digo, anos.
Pense: esse tipo de gentalha se detém diante de questões morais e éticas? Isso não dá dinheiro, cara!!
Princípios não enchem a carteira.
Eles é que estão certos. Se “as empresas” ( eu adoro quando eles falam assim: “as empresas” têm vida própria ) pagam, não importa o que façam, você vai lá, cumpre, e tchau e bença.
Por exemplo: os professores da rede estadual de São Paulo. Olha o massacre a que estão submetidos pela holding Governo do PSDB/ P ( iG )/ imprensalão. Quem lê o eSTADÃO ou a vEJA, pensa que os professores “não têm preparo”. O leitor da vEJA, claro, engole esta fácil, fácil.
A verdade é que, sem o diploma universitário, não se pode dar aula. Quer dizer, não vou dizer que toda a rede estadual exige isso. Mas um professor me garantiu que a grandessíssima maioria do quadro docente é diplomada.
Mas, quem liga?
Pois então. Encanadores são muito mais úteis hoje em dia, que professores. Óbvio concluir que TODO O QUADRO docente da rede estadual deveria ABANDONAR as aulas. Deixa para o Serra e sua Secretária de Educação irem para a frente do quadro-negro.
Por quê o exemplo e o que isso tem a ver com o que foi explanado acima?
Outrora profissão de destaque e reconhecimento social, a docência deixou de ser importante para a própria população. Vejam o caso do aluno que discutiu com a professora por esta não deixá-lo sair da sala, para que ele assistisse a um jogo de futebol. Foi o primeiro jogo entre São Paulo e Fluminense, pela Libertadores. Ameaçou a professora, a diretora e brigou com PMs em plena sala de aula. Foi auxiliado por outros alunos que arremessaram carteiras nos guardas. No final das contas, irá responder por destruição de patrimônio público e, talvez, desacato. As funcionárias da escola, por medo de represálias ( um eufemismo, claro ) têm se recusado em comparecer ao trabalho. Como ainda há Justiça, mesmo que a do acaso, o São Paulo se fudeu e foi desclassificado pelo Flu.
Ou seja: o camaradinha pode ter ferrado seu futuro, por causa de uma bosta de um jogo de futebol. Sua educação não é prioridade, em sua própria avaliação!!
Oras, se os próprios jovens de hoje – que só utilizam a cabeça para usar boné, e ainda usam o boné de modo errado, observem – não se preocupam com o futuro das coisas, e seus pais menos ainda, por quê haveríamos nós de fazê-lo?
Num próximo post: O relato de um feliz usuário de nosso método que, depois de ter sido agredido por rapazes dentro dum ônibus em São Paulo, após ter solicitado a eles que observassem a lei e parassem de ouvir som alto dentro do veículo, finalmente descobriu “O Çegredo” e atingiu o sucesso. Leiam um trecho de seu espontâneo depoimento:
” ( … ) Parece mágica!! Depois que pus em prática o que aprendi pelo ‘Método K.Da1, K.Da1 de Auto-a-Judas’, minha vida melhorou em 1000%! Eu que, antes da agressão que sofri, segurava sacolas para passageiros do ônibus em que viajo, parei de fazer isso. Ignoro solenemente as dificuldades alheias. Não faço favores. Como trabalho em banca de jornal, sou muito solicitado por pessoas que desejam informações, como a localização de locais e ruas. Eu apenas digo “não sei” e, mesmo que saiba, nego. Não é problema meu. Na verdade, os jovens que me agrediram, acabaram me libertando. Passei a observar melhor o mundo à minha volta. Percebi que aqueles jovens NÃO SÃO OS ÚNICOS passageiros de transportes coletivos a ouvir música alta ao celular dentro do veículo, apesar da proibição por lei. Graças a pessoas assim, estou desobrigado de fazer coisas, além de minha obrigação!!! Graças a eles, eu não faço mais gentilezas para os outros. Vai saber, até mesmo a mãe deles precisou de mim um dia, e eu neguei-lhe meu auxílio, sem culpa. Muito obrigado a vocês, jovens e a – PRINCIPALMENTE – você, Método K.Da1, K.Da1 de Auto-a-Judas !!! ( … )”.
COMECE HOJE MESMO A UTILIZAR OS ENSINAMENTOS PRECIOSOS DO MÉTODO K.DA1, K.DA1 DE AUTO-A-JUDAS

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