ENCALHE

janeiro 13, 2009

BOLÍVIA: oposição golpista segue boicotando lei anticorrupção que investigaria fortunas suspeitas

Congresso boliviano debate lei anticorrupção recusada por opositores
La Paz, 13 jan (Prensa Latina) O Congresso boliviano analisa hoje um projeto de lei anticorrupção e de investigação de fortunas, o qual é recusado por opositores temerosos de sua entrada em vigor.
A iniciativa foi apoiada pela Câmara dos Deputados em 2006, no entanto, o Senado dominado pelos contrários ao Movimento ao Socialismo (MAS) parou desde então sua implementação.
De acordo com o legislador governista Gustavo Torrico, semelhante postura obedece ao medo que têm setores da direita de ver suas riquezas submetidas à investigação.
Muitos parlamentares da oposição, latifundiários, ex-integrantes de corpos armados e empresários obtiveram rendimentos ilícitos durante as épocas da ditadura e o neoliberalismo, alguns até juntaram milhões, assegurou à Prensa Latina.
Segundo Torrico, o pânico aumenta quando avaliam o caráter imprescritível do projeto.
A possibilidade de ver-se em tal situação aterroriza-os e como resultado tentam bloquear dita lei, mas o povo a exige e tarde ou cedo será uma realidade em aras da transparência de nossa sociedade, advertiu o deputado pelo MAS.
Em relação à votação no Congresso, o parlamentar estimou provável sua aprovação, ainda que a condicionou à assistência massiva dos senadores.
Segundo o legislador, integrantes da câmara alta, onde os opositores são maioria (15-12), poderiam ausentar-se para sabotar a consulta.
Isso seria um claríssimo sinal de medo diante da norma, quem não a deve não a teme, afirmou à Prensa Latina.
A lei de luta contra a corrupção, enriquecimento ilícito e investigação de fortunas submetida ao Legislativo leva o nome de Marcelo Quiroga Santa Cruz, político, escritor e diplomático boliviano assassinado em 1980 pela ditadura do golpista Luis García Meza. De acordo com o regulamento do Congresso, precisa-se a maioria absoluta (50% e mais um voto) para aprová-la. O Parlamento boliviano em pleno conta com 157 membros, 130 deputados e 27 senadores.
lma/wmr/lcss

BOLÍVIA: oposição golpista segue boicotando lei anticorrupção que investigaria fortunas suspeitas

Congresso boliviano debate lei anticorrupção recusada por opositores
La Paz, 13 jan (Prensa Latina) O Congresso boliviano analisa hoje um projeto de lei anticorrupção e de investigação de fortunas, o qual é recusado por opositores temerosos de sua entrada em vigor.
A iniciativa foi apoiada pela Câmara dos Deputados em 2006, no entanto, o Senado dominado pelos contrários ao Movimento ao Socialismo (MAS) parou desde então sua implementação.
De acordo com o legislador governista Gustavo Torrico, semelhante postura obedece ao medo que têm setores da direita de ver suas riquezas submetidas à investigação.
Muitos parlamentares da oposição, latifundiários, ex-integrantes de corpos armados e empresários obtiveram rendimentos ilícitos durante as épocas da ditadura e o neoliberalismo, alguns até juntaram milhões, assegurou à Prensa Latina.
Segundo Torrico, o pânico aumenta quando avaliam o caráter imprescritível do projeto.
A possibilidade de ver-se em tal situação aterroriza-os e como resultado tentam bloquear dita lei, mas o povo a exige e tarde ou cedo será uma realidade em aras da transparência de nossa sociedade, advertiu o deputado pelo MAS.
Em relação à votação no Congresso, o parlamentar estimou provável sua aprovação, ainda que a condicionou à assistência massiva dos senadores.
Segundo o legislador, integrantes da câmara alta, onde os opositores são maioria (15-12), poderiam ausentar-se para sabotar a consulta.
Isso seria um claríssimo sinal de medo diante da norma, quem não a deve não a teme, afirmou à Prensa Latina.
A lei de luta contra a corrupção, enriquecimento ilícito e investigação de fortunas submetida ao Legislativo leva o nome de Marcelo Quiroga Santa Cruz, político, escritor e diplomático boliviano assassinado em 1980 pela ditadura do golpista Luis García Meza. De acordo com o regulamento do Congresso, precisa-se a maioria absoluta (50% e mais um voto) para aprová-la. O Parlamento boliviano em pleno conta com 157 membros, 130 deputados e 27 senadores.
lma/wmr/lcss

BOLÍVIA: oposição golpista segue boicotando lei anticorrupção que investigaria fortunas suspeitas

Congresso boliviano debate lei anticorrupção recusada por opositores
La Paz, 13 jan (Prensa Latina) O Congresso boliviano analisa hoje um projeto de lei anticorrupção e de investigação de fortunas, o qual é recusado por opositores temerosos de sua entrada em vigor.
A iniciativa foi apoiada pela Câmara dos Deputados em 2006, no entanto, o Senado dominado pelos contrários ao Movimento ao Socialismo (MAS) parou desde então sua implementação.
De acordo com o legislador governista Gustavo Torrico, semelhante postura obedece ao medo que têm setores da direita de ver suas riquezas submetidas à investigação.
Muitos parlamentares da oposição, latifundiários, ex-integrantes de corpos armados e empresários obtiveram rendimentos ilícitos durante as épocas da ditadura e o neoliberalismo, alguns até juntaram milhões, assegurou à Prensa Latina.
Segundo Torrico, o pânico aumenta quando avaliam o caráter imprescritível do projeto.
A possibilidade de ver-se em tal situação aterroriza-os e como resultado tentam bloquear dita lei, mas o povo a exige e tarde ou cedo será uma realidade em aras da transparência de nossa sociedade, advertiu o deputado pelo MAS.
Em relação à votação no Congresso, o parlamentar estimou provável sua aprovação, ainda que a condicionou à assistência massiva dos senadores.
Segundo o legislador, integrantes da câmara alta, onde os opositores são maioria (15-12), poderiam ausentar-se para sabotar a consulta.
Isso seria um claríssimo sinal de medo diante da norma, quem não a deve não a teme, afirmou à Prensa Latina.
A lei de luta contra a corrupção, enriquecimento ilícito e investigação de fortunas submetida ao Legislativo leva o nome de Marcelo Quiroga Santa Cruz, político, escritor e diplomático boliviano assassinado em 1980 pela ditadura do golpista Luis García Meza. De acordo com o regulamento do Congresso, precisa-se a maioria absoluta (50% e mais um voto) para aprová-la. O Parlamento boliviano em pleno conta com 157 membros, 130 deputados e 27 senadores.
lma/wmr/lcss

BOLÍVIA: oposição golpista segue boicotando lei anticorrupção que investigaria fortunas suspeitas

Congresso boliviano debate lei anticorrupção recusada por opositores
La Paz, 13 jan (Prensa Latina) O Congresso boliviano analisa hoje um projeto de lei anticorrupção e de investigação de fortunas, o qual é recusado por opositores temerosos de sua entrada em vigor.
A iniciativa foi apoiada pela Câmara dos Deputados em 2006, no entanto, o Senado dominado pelos contrários ao Movimento ao Socialismo (MAS) parou desde então sua implementação.
De acordo com o legislador governista Gustavo Torrico, semelhante postura obedece ao medo que têm setores da direita de ver suas riquezas submetidas à investigação.
Muitos parlamentares da oposição, latifundiários, ex-integrantes de corpos armados e empresários obtiveram rendimentos ilícitos durante as épocas da ditadura e o neoliberalismo, alguns até juntaram milhões, assegurou à Prensa Latina.
Segundo Torrico, o pânico aumenta quando avaliam o caráter imprescritível do projeto.
A possibilidade de ver-se em tal situação aterroriza-os e como resultado tentam bloquear dita lei, mas o povo a exige e tarde ou cedo será uma realidade em aras da transparência de nossa sociedade, advertiu o deputado pelo MAS.
Em relação à votação no Congresso, o parlamentar estimou provável sua aprovação, ainda que a condicionou à assistência massiva dos senadores.
Segundo o legislador, integrantes da câmara alta, onde os opositores são maioria (15-12), poderiam ausentar-se para sabotar a consulta.
Isso seria um claríssimo sinal de medo diante da norma, quem não a deve não a teme, afirmou à Prensa Latina.
A lei de luta contra a corrupção, enriquecimento ilícito e investigação de fortunas submetida ao Legislativo leva o nome de Marcelo Quiroga Santa Cruz, político, escritor e diplomático boliviano assassinado em 1980 pela ditadura do golpista Luis García Meza. De acordo com o regulamento do Congresso, precisa-se a maioria absoluta (50% e mais um voto) para aprová-la. O Parlamento boliviano em pleno conta com 157 membros, 130 deputados e 27 senadores.
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BOLÍVIA: oposição golpista segue boicotando lei anticorrupção que investigaria fortunas suspeitas

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A iniciativa foi apoiada pela Câmara dos Deputados em 2006, no entanto, o Senado dominado pelos contrários ao Movimento ao Socialismo (MAS) parou desde então sua implementação.
De acordo com o legislador governista Gustavo Torrico, semelhante postura obedece ao medo que têm setores da direita de ver suas riquezas submetidas à investigação.
Muitos parlamentares da oposição, latifundiários, ex-integrantes de corpos armados e empresários obtiveram rendimentos ilícitos durante as épocas da ditadura e o neoliberalismo, alguns até juntaram milhões, assegurou à Prensa Latina.
Segundo Torrico, o pânico aumenta quando avaliam o caráter imprescritível do projeto.
A possibilidade de ver-se em tal situação aterroriza-os e como resultado tentam bloquear dita lei, mas o povo a exige e tarde ou cedo será uma realidade em aras da transparência de nossa sociedade, advertiu o deputado pelo MAS.
Em relação à votação no Congresso, o parlamentar estimou provável sua aprovação, ainda que a condicionou à assistência massiva dos senadores.
Segundo o legislador, integrantes da câmara alta, onde os opositores são maioria (15-12), poderiam ausentar-se para sabotar a consulta.
Isso seria um claríssimo sinal de medo diante da norma, quem não a deve não a teme, afirmou à Prensa Latina.
A lei de luta contra a corrupção, enriquecimento ilícito e investigação de fortunas submetida ao Legislativo leva o nome de Marcelo Quiroga Santa Cruz, político, escritor e diplomático boliviano assassinado em 1980 pela ditadura do golpista Luis García Meza. De acordo com o regulamento do Congresso, precisa-se a maioria absoluta (50% e mais um voto) para aprová-la. O Parlamento boliviano em pleno conta com 157 membros, 130 deputados e 27 senadores.
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dezembro 8, 2008

UNASUL confirma: elite branca e separatista de Pando ( Bolívia ) ordenou massacre de camponeses. ( texto longo, em espanhol )

Filed under: Bolívia, elite branca, massacres de civis, Pando ( BOL ), separatismo, UNASUL — Humberto @ 1:58 pm
Integración Regional
Informe de la Comisión sobre la masacre de Pando
El primer gran logro de la Unasur
La Comisión para el esclarecimiento de los hechos de Pando fue categórica: hubo masacre en esa región de Bolivia. Un gran resultado para la autonomía de Sudamérica.
El primer gran logro de la Unión de Naciones de Sudamericanas (Unasur) fue la entrega el 3 de diciembre del Informe de la Comisión sobre la masacre de Pando a la presidenta de Chile, Michele Bachelet, en Santiago. Las conclusiones a las que arribó esta delegación integrada por profesionales de las doce naciones de la novísima sigla son contundentes: el 11 de setiembre hubo una masacre en los alrededores de Pacífico, población del Departamento de Pando, perpetrada por los sectores afines al prefecto Leopoldo Fernández contra los campesinos afines al gobierno del presidente Evo Morales.
En setiembre pasado, la derecha más recalcitrante, separatista de Bolivia inició una serie de acciones que se movían en dos direcciones concurrentes: lograr un golpe de Estado que destituyese al presidente Evo Morales como hipótesis de máxima, o bajo el pretexto de las “autonomías” desintegrar a la nación entre un ”oriente próspero” o ”Media Luna racialmente blanca” de un occidente indígena.
La “Media Luna” está compuesta por los departamentos de Beni, Pando, Santa Cruz y Tarija. En estas regiones se sucedieron una serie de gravísimos hechos patrocinados por los prefectos, que significaron la toma de distintos edificios públicos que representaban al Estado nacional y daños estimados en 200 millones de dólares. La Aduana Nacional, el Servicio de Impuestos, la Administradora Boliviana de Carreteras, el Instituto Nacional de Reforma Agraria, y la Empresa de Telecomunicaciones fueron algunas de las instituciones tomadas por los separatistas.
Los hechos más luctuosos se registraron en Pando, cuando campesinos de esa región realizaron una asamblea antes del mediodía donde decidieron que marcharían en contra de la toma del Instituto Nacional de la Reforma Agraria (INRA) por parte de los cívicos, que respondían a la voluntad de Fernández.
Los hechos
Los sectores afines al prefecto e incluso organismos de la estructura estatal del Departamento de Pando se organizaron deliberadamente para enfrentar a los campesinos. Los hechos más sangrientos se produjeron en el puente que cruza el río Tahuamanu donde los campesinos fueron emboscados. Se sucedieron disparos de armas de fuego, muchos indígenas se arrojaron al curso de agua para sobrevivir; los que fueron capturados por los ”cívicos” sufrieron detenciones clandestinas y torturas. El saldo fue de 19 muertos y decenas de heridos.
Ante esta situación, y tras haberse declarado el estado de sitio en ese departamento del norte de Bolivia, las Fuerzas Armadas detuvieron al prefecto Fernández, quien fue trasladado a la prisión de San Pedro, en La Paz, por violar la normativa en vigencia y para determinar sus responsabilidades en los sangrientos hechos.
De inmediato, Morales hizo una convocatoria que marca un cambio. En lugar de llamar a la Organización de Estados Americanos (OEA), a la Organización de las Naciones Unidas (ONU) o cualquier otro organismo supra o interestatal, regionalizó la cuestión. Llamó a que la Unasur se manifieste en forma contundente a favor del mantenimiento del orden institucional y la integridad territorial de Bolivia. Los presidentes de Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Ecuador, Guyana, Paraguay, Perú, Uruguay, Surinam y Venezuela respondieron en distinto grado pero en la misma dirección: los doce no permitirían la caída del gobierno legítimamente constituido, ni ningún intento de desmembramiento de la nación altiplánica.”
Para dejar en claro la postura frente a la complicada situación que está padeciendo Bolivia, los miembros de Unasur, el pasado 15 de septiembre se reunieron en el Palacio de la Moneda en Chile. En dicho encuentro los 9 presidentes sudamericanos que se hicieron presentes, expresaron su repudio a los movimientos separatistas y desestabilizadores de la ‘Media Luna’ boliviana…” escribía Taiana González en APM el 21 de setiembre. (Ver: “¿La calma que antecede al huracán?”. APM 21/09/2008)
De ese encuentro en la capital chilena surgió la Declaración de la Moneda, donde se expresaba que “los países integrantes de la Unasur expresan su más pleno y decidido respaldo al Gobierno Constitucional del Presidente Evo Morales, cuyo mandato fue ratificado por una amplia mayoría en el reciente Referéndum”.
Allí declararon que la organización repudia a la masacre de Pando, y respaldan el pedido de que la Unasur pueda constituirse para realizar una investigación imparcial que permita esclarecer los hechos a la brevedad para que no haya impunidad. Tras lo cual se crea una Comisión investigadora, coordinada por el argentino Rodolfo Mattarollo, e integrada por Fermino Fechio (Brasil), Luciano Fouillioux Fernández (Chile), Fulvia Elvira Benavides Cotes (Colombia), Ramiro Rivadaneira Silva (Ecuador), Graciela Caballero (Paraguay), Hugo Contreras Morales (Perú), Juan Faroppa/Juan Alejandro Mernies (Uruguay) y Freddy Gutiérrez (Venezuela).
La investigación
El 29 de setiembre comenzó la investigación de la Comisión de constatación de hechos sobre los sucesos de Pando. La misma recurrió al auxilio de antropólogos forenses de Argentina y Chile, a especialistas en criminalística, penal y criminología. Realizó un pormenorizado trabajo de campo, tomaron testimonios a fuentes primarias, recibieron a miembros del oficialismo, la oposición y a refugiados.
El 1 de octubre la Comisión viajó a Pando, donde visitaron las ciudades de Cobija, Porvenir y Filadelfia, recorrieron los lugares de los hechos y se reunieron con sobrevivientes. Se recogieron testimonios que fueron El 14 de octubre, la Comisión se reunió en La Paz con el Defensor del Pueblo, Waldo Albarracín, quien señaló como actos de “soberanía fáctica” a lo hecho por los comités cívicos de la “Media Luna” fértil, falta de real autonomía del Poder Judicial y de las policías en esas regiones.
Respecto de los hechos de Pando, reafirmó la existencia de grupos armados, disparos a los campesinos, negación de asistencia médica a los heridos, y que no cree factible que los campesinos estuviesen armados. “Cree que hubo una masacre, ya que hubo una acción unilateral sin enfrentamiento de fuerzas”.
El 15 de octubre, la Comisión se reunió con Rafael Vidal, Defensor del Pueblo de Pando, quien se refirió a la impunidad de las autoridades locales. “La toma del INRA (Instituto Nacional de Reforma Agraria) por los ‘cívicos’ es considerada por Vidal como el hecho que desencadena el llamado a asamblea de los campesinos y la organización de la marcha”, señala la Comisión.
El periplo de la Comisión continuó con entrevistas con la Comisión Especial de la Cámara de Diputados, con el ministro de la Presidencia, Juan Ramón Quintana, con el fiscal General de la República, Mario Uribe, y fiscales de la comisión Especial de la Cámara de Diputados. Luego se trasladaron a Sucre para reunirse con los ministros de la Corte Suprema de Justicia. El 29 de octubre, la Comisión se entrevistó con el prefecto Fernández en la prisión de San Pedro, en La Paz, durante tres horas y media. Dos días después, los profesionales se trasladaron a la ciudad de Brasileia, en Brasil (la región donde se produjo la masacre es limítrofe con la nación lusoparlante). Y el 3 de diciembre pasado entregó al Bachelet, quien ejerce la presidencia pro tempore de la Unasur, las conclusiones del informe.
Las conclusiones de la Comisión
El informe comienza sus conclusiones con las prerrogativas que guiaron la investigación: “el imperativo de actuar con imparcialidad la condujo a recoger informes, testimonios y evidencias de todos los actores y sectores involucrados en los hechos que se les encomendó esclarecer”. El punto número 8 agrega que “Contribuir a perforar el muro de la impunidad nos obliga a develar los nombres de los presuntos responsables, ya que la verdad es integral y no puede segmentarse. Las responsabilidades personales exigen esclarecer el papel desempeñado por los distintos actores sin complacencias de ninguna naturaleza”. Es decir, aunque la Comisión no debe inmiscuirse en los asuntos internos de Bolivia, sí van a señalar con nombre y apellido a los responsables de la matanza.
El primer punto de los Indicios y pruebas de los hechos es contundente: “como consecuencia del proceso de confrontación entre los sectores políticos del Departamento de Pando, se produjeron mutuas amenazas y acciones de fuerza al margen de la ley, las que culminaron con muertes y otros hechos delictivos, impulsados por sectores cívicos y prefecturales contra los sectores campesinos, y caracterizada por una evidente desproporción en los medios y fuerzas empleadas”. Lo que se halla resaltado en negrita es la definición jurídica de masacre.
Más adelante, el documento explica que la comisión distingue dos momentos de ese 11 de setiembre: durante las primeras horas del día, el intento de impedir por medio de la fuerza la marcha campesina, en pleno desarrollo. Luego, a partir del mediodía, la masacre de campesinos.
El punto 3 de este subíndice afirma que “Los campesinos coinciden en forma unánime en que la agresión vino de los sectores prefecturales e incluso desde sus máximos dirigentes. Esto fue admitido por el propio prefecto Leopoldo Fernández”, y en el punto siguiente aclara que “quienes buscaron impedir la concentración campesina efectivamente se encontraban armados”.
Existen algunos testimonios acerca de que algunos campesinos estuviesen armados, aunque esta posibilidad no ha podido se constatado fehacientemente. Ni siquiera por las pruebas aportadas por los sectores cívicos y prefecturales.
Los últimos considerandos concluyen que se han producido numerosas ejecuciones sumarias por parte de agentes pertenecientes a la estructura del Gobierno prefectural del Departamento de Pando o afines a ella; y que salvo los casos de Pedro Oshiro y Alfredo Céspedes, el resto de los muertos pertenecen al sector campesino, con signos de muerte por heridas de armas de fuego, según los videos presentados.
En la Conclusiones del documento, la Comisión expresa en su punto número 1 “La convicción intelectual y coral según la cual el 11 de setiembre de 2008, en la localidad de Porvenir y otros sitios del Departamento de Pando, República de Bolivia, se cometió una masacre en el sentido empleado por la Organización de las Naciones Unidas”.
En su punto número 4 agrega que “Aún cuando hubo personas que actuaron particularmente, los agresores de los campesinos lo hicieron en forma organizada y respondían, según algunos testimonios, a una cadena de mando y contaban con funcionarios y bienes del gobierno departamental al servicio de la empresa criminal”. Y el punto 7 cierra introduce la noción de persecución. ”Igualmente la Comisión dispone de elementos que permiten concluir que se desencadenó una clara persecución de un grupo o colectividad con identidad propia fundada en motivos raciales, étnicos, culturales y sociales”.
Las consecuencias a futuro
La Comisión no tiene jurisdicción sobre Bolivia. No puede obligar a este Estado o a alguno de sus poderes a realizar tarea alguna. Es tarea del Poder Judicial boliviano juzgar y condenar a los culpables de la masacre de Pando. Pero ahora los magistrados que lleven adelante esta necesaria tarea no pueden hacer caso omiso al documento entregado a la presidenta temporaria de la Unasur. Esto marca un antes y, esperemos, un después.en el manejo de las crisis institucionales y las violaciones de los Derechos Humanos. El documento realiza distintas recomendaciones sobre qué debe hacer la Justicia en Bolivia, e incluso, en los distintos países de Unasur. Sobre esta línea deben conducirse los gobiernos de América del Sur, ya que se hace hincapié en el respeto de los Derechos Humanos y el respeto a la autodeterminación de las naciones.
Se le puso un límite a la impunidad. El texto es muy claro en que no se actuó debido a las simpatías que pueda generar el proceso que se lleva adelante en Bolivia, sino que se decidió respetar convenciones universalmente aceptadas por la comunidad internacional. No se define a los hechos sangrientos como “masacre” porque los integrantes de la comisión adhieren a la política de Evo Morales, sino porque jurídicamente corresponden los hechos a esta categoría.
No va a ser tan sencillo de ahora en más que un miembro del Estado, como el senador José Villavicencio, grite delante de las cámaras “si Evo quiere sangre, va a haber sangre”, mientras de fondo una turba corría a los tiros a un grupo de indígenas.
Desde un principio se eliminó de cuajo de recurrir a cualquier eufemismo que mencionase dos posturas en contraposición. En el propio texto del documento y en las expresiones vertidas en La Moneda, se deja bien en claro que no se va a admitir el quiebre del orden institucional ni el desmembramiento del país.
No se convocó a “especialistas” de la Unión Europea o Estados Unidos. Al respecto, Washington siempre trató de mostrar al conflicto como el choque entre dos sectores que se disputan el poder para mejorar la situación de Bolivia, mientras que la evidencia nos ha demostrado que de un lado, del gobierno de Evo Morales, se encuentra la población mayoritaria que quiere un Estado integrado y socialmente justo, mientras que del otro lado, la derecha más recalcitrante, sólo hay odio a los sectores campesinos, indígenas, progresistas y pobres. Pero en esta oportunidad el Departamento de Estado no fue tenido en cuenta en absoluto y la Casa Blanca va a tener que esperar.
Hacia el exterior la Unasur mostró un frente homogéneo, sin margen de dudas para el mantenimiento del Estado de Derecho y la integridad territorial. Los próximos intentos de las potencias extranjeras para desmembrar a los países más “díscolos” van a chocar contra este importante antecedente. Nunca se dudó de la legalidad del gobierno en ejercicio, ni se vaciló sobre su vocación democrática. Fuera de la región se ataca a los gobiernos de Morales y de Hugo Chávez (Venezuela) en primer grado, y también a los de Rafael Correa (Ecuador) y hasta a Cristina Fernández (Argentina) acusándoselos de “populistas”. Pero fronteras adentro, en este verdadero subcontinente, las distintas capitales cerraron filas para evitar la intromisión de intereses que nada tienen que ver con nuestra región.
Quizás el punto más importante sea que la región pudo solucionar un problema que tendía a agravarse y cuyas consecuencias eran imprevisibles. Aunque la Unasur existe desde mayo de este año, en este breve período de tiempo, sin dudas, éste es su mayor logro.
pabloramos@prensamercosur.com.ar

setembro 20, 2008

Governador de Pando admite ter ordenado interceptação de camponeses

BRASIL DE FATO, 19.09.08
Em audiência, Leopoldo Fernández confessou ter mandado funcionários de seu governo a El Porvenir, mas disse que tentou acalmar os ânimos
O governador de Pando, Leopoldo Fernández, admitiu à justiça boliviana, nesta quinta-feira (18), ter ordenado seus funcionários a interceptarem a marcha de camponeses até a capital do departamento, Cobija. Ele é acusado pelo massacre de, pelo menos, 16 agricultores, no dia 11, na cidade de El Porvenir. “A última coisa que eu disse ao Serviço Departamental de Estradas foi ‘vão lá e me abram essas valetas. Se não tem formas de parar, me abram essas valetas’”. Dia 16, Fernández foi detido pelas Forças Armadas na sede do governo departamental. Desde então, permanece preso em La Paz.
Fernández se referiu aos buracos abertos na estrada para impedir que a marcha seguisse. Logo depois que os camponeses decidiram voltar, abriu-se fogo contra eles. O juiz que interrogou Fernández afirmou que “o imputado, em sua exposição, estabeleceu que tinha conhecimento do que acontecia dias antes e no mesmo 11 de setembro, quando de registraram mortes de muitas pessoas, inclusive de inocentes”.
Os veículos do Serviço Departamental de Estradas foram identificados por várias testemunhas, que afirmaram que eles trouxeram homens armados em suas caçambas. O juiz disse, ainda, que, com essa ação, o governador de Pando colaborou para a possibilidade de ocorrer confrontos, o que, de fato, aconteceu, “apesar de assinalar que tentou apaziguar os ânimos e não chegar ao enfrentamento”.
Ainda na quinta-feira, foram encontrados mais dois corpos em El Porvenir, de uma criança de dois anos e de um camponês adulto.
Acusado de promover o massacre de camponeses em seu departamento, Fernández está preso desde o dia 16.
Assista vídeo com imagens do massacre em Pando
Nas cenas divulgadas por TV estatal, homens armados atiram contra agricultores que tentavam fugir por um rio
18/09/2008
Um vídeo divulgado pela Televisión Boliviana, (
http://www.youtube.com/watch?v=eFvRGemlv3k&feature=related ) canal estatal, revela imagens do massacre de camponeses ocorridos em Pando, no dia 11. As cenas mostram os agricultores se jogando no rio Tahuamanu, na cidade de El Porvenir, e tentando atravessá-lo, enquanto homens armados disparavam contra eles. Por volta do minuto 3:06, pode-se escutar um homem, às margens do rio, dizer: “Vamos tirá-los da água. Há vários índios… (palavra inaudível)… lá”. ?
Mídia acoberta terroristas da Bolívia
Altamiro Borges
É repugnante a cobertura que o grosso da mídia hegemônica tem dado aos trágicos confrontos na Bolívia. A manipulação é grotesca até na terminologia
17/09/2008
“Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz”. Jorge Chávez, líder da oligarquia racista de Tarija.
“Não vejo razão pela qual se deve permitir o Chile se tornar marxista pela irresponsabilidade de seu povo”. Henry Kissinger, secretário de Estado do EUA, poucos dias antes do golpe de 11 de setembro de 1973 que derrubou Salvador Allende.
É repugnante a cobertura que o grosso da mídia hegemônica tem dado aos trágicos confrontos na já sofrida Bolívia. Os serviçais da TV Globo tratam os chefões golpistas como “líderes cívicos” e “dirigentes regionais”. Mirian Leitão, que esbanjou valentia ao sugerir que o governo brasileiro retirasse o nosso embaixador de La Paz e enviasse tropas às fronteiras quando da estatização do petróleo, agora é toda afável com a oligarquia racista deste país. Outros “colunistas” bem pagos da mídia chegam a insinuar que a culpa pelos violentos conflitos, que já causaram oito mortes, é do presidente Evo Morales, “um radical e populista” que instigou o separatismo regional.
A manipulação é grotesca até na terminologia. No caso das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que há décadas enfrentam as oligarquias paramilitares e que foram excluídas violentamente da luta institucional no país, os guerrilheiros são estigmatizados como terroristas, narcotraficantes, bandidos. Já os bandos terroristas da Bolívia, organizados e armados pela elite racista que desrespeita o voto popular, são tratados como “comitês cívicos” e “grupos rebeldes”. O embaixador estadunidense Philip Goldberg, que acaba de ser expulso da Bolívia por estimular abertamente a divisão do país, é apresentado pela mídia subserviente como “negociador”.
A triste lembrança do Chile
O que está em curso na Bolívia é um golpe fascista organizado pela oligarquia local e teleguiado pelos EUA. Seus métodos terroristas lembram o ocorrido no Chile, em setembro de 1973, noutro golpe sangrento orquestrado pelo “império do mal”. Visam desestabilizar e derrubar o governo democraticamente eleito de Evo Morales, confirmado em agosto num referendo. Poucos são os veículos midiáticos e os “colunistas” que denunciam esta conspiração, talvez porque torçam pela derrota do que FHC chamou num paper ao governo Bush de “esquerdização da América Latina”. Como verdadeiro “partido da direita e do capital”, a mídia burguesa não tolera a democracia!
Uma das raras exceções foi o lúcido artigo de Clóvis Rossi, que há muito estava adormecido por seu rancor antiesquerda. “O que está em andamento na Bolívia é uma tentativa de golpe contra o presidente Evo Morales. Segue uma linha ideológica e táticas parecidas as que levaram ao golpe no Chile, em 1973, contra o governo de Salvador Allende, tão constitucional e legítimo quanto o de Evo Morales. Os bloqueios agora adotados nos Departamentos são uma cópia dos locautes de caminhoneiros que ajudaram a sitiar o governo Allende… Nem o governo nem a oposição no Brasil têm o direito ao silêncio”, escreveu, relembrando sua perspicácia e coragem do passado.
O criminoso Philip Goldberg
A conspiração golpista na Bolívia, acobertada pelo grosso da mídia nativa, exige rápida resposta das forças progressistas e democráticas do Brasil. Como afirmou Evo Morales, trata-se de “uma violência fascista com o objetivo de acabar com a democracia e dividir o país”. Sob o biombo da autonomia regional, governadores de cinco departamentos (estados) e abastados empresários têm financiado bandos terroristas que já assassinaram oito camponeses favoráveis ao governo eleito, saquearam prédios públicos, destruíram uma emissora estatal de televisão, sabotaram gasodutos, bloquearam rodovias e proibiram o próprio presidente de pousar em três aeroportos do país.
Segundo relatos de Marco Aurélio Weissheimer, da Carta Maior, na semana passada “grupos de jovens de setores da classe média branca, que não escondem seu sentimento racista em relação a Evo Morales, lideraram as manifestações. Capitaneados pela União Juvenil Cruzense (UJC), eles invadiram o prédio da empresa estatal de telecomunicação para ‘entregá-lo à administração do governo Rubén Costas’, de Santa Cruz. Na Televisión Boliviana/Canal 7, saquearam o escritório, destruíram computadores e fizeram uma fogueira na entrada do prédio”. Além de Santa Cruz, as ações terroristas ocorrem em outros quatro departamentos – Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca.
Os EUA estão diretamente metidos no complô. O embaixador Philip Goldberg já foi fotografado em eventos da União Juvenil Cruzense (UJC), grupo terrorista de Santa Cruz que utiliza o slogan “terminemos com os ‘collas’ [indígenas], raça maldita”. A embaixada ianque até contratou vários destes bandidos. Goldberg é um fascista convicto. Como embaixador dos EUA na ex-Iugoslávia, ele orquestrou a crise no Kosovo e a sangrenta guerra civil separatista naquele país. Declarado persona non grata, ele finalmente foi expulso da Bolívia. “Não queremos aqui gente separatista, divisionista, que conspira contra a unidade do país”, justificou o presidente Evo Morales.
Intensificar a solidariedade internacionalista
O governo, mesmo aberto ao diálogo, não tem se submetido à pressão dos golpistas, que exigem a anulação da nova Constituição e do referendo que aprovou a manutenção do mandato de Evo Morales. Ocorrido em 10 de agosto, por demanda da própria oposição, o referendo confirmou a força do atual presidente. Evo foi ratificado em 95 das 112 províncias do país e, apesar do caos promovido pelos golpistas, teve mais votos do que na eleição presidencial – obteve 67,41% dos votos, bem acima dos 53,3% em 2005. Sua votação cresceu em oito dos nove departamentos e o referendo ainda revogou o mandato de dois governadores ligados às oligarquias racistas.
Desesperada, a elite investe no terrorismo e esbarra na resistência do governo e do povo. “Vamos agir com serenidade, mas também com firmeza”, diz Alfredo Rada, ministro da Defesa. Walker Sam Miguel, ministro do Interior, garante que “os fascistas não passarão”. O governo já decretou estado de sítio, ameaça deter os chefes terroristas e acionou tropas do exército nos departamentos para garantir o fornecimento de gás e a ordem pública. A derrota dos fascistas, porém, exige o apoio dos governos e dos movimentos sociais na América Latina. O que está em jogo é o avanço da democracia, é a derrota das oligarquias, do “império do mal” e da mídia mentirosa.
Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “Encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi).

setembro 19, 2008

"Imperialismo sanguinário", por Mauro Santayana

ADITAL – 18/9/2008
Mauro Santayana *
O que está ocorrendo na Bolívia ocorreu no Brasil, em 1964; no Chile, em 1973; na Argentina, em 1976, e quase ocorreu na Venezuela, em 2002. Tudo começou com a usurpação de 1.300 mil km² do território do México, na guerra movida pelo presidente Polk (1846/1848). E em 1856, o mercenário ianque William Walker se declarou presidente da Nicarágua. Podemos deixar de lado o caso bem conhecido da intervenção em Cuba, desde sua ”independência” até a Revolução de 1959.
No início do século 20, para construir o canal, os norte-americanos promoveram o movimento separatista do Panamá – que pertencia à Colômbia – e obtiveram, da constituição que eles mesmos redigiram, o direito de intervir no país quando necessário.
Entre 1926 e 1933, a Nicarágua viveu a extraordinária gesta de Sandino – em seu tempo, mito maior do que o de Guevara. Ele enfrentou vitoriosamente os marines, foi traído e assassinado por Somoza, em encontro marcado para a conciliação nacional. Como prêmio, o democrata Roosevelt fez do assassino o ditador da Nicarágua, que legou o país a seu filho, até a vitória dos sandinistas em 1979, quando os EUA armaram os contra-revolucionários. Em El Salvador o terrorismo norte-americano matou dezenas de milhares de pessoas, entre elas o bispo dom Oscar Romero, junto ao altar, em 24/03/1980.
Em 1964, os norte-americanos estimularam e orientaram, mediante seus diplomatas e agentes, o golpe contra o governo constituído de Jango. Como hoje na Bolívia, houve a orquestração da imprensa, o incentivo aos baderneiros, a mobilização da extrema direita.
Em 1973 foi a vez do Chile. Repetiu-se o mesmo modelo, com o envolvimento das forças armadas, o uso de vultosos recursos financeiros, a cooptação remunerada dos serviços de informação, os atos de sabotagem, o lock-out dos empresários e o estímulo a agentes provocadores. O golpe contra Allende só foi consumado com a morte do grande presidente. O envolvimento dos Estados Unidos no episódio é registrado em documentos oficiais de Washington.
A Venezuela, mesmo depois de o presidente constitucional Hugo Chávez ter sido seqüestrado, conseguiu impedir o golpe de abril de 2002 – cf. filme em DVD La revolucion non sera televisionada – , patrocinado pelos Estados Unidos, pelas multinacionais, empresários locais e os meios de comunicação. No fim da última semana, era denunciada nova articulação golpista.
Com a experiência que temos do passado, é quase certo que Washington se encontre por detrás da conspiração. Chávez, diante dos fatos na Bolívia, teve a coragem de expulsar o embaixador dos Estados Unidos. Morales também havia decidido declarar persona non grata o embaixador norte-americano em La Paz, e com razões públicas e objetivas: o diplomata estava se reunindo com os governadores da oposição que pregam a independência de suas regiões.
A Bolívia não se encontra nas antípodas. Está ali, ao lado. A nossa posição, no episódio, deve ser orientada pela velha afirmação do princípio de não intervenção.
Fez bem o Brasil em acatar a decisão de Evo Morales de declinar do oferecimento dos vizinhos para buscar a conciliação. Morales preferiu convidar o prefeito de Tarija, a fim de conversar.
O problema maior é o grande latifúndio: 860 proprietários controlam 46% das terras da planície (quatro deles com glebas de mais de 50 mil hectares cada um), enquanto 54 mil empresários médios só possuem 7,3% da área. Os índios foram despojados de suas terras, e o agronegócio (movido por croatas, sírio-libaneses, norte-americanos e brasileiros) está por detrás das agitações. É ainda mais grave saber que a razão invocada pelos baderneiros é a de que Morales vai usar os recursos do gás para socorrer os bolivianos idosos e pobres.
Não é provável uma saída rápida para a crise. Ainda que se chegue a um acordo entre o presidente e os governadores da região oriental, o problema continuará latente. O caso da Bolívia é também uma advertência para a nossa política fundiária na Amazônia. Estamos permitindo a aquisição de glebas na região por estrangeiros e por grandes fundos de investimentos (que são apátridas, como o Opportunity), o que trará grande risco em futuro próximo.
Aos Estados Unidos não interessa a estabilidade de nenhum país do continente. É evidente que tanto na Venezuela, quanto na Bolívia, seus agentes, oficiais e embuçados, incentivam os inimigos de Morales e de Chávez. Diante da situação, os demais países sul-americanos devem unir-se diplomaticamente e impedir o pior.
[Publicado no Jornal do Brasil, 14/09/2008]
* Jornalista. Colunista da Agência Carta Maior

"Imperialismo sanguinário", por Mauro Santayana

ADITAL – 18/9/2008
Mauro Santayana *
O que está ocorrendo na Bolívia ocorreu no Brasil, em 1964; no Chile, em 1973; na Argentina, em 1976, e quase ocorreu na Venezuela, em 2002. Tudo começou com a usurpação de 1.300 mil km² do território do México, na guerra movida pelo presidente Polk (1846/1848). E em 1856, o mercenário ianque William Walker se declarou presidente da Nicarágua. Podemos deixar de lado o caso bem conhecido da intervenção em Cuba, desde sua ”independência” até a Revolução de 1959.
No início do século 20, para construir o canal, os norte-americanos promoveram o movimento separatista do Panamá – que pertencia à Colômbia – e obtiveram, da constituição que eles mesmos redigiram, o direito de intervir no país quando necessário.
Entre 1926 e 1933, a Nicarágua viveu a extraordinária gesta de Sandino – em seu tempo, mito maior do que o de Guevara. Ele enfrentou vitoriosamente os marines, foi traído e assassinado por Somoza, em encontro marcado para a conciliação nacional. Como prêmio, o democrata Roosevelt fez do assassino o ditador da Nicarágua, que legou o país a seu filho, até a vitória dos sandinistas em 1979, quando os EUA armaram os contra-revolucionários. Em El Salvador o terrorismo norte-americano matou dezenas de milhares de pessoas, entre elas o bispo dom Oscar Romero, junto ao altar, em 24/03/1980.
Em 1964, os norte-americanos estimularam e orientaram, mediante seus diplomatas e agentes, o golpe contra o governo constituído de Jango. Como hoje na Bolívia, houve a orquestração da imprensa, o incentivo aos baderneiros, a mobilização da extrema direita.
Em 1973 foi a vez do Chile. Repetiu-se o mesmo modelo, com o envolvimento das forças armadas, o uso de vultosos recursos financeiros, a cooptação remunerada dos serviços de informação, os atos de sabotagem, o lock-out dos empresários e o estímulo a agentes provocadores. O golpe contra Allende só foi consumado com a morte do grande presidente. O envolvimento dos Estados Unidos no episódio é registrado em documentos oficiais de Washington.
A Venezuela, mesmo depois de o presidente constitucional Hugo Chávez ter sido seqüestrado, conseguiu impedir o golpe de abril de 2002 – cf. filme em DVD La revolucion non sera televisionada – , patrocinado pelos Estados Unidos, pelas multinacionais, empresários locais e os meios de comunicação. No fim da última semana, era denunciada nova articulação golpista.
Com a experiência que temos do passado, é quase certo que Washington se encontre por detrás da conspiração. Chávez, diante dos fatos na Bolívia, teve a coragem de expulsar o embaixador dos Estados Unidos. Morales também havia decidido declarar persona non grata o embaixador norte-americano em La Paz, e com razões públicas e objetivas: o diplomata estava se reunindo com os governadores da oposição que pregam a independência de suas regiões.
A Bolívia não se encontra nas antípodas. Está ali, ao lado. A nossa posição, no episódio, deve ser orientada pela velha afirmação do princípio de não intervenção.
Fez bem o Brasil em acatar a decisão de Evo Morales de declinar do oferecimento dos vizinhos para buscar a conciliação. Morales preferiu convidar o prefeito de Tarija, a fim de conversar.
O problema maior é o grande latifúndio: 860 proprietários controlam 46% das terras da planície (quatro deles com glebas de mais de 50 mil hectares cada um), enquanto 54 mil empresários médios só possuem 7,3% da área. Os índios foram despojados de suas terras, e o agronegócio (movido por croatas, sírio-libaneses, norte-americanos e brasileiros) está por detrás das agitações. É ainda mais grave saber que a razão invocada pelos baderneiros é a de que Morales vai usar os recursos do gás para socorrer os bolivianos idosos e pobres.
Não é provável uma saída rápida para a crise. Ainda que se chegue a um acordo entre o presidente e os governadores da região oriental, o problema continuará latente. O caso da Bolívia é também uma advertência para a nossa política fundiária na Amazônia. Estamos permitindo a aquisição de glebas na região por estrangeiros e por grandes fundos de investimentos (que são apátridas, como o Opportunity), o que trará grande risco em futuro próximo.
Aos Estados Unidos não interessa a estabilidade de nenhum país do continente. É evidente que tanto na Venezuela, quanto na Bolívia, seus agentes, oficiais e embuçados, incentivam os inimigos de Morales e de Chávez. Diante da situação, os demais países sul-americanos devem unir-se diplomaticamente e impedir o pior.
[Publicado no Jornal do Brasil, 14/09/2008]
* Jornalista. Colunista da Agência Carta Maior

"Imperialismo sanguinário", por Mauro Santayana

ADITAL – 18/9/2008
Mauro Santayana *
O que está ocorrendo na Bolívia ocorreu no Brasil, em 1964; no Chile, em 1973; na Argentina, em 1976, e quase ocorreu na Venezuela, em 2002. Tudo começou com a usurpação de 1.300 mil km² do território do México, na guerra movida pelo presidente Polk (1846/1848). E em 1856, o mercenário ianque William Walker se declarou presidente da Nicarágua. Podemos deixar de lado o caso bem conhecido da intervenção em Cuba, desde sua ”independência” até a Revolução de 1959.
No início do século 20, para construir o canal, os norte-americanos promoveram o movimento separatista do Panamá – que pertencia à Colômbia – e obtiveram, da constituição que eles mesmos redigiram, o direito de intervir no país quando necessário.
Entre 1926 e 1933, a Nicarágua viveu a extraordinária gesta de Sandino – em seu tempo, mito maior do que o de Guevara. Ele enfrentou vitoriosamente os marines, foi traído e assassinado por Somoza, em encontro marcado para a conciliação nacional. Como prêmio, o democrata Roosevelt fez do assassino o ditador da Nicarágua, que legou o país a seu filho, até a vitória dos sandinistas em 1979, quando os EUA armaram os contra-revolucionários. Em El Salvador o terrorismo norte-americano matou dezenas de milhares de pessoas, entre elas o bispo dom Oscar Romero, junto ao altar, em 24/03/1980.
Em 1964, os norte-americanos estimularam e orientaram, mediante seus diplomatas e agentes, o golpe contra o governo constituído de Jango. Como hoje na Bolívia, houve a orquestração da imprensa, o incentivo aos baderneiros, a mobilização da extrema direita.
Em 1973 foi a vez do Chile. Repetiu-se o mesmo modelo, com o envolvimento das forças armadas, o uso de vultosos recursos financeiros, a cooptação remunerada dos serviços de informação, os atos de sabotagem, o lock-out dos empresários e o estímulo a agentes provocadores. O golpe contra Allende só foi consumado com a morte do grande presidente. O envolvimento dos Estados Unidos no episódio é registrado em documentos oficiais de Washington.
A Venezuela, mesmo depois de o presidente constitucional Hugo Chávez ter sido seqüestrado, conseguiu impedir o golpe de abril de 2002 – cf. filme em DVD La revolucion non sera televisionada – , patrocinado pelos Estados Unidos, pelas multinacionais, empresários locais e os meios de comunicação. No fim da última semana, era denunciada nova articulação golpista.
Com a experiência que temos do passado, é quase certo que Washington se encontre por detrás da conspiração. Chávez, diante dos fatos na Bolívia, teve a coragem de expulsar o embaixador dos Estados Unidos. Morales também havia decidido declarar persona non grata o embaixador norte-americano em La Paz, e com razões públicas e objetivas: o diplomata estava se reunindo com os governadores da oposição que pregam a independência de suas regiões.
A Bolívia não se encontra nas antípodas. Está ali, ao lado. A nossa posição, no episódio, deve ser orientada pela velha afirmação do princípio de não intervenção.
Fez bem o Brasil em acatar a decisão de Evo Morales de declinar do oferecimento dos vizinhos para buscar a conciliação. Morales preferiu convidar o prefeito de Tarija, a fim de conversar.
O problema maior é o grande latifúndio: 860 proprietários controlam 46% das terras da planície (quatro deles com glebas de mais de 50 mil hectares cada um), enquanto 54 mil empresários médios só possuem 7,3% da área. Os índios foram despojados de suas terras, e o agronegócio (movido por croatas, sírio-libaneses, norte-americanos e brasileiros) está por detrás das agitações. É ainda mais grave saber que a razão invocada pelos baderneiros é a de que Morales vai usar os recursos do gás para socorrer os bolivianos idosos e pobres.
Não é provável uma saída rápida para a crise. Ainda que se chegue a um acordo entre o presidente e os governadores da região oriental, o problema continuará latente. O caso da Bolívia é também uma advertência para a nossa política fundiária na Amazônia. Estamos permitindo a aquisição de glebas na região por estrangeiros e por grandes fundos de investimentos (que são apátridas, como o Opportunity), o que trará grande risco em futuro próximo.
Aos Estados Unidos não interessa a estabilidade de nenhum país do continente. É evidente que tanto na Venezuela, quanto na Bolívia, seus agentes, oficiais e embuçados, incentivam os inimigos de Morales e de Chávez. Diante da situação, os demais países sul-americanos devem unir-se diplomaticamente e impedir o pior.
[Publicado no Jornal do Brasil, 14/09/2008]
* Jornalista. Colunista da Agência Carta Maior

"Imperialismo sanguinário", por Mauro Santayana

ADITAL – 18/9/2008
Mauro Santayana *
O que está ocorrendo na Bolívia ocorreu no Brasil, em 1964; no Chile, em 1973; na Argentina, em 1976, e quase ocorreu na Venezuela, em 2002. Tudo começou com a usurpação de 1.300 mil km² do território do México, na guerra movida pelo presidente Polk (1846/1848). E em 1856, o mercenário ianque William Walker se declarou presidente da Nicarágua. Podemos deixar de lado o caso bem conhecido da intervenção em Cuba, desde sua ”independência” até a Revolução de 1959.
No início do século 20, para construir o canal, os norte-americanos promoveram o movimento separatista do Panamá – que pertencia à Colômbia – e obtiveram, da constituição que eles mesmos redigiram, o direito de intervir no país quando necessário.
Entre 1926 e 1933, a Nicarágua viveu a extraordinária gesta de Sandino – em seu tempo, mito maior do que o de Guevara. Ele enfrentou vitoriosamente os marines, foi traído e assassinado por Somoza, em encontro marcado para a conciliação nacional. Como prêmio, o democrata Roosevelt fez do assassino o ditador da Nicarágua, que legou o país a seu filho, até a vitória dos sandinistas em 1979, quando os EUA armaram os contra-revolucionários. Em El Salvador o terrorismo norte-americano matou dezenas de milhares de pessoas, entre elas o bispo dom Oscar Romero, junto ao altar, em 24/03/1980.
Em 1964, os norte-americanos estimularam e orientaram, mediante seus diplomatas e agentes, o golpe contra o governo constituído de Jango. Como hoje na Bolívia, houve a orquestração da imprensa, o incentivo aos baderneiros, a mobilização da extrema direita.
Em 1973 foi a vez do Chile. Repetiu-se o mesmo modelo, com o envolvimento das forças armadas, o uso de vultosos recursos financeiros, a cooptação remunerada dos serviços de informação, os atos de sabotagem, o lock-out dos empresários e o estímulo a agentes provocadores. O golpe contra Allende só foi consumado com a morte do grande presidente. O envolvimento dos Estados Unidos no episódio é registrado em documentos oficiais de Washington.
A Venezuela, mesmo depois de o presidente constitucional Hugo Chávez ter sido seqüestrado, conseguiu impedir o golpe de abril de 2002 – cf. filme em DVD La revolucion non sera televisionada – , patrocinado pelos Estados Unidos, pelas multinacionais, empresários locais e os meios de comunicação. No fim da última semana, era denunciada nova articulação golpista.
Com a experiência que temos do passado, é quase certo que Washington se encontre por detrás da conspiração. Chávez, diante dos fatos na Bolívia, teve a coragem de expulsar o embaixador dos Estados Unidos. Morales também havia decidido declarar persona non grata o embaixador norte-americano em La Paz, e com razões públicas e objetivas: o diplomata estava se reunindo com os governadores da oposição que pregam a independência de suas regiões.
A Bolívia não se encontra nas antípodas. Está ali, ao lado. A nossa posição, no episódio, deve ser orientada pela velha afirmação do princípio de não intervenção.
Fez bem o Brasil em acatar a decisão de Evo Morales de declinar do oferecimento dos vizinhos para buscar a conciliação. Morales preferiu convidar o prefeito de Tarija, a fim de conversar.
O problema maior é o grande latifúndio: 860 proprietários controlam 46% das terras da planície (quatro deles com glebas de mais de 50 mil hectares cada um), enquanto 54 mil empresários médios só possuem 7,3% da área. Os índios foram despojados de suas terras, e o agronegócio (movido por croatas, sírio-libaneses, norte-americanos e brasileiros) está por detrás das agitações. É ainda mais grave saber que a razão invocada pelos baderneiros é a de que Morales vai usar os recursos do gás para socorrer os bolivianos idosos e pobres.
Não é provável uma saída rápida para a crise. Ainda que se chegue a um acordo entre o presidente e os governadores da região oriental, o problema continuará latente. O caso da Bolívia é também uma advertência para a nossa política fundiária na Amazônia. Estamos permitindo a aquisição de glebas na região por estrangeiros e por grandes fundos de investimentos (que são apátridas, como o Opportunity), o que trará grande risco em futuro próximo.
Aos Estados Unidos não interessa a estabilidade de nenhum país do continente. É evidente que tanto na Venezuela, quanto na Bolívia, seus agentes, oficiais e embuçados, incentivam os inimigos de Morales e de Chávez. Diante da situação, os demais países sul-americanos devem unir-se diplomaticamente e impedir o pior.
[Publicado no Jornal do Brasil, 14/09/2008]
* Jornalista. Colunista da Agência Carta Maior

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