Como sói acontecer, nosso povo sempre se encontra na vanguarda, sempre muito à frente de nossos legisladores, intelectuais e claro [ cristalino como a água ] nossos políticos; e, mesmo dentre nosso povo, existe uma vanguarda, uma elite, um polo irradiador de tendências: o povo paulistano, é dele que falo!!
O povo paulistano já se encarregou – e há muito – em desusar termos e expressões anacrônicas e inservíveis.
Palavras, que signifiquem abstrações como gentileza e cortesia [ por exemplo ] estão sendo [ têm sido ] sumariamente exterminadas e, como consequência, as idéias que essas palavras simbolizariam e concretizariam também estão desaparecendo – em ritmo de crescimento econômico chinês – de nosso dia-a-dia ( significante e significado: PUFFF! ). O mesmo vale para preciosismos, arcaísmos e elitismos, como as expressões “Por favor!”, “Obrigado!” e “Com licença!”, que já não mais fazem parte do vocabulário dos paulistanos. Novos tempos, novos tempos. Só que, enquanto tais termos persistirem existindo em nossos dicionários, ainda há a tentação totalitária de se fazer com que voltem a ser usadas. As forças do retrocesso não descansam. Focos de resistência pipocam aqui e ali, mas serão vencidas inapelavelmente. As novas gerações se encarregam ( e se encarregarão ) de completar o serviço e limpar o terreno. Vocábulos inúteis serão devidamente defenestrados dos dicionários e glossários.
Palavras, termos e expressões que, refletindo os novos tempos, são devidamente abandonados em favor da modernidade, a exemplo de regras e leis que nosso povo tornou obsoletos – como é o caso da antiquíssima proibição do uso de aparelhos sonoros dentro dos ônibus de São Paulo, uma odiosa lei do período [ olha que sugestivo ] da Ditadura Militar – sem cerimônias fúnebres.
Leis ditatoriais, como essa recém mencionada, devem cair e é nossa obrigação promover sua queda: se não pela inutilidade, que seja pelo tipo de princípio que representa. Neste caso último, o fato de ter entrado em vigor durante a Ditadura justifica, por si, sua derrubada. Ou seja, se por exemplo, a lei da gravidade tivesse sido promulgada por imposição da Junta, sua revogação se faria um imperativo às forças democráticas quando estas viessem a conquistar o poder, sob o risco de, em caso de manutenção de talanacronismo totalitarista, a desmoralização completa dos ideais democráticos seria consumada então.
A estátua a simbolizar o “antigo” será derrubada, e o “novo” ocupará seu espaço.

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