ENCALHE

junho 10, 2008

Em nota oficial, advogado do Pe. Júlio Lancelotti afirma que liberdade concedida a acusados representa ameaça à segurança do religioso

Ainda inconformados com a absurda absolvição do mandante da morte da Irmã Doroty, recebemos agora mais esta notícia da lamentável “absolvição”.
Coragem, Pe. Júlio, conte com nossas orações e nossa luta.
José Tadeu Genaro

Nota oficial do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh
09/06/2008
Fomos surpreendidos pela decisão do Juízo Criminal de Primeira Instância – 31ª Vara Criminal, que absolveu os quatro acusados de extorsão contra o Pe. Júlio Lancellotti.
Aguardamos que o Ministério Público, titular da ação penal e responsável pela acusação, recorra da decisão ao Tribunal de Justiça, uma vez que nossa atuação no caso, como advogados do padre, é de assistência da acusação.
Confiamos que a decisão será reformada pelo Tribunal de Justiça, já que o inquérito policial que investigou o caso concluiu que os acusados praticaram extorsão contra Júlio Lancellotti. E o Ministério Público de São Paulo também considerou que o Pe. Júlio foi vítima de uma quadrilha e, após as provas produzidas no decorrer do processo judicial, pediu a condenação dos acusados por extorsão e formação de quadrilha.
Mais do que isso, os acusados tiveram a prisão preventiva decretada no curso das investigações e viram negados todos os pedidos de liberadade feitos ao Poder Judiciário.
No momento, nossa preocupação é com a segurança de Júlio Lancellotti, tendo em vista que os acusados, presos até hoje, por força de sentença serão colocados em liberdade.

fevereiro 26, 2008

Caso Padre Júlio Lancelotti X escória, classe média mau-caráter e imprensalão: difamadores poderão ser processados pela Igreja

Azenha: Igreja poderá processar difamadores do Padre Júlio
Por André Lux
26 de Fevereiro de 2008
por Luiz Carlos Azenha, no blog Vi o Mundo.
SÃO PAULO – Tudo indica que os quatro acusados de extorquir o padre Júlio Lancellotti serão julgados já na semana que vem, de acordo com duas fontes próximas ao religioso. Eles são Anderson Batista, de 25 anos, sua mulher Conceição Eleutério, de 44, e os irmãos Evandro e Everson Guimarães. Antes disso o padre não dará entrevistas.
A denúncia original partiu do próprio padre Júlio, em agosto de 2007. Ele afirmou à polícia que sofreu ameaças de agressão e de falsas denúncias de pedofilia caso não fizesse os pagamentos – que podem ter chegado a 150 mil reais. A defesa de Júlio Lancellotti acredita que houve uma combinação de fatores políticos e religiosos impulsionando a tentativa de transformar o acusador em réu, além da falta de rigor jornalístico, sensacionalismo e incompetência.
Em 2007 o padre Júlio se envolveu em uma polêmica pública com políticos ligados ao grupo que controla a Prefeitura de São Paulo. A polêmica se relacionava à implantação, pela prefeitura, de rampas antimendigo sob viadutos da cidade.
No início deste ano o cadeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, disse ao jornal O Globo: “Não afasto a possibilidade de a igreja ir à Justiça exigindo reparos. Nenhuma das acusações foi comprovada até agora. E já estamos no fim das investigações.”
As investigações foram concluídas sem a comprovação de que o padre tenha cometido crime.
O padre Júlio tem dito a amigos que ficou especialmente abalado pela atuação de representantes de um jornal que teriam pedido a Anderson, acusado de extorsão, “para procurar entre os meninos de rua outros que pudessem reforçar acusações de pedofilia contra ele”.
Suposições e ilações de colunistas abriram espaço para comentários anônimos como o que aparece abaixo:
“Anonymous
So cego nao enxerga que essas ONG’s sao sangue sugas do bolso co cidadao. Serve para lavar dinheiro, descivar recursos do governo. Sao verdadeiras quadrilhas estabelecidas ao rigor da lei. Acabem-se os Lancelottis da vidal, pervertidos que exploram a miseria humana e nada fazem. Sao verdadeiros pulhas da sociedade. Fora Lancelotti, voce foi descoberto na pratica de atos vis, sob a imunidade de uma batina. Que a Igreja saiba puni-lo, expulsando de seu meio. Que o MP acione e que a sentenca de condenacao seja de alto valor para desmontar esse falso caridoso.”

fevereiro 6, 2008

Padre Júlio, o desfecho

Pedro Venceslau
Portal Imprensa
30/01/08
No último dia 25 de janeiro, o arcebispo emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, estava se preparando para o início da missa em celebração ao aniversário de São Paulo, quando avistou, na entrada do clero, seu afilhado, padre Júlio Lancellotti. Apesar da saúde debilitada, fez questão de levantar para cumprimentar seu discípulo e amigo. Apenas uma jornalista presente notou este detalhe: a repórter Angélica Pinheiro, da revista IMPRENSA.
Definitivamente, o padre Júlio não estava entre as pautas dos setoristas escalados para trabalhar no feriado prolongado. Mas devia estar. A qualquer momento, o juiz Caio Farto Salles, da 31º Vara Criminal de São Paulo, na Barra Funda, pode promulgar a sentença que vai definir, de uma vez por todas, se o padre foi vítima de extorsão. Desde que foi encerrado, em 8 de novembro, o inquérito policial repousa na mesa do magistrado à espera de uma sentença. Para refrescar a memória: o inquérito policial concluiu que o padre foi, realmente, vítima de extorsão das quatro pessoas presas, preventivamente, após denúncia que o próprio Lancellotti fez, em agosto do ano passado, quando extorquido em cerca de R$ 80 mil. Concluído o inquérito, a polícia indiciou, portanto, o ex-interno da antiga Febem, Anderson Batista, 25; sua mulher, Conceição Eletério, 44; e os irmãos, Evandro e Everson Guimarães. Além desses, a polícia investiga Marcos José de Lima, conhecido de Batista, também acusado de chantagear o padre.
Angélica acompanhou todas as aparições públicas do padre desde 21 de dezembro, quando foi realizada a tradicional ceia anual que precede o “Encontro do Povo da Rua”. No dia seguinte, 22 de dezembro, o presidente Lula foi ao encontro, como faz desde que o evento foi criado, há cinco anos. A imprensa noticiou o fato, mas não mencionou o inquérito. Também não reparou que aquele foi o segundo evento, em menos de quatro meses, em que o padre foi recebido pelo presidente diante das câmeras. No entorno de Júlio Lancellotti, a expectativa é de que o juiz condene a quadrilha. Só quando isso acontecer, o padre, que nunca fugiu de jornalista, vai começar a falar. Será o momento, enfim, da reação.
Para IMPRENSA, Dom Odilo Scherer disse que a Igreja estuda pedir reparações após a conclusão do inquérito. Parou por aí. Não disse nem qual, nem quem. A posição de Dom Odilo, porém, tem um grande significado simbólico. Depois de resistir em silêncio – por orientação de seu advogado – durante seis meses, Júlio Lancellotti vai reaparecer mais forte do que nunca, cercado de amigos, fiéis, entidades, ONG´s. partidos políticos e jornalistas simpáticos à sua causa. Se isso acontecer – e eu aposto que sim – a imprensa sentará no banco dos réus: houve um linchamento? Uma segunda “Escola Base”?
Mas nem a vitória, nem a derrota encerrariam o caso. Existe um outro inquérito em andamento, no qual o padre é acusado, por uma suposta ex-funcionária da Casa Vida, que por ele é coordenada, de assédio sexual a um menor. Esse desfecho ainda vai demorar, ou pode nem acontecer, por falta de provas. Até lá, um grupo de trabalho cuidará da comunicação e da estratégia. A trincheira é um site (
www.padrejulio.com.br), que serve como referência para os fiéis e amigos. São as cenas dos próximos capítulo dessa história baseada em fatos reais.
Pedro Venceslau, 31, é jornalista, editor-executivo da Revista IMPRENSA e apresentador do programa “IMPRENSA na TV”, na ALLTV. veja mais

novembro 17, 2007

Castelo de Caras: Presidente da Fundação Casa ( ex-FEBEM, tantas vezes denunciada pelo pe. Júlio Lancelotti ) é afastada do cargo, sem motivo!!!!

Filed under: ECA, FEBEM, Fundação Casa, Padre Júlio Lancelotti, violência — Humberto @ 12:12 am
Internação insalubre
Justiça afasta do cargo a presidente da Fundação Casa
A presidente da Fundação Casa, antiga Febem de São Paulo, Berenice Maria Gianella, deve ser afastada do cargo. A Unidade de Internação Tietê da Fundação Casa (antiga Febem), na capital paulista, também deve ser fechada definitivamente. A determinação é do Departamento de Execuções da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo, assinada pela juíza Mônica Ribeiro de Souza Paukoski.

( O governo tucano sempre se prezou em garantir a ressociabilização dos jovens e não mediu esforços na busca da qualidade de vida para os internos da instituição. A juíza que decidiu pelo afastamento da presidente da Fundação Casa só pode ser petista. )

A Justiça fixou prazo de 15 dias para a transferência de todos os adolescentes internados na Unidade Tietê “para unidades adequadas, que atendam os requisitos da Lei Federal 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente)”.
Em seu despacho, a juíza Mônica cita laudos de instituições como o Conselho Regional de Enfermagem, o Conselho Regional de Psicologia, a Vigilância Sanitária e a Contru, entre outras, “que inspecionaram a unidade e concluíram pela total inadequação da estrutura física do local, que por suas condições extremamente precárias de higiene, salubridade e habitabilidade, colocam em risco a saúde e a integridade dos adolescentes e funcionários que lá permanecem”.
O afastamento da presidente da Fundação Casa baseia-se no artigo 97 do Estatuto da Criança e do Adolescente. “A presidente da Fundação assenta-se no cargo há mais de dois anos, sendo que as irregularidades envolvendo a Unidade de Internação “Tietê” vêm sendo levadas ao seu conhecimento pessoal e direto, desde o início de sua gestão. Competia-lhe, como dirigente máxima da instituição, dar um basta neste estado de coisas”, diz um trecho da decisão.
As condições de funcionamento da Unidade Tietê já foram motivo de decisão semelhante em junho do ano passado. A medida, contudo, foi suspensa pelo Tribunal de Justiça.
Revista Consultor Jurídico

14 de novembro de 2007

novembro 14, 2007

Ex-internos da Febem DEFENDEM Júlio Lancelotti. Provavelmente esta notícia terá o mesmo destaque nas capas dos jornais que as acusações tiveram, né?

Dois ex-internos da Febem depõem e defendem padre Júlio
Dois ex-internos da antiga Febem (atual Fundação Casa) disseram à polícia de São Paulo que receberam ajuda financeira do padre Júlio Lancelotti, 58, após deixar a instituição e que o religioso nunca insinuou ou exigiu contatos íntimos.
A Polícia Civil interrogou os dois sexta e ontem. O dinheiro, segundo os ex-internos Marcelo Eduardo de Almeida Brito, o Marcelo Queijeiro, e Luciano Sales Moreti, 25, era dado pelo religioso para que eles pagassem contas domésticas, comprassem comida, fizessem cursos e tirassem documentos. Ambos afirmaram que nunca tiveram relações sexuais com o padre. Um terceiro ex-interno da Febem relacionado na lista de pessoas que receberam auxílio financeiro do padre será convidado pela polícia a relatar como era seu contato com o religioso. Trata-se de Jalber José.
Para chegar aos nomes dos ex-internos, a polícia usou o depoimento do delegado Luiz Carlos dos Santos, conhecido como China, que procurou dia 31 de outubro os responsáveis sobre o suposto caso de extorsão no qual o padre é vítima.
Santos também relatou como a polícia investigou pela primeira vez, em junho de 2005, quatro ex-internos a mando do então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. À época dessa investigação, Santos era interinamente delegado-geral da Polícia Civil.
Lancelotti, segundo Santos, disse ao então secretário adjunto da Segurança, Marcelo Martins de Oliveira, que Brito traficava drogas perto de sua igreja.
Por isso, o Palácio dos Bandeirantes e a Secretaria da Segurança determinaram que o Denarc (departamento de narcóticos) investigasse Brito.
No relatório final da investigação, os policiais do Denarc não conseguiram constatar o envolvimento de Brito com tráfico e, ainda na versão do delegado Santos, “tudo aparentava [ser] uma briga entre amigos”.
No dia 26 de outubro deste ano, o quarto ex-interno citado à época ao governo paulista como uma das pessoas que extorquiam dinheiro de Lancelotti, Anderson Marcos Batista, 25, foi preso acusado pelo crime.
A Polícia Civil também investiga se a enfermeira que acusou o padre de ter beijado um ex-interno da Febem na Casa Vida, entre 1999 e 2000, atendeu algum interesse do ex-presidente do Sintraenfa (Sindicato dos Trabalhadores da Febem), Gilberto da Silva, que sempre se opôs às denúncias de tortura na instituição feitas pelo religioso. Silva negou ontem à Folha ser ex-marido da enfermeira.
BOL – Notícias
14/11/07

novembro 9, 2007

Padre Júlio Lancellotti: o apedrejamento jornalístico

Gabriel Perissé
Correio da Cidadania
08-Nov-2007
Agora é tarde. As pedras já foram lançadas contra Júlio Lancellotti. Aqueles que por algum motivo discordam de sua maneira de ver e atuar estão secretamente felizes. Ou não tão secretamente. Aqueles que praticam o jornalismo do escancaramento, com ou sem evidências, já cumpriram sua missão.
Hermano Freitas, por exemplo, utilizando locuções verbais para exprimir fatos acontecidos, (ou não?), em época passada, escreveu: “ex-interno da Febem, Batista teria conhecido e iniciado um relacionamento amoroso com o padre na instituição, onde foi internado aos 16 anos por roubo” (Folha Online, 27/10/2007). A expressão “relacionamento amoroso” é o que interessa, sobretudo num momento em que casos registrados de pedofilia dentro da Igreja católica criaram e difundiram a sensação de que o mais provável é que se repitam sempre e em todo lugar.
O recurso das aspas funciona como pretexto para reproduzir a fala irresponsável de quem quer que seja sobre o que for. Na mesma
matéria de Hermano Freitas, lemos, com as aspas indicando (heróica objetividade…) as palavras de um outro: “‘Eles chegaram a ter relações sexuais dentro da igreja’, disse o advogado de Batista. [...] O advogado afirma que o valor dos bens recebidos por seu cliente foi de ‘quase 700 mil reais’ e que o relacionamento entre o padre e ex-detento acabou após Batista ter se casado, em outubro de 2006. Ainda de acordo com ele, o sacerdote mantinha relações sexuais com outros meninos”.
Diogo Mainardi, na Revista Veja (ed. 2031), adota outro expediente. O da pseudo-insinuação. Chamar o padre de “Michael Jackson da Mooca” é colocá-lo no banco dos réus por antecipação, e reduzir a figura do sacerdote à imagem de um astro pop tupiniquim.
Na Record, o programa “Fala que eu te escuto” emitiu seu veredicto. O problema de Júlio Lancellotti é o celibato. Se não houvesse celibato obrigatório para os padres, estes casos deixariam de existir. Não é bem uma pergunta, ou uma enquete… É condenação mesmo.
No dia 3 de novembro, divulgou-se na mídia o “desabafo público” de Pe. Lancellotti, depois das pedradas: “aquelas coisas todas, que foram ditas e colocadas nas manchetes dos jornais e dos noticiários, não aconteceram”.
A mídia não sente culpa. Ninguém admitirá que atirou a primeira, a segunda, todas as pedras. E sempre alimenta perversa esperança. De, antes do Natal, aplicar o golpe de misericórdia…

Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor. Web Site: www.perisse.com.br

novembro 8, 2007

Frei Betto detona jornalixo da vEJA e homenageia pe. Júlio Lancelotti

Júlio Lancellotti
Frei Betto *

Veja o leitor, há uma revista semanal que odeia pobres e quem a eles se dedica. Revista que ignora as regras básicas do bom jornalismo e nem se preocupa em bem informar o leitor. Todas as suas matérias são editorializadas, de tal modo que até mesmo uma entrevista é publicada, não segundo palavras do entrevistado, mas de acordo com a conveniência do veículo entrevistador.

Semanas atrás, no encarte contido na edição destinada a São Paulo, a revista desancou uma das pessoas mais íntegras que conheci em toda a minha vida: o padre Júlio Lancellotti. Um dos raros santos vivos de quem tenho a graça de ser amigo. Júlio se dedica, há anos, ao povo da rua da capital paulista: pedintes, doentes mentais, desempregados, catadores de papel etc. A todos serve com espírito evangélico. Quando sofrem violência por parte da polícia, é Júlio o anjo que lhes dá proteção. E abre as portas de sua igreja para que ali se sintam em casa. Júlio faz o mesmo com a crianças de rua e os internos da Febem. E não age como quem se interessa em “catequizá-los”. Sabe muito bem, graças à sua boa formação teológica, que essa gente excluída expressa de modo especial a face viva de Jesus, que com eles se identificou (Mateus 25, 31-44). Quer apenas que se sintam pessoas dotadas de dignidade e direitos, ainda que a nossa sociedade, fundada na desigualdade econômica, os tenha escorraçado para as calçadas da mendicância e os becos do desamparo.

Veja, leitor, a revista semanal, do alto de seu empertigado farisaísmo, identificou na atitude de vida do padre Lancellotti pura demagogia, levantando indagações que fazem eco às cobranças dos fariseus a Jesus. Por que o padre Júlio não vai morar debaixo da ponte? Por que não abre a igreja para servir de moradia ao povo da rua? [ Nota do blog: Acho que Frei Betto se refere, aqui, àquela matéria da vEJINHA do ano passado ] O que revela desinformação a respeito dessa parcela sofrida da população.

Só o preconceito e a ignorância explicam a miopia de certas pessoas que confundem morador de rua com bandido e julgam que ele vive ao relento por não ter um teto que o abrigue. Há exceções, mas a maioria faz da rua uma opção de vida. Ali há liberdade, o descompromisso, o fim de opressões outrora sofridas no trabalho e na família (espancamentos, abusos sexuais, alcoolismo etc). E são raros os que mendigam. Preferem viver do próprio trabalho, como catar lixo reciclável.

Quem levaria para casa uma criança nascida com Aids e abandonada pela família? Padre Júlio já levou centenas. A revista não viu as duas unidades da Casa Vida em São Paulo, que visito com freqüência. Ali as crianças recebem cuidados médicos e terapêuticos; são educadas no asseio e escolarizadas; aprendem a ter auto-estima e ser felizes.

Cega, a publicação semanal não quis ver nada disso. Nem mesmo este detalhe: cerca de 90 crianças, mesmo virtualmente condenadas à morte por uma enfermidade incurável, já foram adotadas por famílias européias. A revista que se gaba de ver não viu que há milagres no mundo: casais que, impossibilitados de procriar, escolhem adotar uma criança filha da miséria e contaminada pelo vírus HIV. Graças à evangélica dedicação do padre Júlio Lancellotti, cujo testemunho enobrece a espécie humana.
* Frei dominicano. Escritor.

ADITAL - 08/11/07

novembro 1, 2007

"Padre Júlio Lancelotti, acreditamos e confiamos em você" é sugestão de site

Filed under: Padre Júlio Lancelotti — Humberto @ 1:16 pm
Visite e deixe seu depoimento, em apoio ao padre Júlio Lancelotti. E passe esta sugestão adiante.

outubro 28, 2007

Serra, Kassab e (PSDB) perseguem Padre Julio Lancelotti

Domingo, 28 de Outubro de 2007
Helena
Blog Amigos do Presidente Lula
Há mais de três décadas, o padre Júlio Lancelotti, de 58 anos, dá assistência à população marginalizada em São Paulo. Ele se dedica a ajudar moradores de rua, adolescentes em conflito com a lei e crianças abandonadas. É uma das referências brasileiras na defesa dos direitos humanos. Ao denunciar abusos e omissões do poder público, também passou a colecionar inimigos. Sua imagem de integridade foi maculada nos últimos dias.
A razão da perseguição ao Padre Julio Lancelotti é sua ligação com o PT , pelo trabalho e pelos moradores de rua,e por ter sido contra a rampa anti- mendigo fascista da dupla Serra/ Kassab.
À mando de Serra/ Kassab, no início de 2006, a “Veja” publicou um artigo do mais puro mau- jornalismo: matéria sem pesquisa e comprovação de dados.
A matéria é feita por uma jornalista que não faz mais nada da vida a não ser digitar o que o patrão manda no escritório da Veja.
A matéria em 96 tentava jogar por terra décadas de trabalho pelos menos favorecidos, atitude típica da Veja e seu partido de aluguel, o PSDB/DEM…
Só quem não conhece pessoalmente o Padre Júlio Lancelotti, pode acreditar nas infâmias contra um homem dedicado aos menos favorecidos. O que ele está sofrendo não deve ser brincadeira. Perseguido por que foi o primeiro a fazer muito pelas crianças com AIDS, ele se destacou também na luta pelos Sem Teto. Venceu na Justiça e pode manter a Casa que abriga centenas de crianças com HIV. Pe. Júlio é um ícone da bondade, do amor aos seres humanos e à vida. É um trabalhador da fé,e de amor ao próximo .
Quer ler mais sobre esse assunto? Veja uma matéria no blog Vi o Mundo do Azenha (aqui), lá você encontra a matéria da Veja detonando o Padre…
Comentário do Blog:
Acho que poucos de nós se deram conta que, o que pode ter começado com uma, digamos assim, mentira para uma quadrilha se safar, deverá atingir uma dimensão muitíssimo maior, pois é uma questão que envolve o Vaticano.

Enojado com matéria da Veja "A solução é derrubar" ( Janeiro de 2006 ), professor enviou carta à editora cancelando assinatura

Cancelamento da revista Veja
Por Waldemar Luiz Kunsch
CMI ( Centro de Mídia Independente )
06/03/2006
“Como estão fazendo dezenas de entidades e personalidades, recomendo aos que lerem este e-mail, bem como a seus amigos, que façam o mesmo, cancelando a assinatura de Veja. E, desde já, autorizo a publicação deste e-mail por quem desejar fazê-lo.”
“Cancelamento de assinatura de Veja
Eu, Waldemar Luiz Kunsch, jornalista, relações-públicas, editor, filósofo e professor universitário, solicito que cancelem minha assinatura da revista Veja, que está no nome da minha esposa, Margarida Maria Krohling Kunsch, e tem o código 530335819. A assinatura vence só em agosto. Seu serviço de atendimento ao assinante informou-me que, em caso de cancelamentos, o valor correspondente ao período ainda não vencido é devolvido.
Em e-mail à parte lhes enviarei o número de minha conta bancária, para efetuar tal devolução. Para seu conhecimento, essa importância (pequena no montante, mas expressiva em seu simbolismo) será passada ao Padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua, da Arquidiocese de São Paulo. Como estão fazendo dezenas de entidades e personalidades, recomendo aos que lerem este e-mail, bem como a seus amigos, que façam o mesmo, cancelando a assinatura de Veja. E, desde já, autorizo a publicação deste e-mail por quem desejar fazê-lo. O motivo da decisão que estou tomando são as afirmações ofensivas e sem fundamento feitas exatamente contra o Pe. Júlio Lancelotti, na edição de 11 de janeiro de Veja, por Camila Antunes, no entretítulo “O pecado da demagogia”, da matéria “A solução é derrubar”, que trata das rampas antimendigo implantadas em São Paulo pelo secretário municipal Andrea Matarazzo, numa prática administrativa caracterizada por peritos e pesquisadores como nitidamente “higienista”. Até hoje não consegui “assimilar” a referida matéria, simplesmente porque ela era insuportável, do ponto de vista do jornalismo e da ética. Só lamento ter demorado tanto em cancelar a assinatura da revista. Do ponto de vista do jornalismo, a repórter cometeu muitos pecados, inclusive o da demagogia que ela acusa no Pe. Júlio Lancelotti.
Que “competência” (antropológica, política, humana, filosófica, teológica, religiosa, sentimental etc.) ela se arrogou para alinhar tantas inverdades, arvorando-se em “analista social” ou “socióloga urbana” sem o ser, além de “inquisidora” que lembra lances dos mais tristes da Idade Média? Pastoral de Rua, uma “organização política”, que propiciaria àquele sacerdote, “criador de uma categoria [sic] formada por mendigos, menores abandonados e loucos que vagam pelas ruas de São Paulo”, residente em um “bunker antimendigo”, ter à disposição um “rebanho de manobra para fazer política”, sendo seus motivos “muito mais do que religiosos”… É isto que a repórter deduziu da entrevista com o Pe. Júlio, reconhecidamente um cidadão muito esclarecido, consciente, objetivo, batalhador, bem intencionado, muito humano? Além do quê, por falta de uma pesquisa mais consistente, ela só prova não entender que “o que falta mesmo na cidade é política pública para esta população e as rampas não são de forma alguma solução para nada”, devendo-se ver e trabalhar esse contexto como uma “realidade complexa que exige respostas complexas”, conforme disse Fernando Altemeyer Júnior, que cito mais adiante. Do ponto de vista da ética, ela contradisse quase tudo o que a Editora Abril declara como sua missão – “contribuir para a difusão de informação, cultura e entretenimento, para o progresso da educação, a melhoria da qualidade de vida, o desenvolvimento da livre iniciativa e ofortalecimento das instituições democráticas do país” – e preconiza como seus valores – “excelência, integridade, pioneirismo e valorização das pessoas”. Atente-se para os grifos.
Tanto do ponto de vista do jornalismo quanto do da ética, têm razões de sobra todas as entidades e pessoas que viram na “reportagem” em questão uma matéria mal feita, demagógica, repleta de preconceitos e, por tudo isso, uma expressão de mau jornalismo, considerando a repórter uma “sonsa, atrapalhada com conceitos e categorias” e a revista Veja um “panfleto político”, marcado por “cinismo retórico”. O cinismo, no caso em questão, ficou mais do que patente no “acordo” que a “repórter” propõe ao Pe. Júlio: “A prefeitura retira as rampas e o padre abandona o seu bunker e passa a morar debaixo do viaduto. Lá, poderá controlar os assaltantes e encontrar a santa felicidade junto ao Povo da Rua”.
Duas manifestações acerca dessa matéria me pareceram especialmente pertinentes: a de Fernando Altemeyer Júnior, professor e ouvidor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em http://www.adital.com.br/, no dia 16.01.2006; e a do jornalista Walter Falceta Jr., em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos, no dia 18.01.2006. Para Altemeyer, “Veja erra gravemente! A repórter cometeu “o pecado original do mau jornalista: matéria sem pesquisa e comprovação de dados. Criou ficção e não foi capaz de ver a realidade. Este é um paradoxo terrível para um órgão semanal que se denomina Veja”. No texto de Falceta “Quando o jornalismo de latrina dispara contra a beatitude” – sobressaem a lucidez e competência com que o autor expõe “a enorme quantidade de incorreções em tão escassas e mal digitadas linhas, analisando “onze pecados da ‘reportagem’ [aspas do autor] de 11 de janeiro”.
Para ele, “o esclarecimento dos fatos sugere duas hipóteses: a) Como é de praxe, o material da moça foi violentamente adulterado e editado pela intelligentsia que controla a revista. b) Durante o contato com o padre, a jornalista desenvolvia à sorrelfa a manjada tática de Veja: simular uma grande entrevista para coletar uma frase ou palavra que comprometa a vítima da vez ou que corrobore as mirabolantes teorias engendradas pelos editores da revista”.
Falceta também se refere à seção de cartas da edição seguinte de Veja. A análise por ele feita traduz exatamente o que todo leitor inteligente pôde perceber nessa seção: “Escancara no desequilíbrio da seleção de opiniões mais uma molecagem. Exagera-se em número e intensidade o que serve para desqualificar a vítima. Reduz-se na peraltice o que lhe possa ser favorável. No caso presente, os que reconhecem a beatitude foram ignorados. Imagina-se que as manifestações indignadas de entidades, clérigos, políticos e cidadãos seguiram despachadas, em via inversa, nas produtivas latrinas da redação”.
Vale acrescentar aqui considerações anotadas a partir de relatos de notáveis jornalistas na IV Semana de Jornalismo, realizada na Universidade Metodista de São Paulo de 20 a 22.09.2005, em comemoração ao 30º. aniversário do assassinato de Wladimir Herzog – por sinal, diretor da Editora Abril à época. Disse, no evento, Marcelo Beraba, ombudsman daFolha de S. Paulo: “Se formos discutir os vários problemas que assolam a imprensa e contribuem para um questionamento em relação à sua credibilidade, veremos que o ponto fundamental é a questão da apuração da informação. Apuramos muito mal”. Para José Hamilton Ribeiro, é necessário ter vocação para fazer um verdadeiro jornalismo investigativo: “A pessoa que tem vocação para ser jornalista vai ser jornalista – e dos bons. É uma profissão de competição, de muita cobrança. O erro do jornalista é mais visível, fica escancarado. Mas, havendo vocação, o resto é fácil”. Comentando os resultados da IV Semana de Jornalismo, Rodolfo Martino, coordenador do Curso de Jornalismo da Metodista, pondera: “A lembrança e discussão do caso Herzog trazem à tona uma realidade distante das novas gerações – sejam estudantes de jornalismo, sejam profissionais recém-formados. Esta tônica trata das implicações sociais e transformadoras que acarreta o exercício da profissão”. Para Martino, “hoje o glamour de ser jornalista está em alta – muito provavelmente, a partir da notoriedade que a televisão consagra a quem apareça na telinha, seja apresentando um noticioso, seja como participante de um abominável reality show”. E acrescenta: “Talvez por isso os profissionais de imprensa estão mais preocupados com a ascensão social e financeira ( nenhum demérito nisso, aliás ) do que propriamente com as funções crítica e fiscalizadora que todo e qualquer jornalista deve exercer”.
São ponderações que vêm muito a propósito no caso da “jornalista” Camila Antunes, com sua “reportagem” na revista Veja. Ainda segundo Martino, “as intervenções dos jornalistas convidados para o evento puderam, de certa forma, assinalar o peso da individualidade na tarefa de alargar os limites que o mercado muitas vezes nos impõe. Ficou claro para os estudantes: essa marca só é possível mediante competência técnica e uma sólida formação cidadã e contemporânea”. Concluo este e-mail com as revelações feitas, no evento da Metodista, por Mino Carta, hoje diretor de Redação da excelente revista Carta Capital e que, no passado, foi responsável pela renovação editorial e visual da revista Veja. Diz ele, relembrando o caso Herzog: “Tive um grande envolvimento com este episódio. Entendi ali que o país precisava de um jornalista e não apenas de um profissional de imprensa”. Rodolfo Martino lembra, a propósito, o que o notável jornalista registrou em seu livro Castelo de âmbar, na pele de Percúcio Parla: “A morte de Wladimir Herzog é o ponto de ruptura. Mino sabe que a sua concepção de jornalismo já não se justifica à sombra da arvorezinha, símbolo da Abril, e o impele na direção de outras experiências”.
São Paulo, 06 de março de 2006. “
URL:: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/01/343179.shtml

outubro 27, 2007

Testando hipóteses no caso Lancelotti ( mesmo sabendo que o julgamento já saiu )

Vou tentar entender – didaticamente – o que estaria ocorrendo, baseado apenas no que diz o artigo do BOL [ abaixo do meu texto ]:
Digamos que Júlio tenha dado o dinheiro. Se existe um caso de extrorsão, como o padre diz, a grana que o ( s ) sujeito ( s ) recebeu ( ram ) é fruto de crime. O dinheiro só foi chegar em suas mãos por meio de um crime, uma exigência ilegal, uma pressão violenta e ameaçadora. Até aqui, tudo bem, né?
Por outro lado, existiriam outros motivos que fariam o padre dar algum dinheiro para estes personagens. Um trabalho remunerado, por exemplo. Uma tarefa, encher laje. Ganhariam o dinheiro, sem recorrer ao uso da força. Um motivo, certo? Mas, se estou acompanhando corretamente, isso está descartado, ou sequer foi mencionado. Eles não trabalharam para o padre.
Chegamos à espinhosa questão do romance amoroso. O padre sucumbiu aos prazeres carnais e proibidos:
- com Batista, interno da Febem, por tentativa de roubo e bem antes de 2001 ( 1 );
- Batista estava foragido da Febem, em 2000 ( 2 ) quando começou a pedir dinheiro para o padre, no que foi atendido e Lancelotti, para piorar sua situação, não denunciou o foragido à polícia ou à FEBEM;
- Batista, com 25 anos atualmente, teria em 2000 a idade de 17 ou 18 anos ( não entendo muito disso, mas acho que o rapaz não devia estar na FEBEM )**;
- em 2001, o padre pagou ao advogado cerca de R$ 6000 ( em seis depósitos bancários ), pela prestação de serviços advocatícios ( 3 ), defendendo Batista em uma acusação de assassinato. De acordo com a anotação 2 , à essa época o padre já dava dinheiro para Batista;
- de acordo com o advogado, os valores recebidos por seu cliente, desde 2000, chegam à casa de “700 mil reais” ( 3 ) tudo a título de gratificações – não só dinheiro, parece;
- o advogado é um bom advogado, atendendo Batista desde 2000/2001 e permanecendo a seu serviço durante estes últimos 6 ou 7 anos;
- desde outubro de 2006, Batista está casado ( 4 ), com uma mulher 16 anos mais velha, e que não devia ter sabido do passado homossexual do marido, ou sabia e não ligava, ou então é amor mesmo. O relacionamento entre os dois ( padre e ex-interno ) acaba, mas por algum motivo ( que não a extorsão ou chantagem ) Lancelotti continua a fornecer dinheiro para Batista;
Vamos testar as hipóteses, como faz o melhor do jornalismo caboclo:
1. Padre e interno têm ( tiveram ) um relacionamento amoroso, o que justifica o fornecimento de dinheiro, sem que o ex-presidiário tivesse que recorrer à força. Ou seja: amor não caracteriza crime. Nessa linha, a defesa provando que Júlio tinha um lance homossexual com Batista, quer dizer que não haveria crime, nem chantagem, nem extorsão. Portanto, nem cadeia para a gangue. Eles têm obrigação de provar o romance para livrar a cara.
2. Padre e interno têm ( tiveram ) um relacionamento amoroso, mas que se acabou. O padre continuaria dando dinheiro para Batista, de livre e expontânea vontade. Lancelotti denuncia, talvez por ciúme, uma suposta extorsão ou chantagem, sem se preocupar que um romance proibido torne-se público e ele acabe se transformando em um tipo de pária, aos olhos de uma sociedade e imprensa que o têem em alta conta, e que ficariam aterrorizados com a revelação.
3. Não houve relacionamento. Houve chantagem ou algum tipo de extorsão, a partir de certa data. O padre, renomado e odiado defensor dos moradores de rua e internos da FEBEM ( inclusive já tendo sido ameaçado e jurado de morte ) paga durante algum tempo, mas se cansa e denuncia os autores. Estes, talvez já com um plano em mente há tempos, aproveitam que denúncias de pedofilia, tendo padres católicos como protagonistas, surgiram nos noticiários há alguns anos e causaram comoção mundial ( há até um documentário inglês a respeito ); decidem, então, que esta será a linha de defesa: “não houve crime, o padre está inventando uma chantagem; existia, isso sim, um romance ( que não é crime ) desde minha estadia na FEBEM”. O padre torna-se, então, um estranho algoz: pedófilo que teve um caso com alguém internado na FEBEM, e que já era maior de idade**.
Acho que até aqui, diante do quadro que a notícia a seguir apresenta, as hipóteses acima não estão fora de cogitação. O melhor é esperar. Sempre. Acho que o Brasil economizaria muito se substituísse os caríssimos tribunais de marajás do Judiciário por redações jornalísticas que, de acordo com algumas opiniões, custam muito pouco. A mão de obra é barata e mal-paga e não liga para direitos trabalhistas e nem Direitos Humanos.
Vamos ao artigo:
Advogado de ex-interno afirma ter recebido pagamento do padre Júlio Lancelotti
27/10/2007
BOL Notícias
O advogado de defesa de Anderson Marcos Batista, 25, Nelson Bernardo da Costa, afirmou neste sábado ter recebido R$ 6 mil em honorários do padre Júlio Lancelotti. O pagamento seria referente à defesa em um caso de homicídio e teria sido quitado em 2001 ( 3 ).
Batista foi preso na sexta-feira ( 26 ), juntamente com sua mulher Conceição Eletério, 44, e Evandro Guimarães, 28, em um prédio na rua Riachuelo ( região central ), todos acusados de extorquir o padre.
O advogado negou que seu cliente tenha praticado extorsão e afirma que o dinheiro e os presentes eram dados pelo padre a título de “gratificação”.
De acordo com Costa, o pagamento foi feito por meio de depósito bancário, em seis parcelas de mil reais. Na época, Batista era acusado por homicídio doloso após matar a tiros um homem em uma briga de bar.
Relacionamento amoroso
Ex-interno da Febem, Batista teria conhecido e iniciado um relacionamento amoroso com o padre na instituição, onde foi internado por roubo ( 1 ) . Em 2000, após fugir da instituição ( 2 ), teria começado a solicitar ajuda financeira ao sacerdote e, mais tarde, passado a exigir uma soma cada vez maior em dinheiro.
O advogado afirma que o valor dos bens recebidos por seu cliente foi de “quase 700 mil reais ( 3 )” e que o relacionamento entre o padre e ex-detento acabou após Batista ter se casado, em outubro de 2006 ( 4 ).
O delegado da SIG ( Setor de Investigações Gerais ), André Luis Pimentel, informou que irá pedir a quebra do sigilo bancário do padre para apurar o valor total da extorsão. De acordo com ele, foram comprados cerca de cinco carros de luxo com o valor.
A polícia também informou que Cúria Metropolitana de São Paulo ( setor administrativo da Igreja Católica ), pediu no início da semana passada sigilo de Justiça para o caso.

Júlio Lancelotti: A Pastoral com os Marginalizados

Domingos Zamagna*
ADITAL
25.10.07

“Veio João, que não come nem bebe, e dizem: ‘Um demônio está nele’. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: ‘Eis aí um glutão e beberrão, amigo de publicanos e pecadores’. Mas a Sabedoria foi justificada pelas suas obras.” (Mt 11,18-20)



Ficamos felizes ao constatar que a Arquidiocese de São Paulo é pródiga de boas obras, empreendimentos úteis e conquistas significativas. Sob vários aspectos a Igreja de São Paulo é paradigmática para a pastoral de outras regiões.
Nossa cidade, porém, ainda abriga um sem-número de problemas de alta complexidade que, sobretudo se levarmos em conta a omissão, descaso ou incompetência de setores do poder público, fazem dela um tecido ainda frágil, incoerente, vulnerável. Seria esperar demais que tivéssemos poucos conflitos.
Dadas as nossas peculiaridades, a pastoral da Igreja obviamente não pode ser o arremedo de outras partes do mundo; para ser eficiente, deve ser criativa. As urgências pastorais da Igreja de São Paulo conduziram o nosso querido irmão Pe. Júlio Lancelotti a mais difícil missão: o trabalho com a parte mais excluída da população, o povo de rua.
Pe. Júlio e seus colaboradores vêm procurando estancar a realimentação dessa massa excluída, agindo junto aos migrantes, desempregados, doentes, jovens em situação de risco pessoal ou social. Atuam também junto às estruturas do Executivo, Legislativo e Judiciário que podem influir na solução de muitos problemas. Numa palavra: o combate às fontes da marginalização. Uma pastoral de vanguarda, que sempre contou com o apoio dos Arcebispos.
Se é verdade que a Igreja é de todos, mas especialmente dos pobres – predileção do amor de Deus -, é também verdade que o mundo dos pobres não pode ser idealizado. Os pobres também têm as suas contradições. O seu sofrimento não os torna imunes ao contágio da maldade, inclusive muitas vezes introjetando e potencializando a maldade dos poderosos.
A miséria nunca foi um bem, nem é virtude; deve ser combatida, porque embrutece as pessoas.
As vicissitudes pelas quais passa o Vigário do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo, e que de fato poderiam atingir a qualquer um de nós se estivéssemos expostos aos perigos inerentes à natureza da ação de evangelização urbana, manifestam como é difícil essa pastoral especializada. Trabalhar com os empobrecidos supõe uma crença muito forte na sua capacidade de ressurgimento. Supõe a paciência histórica de acreditar neles, mesmo quando mais ninguém os valoriza. Supõe até mesmo aceitar ser eventual vítima de suas próprias contradições.
Ninguém deveria pretender julgar as atitudes desses irmãos que estão na frente de combate ou, como diz a Escritura, na “Galiléia das nações”. A mística do amor aos pobres pode nos conduzir ao misterioso e ousado caminho dos profetas: longe da indiferença dos reis, da prudência dos sábios, da ironia dos doutores, da inclemência dos juízes, do conforto dos escribas, da justiça dos fariseus, da pureza dos levitas, das filigranas dos diplomatas, da espetaculosidade da mídia. Foi, porém, com a vida desconcertante dos profetas que se identificaram João, o precursor, e Jesus, nosso Salvador. E tantos outros na história da Igreja.
A seu tempo, quem os entendeu? E com quem eles puderam contar?
* Jornalista e professor de Filosofia em São Paulo
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