ENCALHE

julho 11, 2009

União bate recorde de investimento

MAIOR NÍVEL DESDE O PLANO REAL NÃO GARANTE EXECUÇÃO NEM DE 50% DO ORÇAMENTO
Apesar do agravamento da crise financeira mundial e da queda da arrecadação tributária, o nível de investimentos da União cresceu no primeiro semestre. É o que mostra levantamento realizado pela ONG Contas Abertas com dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). As despesas do Governo Federal com obras e compra de equipamentos chegaram a R$ 11 bilhões, valor 12,2% superior ao registrado no mesmo período de 2008, quando foram investidos R$ 9,8 bilhões.
De acordo com o levantamento, a quantia é a maior já registrada desde o lançamento do Plano Real, em 1994. Ainda que os investimentos tenham atingido montante recorde, eles representam apenas pouco mais de 20% do total previsto para 2009 no Orçamento da União, que soma R$ 50,5 bilhões.
Segundo o levantamento, se a União seguir com média mensal de gastos de R$ 1,83 bilhão, serão aplicados até o fim do ano R$ 22,3 bilhões, ou seja, 44% do previsto para o ano. De acordo com a pesquisa, o órgão federal que mais investiu no primeiro semestre foi o Ministério dos Transportes – R$ 2,9 bilhões. A maior parte do desembolso foi destinada a obras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Um dos mais maiores investimentos do ministério no período foi a construção das eclusas da usina de Tucuruí, no Rio Tocantins (PA), que recebeu R$ 227 milhões. Outro órgão federal que também teve destaque no levantamento foi o Ministério das Cidades, que registrou no primeiro semestre um total de R$ 1,4 bilhão em investimentos. Por volta de R$ 841 milhões desses recursos foram empregados em programas de urbanização e saneamento urbano, muitos deles também previstos no PAC.
Entrevistado pela ONG, o vice-presidente do Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo, Paulo Brasil, atribuiu o aumento dos investimentos à expectativa política em torno do êxito do PAC. “Durante o primeiro mandato do governo Lula, a média anual de investimentos no primeiro semestre foi de R$ 3 bilhões. No mesmo período, em 2007, com o lançamento do PAC, e nos dois anos seguintes, a média desembolsada triplicou, atingindo R$ 8,9 bilhões”, avaliou.
MONITOR MERCANTIL
10.07.09

julho 6, 2009

André L. Mendes, secretário do TCU: "Irregularidade é menor em obras do PAC" e "Não comprovou-se irregularidade na refinaria Abreu Lima"

Filed under: Abreu Lima ( refinaria ), CPI da Petrobrás, obras públicas, PAC, TCU — Humberto @ 2:29 am
Irregularidade é menor em obras do PAC, diz secretário do TCU
01/07/2009
O secretário de Fiscalização de Obras do Tribunal de Contas da União (
TCU), André Luiz Mendes, afirmou que está caindo o total de obras com recomendação de paralisação por motivo de irregularidade. Ele disse que o TCU fiscalizou 84 obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de um total de mais de 2 mil, e que apenas 13 delas (15%) tiveram indícios de irregularidade grave. Esse índice, no entanto, foi de 50% nas 69 obras fiscalizadas que não integram o PAC.
Segundo Mendes, os principais problemas das obras ocorrem porque os projetos básicos são “muito ruins”. O secretário do TCU participa neste momento de audiência pública da Comissão de Viação e Transportes da Câmara.
Na audiência, Mendes lembrou que o TCU tem a obrigação de informar a Comissão Mista de Orçamento sobre as obras com indícios de irregularidades graves. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) exige a divulgação da lista dessas obras até 30 de setembro. A inclusão ou exclusão dessas obras do Orçamento, no entanto, é feita por decreto legislativo.
Mendes ressaltou, porém, que o TCU pode suspender licitações para evitar questionamentos no futuro, após o início da obra.
Cronograma de auditorias
O secretário de Fiscalização de Obras do TCU afirmou que o tribunal tem um cronograma curto: escolhe as obras que vão ser auditadas em fevereiro e precisa concluir a auditoria até julho.Ele lembrou que, de 2006 para cá, a LDO obrigou o TCU a obter uma manifestação do gestor da obra durante a auditoria. Para não atrapalhar o cronograma, segundo ele, o tribunal dá prazos curtos de resposta (de até cinco dias). Mendes disse que essa exigência poderia ser eliminada porque já existe prazo de 15 dias para defesa do gestor, antes do julgamento pelo TCU.
A audiência prossegue no plenário 11.
( Ag. Câmara )
LEIA MAIS:
O sr. Mendes, citado no texto acima, teve uma entrevista sua publicada na revista CONSTRUÇÃO E MERCADO, edição de Junho, nº. 95 em que fala, entre outras coisas [ mais técnicas, diga-se de passagem ] sobre o PAC; então, a certa altura da entrevista, há um trecho bem interessante e – penso eu, revelador -, em que contesta as “irregularidades” supostamente ocorridas na refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, um dos alvos da CPI tucanodemista da Petrobrás e fartamente divulgadas pelo imprensalão. Acompanhem [ partes destacadas em vermelho por mim ]:
Os recursos públicos estão sendo bem aplicados nas obras do PAC?
No ano passado, aproximadamente metade das obras fiscalizadas eram obras do PAC. Ao final do ano, aproximadamente 50% das obras não-PAC tiveram indícios de irregularidade grave, que significa indicativo de paralisação, enquanto apenas 15% das obras PAC apresentaram esse indicativo.
E qual foi o principal motivo para essa diferença?
O esforço do próprio governo para sanear qualquer problema que surja nessas obras e para que elas sejam regulares. A prerrogativa do governo de que, quando observadas as irregularidades, que as medidas saneadoras ou os esclarecimentos e justificativas nos sejam apresentados o mais rapidamente possível. E um esforço do Tribunal, sensível ao fato de que são obras estratégicas para o Governo Federal, de priorizar a tramitação dos processos e a apreciação desses casos. Então,
vários problemas foram observados no meio do ano, quando as auditorias foram feitas, mas os esclarecimentos foram rapidamente trazidos para o Tribunal e/ou foram aceitos, ou medidas saneadoras foram adotadas.
O que aconteceu com a Camargo Corrêa na refinaria de Abreu Lima, em Pernambuco, que foi incluída no inquérito da Operação Castelo de Areia para a desarticulação de uma suposta quadrilha de crimes financeiros?
Quem investiga desvio é a polícia federal. No caso da auditoria do TCU da refinaria Abreu Lima, houve um indício de sobrepreço baseado em referenciais ligados a serviços de terraplenagem, e foi feita a oitiva das partes interessadas, incluindo a própria Petrobras, onde questionamos determinados valores, dando a eles a oportunidade de se justificar. Eles trouxeram a justificativa e isso está em análise nesse momento. Então, houve um primeiro indício e não irregularidade ou sobrepreço ou superfaturamento, como disse a imprensa. Foi um processo cotidiano, comum no Tribunal. Só vai passar a ser uma irregularidade, sobrepreço, superfaturamento,
depois do devido processo.
Enfim, percebe-se que, no afã de ajudar a tucanalha do Demo a voltar a ocupar o Planalto, o imprensalão recorre a expedientes como pegar procedimentos rotineiros e dar-lhes um tratamento escandaloso. Oras, quantos “processos cotidianos”, relacionados a obras como o Rouboanel ou o Metrô paulista, nas instâncias que lhes compete, tiveram o mesmo tratamento escandaloso que servisse como justificativa para instalação de CPIs?

abril 3, 2009

"O PT de volta às origens", por Candido Mendes

O encontro nacional do PT no Rio deu mostras da profunda consciência das tarefas partidárias para responder à continuação do governo Lula. A legenda tem noção da perda da juventude, bem como da tarefa de voltar a ser partido de massas e de nítida presença no poder. Mas, sobretudo, o que importa é fortalecer a alternativa de mudança que representa, frente ao pântano do aliancismo.
A sideração, por Lula, dos prefeitos recém eleitos, só amplia a tentação do ganho de maiorias, tão decisivas quanto difusas, no novo percurso eleitoral. O importante é caracterizar-se a distinção entre a proposta petista e a social democracia, na promessa da volta tucana em 2002.
O seminário não perdeu tempo em estabelecer essas linhas divisórias, centradas na dominância do papel do Estado no comando da economia da mudança; no caráter estrutural que representa a redistribuição de renda já e de seu complemento pelo acesso imediato aos serviços sociais, na expansão maciça da saúde e da educação. Pouco saiu do papel o projeto das parcerias públicas e privadas. Mas é por elas que o futuro, a longo prazo, do PT, distingue-se das formas de privatização, disfarçadas ou ostensivas, que caracterizaram o tucanato.
Divisou-se, no encontro, o risco da quebra da frente sindical, expresso pela desfiliação da Contag, requestionando os pressupostos da fidelidade do aparelho do proletariado ao atual situacionismo. No fundo de toda polêmica levanta-se o contraste entre os 70% da popularidade do presidente contra, praticamente, a metade do percentual estrito no apoio ao partido. E de imediato pergunta-se se a nova demanda de 300 mil possíveis filiados à legenda traduz, apenas, a inércia do que estava aí, ou se, no rigor novo de uma adesão, responde ao fortalecimento ideológico do impulso decidido à mudança do país.
Uma escola de formação partidária vai à pauta das novas prioridades, na busca de uma verdadeira esquerda para o Brasil, resistindo a todos os enleios do aliancismo, que caracteriza a maioria, agora, do governo no Congresso. Claro que todo adensar de pensamento enfrenta a crise global, e as possíveis contradições entre a conjuntura lá fora – e a especial do Brasil – sua tônica de mercado interno, sua relativa independência das exportações; o comportamento dos setores marginalizados trazidos ao mercado pelo Bolsa Família. Cogita-se de como é possível afastá-los da propensão consumista de sempre e definir uma condição de bem estar, nascida da educação e saúde a que se soma um novo plano de habitação popular.
O encontro salientou ainda que o aliancismo corre o risco de convívio com o centro pastoso do PMDB. Mas a aposta no sucesso objetivo do PAC, e de como seus resultados já dão outro rumo às prefeituras empurradas pelo sucesso descentralizador deste fim do segundo mandato. Desponta, sobretudo, a objetividade com que a ministra Dilma divisou essas certezas, não só na força dos números do Plano de Aceleração de Crescimento, mas, sobretudo, das reservas que soubemos criar para atenuar a crise externa, desde os montantes de nosso superávit, até as dinamizações das nossas reservas bancárias privadas.
A perspectiva geral petista desceu do deslumbramento no poder e, sobretudo, das vitórias a todo custo. Sabe sobretudo por onde avançam, agora, seus novos trunfos, desde a trazida da mulher ao poder na sucessão de Lula até a discussão detalhada do que seja a quota de esforço e de melhorias tangíveis, em que fará frente ao projeto tucano, consciente também da força mediática que este último cercará. O PT que sai da convenção do Rio não é nostálgico nem triunfalista. E sabe da dureza e urgência com que se debruça sobre o novo projeto. E, a esse, Dilma traz a serenidade e os números em dia, no polo oposto de todo “já ganhou” e do estrito carisma do homem no Planalto.
Surrupiado do blog O TERROR DO NORDESTE

"O PT de volta às origens", por Candido Mendes

O encontro nacional do PT no Rio deu mostras da profunda consciência das tarefas partidárias para responder à continuação do governo Lula. A legenda tem noção da perda da juventude, bem como da tarefa de voltar a ser partido de massas e de nítida presença no poder. Mas, sobretudo, o que importa é fortalecer a alternativa de mudança que representa, frente ao pântano do aliancismo.
A sideração, por Lula, dos prefeitos recém eleitos, só amplia a tentação do ganho de maiorias, tão decisivas quanto difusas, no novo percurso eleitoral. O importante é caracterizar-se a distinção entre a proposta petista e a social democracia, na promessa da volta tucana em 2002.
O seminário não perdeu tempo em estabelecer essas linhas divisórias, centradas na dominância do papel do Estado no comando da economia da mudança; no caráter estrutural que representa a redistribuição de renda já e de seu complemento pelo acesso imediato aos serviços sociais, na expansão maciça da saúde e da educação. Pouco saiu do papel o projeto das parcerias públicas e privadas. Mas é por elas que o futuro, a longo prazo, do PT, distingue-se das formas de privatização, disfarçadas ou ostensivas, que caracterizaram o tucanato.
Divisou-se, no encontro, o risco da quebra da frente sindical, expresso pela desfiliação da Contag, requestionando os pressupostos da fidelidade do aparelho do proletariado ao atual situacionismo. No fundo de toda polêmica levanta-se o contraste entre os 70% da popularidade do presidente contra, praticamente, a metade do percentual estrito no apoio ao partido. E de imediato pergunta-se se a nova demanda de 300 mil possíveis filiados à legenda traduz, apenas, a inércia do que estava aí, ou se, no rigor novo de uma adesão, responde ao fortalecimento ideológico do impulso decidido à mudança do país.
Uma escola de formação partidária vai à pauta das novas prioridades, na busca de uma verdadeira esquerda para o Brasil, resistindo a todos os enleios do aliancismo, que caracteriza a maioria, agora, do governo no Congresso. Claro que todo adensar de pensamento enfrenta a crise global, e as possíveis contradições entre a conjuntura lá fora – e a especial do Brasil – sua tônica de mercado interno, sua relativa independência das exportações; o comportamento dos setores marginalizados trazidos ao mercado pelo Bolsa Família. Cogita-se de como é possível afastá-los da propensão consumista de sempre e definir uma condição de bem estar, nascida da educação e saúde a que se soma um novo plano de habitação popular.
O encontro salientou ainda que o aliancismo corre o risco de convívio com o centro pastoso do PMDB. Mas a aposta no sucesso objetivo do PAC, e de como seus resultados já dão outro rumo às prefeituras empurradas pelo sucesso descentralizador deste fim do segundo mandato. Desponta, sobretudo, a objetividade com que a ministra Dilma divisou essas certezas, não só na força dos números do Plano de Aceleração de Crescimento, mas, sobretudo, das reservas que soubemos criar para atenuar a crise externa, desde os montantes de nosso superávit, até as dinamizações das nossas reservas bancárias privadas.
A perspectiva geral petista desceu do deslumbramento no poder e, sobretudo, das vitórias a todo custo. Sabe sobretudo por onde avançam, agora, seus novos trunfos, desde a trazida da mulher ao poder na sucessão de Lula até a discussão detalhada do que seja a quota de esforço e de melhorias tangíveis, em que fará frente ao projeto tucano, consciente também da força mediática que este último cercará. O PT que sai da convenção do Rio não é nostálgico nem triunfalista. E sabe da dureza e urgência com que se debruça sobre o novo projeto. E, a esse, Dilma traz a serenidade e os números em dia, no polo oposto de todo “já ganhou” e do estrito carisma do homem no Planalto.
Surrupiado do blog O TERROR DO NORDESTE

"O PT de volta às origens", por Candido Mendes

O encontro nacional do PT no Rio deu mostras da profunda consciência das tarefas partidárias para responder à continuação do governo Lula. A legenda tem noção da perda da juventude, bem como da tarefa de voltar a ser partido de massas e de nítida presença no poder. Mas, sobretudo, o que importa é fortalecer a alternativa de mudança que representa, frente ao pântano do aliancismo.
A sideração, por Lula, dos prefeitos recém eleitos, só amplia a tentação do ganho de maiorias, tão decisivas quanto difusas, no novo percurso eleitoral. O importante é caracterizar-se a distinção entre a proposta petista e a social democracia, na promessa da volta tucana em 2002.
O seminário não perdeu tempo em estabelecer essas linhas divisórias, centradas na dominância do papel do Estado no comando da economia da mudança; no caráter estrutural que representa a redistribuição de renda já e de seu complemento pelo acesso imediato aos serviços sociais, na expansão maciça da saúde e da educação. Pouco saiu do papel o projeto das parcerias públicas e privadas. Mas é por elas que o futuro, a longo prazo, do PT, distingue-se das formas de privatização, disfarçadas ou ostensivas, que caracterizaram o tucanato.
Divisou-se, no encontro, o risco da quebra da frente sindical, expresso pela desfiliação da Contag, requestionando os pressupostos da fidelidade do aparelho do proletariado ao atual situacionismo. No fundo de toda polêmica levanta-se o contraste entre os 70% da popularidade do presidente contra, praticamente, a metade do percentual estrito no apoio ao partido. E de imediato pergunta-se se a nova demanda de 300 mil possíveis filiados à legenda traduz, apenas, a inércia do que estava aí, ou se, no rigor novo de uma adesão, responde ao fortalecimento ideológico do impulso decidido à mudança do país.
Uma escola de formação partidária vai à pauta das novas prioridades, na busca de uma verdadeira esquerda para o Brasil, resistindo a todos os enleios do aliancismo, que caracteriza a maioria, agora, do governo no Congresso. Claro que todo adensar de pensamento enfrenta a crise global, e as possíveis contradições entre a conjuntura lá fora – e a especial do Brasil – sua tônica de mercado interno, sua relativa independência das exportações; o comportamento dos setores marginalizados trazidos ao mercado pelo Bolsa Família. Cogita-se de como é possível afastá-los da propensão consumista de sempre e definir uma condição de bem estar, nascida da educação e saúde a que se soma um novo plano de habitação popular.
O encontro salientou ainda que o aliancismo corre o risco de convívio com o centro pastoso do PMDB. Mas a aposta no sucesso objetivo do PAC, e de como seus resultados já dão outro rumo às prefeituras empurradas pelo sucesso descentralizador deste fim do segundo mandato. Desponta, sobretudo, a objetividade com que a ministra Dilma divisou essas certezas, não só na força dos números do Plano de Aceleração de Crescimento, mas, sobretudo, das reservas que soubemos criar para atenuar a crise externa, desde os montantes de nosso superávit, até as dinamizações das nossas reservas bancárias privadas.
A perspectiva geral petista desceu do deslumbramento no poder e, sobretudo, das vitórias a todo custo. Sabe sobretudo por onde avançam, agora, seus novos trunfos, desde a trazida da mulher ao poder na sucessão de Lula até a discussão detalhada do que seja a quota de esforço e de melhorias tangíveis, em que fará frente ao projeto tucano, consciente também da força mediática que este último cercará. O PT que sai da convenção do Rio não é nostálgico nem triunfalista. E sabe da dureza e urgência com que se debruça sobre o novo projeto. E, a esse, Dilma traz a serenidade e os números em dia, no polo oposto de todo “já ganhou” e do estrito carisma do homem no Planalto.
Surrupiado do blog O TERROR DO NORDESTE

"O PT de volta às origens", por Candido Mendes

O encontro nacional do PT no Rio deu mostras da profunda consciência das tarefas partidárias para responder à continuação do governo Lula. A legenda tem noção da perda da juventude, bem como da tarefa de voltar a ser partido de massas e de nítida presença no poder. Mas, sobretudo, o que importa é fortalecer a alternativa de mudança que representa, frente ao pântano do aliancismo.
A sideração, por Lula, dos prefeitos recém eleitos, só amplia a tentação do ganho de maiorias, tão decisivas quanto difusas, no novo percurso eleitoral. O importante é caracterizar-se a distinção entre a proposta petista e a social democracia, na promessa da volta tucana em 2002.
O seminário não perdeu tempo em estabelecer essas linhas divisórias, centradas na dominância do papel do Estado no comando da economia da mudança; no caráter estrutural que representa a redistribuição de renda já e de seu complemento pelo acesso imediato aos serviços sociais, na expansão maciça da saúde e da educação. Pouco saiu do papel o projeto das parcerias públicas e privadas. Mas é por elas que o futuro, a longo prazo, do PT, distingue-se das formas de privatização, disfarçadas ou ostensivas, que caracterizaram o tucanato.
Divisou-se, no encontro, o risco da quebra da frente sindical, expresso pela desfiliação da Contag, requestionando os pressupostos da fidelidade do aparelho do proletariado ao atual situacionismo. No fundo de toda polêmica levanta-se o contraste entre os 70% da popularidade do presidente contra, praticamente, a metade do percentual estrito no apoio ao partido. E de imediato pergunta-se se a nova demanda de 300 mil possíveis filiados à legenda traduz, apenas, a inércia do que estava aí, ou se, no rigor novo de uma adesão, responde ao fortalecimento ideológico do impulso decidido à mudança do país.
Uma escola de formação partidária vai à pauta das novas prioridades, na busca de uma verdadeira esquerda para o Brasil, resistindo a todos os enleios do aliancismo, que caracteriza a maioria, agora, do governo no Congresso. Claro que todo adensar de pensamento enfrenta a crise global, e as possíveis contradições entre a conjuntura lá fora – e a especial do Brasil – sua tônica de mercado interno, sua relativa independência das exportações; o comportamento dos setores marginalizados trazidos ao mercado pelo Bolsa Família. Cogita-se de como é possível afastá-los da propensão consumista de sempre e definir uma condição de bem estar, nascida da educação e saúde a que se soma um novo plano de habitação popular.
O encontro salientou ainda que o aliancismo corre o risco de convívio com o centro pastoso do PMDB. Mas a aposta no sucesso objetivo do PAC, e de como seus resultados já dão outro rumo às prefeituras empurradas pelo sucesso descentralizador deste fim do segundo mandato. Desponta, sobretudo, a objetividade com que a ministra Dilma divisou essas certezas, não só na força dos números do Plano de Aceleração de Crescimento, mas, sobretudo, das reservas que soubemos criar para atenuar a crise externa, desde os montantes de nosso superávit, até as dinamizações das nossas reservas bancárias privadas.
A perspectiva geral petista desceu do deslumbramento no poder e, sobretudo, das vitórias a todo custo. Sabe sobretudo por onde avançam, agora, seus novos trunfos, desde a trazida da mulher ao poder na sucessão de Lula até a discussão detalhada do que seja a quota de esforço e de melhorias tangíveis, em que fará frente ao projeto tucano, consciente também da força mediática que este último cercará. O PT que sai da convenção do Rio não é nostálgico nem triunfalista. E sabe da dureza e urgência com que se debruça sobre o novo projeto. E, a esse, Dilma traz a serenidade e os números em dia, no polo oposto de todo “já ganhou” e do estrito carisma do homem no Planalto.
Surrupiado do blog O TERROR DO NORDESTE

"O PT de volta às origens", por Candido Mendes

O encontro nacional do PT no Rio deu mostras da profunda consciência das tarefas partidárias para responder à continuação do governo Lula. A legenda tem noção da perda da juventude, bem como da tarefa de voltar a ser partido de massas e de nítida presença no poder. Mas, sobretudo, o que importa é fortalecer a alternativa de mudança que representa, frente ao pântano do aliancismo.
A sideração, por Lula, dos prefeitos recém eleitos, só amplia a tentação do ganho de maiorias, tão decisivas quanto difusas, no novo percurso eleitoral. O importante é caracterizar-se a distinção entre a proposta petista e a social democracia, na promessa da volta tucana em 2002.
O seminário não perdeu tempo em estabelecer essas linhas divisórias, centradas na dominância do papel do Estado no comando da economia da mudança; no caráter estrutural que representa a redistribuição de renda já e de seu complemento pelo acesso imediato aos serviços sociais, na expansão maciça da saúde e da educação. Pouco saiu do papel o projeto das parcerias públicas e privadas. Mas é por elas que o futuro, a longo prazo, do PT, distingue-se das formas de privatização, disfarçadas ou ostensivas, que caracterizaram o tucanato.
Divisou-se, no encontro, o risco da quebra da frente sindical, expresso pela desfiliação da Contag, requestionando os pressupostos da fidelidade do aparelho do proletariado ao atual situacionismo. No fundo de toda polêmica levanta-se o contraste entre os 70% da popularidade do presidente contra, praticamente, a metade do percentual estrito no apoio ao partido. E de imediato pergunta-se se a nova demanda de 300 mil possíveis filiados à legenda traduz, apenas, a inércia do que estava aí, ou se, no rigor novo de uma adesão, responde ao fortalecimento ideológico do impulso decidido à mudança do país.
Uma escola de formação partidária vai à pauta das novas prioridades, na busca de uma verdadeira esquerda para o Brasil, resistindo a todos os enleios do aliancismo, que caracteriza a maioria, agora, do governo no Congresso. Claro que todo adensar de pensamento enfrenta a crise global, e as possíveis contradições entre a conjuntura lá fora – e a especial do Brasil – sua tônica de mercado interno, sua relativa independência das exportações; o comportamento dos setores marginalizados trazidos ao mercado pelo Bolsa Família. Cogita-se de como é possível afastá-los da propensão consumista de sempre e definir uma condição de bem estar, nascida da educação e saúde a que se soma um novo plano de habitação popular.
O encontro salientou ainda que o aliancismo corre o risco de convívio com o centro pastoso do PMDB. Mas a aposta no sucesso objetivo do PAC, e de como seus resultados já dão outro rumo às prefeituras empurradas pelo sucesso descentralizador deste fim do segundo mandato. Desponta, sobretudo, a objetividade com que a ministra Dilma divisou essas certezas, não só na força dos números do Plano de Aceleração de Crescimento, mas, sobretudo, das reservas que soubemos criar para atenuar a crise externa, desde os montantes de nosso superávit, até as dinamizações das nossas reservas bancárias privadas.
A perspectiva geral petista desceu do deslumbramento no poder e, sobretudo, das vitórias a todo custo. Sabe sobretudo por onde avançam, agora, seus novos trunfos, desde a trazida da mulher ao poder na sucessão de Lula até a discussão detalhada do que seja a quota de esforço e de melhorias tangíveis, em que fará frente ao projeto tucano, consciente também da força mediática que este último cercará. O PT que sai da convenção do Rio não é nostálgico nem triunfalista. E sabe da dureza e urgência com que se debruça sobre o novo projeto. E, a esse, Dilma traz a serenidade e os números em dia, no polo oposto de todo “já ganhou” e do estrito carisma do homem no Planalto.
Surrupiado do blog O TERROR DO NORDESTE

março 31, 2009

"Lento aprendizado", por Antonio Delfim Netto

28/03/2009
Com bastante freqüência surgem críticas ao andamento das obras do PAC, o programa de aceleração do crescimento do governo Lula: que os investimentos prometidos não se realizam, que as obras não saem do papel porque se perdem no cipoal burocrático, enfim, as coisas não vão bem e vai fracassar o empenho de reconstruir a infra-estrutura física do País. Muitas dessas críticas não prosperam diante da realidade que mostra o progresso de obras nos setores rodoviário e ferroviário e no campo da produção e distribuição da energia limpa das hidrelétricas, cujo marco mais visível é o complexo do rio Madeira, no extremo oeste. É preciso reconhecer, no entanto, a permanência de sérios embaraços burocráticos emperrando o programa. Além da desorganização administrativa, se sobrepõe a dificuldade em atender às exigências ora do Ministério Público, ora do Tribunal de Contas. Esta semana, ao explicar porque não vai conseguir gastar este ano os quase R$ 10 bilhões que foram reservados para as obras de recuperação da infra-estrutura de transportes, o próprio diretor do Denit responsabilizou a burocracia. Nada disso está impedindo o progresso do PAC. A terrível burocracia perturba a marcha do programa, mas não interrompeu o seu andamento. Uma coisa é certa: se observarmos os gastos de investimento do governo, eles estão crescendo de maneira muito robusta. Costuma-se medir esse aumento em termos de porcentagem do PIB, mas esta é uma medida enganosa que, às vezes, esconde alguns resultados substanciais. Quando se transforma essa medida em investimentos reais vê-se o quanto eles cresceram nos últimos anos. No governo Lula, os investimentos começaram lentamente, foram aumentando e agora estão crescendo em torno de 20% ao ano. Este governo tem algumas características interessantes. Ao longo do tempo, ele desenvolveu uma espécie de aprendizado que lhe permitiu voltar a investir. O PAC é um achado que o ajudou a avançar no aprendizado, a melhorar a qualidade dos investimentos e a convencê-lo que precisava de bons projetos e de uma administração mais eficaz para realizá-los. O Programa de Aceleração do Crescimento é o que de melhor o Brasil tem hoje para agir contra os efeitos dessa crise que veio de fora para perturbar o nosso desenvolvimento. Não importa a crítica que aponta lentidão em alguns setores, o que realmente importa é que a velocidade está crescendo. Tão importante, ou mais, é vencer a burocracia que impede a eliminação dos gargalos na infra-estrutura para destravar a atividade econômica. Por exemplo, na recuperação de estradas: domingo passado reportagem da Folha de São Paulo mostrou o estado de destruição das BRs 364 e 163 por onde escoa a produção agro pastoril de Mato Grosso, Rondônia, Goiás e Mato Grosso do Sul. Aquelas rodovias foram pavimentadas nas décadas de 70 e 80, viabilizando a expansão da nova fronteira agrícola, que hoje é a maior produtora de grãos e carnes do País. Desde então são quase 30 anos de desgaste. Os custos do transporte já inviabilizam a produção em diversas áreas. O PAC tem as ferramentas para evitar que elas terminem isoladas do restante do País.

"Lento aprendizado", por Antonio Delfim Netto

28/03/2009
Com bastante freqüência surgem críticas ao andamento das obras do PAC, o programa de aceleração do crescimento do governo Lula: que os investimentos prometidos não se realizam, que as obras não saem do papel porque se perdem no cipoal burocrático, enfim, as coisas não vão bem e vai fracassar o empenho de reconstruir a infra-estrutura física do País. Muitas dessas críticas não prosperam diante da realidade que mostra o progresso de obras nos setores rodoviário e ferroviário e no campo da produção e distribuição da energia limpa das hidrelétricas, cujo marco mais visível é o complexo do rio Madeira, no extremo oeste. É preciso reconhecer, no entanto, a permanência de sérios embaraços burocráticos emperrando o programa. Além da desorganização administrativa, se sobrepõe a dificuldade em atender às exigências ora do Ministério Público, ora do Tribunal de Contas. Esta semana, ao explicar porque não vai conseguir gastar este ano os quase R$ 10 bilhões que foram reservados para as obras de recuperação da infra-estrutura de transportes, o próprio diretor do Denit responsabilizou a burocracia. Nada disso está impedindo o progresso do PAC. A terrível burocracia perturba a marcha do programa, mas não interrompeu o seu andamento. Uma coisa é certa: se observarmos os gastos de investimento do governo, eles estão crescendo de maneira muito robusta. Costuma-se medir esse aumento em termos de porcentagem do PIB, mas esta é uma medida enganosa que, às vezes, esconde alguns resultados substanciais. Quando se transforma essa medida em investimentos reais vê-se o quanto eles cresceram nos últimos anos. No governo Lula, os investimentos começaram lentamente, foram aumentando e agora estão crescendo em torno de 20% ao ano. Este governo tem algumas características interessantes. Ao longo do tempo, ele desenvolveu uma espécie de aprendizado que lhe permitiu voltar a investir. O PAC é um achado que o ajudou a avançar no aprendizado, a melhorar a qualidade dos investimentos e a convencê-lo que precisava de bons projetos e de uma administração mais eficaz para realizá-los. O Programa de Aceleração do Crescimento é o que de melhor o Brasil tem hoje para agir contra os efeitos dessa crise que veio de fora para perturbar o nosso desenvolvimento. Não importa a crítica que aponta lentidão em alguns setores, o que realmente importa é que a velocidade está crescendo. Tão importante, ou mais, é vencer a burocracia que impede a eliminação dos gargalos na infra-estrutura para destravar a atividade econômica. Por exemplo, na recuperação de estradas: domingo passado reportagem da Folha de São Paulo mostrou o estado de destruição das BRs 364 e 163 por onde escoa a produção agro pastoril de Mato Grosso, Rondônia, Goiás e Mato Grosso do Sul. Aquelas rodovias foram pavimentadas nas décadas de 70 e 80, viabilizando a expansão da nova fronteira agrícola, que hoje é a maior produtora de grãos e carnes do País. Desde então são quase 30 anos de desgaste. Os custos do transporte já inviabilizam a produção em diversas áreas. O PAC tem as ferramentas para evitar que elas terminem isoladas do restante do País.

"Lento aprendizado", por Antonio Delfim Netto

28/03/2009
Com bastante freqüência surgem críticas ao andamento das obras do PAC, o programa de aceleração do crescimento do governo Lula: que os investimentos prometidos não se realizam, que as obras não saem do papel porque se perdem no cipoal burocrático, enfim, as coisas não vão bem e vai fracassar o empenho de reconstruir a infra-estrutura física do País. Muitas dessas críticas não prosperam diante da realidade que mostra o progresso de obras nos setores rodoviário e ferroviário e no campo da produção e distribuição da energia limpa das hidrelétricas, cujo marco mais visível é o complexo do rio Madeira, no extremo oeste. É preciso reconhecer, no entanto, a permanência de sérios embaraços burocráticos emperrando o programa. Além da desorganização administrativa, se sobrepõe a dificuldade em atender às exigências ora do Ministério Público, ora do Tribunal de Contas. Esta semana, ao explicar porque não vai conseguir gastar este ano os quase R$ 10 bilhões que foram reservados para as obras de recuperação da infra-estrutura de transportes, o próprio diretor do Denit responsabilizou a burocracia. Nada disso está impedindo o progresso do PAC. A terrível burocracia perturba a marcha do programa, mas não interrompeu o seu andamento. Uma coisa é certa: se observarmos os gastos de investimento do governo, eles estão crescendo de maneira muito robusta. Costuma-se medir esse aumento em termos de porcentagem do PIB, mas esta é uma medida enganosa que, às vezes, esconde alguns resultados substanciais. Quando se transforma essa medida em investimentos reais vê-se o quanto eles cresceram nos últimos anos. No governo Lula, os investimentos começaram lentamente, foram aumentando e agora estão crescendo em torno de 20% ao ano. Este governo tem algumas características interessantes. Ao longo do tempo, ele desenvolveu uma espécie de aprendizado que lhe permitiu voltar a investir. O PAC é um achado que o ajudou a avançar no aprendizado, a melhorar a qualidade dos investimentos e a convencê-lo que precisava de bons projetos e de uma administração mais eficaz para realizá-los. O Programa de Aceleração do Crescimento é o que de melhor o Brasil tem hoje para agir contra os efeitos dessa crise que veio de fora para perturbar o nosso desenvolvimento. Não importa a crítica que aponta lentidão em alguns setores, o que realmente importa é que a velocidade está crescendo. Tão importante, ou mais, é vencer a burocracia que impede a eliminação dos gargalos na infra-estrutura para destravar a atividade econômica. Por exemplo, na recuperação de estradas: domingo passado reportagem da Folha de São Paulo mostrou o estado de destruição das BRs 364 e 163 por onde escoa a produção agro pastoril de Mato Grosso, Rondônia, Goiás e Mato Grosso do Sul. Aquelas rodovias foram pavimentadas nas décadas de 70 e 80, viabilizando a expansão da nova fronteira agrícola, que hoje é a maior produtora de grãos e carnes do País. Desde então são quase 30 anos de desgaste. Os custos do transporte já inviabilizam a produção em diversas áreas. O PAC tem as ferramentas para evitar que elas terminem isoladas do restante do País.

"Lento aprendizado", por Antonio Delfim Netto

28/03/2009
Com bastante freqüência surgem críticas ao andamento das obras do PAC, o programa de aceleração do crescimento do governo Lula: que os investimentos prometidos não se realizam, que as obras não saem do papel porque se perdem no cipoal burocrático, enfim, as coisas não vão bem e vai fracassar o empenho de reconstruir a infra-estrutura física do País. Muitas dessas críticas não prosperam diante da realidade que mostra o progresso de obras nos setores rodoviário e ferroviário e no campo da produção e distribuição da energia limpa das hidrelétricas, cujo marco mais visível é o complexo do rio Madeira, no extremo oeste. É preciso reconhecer, no entanto, a permanência de sérios embaraços burocráticos emperrando o programa. Além da desorganização administrativa, se sobrepõe a dificuldade em atender às exigências ora do Ministério Público, ora do Tribunal de Contas. Esta semana, ao explicar porque não vai conseguir gastar este ano os quase R$ 10 bilhões que foram reservados para as obras de recuperação da infra-estrutura de transportes, o próprio diretor do Denit responsabilizou a burocracia. Nada disso está impedindo o progresso do PAC. A terrível burocracia perturba a marcha do programa, mas não interrompeu o seu andamento. Uma coisa é certa: se observarmos os gastos de investimento do governo, eles estão crescendo de maneira muito robusta. Costuma-se medir esse aumento em termos de porcentagem do PIB, mas esta é uma medida enganosa que, às vezes, esconde alguns resultados substanciais. Quando se transforma essa medida em investimentos reais vê-se o quanto eles cresceram nos últimos anos. No governo Lula, os investimentos começaram lentamente, foram aumentando e agora estão crescendo em torno de 20% ao ano. Este governo tem algumas características interessantes. Ao longo do tempo, ele desenvolveu uma espécie de aprendizado que lhe permitiu voltar a investir. O PAC é um achado que o ajudou a avançar no aprendizado, a melhorar a qualidade dos investimentos e a convencê-lo que precisava de bons projetos e de uma administração mais eficaz para realizá-los. O Programa de Aceleração do Crescimento é o que de melhor o Brasil tem hoje para agir contra os efeitos dessa crise que veio de fora para perturbar o nosso desenvolvimento. Não importa a crítica que aponta lentidão em alguns setores, o que realmente importa é que a velocidade está crescendo. Tão importante, ou mais, é vencer a burocracia que impede a eliminação dos gargalos na infra-estrutura para destravar a atividade econômica. Por exemplo, na recuperação de estradas: domingo passado reportagem da Folha de São Paulo mostrou o estado de destruição das BRs 364 e 163 por onde escoa a produção agro pastoril de Mato Grosso, Rondônia, Goiás e Mato Grosso do Sul. Aquelas rodovias foram pavimentadas nas décadas de 70 e 80, viabilizando a expansão da nova fronteira agrícola, que hoje é a maior produtora de grãos e carnes do País. Desde então são quase 30 anos de desgaste. Os custos do transporte já inviabilizam a produção em diversas áreas. O PAC tem as ferramentas para evitar que elas terminem isoladas do restante do País.

"Lento aprendizado", por Antonio Delfim Netto

28/03/2009
Com bastante freqüência surgem críticas ao andamento das obras do PAC, o programa de aceleração do crescimento do governo Lula: que os investimentos prometidos não se realizam, que as obras não saem do papel porque se perdem no cipoal burocrático, enfim, as coisas não vão bem e vai fracassar o empenho de reconstruir a infra-estrutura física do País. Muitas dessas críticas não prosperam diante da realidade que mostra o progresso de obras nos setores rodoviário e ferroviário e no campo da produção e distribuição da energia limpa das hidrelétricas, cujo marco mais visível é o complexo do rio Madeira, no extremo oeste. É preciso reconhecer, no entanto, a permanência de sérios embaraços burocráticos emperrando o programa. Além da desorganização administrativa, se sobrepõe a dificuldade em atender às exigências ora do Ministério Público, ora do Tribunal de Contas. Esta semana, ao explicar porque não vai conseguir gastar este ano os quase R$ 10 bilhões que foram reservados para as obras de recuperação da infra-estrutura de transportes, o próprio diretor do Denit responsabilizou a burocracia. Nada disso está impedindo o progresso do PAC. A terrível burocracia perturba a marcha do programa, mas não interrompeu o seu andamento. Uma coisa é certa: se observarmos os gastos de investimento do governo, eles estão crescendo de maneira muito robusta. Costuma-se medir esse aumento em termos de porcentagem do PIB, mas esta é uma medida enganosa que, às vezes, esconde alguns resultados substanciais. Quando se transforma essa medida em investimentos reais vê-se o quanto eles cresceram nos últimos anos. No governo Lula, os investimentos começaram lentamente, foram aumentando e agora estão crescendo em torno de 20% ao ano. Este governo tem algumas características interessantes. Ao longo do tempo, ele desenvolveu uma espécie de aprendizado que lhe permitiu voltar a investir. O PAC é um achado que o ajudou a avançar no aprendizado, a melhorar a qualidade dos investimentos e a convencê-lo que precisava de bons projetos e de uma administração mais eficaz para realizá-los. O Programa de Aceleração do Crescimento é o que de melhor o Brasil tem hoje para agir contra os efeitos dessa crise que veio de fora para perturbar o nosso desenvolvimento. Não importa a crítica que aponta lentidão em alguns setores, o que realmente importa é que a velocidade está crescendo. Tão importante, ou mais, é vencer a burocracia que impede a eliminação dos gargalos na infra-estrutura para destravar a atividade econômica. Por exemplo, na recuperação de estradas: domingo passado reportagem da Folha de São Paulo mostrou o estado de destruição das BRs 364 e 163 por onde escoa a produção agro pastoril de Mato Grosso, Rondônia, Goiás e Mato Grosso do Sul. Aquelas rodovias foram pavimentadas nas décadas de 70 e 80, viabilizando a expansão da nova fronteira agrícola, que hoje é a maior produtora de grãos e carnes do País. Desde então são quase 30 anos de desgaste. Os custos do transporte já inviabilizam a produção em diversas áreas. O PAC tem as ferramentas para evitar que elas terminem isoladas do restante do País.
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