ENCALHE

dezembro 17, 2008

ANÚNCIOS DA TFP – Quem pagou? Quem está por trás?, por Alberto Dines

Observatório da Imprensa, 16/12/2008
O centenário de nascimento de Plínio Corrêa de Oliveira foi uma festa: nos jornalões paulistas, Folha e Estado, anúncios de página inteira na edição de sábado (13/12). No auge da temporada natalina de 2008 – talvez a última dos tempos de vacas gordas – anúncios no primeiro caderno não são baratos. O apelido “informe publicitário” garante que não foram oferta da casa.
Quem era Plínio Corrêa de Oliveira? De uma família de senhores de engenho, formou-se em direito, fundou a Ação Universitária Católica e participou da criação da LEC (Liga Eleitoral Católica). Eleito deputado constituinte, participou da redação da “Polaca” (a Constituição de 1937, inspirada na carta promulgada pelo homem forte da Polônia, o marechal Józef Pilsudski).
Em 1960, Plínio criou a TFP – Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade “para organizar a contra-revolução”. Opunha-se a qualquer iniciativa modernizadora do Vaticano, combatia a infiltração progressista na igreja católica, lutava contra o divórcio e o aborto. Foi um dos esteios da mobilização civil contra o governo de João Goulart.
Reportagem no capricho
Era amigo pessoal de Octávio Frias de Oliveira, falecido publisher da Folha de S.Paulo, que o recebia para almoçar no jornal. Nada demais: Plínio Corrêa de Oliveira era culto, educadíssimo, agradável, e, sobretudo, sabia evitar azedumes durante uma refeição.
A Folha liderou as comemorações do seu centenário. Na sexta-feira (12/12), publicou na seção “Tendências/Debates”, na página A-3, um artigo assinado por Bertrand de Orleans e Bragança (com o título de dom, abreviado – argh!), que se apresenta como herdeiro dos princípios defendidos por Plínio. Nada demais: a Folha gosta de provocar os leitores, tanto assim que no dia seguinte pelo menos dois – um candentemente contra e outro devotamente a favor – manifestaram-se no “Painel do Leitor”.
Como naquele dia o outro freqüentador da página de opinião era o chefe do lobby da indústria do diploma, o imortal Arnaldo Niskier, o leitor mais avisado considerou que a nobre página 3 estava suspensa – ou em liquidação, ocupada pelos saldos.
No dia 13, sábado, a Folha publicou o informe publicitário pago pelo Instituto Plínio Correa de Oliveira (pág. A-9); três páginas adiante (pág. A-12), ocupa outra, praticamente inteira, com uma caprichada reportagem sobre a TFP, no momento falida e corroída por uma acirrada disputa entre os herdeiros políticos e espirituais do fundador da entidade.
Pergunta que não cala
Aqui a Folha excedeu-se: revelou que a escolha das matérias que publica não obedece aos paradigmas jornalísticos. A TFP não existe, a direita católica hoje é claramente dominada pela [ OBS: " 'DO' Opus Dei, caro Dines" - Humberto ] Opus Dei. Bertrand de Orleans e Bragança, o trineto de D. Pedro II, não tem um centésimo do valor intelectual do seu trisavô. Gosta de dizer que não é nazista, mas de direita. Na verdade é um clone do monarquismo fascista dos anos 1930 e 40. É um neocon brazonado que deveria viver na França e militar na Action Française, aquela que entregou a França a Hitler. Jean-Marie Le Pen para ele é moderno demais.
O Estado de S.Paulo, tradicionalmente mais católico, não embarcou nessa piada política. Octávio Frias de Oliveira tinha bons amigos em todo espectro político, não os beneficiava com matérias de favor, por isso era respeitado. Se vivo fosse não permitiria esse carnaval.
E como Frias dizia, com muita graça, que não se importava em pegar um clipe caído no chão, tal o seu horror ao desperdício, somos obrigados a perguntar e os dois jornalões têm obrigação de informar: quem pagou pelos anúncios? A falida TFP? O que há por trás desta nostalgia comemorada exatamente no dia do 40º aniversário do AI-5?
Comentário do BFI: “Adoramos a propaganda da TFP. Vai servir de inspiração para melhorarmos nossos posts no site do venerado Professor Hariovaldo e, assim, melhor combatermos o comunismo ateu, materialista e bolchevique do PT, com a graça de São Serapião. “Alvíssaras”, como diria o Vinícius Duarte.”

agosto 29, 2007

Organização religiosa que desejava obter a Presidência do Brasil processa escritora!!!

Filed under: censura, jornalismo, Justiça, Literatura, Opus Dei — Humberto @ 6:53 pm
Opus Dei processa escritora
Por Gabriel Perissé
Observatório da Imprensa
28/8/2007
Um caso a ser estudado e acompanhado. O Opus Dei, na França, está processando a autora do livro Camino 999, Catherine Fradier, sob a alegação de que este romance agride a imagem e a reputação da prelazia.
O livro foi publicado em março de 2007 por uma pequena editora francesa, Après la Lune, fundada há pouco mais de um ano pelo escritor Jean-Jacques Reboux. Dois meses depois do lançamento, o Opus Dei abriu um processo por difamação contra o editor e a autora. A Obra exige indenização de 30 mil euros por danos morais e a ampla divulgação de que teria havido intenção de caluniá-la.
O Opus Dei afirma que o livro em questão mistura ficção e realidade, sem alertar o leitor para a distância existente entre uma e outra. Além de mostrar o Opus Dei como uma organização criminosa, e trazer à baila o caso Matesa (1969) – escândalo político-financeiro espanhol que até hoje está mal explicado e envolveu simpatizantes da Obra –, o próprio título do livro incomoda a instituição. Camino, com suas 999 máximas, é a publicação mais conhecida do fundador, S. Josemaría Escrivá.
O advogado escolhido pela Obra é o prestigioso Alexandre Varaut, que, como tudo indica, será contratado para abrir outros processos contra quem ousar “difamar” o Opus Dei. Está marcada para setembro de 2007 uma audiência preliminar entre os advogados das duas partes. Opus versus Camino. Golias versus Davi, segundo alguns jornalistas franceses.
Outros processos
O Opus Dei animou-se a abrir esse processo contra a autora e o editor de Camino 999 depois de ter conseguido, em dezembro de 2006, que a Justiça condenasse o jornal France Soir pela publicação, em 2005, de uma série de artigos sob o título “Revelações sobre as finanças do Opus Dei na França”.
Esta pequena vitória jurídica veio compensar a grande humilhação que a Obra sofrera em janeiro de 2005, ao perder uma ação na Justiça chilena contra a revista Opus Gay. A Obra exigia que a revista, editada pelo Movimento de Integração e de Libertação Homossexual do Chile, mudasse de nome, desfazendo o trocadilho.
A derrota no Chile explica, em parte, o modo como o Opus Dei se conduziu perante o filme O Código Da Vinci (2006). Adotou uma atitude de cautela. Nada de processar a poderosa Sony-Columbia. Com relação ao livro de Dan Brown (2003), a estratégia tinha sido diferente. A Obra aproveitou o best-seller para afirmar sua preocupação com a Igreja católica e as verdades cristãs, dizendo que o fato de o Opus Dei aparecer no romance como “vilão” era algo secundário…
Já no affaire Camino 999, a Obra decidiu partir para o ataque. Na
citação, o advogado opusdeico argumenta que houve um precedente importante em 2001, quando a Justiça francesa declarou difamante o romance Le Procès de Jean-Marie Le Pen (1998), do jornalista Mathieu Lindon, no qual Le Pen é apresentado como chefe de um bando de assassinos. Significativo argumento, em que o líder da extrema-direita francesa e a Obra surgem como vítimas da literatura.
Realidade ficcional ou ficção realista?
A estratégia do Opus Dei parece evidente. Trata-se de conquistar um tento judicial contra uma autora menos conhecida, de uma modesta casa editorial, num país que não seja os EUA. Vencer nestas circunstâncias é conseguir um novo ponto de apoio na jurisprudência e, então, enfrentar no futuro novos e mais fortes “inimigos” que ousem produzir romances, filmes, documentários ou reportagens desabonadores.
A Obra recrimina a autora por “confundir ficção e realidade”. Curiosamente, toda a literatura consiste nessa mistura. E os leitores, em tese, estão cientes de que se trata de uma mistura. Nunca vi nenhum leitor de Harry Potter viajando de vassoura por aí… E quando um romance policial envolve em sua trama CIA, Nasa, FBI, polícia de Nova York, exército norte-americano, ditaduras latino-americanas, sindicalistas inescrupulosos, máfia ou o próprio Vaticano, ninguém precisa avisar ao incauto leitor que se trata de realidade misturada com ficção.
Ficção e realidade se confundem mesmo na Divina Comédia, em D. Quixote, n’Os Lusíadas… Dante, Cervantes e Camões jamais se preocupariam em acrescentar notas de rodapé para avisar aos leitores que faz parte da lógica literária criar mundos paralelos onde elementos reais e imaginação se casam harmonicamente.
O verdadeiro problema da auto-proclamada “Obra de Deus” é que, habituada com a idéia de um index de livros proibidos (que a instituição impõe aos seus membros, mesmo agora, 30 anos após a Igreja católica o ter abolido), vê-se como a detentora de todos os critérios de leitura e sofre terrivelmente quando alguém a critica. Decidiu por isso recorrer ao “braço secular” e impedir qualquer mácula em sua imagem, ainda que no contexto de uma construção ficcional. Ou terá a Obra receio de que a realidade ficcional acabe se mostrando uma ficção demasiadamente realista?
C’est quoi exactement, l’Opus Dei?
A pergunta é feita por Carla, protagonista de Camino 999, a outro personagem, Jacques, que responde:
“Para todos, a Obra de Deus… Para outros, uma Igreja dentro da Igreja, Santa Máfia… o braço armado do Vaticano… Uma organização patriarcal, de índole militar, elitista e autoritária. Cultiva o gosto pelo segredo e se considera destinada a salvar a Igreja católica. É a mais forte concentração de poder radical na Igreja. Trabalha na penumbra, interessando-se pelas classes mais ricas, pelos intelectuais… Exerce uma grande influência nas esferas políticas, econômicas e culturais. A Obra dispõe de um sólido capital financeiro para tocar suas atividades através de fundações disseminadas em todos os continentes…” (p. 258)
Até aqui, nada de novo que justificasse tamanho escarcéu. Por que processar uma escritora de romances policiais que simplesmente repete o que milhares de pessoas dizem e escrevem sobre o Opus Dei? E por que não processa então, para ficarmos apenas na França, um livro de 2005, L’Opus Dei: enquête sur une église au coeur de l´Eglise, de Bénédicte Des Mazery e Patrice Des Mazery, cujo texto da quarta capa denuncia a sede de poder da prelazia?
“Como jornalistas, queríamos descobrir a verdadeira face da Obra de Deus [...]. Embora os responsáveis pela Obra não nos tenham aberto as portas, fizemos investigações durante dois anos em Paris, Espanha e Inglaterra, recolhendo numerosos testemunhos de ex-membros. [...] Pudemos comprovar que sua influência sobre os seus membros é preocupante e que esta instituição busca efetivamente o poder, mantendo estreitas relações com entidades com poder decisório, como universidades e empresas. [...] O Opus Dei se organiza e progride como um movimento poderoso e secreto no coração da Igreja católica. Seu objetivo é claro: levar o ocidente cristão ao triunfo. Mas por todos os meios?”
Arnaud Gency, o porta-voz do Opus Dei na França, tem dito em entrevistas que esta ação judicial não pretende cercear a liberdade de expressão ou a criação literária. Sua única motivação é proteger a reputação de uma instituição. A Obra, segundo ele, não quer que o livro seja censurado, mas que as passagens claramente difamadoras sejam julgadas como tais pela autoridade competente:
“Os leitores de Catherine Fradier só ganharão com isso, pois, além de se beneficiarem com uma obra literária, terão acesso também a uma informação autêntica sancionada pela autoridade jurídica.”
O que Monsieur Arnaud diz nas entrelinhas é que a instituição deseja, com esses processos, desencorajar outros autores a explorarem, não só o que ele chama de “fantasma de um Opus Dei secreto e criminoso”, mas deixar a todos de sobreaviso de que falar mal da Obra significa correr alguns riscos.
Um Código Da Vinci, tudo bem. Outro (o filme), ça va… Mas um terceiro, aí já seria demais. A Obra não quer de novo tornar-se alvo fácil da mídia, como aconteceu ao longo dos últimos três anos, a menos que seja para receber aplausos e canonizações.

agosto 12, 2007

Eu não sei o que vocês fizeram no verão passado. Nem no anterior.

Filed under: CANSEI, CIA, maçonaria, Opus Dei, Roberto Calvi — Humberto @ 6:30 pm
Em post (” Um outro tempo, a mesma catedral ” ), Mino Carta informa que o CANSEI conseguiu apoio de uma loja maçônica.
Lembrei-me da loja maçônica envolvida na morte do banqueiro Roberto Calvi, do Ambrosiano. E do OPUS DEI. Junto a estes, a CIA.
Será possível que não exista maneira de um indivíduo não se deparar com grupos e seitas estranhos que, mesmo quando aparecem para o público, nos dão a impressão de que algo não está sendo mostrado?

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.