Senadores do DEM e do PSDB não se entendem sobre que estratégia adotar na tentativa de rejeitar a proposta de emenda constitucional (PEC) do governo que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).Na semana passada, tanto Arthur Virgílio (PSDB-AM) quanto José Agripino (DEM-RN), ambos líderes da oposição, alardearam que a estratégia era acelerar a tramitação do projeto porque já tinham os votos necessários para derrubá-lo. Mas, em reunião realizada na segunda-feira, deram meia-volta nessa avaliação. Bem menos entusiasmados do que na semana passada, disseram que a partir de agora vão se debater pelo adiamento da votação.
CAUTELA
A anunciada tentativa de postergação da decisão revela que ou eles não tinham ou perderam nos últimos dias os votos que alardearam ter na semana passada. A explicação seria que a situação tornou-se muito apertada. Segundo pefelistas e tucanos, o adiamento agora é necessário e eles vão tentar obtê-lo através de manobras regimentais. “Vamos usar todos os prazos regimentais a que temos direito”, informou o líder do DEM, José Agripino Maia (RN). “Todo cuidado é pouco e toda cautela é recomendável neste momento”, ponderou o líder do DEM.
Já o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, também reconheceu a dificuldade para derrubar a prorrogação da contribuição. “Vai ser uma votação muito dura”, admitiu. “Quem disser que está com ela resolvida não está dizendo com segurança coisa nenhuma”, completou. “A votação vai ser decidida por pouquíssimos votos, dois ou três, no máximo”, disse. “Se houvesse uma estratégia para levar a votação para janeiro, seria ideal”, resignou-se o tucano.
O governo, por sua vez, está confiante na aprovação do projeto e quer votar a proposta ainda nesta semana. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), confirmou a entrega de seu relatório ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Marco Maciel (DEM-PE), na terça-feira. Como as reuniões da CCJ são realizadas todas as quartas-feiras, Jucá espera que seu relatório seja apreciado na comissão para que o projeto vá ao plenário – em primeiro turno – na quinta-feira.
Em discurso, na inauguração de trecho da BR-259 em Colatina (ES), o presidente Lula criticou a demagogia de alguns setores políticos em relação à prorrogação da CPMF. “Quem quer acabar? Quem quer acabar na verdade é o PFL, que torce todo santo dia para que as coisas não dêem certo neste país. Isso porque eles governaram durante 500 anos e não conseguiram fazer o que país queria que fosse feito”. “Eles agora ficam com discurso de que é muito imposto”, afirmou.
“Caso a CPMF não seja aprovada, quem vai ter o prejuízo não será o governador ou o presidente, mas o povo mais pobre, já que a CPMF garante grande parte do dinheiro da saúde e de programas como o Bolsa Família”, destacou Lula, ao participar de cerimônia em que autorizou obras de urbanização do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas comunidades cariocas de Pavão-Pavãozinho e Cantagalo.
“Toda vez que o país vai bem, aparecem pessoas para tentar destruir o bom momento que estamos vivendo… a última é tirar 40 bilhões de reais do Orçamento do país”, afirmou Lula, durante solenidade, em homenagem aos cem anos do arquiteto Oscar Niemeyer. “Tem uma parte dos que são contra que defendem o fim do imposto porque a CPMF é um imposto mais justo para combater sonegadores no país”, denunciou.
“Acho que não temos o direito de permitir que a inveja, que a soberba e a mesquinhez de poucos possam prejudicar os milhões de homens e mulheres neste país que passaram séculos à procura de oportunidade”, prosseguiu Lula.
“É com o dinheiro da CPMF”, reforçou, “que o governo continuará cuidando do programa Bolsa Família, da aposentadoria rural e da educação”. “Portanto, aqueles que votarem contra vão ter de arcar com a responsabilidade do dinheiro que vai faltar para cuidar do povo pobre deste país”, alertou. “Se fizerem uma estupidez, o Brasil pagará o preço”, afirmou.
DISCURSO
Lula afirmou que está tranqüilo quanto à aprovação do projeto. “Acho que os senadores, na hora de votar, vão ter a responsabilidade de perceber que podem votar”, avaliou. “Pode ter um pequeno grupo que pode agir sem responsabilidade, que é o caso do PFL, que não tem perspectiva de nada”, disse. “Mas eu tenho certeza que a CPMF vai ser aprovada”. “Eu tenho dito”, prosseguiu Lula, “que o PSDB tem cinco governos de estados importantes, como é que podem prescindir do dinheiro da CPMF? Não é possível”. “Vinte e cinco governadores querem a aprovação da contribuição, inclusive os do PSDB, que governa São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba: “Esses partidos políticos não podem ficar reféns do discurso do PFL”, frisou.
Segundo Lula, “nem a União, nem os estados e municípios podem abrir mão da CPMF, que garante recursos de R$ 40 bilhões para o país”. “Quem tem responsabilidade nesse país sabe que nós precisamos desse dinheiro para fazer o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”, concluiu.
Sérgio Cabral: ”a CPMF gera transparência e é fundamental para o país”
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), defendeu a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), afirmando que a arrecadação do tributo é fundamental para a economia do país. “É um imposto que gera transparência em seu controle e é fundamental para o país”, afirmou em entrevista no Palácio Guanabara, na última quinta-feira.
“Já houve outros governos que defenderam esse tributo, não é o governo Lula. Não podemos brincar com a economia brasileira, abrir mão de R$ 35 bilhões”, continuou Cabral, advertindo que todos os partidos têm de avaliar a questão da CPMF como um problema também dos governos estaduais e dos municípios.
“É uma cobrança absolutamente correta e acredito que o Senado vai tomar uma decisão serena, sensata, sem pensar em politicagem eleitoral”, completou.
Dilma Roussef: oposição vai penalizar municípios e estados se tirar a CPMF
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que aqueles que hoje se manifestam contra a CPMF têm uma atitude “oportunista”, porque querem acabar com um tributo de difícil sonegação. A ministra alertou, na última sexta-feira, que a não-prorrogação da contribuição trará prejuízos também aos municípios e à população.
“Tem uma posição bastante oportunista em alguns segmentos de querer acabar justamente com aquele imposto cuja sonegação é a mais difícil. Queria sinalizar que pessoas que acham que podem apostar no quanto pior melhor não podem ser consideradas como exemplo da população brasileira”, disse.
Segundo Dilma Rousseff, aqueles que votarem contra a prorrogação da CPMF terão uma atitude “que não se compadece com o desenvolvimento do país”. “Hoje é uma temeridade tentarem tirar a CPMF do governo federal porque vai comprometer inclusive o repasse para os Estados”, assinalou, após as comemorações do aniversário de um ano do Parque Eólico de Osório, no Rio Grande do Sul.
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ed. 2625 – 05/12/07


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