ENCALHE

outubro 30, 2007

Berzoini: PT não tem qualquer relação coma multinacional Cisco

O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini, rechaçou as “suposições” levantadas por um jornal da capital paulista de que o PT “teria” recebido doações da Cisco, em troca de um “suposto” beneficiamento em contratos com a Caixa Econômica Federal. Segundo Berzoini, não passa de “uma informação perdida no ar”. “O PT não tem qualquer relação com essa empresa. Consultei membros da executiva do partido e pedi levantamento sobre doações. Todos afirmaram que não conhecem e não têm nenhuma relação com ninguém da empresa”.
A Caixa Econômica Federal também repudiou a reportagem. Em nota, o assessor de imprensa Gabriel de Barros Nogueira afirma que “a Caixa não possui nenhum contrato com a Cisco. Todos os equipamentos fabricados pela referida empresa foram adquiridos em licitações públicas, em que se assegura integral publicidade e transparência. Os vencedores dos últimos pregões, de 2000 a 2007, nos quais estão incluídos produtos da empresa em questão, foram as empresas Damovo, Conecta, CPM, Telefônica, Medidata e IBM”. Ao considerar que “a Folha pratica um jornalismo parcial e irresponsável ao citar a Caixa Econômica Federal na reportagem de capa de 24/10, que trata do chamado caso Cisco”, a assessoria diz que “a Caixa considera lamentável a divulgação irresponsável de ilações descabidas ao citar nomes de seus dirigentes, no intuito de esquentar a reportagem. A propósito, o próprio jornal afirma inexistir investigação específica por parte da Polícia”.
No dia 16 de outubro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Persona, desmantelando um esquema fraudulento que resultou em prejuízo de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos nos últimos cinco anos. O esquema foi armado pela transnacional norte-americana Cisco Systems Inc. – que domina cerca de 80% do mercado de equipamentos de informática do país -, que sonegava impostos e subfaturava em até 70% a importação de produtos de informática.
O esquema fraudulento da Cisco funcionava no Brasil através da empresa Mude, responsável pela importação de seus produtos. Até agora foram descobertas 14 empresas de fachada, 6 delas nos EUA e as restantes no Brasil, incluindo a Mude.As relações entre a Cisco e a Mude foram apuradas pela PF, “embora não aparecendo formalmente perante as autoridades aduaneiras nos procedimentos de importação de produtos Cisco, controlam todo o fluxo da importação, desde o fechamento da encomenda até a entrega do produto ao cliente final”.
A Receita Federal e a Polícia Federal estão apurando se os principais clientes da Cisco, entre eles a IBM, sabiam que a empresa mandava seus produtos para o Brasil de forma irregular. Entre os questionamentos, a Receita quer saber por que as empresas que têm sede nos EUA não faziam negócios diretamente com a matriz da Cisco.
HORA DO POVO
ed. 2615
31/10/07

outubro 27, 2007

Mídia golpista envolve o PT e abafa escândalo da múlti Cisco

Filed under: Cisco Systems, golpismo, imprensalão, Operação Persona, Polícia Federal — Humberto @ 3:00 am
Estranho que certo jornal paulista, diante da “Operação Persona” da Polícia Federal que desbaratou na semana passada uma quadrilha encabeçada pela multinacional americana Cisco, que deu um prejuízo de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos, tenha garimpado apenas uma frase sobre uma suposta doação que teria sido oferecida pela empresa a alguém do PT. E pior, violando o segredo de Justiça.
Para o escândalo das notas frias, o subfaturamento nas importações e o uso de laranjas nas operações comerciais que resultaram no assalto bilionário ao erário, nem aí. O esforço do jornalismo especulativo foi pinçar um trecho do relatório onde os envolvidos teriam feito referência ao suposto “negócio”.
A PF, que segundo o jornal gravou conversas de empresários do ramo onde teria sido falado na doação de R$ 500 mil, não confirmou a “notícia”. A “doação”, segundo o jornal, seria feita em troca de favores à empresa americana na Caixa Econômica Federal. Nenhum negócio da Cisco com a CEF foi confirmado.
HORA DO POVO
ed. 2614
26 a 30/10/07

outubro 23, 2007

Vai virar Ídolo do "Cansei", do imprensalão, da classe média paulistana, dos "cidadãos de bem"…

Para Mr. Smith, Cisco fraudou o Brasil em 1,5 bi porque impostos “são muito altos”
O diretor da Câmara de Comércio dos EUA, Mark Smith, justificou a fraude.
Norte-americana Cisco subfaturava em até 70% preços de computadores
Para PF, “Fica comprovada a existência de uma organização criminosa, uma verdadeira quadrilha”
A Operação Persona deflagrada na semana passada pela Polícia Federal desbaratou o esquema montado pela transnacional Cisco Systems Inc. – líder mundial na fabricação de equipamentos para a área de tecnologia da informação -, que redundou em uma megafraude fiscal de R$ 1,5 bilhão nos últimos cinco anos, entre sonegação de impostos e subfaturamento em até 70% na importação de produtos de informática.
Segundo relatório da PF, o esquema da corporação norte-americana, com sede em San Jose, no Vale do Silício, na Califórnia, funcionava através da empresa Mude, a real importadora da Cisco no Brasil, e totalizava 14 empresas de fachada – 6 nos EUA e 8 no Brasil, incluindo a Mude -, responsáveis pela importação de produtos subfaturados. Para burlar a Receita Federal, faziam também um simulacro de “industrialização” para obter redução de imposto.
A PF descobriu que os donos das empresas Brastec, Prime e ABC, reponsáveis pela importação de produtos que valem alguns milhões de dólares, são vendedores ambulantes, pedreiros e operadores de telemarketing. Nos EUA, entre as exportadoras estão a Mude USA e a LogCis, de Miami.
“Fica perfeitamente comprovada a existência de uma grande organização criminosa, uma verdadeira quadrilha”, diz o relatório da PF.
Após a divulgação do escândalo, um tal de Mark Smith, diretor-gerente para o hemisfério ocidental da Câmara de Comércio dos EUA, afirmou em Washington que “o subfaturamento é comum no Brasil”, devido ao “peso tributário elevado”. Sobre isso, nunca é demais repetir: o nível da carga tributária é problema dos brasileiros e não diz respeitos aos norte-americanos. A eles, como aos demais, cabe apenas cumprir a legislação brasileira.
A utilização de empresas sediadas nos paraísos fiscais, como Panamá e Ilhas Virgens Britânicas, de acordo com a PF, era para encobrir a responsabilidade da Cisco Systems nas operações de exportações e importações dos equipamentos de informática.
Em relato à Justiça Federal, a PF observa que a relação entre a Cisco e a Mude, “embora não aparecendo formalmente perante as autoridades aduaneiras nos procedimentos de importação de produtos Cisco, controlam todo o fluxo da importação, desde o fechamento da encomenda até a entrega do produto ao cliente final”.
As interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal mostram como funcionava o esquema, para “fazer de conta” que havia industrialização, bem como “blindar” a Cisco Systems na megafraude. “Como é que eu ia industrializar um negócio de dois metros de altura que custa US$ 700 mil? Aí não tinha jeito, não tinha jeito de fazer nada. Aí eu falei: ‘Luís, inventa. Faz qualquer coisa’”, diz em certo momento Moisés Aleixo Nunes, da Waytec, uma das empresas que faziam parte do esquema.
“As vendas têm de ser feitas sem margem….”, fala ao telefone a vice-presidente da Cisco, Daniela Ruiz, explicando que o preço dever ser abaixo do custo. Já no telefonema entre Carlos Roberto Carnevali (ex-presidente da Cisco do Brasil) e Marcelo Ikeda, diretor da Mude, eles discutem sobre a necessidade de não decepcionar a “mãe Cisco”.
Hora do Povo
ed. 2613
24/10/07

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