ENCALHE

maio 28, 2007

Corrupçăo no Brasil năo é de hoje

Jasson de Oliveira AndradeAtualmente fala-se muito em corrupçăo. No entanto, ela năo é de hoje. Eduardo Bueno escreveu um livro, cujo título é: “A Coroa, A Cruz e a Espada – Lei, ordem e CORRUPÇĂO (destaque meu) no Brasil Colônia”. No início dos anos 1900, Rui Barbosa já se revoltava contra a corrupçăo, desabafando: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer a desonra, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas măos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
Em 1954, Carlos Lacerda moveu uma ferrenha campanha contra o entăo presidente Getúlio Vargas. Por esse motivo, sofreu um atentado, com a morte do Major Vaz, que o acompanhava. Falou-se em “mar de lama”. Os chefes militares exigiram a saída dele. Para năo ser derrubado, Vargas suicidou-se no dia 24 de agosto de 1954. Tivemos Adhemar de Barros, que foi governador de Săo Paulo. Tornou-se conhecido pela “caixinha” e a frase: “rouba, mas faz”. No tempo da Ditadura Militar também houve corrupçăo. Só que năo era divulgada (havia a censura). O jornalista J.Carlos de Assis escreveu três livros, abordando o assunto. Entre eles “A Chave do Tesouro – anatomia dos escândalos financeiros: Brasil 1974-1983”. Gilberto Dimenstein, no livro “As Armadilhas do Poder – Bastidores da imprensa”, revelou, na página 117: “O mundo do poder, no Brasil, está abarrotado de histórias de primeiras-damas, capazes de influenciar o chefe do Estado – ou de provocar escândalos e desgastá-los. Alvo de uma bateria de mexericos sexuais, Yolanda Costa e Silva chegou a ser apontada em envolvimento em contrabando, apreço por rapazes jovens e presentes caros. Gostava de mandar e influenciar. Chegou a gravar, secretamente, as conversas do próprio marido, o presidente Costa e Silva. (…) Disseminou-se a versăo de que o derrame que atingiu Costa e Silva e levou-o à morte teve como um dos ingredientes a mulher, acusada de participar em negócios escusos. E năo foi acusada por adversários. Mas por gente influente do próprio governo como o poderoso general Muniz de Aragăo que, em relatório ao presidente, contou fatos sobre concorrências públicas envolvendo sua família” O autor fez outros relatos, mas fico neste. Mais recentemente, tivemos a prisăo de Paulo Maluf e o filho. No governo FHC, os supostos escândalos, principalmente das privatizaçơes, e a compra de votos para a reeleiçăo, năo puderam ser investigados em profundidade: năo se permitiu CPIs. O mesmo acontecendo com o ex-governador Geraldo Alckmin, que também impediu várias CPIs, principalmente da Nossa Caixa. Existem outras acusaçơes, como as suspeitas na secretaria do Trabalho, que foram noticiadas por um jornal de Mogi Guaçu. No primeiro governo Lula, tivemos os supostos “mensalơes” e outros casos, explorados na CPI dos Bingos.
Este ano duas Operaçơes da Polícia Federal tiveram repercussăo. A Operaçăo Furacăo ou Hurricane, em abril, que levou à prisăo banqueiros do bicho, desembargadores, delegados de policia, um juiz trabalhista e um procurador da República. Um dos suspeitos, Paulo Medina, é ministro do Superior Tribunal de Justiça. Um mês depois, surgiu a Operaçăo Navalha, com a prisăo de várias pessoas, principalmente políticos. O Estadăo designou-a como “Corrupçăo suprapartidária”, atingindo quase todos os partidos. Dois governadores săo suspeitos: Jackson Lago (PDT), do Maranhăo, e Teotônio Vilela (PSDB). Um ex-governador, José Reinaldo Tavares (PSB) foi preso. Dois prefeitos, Luiz Carlos Caetano (PT), de Camaçari (BA) e Nilson Aparecido Leităo (PSDB), de Sinop (MT). O “Estado” diz que 9 partidos estăo envolvidos: PT, PMDB, PSDB, PSB, PDT, DEM (ex-PFL), PPS, PP e PR (ex-PL).
O Fantástico apresentou imagens que mostram uma funcionária da Guatama, firma responsável pelo desencadeamento da Operaçăo Navalha, entrando no ministério de Minas e Energia com um envelope. A Policia Federal acredita que o mesmo contem R$ 100 mil. Em vista dessa suspeita, o ministro Silas Rondeau (PMDB) pediu exoneraçăo, que foi aceita pelo presidente Lula. Ele foi a primeira baixa do governo federal. Agora o PMDB apresentou o nome de seu substituto, ao que parece, um respeitável e competente técnico.
Este ano começou mal. Com duas operaçơes (Furacăo e Navalha) e muitas pessoas estăo sob investigaçăo, năo só políticos, mas também, o que é pior, do Judiciário. Será que teremos outras denúncias? Com os exemplos do passado e do presente, acreditamos que sim. Vamos esperar!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Maio de 2007
Postado por Redaçăo Portal Mogi Guaçu

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