ENCALHE

janeiro 18, 2008

A morte suspeita de Jango: infarto ou assassinato?

Jasson de Oliveira Andrade
O presidente João Goulart, o Jango, foi deposto em 31 de março de 1964 (ou seria 1º de abril?). Depois do golpe militar, ele exilou-se no Uruguai e depois na Argentina, onde morreu a 6 de dezembro de 1976. O motivo da morte dele é suspeita: infarto ou assassinato? Leonel Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, cunhado de Jango, coloca em dúvida a causa. Em entrevista à Folha, em 28/8/1982, admitiu como “suspeita” a morte de João Goulart. Segundo o jornal, “as declarações do ex-governador gaúcho referiam-se às recentes denúncias de que o ex-presidente teria sido assassinado, na cidade argentina de Mercedes, onde passara a residir, por ingestão de remédios para cardíacos criminosamente trocados.

“De fato, afirmou Brizola, por que nem o governo da Argentina e nem o do Brasil deixaram que fosse feita uma autópsia [pedida pela família dele] no corpo de Jango?”. Afirmou ainda: “desde o momento da sua morte até o enterro, tudo foi feito sob pressão, no sentido do episódio ser encerrado o mais rapidamente possível [ na época, existia Ditadura Militar também na Argentina ]. Acho mesmo que esse caso não foi o único. Pessoalmente, recebi avisos de diversas origens sobre a eliminação de lideranças políticas no Continente. Por isso mesmo é que eu estranho igualmente a morte de Juscelino, Lacerda e até do Petrônio Portela [ Ministro da Justiça do presidente João Figueiredo. Faleceu de infarto em 6/1/1980 ]. Todas ocorreram em circunstância suspeitas. É possível que o tempo nos venha trazer algum esclarecimentos sobre tais fatos”. Em 1982, quando Brizola concedeu essa entrevista, ainda estávamos na Ditadura Militar e o presidente era o general João Batista Figueiredo. A democracia só voltou em 1985, vinte e um anos depois do golpe de 64. Como previu Brizola, o tempo está trazendo alguns esclarecimentos, como veremos.

Em janeiro de 2004, escrevi um artigo sob o título “O Beijo da Morte, ficção ou realidade?, no qual revelei: “Carlos Heitor Cony e Anna Lee escreveram um “romance”, questionando as mortes de Juscelino (JK), João Goulart (Jango) e Carlos Lacerda [ líder civil do Golpe de 64 ]: natural ou assassinato? O personagem, Repórter, pesquisa as causas dessas mortes ocorridas em pequeno lapso de tempo, quando haviam criado a Frente Ampla, unindo esses três adversários perseguidos pelo Golpe de 64 e visando a volta da democracia. Nesta época, existia a Operação Condor, supostamente responsável pelo assassinato de várias autoridades no Cone Sul. Coincidências ou não? É o que trata o romance O Beijo da Morte. Com alguns assassinatos comprovados!”. Agora, em artigo na Folha (15/1/2008), sob o título “Morte de Jango na Justiça”, Carlos Heitor Cony revela: “A família de João Goulart deu entrada na Justiça a uma ação sobre a morte do ex-presidente, que teria sido assassinado no Uruguai [ na Argentina ] por membros de uma Operação Escorpião, que foi a antecessora da Operação Condor, destinada a eliminar pessoas que pudessem perturbar a paz no Cone Sul da América Latina, então governada por regimes militares”. Janio de Freitas, em artigo à Folha (15/1/2008 ), revela: “As três décadas passadas desde as mortes de João Goulart, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda mais alimentaram, com a seqüência de esquivas investigações, do que atenuaram as suspeitas de triplo assassinato sobre os quais, enfim, há um ponto de partida substanciosa. Já está entregue à Procuradoria Geral da República. E a recusa a aceitá-lo, para abrir investigação sobre as circunstâncias da morte de João Goulart dificilmente seria compreensível. (…) A longa e até agora inútil batalha da família Goulart pela exumação do ex-presidente, morto no exílio em 1976 e enterrado no Rio Grande do Sul, teve o seu fundamento agora comprovado pela inesperada confissão de um ex-agente uruguaio, em depoimento para um documentário de João Vicente Goulart [ filho de Jango ]. Mario Neira Barreiro, que já dera indicações factuais de sua espionagem à família Goulart, como agente, aos 22 anos, do serviço secreto do Uruguai, deu agora pormenores da inclusão de uma pílula venenosa entre os remédios que, por provável precaução, Jango fazia virem da França para a sua cardiopatia. O veneno foi posto por outro agente, infiltrado como empregado no hotel habitado pelos Goulart em Bueno Aires.” Em vista dessas novas informações, João Vicente, filho de Jango, pediu um inquérito à Procuradoria Geral da República. Será que agora teremos a verdade sobre a morte de João Goulart ( Jango )? Afinal de contas, como disse Janio de Freitas, “a história dos nossos anos [ de chumbo ] ainda está só na superfície”.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

Janeiro de 2008
Postado por Redação Portal Mogi Guaçu

dezembro 31, 2007

"The August Sale" – PÔSTER

Esse aqui era para ter sido postado em “homenagem” ao 11 de Setembro. Mas, com essa história de Operação Condor vindo à tona, acho que este aqui é pertinente. Infelizmente.

setembro 12, 2007

Argentina entrega ao Uruguai documentação da Ditadura de 76

O secretário dos Direitos Humanos da Argentina, José Luis Duhalde, entregou ao Embaixador do Uruguai, Francisco Bustillo, cinco quilos de documentos relacionados aos agentes da Ditadura de 76, cujo envolvimento de cidadãos e cidadãs uruguaios ficou conhecido como Plano Cóndor. Este feito é uma das conseqüências do acordo dos presidentes Tabaré Vázquez e Néstor Kichner, relacionado à colaboração bilateral para o esclarecimento do ocorrido nessa época, violadora dos direitos humanos, e que confirma a ação conjunta que tiveram as Forças Armadas argentinas e uruguaias. Nas reuniões que aconteceram no último fim de semana, entre funcionários uruguaios e argentinos, se estabeleceram ações comuns para que fossem providenciados, gratuitamente, exames de DNA aos familiares das vítimas; compartilhar informação útil para a Justiça e o intercâmbio de documentos que, naquelas circunstâncias, eram enviados entre ambos governos. Ao mesmo tempo, no Uruguai, o Tribunal de Apelações, confirmou, por unanimidade, o processo do ex presidente Juan María Bordaberry por 10 mortes ocorridas durante seu governo ditatorial. A sentença ratifica o disposto pela juíza Penal, Graciela Gatti, em dezembro de 2006. Assim, o julgamento contra Bordaberry, por sua gestão homicida, foi iniciado. O interesse particular reflete uma afirmação do Tribunal de Apelações, ao expressar que a passividade de Bordaberry, diante das denuncias de violação aos Direitos Humanos “sugere, lógica e razoavelmente, uma promessa ou expressão de vontade de sua parte, ou sinal indiscutível a ponto de encobrir as ações militares, permitindo a estes agentes a certeza de sua impunidade”, segundo publicou o jornal La República.
Além do argumento de que ” à lógica do racional permite afirmar que a repressão aconteceu por virtude de um planejamento traçado com o máximo representante do Executivo, pessoa que não titubeava em afirmar sua forte convicção anti-comunista, colocando-se como principal sujeito na pretensa liberação da ditadura, imposta por tal ideologia, fazendo uso , para eles, de meios visivelmente antidemocráticos”.
ADITAL/ Ecupress
12.09.07

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