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junho 1, 2008

EUA investigam se há fraude em negociações de petróleo

Filed under: Especulação, EUA, fraudes, OPEP, Petróleo — Humberto @ 4:29 am
Folha de S. Paulo – 31/5/2008
A CFTC ( Comissão Reguladora de Negociações com Contratos Futuros de Commodities dos EUA ) está investigando as negociações de petróleo bruto norte-americano para verificar se a disparada dos preços para níveis recordes é produto de manipulação ou fraude.
A comissão vem investigando o transporte, a armazenagem e as transações de petróleo bruto nos EUA desde dezembro, segundo afirmou em comunicado. A sindicância inclui os contratos futuros de petróleo, que dispararam até 40% neste ano, chegando a valer mais de US$ 130 o barril.
“A comissão está tomando a medida extraordinária de informar a ocorrência dessa investigação devido às atuais condições sem precedentes do mercado”, disse Walt Lukken, presidente em exercício da CFTC, no comunicado. O órgão regulador, que normalmente realiza investigações de natureza confidencial, não revelou o prazo para o fim da sindicância. A CFTC não citou nominalmente quaisquer empresas e disse que os detalhes da investigação serão sigilosos.
O aumento da cotação do produto, que bateu vários recordes, levou alguns analistas e a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), cartel responsável por 40% da produção mundial, a afirmarem que o mercado estaria sendo conduzido pela prática especulativa, e não pela relação entre oferta e demanda de petróleo.
EUA investigam eventual manipulação dos preços
Lusa/SOL, 30/05/08
A Agência norte-americana de Regulação dos Mercados de Matérias-Primas abriu um inquérito, em Dezembro de 2007, sobre uma eventual manipulação dos preços do petróleo nos mercados norte-americanos, anunciou um comunicado daquele organismo.
Foi «lançado um amplo inquérito sobre as práticas que rodeiam a aquisição, os aprovisionamentos, a compra e a venda de petróleo», diz o documento.
Este inquérito visa determinar se houve ou não possíveis manipulações de preços nos mercados norte-americanos da energia, acrescenta a Agência que não revela no entanto pormenores do inquérito.
Embora este género de procedimentos seja normalmente confidencial, a Agência optou por o tornar público «porque as condições do mercado apresentam-se hoje sem precedentes».
O galão (3,8 litros) de gasolina ultrapassou, pela primeira vez, na semana passada, o limite simbólico dos quatro dólares, nas bombas de gasolina dos Estados Unidos, um nível nunca visto.
Saudando a acção «extraordinária» da agência, a principal bolsa norte-americana de energia, Nymex, reafirmou o seu compromisso de longa data em «garantir a integridade dos mercados» e afirmou-se disposta a «contribuir com a sua ajuda» à Agência.
Por seu lado, a Agência de Regulação anunciou novas medidas para «aumentar a transparência dos mercados do petróleo, a fim de que estes reflictam a relação de forças entre a procura e a oferta».
A agência vai por isso proceder, de futuro, a um exame aprofundado das «práticas» dos intermediários.
Estas declarações acontecem no momento em que diversas vozes se levantam em favor de uma maior regulação dos mercados financeiros. No entanto, os analistas duvidam que um reforço das regras de vigilância mude a dinâmica actual do mercado.
«Não creio que uma mudança das regras faça baixar os preços» do petróleo, declarou um analista que pediu para manter o anonimato.

maio 14, 2008

Secretário de Agricultura do Paraná alerta: oligopólio de fertilizantes encarece alimentos

AEN/ PR
12/05/2008
O pouco número de empresas que produzem fertilizantes aumentou o preço do produto em mais de 50% só este ano, o que vem causando um repasse de custos inaceitável na produção de alimentos. O alerta foi feito nesta segunda-feira (12) pelo secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, durante audiência pública na Assembléia Legislativa, onde defendeu a necessidade de o Brasil discutir os 15 anos de privatização do setor e encontrar soluções alternativas para ampliar o fornecimento do insumo.
Para Bianchini, a agricultura brasileira está muito dependente de insumos importados derivados do petróleo e, segundo ele, em pouco tempo essa situação não será mais viável.
“Como solução, é preciso que o país crie mais empresas do setor de fertilizantes, sejam estatais ou privadas”, defendeu.
Segundo Bianchini, a Petrobrás deve retirar seus projetos da gaveta e retomar o mercado de insumos agrícolas em nome da soberania nacional.
“Se nada for feito, em breve a sociedade pagará essa conta quando o custo dos alimentos se tornarem ainda mais caros”, alertou.
O secretário sugeriu a ampliação de pesquisas sobre a utilização de insumos, o resgate de técnicas antigas que, com novas matrizes tecnológicas, podem aumentar a eficiência e a competitividade das lavouras como a integração lavoura-pecuária, manejo biológico de pragas, entre outras.
“São técnicas que podem ser repaginadas tecnologicamente e que levam ao cultivo de uma agricultura sustentável”, destacou.
“Para responder ao aumento da demanda mundial de alimentos e para se tornar uma potência na diversificação da matriz energética, o Brasil tem que enfrentar essa situação de extrema dependência da importação de fertilizantes cujo setor está oligopolizado”, ressaltou Bianchini. Atualmente, o Brasil importa cerca de 70% dos fertilizantes que consome, segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas do Paraná.
“A preocupação com o oligopólio é que ele mostra a sua cara justamente em anos em que os preços das principais commodities estão em alta, como neste ano”, disse o secretário. As empresas, disse Bianchini, aumentam os preços dos fertilizantes acima das expectativas de inflação.
Para isso, apontou ainda o secretário, as indústrias alegam uma série de fatores como o impacto dos aumentos no preço do petróleo, o crescimento da demanda mundial e a entrada de países emergentes que estão consumindo mais.
“Mas é claro que numa situação onde há pouca concorrência, predominam os índices que elas decidem”, frisou Bianchini.
ALTA – Um levantamento feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento mostra que no período de fevereiro de 2007 ao mesmo mês deste ano, os preços dos fertilizantes subiram 62%, em média no Paraná. Entre os 18 tipos de formulações NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio) pesquisadas no Estado, há casos de aumento de 100%, passando de R$ 695,00 a tonelada para R$ 1.390,00 a tonelada.
A fórmula mais barata de NPK, a 4-14-8, fertilizante muito utilizado por pequenos produtores na olericultura, no cultivo de feijão e milho de baixa tecnologia, teve aumento de 50%, passando de R$ 532,00 a tonelada para R$ 798,00 a tonelada.
Esse aumento nos preços dos insumos está provocando impactos no aumento dos custos de produção do milho safrinha e do trigo. Com certeza, também irá impactar os custos de produção da safra de verão 2008/09, informa a engenheira agrônoma do Deral, Margorete Demarchi.
Apesar da queda do dólar de 2004 para cá, o custo da matéria-prima para a formulação do fertilizante subiu muito e passou a pressionar os custos de produção dos principais produtos agrícolas, aponta ainda o levantamento do Deral. Conforme o estudo, o peso dos fertilizantes no custo de produção passou a 12% no caso do feijão, para 25% na produção de milho e 16% na de soja.
“No acumulado de 2000 a 2007, os preços dos fertilizantes subiram mais do que os preços dos alimentos”, disse Bianchini. Ele destacou a disposição da Secretaria da Agricultura do Paraná em firmar parcerias com o governo federal e outras entidades para buscar alternativas para essa situação, desde a necessidade de ampliar a presença de mais misturadoras no País, até convencer a Petrobrás a voltar a investir no setor de fertilizantes.
O secretário destacou ainda a disponibilidade da Seab em discutir novos modelos de agricultura que leve em conta a diversificação e a incorporação de técnicas alternativas para que o País possa aproveitar as oportunidades com o aumento da demanda mundial por alimentos.
“O Brasil tem um papel preponderante na produção de alimentos e precisa ocupar esse espaço com inclusão social, com a preservação da Agricultura Familiar e com a preservação da Amazônia”, finalizou o secretário da Agricultura do Paraná.
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