ENCALHE

julho 21, 2008

FIM DE SEMANA NO BUMBA

Outro dia li, não sei onde, que o transporte público é uma – se não a maior, atualmente – das grandes preocupações do eleitorado paulistano, e que este tema, portanto, deverá ocupar destaque na agenda dos prefeituráveis. Ainda, me parece, que o transporte público do município ( ou seja, o sistema de ônibus ) ocuparia o primeiro lugar na lista do “qual o pior serviço oferecido pela Prefeitura de São Paulo”. Bem, a triste sina de quem viaja nos coletivos aqui da capital vai muito além da simples espera de 50 minutos no ponto ou a presença de baratas circulando aqui e acolá. Aí vai meu “fim de semana no bumba” ( OBS: aqui cabe uma informação: desde março, eu faço uso de protetores auriculares quando preciso pegar ônibus ou metrô [ são compráveis em farmácias ], que reduzem bastante os ruídos, cerca de 22 decibéis. Ajuda bastante, creiam )
- sábado 19: Linha 577T, sentido Vila Gomes, 22:10hs: um som conseguia ultrapassar a barreira protetora dos tampões de ouvido; não vinha de celular algum, mas de um rádio no próprio veículo. Rock, e bem alto;
- sábado 19: Linha 476-G, sentido-bairro, 22:23hs: chego ao ponto inicial, no terminal Ana Rosa; 23:16hs: o ônibus finalmente sai. Tempo de espera: 53 minutos;
- domingo 20: Linha 374-T, sentido-metrô Paraíso, 13:00hs ( + ou – ): eu fico no penúltimo banco; no banco à minha frente, senta uma moça; l de repente, um sambão altíssimo toma conta do ambiente ( no início, eu – já usando meu tampão auricular – pensei que viesse de algum carro, mas vinha do celular dum asno que ocupava o último assento ) e consegue tirar minha atenção da revista que eu lia; pessoas entravam no veículo, iam para o banco do fundo e retornavam ( fugindo ), aos primeiros assentos do veículo, e longe do inconveniente animador de micareta e feirão de veículos em concessionárias [ o que se mostraria inútil, pois o horroroso gosto musical do primata invadia até os poros dos passageiros, onde quer que estivessem ], que ficou isolado nos últimos bancos, como se fosse um leproso; a moça à minha frente segurava um livro com a mão esquerda, enquanto tentava – inutilmente – com o indicador da direita, tampar o ouvido; ela, e outros passageiros, de vez em quando, davam uma olhada feia na direção do primata, esperando que, com esse artifício, o cara se tocasse ( sem trocadilho ); obviamente, tal artifício não surtiu feito algum; o trio elétrico não me incomodou tanto, já que meu aparelho auditivo se encontrava razoavelmente protegido; desci e deixei os outros lá, se deliciando com a bela melodia que os acompanharia até seus destinos;
- domingo 20: Linha ? ( não decorei ainda ), 13:15hs ( + ou – ): desci do ônibus anterior e, mal esperei 5 minutos, veio este [ Oba!, eu ia chegar a meu destino com bastante folga! ]; ia pela av. Ricardo Jafet ( zona sul da Capital ) na pista da direita quando um carro que seguia pela pista central da avenida corta para a direita NA FRENTE DO ÔNIBUS, tentando pegar uma rua, e nosso busão ( que não teve culpa alguma pelo acidente ) bate em sua lateral posterior direita; fim da viagem sem ter rodado nem um quilômetro; chego atrasado 15 minutos.
Em nenhum dos casos acima apareceu a figura de algum “político ladrão”; as situações insuportáveis foram causadas por pessoas comuns, capazes de discernimento.
FIM DE SEMANA NO BUMBA…
A questão do som em ônibus me faz lembrar de um episódio que ocorreu comigo, e que me deixa bastante feliz quando volta à memória. Foi assim: eu havia comprado uma guitarra e um amplificador. Não sabia tocar, então apenas praticava. Algum tempo depois, já compreendia melhor o instrumento, e possuía até uns pedais. Mas não gostava ( como ainda não gosto ) do volume alto até porque, para praticar em casa, atrapalha todo mundo e inclusive o próprio aprendizado; pois bem: certo dia, na casa ao lado ( direito ) algum primata mostra [ mais uma vez ] ao mundo seu maravilhoso gosto musical ( Frank Sinatra? Beethoven? Não, claro. ), dançante e malemolente. Tipo, uma manada de elefantes. Bom, peguei minha modelo SG, pluguei no pedal Heavy Metal, botei o amplificador na janela, de frente para a rua e mandei bala: BLOOÉING!! ZOOOMNNNN!!! VLÁUUZZZ!!! GRÓIMMBZZZZ!!!! NHOOOMMMZZBVZZZZ!!!
Lindo, claro. Cada um, cada um.
De repente, batem palmas no portão. Pensei: “Foda-se”, pensando que fosse a animadora de micareta. Mas não. Era a evangélica que morava na casa à esquerda. Ela praticava canto, e tinha uma bela e potente voz. Seu filho, praticava violino. Aquilo jamais me incomodara. Eu não queria ter incomodado aquela família.
Bem, o som da micareta havia sido abaixado, para nunca mais chegar àquele ponto que me obrigou a reagir. Vitória parcial, creio. É como se, quando alguém ouvisse música no celular dentro do busão, outros fizessem o mesmo, em represália, mas respaldados no direito conferido pela lei do “cada um, cada um” e “cada um co seus poblema”. Vou começar a carregar minha guitarra comigo no ônibus.

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