O Homenzinho Amarelo é fo**da. Ele lava carro e calçada com água potável. Ele é reponsável por não existir um transporte público “de qulidade” ( uma coisa eu deixo claro aqui: quando eu uso o “de qualidade”, é porque estou tirando sarro de um chavão hediondo, muito usado por Homenzinhos Amarelos país afora, de qualquer cor, classe e religião, já que qualidade é um termo bem neutro ).Como assim, “responsável”? “A culpa é ‘duspulíticuladrão’ “, dirão os Homenzinhos Amarelos.
Ora, uma das principais características do Perfeito Homenzinho Amarelo Latino-Americano ( ou paulistano, neste caso em particular ) é a ambição. Ah, a ganância também.
E, se há algo que o Homenzinho Amarelo mais deseja, como sendo uma questão existencial crucial, esse algo é o automóvel.
Pois já está no, vai, inconsciente popular, que o carro simboliza “sucesso”. Status. Liberdade. Distinção social. E, se o Homenzinho Amarelo for do gênero masculino, isso significará comer as “fêmeas Homenzinhos Amarelos”. Numa roda de amigos, isso não se nega. Ao contrário, as discussões já têm isso como certeza. Se planeja em função dessa verdade. Mas é capaz que alguém venha aqui, ferido em seu brio, me xingar. As mulheres, por sinal, seguem o script à perfeição.
Pois o Homenzinho Amarelo encara o fato de utilizar o transporte público coletivo, como uma situação PROVISÓRIA. Esse é o ponto-chave.
Eu, Humberto, nascido e criado na Capital – ou seja, um paulistano da gema, prá usar um chavão – até hoje não me interessei em aprender a dirigir. Sou, portanto, uma aberração nesta cidade; mas uma aberração ofensiva que esfrega na cara a prova de que é perfeitamente possível não depender de carro na cidade; para mim não há nada de provisório em utilizar ônibus e metrô; eu não faço uso deles sonhando com o dia em que possuiria um automóvel. Esse dia jamais chegará.
O que eu quero dizer é que há muita desculpa. O camarada acredita nas propagandas de automóvel. E não quer nem saber se o transporte coletivo é bom ou ruim.
Os inúmeros prédios que estão tomando São Paulo e destruíndo bairros, quando se encontram próximos às estações de Metrô, ou via bem servidas em ônibus, estes prédios ainda assim dispõem de vagas para carros. Há até uma diferenciação de preços por causa disso. Todos sabem disso.
Repito: o Homenzinho Amarelo acha-se ( e acredita nisso ) numa condição provisória, quando se encontra utilizando o transporte coletivo. Não há muito o que conquistar nessa vida, mas o carro está entre elas, e é quase uma obrigatoriedade social imposta. Pouquíssimos têm coragem de ir contra essas determinações quase irresistíveis.
São as aspirações que movem o Homenzinho Amarelo: carreira, dinheiro. Mas com quais finalidades? Bom, você tem dinheiro para comprar coisas. Celulares, carros, até uma casa.
Há graus de possibilidades consumistas. Ou você compra um Fucabala, se caso pertencer à classe C, ou um SUV vampiro de petróleo, se for um dos mais de 200 mil milionários brasileiros.
Só que fala alto a questão da auto-estima, da macheza. Até por isso é que muitos indivíduos não aceitam restrições ao uso do automóvel. É quase um golpe na sua masculiniidade. O cara é um lixo, mas por meio do carro se imagina portador de alguma qualidade. Se você lhe impõe limites, o infantilóide mal-resolvido se achará pessoalmente atacado. Um “animal ferido”, para usar um clichê.
Em suma: o Homenzinho Amarelo não quer saber da “qualidade” do transporte público porque, simplesmente, ele não concebe o uso deste eternamente. É só até quando comprar um carro, e este é o que ele deseja fortemente. Suas energias são todas depositadas e empenhadas nesse projeto. Aí, não sobra muito para a preocupação com o coletivo.

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