ENCALHE

novembro 9, 2007

Você é o que você come: Óleo de cozinha recolhido em cidade paranaense vira até asfalto.

Programa de Recolhimento de Óleo chega em Londrina
AEN/ PR
08/11/2007
Londrina passou a integrar nesta quinta-feira (08) o programa de recolhimento de óleo já desenvolvido pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos em três municípios paranaenses. O “Croquetaço” foi o evento que chamou a atenção dos participantes para a correta destinação do produto.
Segundo o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rasca Rodrigues, Londrina já possui 180 pontos de coleta de óleo. “A expectativa é aumentar esse número para 400 com o programa”, adiantou. Ele ainda acrescentou que iniciativas como esta vem sendo desenvolvidas desde o início deste ano pela Secretaria do Meio Ambiente, contando sempre com parceiros que contribuem com a ação do programa nas cidades.
Rasca Rodrigues lembrou que no primeiro evento sobre o óleo vegetal – o Polentaço, realizado em Curitiba – eram quatro parceiros. “Este número foi crescendo, mais pessoas se juntaram a esta causa, e no evento de hoje já são 23 parceiros. São empresas locais, organizações e instituições que querem participar ativamente para a conscientização ambiental”, explicou.
De acordo com Rosângela Katcher, presidente do Conselho da Mulher Empresária de Londrina e representante do Rotary, que são parceiros no “Croquetaço”, o evento é o primeiro passo para o aumento da reciclagem do óleo. “Com o termo de cooperação que os parceiros assinam com o Estado, nós vamos intensificar o trabalho de alertar a população sobre o óleo, e assim, juntos melhorar a qualidade ambiental de Londrina”, comentou. Em Londrina, a Praça da Bandeira, no centro da cidade, recebeu o ‘circuito do óleo’, onde alunos da rede pública e privada, além dos moradores que passavam no local puderam conferir explicações sobre os danos que o óleo pode causar se descartado incorretamente, além de dicas para aumentar a qualidade do meio ambiente.
Para ilustrar as explicações, croquetes foram fritos na hora e distribuídos para quem passou pelo local. O óleo usado para a fritura foi entregue à empresa que ficará responsável pela coleta no município, a Bothânica Ambiental (que trabalha em parceria com a Ambiental Santos, empresa que faz a coleta e tratamento em Curitiba e Região Metropolitana).
O programa de recolhimento foi idealizado pelo Desperdício Zero, programa da Secretaria do Meio Ambiente que incentiva a reutilização máxima dos resíduos – diminuindo, assim, o número do volume que chega aos aterros sanitários. No caso do óleo vegetal, a sua destinação correta também melhora a qualidade de rios e afluentes que são os principais receptores do óleo mal descartado. Durante o evento, Rasca destacou que o óleo pode ser responsável por inúmeros problemas de contaminação da água. “Um litro de óleo, pode poluir até um milhão de litros de água. Isso sem falar do problema que pode acarretar para o tratamento dos esgotos. O óleo pode fazer com que haja entupimento dos encanamentos prejudicando o tratamento. E isso prejudica a própria residência, pois pode causar o retorno desse esgoto e a manutenção dos mesmos”, explicou. Além dos problemas que o secretário apontou, o coordenador do programa Desperdício Zero, Laerty Dudas, lembrou que o óleo pode comprometer a vida aquática. “O óleo forma uma película na superfície, o que dificulta a entrada de luz e a troca de oxigênio. Pode também ser um ponto para proliferação de vetores como ratos e baratas”, informa. O deputado estadual e presidente da Comissão de Ecologia e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, Luiz Eduardo Cheida, esteve presente e comentou a importância de estimular essas ações. “O Croquetaço complementa outros projetos ambientais que o Estado desenvolve. Muitas pessoas não pensam no óleo como resíduo, por isso mais do que chamar atenção para os danos que o óleo pode causar para o meio ambiente, ações educativas como está alertam toda a comunidade e incentivam mudanças de atitudes”, completou.
COLETA – Nos pontos de coleta, o Bothânica Ambiental, fará o recolhimento mensalmente e a Ambiental Santos vai fazer o transporte e o processo de tratamento do óleo.
Por sua vez, os pontos de coleta, vão receber, como moeda de troca, uma porcentagem do óleo que foi coletado, na forma de detergente e sabão que já possuem licença sanitária da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O resíduo pode ser usado ainda pela indústria de cosméticos e transformado em asfalto e fertilizantes.
Em casos de dúvidas sobre os pontos de coleta e de como formar novos pontos a pessoa pode ligar para o 0800-400-0397, o ‘disk óleo’ que atende Londrina e região.

outubro 27, 2007

Biocombustível USP ganha prêmio da ONU com projeto de óleo de fritura

Filed under: óleo de cozinha, biobiesel, biocombustíveis, ONU, prêmios, USP — Humberto @ 3:52 pm
A pesquisa sobre produção de biocombustível a partir do óleo de cozinha da Universidade de São Paulo (USP) foi premiada na semana passada como um dos quatro programas vencedores da edição 2007 do projeto Jovens Embaixadores Ambientais, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em parceria com a Bayer. Escolhido entre 32 projetos, o “Biodiesel em casa e nas escolas” envolve universitários, escolas e empresas de 25 cidades do interior paulista. O óleo recolhido, ao invés de poluir o meio ambiente, é transformado em combustível 100% renovável, segundo o coordenador do programa, o professor Miguel Dabdoub.
A iniciativa nasceu em 2003, quando o “Biodiesel em casa e nas escolas” começou a recolher o óleo utilizado no restaurante do campus de Ribeirão Preto da USP. Aos poucos, cadeias de restaurantes fast food, de supermercados e escolas da rede pública aderiram ao programa – atualmente são 25 mil alunos participando na coleta. Hoje, segundo o professor, cerca de 100 toneladas que seriam despejados na natureza movem a frota usada na pesquisa e veículos de empresas parceiras.
O Jovens Embaixadores Ambientais é realizado desde 1996. Oito anos depois, foi feita uma parceria com o PNUMA. Segundo a empresa, o programa busca “incentivar lideranças jovens de 18 a 25 anos nas áreas de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável”. Já foram premiados mais de 400 jovens em 22 países da Europa, Ásia, África e América Latina. No Brasil, o programa é realizado desde 2004 e 16 estudantes já conquistaram o prêmio. Os vencedores deste ano, receberão o prêmio na sede mundial da empresa, em Berlin, na Alemanha.
PROCESSO - Para ser transformado em energia renovável, o óleo de cozinha passa por um processo de filtragem que retira resíduos deixados pela fritura. Depois é retirado toda a água misturada. Se preciso, o óleo passa por uma “purificação” química, para retirar os últimos resíduos. Limpo, o óleo recebe a adição de álcool e uma substância catalisadora e no reator, agitado a temperaturas específicas, se transforma em biocombustível.
Para completar o processo, o produto passa ainda por um refino. Só então pode ser usado em motores capacitados para queimar o biocombustível. Dabdoub explica que da reação química, sobra glicerina, que pode ser usado na indústria de produtos de limpeza, de tabaco e na fabricação de explosivos. O professor conta que a pesquisa está na fase final dos testes, que ocorrem há três anos, do biocombustível em motores de tratores, máquinas e carros.
Dabdoub conta que o principal empecilho para a produção do biodiesel em escala industrial hoje ainda é o custo. Mas ele deslumbra um futuro promissor para o biocombustível feito a partir do óleo de cozinha. A legislação federal (Lei 11.097, de 13 de janeiro de 2005) determina que o todo diesel vendido no Brasil possua 2% de biocombustível misturado a partir de 1º de janeiro do ano que vem. “O biodiesel veio para ficar, não tenho dúvida. Só falta passar pela curva do aprendizado. Mas vai se consolidar como o álcool se consolidou”, diz.
Agência Estado
27/10/07

fevereiro 28, 2007

Pastel de feira contamina água !!!

Filed under: água, óleo de cozinha, contaminação, Envolverde, meio ambiente, Sabesp — Humberto @ 5:23 pm
Óleo de cozinha usado contamina água, solo e atmosfera

Batata frita, coxinha, pastel. São muitas as frituras gostosas que vão à mesa do brasileiro. Muita gente não sabe, porém, o que fazer com o óleo usado para preparar essas delícias. O resultado é que, na maioria das vezes, esse óleo é jogado na pia, no ralo ou mesmo no lixo comum. O despejo indevido de óleo na rede de esgoto ou nos lixões contamina água, solo e facilita a ocorrência de enchentes. O consumidor consciente pode evitar que isso aconteça reutilizando o óleo para fazer sabão – ou procurando alguma empresa ou entidade que reaproveite o produto.

A reportagem do Instituto Akatu ouviu cientistas, ambientalistas e técnicos das companhias de tratamento de lixo e de esgoto da cidade de São Paulo. Uma conclusão é consensual: hoje não existe um modo de descarte ideal para o óleo usado. Seja misturado ao lixo orgânico, seja jogado no ralo, na pia ou na privada, o produto vai custar caro ao meio ambiente.

Um retrato do que pode acontecer no caso de ir parar no esgoto está na cidade de São Paulo. O óleo que não fica retido no encanamento – fato que pode atrair pragas – é tratado e separado da água em uma das cinco Estações de Tratamento da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do estado de São Paulo). O problema é que apenas 68% do esgoto coletado na capital paulista é efetivamente tratado.

O óleo que chega intacto aos rios e às represas da cidade fica na superfície da água e pode impedir a entrada da luz que alimentaria os fitoplânctons, organismos essenciais para a cadeia alimentar aquática. Além disso, quando atinge o solo, o óleo tem a capacidade impermeabilizá-lo, dificultando o escoamento de água das chuvas, por exemplo. Tal quadro é propício para as enchentes.Segundo a assessoria de imprensa da Sabesp, a melhor forma de descartar o óleo seria colocá-lo em um recipiente vedado, para que não haja riscos de vazar, e jogá-lo junto com o lixo comum. Mas essa opinião não encontra eco entre especialistas.

Lirany Guaraldo Gonçalves, professora do Departamento de Tecnologia de Alimentos e do Laboratório de Óleos e Gorduras da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), contesta essa forma de descarte. “O óleo dificilmente se decompõe, ele pode contaminar o solo e, conseqüentemente,os lençóis freáticos”, diz. Para ela, o ideal é procurar um posto de coleta próximo e fazer a doação dos resíduos. “A solução para esse assunto não existe, o que existem são alguns caminhos”, ressalta.

A opinião é compartilhada por Alexandre D’Avignon, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e membro do Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas. Ele ressalta que a decomposição do óleo, assim como de todo material orgânico, emite metano na atmosfera – esse gás de efeito estufa (GEE) contribui para o superaquecimento terrestre. Portanto, quanto mais o cidadão evitar o descarte do óleo no lixo comum, mais estará contribuindo para a preservação da atmosfera do planeta.

O descarte do óleo é apenas uma pequena parte do grande problema relacionado à geração de lixo no mundo. Tratar lixo é caro e, quando não tratado, há um forte impacto ambiental. Por isso, o Instituto Akatu procura mostrar ao consumidor a oportunidade que ele tem, ao mudar seus hábitos, de contribuir para a sustentabilidade do planeta – gerando o mínimo de lixo possível e reaproveitando ao máximo os produtos antes de descartá-los.

No caso do óleo de cozinha usado em frituras, a possibilidade mais concreta para evitar seu despejo na natureza é reaproveitá-lo fazendo sabão (veja receita no quadro ao lado). A dona-de-casa Maria Bassi Massulini, moradora de Santos-SP, há tempos adota essa atitude consciente. “Sempre tive muito dó de pensar que o óleo descartado pudesse ir para o canal e poluir a praia”, conta. Ela aprendeu a fazer sabão a partir da gordura há 30 anos com sua sogra.

Na época em que era vizinha de uma barraquinha de pastéis, Maria conta que reaproveitava todo o óleo que podia. “Rendia tanto sabão que acabava servindo para todo mundo”, lembra. Ela até chegou a dar uma dica muito válida para quem se interessar em fazer o sabão: “quanto mais tempo ele curtir, melhor, limpa mais”. Outra recomendação importante é ter muito cuidado ao misturar a soda com a água. “O melhor é usar luvas, pois a soda pode queimar se entrar em contato com a pele”, recomenda ela. O ideal também é usar utensílios de madeira ou plástico para preparar a mistura e deixar o sabão curtir por no mínimo três meses, para que não ofereça riscos à pele.

Além do sabão, o consumidor consciente tem outra alternativa: doar – ou mesmo vender – o óleo usado para instituições e empresas que se encarregam de reutilizar o produto.

Um exemplo disso é o trabalho da Ação Triângulo, OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) com sede na cidade paulista de Santo André.Todos os meses, seus 60 agentes socioambientais visitam 60 mil residências em diversos bairros de cidades do ABC paulista (que engloba as cidade de Santo André, São Bernardo e São Caetano) para recolher o óleo de cozinha. Com as cinco toneladas de material recolhidas mensalmente, são produzidos, na própria usina da organização, sabões em pedra e sabonetes que, posteriormente, serão vendidos para custear as ações ambientais, sociais e de consumo consciente desenvolvidas pela entidade. O projeto, denominado “Casa a Casa”, começou há quase quatro anos e hoje conta com o patrocínio da Petrobrás.

Segundo o coordenador de comunicação da Ação Triângulo, Adriano Ferreira Calhan, o projeto faz com que as pessoas sejam sensibilizadas em rede sobre os impactos do seu consumo. “As pessoas acabam parando para pensar a respeito do ciclo de vida daquilo que elas consomem”, diz ele.

Além do óleo, os agentes recolhem também pilhas e baterias. Para quem mora na capital paulista ou na sua região metropolitana, é possível também agendar a retirada do material, desde que a quantidade seja superior a três litros.Em Ribeirão Preto e região, no interior paulista, o óleo de cozinha também pode ser doado. O Projeto “Biodiesel em casa e nas escolas”, desenvolvido pelo Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas do Departamento de Química da USP de Ribeirão Preto, visa a produzir biodiesel por meio do óleo usado nas frituras e tem parceria com as lojas do Carrefour (parceiro mantenedor do Instituto Akatu) da cidade de Ribeirão Preto e com algumas escolas da rede pública de ensino.

Além de Ribeirão, as cidades da região que têm escolas cadastradas no projeto são Sertãozinho, São Carlos, Araraquara, Batatais e Pradópolis.

No caso das lojas de supermercado, quem levar quatro litros de óleo usado, ganha um litro de óleo novo. Já nas escolas, os alunos que levam o material concorrem a uma bicicleta.

No Rio de Janeiro há outro projeto de pesquisa sobre o uso do óleo como combustível.

O Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Estudos de Engenharia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), também conhecido como COPPE, desde de 2002 realiza um trabalho, sob coordenação do professor Alexandre D’Avignon, que visa a tornar viável o uso de óleo de cozinha para a produção do biodiesel. A tecnologia já existe, o que falta apenas é uma regulamentação governamental.

Segundo a professora do Departamento de Tecnologia de Alimentos e do Laboratório de Óleos e Gorduras da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) na Europa há equipamentos para adaptar carros de forma que funcionem diretamente com óleo de cozinha. Ela também faz um alerta: “Na Europa é comum o óleo de cozinha ser usado como aditivo nas rações de animais. Isso é altamente tóxico e o maior prejudicado é o ser humano que irá consumir a carne desses animais”.

Ação Triângulo (http://www.triangulo.org.br/)

(Envolverde/Instituto Akatu)

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