ENCALHE

abril 20, 2008

Pé-frio de Serra e incompetência tucana privatista deixam o Palestra às escuras!! Faltam 7 minutos!!

A Globo tá passando pela décima vez o replay do belíssimo segundo gol do Palmeiras. Um apagão tomou conta do Estádio do Palmeiras, faltando poucos minutos pro final do jogo. O problema é que, apesar da alegria da torcida, o São Paulo ainda pode engrossar. Só um golzinho e a festa esfria. Não conheço bem o regulamento do Campeonato, mas acho que 2 a 1 leva aos pênaltis. Então, calma. Mas não muita, já que o time não pode esfriar e relaxar. Tem mais é que tentar fazer o terceiro.
Vamo lá, vai. Em homenagem ao Telê, pronto.

março 20, 2008

Os segredos da privatização, trazidos a público por Aloysio Biondi ainda em 1998. Profecias cumpridas, aliás…

O consumidor e os segredos da privatização e outros
03/12/98
ALOYSIO BIONDI
Para conquistar o apoio da opinião pública, o governo FHC acenou com hipotéticas vantagens da privatização: concorrência em substituição ao monopólio estatal e, como conseqüência, preços mais baixos, serviços de qualidade _e fim das “filas” de espera, no caso dos telefones. Por trás desse discurso virtuoso, sempre houve “segredos” ou diretrizes pouco divulgadas para o funcionamento das recém-privatizadas, incluindo-se aí um verdadeiro “cartel”, oficializado pelo governo, para as empresas de energia elétrica. Vale a pena então, neste momento em que o país tem a chance de passar a política de privatização a limpo, dissecar melhor alguns desses pontos, a partir de fatos.
1. Serviço público?
Há coisa de um mês, a associação nacional das empresas imobiliárias especializadas em loteamentos (urbanizados, tipo “jardins”, “alphavilles”) apresentou queixa contra a Companhia Paulista de Força e Luz, privatizada, à Secretaria de Defesa Econômica. Motivo: a CPFL não aceita projetos de redes elétricas de terceiros, escritórios especializados. Quer ela própria fazer os projetos. Os escritórios cobravam R$ 18 mil; a CPFL, R$ 210 mil.
Essa não é a principal acusação contra a CPFL, porém: segundo a entidade queixosa, a empresa somente se dispõe a instalar a rede depois de existir, no loteamento, um certo número de casas já construídas e ocupadas, para assegurar um consumo que garanta rentabilidade. Uma exigência que esbarra na realidade, em que a venda de lotes depende da existência de serviços essenciais. Tudo em nome de maiores lucros, já que a rentabilidade de qualquer empresa é assegurada pela “média” de preços e custos.
2. Serviço público?
A Prefeitura de São Paulo praticamente não instalou rede de iluminação pública na periferia este ano, aplicando menos de 5% da verba prevista. Segundo um secretário da municipalidade, a razão é simples: a Eletropaulo Metropolitana, privatizada, não tem interesse em estender a rede a regiões de população pobre, porque o consumo é baixo e, assim, de baixa lucratividade.( Meses atrás, o então secretário de Energia do governo Covas, Andrea Matarazzo, dizia que, com a “privatização” do setor, era preciso “mudar a cabeça”, entender que o serviço passaria a ser regido por regras empresariais e, portanto, não se poderia esperar que as empresas instalassem redes para servir a populações de baixa renda e baixo consumo, como -atenção – produtores rurais ou moradores de favelas e periferia ).
3. Cartel oficial
Senadores, deputados federais e estaduais aprovaram as leis que norteiam as privatizações. Talvez não tenham se apercebido de um detalhe: o Ministério da Energia, a Eletrobrás, isto é, o governo deixou de traçar a política energética do país, inclusive onde construir usinas, regiões e projetos prioritários etc. Quem passou a mandar? Uma entidade integrada pelas empresas privadas do setor, na qual, pasme-se, o governo tem um único representante… E pasme-se mais ainda: sem direito a voto.
4. Cartel oficial
Essa entidade tem poderes, inclusive, para impedir reduções de preços consideradas “prejudiciais” pelas concorrentes – ou, mesmo, impedir “invasões” de mercado. Há três ou quatro semanas, a entidade se reuniu para discutir a política energética. Segundo entrevistas após a reunião, ela foi um caos, sem que se chegasse a decisão alguma, já que cada empresa tentava defender seus interesses, e não havia uma autoridade maior (o governo) para decidir… E a Aneel, a tal agência do setor, apontada como um órgão para defender o consumidor? Pela lei, ela só cuida de fiscalizar tarifas e prestação de serviços ( neste caso, muito mal, como visto nos episódios acima ).
5. E os telefones?
Na campanha publicitária de apoio à privatização do sistema Telebrás, bateu-se na tecla de que uma agência do governo, a Anatel, fiscalizaria preços, cumprimento de metas de instalação de linhas, qualidade dos serviços. Não se disse, ou se escondeu ao máximo, que o desrespeito somente será punido a partir do ano 2000, isto é, durante todo o segundo semestre de 1998 e 1999 inteiro, as empresas “privatizadas” tratarão o consumidor como bem entenderem. No caso de São Paulo, a espanhola Telefonica, compradora da Telesp, anunciou candidamente que não vai entregar cerca de 400 mil linhas compradas e pagas há 24 meses e que já estouraram o prazo de instalação. A quem os assinantes caloteados vão recorrer? Ao Procon? Ao Idec – Instituto de Defesa do Consumidor, entidade privada respeitadíssima?

março 7, 2008

O apagão de José Serra e da mídia

Vermelho
06/03/08
No início deste ano, a mídia venal fez o maior terrorismo sobre o risco de um apagão energético no país. O alvo era o presidente Lula. Na seqüência, choveu como é de costume nesta estação, os reservatórios voltaram ao normal, a imprensa mudou de assunto sem fazer qualquer autocrítica e passou a tratar de outro “risco iminente” – a febre amarela, que também era falso. Agora, porém, a capital do estado mais rico do Brasil fica sem luz por várias horas e a mesma mídia, sempre tão vigilante, não faz seu costumeiro escarcéu, confirmando que o governador Serra é seu protegido.
Na manhã de terça-feira, uma explosão na subestação Bandeirante da Companhia Transmissora de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) deixou quase 3 milhões de famílias sem luz. O incidente paralisou as estações do Metrô, desligou os semáforos da capital dos 6 milhões de automóveis e atingiu até o gerador do Hospital das Clínicas, o maior da América Latina. José Serra quase não foi incomodado pela mídia hegemônica, que também preferiu nada falar sobre os efeitos nefastos da criminosa privatização da energia promovida pelos 13 anos de reinado tucano em São Paulo.
A CTEEP foi leiloada no ano passado, sendo adquirida a preço de banana pelo grupo colombiano ISA, um dos maiores do setor na América Latina. Segundo Antonio Carlos dos Reis, o Salim, presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, a privatização foi desastrosa e explica o apagão energético na capital. “A empresa privatizada reduziu o número de funcionários, de cerca de 3.200 para 1.200. Nas subestações não há quase ninguém trabalhando. Com o crescimento do PIB, a demanda de energia aumenta, mas não há investimentos em infra-estrutura para suportar”.
Salim avalia que novos incidentes devem ocorrer, causando transtornos à população. Denuncia que a multinacional não faz a manutenção preventiva dos equipamentos visando reduzir custos. Diante destes graves fatos, critica o processo em curso de privatização da Companhia de Energia de São Paulo (Cesp), a nova obsessão do governador José Serra. Para ele, é falso o discurso dos neoliberais sobre a maior eficiência do setor privado.”Quando a Eletropaulo era estatal, ganhava prêmios de empresa com melhor serviço. Hoje, privatizada, fica em décimo lugar no ranking”.
Apesar destas informações irretocáveis, os tucanos continuam com sua sanha privatista e ainda querem retornar ao comando do país, através do “vampiro” José Serra. A mídia hegemônica, por sua vez, faz terrorismo para atacar o governo Lula, inventando “riscos iminentes”, mas blinda o governador paulista. O apagão energético da capital paulista, porém, serve para desmascarar os neoliberais e sua mídia venal.
Comentário do blog: sabe como o imprensalão remedia esta situação? Simples. Joga a culpa na Prefeitura de Kassab. Quer dizer, não diretamente, é uma manobra diversionista. O Estadão de ontem ( 06/03 ) e o “Mini-Me” Jornal da Tarde, “denunciaram” ( ou “revelaram ) que “Faltam 20.000 pontos de luz” na Capital ( JT ), e que “Só 6% da taxa de luz é aplicada em expansão da rede” [ pontos de luz ] ( OESP ). E que a “Zona Norte [ da Capital ] tem 33% das queixas de iluminação” ( OESP ).
O que isso tem a ver com o apagão da CTEEP privatizada? Isso mesmo. nada. Só que o destaque foi dado a um assunto que diz respeito à Ilume. E não vou perder tempo analisando aqui estas matérias dos jornais, já que isto – a iluminação pública – exigiria remontar, diretamente – e também – , à privatização da Eletropaulo, e não tenho saco e nem tempo.

março 5, 2008

Apagão Elétrico Privatizado: Diretor da CTEEP diz que empresa teria que fazer "investimentos altíssimos". Mas não é essa a desculpa para privatizarem?

CTEEP: falta de investimento não causou apagão em SP ( sic )
Agência Estado
04/03/08
Uma falha em um disjuntor na subestação Bandeirantes da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) causou um apagão na zona sul da capital paulista e em parte da cidade de Embu, informou hoje o diretor de operação da empresa, Celso Cerchiari. Cerca de 690 mil clientes da Eletropaulo ficaram sem luz na manhã de hoje, ou cerca de 12% do total de consumidores da distribuidora na região metropolitana de São Paulo.
Segundo o diretor, toda a energia foi restabelecida em menos de uma hora após a empresa detectar o problema. Cerchiari disse que, em situações como a de hoje, ocorre uma transferência automática de apenas parte da carga de energia para outra subestação próxima. “Para você ter 100% da cargas com backup o investimento é altíssimo, e isso refletiria na tarifa do consumidor”, afirmou Cerchiari.
O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo (Stieesp) atribuiu o apagão à falta de investimento na transmissão e em fontes alternativas de energia. Segundo a entidade, o problema era “previsível”, por causa da sobrecarga de consumo de energia na capital paulista. “A questão do investimento não é uma atribuição da empresa ( !?!?? ) , todo o investimento hoje é regulado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE)”, disse o diretor da CTEEP. “Quando se fala em falta de investimentos, temos que olhar o que está planejado e ir ao órgão regulador.”
Apesar disso, o executivo reconheceu que o crescimento do Brasil impõe desafios ao setor energético. “Cada vez mais vamos ter que acelerar os investimentos, não só para atender a demanda mas para garantir a confiabilidade do sistema”, afirmou. “A expansão do sistema de transmissão está bem planejada, o que precisamos é viabilizar através do regulador que a obra saia a tempo e no momento certo.”
Aproveite a manhã, quando há a luz natural do Sol, e leia “O Brasil Privatizado“, para entender melhor o porquê de não ser surpresa este apagão.

fevereiro 27, 2008

Trabalhadores e estudantes convocam protesto contra privatização da Cesp

Trabalhadores e estudantes convocam protesto contra privatização da Cesp
Agência Sindical
Várias entidades sindicais e estudantis realizarão, na próxima sexta-feira (29), às 14 horas, ato público em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, em protesto contra a privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), marcada para ocorrer no próximo mês. Entre as entidades que convocam a manifestação, estão Apeoesp, Sindsaúde, as Centrais CUT, CGTB e CTB, além da UNE e UBES.
Em manifesto, as entidades denunciam que o governo de São Paulo pretende abrir mão de “um importante instrumento de indução do desenvolvimento”, a partir da privatização de uma das maiores geradoras de energia elétrica do País. “Geração de energia não é qualquer atividade econômica, mas sim interesse de Estado com importantes repercussões na vida da população, na atividade industrial e na economia em geral”, diz o texto.
Neoliberalismo - O manifesto de convocação do ato denuncia também que o principal banco de fomento de São Paulo, a Nossa Caixa ” é mais uma das estatais na mira do governo do Estado”. “Os ventos neoliberais, soprados pelo PSDB, têm varrido o Estado de São Paulo nos últimos 13 anos, com conseqüências desastrosas para os serviços públicos”, diz .
“O setor de transportes, especialmente do Metrô, também tem sofrido com a falta de investimentos público, com a terceirização de mão-de-obra e com a privatização da Linha 4. Conseqüências: sucateamento do serviço, especialmente da manutenção preventiva, com constantes acidentes. As obras da Linha 4, em andamento, deixaram de ser fiscalizadas pelo Metrô, gerando o grande acidente em Pinheiros”, acrescenta.
Mais informações:
www.apeoesp.org.br
www.metroviarios-sp.org.br

fevereiro 26, 2008

Herança maldita tucana causa apagão elétrico em MIAMI ( Meca, para alguns ), e estraga férias dos eleitores históricos do partido. Até quando?

Miami está sem energia elétrica
France Presse
26/2/2008
Um gigantesco corte de energia afeta a cidade de Miami e um amplo setor do estado da Flórida (sudeste) sem que tenham sido divulgados até o momento as causas do problema.”Estamos com um enorme apagão em Miami”, confirmou à AFP Cathy Webb, porta-voz da polícia do condado Miami-Dade. A empresa Florida Power and Light “está trabalhando a todo o vapor para resolver a situação”, acrescentou. O blecaute causava importantes congestionamentos do trânsito em Miami onde os sinais deixaram de funcionar.
A empresa de eletricidade do estado registrava “dificuldades” para restabelecer o serviço. O problema afeta 4 milhões de pessoas em Miami e na área norte segundo a imprensa local, indicando que o apagão se estende a 100 km até a cidade de Palm Beach.

Comentário: os gestores desse lugar não ouviram o clamor do nosso prestigioso imprensalão, e não fizeram os investimentos necessários para gerar energia. A falta de chuvas e o inchaço da máquina pública, o gigantismo estatal, a fúria arrecadatória, etc explicam este tenebroso apagão… Com isso, piora a percepção dos investidores, e cai o índice de confiança estrangeira na economia e na Democracia na Flórida. Tss, tss, tss…

janeiro 15, 2008

Audiência pública trata de doação da CESP a iniciativa (??! ) privada. Na BOVESPA às 14 hs.

Audiência pública que ocorre amanhã (15/01), na BOVESPA, terá como tema privatização da Cesp [ OBS: Ou seja, hoje ]

( São Paulo, São Paulo, Brasil – Comunique-se - ) “Para mantermos os direitos dos trabalhadores e a qualidade dos serviços prestados à sociedade, realizaremos manifestações contra a privatização da empresa”, afirma Antonio Carlos dos Reis “Salim”, presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo (Stieesp).
Ocorrerá amanhã, 15 de janeiro, às 14h, audiência pública na BOVESPA, que terá como pauta a privatização da CESP, a maior companhia energética do Estado e terceira maior do País. O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo (Stieesp) participará da audiência para que os direitos dos trabalhadores sejam garantidos e para que a população não seja prejudicada.
“Haverá conseqüências a todos. A privatização da empresa representa uma ameaça aos funcionários, pois não há garantias que serão mantidos seus empregos. Além disso, haverá comprometimento da qualidade do serviço prestado, como ocorreu no caso da Eletropaulo após ser privatizada”, diz Antonio Carlos dos Reis “Salim”, também presidente da Federação dos Empregados nas Empresas de Geração, Transmissão e Distribuição de Eletricidade no Estado de São Paulo (Federaluz) e vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT).
Diante do aumento de 92% no preço da energia, do risco iminente de apagão e de racionalização admitidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do próprio descaso do governo em colocar em mão privada um patrimônio público, a importância da questão de privatização da empresa aumenta.
“A energia elétrica, que é um serviço essencial à sociedade e ao crescimento da economia, deve ser tratada com muita atenção. Não devemos permitir que caia em mãos de quem não terá compromisso com a população de oferecer um serviço com qualidade. O Sindicato é contra a privatização e atuaremos, inclusive com manifestações, para que ela não ocorra”, completa Salim.
Sindicato dos Eletricitários de São Paulo www.eletricitarios.org.br
Assessoria de Imprensa: Ricardo Viveiros & Associados – Oficina da Comunicação

dezembro 23, 2007

Aloysio Biondi Sensacional!!! Site dedicado à memória e obra do mestre já está no ar! Coleção de matérias e artigos disponibilizada! Vai lá!!!

Nós já haviamos “linkado” para o projeto, logo que soubemos, desde o embrião, mas ainda estava no papel. Só que agora é realidade.
Mais do que nunca, é vital conhecer ou entender melhor o pensamento de Aloysio – que, entre outras coisas, dissecou o processo privatista de FHC, Covas, Marcello Alencar, Alckmin ( iniciado , afinal, com Collor, mas recrudescido a partir de 1995, quando a tucanalha aboletou-se no poder ) e demais tucaneiros.
Hoje, enquanto lemos nos jornais, que o governo de São Paulo irá privatizar a CESP e o Instituto Emílio Ribas temos, na pior das hipóteses e enquanto leigos, subsídios para compreeder o significado deste tipo de “administração pública” que é a marca registrada da tucanalha/ demagogos, o qual prevê a entrega-doação-”pago para que aceitem de presente” dos chamados “ativos” estatais, empresas públicas ou sei-lá-como se definem.
É impossível que o cidadão se considere “informado”, enquanto não conheça a inacreditável fraude tucana que fabricou o prejuízo do Banespa que serviu de desculpa para a entrega impiedosa e criminosa do banco paulista ao espanhol Santander. A Vale do Rio Doce trocada por espelhinhos. O sucateamento premeditado de estradas, ferrovias, portos, elétricas. Coisa de revirar o estômago.
E o “maluco” Itamar Franco, quando governador de Minas Gerais, que recebeu uma suja, desrespeitosa, indecorosa capa da vEJA, tendo sido retratado como um “Napoleão de Hospício”, por ter convocado a polícia militar do Estado de Minas para tentar garantir que Furnas continuasse propriedade do Estado? ( Leia aqui : Itamar é entrevistado por Paulo Hernique Amorim, em Novembro deste ano, e relembra esse e outros casos de privatizações e ilegalidades )
Aloysio não resumiu seu trabalho de então, apenas a denunciar supostas e possíveis ilegalidades nos processos de privatarias tucanas e afins mas, principalmente – e é aí que está o ouro – explicou, de forma limpa, simples, direta e didática, como funcionam ( funcionavam, funcionariam ), as empresas estatais. Qual seu propósito, de que maneira surgiram, como eram concebidas e administradas, a importância que tinham ( tiveram ) para a economia do país em termos de infra-estrutura, indústria pesada, desenvolvimento regional, fomento, soberania nacional.
Ao ler seus textos – de uma clareza e didatismo, repito, impressionantes e estimulantes – , fica bastante evidente que pouco sabemos deste país e de sua administração. Torna-se realmente difícil, quando passamos a conhecer um pouco a respeito da razão de ser da Petrobrás, do BNDES, da Vale do Rio Doce e demais empresas/autarquias/agências de fomento/bancos estatais, aceitar o que têm sido ou fora feito com elas. A campanha midiática de difamação das estatais, os “acidentes” que “provavam” a suposta incapacidade do Estado de – vá lá – gerir seu ( leia-se “nosso” ) patrimônio, os camados “marajás” do serviço público, nada disso passou ao largo da caneta de Aloysio Biondi, e a retomada de sua obra torna-se, desde e para sempre, obrigatória ao brasileiro. E continua atualíssimo, pois ainda tem muito alvo da sanha tucaneira na mira, como a Nossa Caixa, a já citada CESP, o Metrô.
Amigo, comece bem o ano de 2008, não deixe passar esta chance de conhecer melhor seu país e o verdadeiro significado da expressão “Herança Maldita”. Leia, copie, repasse e recomende.
O BRASIL DE ALOYSIO BIONDI

novembro 20, 2007

Hora do Povo sem eufemismos: "Privataria de Serra é mais hipócrita e cínica que a de FHC"

Governador teoriza “entrega total” em SP
Serra diz que sua privatização não é igual a de FHC
É apenas pior, por ser mais completa e mais hipócrita
O governador Serra, que recentemente mandou avaliar o preço de todas as estatais paulistas, e depois disse que não era para privatizar, declarou que, como chefe da privatização no governo FH, “eu mesmo dizia que a privatização iria aliviar e liberar gastos públicos”. A privatização de Fernando Henrique foi um desastre em que 86,4% dos recursos arrecadados foram para benesses aos açambarcadores das estatais, 546 mil trabalhadores foram demitidos, e o patrimônio foi entregue por um vigésimo do valor. Serra, como prefeito, tentou privatizar até os postes, agora, mandou avaliar o preço das estatais só para saber e não para vender. Nisso reside a diferença entre a privatização de FH e a de Serra: esta é total, mais hipócrita, mais cínica.
Privatização das teles só prestou para lesar usuário e desnacionalizar a radiodifusão
A privatização das teles serviu para que o usuário, isto é, o povo, fosse extorquido: o TCU, já em 2001, constatava um aumento de 2.100% na assinatura residencial e de 445% na tarifa – contra uma inflação de 102%. Além disso, está servindo para que os canais de TV e rádio sejam monopolizados por empresas estrangeiras, marginalizando o conteúdo nacional e os brasileiros em sua própria terra.
A neoprivatização de Serra e a arcaica de Fernando Henrique
Para Serra, o negócio é privatizar no atacado
O governador de São Paulo, José Serra, que recentemente mandou contratar empresas de auditoria para avaliar o preço de todas as estatais do Estado, declarou que “o que eu mesmo dizia, porque presidia o Programa Nacional de Desestatização nos primeiros anos do governo Fernando Henrique Cardoso, era que a privatização iria aliviar e liberar gastos públicos, inclusive para investir. O investimento público deveria ter se elevado na área de infra-estrutura”. Mas, segundo Serra, isso não se deu porque… as petroquímicas foram vendidas por “nada” (sic) e as privatizações das teles e empresas de eletricidade financiaram “a sobrevalorização do real e os juros siderais”.
Em suma, Serra, apesar de ter sido o seu privatizador-mor, avalia que o governo Fernando Henrique fez tudo errado no tange à privatização.
Mas, nem tudo está perdido. Serra agora se propõe a mostrar qual é a privatização que o Brasil precisa. Não é aquela pouca vergonha do Fernando Henrique, onde, dos US$ 105,5 bilhões que, supostamente, entraram, 86,4% foram gastos com pagamentos de dívidas das empresas, planos de demissões voluntárias, subsídios nos empréstimos do BNDES aos compradores e prejuízos com papéis podres. Em suma, a maior parte foi consumida com privilégios aos açambarcadores das empresas (cf., Pochman, M., “Revisão do Papel do Estado e Privatizações: As Consequências para o Emprego do Brasileiro”, Unicamp, 2000).
Arguto como é de seu feitio, Serra certamente sabe disso: afinal, ele era o chefe da privatização. Incrível é como, apesar de suas arraigadas convicções, foi esse o “formato” que saiu. Como pode ter permitido que passassem por cima dele e aprovassem o que não queria?
Mas, como trata-se de um homem que aprende com seus próprios erros, eleito prefeito de São Paulo, quis privatizar até os postes de iluminação – e não estamos brincando, leitor. Veja-se a nossa edição de 30/06/2006, onde é descrito o projeto dos postes serristas. Agora, como governador, quer privatizar todas as empresas públicas de São Paulo.
É verdade que ele desmentiu. Mas, por que, então, mandar avaliar o preço de todas – ressaltamos: todas – as estatais de São Paulo, gastando R$ 20 milhões para pagar empresas de auditoria? Para que estabelecer um preço, se não é para vender?
DIFERENÇA
Então, qual a diferença entre a arcaica privatização de Fernando Henrique e a neoprivatização de Serra? Provavelmente, a diferença é que a privatização de Serra é uma verdadeira privatização totalitária – nada menos do que todas as estatais – além de ser mais hipócrita, mais cínica. Fernando Henrique jamais privatizou e criticou a privatização ao mesmo tempo. Esse aprimoramento, somente Serra conseguiu atingir.
Porém, não se trata de uma conduta de maluco: a privatização de Fernando Henrique – aquela da qual Serra era o chefe – foi um desastre que até hoje faz o povo mandar ao Inferno qualquer privatizador – o Alckmin até que tentou disfarçar, mas não conseguiu. E Serra sabe disso.
Os poucos lacaios que ainda a defendem em órgãos acadêmicos ou governamentais – sem falar da mídia – citam como vantagens os US$ 105,5 bilhões de dólares que teriam entrado no caixa do governo e o aumento de lucro das empresas após a privatização. É claro que elas aumentaram o lucro. É para isso que foi feita a privatização: para transformar empresas públicas em monopólios privados, isto é, para extrair superlucros através de sobrepreços – no popular, para escorchar a população.
Já mencionamos que 86,4% dos US$ 105,5 bilhões foram desperdiçados em privilégios aos açambarcadores. Porém, o patrimônio vendido por esse preço era vinte vezes mais valioso. Em suma, “todo o setor siderúrgico, o segmento petroquímico da indústria do petróleo, a Vale do Rio Doce, o complexo das telecomunicações, bancos estaduais, ferrovias, unidades de fertilizantes, empresas de energia elétrica etc. – um patrimônio avaliado em mais de 2 trilhões de dólares (estatais da União e dos estados) foi transferido pelo valor simbólico total de apenas 100 bilhões de dólares, aí já arroladas as pequenas dívidas externas de algumas das empresas, inferiores aos lucros” (cf., Álvaro Queiroz, “O fracasso das privatizações”, Cadernos do 3º Mundo, nº 227/2001).
ESTUDO
Com base no estudo do professor Pochmann, atual presidente do IPEA, o autor faz também uma conta: se subtrairmos os “investimentos destinados à preparação das estatais para a venda, dívidas de algumas empresas assumidas pelo Estado, juros sobre tais dívidas e sobre os investimentos, indenizações por demissões de servidores públicos, lucros que o Estado deixou de receber, empréstimos subsidiados aos compradores, obrigações junto aos fundos de pensão, moedas podres (dívidas securitizadas, debêntures da Siderúrgica Brasileira S.A. – Siderbrás, certificados de privatização, Fundo de Compensação das Variações Salariais-FCVS, Títulos da Dívida Agrária-TDAs e outras ‘moedas’), e ainda o dinheiro em caixa e receitas potenciais simplesmente repassadas aos novos proprietários, além de gastos com as campanhas de deformação da imagem das estatais, o resultado muda do tal lucro de 100 bilhões de dólares para um prejuízo de mais de 30 bilhões de dólares” (Álvaro Queiroz, art. cit.).
Realmente, o povo tem todas as razões para odiar a privatização. No estudo citado, o professor Pochmann constata que houve 546 mil demissões nas empresas privatizadas – foram demitidos 43,9% dos funcionários de empresas antes federais, estaduais ou municipais. Reparemos que nesse número estão apenas os demitidos após a privatização, não estando os que foram demitidos antes, na preparação para a privatização. Também não estão aí as demissões nas empresas privadas nacionais que eram fornecedoras das estatais, cujos produtos, após a privatização, foram substituídos por importações.
Um golpe especialmente cruel foi assestado sobre os trabalhadores de até 24 anos – seu número no setor estatal foi reduzido em 73,4%. Como nota Pochmann, até então o setor público era decisivo na entrada de jovens no mercado de trabalho.
Os recursos da privatização das teles e das empresas de eletricidade não serviram para financiar “a sobrevalorização do real e os juros siderais”. O real foi sobrevalorizado e os juros colocados nas alturas porque era essa a política quando Serra era ministro do Planejamento. Os recursos dessas privatizações – 62% do total – serviram para que os Ricardo-Sérgios os embolsassem, mas, como se trata de um velho amigo, inclusive caixa de campanha, esse é um assunto desagradável para o governador…
As privatizações das teles e das empresas elétricas serviram para que o usuário, isto é, o povo, fosse extorquido: o Tribunal de Contas da União (TCU), já em 2001, constatava um aumento de 2.100% na assinatura telefônica residencial, de 445% na tarifa da telefonia fixa e de 143% na de luz – com uma inflação de 102% em oito anos. O que ainda é subestimado, pois não foi considerada a inflação apenas a partir da privatização.
Sobre as empresas de eletricidade, onde 80% da distribuição e 25% da geração foi entregue a monopólios estrangeiros, o apagão foi o seu epitáfio. Até os tucanos jogaram essa privatização ao relento.
Mas as teles privatizadas estão servindo para desnacionalizar a rádio e teledifusão, isto é, para que esses monopólios assaltem as TVs e rádios brasileiras.
TELEBRÁS
No entanto, até hoje há alguns pilantras garantindo que houve um grande avanço tecnológico com a entrega da telefonia. A estupidez, em alguns elementos, realmente é infinita. A Telebrás foi uma das mais avançadas empresas do mundo, até que a proibiram de investir. Por sinal, os mesmos que tentaram fazê-lo com a Petrobrás, aquela empresa atrasada e mastodôntica que acaba de descobrir uma das maiores reservas de petróleo da História.
CARLOS LOPES
Justiça suspende contratos para avaliar estatais de SP
O juiz Rodrigo Frigini, da 1ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, suspendeu os efeitos dos contratos assinados pelo governo estadual para avaliação de 18 empresas estatais paulistas, entre elas a Cesp, Nossa Caixa, Sabesp, CDHU e Cetesb, que o governador José Serra (PSDB) pretende submeter à privatização, semelhante ao que ocorreu nos governos tucanos que o antecederam.
A decisão acatou ação popular impetrada pela bancada do PT na Assembléia Legislativa, que apontava a inexistência de motivos para a licitação destinada a contratar empresas que fariam a avaliação.
“O que questionamos, principalmente, junto à Justiça, é que o governador Serra diz não saber o motivo por que quer a avaliação das empresas estatais. Só que essa curiosidade do governador custaria aos cofres do Estado R$ 20 milhões. Por isso queremos que o governo deixe claro o que quer com isso”, explicou o líder da bancada, Simão Pedro.
Dois contratos já haviam sido firmados com os bancos Fator e Citibank, que totalizam R$ 2,3 milhões, apesar do juiz ter concedido liminar, na semana passada, impedindo a assinatura de qualquer contrato até o julgamento do mérito da ação. Mesmo assim, o governo assinou os contratos e publicou no Diário Oficial, sem respeitar o período legal para os concorrentes entrassem com recurso e já havia empenhado o pagamento.
Hora do Povo
ed. 2621 – 21 e 22/11/07
APROVEITE E…
…relembre um grande momento: A carta assinada por Mário Covas, endereçada aos “banespianos”, em que prometia não privatizar o Banespa. Imperdível. Igualável apenas ao documento rubricado por Serra prometendo cumprir seu mandato na Prefeitura de São Paulo até o último dia.

novembro 8, 2007

Senador do DEM quer a volta do Grande Apagão Elétrico de FHC. Partido se movimenta com mais desenvoltura nas trevas…

Agripino quer que Lula siga a “lição” do apagão de FHC
O líder do DEM (ex-PFL) no Senado, José Agripino (RN), lembrou na segunda-feira a catástrofe que foi o apagão energético no governo de Fernando Henrique Cardoso, o que provocou racionamento, aumento de tarifas, recessão e outras mazelas. Mas acusou Lula de não aprender com a “lição do apagão” de FHC. Disse que o atual governo não investiu na construção e apoio às hidroelétricas.
Agripino quer atribuir a Lula o que Fernando Henrique fez: abandonou, não investiu no setor nos seus 8 anos de governo, sob a alegação de que o Estado não era capaz de gerir e tinha que privatizar tudo. O que o líder demista quer dizer com não aprender com a “lição do apagão” é, na verdade, que o governo Lula adote a pauta privatista que gerou o apagão de FHC, que promova a “abertura ao capital privado do investimento em novas hidrelétricas”, “por meio de tarifas” que sejam “atrativas”. Em outras palavras, tarifas altas em benefício dos monopólios estrangeiros. Ele aterroriza com um suposto apagão, know-how fernandista, para fazer propaganda da privataria.
Só para lembrar: o ministro das Minas e Energia de FHC, na época, era José Jorge, prócer do ex-PFL, portanto, correligionário de Agripino, e que foi candidato a vice-presidente da República na chapa de Geraldo Alckmin. E outra: se a situação ainda demanda cuidados – apesar de tudo o que tem sido feito por Lula para melhorar – é porque não foi possível reverter em tempo recorde todo o prejuízo causado na área pelo governo do PFL/PSDB.
HORA DO POVO
ed. 2618
09 a 13/11/07

setembro 8, 2007

A questão da nomenclatura

por Guilherme Scalzilli
Fórum Caros Amigos
A pauta política dos grandes veículos obedece à cronologia da conveniência. Os assuntos perdem relevância quando seus desdobramentos contrariam as motivações que inicialmente justificaram a exploração dos fatos. Portanto, antes que outros motes ocupem as atenções gerais, é necessário impedir que a cobertura jornalística sobre a aviação civil mergulhe na obsolescência. Talvez assim entendamos melhor um dos tantos episódios sombrios da história da imprensa brasileira.
Nasce uma crise – A propaganda maquiada de jornalismo inventou o esgotamento infra-estrutural fulminante. Enquanto no resto do planeta fenômenos semelhantes são processos longos e cumulativos, nossa crise aérea floresceu em apenas quatro anos. E o sucateamento do transporte ferroviário? E o Plano Diretor para a Infraero, de 1982, que já sugeria a ampliação de Cumbica e a limitação do movimento de Congonhas? Por que Viracopos foi subutilizado por duas décadas?Não importa. Antes dos gestores petistas, incompetentes e corruptos, voar no país era supimpa. No entanto, ainda que se concorde com a premissa do colapso, ele não explica todos os eventos identificados com o “caos aéreo”. Quem associou a paralisação dos aeroportos à administração federal foram os próprios controladores amotinados. A imprensa usou-os como bodes expiatórios para inaugurar a crise, legitimando suas reivindicações, e depois criticou a demora das autoridades em puni-los. O movimento acabou em março e o tráfego foi normalizado, mas a simbologia do infortúnio permaneceu. Quando rompemos as mistificações do noticiário, descobrimos que os problemas nos aeroportos são superdimensionados e embaralhados para transmitir a falsa impressão de uma crise generalizada e ininterrupta. A maioria dos vôos realizados nos últimos cinco meses transcorreu normalmente, exceto sob condições atmosféricas inadequadas. Entretanto, mesmo atrasos de poucos minutos e problemas causados por neblina ou tempestades entram na conta do “apagão”.
O governo criminoso – Para o colunista Ricardo Daudt, o governo “assassinou mais de duzentas pessoas”, porque “sabia” que os acidentes iriam ocorrer. Reinaldo Azevedo concordou: “As mortes têm mesmo a ver com o governo federal”, que é “assassino culposo”, pois fabricou “360 mortos”. Diogo Mainardi ressaltou o “descaso criminoso” e a “barbárie aérea”. Mesmo quando não chega a esse nível de insensatez, a maioria dos analistas afirma que as tragédias teriam sido evitadas em outro contexto administrativo. Mentira. O choque do Boeing da Gol com o jato Legacy foi causado por erros dos controladores de vôo e dos pilotos estadunidenses. A explosão do airbus da TAM originou-se numa falha mecânica, provavelmente agravada por imperícia do piloto. O governo federal não influenciou as fatalidades, cuja relação causal com um suposto “apagão” é nula. Crises aéreas não desligam transponders, não travam reversos nem pousam com manetes em posição errada. Apenas cínicos e insensíveis culpam governos por acidentes dessa natureza, politizando terríveis perdas humanas, manipulando a comoção pública e desprezando o rigor apurativo. Até desabafos indignados estão sujeitos aos limites dadecência e da legalidade – por isso nenhum idiota saiu gritando que FHC eseus tucanos eram culpados pela queda do Fokker 100 da Tam, em 1996. O mais preocupante dessas deturpações é que elas contribuem para a sobrevivênciados problemas reais. As empresas aéreas, eternas causadoras de transtornos, aproveitam a tolerância da mídia (afinal, são grandes anunciantes) para incrementar sua rotina de abusos e desrespeitos contra os passageiros. Funcionários grosseiros, overbooking, filas intermináveis e aeronaves defeituosas viraram sintomas da enfermidade petista. Previsivelmente, assim que as práticas lesivas receberem punições merecidas, o governo será acusado de planejar a falência das companhias.
Terminologias – Cerca de duas mil pessoas morreram nas estradas paulistas desde outubro, quando o tal “apagão” surgiu. Cinco vezes o número de mortos nos acidentes aéreos. Na capital, o trânsito vive em colapso permanente, escancarando a saturação dos transportes públicos. Há décadas, todo dia, milhões de cidadãos enfrentam congestionamentos gigantescos, com média de absurdos 111 km nos horários de pico. O excesso de veículos está para os congestionamentos como o aumento de passageiros para o caos nos aeroportos. A falta de verbas que justifica uma ridícula malha metroviária também explicaria a escassez de terminais e pistas. As mesmas chuvas que param o trânsito impedem pousos e decolagens. Mas por que ninguém enxerga um “apagão dos transportes” em São Paulo? Os defensores da mídia oposicionista argumentam que essa polêmica se resume a um estéril debate sobre nomenclaturas. E talvez estejam certos. A essência das coisas independe do vocabulário utilizado. Se existe quem equipare saguões tumultuados às sobretaxas, racionamentos e blecautes do governo FHC, é razoável que alguém veja na “crise aérea” uma invenção midiática. Se “apagão” não define uma calamidade que afeta diariamente uma população proporcional à da Bélgica, a prudência aconselha não ver apagões em lugar algum. “Golpista” representa apenas um adjetivo possível para uma imprensa que se desvia de suas atribuições constitucionais com o objetivo de ludibriar o (e) leitorado. Chamá-la “democrática” não modifica sua natureza. O mesmo vale para os comentaristas. Clóvis Rossi qualifica seus críticos como “debilóides do lulo-petismo”. Augusto Nunes prefere “subespécie”, “idiotas”e “cretinos”. Outros usam “chimpanzés”, “raça maldita” e “imbecis”. Se esse jargão demonstra independência ou ignorância, cabe ao público avaliar. O fato é que a expressão “apagão aéreo” encaixa-se perfeitamente no repertório dos seus divulgadores.
Guilherme Scalzilli, historiador e escritor. Autor do romance “Crisálida”( editora Casa Amarela ). www.guilhermescalzilli.nom.br.

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