ENCALHE

junho 6, 2009

Frase de Paulo Freire para tirar o sono da "Nova Escola"

Filed under: Apagão Educacional Continuado tucano, Nova Escola, Paulo Freire — Humberto @ 5:59 am
“Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.”
(Educação na Cidade, 1991.)

maio 4, 2009

Organização denuncia que a privatização do ensino público JÁ É FATO, só que de forma MUQUIADA e destaca a conivência do PIG!

Ação na Mídia
Cobertura da mídia revela novas formas de privatização do ensino
OBSERVATÓRIO DA EDUCAÇÃO
Sex, 20 de Março de 2009
Terceirização de serviços de vigilância (O Globo, 11/3); limpeza (Folha de S.Paulo e Agora S.Paulo, 18/3); formação de professores e produção de material didático (Amazônia Jornal, Diário do Pará em 11/3, O Liberal, 18/3, Folha de S. Paulo 13/3, entre outros); aluguel de computadores e prédios (Valor Econômico, 10/3 e Folha S.Paulo, 13/3); contratação de fundações empresariais para oferta de ensino a distância e capacitação de professores (O Globo 15 e 18/3); e merenda (Folha de Londrina, 13/3; Jornal da Tarde, 18/3 ).
Estas foram algumas das formas de transferência de recursos públicos da educação para a iniciativa privada, noticiadas de diferentes formas em jornais de todo o País no período de 4 a 18 de março.
O tema é bastante polêmico e há pesquisadores que afirmam ser esta a maneira mais lucrativa de privatização da educação: prestação de serviços ao poder público, em substituição à constituição de escolas privadas.
No entanto, há diferenças entre elas, que podem gerar interessantes abordagens. No anúncio de contratação de serviços de vigilância e limpeza, por exemplo, é importante falar da relação com a lei de responsabilidade fiscal, que limita os gastos com recursos humanos. Mas também é fundamental ouvir especialistas em administração pública que apontem quais devem ser os critérios para esta opção e os mecanismos de controle social sobre os processos de licitação e qualidade dos serviços ofertados.
Aluguéis
O aluguel de prédios privados para a instalação de creches, uma alternativa pautada nas parcerias público-privadas como resposta rápida ao déficit de vagas em geral, mas particularmente às ações no sistema de Justiça sobre o tema, estimulam reportagens que expliquem o que são essas parcerias, quais estados da Federação já adotam, e qual é o volume de transferência de recursos públicos para a iniciativa privada no curto, médio e longo prazos.
Ainda sobre as diferentes formas de terceirização, interessante notar que apenas o Valor Econômico (10/3) noticiou o aluguel de 75 mil computadores pela SEE/SP, classificado como “um dos maiores projetos de terceirização de equipamentos de informática já realizados pelo poder público do país”. Importante os jornalistas de jornais regionais e do interior do estado estarem atentos para os resultados dessa iniciativa para além das escolas da capital.
Tele-ensino
No caso da contratação da Fundação Roberto Marinho para a implantação do Telecurso no Rio de Janeiro (O Globo 15 e 18/3), além dos aspectos financeiros envolvidos e não informados nas reportagens, há também aspectos pedagógicos. Neste caso é preciso ouvir pesquisadores/as da educação e administração pública sobre a pertinência do ensino a distância na educação básica e o impacto de sua adoção, como política pública, no “mercado” de formação de professores, que tende a se voltar para os cursos de Pedagogia e reduzir as licenciaturas em disciplinas específicas, a exemplo do ocorrido no Ceará nos anos 1990.
Também é necessário investigar a opção por fundações empresariais, ou empresas, e não pelo estabelecimento de parcerias com universidades públicas, que desenvolvem ações no campo.
SEE nota zero?
Ainda sobre a contratação de fundações e empresas, notável foi a repercussão dos erros encontrados no material didático distribuído pela Secretaria estadual de ensino (entre 17 e 19/3 Folha de S.Paulo; O Globo, Folha de S.Paulo, Jornal da Tarde, Correio Braziliense e Diário Catarinense).
Nenhuma das matérias citou quanto a SEE pagou pelo serviço, nem o processo de contratação. Este poderia ter sido um foco interessante de investigação, principalmente se considerasse que o governo federal já gasta recursos com a produção de material didático por meio do Programa Nacional do Livro Didático. Além disso, em 1/6/2006, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação, do governo paulista, contratou por R$ 4,63 milhões, sem licitação, a mesma Fundação Vanzolini, para assessoria técnica de programa da SEE. Relatório do Tribunal de Contas do Estado julgou irregular a dispensa de licitação.
É preciso ouvir professores/as e pesquisadores/as sobre os argumentos que sustentam a opção da gestão paulista para a opção de produzir material próprio. De um lado, alega-se a intenção de padronizar os conteúdos da rede pública de ensino e, de outro, a possibilidade de contemplar especificidades regionais. O que há de tão específico nesse material produzido pela empresa/fundação contratada? – a existência de um único Paraguai é fato no mundo todo, e não deveria ser diferente em São Paulo.
Greve de professores
Os jornais do Distrito Federal (em 8 e 10/3, Correio Braziliense e Jornal de Brasília) saíram a campo para condenar o anúncio de greve dos professores da rede pública em reivindicação de reajuste salarial de 18,9%. Nos primeiros dias da cobertura, chamou a atenção que nem mesmo o sindicato da categoria tenha sido ouvido – os textos foram fartos em publicar a opinião de mães, estudantes e governo, todos condenando o movimento. No dia 11, o Jornal de Brasília ouviu a direção do sindicato e, no dia 15, o Correio Braziliense publicou entrevistas com o secretário de educação e o presidente do órgão de representação da categoria. A lamentar a ausência de vozes dos professores/as para além das lideranças sindicais. O Jornal de Brasília, no dia 12, por exemplo, poderia ter incluído professores/as na interessante enquête que fez, com fotos e depoimentos de mães e estudantes. Sempre é bom lembrar que os sindicatos representam, legitimamente, os interesses corporativos, mas cada professor/a tem opiniões pessoais e plurais e é preciso que o público as conheça.
Racismo e educação
Destaque para a Folha de Pernambuco (9/3) que publicou reportagem de Yuri Queiroz sobre a ausência de iniciativas para a implementação da lei 10.639 (leia aqui sobre o tema) no estado. A entrevista com a procuradora de Justiça, Bernadete Azevedo tornou o texto muito especial ao trazer os mecanismos de justiciabilidade que podem ser acessados no caso, e por apontar a omissão das universidades na formação de professores para atuarem com o tema.
Ausências
Infelizmente o Dia Internacional da Mulher (8/mar) não estimulou pautas sobre o magistério. São 85% de mulheres e seria muito interessante ter ouvido pesquisadores/as que interpretassem a desvalorização docente na perspectiva das desigualdades de gênero.
Outra ausência significativa foi o silêncio da mídia em relação à polêmica em torno da compra de assinaturas da revista Nova Escola (Editora Abril) para os docentes da rede pública estadual de São Paulo. O tema foi tratado por blogs de jornalistas independentes (leia aqui reportagem) e pela rádio CBN – pouca repercussão para um tema que envolve R$ 3,74 milhões, dispensa de licitação e mudança de práticas – usualmente, as assinaturas de jornais e revistas são feitas para escolas, e não individualmente para cada professor/a.
Fala Educadora! Fala Educador!
No período, publicaram artigos de opinião de professores/as de redes públicas de ensino:
Zero Hora (6/3) – O bom professor, por Viviane Salvi Gertge
Folha de Londrina (10/3) – O contrassenso do bullying, por Luiz Carlos Ferraz Manini
Zero Hora (13/3) – Professor do século 21, por Danilo Gandin
A Notícia – SC (19/3) – 50 ANOS, por Ademir Pfiffer
Além da pauta
Financiamento José Marcelino de Rezende Pinto – professor associado da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto – jmrpinto@ffclrp.usp.br
Telecurso Idevaldo da Silva Bodião – professor da UFCE e ex-secretário de Educação e Assistência Social de Fortaleza – idbodiao@uol.com.br
Caso Nova Escola Carolina Marinho – advogada – carolina.marinho@gmail.com
Implementação da lei 10.639 Valter Roberto Silvério – professor Adjunto da Universidade Federal de São Carlos – silverio@power.ufscar.br

Organização denuncia que a privatização do ensino público JÁ É FATO, só que de forma MUQUIADA e destaca a conivência do PIG!

Ação na Mídia
Cobertura da mídia revela novas formas de privatização do ensino
OBSERVATÓRIO DA EDUCAÇÃO
Sex, 20 de Março de 2009
Terceirização de serviços de vigilância (O Globo, 11/3); limpeza (Folha de S.Paulo e Agora S.Paulo, 18/3); formação de professores e produção de material didático (Amazônia Jornal, Diário do Pará em 11/3, O Liberal, 18/3, Folha de S. Paulo 13/3, entre outros); aluguel de computadores e prédios (Valor Econômico, 10/3 e Folha S.Paulo, 13/3); contratação de fundações empresariais para oferta de ensino a distância e capacitação de professores (O Globo 15 e 18/3); e merenda (Folha de Londrina, 13/3; Jornal da Tarde, 18/3 ).
Estas foram algumas das formas de transferência de recursos públicos da educação para a iniciativa privada, noticiadas de diferentes formas em jornais de todo o País no período de 4 a 18 de março.
O tema é bastante polêmico e há pesquisadores que afirmam ser esta a maneira mais lucrativa de privatização da educação: prestação de serviços ao poder público, em substituição à constituição de escolas privadas.
No entanto, há diferenças entre elas, que podem gerar interessantes abordagens. No anúncio de contratação de serviços de vigilância e limpeza, por exemplo, é importante falar da relação com a lei de responsabilidade fiscal, que limita os gastos com recursos humanos. Mas também é fundamental ouvir especialistas em administração pública que apontem quais devem ser os critérios para esta opção e os mecanismos de controle social sobre os processos de licitação e qualidade dos serviços ofertados.
Aluguéis
O aluguel de prédios privados para a instalação de creches, uma alternativa pautada nas parcerias público-privadas como resposta rápida ao déficit de vagas em geral, mas particularmente às ações no sistema de Justiça sobre o tema, estimulam reportagens que expliquem o que são essas parcerias, quais estados da Federação já adotam, e qual é o volume de transferência de recursos públicos para a iniciativa privada no curto, médio e longo prazos.
Ainda sobre as diferentes formas de terceirização, interessante notar que apenas o Valor Econômico (10/3) noticiou o aluguel de 75 mil computadores pela SEE/SP, classificado como “um dos maiores projetos de terceirização de equipamentos de informática já realizados pelo poder público do país”. Importante os jornalistas de jornais regionais e do interior do estado estarem atentos para os resultados dessa iniciativa para além das escolas da capital.
Tele-ensino
No caso da contratação da Fundação Roberto Marinho para a implantação do Telecurso no Rio de Janeiro (O Globo 15 e 18/3), além dos aspectos financeiros envolvidos e não informados nas reportagens, há também aspectos pedagógicos. Neste caso é preciso ouvir pesquisadores/as da educação e administração pública sobre a pertinência do ensino a distância na educação básica e o impacto de sua adoção, como política pública, no “mercado” de formação de professores, que tende a se voltar para os cursos de Pedagogia e reduzir as licenciaturas em disciplinas específicas, a exemplo do ocorrido no Ceará nos anos 1990.
Também é necessário investigar a opção por fundações empresariais, ou empresas, e não pelo estabelecimento de parcerias com universidades públicas, que desenvolvem ações no campo.
SEE nota zero?
Ainda sobre a contratação de fundações e empresas, notável foi a repercussão dos erros encontrados no material didático distribuído pela Secretaria estadual de ensino (entre 17 e 19/3 Folha de S.Paulo; O Globo, Folha de S.Paulo, Jornal da Tarde, Correio Braziliense e Diário Catarinense).
Nenhuma das matérias citou quanto a SEE pagou pelo serviço, nem o processo de contratação. Este poderia ter sido um foco interessante de investigação, principalmente se considerasse que o governo federal já gasta recursos com a produção de material didático por meio do Programa Nacional do Livro Didático. Além disso, em 1/6/2006, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação, do governo paulista, contratou por R$ 4,63 milhões, sem licitação, a mesma Fundação Vanzolini, para assessoria técnica de programa da SEE. Relatório do Tribunal de Contas do Estado julgou irregular a dispensa de licitação.
É preciso ouvir professores/as e pesquisadores/as sobre os argumentos que sustentam a opção da gestão paulista para a opção de produzir material próprio. De um lado, alega-se a intenção de padronizar os conteúdos da rede pública de ensino e, de outro, a possibilidade de contemplar especificidades regionais. O que há de tão específico nesse material produzido pela empresa/fundação contratada? – a existência de um único Paraguai é fato no mundo todo, e não deveria ser diferente em São Paulo.
Greve de professores
Os jornais do Distrito Federal (em 8 e 10/3, Correio Braziliense e Jornal de Brasília) saíram a campo para condenar o anúncio de greve dos professores da rede pública em reivindicação de reajuste salarial de 18,9%. Nos primeiros dias da cobertura, chamou a atenção que nem mesmo o sindicato da categoria tenha sido ouvido – os textos foram fartos em publicar a opinião de mães, estudantes e governo, todos condenando o movimento. No dia 11, o Jornal de Brasília ouviu a direção do sindicato e, no dia 15, o Correio Braziliense publicou entrevistas com o secretário de educação e o presidente do órgão de representação da categoria. A lamentar a ausência de vozes dos professores/as para além das lideranças sindicais. O Jornal de Brasília, no dia 12, por exemplo, poderia ter incluído professores/as na interessante enquête que fez, com fotos e depoimentos de mães e estudantes. Sempre é bom lembrar que os sindicatos representam, legitimamente, os interesses corporativos, mas cada professor/a tem opiniões pessoais e plurais e é preciso que o público as conheça.
Racismo e educação
Destaque para a Folha de Pernambuco (9/3) que publicou reportagem de Yuri Queiroz sobre a ausência de iniciativas para a implementação da lei 10.639 (leia aqui sobre o tema) no estado. A entrevista com a procuradora de Justiça, Bernadete Azevedo tornou o texto muito especial ao trazer os mecanismos de justiciabilidade que podem ser acessados no caso, e por apontar a omissão das universidades na formação de professores para atuarem com o tema.
Ausências
Infelizmente o Dia Internacional da Mulher (8/mar) não estimulou pautas sobre o magistério. São 85% de mulheres e seria muito interessante ter ouvido pesquisadores/as que interpretassem a desvalorização docente na perspectiva das desigualdades de gênero.
Outra ausência significativa foi o silêncio da mídia em relação à polêmica em torno da compra de assinaturas da revista Nova Escola (Editora Abril) para os docentes da rede pública estadual de São Paulo. O tema foi tratado por blogs de jornalistas independentes (leia aqui reportagem) e pela rádio CBN – pouca repercussão para um tema que envolve R$ 3,74 milhões, dispensa de licitação e mudança de práticas – usualmente, as assinaturas de jornais e revistas são feitas para escolas, e não individualmente para cada professor/a.
Fala Educadora! Fala Educador!
No período, publicaram artigos de opinião de professores/as de redes públicas de ensino:
Zero Hora (6/3) – O bom professor, por Viviane Salvi Gertge
Folha de Londrina (10/3) – O contrassenso do bullying, por Luiz Carlos Ferraz Manini
Zero Hora (13/3) – Professor do século 21, por Danilo Gandin
A Notícia – SC (19/3) – 50 ANOS, por Ademir Pfiffer
Além da pauta
Financiamento José Marcelino de Rezende Pinto – professor associado da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto – jmrpinto@ffclrp.usp.br
Telecurso Idevaldo da Silva Bodião – professor da UFCE e ex-secretário de Educação e Assistência Social de Fortaleza – idbodiao@uol.com.br
Caso Nova Escola Carolina Marinho – advogada – carolina.marinho@gmail.com
Implementação da lei 10.639 Valter Roberto Silvério – professor Adjunto da Universidade Federal de São Carlos – silverio@power.ufscar.br

abril 27, 2009

Ministério Público investiga contrato entre Serra e Abril

O Ministério Público Estadual (MPE) abriu o inquérito civil para apurar irregularidades no contrato firmado, sem licitação, entre a Secretaria de Educação de São Paulo e a Fundação Victor Civita – do Grupo Abril. O contrato trata da aquisição de 220 mil assinaturas anuais da revista Nova Escola, no valor de R$ 3,7 milhões.
A representação ao MPE foi proposta por três parlamentares Psol-SP — o deputado federal Ivan Valente e os deputados estaduais Carlos Giannazi e Raul Marcelo. Segundo ele, a Secretaria da Educação desconsiderou a existência de outras publicações da área, beneficiando a editora contratada.
Além disso, o governo Serra não consultou os educadores e passou para a fundação privada os endereços pessoais dos professores, sem qualquer comunicado ou pedido de autorização. Essa irregularidade permite outras destinações comerciais aos seus dados particulares.
O promotor Antonio Celso Campos de Oliveira Faria, designado para ocaso, oficiou a FDE — órgão do governo estadual responsável pela contratação —, solicitando que esclareça os motivos da contratação ecogitando a suspensão do contrato. A diretora de projeto especiais da FDE foi intimada a prestar depoimento nos próximos dias.
Faria também oficiou a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo) a informar se foi consultada sobre a escolha da Nova Escola — e se ocorreram reclamações por parte dos professores devido ao fornecimento de seus endereços particulares. O promoter ainda notificou outras editoras que atuam no ramo educacional, consultando se teriam condições de participar do processo licitatório que sequer foi aberto.
Na avaliação de Ivan Valente, o despacho inicial do Ministério Público já é uma importante vitória para o movimento dos professores diante das arbitrariedades e desmandos do governo Serra na área da educação. “Vamos acompanhar a tramitação do processo e pressionar para que os responsáveis por esta contratação que lesa os cofres e os interesses públicos sejam punidos com o rigor da lei”, declarou o parlamentar.
Da Redação
Vermelho, com informações do Psol
E MAIS:
Essa Secretaria Estadual de Educação de São Paulo dá trabalho pro Ministério Público, hein?
Deputado requer informações sobre contrato entre pasta da Educação e Fundação Faria Lima
Site do deputado Carlos Gianazzi ( Psol/ SP ), 16 de Fevereiro de 2009
Um milhão de reais. Esse é o valor arredondado de um contrato firmado em dezembro de 2008 entre a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) e a Fundação Prefeito Faria Lima para que esta última instituição preste “serviços técnicos especializados de consultoria para identificar, analisar e mapear equipamentos culturais para subsidiar a FDE, na elaboração da publicação e na realização do Projeto “Lugares de Aprender: a escola sai da escola.”.
Preocupado com o desembolso milionário para uma função cuja execução poderia ser feita tanto pelos funcionários das Delegacias de Ensino da Secretaria Estadual da Educação quanto da Secretaria Estadual da Cultura, o deputado Carlos Giannazi (PSOL) encaminhou um Requerimento de Informação à SEE no dia 03/02 para que esta se justifique em relação a esse contrato.
“Não se trata de criticar o projeto Lugares de Aprender, embora seja uma atividade curricular bastante conhecida e colocada em prática em outros governos. O que se questiona é, de novo, o dispêndio de dinheiro para um levantamento que já deve existir na administração do estado. A impressão é que não há crise (financeira) de natureza alguma e que sobra dinheiro para a FDE e SEE”, argumenta Giannazi.
O deputado, junto da diretora-presidente do Sindicato de Supervisores do Magistério no Estado de São Paulo, Maria Cecilia Mello Sarno, também entrou com uma Representação no Ministério Público a fim de que se averigúe os termos em que se deu esse contrato.

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abril 20, 2009

Fundação Victor Civita e o Governo do Estado de SP sempre em parcerias muito proveitosas

MAIS ESPAÇO PARA A EDUCAÇÃO NO RÁDIO
As parcerias entre a FVC e as rádios Bandeirantes e Cultura, iniciadas no ano passado, terão continuidade em 2009. Os contratos com as duas emissoras já foram renovados e os boletins com notícias sobre o mundo da educação podem ser ouvidos no rádio ou via Internet.
NOVO “PROFISSÃO PROFESSOR” ESTRÉIA EM AGOSTO
A série de programas “Profissão Professor” ganha mais uma temporada na TV Cultura [ OBS: Claaaaro...Que surpresa!... ] de São Paulo, com exibição em emissoras de outros estados: Ceará, Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul. Os 13 episódios estão em fase de roteirização e começam a ser gravados em maio, com estréia prevista para agosto.
Em 11 deles, o foco é o trabalho dos vencedores do prêmio Victor Civita – Educador Nota 10 de 2008. Enquanto isso você pode acompanhar a reprise dos programas já exibidos na TV Cultura, todos os sábados às 11 horas. ( Informativo publicado em Nova Escola Gestão Escolar Abril/ Maio, pág. 15 )

Serra compra 220 mil assinaturas da Editora Abril
*ALTAMIRO BORGES
A cumplicidade entre os “barões da mídia” é algo impressionante. Primeiro, as blogs de Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif, entre outros, revelaram que o governo de São Paulo comprou 220 mil assinaturas anuais da Revista Nova Escola, publicada pela Editora Abril – a mesma que produz a Veja, porta-voz dos tucanos e do “império do mal”. Na seqüência, a denúncia chegou ao Congresso Nacional num pronunciamento contundente do deputado Ivan Valente ( PSOL-SP ). Apesar da gravidade do assunto, que pode confirmar o conluio entre o presidenciável tucano e a revista de maior circulação no país, os jornalões e emissoras da televisão evitam abordar o caso.
No seu discurso, o deputado Ivan Valente informou que protocolou uma representação junto ao Ministério Público de São Paulo questionando o contrato firmado entre a Secretaria Estadual de Educação e a Fundação Victor Civita do Grupo Abril para a distribuição da revista Nova Escola aos docentes da rede oficial. Ele questiona o fato da milionária aquisição ter sido realizada sem licitação pública e do governo estadual ainda ter
repassado à empresa privada os endereços dos professores, sem qualquer comunicado ou pedido de autorização dos mesmos, o que é ilegal.
CONTRATO DE R$ 5,7 MILHÕES
“Nenhuma consulta a respeito de qual publicação melhor atenderia às necessidades pedagógicas para o exercício de sua atividade profissional foi feita aos professores. Parece mais razoável que haja assinaturas de vários títulos de revistas, assegurando a maior pluralidade possível de pontos de vista no debate educacional e a livre escolha do professor… Cabe questionar também o porquê do fornecimento do mesmo título para professores de diferentes séries e modalidades, que variam da primeira série do ensino fundamental à terceira do ensino médio. Esta opção deliberada desconsidera as particularidades dos profissionais de educação”, acrescentou o parlamentar.
Segundo a denúncia, o contrato representa quase 25% da tiragem total desta revista e garantiu à empresa R$ 3,7 milhões. “Este, porém, não é o único compromisso existente entre a Secretaria de Educação e o Grupo Abril. Outro absurdo, que merece ação urgente, é a proposta curricular que reduz o número de aulas de história, geografia e artes do ensino médio e obriga a inclusão de aulas baseadas em edições encalhadas do ‘Guia do Estudante’, também da Abril. Cada vez mais, a editora ocupa espaço nas escolas de São Paulo, tendo até mesmo publicações adotadas como material didático. Isso totaliza, hoje, cerca de R$ 10 milhões de recursos públicos destinados a esta instituição privada, considerado apenas o segundo semestre de 2008″.
Para Ivan Valente, o governo tucano tem uma “preferência deliberada pela editora contratada… São claros os indícios de crime contra a administração pública. A assinatura do contrato feriu os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência, além do que feriu o princípio da supremacia do interesse público sobre o privado, na medida em que há benefícios para a Fundação Victor Civita e prejuízos aos cofres públicos. É isto que esperamos que o Ministério Público investigue, assim como solicitamos que tome as providências legais cabíveis para fazer cessar imediatamente o pagamento das próximas parcelas do contrato”.
*Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB e editor da revista Debate Sindical ( Hora do Povo, 17.04.09 )

BÕNUS I: Dados-comoddities

Governo quer vender dados dos paulistas – Folha Online, 04/06/2006
PSDB tem uma forma muito esquisita de lidar com os dados e informações das pessoas. Essa foi na época do “Tiranossaulo”, que não deixou saudades, assim como o então chefe dele.

BÔNUS II: A propaganda é a marca do negócio
Três das quatro revistas semanais ( vEJA, IstoÉ e Época, pois a CARTA CAPITAL ficou de fora ) trazem propaganda do Governo do Estado de SP dizendo maravilhas sobre o “Bônus” ops, perdão, “Embrômus da Educação”. Os valores, segundo o texto, ficariam entre R$ 500 e R$ 15.000. Eles insistem em divulgar estes valores “nababescos”, casando a informação com a imagem de uma professora e uma lousa, visando reforçar ao público a idéia de que os professores ( e somente eles ) recebem o tal “embrômus” e, logo, se alguém recebeu quinze pilas, esse alguém só pode ser um professor. Não fala-se nada sobre dirigentes, diretores, e outros serventes das unidades. Pura manipulação. A peça publicitária ( que, no caso da revista vEJA, aparece no suplemento local vEJA São Paulo, e não no título principal ) não informa qual a agência de propaganda foi responsável por ela.

abril 16, 2009

REVISTAS QUE O GOVERNO DE SÃO PAULO PODERIA ASSINAR PARA DISTRIBUIR AOS PROFESSORES NO LUGAR DA "NOVA ESCOLA" DA EDITORA ABRIL

CARTA NA ESCOLA – EDITORA CONFIANÇA

CARTA FUNDAMENTAL – EDITORA CONFIANÇA
REVISTA EDUCATIVA – EDITORA MINUANO

REVISTA EDUCAÇÃO – EDITORA SEGMENTO

setembro 23, 2008

SOBRE O OLHAR DE "VEJA" E DE "NOVA ESCOLA" A RESPEITO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL, por Carlos Rodrigues Brandão [ IMPERDÍVEL!! ]

ADUR-RJ
Como muitas pessoas que estarão lendo isto talvez não sejam, como nós também não somos, leitores costumeiros da revista VEJA, possivelmente não terão tomado conta de imediato de uma recente reportagem publicada entre as páginas 72 e 87 do número 33 da edição 2074 correspondente a 20 de agosto de 2008. A reportagem tem este nome: “Você sabe o que estão ensinando a ele?”. Escrita a partir de uma pesquisa com a pressa e as lacunas que de modo geral acompanham tais procedimentos em nossa mídia, a reportagem traz, no entanto, alguns dados oportunos e algumas idéias e críticas bastante sugestivas.
Seu propósito é claro demais para ser rediscutido entre estas poucas linhas. Nossa educação está entre as piores do planeta, mas 89% dos pais entrevistados e com filhos em escolas particulares “consideram receber das escolas um bom serviço pelo que pagam” (pg. 73).
Em nome de uma educação e de uma escola livre de “doutrinação” ideológica, seus autores parecem advogar aquilo que um estudante de Pedagogia aprende logo nas primeiras aulas de um curso de História da Educação. Em qualquer lugar do mundo e em qualquer época de sua história, educação alguma foi no passado ou segue sendo, hoje, isenta de valores, de visões de mundo e de pessoa humana. Isenta de um olhar próprio sobre o presente e de um projeto qualquer para o destino do futuro. E a pior educação é aquela que em nome de sua eficiência utilitária, afirma não desejar mais do que capacitar instrumentalmente indivíduos competentes para o “sucesso no mercado”.
Na Página 77 um quadro resumo dos dados sumários da pesquisa, ao lado da montagem de uma foto em que um lápis serve de cabo a um martelo cruzado com a foice do símbolo comunista cujo cabo é uma caneta, trás também um retrato em tamanho pequeno de Paulo Freire. E ao lado do retrato uma tabela de porcentagens que respondem à pergunta: “com quem os professores mais se identificam?”. Os números são estes: Paulo Freire, 29%, Karl Marx, 10%, Gandhi, 10%, Jesus Cristo, 6%, Einstein, 6%. Ao invés de louvarem o fato de Paulo Freire anteceder uma lista em que se acompanha de tais pessoas, a reportagem traça de nosso educador o seguinte retrato:
“Não é o caso na maioria das salas de aula. Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara (…) Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores brasileiros ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico Albert Einstein, talvez o maior gênio da humanidade. Paulo Freire 26 x 6 Einstein.” (pgs. 83 e 84)
Acreditamos que talvez um encargo pesado a pessoas que precisam ler e pesquisar depressa demais, sugerir às autoras da reportagem a leitura de pelos menos três livros de Paulo Freire: Pedagogia do oprimido, Pedagogia da esperança, e Pedagogia da autonomia. Estes livros e outros foram traduzidos para dezenas de línguas e costumam ser bastante mais lidos em nações e entre educadores dos paises centrais da “civilização ocidental” e do mundo capitalista, a começar pelos Estados Unidos, do que aqui mesmo no Brasil.
Uma leitura destes e de outros livros, mesmo que apenas entre notas de rodapé e as bibliografias ao final, revelaria um pensador e educador cuja principal virtude foi sua atitude dialógica e aberta à diferença, a começar pelos autores que leu e a terminar pelo que escreveu e disse ao longo de toda a sua vida.
Acreditamos também que talvez seja uma outra tarefa espinhosa sugerir a esses jornalistas e a quem neles creia, o realizarem um levantamento completo das obras, escritas pelos mais diferentes educadores de várias escolhas teóricas e pedagógicas e de diferentes nações e continentes, a respeito das idéias de Paulo Freire. Afinal, a menos que estejamos vivendo em um mundo mais alucinado do ele que nos parece, cremos que um educador brasileiro honrosamente convidado a ser Doutor Honoris Causa de quarenta e nove universidades espalhados por todos os continentes, não conseguiria chegar a tanto, enganando tantas pessoas cuja credibilidade é, na maior parte dos casos, internacionalmente reconhecida.
Eles – bem menos do que quem assina a apressada reportagem – não se deixariam enganar durante tantos anos por um “autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização”. De igual maneira, creditar a favorável porcentagem de identificação de professores brasileiros com Paulo Freire, a uma ilusão ideológica igualmente rasteira e acrítica às suas idéias pedagógicas, equivale a uma postura de maldoso desrespeito a profissonais da educação cujas condições cotidianas de formação e de trabalho, estas sim, causariam espanto e desaponto entre educadores de outras nações da “civilização ocidental”.
Se a leitura atenta de algumas obras de Paulo Freire, ou a pesquisa – mesmo apressada – dos estudos que a mais de cinqüenta anos procuram desde todos os cantos do mundo pensar e colocar em prática a sua pedagogia, talvez represente uma dificuldade insuperável para as autoras da reportagem, cremos ue com um esforço bastante menor elas poderiam ler algumas páginas de uma revista que facilmente encontrariam em algum andar do edifício da mesma Editora Abril. Ela se chama Nova Escola. Seu subtítulo sugestivo é: a revista de quem educa, e a edição especial n. 19 de julho de 2008, dedica-se a apresentar “41 grandes pensadores – educadores que fizeram história, da Grécia antiga aos dias de hoje”.
A longa – e ainda assim bastante incompleta relação de Nova Escola, começa com Sócrates, condenado a beber a cicuta sob a acusação de corromper a juventude – algo não muito diverso do que os jornalistas de VEJA insinuam a respeito dos educadores “de esquerda” de ontem e hoje – e de não crer nos deuses gregos de Atenas. E ela conclui com Howard Gardner, um psicólogo norte-americano que certamente haveria de ser se sentir bastante mais à vontade entre educadores humanistas críticos – como ele mesmo – do que entre aqueles que defendem uma educação inocentemente neutra. Entre os quarenta e um pensadores do dilema do ser humano, da sociedade e da educação, encontramos três brasileiros.
Acompanhados com os seus qualificadores no sub-título do índice, ele são: Anísio Teixeira – o inventor da escola pública no Brasil; Florestan Fernandes – um militante do ensino democrático, e Paulo Freire – o mentor da educação para a consciência. São reconhecidamente todos eles críticos da sociedade brasileira e a nenhum deles haveria de se reconhecer como um pensador “de centro” ou “de direita”, ou um educador isento de uma postura ideológica em favor de uma educação humanista, de qualidade, democrática e essencialmente crítica, algo que a reportagem, ilusória ou maldosamente confunde com “doutrinária”.
O educador Paulo Freire pode ser encontrado entre as páginas 110 e 112, logo a seguir de Hannah Arendt, citada pelas autoras da reportagem de VEJA, e de Florestan Fernandes, e logo antes de Edgar Morin. Uma vez mais, ei-lo em boa companhia.
Embora originadas de uma mesma empresa de mídia, eis que Escola Nova reserva a Paulo Freire uma imagem provavelmente oposta ao retrato-falado em VEJA. Vejamos.
Paulo Freire (1921-1997) foi o mais célebre educador brasileiro, com atuação e reconhecimento internacionais. Conhecido principalmente pelo método de alfabetização de adultos que leva seu nome, ele desenvolveu um pensamento pedagógico assumidamente político. Para Freire, o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno.
(…)
Ao propor uma prática de sala de aulas que pudesse desenvolver a criticidade dos alunos, Freire condenava o ensino oferecido pela ampla maioria das escolas ( isto é, as “escolas burguesas” ), que ele qualificou de educação bancária. Nela, segundo Freire, o professor age como que deposita conhecimento num aluno apenas receptivo, dócil. Em outras palavras, o saber é visto como uma doação dos que se julgam seus detentores.
Trata-se, para Freire, de uma escola alienante, mas não menos ideologizada do que a que ele propunha para despertar a consciência dos oprimidos. “Sua tônica fundamentalmente reside em matar nos educandos a curiosidade, o espírito investigador, a criatividade” escreveu o educador (NOVA ESCOLA, pg. 110).
Pensamos, com base em palavras de uma revista da própria Editora Abril, acompanhadas de uma passagem de Paulo Freire, que entre o seu pensamento e o de um oportunista doutrinador, existe uma considerável distancia. Ao contrário, toda a sua pedagogia destina-se a transformara a doutrinação em diálogo, a passividade em participação ativa, a inocência neutra em crítica política (no bom sentido original da palavra: co-responsabilidade da gestão social da polis, o “lugar onde vivemos as nossas vidas”), e a capacitação instrumental destinada à subserviência competente no mundo dos negócios, pela formação consciente destinada a uma presença criativa na transformação da própria sociedade.
Prossegue a mesma revista, como se adivinhasse o que VEJA viria a publicar cerca de um mês mais tarde.
No conjunto do pensamento de Paulo Freire encontra-se a idéia de que tudo está em permanente transformação e interação. Por isso, não há futuro a priori, como ele gostava de repetir no fim da vida, como crítica aos intelectuais de esquerda que consideravam a emancipação das classes desfavorecidas como uma inevitabilidade histórica. Esse ponto de vista implica a concepção do ser humano como “histórico e inacabado” e conseqüentemente sempre pronto a aprender. No caso particular dos professores, isso se reflete na necessidade de formação rigorosa e permanente. Freire dizia, numa frase famosa, que “o mundo não é, o mundo está sendo” (NOVA ESCOLA, pg. 112).
Dificilmente um tal “pensamento” poderia fundamentar uma postura de doutrinação e de inculcação de idéias e de valores. Na verdade, em direção oposta ao que a reportagem de VEJA pretende que seja um exercício docente de doutrinação de crianças e de jovens, como a maioria de nossas e nossos professores estivesse dedicada a menos ensinar do que a doutrinar os seus alunos, tudo o que educadores humanistas, herdeiros ou não das idéias e propostas de Paulo Freire, pretendem, é estabelecer condições docentes para que um ensino instrumental, funcional e apenas capacitador de competências, venha a ser uma educação formadora de pessoas críticas, reflexivas, ativas e participantes da vida de suas sociedades.
A caricatura apresentada na revista VEJA e o retrato desenhado em NOVA ESCOLA deveriam ser lidos e “vistos” uma ao lado do outro. Eis a nossa sugestão: que as pessoas da mesma Editora Abril dialoguem umas com as outras. Afinal, não seria esta a prática pedagógica que VEJA parece não reconhecer em docentes doutrinadores “de esquerda”?
Talvez a leitura paralela dos dois texto ajude quem tenha dúvidas a respeito de “quem doutrina quem” a encontrar se não respostas, pelo menos a indicação de onde e junto a quem elas poderiam ser procuradas. Não sei se entre possíveis educadores “neutros” ou democraticamente “de direita”. O que, reconheçamos, não será fácil. Afinal, de Sócrates a Paulo Freire, dificilmente o mundo da educação, tanto quanto o de outras práticas sociais, encontrou em pensadores e em educadores neutros ou isentos de um pensamento fundado diálogos entre valores, éticas, idéias e ideologias a respeito da pessoa humana, da cultura, da possibilidade de criação de mundos de vida e de trabalho mais livres, justos e solidários, e do lugar da educação em tudo “isto” algo que fizesse merecer a sua presença na relação dos “grandes pensadores” de NOVA ESCOLA.
O que devemos temer é justamente a doutrinação que não aparece escrita em livros – a não ser no de treinamento de competentes – competitivos para o mundo dos negócios – e nem comparece nos incontáveis encontros, congressos e colóquios em que educadores de um país ou de vários recantos do mundo se reúnem para pensarem, a partir de suas diferenças e à margem de desejos de doutrinação, como tornar mais humana uma educação em perigo.
Uma educação que para eles vale ainda como formação integral da pessoa humana. A mesma que a maioria dos que defendem a neutralidade do trabalho do educador prefere deixar a cargo daqueles que, passo a passo, tomam posse da educação brasileira. Os mesmos sócios dos que, reunidos em uma lastimável não tão distante Assembléia Geral da Organização Mundial do Comércio decretaram que previdência social, saúde e educação não valem mais como um direito humano, mas como uma mercadoria entre outras tantas.
Talvez em nome de uma liberdade que não serve mais do que a indivíduos preocupados apenas com suas “carreiras” e a sua (cada vê mais difícil, cada vez mais socialmente seletiva) “trajetória de sucesso”, VEJA apresenta como uma conquista de uma sociedade emancipada estes dados e comentários.
A pesquisa realizada pela CNT/Sensus e publicada nesta VEJA um verdadeiro divisor de águas na história da discussão educacional brasileira. Porque aqui pela primeira vez se perguntou à sociedade brasileira – os alunos da escola pública e seus pais – qual é o tipo de ensino que ela quer. E a resposta foi clara. E claramente antagônica ao sentido de missão e às práticas dos professores: 70% dos alunos das escolas públicas acham que a função da escola é “preparar para o futuro” ou “ensinar as matérias”. Só 28% defendem a “formação do cidadão”. Alguém vai dizer: mas os alunos são demasiado jovens e não sabem o que querem. OK. Mas seus pais estão do mesmo lado: uma maioria de 56% espera que a escola “ensine as matérias” e dê formação profissional a seus filhos” (VEJA, pg. 86).
Eis o ideal da Assembléia Geral da OMS realizado afinal. Eis um desejo de que a educação abra mão de ser formação e se reduza a ser uma instrumental e “material” capacitação. Estamos entre dois dilemas. Se a pesquisa falseia – o que não é difícil em enquête de encomenda deste tipo – então seria preciso descobrir a que interesses serve uma tão longa e custosa reportagem. Se ela traduz alguma verdade, então mais do que nunca precisamos com urgência de uma educação que devolva a pais e a estudantes a consciência e o desejo de que eles aprendam algo mais do que “matérias” solitariamente dirigidas ao individuo profissional – algo que os seus computadores podem fazer por eles. Que eles aprendam solidariamente as integrações de “energias” de um saber dirigido à pessoa cidadã.
Fiel ao ideário da Organização Mundial do Comércio, a reportagem de VEJA parece em tudo contrária a um documento que em momento algum cita Anísio Teixeira, Florestan Fernandes ou mesmo Paulo Freire. Um documento cuja leitura recomendamos com insistência a pais, a educadores, às pessoas que realizaram a pesquisa e também a quem escreveu a reportagem.
Trata-se de um longo relatório encomendado pela UNESCO (a instituição da Organização das Nações Unidas devotada à educação e à cultura) a uma ampla equipe de educadores e de pensadores da pessoa, da sociedade e da educação, nos anos finais do século passado. Este relatório realiza uma ampla avaliação da educação em plano mundial. Depois ele faz recomendações sobre “uma educação para o século XXI”. Transformado em livro e traduzido em vários idiomas, em Português ele tomou este nome: Educação, um tesouro a descobrir. Boa parte do que poderia ser considerado um exercício de doutrinação, inclusive a partir de iniciativas de nosso Ministério da Educação, deriva das propostas do relatório da UNESCO.
Em seu capítulo central, o bem conhecido “capítulo quatro” o documento estabelece os quatro pilares do aprender. Isto é, do “ser educado”. Bem ao contrário do que defende a reportagem de VEJA, eles insistem em que a escola forme pessoas através de um: a) aprender a fazer – mas não apenas por meio do exercício funcional competente de uma profissão e, sim, pela criação de contextos cooperativos de trabalho em comum; b) aprender a aprender, isto é, nunca aprender conteúdos prontos de “matérias” ensinadas, mas aprender a pensar reflexivamente através da construção solidária e crítica de saberes; c) aprender a conviver, ou seja, aprender para saber ser algo bastante além de um simples “bom profissional”; aprender para ser, em termos defendidos por Paulo Freire há mais de quarenta anos, a ser uma pessoa solidária, criativa e participante dos dilemas de seu mundo de vida e de trabalho; d) aprender a ser. Sim, e para pasmo de quem creia que “isto é coisa do passado”, um documento de foro internacional ousa colocar na formação integral do ser da pessoa humana o último e mais essencial pilar do aprender.
Mas talvez não seja sequer necessário recorrer a Educação – um tesouro a descobrir. Pois se voltarmos à página de NOVA ESCOLA, na sessão “para pensar” que em um box acompanha cada um dos quarenta e um educadores, está escrito o seguinte, com que podemos encerrar este diálogo a partir de dois escritos da mesma Editora Abril.
Um conceito a que Paulo Freire deu a máxima importância, e que nem sempre é abordado pelos teóricos, é o da coerência. Para ele, não é possível adotar diretrizes pedagógicas de modo conseqüente de serem que elas orientam a prática, até em seus aspectos mais corriqueiros.
“As qualidades e virtudes são construídas por nós no esforço que nos impomos para diminuir a distância entre o que dizemos e fazemos”, escreveu o educador.
“Como, na verdade, posso eu continuar falando no respeito à dignidade do educando se ironizo, só discrimino, se o inibo com minha arrogância?” Você, professor, tem a preocupação de agir na escola de acordo com os princípios em que acredita? E costuma analisar as próprias atitudes sob este ponto de vista?
Fonte: Rev. Nova Escola.

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