ENCALHE

dezembro 11, 2007

Dono de milícia mercenária pistoleira a serviço da Sygenta é preso

Preso dono de empresa de segurança da Syngenta
Foram presos hoje o proprietário da NF Segurança, Nerci de Freitas, e dois seguranças da empresa – Alexandre Magno Winche Almeida e Alexandre de Jesus – acusados de envolvimento na morte de duas pessoas em um confronto com sem-terra na Estação Experimental da Syngenta, em Santa Teresa do Oeste, no dia 21 de outubro. Outro segurança e dois líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e da Via Campesina estão foragidos.
A prisão preventiva dos envolvidos foi decretada pelo juiz da 1ª. Vara Criminal de Cascavel, no oeste do Paraná, Juliano Nanuncio. De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), as prisões são necessárias para garantia da ordem pública, da instrução criminal e da aplicação da lei penal. A denúncia também atinge outras 13 pessoas. O segurança Rodrigo de Oliveira Ambrósio e os líderes sem terra Celso Ribeiro Barbosa e Célia Aparecida Lourenço são procurados pela polícia.
A prisão dos seguranças, por homicídio, tinha sido pedida pela polícia na conclusão do inquérito das mortes do segurança Fábio Ferreira, de 25 anos, e do sem-terra Valmir Mota de Oliveira, o Keno, de 42 anos. O MPE incluiu os líderes da Via Campesina no pedido de prisão, citando, entre outros crimes, homicídio com dolo eventual. A denúncia abrange ainda outros seis seguranças e seis sem-terra, além do presidente da Sociedade Rural do Oeste do Paraná (SRO), Alessandro Meneghel, acusado de formação de quadrilha armada e lesões corporais leves.
Yahoo! Ag. Estado
11/12/07

outubro 30, 2007

Investigações descobrem indícios de tentativa de execução de sem-terra

Filed under: chacina, Estado do Paraná, execução, Justiça, massacres, MST, NF Seguarança, Sygenta — Humberto @ 5:12 pm
AEN
29/10/2007
As investigações sobre o tiroteio na fazenda experimental Syngenta Seeds, conduzidas pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), derrubaram a versão dos seguranças da empresa NF, que alegaram apenas ter reagido a ataque dos trabalhadores sem terra. No fim de semana, a polícia cumpriu 10 mandados de busca e apreensão, nas casas dos seguranças, na sede da fazenda, e na empresa de segurança. Na casa de um dos seguranças foi encontrada uma pequena quantidade de maconha. Na NF, a polícia encontrou três revólveres calibre 38. “Aos poucos e com muitas provas e fortes indícios estamos desvendando o que aconteceu na fazenda, naquele domingo”, disse o delegado do Cope, Renato Bastos Figueiroa.
Na manhã desta segunda-feira (29), 11 trabalhadores rurais reconheceram três dos sete seguranças que estão presos como os mesmos homens que estiveram na área da fazenda da multinacional Syngenta. A Justiça determinou que a NF apresente todas as suas armas num prazo de 24 horas a pedido do Cope. Segundo a Polícia Federal, a empresa tem 18 armas registradas. “É necessário termos as armas para que sejam periciadas”, disse o delegado.
A polícia encontrou provas que não houve segurança refém e conseguiu fortes indícios que a sem-terra Izabel Nascimento de Souza, ferida gravemente com um tiro no olho, teria sido vítima de tentativa de execução. Além disso, o mesmo segurança acusado de atirar em Isabel teria várias passagens pela polícia, entre elas a de formação de quadrilha e roubo. Os policiais, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão no fim de semana, encontraram maconha na casa de um dos seguranças envolvidos.
Segundo Figueiroa, Izabel teria sido obrigada a se ajoelhar antes de ser baleada. Ela teria sido confundida pelo segurança, com Célia Aparecida Lourenço, uma das líderes da Via Campesina, jurada de morte desde março deste ano. “Antes de atirar, o segurança teria ainda perguntado se ela era a Célia”, disse Figueiroa. Izabel já reconheceu, através de diversas fotografias levadas pelos policiais ao hospital onde está internada, o segurança Alexandre de Jesus como o autor do disparo. De acordo com Figueiroa, além de calúnia e difamação e porte ilegal de armas, Alexandre de Jesus também tem passagens por formação de quadrilha e roubo.
Sobre o caso de Izabel, o delegado aguarda agora o parecer de um médico legista para apontar a trajetória da bala no corpo da sem-terra. “Se o laudo do legista mostrar que o tiro foi dados de cima para baixo ficará comprovado que houve intenção de executar a Izabel”, explicou o delegado. Segundo o delegado, outra testemunha reconheceu o segurança Rodrigo de Oliveira Ambrósio como a pessoa que matou o agricultor Valmir Mota de Oliveira.
FARSA – Também neste fim de semana, o delegado descobriu que é falsa a acusação que os sem-terra tivessem mantido o segurança Fábio Ferreira refém. Segundo o delegado, a própria esposa de Ferreira afirmou, em depoimento, que ele já estava em casa por volta das 9h daquela manhã, momento que teria sido feito refém. “Os seguranças falaram que retornaram para área por volta das 13h30, para buscar o Fábio, mas na verdade o Fábio estava junto com eles e não era mantido refém”, disse.
Outra testemunha diretamente ligada aos seguranças confirmou para a polícia que viu os seguranças armados num barracão abandonado, nas proximidades da fazenda da multinacional Syngenta. Além dela, outra testemunha foi ouvida, sábado (27), e confirmou que os seguranças estavam armados. Ele afirmou que viu também uma van branca saindo do local. “Provavelmente as armas foram retiradas por este veículo. Quando os seguranças foram presos, a polícia não encontrou armas”, informou Figueiroa. Segundo o delegado, o vídeo entregue pelos sem-terra mostra claramente um dos seguranças empunhando uma pistola.
A acusação de que os policiais do Cope estariam coagindo os seguranças presos para adquirir informações sobre o caso é falsa e caluniosa. Segundo o delegado chefe do Cope, Miguel Stadler, os advogados da defesa estão tentando desviar o foco das atenções depois que os policiais descobriram os indícios de execução no caso.
Durante o reconhecimento, um dos seguranças apontou o sem-terra Celso Ribeiro Barbosa como o autor da morte do segurança Fábio Ferreira. Segundo o delegado Renato, esse reconhecimento foi suspeito já que os seguranças chegaram conversando sobre Celso.

outubro 26, 2007

Ruralistas ignoram Estado Democrático de Direito

Mateus Alves
Correio da Cidadania
25-Out-2007

O conflito em Santa Tereza do Oeste, no estado do Paraná, entre a milícia da empresa NF Segurança e militantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e da Via Campesina, é a mais recente demonstração da total ignorância da existência de um Estado Democrático de Direito no Brasil por ruralistas, que continuam utilizando a violência rotineiramente.
O assassinato do sem terra Valmir Mota de Oliveira, também conhecido como Keno, ocorreu após a reocupação das terras utilizadas pela transnacional Syngenta Seeds para o plantio de sementes transgênicas experimentais. Na manhã do dia 21 de outubro, cerca de 150 agricultores tomaram a área – cujas funções têm sua legalidade contestada devido à proximidade ao Parque Nacional do Iguaçú – e renderam os seguranças da NF, cujas armas foram retiradas.
A reação da milícia da NF ocorreu às 13h30 do mesmo dia, quando um ônibus estacionou em frente à ocupação e cerca de 40 pessoas armadas desceram do veículo atirando contra os ocupantes. Keno, de 42 anos, foi atingido no peito por dois tiros; outros seis sem terra foram gravemente feridos.
De acordo com as testemunhas, a milícia tinha a intenção de assassinar os líderes dos movimentos sociais presentes no local. Uma denúncia anônima, feita dias antes, avisava de “uma armadilha que estava sendo preparada pela UDR (União Democrática Ruralista)”.
Conseguiram escapar com vida da ação paramilitar Celso Ribeiro Barbosa e Célia Lourenço, que, juntamente com Keno, eram os líderes sem-terra almejados pela milícia.

Paramilitares ilegais
Contratada pela Syngenta Seeds para proteger os campos experimentais, a NF Segurança atuava de forma ilegal na região, sendo inclusive alvo de uma ação da Polícia Federal ocorrida em outubro, quando foram apreendidas armas e munições ilegais na sede da empresa.
Embora a transnacional negue ter dado qualquer ordem para a retomada da área ocupada, a prática de violência por milícias ligadas à empresa de segurança contratada pela Syngenta já havia sido denunciada pelos trabalhadores rurais (
clique aqui para ver o documento com as diversas denúncias) em audiência pública com membros da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal na capital Curitiba, realizada poucos dias antes da tragédia em Santa Tereza.
A Sociedade Rural do Oeste (SRO) e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR), associações ruralistas lideradas pelo fazendeiro Alessandro Meneghel, são citadas como fomentadores de milícias armadas na região oeste do Paraná, um dos principais focos de conflito agrário no país.
“Os ruralistas cometeram diversas agressões contra agricultores na região, como o fechamento de estradas no ano passado, ameaças por telefone e a invasão do assentamento vizinho às áreas da Syngenta”, diz a advogada da ONG Terra de Direitos, Gisele Cassano.
De acordo com a advogada, a criação do MPR teve como principal intuito a arrecadação de fundos para a contratação de seguranças para garantir a reintegração de posse em terras ocupadas na região.
A utilização de milícias em ações contra a população constitui grave afronta à Constituição Federal, que, por meio de seu artigo 5º, inciso XVII, proíbe a formação de grupos paramilitares. No entanto, durante a audiência com a CDH da Câmara, os ruralistas já afirmavam que iriam contratar empresas de segurança para remover ocupações em áreas improdutivas no Paraná.
Ataque a princípios democráticos
A formação de milícias não tem sido o único instrumento antidemocrático utilizado por ruralistas no embate que travam contra instituições e organizações progressistas no Brasil.
No mês de agosto, ativistas do Greenpeace, da OPAN (Operação Amazônia Nativa) e dois jornalistas franceses foram impedidos de chegar às áreas indígenas em Juína, no Mato Grosso, pelo prefeito da cidade, Hilton Campos (PP), levado ao cargo devido ao apoio que possui entre os fazendeiros da região.
Assim como no Paraná, a expansão do agronegócio sobre terras ilegais ocorre freqüentemente em Juína. Os alvos dos fazendeiros, no entanto, são os indígenas Enawenê-Nawê, que reivindicam seus direitos sobre terras ainda não demarcadas.
A truculência dos fazendeiros com os ativistas e jornalistas, cercados no hotel onde estavam e levados a uma audiência na Câmara Municipal da cidade, está registrada em um documentário intitulado “Amazônia, uma região de poucos” (
clique aqui para assistir).
Nos depoimentos dos fazendeiros e políticos de Juiná, são amplas as provas de que a democracia ainda dista de certas regiões do país, onde se minam, facilmente, o direito de ir e vir e o direito à liberdade de imprensa, garantidos na Carta de 1988. Algo ainda mais estarrecedor – e inconcebível em qualquer democracia – se dá em certo momento durante a audiência com o prefeito da cidade mato-grossense, quando um discursante declara que “os índios são nossos”.
Reações

As reações da sociedade frente à escalada da violência e da destruição dos princípios democráticos nas regiões de conflito agrário parecem ter, hoje, uma celeridade maior do que em anos anteriores e lideranças proeminentes no campo político não tardaram a demonstrar preocupações com os ocorridos.
Logo após os acontecimentos no Paraná, uma frente parlamentar – composta principalmente por políticos pró-reforma agrária – se reuniu com Tarso Genro, ministro da Justiça, para pedir providências em relação aos crimes cometidos pelas milícias ruralistas.
De acordo com o deputado federal Adão Pretto (PT/RS), um dos participantes do encontro com o ministro, o resultado da reunião foi positivo e um relatório das ações paramilitares no oeste do Paraná deverá ser preparado em breve, assim como uma denúncia oficial para que o ministério tome as providências cabíveis.
“Genro ainda prometeu disponibilizar a Polícia Federal para o caso”, relatou Pretto. No Paraná, também já se iniciam as investigações, cujas conclusões deverão apontar os reais motivos e os devidos culpados por tamanhas agressões às instituições democráticas do Brasil.
( Nota do Blog: Parecem as AUC misturadas à Blackwater )

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