Jasson de Oliveira Andrade
O governo de Alckmin é bem avaliado. Na página econômica de um jornal de Mogi Guaçu, os empresários (as) entrevistados (as) normalmente dăo notas ótimas ao governo do Estado, até pouco tempo administrado por Geraldo. A média dessas notas é OITO. Paradoxalmente os tucanos năo pensam da mesma maneira. Criticam o governo dele, apesar de só agora após as eleiçơes presidenciais. Já abordei o desmonte que o governador tucano José Serra está fazendo na administraçăo alckmista.
Na Segurança, a mudança introduzida agora é para melhor. Com a troca dos homens do setor, em Mogi Guaçu podemos sentir o resultado. Antes, com Alckmin, dirigida pelo homem de sua irrestrita confiança, Saulo, a nossa cadeia tinha superlotaçăo, atingindo, em certo período, mais de 200 presos, com sérios riscos de rebeliăo, colocando em perigo quatro escolas. Hoje a cadeia foi desativada. Comentei ainda a tragédia do Metrô, que ficou conhecida como o “buraco do Serra”, quando o certo deveria ser “buraco do Alckmin”. Neste artigo vamos analisar mais dois setores: Educaçăo e Economia.
A Folha publicou entrevista de três educadores tucanos: Paulo Renato de Souza, ex-ministro da Educaçăo na gestăo de Fernando Henrique (1995 a 2002), Rose Neubauer, ex-secretária do governo Mário Covas e Chalita, ex-secretário de Alckmin. A manchete da Folha explica o que acontece: “PSDB culpa PSDB por crise na educaçăo”. E o subtítulo da reportagem é também explicativo: “Queda no desempenho das escolas de Săo Paulo nos exames gerou mal-estar no partido que comanda o Estado desde 95”.
Os títulos das entrevistas mostram como foram as críticas: “Paulo Renato ataca descontinuidade das gestões”. Estranho porque as gestões eram tucanas.
Ao responder a uma pergunta da Folha (Como o sr. avalia a situaçăo educacional de Săo Paulo?), o ex-ministro de FHC criticou: “Deveria estar melhor, é o Estado mais rico”.
Já a ex-secretária da Educaçăo no governo Mário Covas, atacou o seu sucessor, Gabriel Chalita (gestăo Alckmin).
Entrevistado pela Folha, o ex-secretário de Alckmin respondeu, conforme manchete do jornal: “Chalita reage a criticas e ataca gestăo Serra”. A Folha perguntou-lhe: Como o sr. avalia o corte no Escola da Família? Chalita respondeu: “A gente tinha um problema de pichaçăo, de violência, que era imenso. E caiu muito após o projeto. Como educador, e năo em nome do Geraldo [Alckmin], a reduçăo é um equívoco. COMEÇA MUITO MAL O GOVERNO SERRA (destaque meu)”.
Um tucano acusa outro tucano. Quem tem razăo? Ao que tudo indica, todos! O curioso é que “PSDB culpa PSDB” na Educaçăo.
No entanto, surpreendentemente, elogiam atitudes e o ministro de Lula. Paulo Renato, à respeito do PAC da Educaçăo do governo federal, afirmou: “Ainda năo o conheço, mas pelo que li nos jornais, eu gostei. Vincular repasse de recursos ao desempenho das escolas é o caminho certo”. Chalita reconheceu: “Eu, como educador, elogio. Espero, por exemplo, que o Fernando Haddad continue como ministro [da Educaçăo], porque eu sinto ali um técnico no ministério. Você precisa olhar com humildade para pessoas de outros partidos e elogiar”.
Clóvis Rossi, em artigo na Folha, Os inocentes, diz: “A educaçăo no Brasil é o desastre conhecido por todos e retratado escandalosamente em cada pesquisa, prova, avaliaçăo, qualquer coisa que sirva como mediçăo. A educaçăo em Săo Paulo, há 12 anos, dois meses e 13 dias [ o artigo é de 14/3] comandado pelo tucanato, que se considera o máximo em matéria de gestăo, é um desastre talvez maior ainda pela riqueza do Estado”. Sobre as acusações de tucanos contra tucanos, ele comenta: “O que ficou do tal “choque de gestăo”, o bordăo preferido de Geraldo Alckmin na campanha pela Presidência? Bom, se năo houve boa gestăo, o tucanato pelo menos oferece choque. Choque de dedos apontados uns para os outros”. Merece destaque especial o Editorial da Folha, sob o título: “O PSDB e a educaçăo”. Nele o jornal faz críticas à qualidade do ensino na rede estadual, desde 1995 sob a responsabilidade do PSDB, e que, segundo a Folha, piorou de modo acentuado.
Serra afirmou que recebeu o Estado em situaçăo financeira confortável. No Estadăo de 21/2/2007, podemos ler: “A situaçăo confortável, segundo o secretário da Fazenda Mauro Ricardo Costa, É RELATIVA (destaque meu), já que existem outros passivos financeiros năo considerados no indicador de superávit. Săo obrigaçơes financeiras que precisam ser honradas e que devem fazer com que o Estado feche o balanço financeiro com um déficit de R$ 1,4 bilhăo”. Se eu năo entendi mal, Serra recebeu o Estado com déficit e năo, como propalou Alckmin, com superávit. Já se imaginou se o PSDB tivesse recebido esta situaçăo de um governo petista? O que os tucanos năo iriam dizer? Mas o número revelado năo mente: Alckmin deixou dívidas, diferentemente do que ele dizia na campanha eleitoral !
Procuramos levar ao conhecimento dos leitores a verdade sobre o governo Alckmin. E revelada năo pelo PT ou por outro partido oposicionista, mas pelos próprios tucanos!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Postado por Redação Portal Mogi