Acabo de escutar- a contragosto, pois não sou surdo – uma parte de uns 20 minutos do programa do Datena.
Como convidado do programa, o prefeito formal de São Paulo, Gilberto Kassab. O zunzunzun vem da sala e não consigo prestar atenção nem ao que estou fazendo, nem à televisão.
O Datena fazia perguntas e também permitia que o telespectador que telefonasse fosse atendido no ar.
A carta altura falou-se da Nestlé. Depois, dos ônibus.
Para quem não sabe, ontem uma pessoa morreu por ter sido atingida por uma roda que se despreendeu de um ônibus, enquanto aguardava no ponto. Mais algumas pessoas foram feridas.
Se considerar apenas esta morte, só faltam 199 para que o imprensalão tenha uma desculpa para tentar derrubar Kassab. Poderia até ser extensivo a Serra, já que ele iniciou o desmonte do transporte público da Capital e, depois, se desligou da prefeitura para concorrer ao governo estadual, mesmo dizendo que não o faria. A cidade, então, ficou entregue a Andrea Matarazzo e também a Kassab.
( Falando em Serra, nesses dias de julgamento de Renan Calheiros, o governador nem apareceu no noticiário. Houve alguma privatização ontem que eu não fiquei sabendo?)
Pois bem: confrontado com o fato das serventes das escolas municipais ficarem regulando o rancho da molecada, o prefeito disse que já havia sido chantageado com a falta de leite em pó se não fosse pago um valor maior que o acordado.
Aí, começaram as reclamações sobre os ônibus de São Paulo. E o Terminal Capelinha vinha lotado e chovendo dentro. E as pessoas são transportadas como baratas. Falta de respeito, nhac, nhac.
Sabe qual foi a resposta?
Kassab respondeu falando sobre a votação de ontem no Senado!!!
Mas nem o Dr. Paulo conseguiria mudar de assunto de modo tão liso, tão peroba…
Porém, o assunto continuou, com o telefonema de um funcionário de uma garagem, denunciando que – além de tudo não podia se identificar pois seria morto, coisa de sindicato – a empresa em que trabalha só paga 8 horas de 14 ( prestem atenção: catorze!!! ) horas trabalhadas/ dia. Dois escândalos!!! Como já se falou discretamente antes, existem motoristas que fazem dois turnos. Trabalho não mata, contanto que você não embarque num ônibus desses, já que o piloto tá trabalhando demais.
Outro espectador ligou e também se identificou como funcionário de ( outra ) garagem e reforçou o que o primeiro disse, completando que isso ocorre em várias outras viações. Falou das horas trabalhadas e não pagas, dando a isso o nome de “Caixa 2″.
O prefeito, no ar, não teve como fugir e o Datena até que pressionou, dizendo que se isso estava acontecendo, é porque tem fiscal recebendo “bola”. Biduzão. É que o imprensalão não está muito interessado. Houve a história ( sumida ) do Mensalinho da Bresser. Se quisermos, podemos também nos perguntar se as construções e as grandes obras do mercado imobiliário ( que estão em um celebrado período de “pujança”) estão sendo realmente feitas dentro da lei municipal de ocupação de solo, essas coisas. Difícil não lembrar do Bahamas. Mas não se deve perder da memória que, até mesmo se você quiser construir um puxadinho ou um muro em seu imóvel, isso tem que ter licença, Habite-se, isso aí, que fica a cargo das Subprefeituras.
Ou, se você for atento, verá que apesar de não ser permitido na lei que regula a atividade, várias bancas de jornais da Capital foram instalando, sorrateiramente, as famosas geladeiras com bebidas e freezers de sorvetes. A fiscalização, sempre a cargo das Subprefeituras. Prestem atenção quando passarem em alguns locais, tipo na Vila Mariana. A menos que a lei tenha mudado. Pra não falar nas festas de bairros promovidas com ajuda de recursos provenientes de bingos.
Eis que o prefeito pede para quem tiver denúncias que comunique à prefeitura – ou até mesmo à produção do Datena – que o poder público dará a resposta adequada. Não quero lembrar que estou falando, desde 2005, que o transporte público ( ônibus ) estava pior do que na administração anterior, encerrada em 2004. No final das contas, depois de vários episódios em que percebi que o 156 estava indo na mesma direção, e as reclamações – quando conseguíssemos fazê-las – não surtiam efeito, desisti de “monitorar” o serviço, em nome de meus nervos, já que quem realmente se ferra não parecia muito incomodado. Tiraram a Marta levando em conta as manchetes do Jornal da Tarde e do Estadão e não conseguiram perceber, nem sentindo na carne, que as coisas estavam desgringolando. Precisavam daqueles jornais para que dissessem-lhes o que fazer, só que o civismo daquelas publicações se encerrou, no âmbito municipal, quando convenceram a população de que a ex-prefeita deixou um rombo nas contas da Prefeitura de São Paulo. Rombo aquele, solucionado com uma incrível e jamais-vista-novamente rapidez pelo então prefeito José Serra.
*Um conto famoso
**De “Magic Bus”, música do The Who

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