ENCALHE

junho 3, 2009

Levy buscará sócios para retomar circulação da Gazeta Mercantil. E irá à Justiça contra Tanure

Levy buscará sócios para retormar Gazeta Mercantil
Em entrevista ao M&M Online, o empresário disse ainda que vai processar Tanure e suas companhias
MEIO & MENSAGEM
02/06/2009
O empresário Luiz Fernando Levy, que recebeu de volta o título da Gazeta Mercantil nesta segunda-feira, 1º, deu entrevista exclusiva ao M&M Online nesta terça-feira, 2, em que detalha comunicado divulgado na própria segunda-feira. Ele disse que vai retormar o jornal. “Estou tomando todas as providências para que entre 30 e 60 dias a Gazeta esteja funcionando”, afirmou. A nova Gazeta seria feita em parceria com novos sócios e a função de Levy se limitaria à participação no conselho editorial do jornal. “Não quero voltar às atividades operacionais”, afirmou.
Segundo Levy, a nova empresa não terá relação nenhuma com a Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), do empresário Nelson Tanure, que rompeu contrato de licenciamento de 60 anos. “Quero distância desses caras. A decisão do rompimento foi tomada unilateralmente, foi agressiva. Inclusive, vou processar o Tanure e suas empresas por perdas e danos.” De acordo com o empresário, o novo jornal até poderá contar com funcionários que trabalharam para a CBM, mas será uma nova empresa. “Já foi determinado que a sucessão é integral, o passivo da Gazeta é todo dele (de Tanure). Ele já está pagando por isso e vai continuar pagando.”
Abaixo, leia a íntegra do comunicado divulgado por Levy:
“A Gazeta Mercantil S/A e a Gazeta Participações S/A, proprietárias da marca Gazeta Mercantil dada em usufruto e licenciada à CBM, lamentam o brusco encerramento das negociações entabuladas com esta, as quais objetivavam a continuidade da publicação do Jornal Gazeta Mercantil, sem a interrupção decidida unilateralmente pela usufrutuária e licenciada.
Entretanto, queremos esclarecer que a mencionada interrupção é momentânea e, no menor tempo possível, a Gazeta Mercantil voltará a circular com os padrões de credibilidade, que constituíram seu paradigma de excelência, até o alijamento de Luiz Fernando Ferreira Levy da direção editorial, em virtude do qual este ficou impedido de exercer as funções e encargos de ‘guardião da marca’, que os contratos com a CBM lhe atribuem.
Esses fatos, contudo, serão discutidos em foro próprio e não se constituem na razão deste comunicado, cuja finalidade é tranqüilizar anunciantes, assinantes, leitores e o público em geral, dando-lhes a certeza de que logo o Jornal voltará a circular com a qualidade que sempre o pautou, quando de nossa gestão, durante quase 90 anos. Assim, sentimo-nos obrigados a informar que a CBM, ao tomar a drástica decisão de denunciar de modo unilateral o contrato, arcará com todos os encargos decorrentes deste ato, que nós repudiamos e enfrentaremos com decisão.
Gazeta Mercantil S/A Gazeta Mercantil Participações S/A”

"O Triste Fim da Gazeta Mercantil", por Jasson de Oliveira Andrade

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O Triste Fim da Gazeta Mercantil
Jasson de Oliveira Andrade
 Antes de entrar no assunto deste artigo, recordo o meu início político na década de 50. No livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, à página 15, relembro: “Meu pai, como acontecia com a maior parte dos fazendeiros sanjoanenses, era político e da UDN (União Democrática Nacional). Meninote, ajudava na campanha eleitoral desse partido. Ficava até tarde da noite na casa de meu tio-avô, Luiz Banho de Andrade, dobrando cédulas (como era a eleição daquela época) com o nome de candidatos udenistas, principalmente de Herbert Levy, político que recebia boa votação em São João da Boa Vista”. Foi assim que tomei conhecimento desse político. Depois houve rompimento com os udenistas, o que causou a perseguição depois do Golpe de 64, com a prisão de muita gente naquela cidade, incluindo o autor deste texto. Mas essa é outra história que pode ser lida no referido livro. Por que cito essa passagem política? É que o então deputado Herbert Levy foi o fundador da Gazeta Mercantil, em 1920, que teve uma enorme influência junto aos empresários. Agora, em 2009, melancolicamente, o jornal chegou a seu fim. É essa situação que veremos a seguir.
O jornalista Thales Guaracy, que trabalhou na Gazeta Mercantil, iniciando lá em 1986, escreveu um artigo, sob o título “O fim de um jornal melhor que os seus donos”, no qual, como diz Luiz Antonio Magalhães, faz “um interessante balanço sobre a Gazeta Mercantil”. É desse balanço que vamos transcrever trechos para conhecimento de nossos possíveis leitores.
Relata Thales Guaracy: “A imprensa anda de luto pela Gazeta Mercantil, o jornal que vem estertorando nas mãos da CBM, Companhia Brasileira de Multimídia, de Nelson Tanure. Seu fim não se dá pela crise da imprensa, que vai abalando grandes jornais do mundo, a começar pelo New York Times, nos Estados Unidos, com a prevalência crescente da internet sobre a mídia impressa. É apenas um caso de má administração e incompreensão da natureza de um negócio”. Adiante o jornalista revela o verdadeiro motivo do fim da Gazeta Mercantil, jornal econômico que tinha tudo para dar certo: “Parecia um negócio inexpugnável, e teria sido, não fossem os seus proprietários: a família Levy, cujo patrono, o deputado federal Herbert Levy, deixara a administração do jornal ao filho Luiz Fernando para cuidar de suas atividades políticas. A gestão fez da Gazeta Mercantil o único órgão de imprensa em que trabalhei a atrasar salário. Porto seguro para a publicidade de bancos e outras empresas que tinham no jornal um veículo perfeito, o mal uso dos recursos fazia com que volta e meia a empresa entrasse em dificuldades. (…) Por sorte, naquela época, havia um grupo de empresários que, nos momentos difíceis, socorriam o jornal. Sabiam que ele era melhor que os seus donos. (…) Assim, o jornal prosseguiu não por causa de seus criadores, mas apesar deles: pertencia não a uma família, mas à sociedade. Sempre foi muito respeitado graças ao espírito de corpo dos jornalistas que nele trabalhavam, enquanto seus proprietários eram tratados com reserva. (…) A empresa mergulhou em dívidas e mesmo os seus mais antigos defensores desistiram de salvá-la. Acossado pelos credores, Levy entregou o título a Nelson Tanure, empresário do ramo de transportes, que resolveu investir em comunicação e cobriu-lhe dívidas”. Em vista às dívidas, Tanure resolveu devolver a Gazeta Mercantil a Luiz Fernando Levy, que não a quer de volta. O jornalista diz então: “A Gazeta virará agora uma embrulhada jurídica para que se saiba quem pagará as contas, se Levy ou se Tanure – um tipo de disputa à qual ambos, por sinal, estão habituados”.
Lamentável essa situação: é o triste fim da Gazeta Mercantil, da família Levy. Apesar da divergência que tivemos no passado com o então deputado federal Herbert Levy, não desejava a extinção do jornal, principalmente pelos jornalistas e funcionários. Foi, como disse Thales Guaracy, o fim de um jornal melhor que os seus donos!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
 Junho de 2009

 

LEITURA COMPLMENTAR:
 CBM desiste e Gazeta Mercantil deixa de circular
Jornal teve circulação interrompida; profissionais entraram em férias e podem ser realocados em outras empresas da CBM
MEIO & MENSAGEM
01/06/2009
Como os acontecimentos da semana passada já indicavam, o jornal Gazeta Mercantil deixou de circular a partir desta segunda-feira, 1º de junho. Além da edição impressa, a versão online do informativo de economia também está fora do ar. No lugar do antigo site, aparece apenas um comunicado da Companhia Brasileira de Mídia (CBM), afirmando que a empresa não é mais responsável pela representação das marcas Gazeta Mercantil e InvestNews. A confirmação veio depois de uma semana angustiante. Na quinta-feira, 28, o CEO da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), Eduardo Jácome, informou à equipe de funcionários do jornal que a Gazeta Mercantil – às vésperas de completar 90 anos e outrora o mais importante periódico econômico do Brasil – deixaria de ser publicada pelo grupo na sexta-feira, 29, e voltaria a ser de responsabilidade de Luiz Fernando Levy, seu antigo dono. Os funcionários entrariam em férias remuneradas de 30 dias. Depois desse prazo, eles devem retornar à empresa para que seja definida a realocação em outros projetos da CBM. Quem não for remanejado terá mais 30 dias de aviso prévio. As operações online com o nome da Gazeta e da Investnews também foram suspensas, mas a CBM manteve quatro pessoas para prestar o que definiu como um serviço paralelo na área. O que vai acontecer com a marca Gazeta ainda é uma incógnita. De acordo com informações extraoficiais, Levy teria pedido a Nelson Tanure, o proprietário da CBM, 90 dias para tomar uma decisão, mas a proposta foi negada. Durante as reuniões na sede do jornal, em São Paulo, chegou a ser aventada a hipótese de os próprios funcionários passarem a deter o direito de uso da marca; porém, a ideia também não seguiu adiante. Caso Levy não reative o periódico ou entre em acordo com Tanure, nem os funcionários levantem essa bandeira, há ainda a possibilidade de que a marca vá a leilão – o que já aconteceu no passado, em outros grupos de mídia, com seus títulos, como a revista Manchete, da Bloch.
Os últimos capítulos da história da Gazeta sob o comando da CBM começaram a ser escritos na segunda, 25, quando Tanure informou em um primeiro comunicado que estava devolvendo o título a Levy e, assim, rompendo o contrato de licenciamento de 60 anos para o uso da marca. O principal motivo seria o custo com o passivo da Gazeta. Inicialmente, pensou-se que o problema era basicamente as ações trabalhistas. Mas, segundo fontes ouvidas por Meio & Mensagem, na reunião Jácome citou também a cobrança de R$ 32 milhões em impostos relativos ao período anterior ao contrato com a empresa de Tanure. Conforme matéria da própria Gazeta, desde 2003 os recursos adiantados pela CBM para o jornal chegam perto de R$ 100 milhões.
Sem ilusão
Apesar de Tanure ter afirmado que estava disposto a contribuir com Levy para que o jornal não fosse descontinuado, o primeiro contato deste último com os funcionários não foi nada animador. “Não se iludam, acabou”, afirmou ao telefone aberto no viva-voz para que todos pudessem ouvir, ainda na segunda, 25. No dia seguinte, porém, Levy mostrou-se mais contido ao enviar um comunicado interno à equipe.Lançada em 1920, a Gazeta Mercantil foi por décadas a principal referência do jornalismo econômico do País. A sua circulação paga chegou a ser superior a 120 mil exemplares, e a equipe de jornalistas recebia alguns dos melhores salários do mercado. A qualidade de apuração, a profundidade na abordagem dos temas e os desenhos em bico-de-pena tornaram-se algumas das marcas do jornal. Na virada para os anos 2000, a má gestão da empresa começou a emperrar, e os salários, a atrasar. Também entrou em cena um concorrente na área em que até então a Gazeta reinava absoluta: o Valor Econômico. Em 2001, a crise tornou-se aguda com a greve dos funcionários do jornal, que exigiam o pagamento dos salários. Dois anos depois, em dezembro de 2003, Tanure fechou o acordo de licenciamento com Levy. O rompimento do contrato ocorre logo após a alta temporada de publicação de balanços financeiros, uma das principais fontes de receita da Gazeta e segmento em que o jornal é vice-líder de mercado (o Valor lidera o ranking). Mas o pagamento das agências à Gazeta já eram todos feitos em juízo para garantir o cumprimento de dívidas. A Justiça também penhorou ações da Intelig, controlada por Tanure, para garantir o pagamento de dívidas trabalhistas da Gazeta.
O empresário está em negociações para vender a operadora à TIM. Procurados pelo M&M, a diretoria da CBM e Levy não se pronunciaram. A Gazeta deixou de ser filiada ao Instituto Verificador de Circulação em setembro. Na ocasião, a sua circulação média por semana era de 70 mil exemplares.

maio 26, 2009

A salvação da Gazeta Mercantil. Infalível!

A Gazeta Mercantil vai mal das pernas: o tal do Tanure não quer mais o “elefante branco” [ para maiores detalhes, leia: "O melancólico fim de um jornal", no ENTRELINHAS ].
Eu aqui em meu canto, humildemente, acho que possuo a fórmula ideal para, pelo menos, fazer entrar um troco no caixa do jornal. Um BOM troco, diga-se.
Todos já estão sabendo que o governo Serra, além de fechar com a Abril para a distribuição de assinaturas da “Nova Escola” aos professores, também irá distribuir jornais e revistas nas escolas. Vejam ( refrescando a sua memória ):
Secretaria de SP distribuirá jornais nas escolas
Data: 17/05/2009
FOLHA DE S. PAULO – SP
Editoria: COTIDIANO
Educação [ sic ]A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo fechou acordo para distribuir exemplares dos jornais Folha de S.Paulo e “O Estado de S. Paulo” a todas as 5.449 escolas da rede.
Também serão fornecidas edições das revistas “Época”, “Veja” e “IstoÉ”.
As publicações ficarão em salas de leitura das escolas, que contam também com livros, vídeos, DVDs e CDs.
Os exemplares começam a ser distribuídos amanhã. O acordo foi feito por meio da Fundação para o Desenvolvimento da Educação ( órgão responsável por viabilizar a execução dos projetos definidos pela pasta ).
[ Encalhe, 19.05.09: JOSÉ SERRA JORNALEIRO: GOVERNO DISTRIBUIRÁ JORNAIS E REVISTAS DO PIG NAS ESCOLAS, SEM RESISTÊNCIAS! QUANDO ESSA TORTURA IRÁ ACABAR? ]
Pois bem, aí está: basta o Serra incluir na “cesta-básica do PIG para as escolas” a gloriosa Gazeta Mercantil. Não poderá negar sob nenhum motivo, já que nós não conhecemos os critérios adotados pelo governo para selecionar quais as publicações fariam parte da “cesta”. A Carta Capital, p.ex., ficou de fora. O Valor Economico e o Diário de São Paulo também. Será que não daria para acrescentar a GM e, assim, salvar centenas de empregos?

junho 12, 2008

"Delinqüentes da Imprensa" não conseguem direito de resposta sobre editorial do Jornal do Brasil, publicado ainda em 2001!!

Começando pelo passado:
Editorial Jornal do Brasil, publicado a 23/10/2001
Comunique-se
Delinqüentes da Imprensa
O bando de jornalistas dedicados à produção de “reportagens investigativas”, pressurosamente publicadas por órgãos de imprensa dispostos a surfar nas ondas do denuncismo, assemelha-se a uma matilha de pitbulls. Seus integrantes freqüentemente se lançam com fúria irracional contra inocentes. Basta sentir o cheiro do dono, contudo, para que os espécimes da raça se comportem como os mais dóceis de seus primos muito distantes. Encolhem-se com a delicadeza do cocker spaniel. Quando muito, latem sem sobressaltar ninguém, como um chihuahua.
Prenhes de valentia no momento de ataque a gente que desconhecem, esses talibãs especializados na confecção de notícias explosivas, ainda que escancaradamente falsas, exibem o recato de uma afegã quando lidam com assuntos que envolvem os próprios patrões. Examine-se, para ilustrar a tese, o comportamento dos “guerreiros da investigação” a serviço da revista Veja em relação a dois empresários. Um é Nelson Tanure, acionista da empresa que edita o Jornal do Brasil. Outro é Roberto Civita, presidente da Editora Abril e dono daquela publicação.
Na edição que está nas bancas, o semanário de Civita vale-se da papelada de um conhecido lobista e extorsionário de Brasília, Alexandre Paes dos Santos, para ministrar uma lamentável aula de imprensa marrom, subscrita irresponsavelmente pelo repórter Policarpo Júnior. A vítima é Nelson Tanure, aparentemente condenado à danação eterna por ter-se juntado ao esforço de recuperação financeira do Jornal do Brasil. Sob o título “O baú do lobista”, aparece não a foto de seu inspirador, Alexandre Paes dos Santos. Aparece a de Tanure, citado só duas páginas além, no último parágrafo do texto. Trata-se de uma inversão catalogada como delinqüência ética em qualquer bê-á-bá do jornalismo.
Não é só. A revista anexou à foto do empresário uma página contendo anotações manuscritas pelo extorsionário, vinculadas a Tanure. Homens de boa-fé ali encontram rabiscos que ali misturam trivialidades, todas ao alcance de uma conversa com amigos ou vizinhos do empresário – nome da secretária e número de filhos, por exemplo –, com ilações e insinuações delirantes. Sempre mais atilado que o restante do planeta, o repórter conseguiu enxergar, naquele baú de intrigas e malignidades, informações confiáveis.
Do alto desta dedução, o autor do texto ancorou-se no truque de insultar o empresário com “informações” colhidas na fonte suspeitíssima. Trata-se de um extorsionário, que ressalvara ao repórter jamais ter conversado com Tanure. Nada disso inibiu a ação do pitbull da imprensa. Veja, que se considera uma leitura indispensável, não tardará a descobrir os estragos, morais e econômicos, decorrentes do desprezo pela equanimidade, da discriminação ostensiva, do desrespeito por códigos éticos. Por enquanto, a revista da Editora Abril parece preocupada em preservar exclusivamente a maloca onde se aglomeram seus morubixabas.
Há poucos meses, o jornalista Mino Carta publicou um livro, O Castelo de Âmbar, em que relata, recorrendo a diferentes técnicas narrativas, sua longa e rica experiência. Há quem goste muito de Mino Carta, há quem dele não goste. Uns e outros jamais lhe negaram a condição de homem honrado e o talento profissional. Agudo observador de cabeças, almas e caracteres, a certa altura o jornalista insere na obra um capítulo de livro de memórias e, na terceira pessoa do singular, descreve momentos muito interessantes de seu convívio com Roberto Civita, então vice-presidente da Editora Abril. Mino era diretor de redação da revista Veja, que não publicou uma única palavra sobre O Castelo de Âmbar. Com a credibilidade que extorsionários não merecem, ele oferece informações que um bom repórter investigativo não deixaria passar ao largo. Os de Veja fingiram que não era com eles.
Mino conta que, em 1975, Roberto Civita promoveu manobras internas que resultaram na demissão do teatrólogo Plínio Marcos, titular de uma coluna de esportes na revista, e, depois, no afastamento do próprio diretor de redação, para que o governo militar do presidente Ernesto Geisel fosse mais generoso com a empresa. Civita tinha a promessa de ver a censura suspensa caso fizesse tais concessões. Sobretudo, ele e outros diretores sonhavam com a liberação pela Caixa Econômica Federal do empréstimo solicitado pela Abril, 50 milhões de dólares em valores da época, que daria consistência aos combalidos cofres da editora. Cabeças rolaram, a censura foi suspensa, o dinheiro saiu. E este é apenas um instante numa longa trajetória apimentada por lances indecorosos.
Trata-se de uma leitura pouco edificante, mas muito instrutiva. Como serão instrutivos os efeitos do combate impenitente que o Jornal do Brasil promete travar contra o império da arrogância leviana.
Agora, o presente:
STJ nega direito de resposta à Abril sobre editorial do Jornal do Brasil
Comunique-se, 11.06.08
A Editora Abril não terá direito de resposta por suposta ofensa em editorial do Jornal do Brasil de 23/10/2001, segundo decisão de terça-feira (10/06) do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Para a editora, o texto, intitulado
“Delinqüentes da Imprensa” – sobre reportagem de Veja com a prisão de um lobista com telefones de Nelson Tanure, proprietário do jornal – ofendeu honra da empresa e funcionários com informações inverídicas.
Na decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, um editorial não é matéria jornalística. O editorial cita o livro “O Castelo de Âmbar”, de Mino Carta, que relata experiências do jornalista quando trabalhava na Abril. Os fatos comentados foram considerados públicos e não originalmente divulgados pelo jornal, o que fez com que o direito de resposta fosse negado.
A ministra Maria Thereza de Assis Moura manteve a decisão do TJ, argumentando que a controvérsia requere exame de prova, o que não compete ao STJ.


fevereiro 10, 2008

Podem se matar…: Veja vence batalha de R$ 1 milhão contra Nelson Tanure

Cenas privadas
Veja se livra de pagar R$ 1 milhão a Tanure
por Lilian Matsuura
O empresário Nelson Tanure perdeu uma batalha contra a revista Veja. A 15ª Vara Cível de São Paulo não aceitou o seu pedido de indenização de R$ 1 milhão por danos morais por uma reportagem publicada em 2001. Tanure é dono do Jornal do Brasil, da Gazeta Mercantil e de diversos meios de comunicação.
A revista publicou trechos de conversas telefônicas, gravadas sem autorização judicial, em que o empresário demonstra que teve participação ativa em estratégias de atuação de um grupo canadense contra o Banco Opportunity, à época, controlado por Daniel Dantas. “Dos diálogos saltam estratégias secretas e ataques pesados, que permaneceriam para sempre camuflados pelos discursos oficiais, obviamente mais polidos, articulados”, diz a reportagem, que também publicou conversas do assessor de Tanure, Paulo Marinho.
“Não se vislumbra na reportagem questionada o alegado ‘cunho detrativo’ ou mesmo o ‘tom acusador’, mas tão-somente o ‘animus narrandi’, que não gera a pretendida satisfação civil”, decidiu a juíza Daise Fajardo Nogueira Jacot.
De acordo com a reportagem, Tanure estava se dedicando “de corpo e alma” a uma negociação para o grupo canadense de telecomunicações TIW, sócio da Telemig Celular e a Tele Norte Celular. Se bem-sucedido, ele levaria US$ 40 milhões, segundo a apuração da revista.
O papel do empresário, conta a Veja, era tentar contornar o problema causado pela sociedade feita com o Opportunity, que não lhe dava o direito nem de nomear um contínuo. Foi aí que começou uma disputa entre os sócios pelo controle das empresas.
Para os advogados de Nelson Tanure, “cenas privadas foram criminosamente transformadas em espetáculo público”. Eles sustentaram, ainda, que a conversa transcrita foi publicada de forma truncada e de forma “ostensivamente” ilícita pela falta de autorização judicial para isso. “Os redatores deram tom acusador, com ênfase a legendas incriminatórias”, observaram os advogados.
A revista Veja, representada pelos advogados Alexandre Fidalgo e Paula Menezes, do escritório Lourival J. Santos Advogados, afirmaram que esta ação é uma forma de intimidar a imprensa, que “exerce o direito-dever de publicar notícias de interesse público”.
A defesa sustentou, ainda, que Tanure e seu sócio, autores da ação, exercem atividades em grandes jornais do país, no entanto, “agem em interesse próprio, obstaculizando a difusão de informações”. Segundo os advogados, a notícia publicada pela Veja é revestida de interesse público, pois trata de dois grupos econômicos que disputam o Sistema Nacional de Telecomunicações.
Argumentaram, também, que os dois sempre aparecem em “conturbadas negociações”. Por fim, dizem que a revista não fez juízo de valor sobre o conteúdo das conversas. Apenas as reproduziu pela relevância. “Os fatos publicados estão ligados a um jogo de interesse que envolve milhões de dólares”, alegaram.
A juíza concordou com os argumentos apresentados pela defesa. Segundo ela, a transcrição de toda a conversa gravada não desmente a matéria publicada. Para ela, “a condenação da ‘Revista Veja’ pela matéria publicada, na forma pleiteada pelos autores, implicaria em indisfarçável censura, instituto banido pelo regime constitucional vigente”.
Leia a decisão.
Revista
Consultor Jurídico
7 de fevereiro de 2008

março 6, 2007

Meu ( s ) erro ( s )

Outro dia, num post sobre Paulo Nogueira Batista Jr, eu citei uma série de cidadãos de bem, sempre muito bem acompanhados e sempre muito bem envolvidos em negócios rentáveis, seja na função de consultores, seja no papel de gestores, ou atuando como conselheiros. Isso se pode aferir facilmente, bastando ler os jornais e revistas voltados à classe empresarial/investidora. Ou nos “editais e fatos relevantes”.
Daí, então, mencionei um tal de Dória, filiando-o ao PSDB e vinculando-o à EMBRAESP.
Fato é que o “tal de Dória” a quem quis me referir trata-se de Carlos Eduardo Sampaio Doria, cujo Curriculum ( sem ligações com a EMBRAESP, até onde apurei ) pode ser apreciado nos links abaixo:
Aqui nesse ponto – 1
Aqui nesse ponto – 2
Aqui nesse ponto – 3
Aqui nesse ponto – 4

Tentei chutar e me dei mal. Quis sugerir um possível interesse da Famiglia Civita na compra da Editora Três por Daniel Dantas, e no blog do Mino Carta saiu que Nelson Tanure venceu e levou as batatas. Perdi duas, pois ia tentar falar com o Fábio ( jornaleiro gaúcho famoso por boicotar a Veja ) e perguntar-lhe se ia continuar vendendo a IstoÉ, sob o comando de Daniel Dantas. Paciência.
Putz, perdi três. Eu havia revelado que a Editora Três voltaria a publicar a Cripta do Terror.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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