ENCALHE

dezembro 27, 2008

O dia seguinte ( 26 de dezembro )

( Por descuido, publiquei este post ainda incompleto. Hoje, 28/12 eu consertei. Não sei qual ficou pior. )
Saio de casa, às 13 hs ( + ou – ). Três casas adiante, vejo o verdadeiro significado do Natal, encostado no muro de uma casa: mal acabara a festa, já expulsaram para o destino-lixão uma árvore de Natal, ainda em bom estado, num saco preto de lixo. Dava a impressão de ter sido jogada fora com vaso e tudo. Trata-se, repito, de uma árvore. E, para muita gente, as árvores não têm muita utilidade, a não ser “enfeitar” as casas e só. As natalinas nem isso, já que você pode enfeitar a dita-cuja no dia 23, passa o 24, vem o 25 e, no 26, você já a descarta, pois já “perdeu” a serventia.
Caminho uns 500 m, e vejo um colchão deixado do lado de fora de uma casa. Pelo estado, não estaria ali para que algum necessitado pegasse. Ou seja: estava abandonado pelo antigo dono para que desaparecesse por um passe de mágica. É uma época de muita crença, muita espiritualidade. Se São Pedro mandasse uma chuva como as últimas, aquele colchão ia virar uma jangada, dirigindo-se ao Tamanduateí.
Antes de chegar a este trecho de rua, vejo que um cidadão de bem manobra e entra pela contra mão, segue uns metros, pára, faz umas outras manobras, e coloca o carro na direção correta. Cheguei a pensar que ele tivesse entrado por engano naquela rua, percebido o erro e tentado consertar. Não. Ele pôs o carro na direção que seria a , mas estacionou em frente à uma casa. Desceu e entrou nesta casa. Ou seja, entrou na contramão e, depois, manobrou para que ficasse mais fácil quando fosse sair de lá.
Entro no busão. Sento num banco e olho para o assento a meu lado: vazio, e alguém havia deixado um celular ali, perdido, dando sopa!! Perguntei a um cidadão no banco atrás do meu, se pertencia-lhe aquele aparelho. Diante da negativa, eu tinha duas opções: pegar para vender no mercado negro ( a mais popular ) ou fazer uma vontade pessoal ( tacar a porra do aparelho de Satã num bueiro ). Mas entreguei à cobradora do busão. Por ser um ônibus de cooperativa, acho que, em breve, esse celular vai estar em algum presídio, nas mãos de alguém do PCC.
Mas, por quê eu entreguei o telefone à cobradora e não ao bueiro? Simples. Observando diariamente o comportamento de quem possui esta bosta vejo que, para a grande maioria, trata-se da versão moderna do bezerro de ouro. Ou como se fosse um objeto milagroso, uma pedra filosofal. Uma lâmpada igual a de Aladim. Um falo-gigantêitor ( devo essa ao Casseta ). Ou a “pílula de energia do Vira-Lata”, capaz de garantir a seu possuidor poderes e qualidades especiais. O homem em sua plenitude.
Meu cão, o Tibúrcio, quando perde seu brinquedo, corre por toda a casa, completamente desesperado, ganindo, gemendo, o coitadinho. É como o Linus ( do Charlie Brown, seus apedeutas ), quando perde o cobertor de proteção. Ou eu mesmo, quando estou na rua e percebo que esqueci minha bombinha de asma em casa.
Sendo assim, se uma pessoa consegue perder o celular em algum lugar, é porque esta pessoa trata o aparelho como aquilo que este realmente é: um telefone. Não há nenhum, sei lá, “fetichismo”, relação umbilical, afetiva ou mística entre dono e objeto.
Então, merece ter de volta seu telefone. Vai ver, nem se deu conta de que perdeu-o.
Da minha parte, eu sei que essa pessoa é uma avis rara, e o 2009 será de muito celular para todos: na sala de aula, ouvindo música alto dentro do ônibus ou na sala de espera de hospital ( já presenciei ), e os ( maus ) modos permanecerão e prevalecerão.
Pois não é uma data comemorada de forma distorcida que vai mudar nossa vida, magicamente e sem esforço.

O dia seguinte ( 26 de dezembro )

( Por descuido, publiquei este post ainda incompleto. Hoje, 28/12 eu consertei. Não sei qual ficou pior. )
Saio de casa, às 13 hs ( + ou – ). Três casas adiante, vejo o verdadeiro significado do Natal, encostado no muro de uma casa: mal acabara a festa, já expulsaram para o destino-lixão uma árvore de Natal, ainda em bom estado, num saco preto de lixo. Dava a impressão de ter sido jogada fora com vaso e tudo. Trata-se, repito, de uma árvore. E, para muita gente, as árvores não têm muita utilidade, a não ser “enfeitar” as casas e só. As natalinas nem isso, já que você pode enfeitar a dita-cuja no dia 23, passa o 24, vem o 25 e, no 26, você já a descarta, pois já “perdeu” a serventia.
Caminho uns 500 m, e vejo um colchão deixado do lado de fora de uma casa. Pelo estado, não estaria ali para que algum necessitado pegasse. Ou seja: estava abandonado pelo antigo dono para que desaparecesse por um passe de mágica. É uma época de muita crença, muita espiritualidade. Se São Pedro mandasse uma chuva como as últimas, aquele colchão ia virar uma jangada, dirigindo-se ao Tamanduateí.
Antes de chegar a este trecho de rua, vejo que um cidadão de bem manobra e entra pela contra mão, segue uns metros, pára, faz umas outras manobras, e coloca o carro na direção correta. Cheguei a pensar que ele tivesse entrado por engano naquela rua, percebido o erro e tentado consertar. Não. Ele pôs o carro na direção que seria a , mas estacionou em frente à uma casa. Desceu e entrou nesta casa. Ou seja, entrou na contramão e, depois, manobrou para que ficasse mais fácil quando fosse sair de lá.
Entro no busão. Sento num banco e olho para o assento a meu lado: vazio, e alguém havia deixado um celular ali, perdido, dando sopa!! Perguntei a um cidadão no banco atrás do meu, se pertencia-lhe aquele aparelho. Diante da negativa, eu tinha duas opções: pegar para vender no mercado negro ( a mais popular ) ou fazer uma vontade pessoal ( tacar a porra do aparelho de Satã num bueiro ). Mas entreguei à cobradora do busão. Por ser um ônibus de cooperativa, acho que, em breve, esse celular vai estar em algum presídio, nas mãos de alguém do PCC.
Mas, por quê eu entreguei o telefone à cobradora e não ao bueiro? Simples. Observando diariamente o comportamento de quem possui esta bosta vejo que, para a grande maioria, trata-se da versão moderna do bezerro de ouro. Ou como se fosse um objeto milagroso, uma pedra filosofal. Uma lâmpada igual a de Aladim. Um falo-gigantêitor ( devo essa ao Casseta ). Ou a “pílula de energia do Vira-Lata”, capaz de garantir a seu possuidor poderes e qualidades especiais. O homem em sua plenitude.
Meu cão, o Tibúrcio, quando perde seu brinquedo, corre por toda a casa, completamente desesperado, ganindo, gemendo, o coitadinho. É como o Linus ( do Charlie Brown, seus apedeutas ), quando perde o cobertor de proteção. Ou eu mesmo, quando estou na rua e percebo que esqueci minha bombinha de asma em casa.
Sendo assim, se uma pessoa consegue perder o celular em algum lugar, é porque esta pessoa trata o aparelho como aquilo que este realmente é: um telefone. Não há nenhum, sei lá, “fetichismo”, relação umbilical, afetiva ou mística entre dono e objeto.
Então, merece ter de volta seu telefone. Vai ver, nem se deu conta de que perdeu-o.
Da minha parte, eu sei que essa pessoa é uma avis rara, e o 2009 será de muito celular para todos: na sala de aula, ouvindo música alto dentro do ônibus ou na sala de espera de hospital ( já presenciei ), e os ( maus ) modos permanecerão e prevalecerão.
Pois não é uma data comemorada de forma distorcida que vai mudar nossa vida, magicamente e sem esforço.

dezembro 15, 2008

Outro Natal de mer***da!!

Filed under: festas religiosas, Jesus Cristo, Natal — Humberto @ 1:56 pm
A coisa é muito simples: este arremedo, este pastiche de Natal que convencionou-se comemorar, nada mais é do que uma prévia do Reveillon. A data é desculpa para as famílias fazerem um Carnaval fora de época, com todo o tipo de excesso possível.
Não, não vou considerar os Natais dos desvalidos, dos miseráveis, etc. pois seria o mesmo que dizer que a data só pode ser “comemorada” quando se tem muita fartura. Oras, quem é miserável durante o ano inteiro não teria muito o que celebrar em uma única data em 365 dias.
Mas isso não é o foco aqui. Eu quero apenas fazer o seguinte: imagine a festa que haverá em sua casa.
Isso, vai pensando: cerveja, pinga, vinho, whisky, vermute, gordura, açúcares, criançada chata chorando e brigando, berraria, PAGODE OU FUNK NO ÚLTIMO VOLUME ( em todas as casas da vizinhança, simultaneamente ), cunhado chavecando a esposa de outro, avô olhando gulosamente a neta de 16 anos que usa – no feriado cristão mais importante, um short de poposuda – berraria, brigas, quebra-paus. Recolhimento? Nenhum.
Claro, tudo pode ser aguentado, pois a hora de abrir os presentes é sagrada.
Celulares para quem não tem o que falar que serão usados em momentos inoportunos, MP3 para ouvir pagodão e axé no busão, vídeogames.
Mas eu não deveria estar reclamando: a felicidade está no ar, basta olhar em volta, o clima de cordialidade, de Paz na Terra. Luzes e lâmpadas. Os belos enfeites nas casas, com motivos natalinos diversos, como Papai Noel e os sinos bimbalhantes. O significado? Perdeu-se nos tempos. Talvez uma origem pagã, ou nórdica, representando, talvez, algum massacre qualquer. Quem se importa com as origens e significados? Outro dia saiu num jornal que por aqui fazem tatuagens com desenhos e simbolos, acho que orientais, não lembro, cujo significado é completamente diferente do pensado. Mas tatuagem pega bem, melhora a nossa imagem, é a maior chinfra. Mesmo que você escreva “Arrombe meu rabo” com ideogramas bacanas que você não entende.
Mas o que me motivou a escrever isto: para quê serve uma competição estúpida, tipo “Quem tem a maior árvore de Natal de todo o mundo? – Esmague a concorrência.”
Jesus – é, caros cristãos, eu tive que lembrar Dele – nasceu em meio a animais fedorentos e estrume, e só foi receber a mitra e aquelas coisas todas em 6 de Janeiro e, tal como fez com aquele camelódromo no Templo, chutaria todas essas porras que a gente vê por aí.
Feliz Carnaval.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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