Esta época do ano é bem gozada. Tem gente que se propõe a fazer algumas “mudanças” em sua vida, objetivando uma melhor qualidade da mesma. E tem aqueles que DESEJAM coisas, ou DESEJAM que coisas aconteçam. Duas semanas depois, essa esperança já foi tragada pelos buracos que se abrem em obras, como a do Metrô.
Pois bem. Eu que não faço parte do grupo de pessoas que veste branco na passagem do ano, e nem daquele que tenta seguir as dicas das revistas ( masculinas e femininas ) da Editora aBRIL ( Sabe, né: “Ganhe seu primeiro milhão antes de matar 30 pessoas na empresa”; ou: “Fique gostosa e arrume aquele namorado rico, antes que ele seja preso por matar 30 pessoas na empresa”. ), faço minha lista de coisas que eu sei que NÂO ocorrerão em 2008. A chance de acerto é grande. Em HAPPYLÂNDIA, as festas de “ANO-NOVO” celebram, contraditoriamente, a estática e a permanência, ou seja, o velho.
COISAS QUE NÃO OCORRERÃO EM 2008:
01. Uma CPI no Estado de São Paulo. Qualquer uma. Entre 70.
02. Governo do Estado de São Paulo deixar de jogar a culpa do Apagão Educacional Continuado, iniciado em 1995, nas costas dos professores.
03. O imprensalão tucano e golpista deixar de ecoar as determinações do governo tucano de São Paulo e cessar os ataques aos professores da rede estadual paulista.
04. O imprensalão tucano e golpista deixar de lado o Manual de Textos Sinuosos quando tiver de reportar algum fato que possa prejudicar os governos tucanos. Tipo: “São Paulo tem o maior aumento no índice de diminuição de aprovados do ENEM”. Não entenderam? Leiam de novo.
05. Solução nos, digamos, problemas do trânsito em São Paulo, considerando o número de novos automóveis que passa a circular nas ruas da cidade a cada dia.
06. Motoristas de São Paulo passarem a fazer a relação entre espaço físico exíguo e número de automóveis circulando e finalmente, perceberem a incompatibilidade entre propaganda e vida real.
07. Pessoas deixarem de falar em decibéis irritantemente superamplificados quando quiserem demonstrar satisfação por alguma coisa, ou apenas para se destacar em meio ao público.
08. Público voltar a ser público, seja uma calçada ou um hospital.
09. Transporte público se tornar pelo menos um pouco civilizado, com os passageiros conversando em tom adequado a um espaço fechado, e as mães fazendo com que os filhos que não pagaram a passagem sentem-se em seu colo ( e não ocupem os assentos, fazendo com que pessoas que pagaram, acabem viajando de pé ).
10. As pessoas deixarem de inventar “direitos” que não existem mas que, estranhamente, só serviriam a elas mesmas, em situações que interessariam apenas a si próprias. Por exemplo: o direito de estacionar seu carro aonde bem entenderem, e não ser multadas por isso; ou o alegado direito de estabelecimentos ocuparem as calçadas com mesas e cadeiras, atrapalhando o pedestre.
11. Que as pessoas chiques, que admiram a França ou a Finlândia, e acham que nesses lugares “tudo funciona”, aceitem de uma vez por todas que o princípio tributário ali contempla a distribuição de renda, visando diminuir as diferênças materiais que as pessoas herdam em seu nascimento.
12. Que as pessoas parem de tentar explicar o mundo lançando mão de frases-feitas, raciocínios alugados e lugares-comuns, que só acabam servindo para que preconceitos se perpetuem e continuem favorecendo alguns poucos. Tipo: “O brasileiro ‘paga muito imposto’” ou “político é tudo ladrão”.
13. Mas, para isso, será necessário disposição em aprender e se instruir de verdade. Ou seja, perder um tempo que seria gasto no boteco ( com a “galhera” ), no shopping ( com a “galhera” ), na balada ( com a “galhera” ), na praia ( com a “galhera” ), na cantina da facú ( com a galhera” ), na academia, no cabeleireiro, lavando o carro, no estádio, na rua ( jogando conversa fiada com a “galhera” ), no clube, no fliperama, no cinema assistindo filmes do Vin Diesel, no site de putaria, no cursos charlatães de gestão ou neurolinguística . Resumindo: abdicando de lazer e entretenimento vazio, barato e alienante.
14. Deixarem de invejar e ansiar ansiosamente pelo tipo de vida que é mostrado na Caras, Veja, VIP, Contigo, Flash, Quatro Rodas, horóscopos, Placar, Exame, Ilustrada da Folha, e nas propagandas de cerveja, cartão de crédito, cerveja, automóveis, cosméticos, automóveis, produtos infantis, automóveis, cartões de crédito, cerveja, motos…
15. Imprensalão deixar de ser golpista e, em particular, a vEJA deixar de inventar coisas.
16. A classe média crescer. E não me refiro a números, suas mulas.
17. Economia de água.
18. Silêncio e parcimônia no uso da palavra.
19. Triplicação nos valores das multas, e coibição ao uso de escapamentos “abertos”. Adoção de sábias e educadores medidas, como as que são usadas no Oriente Médio, para punir os maus e reincidentes motoristas. Apedrejamento de mulheres que fazem fila dupla na porta dos colégios de classe-média e chibatadas naqueles que estacionarem nas calçadas ( em qualquer horário ) , na guia rebaixada, em locais proibidos; ou que passarem no sinal vermelho, furarem o rodízio, andarem na contra-mão, fizerem conversões ilegais e queimarem a faixa de pedestres.
Para os sonegadores – principalmente aqueles que foram contemplados com a recusa dos senadores tucanos e demagogos em prorrogarem a CPMF – estaria prevista a pena suprema: teríam suas mãos cortadas.
Estão prontos? Ora, eu sei que não. Talvez em 2009, claro.



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