ENCALHE

outubro 29, 2008

Kinder-ovo pós-eleitoral: Folha publica elo entre Dantas, Quércia, Bornhausen e outros, descoberto pela PF. Bom demais…Até demais…

Só pra constar: depois de saber dessa notícia, fui fuçar, e vi os blogs favoráveis a Lula e o PT reclamarem ( só consultei uns 3, na verdade ) que a Folha só foi dizer isso depois de fechadas as urnas. Eu poderia concordar, mas não foi essa a sensação – a de que estaria engavetada a denúncia para não prejudicar alguém ( subentenda-se, aqui, alguém como José Serra, PSDB, etc. ) no segundo turno - que tive.
Dei uma olhada nos nomes apresentados pela reportagem: o Quércia ( ?! ), o Bornhausen ( ?! ), Heráclito Fortes ( DEMO-PI, da bancada de Dantas, já não é novidade, a Carta Capital fala isso direto ), alguns petistas, outros DEMOs ruralistas. Todos relacionados estreitamente a Carlos Rodenburg, o Carlinhos, amigo e escudeiro de Daniel Dantas
Sei lá. Em épocas passadas, o Dantas poderia ter estabelecido algum vínculo com Quércia, por intermédio de Naji Nahas. Mas, se não me engano, o ex-governador e atual aliado de Kassab e Serra não mantém mais amizade com o financista Nahas, preso com Pitta e Dantas durante a Satiagraha.
O tal do Lupion ( Abelardo Lupion - DEM/PR ), da tal bancada ruralista, é ( ou foi ) um dos diretores da ABCZ ( Associação Brasileira de Criadores de Zebu ). Da mesma forma, também foi ( ou é ) diretor dessa associação o famoso pecuarista Jovelino Carvalho Mineiro Filho, um dos fundadores e membro do Conselho Deliberativo do Instituto Fernando Henrique Cardoso.
E o que isso quer dizer? Óbvio que nada, ainda. Apenas que o Quércia, como grande investidor que é, fatalmente acabaria tendo algum tipo de relação comercial com outros que transitam pela esfera do chamado agronegócio. Dantas também já atacou de investidor no agronegócio. O mundo é pequeno, e o mundo dos ricos e famosos, por mais propriedades que possuam aqui e acolá, é menor ainda ( cerca de 2% da população brasileira ). Então, natural que se trombém o tempo todo por aí.

Em animadérrimo regabofe de bacanas, organizado pela IstoÉ, para a entrega de uma comenda qualquer, podemos observar na foto 1 ( não consegui extraír as outras… ) o Naji Nahas com o luxuoso – porém facilmente fatigável – empresário João Dória Jr ( Esse notável mecenas que, generosa e desinteressadamente, doou uma belíssima e carérrima escultura criada por sua esposa, a fim de que fosse instalada na praça Cláudio Abramo, após correta ação de funcionários da Prefeitura que demoliram o chamado Monumento ao Jornalista Desconhecido ).

Essa associação do zebú ( ABCZ ) promove anualmente uma Feira ExpoZebú. Se nós, proletas, tivéssemos uma grana para investir além da fezinha diária no bicho, o bicho escolhido poderia ser o famoso zebú. E que melhor lugar para conhecer o mercado, avaliar as opportunydades, fazer amigos e negócios, que a ExpoZebú? Assim relatou em seu site, o influente Ucho Haddad, do Ucho.info, em 09 de Julho ( em Julho, há 3 meses, portanto ) deste ano:
Rei do gado
Preso pela Polícia Federal juntamente com o ex-cunhado e presidente do “Banco das Opportunidades” (a Justiça também nos impede de citar o nome da instituição), Carlos Rodenburg vinha se apresentando nas rodas sociais e de negócios como pecuarista dono de mais de 500 mil cabeças de gado. No sul do Pará, onde o banqueiro adquiriu, a peso de outro, verdadeiros latifúndios, o comando dos negócios está nas mãos de Rodenburg. Neófito no cotidiano da agropecuária, Carlos Rodenburg tem sido visto com certa constância na companhia do empresário Jonas Barcelos (ex-proprietário dos free shops nos aeroportos brasileiros) e do deputado federal Abelardo Lupion (DEM-PR), um conhecido integrante da bancada ruralista. Em maio último, durante a ExpoZebu, no Triângulo Mineiro, Barcelos recebeu em sua nababesca casa, como hóspedes, ninguém menos que Nelson Jobim (ministro da Defesa), Orestes Quércia e Carlos Rodenburg, além de Abelardo Lupion que lá batia cartão diariamente. Barcelos, Lupion e Rodenburg, depois de seguidos encontros em uma mansão da QL14 – Lago Sul, em Brasília, decidiram investir pesado em um laboratório de embriões bovinos na Índia.
Ora, o Ucho mostrou, três meses antes – e sem acesso a grampos – quase tudo aquilo que a Folha só veio dizer anteontem, e sem as espetaculosidades do jornal.
Eu estranho, na verdade, a menção ao nome de Bornhausen e Quércia; sendo que este último, apesar de ter tido participação decisiva na eleição de Gilberto Kassab – após ter levado o PMDB a apoiar o DEMOtucano ( quando se esperava que fecharia com Marta ) – foi de uma discrição ímpar. Ele é de uma discrição ímpar. Quase não se fala nele. Acho que, tirando as conversas que teve com Marta, ainda neste ano, para acertar o então previsto apoio à petista, a última coisa que eu havia sabido a seu respeito foi quando o DCI ganhou a licitação ( se lembro direito, só o DCI participou ) pela conta do governo do Paraná para a publicação desses “avisos legais”, balanços, essas coisas. O Bornhausen, então, eu nem sabia se ele estava vivo ou não. Só quando alguém aí falou que foi o catarina quem convidou o Kassab a ingressar no então PFL.
O que, afinal, eu estou querendo dizer com isso tudo?
Que a Folha – jornal a que alguns jornalistas costumam atribuir, a ela e ao governador Serra, algo maior que a simples amizade chapa-branca jornalística – mandou um aviso para estes dois caciques, para não virem com muita sede ao pote pois, não importa o apoio e o apadrinhamento que deram ao prefeito reeleito de São Paulo, essa cidade já é pequena demais para o Serra, sozinho, o que dizer se tivesse que repartir com outros?
Abaixo, para quem quiser ler, está a reportagem em questão, da Folha de São Paulo:

Escutas apontam elo entre grupo de Dantas e políticos
27/10/2008
Grampos da PF captaram diálogos com congressistas e caciques de diferentes partidos
Operação Satiagraha fez interceptações de conversas de sócios do Opportunity e intermediários com petistas e lideranças de DEM e PMDB
LEONARDO SOUZA
ANDRÉA MICHAEL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Nas diversas gravações telefônicas realizadas pela Polícia Federal na Operação Satiagraha foram captados diálogos dos sócios do banco Opportunity e seus intermediários com deputados, senadores, ex-congressistas e caciques de diferentes partidos, do DEM ao PT, que formam a rede de contatos do grupo de Daniel Dantas no mundo político.
De um lado, as conversas revelam uma relação de amizade de Carlos Rodenburg, homem de confiança de Daniel Dantas, com o ex-senador e ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen, o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB), o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) e integrantes da bancada ruralista no Congresso Nacional, como o deputado federal Abelardo Lupion (DEM-PR).
De outro, os diálogos mostram quando os ex-deputados petistas Luiz Eduardo Greenhalgh e Sigmaringa Seixas, por meio do lobista Guilherme Sodré, são acionados a mando de Dantas para defender os interesses do Opportunity.
A Folha teve acesso ao áudio dos grampos, realizados com autorização judicial pela Polícia Federal.
Nas conversas, Bornhausen, Quércia e Heráclito se referem a Rodenburg como “Carlinhos”. Com freqüência, Rodenburg coloca à disposição dos políticos carro e motorista para buscá-los em aeroportos e eventos sociais.
Três dias após a Folha ter revelado, em 26 de abril, a existência de uma investigação da PF sobre o Opportunity e seus sócios, Bornhausen procura Rodenburg para lhe oferecer ajuda. O sócio de Dantas comenta com o ex-senador que está com medo de ser preso.
Bornhausen: “Me disse o Rafa [...] que é uma ação absolutamente ilegal, né?”.
Rodenburg: “Totalmente, totalmente [...]. É um negócio feio. A sensação é horrível, porque você não sabe o que está acontecendo. Aí acorda de manhã achando que tem carro de polícia”.
Bornhausen: “Se você precisar de mim, me avise”.
Nesse mesmo período, Daniel Dantas telefona para Guilherme Sodré para obter mais informações sobre a operação da Polícia Federal.
“Greenhalgh tá ligado, tá certo? Já acionou tudo que podia acionar. Sig também tá ligado, mas eu vou falar na 12ª [Vara Federal] para ver se pode ser [a localização do inquérito]. Tá bom?”, responde Sodré.
Conforme a Folha publicou no começo deste mês, Greenhalgh foi contratado por Daniel Dantas para fazer lobby em nome do Opportunity no processo de venda da Brasil Telecom para a Oi (Telemar). Um dia após o fechamento do acordo, em 25 de abril, Dantas agradece Greenhalgh pelos serviços prestados:
Greenhalgh: “Tá precisando de um emprego?”
Dantas: “[Risos] Tô! Tem alguma coisa para eu fazer?”
Greenhalgh: “Nós vamos sentar, os seus amigos, e decidir o que você vai fazer daqui por diante”.
Dantas: “Pois é [...]. Eu tava dizendo para o Humberto que eu ia ligar, para dizer “graças a Deus”, deixa eu ligar para Deus [numa referência a Greenhalgh]“.
Greenhalgh: “Mas deixa eu te falar, Daniel. Eu quero que Deus te ajude, realmente, que você progrida, [por] que você é um cara legal”.
Empresário convidou congressistas para leilão
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os diálogos captados pela Polícia Federal entre Carlos Rodenburg e sua rede de contatos políticos mostram que, no começo de maio, o homem de confiança de Daniel Dantas organizou um leilão de gado para o qual convidou toda a bancada ruralista no Congresso Nacional. Captadas pela PF durante a Operação Satiagraha, com autorização da Justiça, as conversas apontam que o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) e o ex-governador Orestes Quércia (PMDB) também estavam entre a lista dos convidados:
Quércia: “Carlinhos!”
Rodenburg: “Ô meu governador!”
Rodenburg: “Queria só te lembrar do nosso leilão aqui no dia 1º”.
Quércia: “Carlinhos, eu acho que não vou poder ir lá. Eu tava até programado de ir (…), mas aí deu um probleminha aqui (…). Mas vou ver se consigo contornar aqui, viu? (…) Eu tenho, inclusive, uma venda minha. Tenho até obrigação de ir”.
Rodenburg: “Não, não tem obrigação nenhuma. Mas Quércia, deixa eu te falar. Eu tenho um outro assunto para te perguntar, daquela pessoa que eu te falei, para tomar um conselho”.
Quércia: “(…) Nós podemos fazer o seguinte: chegando lá (…), a gente sai e conversa um pouquinho.(…)
Rodenburg: “Então quarta-feira você me chama no telefone, quando você chegar, de repente eu te pego no aeroporto e a gente vai junto”.Rodenburg também combinou de buscar Heráclito para o leilão:
Heráclito: “Onde estás?”
Rodenburg: “Ainda estou solto!”
Heráclito: “Que milagre!”.(…)Heráclito: “Carlinhos, estou indo para aí agora”.
Rodenburg: “Que horas que você chega?”
Heráclito: “Três, três e pouquinho”
Rodenburg: “Então eu te pego lá e a gente vem para a fazenda direto”.
Heráclito: “Não, não. Eu vou ficar com Mariana, a gente tem um hotel reservado”.
Rodenburg: “Não vai ficar em hotel, tem uma casa boa aqui”.
Rodenburg chegou a tratar da estadia da bancada ruralista em sua fazenda com Lupion e Bornhausen:
Bornhausen: “Você convidou a senadora [Kátia Abreu, DEM-TO], né?”
Rodenburg: “Falei, eu te liguei até. O problema é o seguinte: eu estava preocupado com a programação de Uberaba, que [inaudível] já tinha me dito que vocês iam por Uberaba. Então eu disse: bom, vou convidar para ficar lá em casa, porque pelo menos dá outro rumo, né?”
Pelas conversas captadas pela PF, parecia estar tudo acertado para a hospedagem dos congressistas durante o leilão.
“Eu falei com o Jonas também, vê quem é que vocês precisam que fique na minha fazenda de Uberaba. Até o dia 3, eu tô com a casa lotada, porque vêm o Ronaldo Caiado, o Lupion, o Ônyx Lorenzoni, os deputados da bancada ruralista, mais a senadora Kátia Abreu”, disse Rodenburg à secretária do fazendeiro Jonas Barcelos.
Entre os citados nos diálogos captados, somente o deputado federal Abelardo Lupion confirmou ter passado uns dias na propriedade do empresário.
Outro lado
Aliado de banqueiro diz ter contato com congressistas
Deputados da bancada ruralista negam envolvimento com grupo Opportunity
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Por meio da assessoria da Agropecuária Santa Bárbara, um dos investimentos do grupo Opportunity, Carlos Rodenburg, braço direito e ex-cunhado do banqueiro Daniel Dantas, afirmou que se relaciona com pessoas do setor “que atuam e defendem o agronegócio brasileiro, como os parlamentares da bancada ruralista do Congresso Nacional [...] Onyx Lorenzoni, Kátia Abreu, Abelardo Lupion e Ronaldo Caiado”, além do ex-governador Orestes Quércia (PMDB-SP).
Rodenburg disse que Lupion, “companheiro de criação de gado zebu de muitos anos”, foi o único dos congressistas que se hospedou em sua fazenda.
De acordo com Rodenburg, sua amizade com o ex-senador e ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen é pública e vêm de longa data. Por meio de sua assessoria, Bornhausen afirmou que não iria se pronunciar sobre o assunto.
O ex-governador de São Paulo Orestes Quércia disse conhecer o empresário Rodenburg, que “mexe com gado nelore”, mas afirmou não ter nenhuma relação com o grupo Opportunity. Questionado sobre a carona que teria recebido para participar do leilão realizado na cidade de Uberaba (MG), ele disse apenas que esteve na casa de Rodenburg. Ressaltou, contudo, o empresário nunca lhe pediu nada que precisasse de sua interferência política.
Por meio de sua assessoria, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) negou ter se hospedado na fazenda de Rodenburg. Ela afirmou que ficou na casa do fazendeiro Jonas Barcelos. Sobre suas relações com o Opportunity, disse que “não havia declaração a fazer”.
O deputado Abelardo Lupion (DEM-PR) confirmou que ficou hospedado na fazenda de Carlos Rodenburg. Acrescentou que ambos são grandes criadores de gado nelore, de onde vem sua amizade. Ressaltou que não tem negócios com o Opportunity nem contato com o banqueiro Daniel Dantas.
O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) nega ter qualquer relação com o grupo Opportunity e Dantas. Disse ter sido recebido em Uberaba pelo colega de Câmara Federal Marcos Montes (DEM-MG) e ter pago por sua própria estadia em um hotel na cidade.
Leilões
Já o deputado federal Ônyx Lorenzoni (DEM-RS) disse que, na condição de presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, participou de três leilões promovidos neste ano, um deles justamente o promovido por Jonas Barcelos (em parceria com Rodenburg). O democrata também afirmou ter ficado em um hotel pago de seu próprio bolso.
Sigmaringa Seixas confirmou ter percorrido varas da Justiça em Brasília à procura de eventuais processos contra Daniel Dantas. “Recebi a ligação de um amigo, Guilherme Sodré [publicitário, apontado pela Polícia Federal como lobista de Dantas no governo federal], que me pediu para verificar se havia processos contra Daniel Dantas. Sou um advogado, não tem nenhum problema movimentar um estagiário meu para atender à solicitação de um amigo.”
O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) disse que é amigo de muitos anos de Rodenburg, mas que não tem relação de amizade com Dantas.
O ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh preferiu não de pronunciar sobre o caso.

julho 17, 2008

A Prisão do Banqueiro

 

Jasson de Oliveira Andrade

A prisão do banqueiro Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity, do mega “investidor” Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pita, foi o maior acontecimento do mês de julho. A mídia dedica o seu noticiário diário ao fato, principalmente à prisão do banqueiro. No início, só a ele. Agora o relacionando a alguns petistas, procurando confundir os leitores e ouvintes.

O jornalista Luiz Antonio Magalhães, em seu Blog Entrelinhas, no artigo “Considerações sobre o caso Dantas”, foi um dos poucos a perceber a jogada da mídia. Ele escreveu: “Está havendo uma certa confusão sobre o caso Daniel Dantas. Do jeito que os jornalões estão publicando a história, parece que o banqueiro começou a brincar de homem mau a partir do momento em que o presidente  Luiz Inácio Lula da Silva venceu a eleição de 2002. Dantas teria, desde então, agido com o objetivo de rachar o núcleo duro do governo, a fim de garantir os seus próprios e milionários negócios. Além disto, Dantas seria uma espécie de mentor oculto do mensalão, operando por trás de Marcos Valério. A verdade, infelizmente para os Civitas, Frias, Mesquitas e Marinhos, não é bem esta. Dantas se fez mesmo durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso, período em que passou de executivo de bancos para a condição de empresário notavelmente bem sucedido. Foi durante a gestão FHC que Dantas realizou o grande negócio de se tornar sócio de uma empresa de telecomunicações, após a privatização do sistema Telebrás – processo até hoje bem nebuloso, para dizer o mínimo (…) É evidente que Dantas não parou de “trabalhar” no governo Lula, ao contrário, se mostrou muito atuante na defesa de seus interesses”. Luiz Antonio Magalhães tem razão no que diz respeito ao governo FHC, como veremos a seguir.

Daniel Dantas fundou o Opportunity em 1994, quando Fernando Henrique Cardoso se elegeu presidente da República. No seu governo, graças ao Plano Real, obteve lucros fabulosos. Além do mais, em 1998, o ex-presidente pretendeu favorecer esse banco. Essa manobra foi revela pela Folha de S. Paulo, em reportagem de Fernando Rodrigues e Elvira Lobato publicada em 25/5/1999, mostrando o teor de fitas com conversas de FHC e seus auxiliares, sob o título “Segredos do Poder”, em 12 páginas. Em outra manchete, a Folha diz: “FHC tomou partido de consórcio no leilão das teles, revelam fitas”. O jornal publica, na primeira página, trecho do diálogo gravado: “Lara Resende – Se precisarmos de uma certa pressão … (para forçar a Previ [fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil] a entrar no consórcio Opportunity-Stet). FHC- Não tenha dúvida. Lara Resende – A idéia é que podemos usa-lo aí para isso. FHC – Não tenha dúvida. Lara Resende – Ta bom”. O episódio resultou na queda de Luiz Carlos Mendonça de Barros (do Ministério das Comunicações) e de André Lara Resende (do BNDES). A saída deles ocorreu em 22/11/1998. A Folha ainda publicou um resumo, com fotos, sob o título: “Conheça os envolvidos no grampo telefônico”. Sobre Daniel Dantas, revela: “Economista do grupo da PUC-RJ, controla o Opportunity, banco fundado em 94. A instituição, que estocou títulos públicos antes do lançamento do Plano Real, cresceu 144% desde sua criação, apostando na política de juros altos praticada pela equipe econômica no primeiro mandato de FHC. Também participou de leilões de privatização”. Sem comentários!

FHC participou, como se viu dessa reportagem da Folha, pessoalmente, através de telefonema, da ajuda ao Opportunity. Já o presidente Lula usou a Polícia Federal para prender Daniel Dantas. Uma diferença enorme, que a mídia esconde!

 

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e autor de “64 em São João da Boa Vista”

Julho de 2008
Postado em:17/07/2008

Portal Mogi Guaçu 

 

julho 16, 2008

Hora do Povo: "Presidente do STF solta duas vezes o ladrão que tentou subornar delegado. Procuradores pedem impeachment do meritíssimo" !!!

Mendes ignora TRF e STJ no afã de livrar Daniel Dantas
Fechou os olhos até para suborno comprovado

Ao fim da semana passada, alguns lembraram o processo movido pelo atual presidente do STF, Gilmar Mendes, contra o jurista Dalmo Dallari. Este havia escrito, quando Mendes foi nomeado por Fernando Henrique para o STF: “se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. (…) o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país”. A razão de Dallari era a atuação de Mendes como advogado-geral da União no governo Fernando Henrique. Pelos recentes acontecimentos, vê-se que ele não estava errado. O atual presidente do STF perdeu a questão contra Dallari na Justiça.
Na quarta-feira, enquanto a liderança do PSDB no Senado emitia nota em seu apoio, Gilmar Mendes declarava que a “jurisprudência do STF” (sic) era igual tanto para os pobres quanto para os ricos. O ministro se equivoca ou não sabe o que é jurisprudência – coisa em que não acreditamos. Ninguém está discutindo a “jurisprudência do STF”. O que está se discutindo são suas decisões unilaterais (“monocráticas”, como se diz em Direito), que, em menos de 24 horas, passando por cima de todas as instâncias intermediárias da própria Justiça, livraram duas vezes da cadeia um dos maiores escroques já aparecidos por aqui. Isso é muito diferente de discutir a “jurisprudência do STF”.
Como notou outro jurista, não há precedentes para tais decisões na história do judiciário brasileiro. Certamente, havia no inquérito sobejas provas de todas as acusações – gestão fraudulenta, formação de quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, uso de informações privilegiadas e outros crimes, pois a carreira de Dantas é quase um Código Penal. Mas, o que tornava a prisão preventiva absolutamente mandatória era a ação de Dantas em interferir nas investigações – o que ficou claro pela oferta de suborno de um milhão de dólares a um dos delegados que o investigava. Essa tentativa foi gravada em áudio e vídeo, e, até mesmo, duas parcelas do dinheiro foram entregues ao delegado Vitor Hugo Rodrigues Alves. Portanto, estava demonstrada – mais do que isso era impossível – a tentativa de Dantas de interferir nas investigações, mais ainda quando o inquérito também demonstrou – como, aliás, era notório – que seu suborno também se estendia a comerciantes que dão plantão em certos jornais e revistas.
Porém, o presidente do STF considerou que o juiz de primeira instância, Fausto De Sanctis, “não indicou elementos concretos e individualizados, aptos a demonstrar a necessidade da prisão cautelar”.
A sentença do juiz De Sanctis tem 175 páginas – é um minucioso arrazoado dos motivos pelos quais a prisão preventiva de Daniel Dantas era não só cabível, como necessária. Além disso, não é preciso conhecer o Direito para saber que tentar subornar um delegado é interferir nas investigações.
No entanto, Mendes considerou, ao conceder o segundo habeas corpus, que o depoimento de Chicaroni (o emissário de Dantas para subornar o delegado) não é suficiente para concluir que Dantas está envolvido na tentativa de suborno, porque em apenas um momento ele é citado, quando o emissário “informa ter conhecimento que o controlador do Grupo Opportunity é Daniel Dantas e que Humberto (Braz, o outro emissário) estava na condição, naquele momento, de representante dos interesses do Grupo Opportunity”. O presidente do STF acha que isso não é indício de que Dantas tentava subornar o delegado. Nem as gravações, nas quais o emissário diz que Daniel Dantas está preocupado com a primeira instância, “uma vez que no STJ e no STF ele resolveria tudo” e que queria que o delegado “livrasse três, o Daniel, a irmã e o filho”. E nem o dinheiro, apreendido na casa de Chicaroni.
Sobre o papel de 2004 com a inscrição “contribuição para que um dos companheiros não fosse indiciado criminalmente”, Mendes afirma que é um papel apócrifo, que somente como exercício mental pode-se considerá-lo como um indício de alguma irregularidade. A respeito desse e de outros papéis que foram encontrados na casa de Dantas, Mendes diz que eles são de duvidosa idoneidade e vago significado, não justificando um pedido de prisão.
Por muito menos, houve gente que foi parar em Alcatraz. No entanto, a PF queria apenas uma prisão preventiva. Mas, segundo Mendes, os papéis, as gravações, enfim, as provas, não têm importância – quando o acusado chama-se Daniel Dantas.
Repare-se que Mendes recorreu a um expediente que, como apontaram vários juristas, é francamente ilegal e inconstitucional. O habeas corpus anterior havia sido concedido contra a prisão temporária, decretada pelo juiz De Sanctis, com o objetivo de impedir Dantas de destruir provas. A segunda prisão de Dantas, que não era temporária, mas preventiva, tinha outra base: impedi-lo de fugir, como o agora extraditado Cacciola, e de interferir nas investigações. Mas o presidente do STF tratou as duas prisões como se fossem a mesma – como se a PF e o juiz De Sanctis estivessem insistindo nos mesmos motivos – e saiu clamando contra um suposto “desrespeito” ao seu habeas corpus anterior. Assim, o seu segundo habeas corpus é uma reafirmação do primeiro habeas corpus, como se o pedido da PF e a sentença da primeira instância fossem iguais, apesar de serem inteiramente distintos.
Por que esse expediente? Com isso, Mendes passou por cima da segunda instância – o Tribunal Regional Federal (TRF) – e da terceira – o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Assim, Dantas, em vez de fazer como todos os réus e recorrer ao TRF e depois ao STJ, recorreu logo à última instância, o STF, e foi atendido. Realmente, nunca houve uma sentença dessas na História do país. Criou-se, como observou o procurador Rodrigo de Grandis, um foro privilegiado para um único indivíduo: Daniel Dantas.
Gilmar Mendes era o menos indicado dos ministros do STF para conceder tal benefício a Dantas. Poderia, e teria razão, alegar suspeição – que não torna suspeito o juiz, mas, ao contrário, o livra de possíveis suspeitas se julgar determinada causa.
Mendes foi nomeado por Fernando Henrique, do qual foi Advogado-geral – e são evidentes os vínculos de Fernando Henrique e dos tucanos com Dantas (ver matéria nesta página e artigo na página 5).
Mais ainda: Mendes é amigo do advogado Luiz Carlos Madeira, um dos três advogados de Dantas que foram ao STF pedir prioridade para o habeas corpus do cliente. Madeira é advogado de Dantas quase desde a fundação do Opportunity, seu banco de segundo andar. Nesse mesmo período, foi também ministro do Tribunal Superior Eleitoral, tendo Gilmar Mendes por colega. No último dia 14 de maio, numa das gravações colhidas pela Operação Satiagraha, aparece a irmã e sócia de Dantas, Verônica, dizendo a alguém de nome Artur: “Precisa passar os detalhes sobre a legislação para o Madeira, que é amigo do Gilmar, e isso pode parar na mão dele (Mendes)”.
C.L.

Há farta prova contra o dono do Opportunity, afirma Tarso
O ministro da Justiça, Tarso Genro, avaliou que a revogação da prisão de Daniel Dantas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, “repercute de maneira negativa na população” e que a liberação pode facilitar a fuga do dono do Opportunity. “Essa possibilidade (a fuga) realmente existe”, disse, considerando que isso “depende da liberação que foi dada, se tem restrição ou não no território nacional”.
Tarso declarou que há “farta prova dentro do processo” contra Daniel Dantas, e que além dos crimes financeiros é um fato “praticamente comprovado” que ele tentou subornar um delegado da PF.
Sobre a alegação da defesa de Dantas de que haveria perseguição política por causa da disputa do comando da Brasil Telecom com setores do governo, como os fundos de pensão, Tarso disse que isso não tem “força moral”. “Eu pergunto: tem valor essa alegação, feita por uma pessoa contra quem já está praticamente comprovado no processo que tentou comprar um policial federal para distorcer o andamento do inquérito?”, afirmou.

Carvalho desmente que procurou Ministério a pedido de Greenhalgh
O chefe do Gabinete Pessoal do Presidente da República, Gilberto Carvalho, divulgou nota nesta segunda-feira esclarecendo o contexto de conversa com o advogado e ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, divulgada na mídia sobre a Operação Satiagraha.
“No dia 28 de maio, o Dr. Luiz Eduardo Greenhalgh informou-me que um cliente seu, Humberto Braz, cuja identidade até então eu desconhecia, fora seguido no Rio de Janeiro, após deixar os filhos na escola, e que, interceptado pela Polícia do Rio, o condutor do carro que pretensamente lhe fazia a perseguição se apresentou como Tenente da Polícia Militar de Minas Gerais exibindo documentos que diziam estar a serviço da Presidência da República. Dr. Greenhalgh me indagou se procedia esta informação, uma vez que poderia se tratar de tentativa de seqüestro comum, com uso de documentação falsa”, diz a nota de Carvalho.
“Procurei o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. Fui informado de que o referido Tenente estava credenciado pelo GSI, mas o trabalho que realizava nada tinha a ver com o cidadão citado. Repassei pelo telefone esta informação ao Dr. Greenghalg, que na ocasião, pediu que eu obtivesse mais informações junto à Polícia Federal. Como já havia dado a informação essencial ao advogado no que dizia respeito à segurança pessoal de seu cliente, não fiz contato algum nem com o Ministério da Justiça e nem com a direção ou qualquer integrante da Polícia Federal, conforme já declarado pelas respectivas autoridades”.

Abin nega envolvimento na Operação Satiagraha
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) afirmou em nota, nesta segunda-feira, que são “absurdas e levianas” as informações de que tenha realizado grampo telefônico em apoio às ações da Polícia Federal na Operação Satiagraha que resultou na prisão de Daniel Dantas.
“A direção geral não tem e não teve nenhuma participação ou iniciativa, muito menos ingerência, nos fatos que resultaram na referida operação policial. Desde que deixou a direção do Departamento de Polícia Federal, em agosto de 2007, o atual diretor geral da Abin dedica-se exclusivamente à sua função”, diz a nota.
“A Abin não realiza quaisquer atividades para as quais não possua respaldo na legislação em vigor. Por isso, considera absurdas e levianas as declarações de que tenha executado monitoramento telefônico de quaisquer pessoas, sejam elas do setor público ou privado”.
Eike Batista é alvo da PF por fraude em licitação, sonegação e desvio de ouro
A Polícia Federal investiga o empresário Eike Batista, dono do grupo EBX, sobre denúncia de fraude na concessão de uma estrada de ferro no Amapá. Na última sexta-feira, a PF deflagrou a Operação Toque de Midas, que cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Eike Batista e nos escritórios do grupo no Pará, Amapá, Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
“Foram encontrados indícios de direcionamento da licitação”, diz a PF, para a Acará Empreendimentos, uma segunda empresa da EBX, que repassou a concessão para a primeira empresa, a MMX.
Segundo a polícia, “a referida concessão foi obtida por uma segunda empresa perante o governo do Estado do Amapá. A companhia vencedora repassou a concessão para a primeira empresa, ambas do mesmo grupo econômico”.
Além disso, a PF investiga o desvio de ouro lavrado nas minas do interior do Amapá, “havendo fortes suspeitas de que o minério não esteja sendo totalmente declarado perante os órgãos arrecadadores de tributos, principalmente a Receita Federal”, disse a nota da polícia.
A MMX teve o controle vendido no início do ano para a mineradora sul-africana Anglo American. A operação resultou na criação da Newco, que ficou com duas das quatro minas de ferro da MMX, o sistema Amapá e o sistema Minas-Rio.
Além do ramo de mineração, onde atua através da MMX, Eike Batista recentemente ingressou no ramo de petróleo com a OGX – criada há cerca de um ano – a empresa que protagonizou a maior abertura de capital da história do país. Em novembro do ano passado participou da nona rodada de licitação da ANP, de onde o governo retirou 41 blocos na camada do pré-sal. Arrivista financiou candidaturas
A Polícia Federal apreendeu no apartamento de Daniel Dantas a planilha “Contribuições ao Clube”. A planilha lista o pagamento de R$ 25 milhões, em 2004, “para despesas da campanha de Letícia”. Outra citação refere-se a pagamentos em outubro de 2002 e janeiro de 2003 para a “campanha de João à Presidência”, no valor total de R$ 5,5 milhões.
Além disso, está registrado o pagamento de 1,5 milhão (de reais ou dólares) feito em 2004, a titulo de contribuição para que um de seus colaboradores não fosse indiciado criminalmente. A pessoa que intermediou o acerto foi um tal de “Pedro” e foi pago em dinheiro vivo.

Governo e privatizações de FH fizeram fortuna de DD
Apesar de algumas aventuras anteriores ( especialmente na época do Plano Collor, onde várias notícias dão conta de que ele se valeu de informações privilegiadas às vésperas do confisco ), foi somente no governo Fernando Henrique que Daniel Dantas conseguiu turbinar a sua fortuna.
1) Em 1993 ele fundou o Opportunity. Mas, até Fernando Henrique assumir o governo, esta pequena arapuca financeira não tinha nenhuma importância. Em 1996, passou a fazer parte do esquema do Banestado – o envio ilegal de divisas para fora do país – junto com o Araucária, na época o banco da família Bornhausen e outros. O Opportunity especializou-se em colocar para dentro do Brasil dinheiro antes evadido como se fosse capital estrangeiro, para burlar o fisco.
2) Mas nada se comparou às privatizações. Em 1997, antes que começassem as privatizações da telefonia, US$ 2,5 bilhões foram depositados em um fundo do Opportunity, o CVC/Opportunity Equity Partners FIA. Os depositantes haviam sido os fundos de pensões das estatais, controlados por Ricardo Sérgio – então diretor do Banco do Brasil – e por Eduardo Jorge, secretário de Fernando Henrique. Havia centenas de melhores investimentos que os fundos de pensão poderiam fazer. O único efeito – a rigor, o único objetivo – desse depósito, era bancar Dantas, preparando o Opportunity para ser o principal representante tucano nos “consórcios” com empresas estrangeiras.
3) Aproveitando-se do dinheiro dos fundos de pensão estatais, Daniel Dantas, em conluio com uma certa Mary Lynn Turner, diretora do Citibank, fez com que esse banco americano formasse o CVC/Opportunity Equity Partners Ltd. e o nomeasse administrador. Assim, Dantas controlava os dois fundos, o primeiro, conhecido como “CVC/nacional”, e o outro, conhecido como “CVC/internacional”, sem colocar dinheiro de seu – exceto 0,06%.
4) No ano seguinte, com esses dois fundos, Dantas apropriou-se da Telemig Celular e da Amazônia Celular (junção das divisões de telefonia celular das teles do AM, PA, AM, RR e MA). Além do dinheiro dos fundos de pensão depositado no “CVC/nacional”, o governo ainda obrigou esses fundos a montarem um consórcio com o Opportunity – assim, a parte de Dantas no consórcio com os fundos das estatais era bancada por esses próprios fundos – e com a multinacional canadense TIW.
5) Em junho de 1998, Dantas açambarcou a Brasil Telecom (junção das teles do DF, RS, SC, PR, GO, MS, MT, TO, RO e AC). O consórcio foi outra vez entre o Opportunity e os fundos de pensão, mais a Italia Telecom. Dantas havia progredido: dessa vez entrou com 0,56% de recursos próprios.
6) Em ambas as privatizações mencionadas, o governo Fernando Henrique, montou um “acordo acionário”. Na primeira, os fundos de pensão eram obrigados a votar com Dantas nas assembléias do consórcio, a Telparte Participações S.A. Assim, os fundos das estatais depositavam dinheiro seu no Opportunity, eram obrigadas a se submeter a ele na privatização e, depois, obrigados a sustentá-lo na direção das empresas privatizadas. Estabeleceu-se que Dantas só poderia ser destituído da direção do CVC se a oposição a ele tivesse mais de 90% dos cotistas. Por fim, estava previsto que se um fundo de pensão votasse contra Dantas teria seu direito de voto suspenso por 12 anos.
7) Na segunda privatização acima mencionada, estourou o escândalo das gravações do BNDES, com conversas telefônicas onde Mendonça de Barros, Persio Arida, André Lara Resende, Ricardo Sérgio e o próprio Fernando combinavam a entrega da Telemar – a junção de teles de 16 Estados – ao Opportunity e à Telecom Italia. Mendonça de Barros pede que Ricardo Sérgio (diretor do BB, controlador, através de alguns prepostos, da Previ, o fundo de pensão do banco, e arrecadador de Serra e Fernando Henrique) banque o Opportunity. Este fala que “estamos no limite da irresponsabilidade”. Mendonça responde, algo eufórico: “É isso aí, estamos juntos. E Ricardo Sérgio: “Na hora que der merda, estamos juntos desde o início” (v. artigo de Gilson Caroni na página 8). Na verdade, Ricardo Sérgio fazia jogo duplo. Ao final, bancou em parte o Opportunity, mas fez os fundos jogarem principalmente no seu competidor, o grupo Jereissati. Mesmo assim, após o leilão, o governo impõe o Opportunity como sócio minoritário na Telemar.
8) Dantas também entrou na privatização do porto de Santos, através da “Santos Brasil”, na das empresas elétricas (Escelsa – Espírito Santo Centrais Elétricas – e Cemig – Companhia Energética de Minas Gerais), na do Metrô do Rio, sempre com os fundos das estatais à sua disposição, e na maior das privatizações, em que os fundos de pensão se consorciaram com a CSN, a da Vale do Rio Doce, no último momento o Opportunity entrou no açambarcamento da maior mineradora do mundo. Sabe-se o nome de quem aplainou o caminho para o Opportunity na Vale:
Ricardo Sérgio de Oliveira.

Lula apóia as prisões e as investigações da PF
O presidente Lula afirmou que a Polícia Federal cumpriu o seu papel ao prender Daniel Dantas durante a Operação Satiagraha. “A PF faz a sua investigação e toma suas decisões com base em decisão judicial. Ela não pode prender ninguém sem uma decisão judicial, não pode entrar na casa de ninguém sem decisão judicial”, declarou Lula, em entrevista durante a sua visita ao Vietnã, respondendo às críticas contra a ação da polícia.
Para Lula, a única maneira de alguém evitar uma investigação da PF é “andar na linha”. “Quem acha que pode viver de picaretagem, pode viver, mas um dia cai. Aí, vai ter que arcar com as conseqüências. Nós vamos continuar investigando toda e qualquer denúncia contra toda e qualquer pessoa”, assinalou. Quando um repórter perguntou sobre as prisões da PF contra “pessoas importantes” no Brasil, Lula ironizou: “Importante para quem, cara pálida?”. “Do que vi até agora, nenhuma pessoa envolvida tem qualquer importância político-eleitoral”, frisou.
Lula destacou que não quer “nem punir antecipadamente, nem absolver antecipadamente”. O presidente advertiu que “é importante que a PF trabalhe com todo o cuidado para não criar manchetes envolvendo nomes de pessoas que depois se transformam em inocentes e ninguém pede desculpas”.
Na segunda-feira (14), o presidente Lula e os ministros da coordenação política avaliaram como “consistente” e “exitosa” a Operação Satiagraha, em reunião no Palácio do Planalto. Concluíram, contudo, que foi um erro a PF dar exclusividade para a Globo nas imagens das prisões.

PF aponta colunistas e revistas na folha de pagamento de Dantas
O relatório final da Operação Satiagraha, assinado pelo delegado da Polícia Federal, Protógenes Pinheiro de Queiroz, afirma que a organização criminosa de Daniel Dantas manipula a mídia e compra jornalistas. O documento tem um capítulo inteiro sobre o envolvimento da mídia com a organização do dono do Opportunity.
O delegado escreve que as revistas “Veja” e “IstoÉ Dinheiro” estão a serviço do grupo de Dantas. O documento cita nominalmente Diogo Mainardi e a “Veja” como colaboradores da organização criminosa. Em um trecho do relatório, o delegado descreve: “… recente artigo publicado no dia 12.04.2008, edição 2054, da própria revista Veja, elaborado por um dos jornalistas colaboradores dessa organização criminosa, Diogo Mainardi [ OBS: Olha o duplo sentido involuntário: qual é a organização criminosa com a qual Mainardi colabora? A quadrilha do Dantas, ou a vEJA? ], sob o título ‘Entendeu, Tabatha’, eles retomaram algumas das práticas mais antigas e mais imundas do jornalismo, como a chantagem, a mentira, a propaganda do poder e a matéria paga”. A resposta de Mainardi ao relatório da PF foi um insulto ao delegado Protógenes. “É uma citação bisonha, uma patetice que infelizmente pode colaborar para que quadrilheiros escapem”, disse Mainardi.
O documento se refere também à jornalista da “Folha”, Andréa Michael, como “integrante da organização criminosa”, “travestida de correspondente da jornal Folha de São Paulo na cidade de Brasília”. Andréa Michael foi autora de reportagem, em abril, que antecipou, com exclusividade, a operação da PF. Em um diálogo descrito pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, em seu blog, Andréa diz a Guilherme Henrique Sodré Martins (Guiga), membro do círculo íntimo de Daniel Dantas: “Avisa ao Daniel que tenho uma matéria de encomenda para ele”.
A PF revela também que Roberto D’Ávila, da “TVE Brasil”, recebeu R$ 50 mil em 2007 de Nahas e que Leonardo Attuch, editor da “IstoÉ Dinheiro” e colunista da “IstoÉ”, teria feito “artigos jornalísticos encomendados”.
No relatório constou também que no dia 13/01/2007, Daniel Dantas manteve diálogos com a irmã Verônica Dantas e Danielle Silbergleid afirmando textualmente da necessidade de utilizar a conexão direta entre ele e a imprensa como instrumento para plantar informações a fim de confundir a opinião de autoridades públicas nacionais e internacionais na disputa do grupo Opportunity, Citigroup, Telecom Italia pelo controle da BrT.

julho 15, 2008

Dantas falou "PT" e, para o imprensalão, isso basta!! Mas e o Echelon* que a filha de Serra e a irmã de Dantas tinham?

1) Essa daqui eu mandei para a Carta Capital ( site e revista ) quando percebi que o Estadão botou um monte de páginas que levavam a entender que Daniel Dantas surgiu em primeiro de Janeiro de 2003:
“Saudações,
Atualmente, é duro verificar que os jornalões estão inundando suas páginas com as peripécias de Daniel Dantas. E também é fácil verificar que a grande maioria da – assim chamada – opinião pública, ignora quem seja o personagem.
Mas os leitores de Carta Capital o conhecem bem. Pois a revista trouxe as andanças de Dantas pelo universo empresarial brasileiro, de modo que as denuncias conta ele não constituem surpresa.
Mas, voltando aos jornalões ( e revistas ), não acho que seja justo que faturem, agora, esgotando seus repartes, devido ao assunto, quando sabemos que a Carta foi a pioneira e os mesmos jornalões nada traziam a respeito. Por isso, quero sugerir à redação da revista, que lance nas bancas uma compilação das matérias mais importantes sobre Dantas, desde as que saíram quando Carta ainda tinha sua periodicidade mensal; uma espécie de “Guia”, para melhor situar o público nesse imbróglio. Vocês poderiam, até, junto aos textos, trazer as capas de jornais e revistas nos períodos correspondentes, para que possamos comparar quais assuntos eles destacavam, enquanto que Carta Capital trazia mais uma do Dantas.
Sem trocadilho, acho que vocês não devem perder esta “oportunidade”. “
2 ) Sim pois, a vinculação de Dantas ao PT ( e apenas a este ) desvincula o banqueiro das maiores relações, que foram com o governo do FHC. Sem contar a proximidade de sua irmã com a filha de José Serra, que já mencionei aqui algumas vezes. Mas, sem o brilhantismo deste post, publicado hoje no Entrelinhas, de Luiz Antonio Magalhães, que traz uma revelação chocante: entre os vários serviços que a empresa das duas Verônicas oferecia, havia algum tipo de “pesquisa cadastral” num “banco de dados” ( ou seria uma planilha? Tá, bom. Brincadeira. Desculpe. ) de 70 milhões de registros de brasileiros; de onde viriam tais informações? Da Kroll? Da Knowx ( ou, mais precisamente, da ChoicePoint )? Quiçá, da base de dados dos paulistas que a Secretaria de Segurança de SP pensava em vender ( leia: “Dados ou vendidos?“, neste blog, em 06.06.06 ) para a iniciativa privada ( apesar de, honestamente eu não saber dizer se a idéia se concretizou ) ? Bom, se não estou enganado, Greg Palas afirmou que dados de colombianos e brasileiros estariam sendo adquiridos pela ChoicePoint. Depois eu levanto essa capivara decentemente.
Luiz conclui o post afirmando que o empreendimento tem todo o jeito de coisa típica do Serra:
A pergunta que a mídia não faz: filha de Serra tem relações com a irmã de Dantas?
Blog ENTRELINHAS, 15.07.08
Verônica Serra, filha do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), mantem hoje algum tipo de participação na empresa Decidir.
Com, da qual fez parte em sociedade com Verônica Dantas Rodenburg, irmã de Daniel Valente Dantas?
Esta pergunta, pelo menos ao que este blog tenha conhecimento, não foi nem sequer formulada pelos jornalões e revistonas da grande imprensa brasileira. A nota abaixo, publicada em setembro de 2002 na revista IstoÉ Dinheiro, informa que Verônica Serra “tirou o seu nome” da empresa antes do pai ser formalmente indicado candidato do PSDB à presidência.
AS DUAS VERÔNICAS
Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, era sócia até 3 de maio último de Verônica Dantas Rodenburg, irmã de Daniel Dantas, do Opportunity. Elas fundaram juntas uma empresa de internet, a Decidir.com, que continua em plena atividade. A empresa foi registrada em Miami no dia 3 de maio de 2000, sob o número P00000044377. Tem filiais na Argentina, Chile, México, Venezuela e Brasil. O site oferece dicas sobre oportunidades de negócios, incluindo a área de licitações públicas no Brasil. Consta no site: “Encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”. A filha de Serra tirou o nome da empresa antes do pai ser oficializado candidato.
Ora, passadas as eleições, Verônica Serra voltou a se associar com a sua xará? Uma visita ao site Decidir.com traz algumas pistas, mas não todas. É possível saber que entre os investidores do negócio está o Opportunity, porém não há nenhum link para a diretoria da empresa ou equipe que comanda o empreendimento.
A visita, no entanto, vale a pena só pela descoberta do tipo de negócio com o qual as duas Verônicas se envolveram. Entre os produtos oferecidos estão:
1. Informações de Crédito – consultas sobre CPFs, protestos, cheques devolvidos, etc.
2. Serviço de Verificação de Identidade
3. Segurança Eletrônica
O segundo “produto” é oferecido com a seguinte descrição:
O que é o Serviço de Verificação de Identidade (SVI)?
O SVI representa a solução mais simples, ágil e prática para o problema de cadastros e mailings com dados duvidosos ou desatualizados. Se você quiser otimizar a utilização das bases de dados de clientes ou prospects e ainda ampliar os dados que possui de um cadastro pré-definido, o SVI é o seu maior aliado em uma ação eficiente para alcançar o target desejado.
• Como funciona o SVI?
1. Através do SVI, você enviará à DECIDIR a lista com apenas um dos campos dos seus registros preenchidos (ex. CPF).
2. A DECIDIR realizará as verificações sobre a validade dos dados, utilizando as bases de dados do seu sistema que compreendem mais de 70 milhões de registros em todo o Brasil.
3. Em poucas horas você recebe de volta a listagem original dos CPFs com os dados estatísticos que apontam a qualidade daquela base de dados. Para os registros válidos encontrados na base da DECIDIR, você receberá todas as informações que estão relacionadas àquele CPF. Como o leitor pode perceber, é até possível que Verônica Serra já não esteja mais neste ramo, mas que o negócio tem toda a cara do pai dela, ah, isto tem!
3 ) * ECHELON - saiba mais
4 ) Hoje, a Folha traz a informação de que o Dantas contratou advogados “ligados” ao PT, sem contrato formalizado ou rastro disso. São os atuantes Kakay e Teixeira, e seus serviços teriam sido prestados entre 2003 e 2005 ( ou seja, do começo do governo Lula, até a época dos eventos conhecidos como “Escândalo do Mensalão ); esses pagamentos teriam sido detectados durante uma auditoria feita na Brasil Telecom, em 2005 [ OBS: a matéria fala em "documentos inéditos" da auditoria ocorrida há 3 anos? Ninguém se interessou em divulgá-los desde então? ] a partir de pedido dos fundos de pensão, quando estes conseguiram o controle sobre a empresa, que vinha sendo comandada por Dantas. Essa auditoria constataria, também, que Dantas usava dinheiro da BrT para pagamento de funcionários dos quadros do Opportunity, informação – e denúncia – incluída na representação contra Dantas, apresentada contra ele pelos novos diretores da BrT, junto à CVM. O que nos leva a Teixeira e Kakay. Eles teriam recebido grana da BrT para fazer serviços de interesse do Opportunity. Mas, isso somente diria respeito a Dantas e a BrT, pois, a menos que os advogados soubessem que o dinheiro era da telefônica, isso é assunto interno que deve ser resolvido pelos acionistas.
Uma coisa que me parece inexplicável é por quais motivos um sujeito como Daniel Dantas [ que, ao que parece, capaz de grampear um monte de gente ( ironicamente, parece que até Naji Nahas e Paulo Maluf foram investigados pelo SSD - Serviço Secreto Dantesco ), contratar os serviços de espionagem da Kroll, comprar parte substancial do imprensalão ( se não a maior parte ) ] contrataria justamente para “prestar serviços” ( não estou sendo irônico, é que a expressão é vaga ) um advogado ligado a Lula e outro a Zé Dirceu, com tantos à disposição no país? E por quê um advogado nessas condições aceitaria “prestar serviços” a alguém com a biografia de Dantas, sabendo que isso poderia resultar em suspeitas, não contra Teixeira ou o Kakay, mas contra Lula, Dirceu, Dilma ou seja lá quem fosse? Ingenuidade assim, nem nos contos de fada sob a ótica de Walt Disney. Ainda mais se pensarmos que em 2002, ao que parece, Dantas já mandava grampear pessoas que fariam parte do governo Lula ( o que me faz refletir, agora, se Celso Daniel não teria sido, também, um dos personagens grampeados pelo esquema; isso poderia ter mudado completamente seu destino ).
Outa coisa: parece haver um movimento na direção de indispor a opinião pública contra os “excessos” da PF. Isso significaria dar, automaticamente, o aval às seguidas decisões de Gilmar Mendes que soltou Dantas por duas vezes. Mostrar petistas como Dirceu e Greenhalg se queixando das supostas arbitrariedades, ao contrário de parecer isenção, objetiva sugerir que tudo é feito pela PF na base da força excessiva, não importando quem seja ( incluíndo-se aí, é claro, a prisão com algemas de Dantas ). Para levar-nos a crer que o Juiz Sanctis e a PF estão errados e Gilmar Mendes, certo, haja ginástica.
E o vazamento de informações à Globo não é, simplesmente, um excesso, mas um favorecimento muito esquisito, e não atenta contra algum direito dos presos, em particular, mas de todos os cidadãos, que devem se perguntar o por quê dessa preferência:
Dantas pagou advogados ligados ao PT sem contrato
15/07 – – Folha de SP
Defensores próximos de Lula e Dirceu dizem ter prestado serviços entre 2003 e 2005
Dados sobre os pagamentos estão em auditoria feita a pedido dos novos donos da BrT, que foi gerida pelo banco de Dantas até 2005
RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
LEONARDO SOUZA DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Documentos inéditos da auditoria interna da Brasil Telecom de 2005 sobre a passagem do banqueiro Daniel Dantas no controle da companhia telefônica revelam pagamentos de R$ 1,2 milhão para o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de pelo menos R$ 3 milhões para o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, amigo do ex-ministro José Dirceu (PT), sem que os auditores tivessem encontrado os contratos para a prestação de serviços de advocacia.
Kakay recebeu ao todo R$ 8,3 milhões. A auditoria encontrou apenas um contrato de R$ 5,3 milhões -sobre o qual afirmou não ter localizado nenhuma comprovação de efetiva prestação de serviços advocatícios. Teixeira afirmou que tem consigo uma cópia do contrato.
A Brasil Telecom foi controlada pelo banco de Dantas até meados de 2005, quando os fundos de pensão de estatais conseguiram na Justiça assumir o controle da companhia. Os novos donos então determinaram uma ampla auditoria.
A Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que investiga e prendeu Dantas na semana passada, apura atividades de advogados remunerados pelo banqueiro sem atuar formalmente em processos judiciais relacionados ao banco, como o ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT). Para a PF, tratava-se de lobby político. Ele nega irregularidades.
De acordo com documentos do relatório da auditoria da telefônica, aos quais a Folha teve acesso, o escritório de Roberto Teixeira foi pago pela BrT “para prestar serviços para o Opportunity”. Em dezembro de 2005, os auditores concluíram: “Não foram localizados contratos de Roberto Teixeira com a Brasil Telecom. Foram localizados pedidos de compra sem contrato e pagamentos para Roberto Teixeira, que somam R$ 1,2 milhão, entre abril de 2003 e março de 2005″.
Teixeira, segundo o histórico dos pagamentos, passou a ser remunerado três meses depois da chegada de Lula à Presidência. Os auditores citaram Teixeira como “advogado muito próximo de Lula”.
Em outra parte do relatório, os auditores listaram 39 pagamentos a empresas e pessoas físicas feitas a partir de “pedidos não vinculados a contratos”. São pagamentos de cerca de R$ 285 milhões. Entre os beneficiários, o escritório de Kakay, em Brasília, com R$ 8,3 milhões. Esse trecho do relatório é descrito como “análise de pedidos não vinculados a contratos, realizados pela presidência [da Brasil Telecom] e outras diretorias”.
A parte do relatório que trata dos serviços de Kakay traz um resumo das ligações políticas do advogado: “Conhecido como Kakay; advogado de DD [Daniel Dantas] no caso Kroll, juntamente com Nélio Machado e Oliveira Lima. Seriam também advogados de Carla Cicco no caso Kroll; Almeida Castro é muito amigo de José Dirceu (advogado desse) e diversas vezes ofereceu ajuda política a DD para aproximá-lo do governo por meio de Dirceu; DD recebe forte auxílio do PFL (ACM, Jorge Bornhausen e Heráclito Fortes)”.
A auditoria também localizou um e-mail trocado entre um escritório de advocacia do Rio e o ex-diretor da Brasil Telecom Participações Humberto Braz, que se entregou ontem à PF, no decorrer da Operação Satiagraha. Ele é acusado de ter participado da tentativa de suborno dos delegados que atuam no caso, Victor Hugo Ferreira e Protógenes Queiroz.
O e-mail revela que Braz tinha um papel importante na relação entre a Brasil Telecom e advogados. Ele participou de uma reunião “no escritório do Kakay”, em Brasília, na qual foi “acertado” o pagamento de honorários “a título de êxito” no valor de US$ 1 milhão. Os advogados queriam suspender um mandado de segurança no STF ( Supremo Tribunal Federal ).
A auditoria na Brasil Telecom, concluída em dezembro de 2005, investigou pagamentos, contratações e serviços entre os anos de 2002 e 2005.
Outro lado
Advogado diz que prestou serviço a BrT
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA REPORTAGEM LOCAL
O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que os R$ 8,3 milhões que recebeu da Brasil Telecom se devem a dois serviços prestados, um diretamente à companhia e o outro na defesa de Carla Cicco, ex-presidente da companhia, e do banqueiro Daniel Dantas em processo criminal em São Paulo.
O advogado Roberto Teixeira informou, por meio de assessoria, que tem em mãos o contrato prestado para a Brasil Telecom. “Se os auditores não acham o contrato, o problema é deles. A nossa cópia está conosco”, informou Teixeira, por escrito. Indagado, por intermédio da assessoria, sobre prazos, condições, objetivos e pagamentos do contrato, ele respondeu que “os advogados não têm o contrato à mão e consideram má-fé dos auditores dizerem que não há contrato”.
O primeiro caso citado por Kakay se refere ao acompanhamento de dois procedimentos de investigação no Ministério Público Federal sobre a privatização da CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações), comprada em 2000 pela BrT.
Por conta desse primeiro contrato, Kakay recebeu R$ 5,3 milhões. Segundo ele, sua função era orientar os advogados da BrT sobre como proceder nos trabalhos de investigação do Ministério Público.”Dizem que eu não fiz nada nesse caso. Atuei diretamente com os advogados da BrT, orientando-os passo a passo durante todo o tempo”, disse Kakay, acrescentando que seus honorários se justificam pelos valores envolvidos.
Os outros R$ 3 milhões, afirma o advogado, dizem respeito à defesa de Dantas e de Cicco, como pessoas físicas, no inquérito da Operação Chacal, que apurou a participação dos dois na contratação da agência Kroll para investigar autoridades do governo brasileiro.
A assessoria do banco Opportunity em SP informou que as notícias sobre os pagamentos sem contratos a Teixeira e Kakay “já foram divulgadas” em anos anteriores. Disse que o jornal poderia buscar “em seus próprios arquivos” as respostas sobre as indagações feitas pela reportagem ontem à noite.
Outro lado
Petistas negam tráfico de influência
EM SÃO PAULO
O ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT) voltou ontem a negar que tenha feito tráfico de influência no Planalto em prol do banqueiro Daniel Dantas, mas se recusou a comentar a nota do chefe-de-gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho.
Também em nota, Greenhalgh disse que atuou como advogado e criticou a acusação da Polícia Federal de que ele transita “nos subterrâneos” dos tribunais com o objetivo de favorecer Dantas.”Não é possível classificar como ato ilícito o fato de um advogado transitar nos tribunais, inferiores ou superiores, bem como nas delegacias… Isso faz parte da rotina diária de todo advogado.”
O ex-deputado negou ainda ter tratado do caso em encontro que teve no aeroporto de Brasília com José Dirceu (PT), em maio. “Nunca tratamos sobres Dantas, nem nesse encontro nem em outros.”
Dirceu também negou: “Audácia e certeza da impunidade não têm limites na PF”.
“Evanise Santos é minha namorada e nessa condição foi procurada por Greenhalgh, e não como funcionária da Presidência”, disse em seu blog.
íntegra
“Não fiz contato algum com a PF”, afirma Carvalho
DA REDAÇÃO
Leia a íntegra da nota de Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete do presidente Lula.
“Esclarecimentos do chefe do gabinete pessoal do presidente da República, Gilberto Carvalho, sobre o contexto das conversas que teve com o advogado e ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, mencionadas no noticiário relacionado à Operação Satiagraha da Polícia Federal.
No dia 28 de maio, o dr. Luiz Eduardo Greenhalgh informou-me que um cliente seu, Humberto Braz, cuja identidade até então eu desconhecia, fora seguido no Rio de Janeiro, após deixar os filhos na escola, e que, interceptado pela polícia do Rio, o condutor do carro que pretensamente lhe fazia a perseguição se apresentou como tenente da Polícia Militar de Minas Gerais, exibindo documentos que diziam estar a serviço da Presidência da República. Dr. Greenhalgh me indagou se procedia esta informação, uma vez que poderia se tratar de tentativa de seqüestro comum, com uso de documentação falsa. Procurei o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. Fui informado de que o referido tenente estava credenciado pelo GSI, mas o trabalho que realizava nada tinha a ver com o cidadão citado. Repassei pelo telefone esta informação ao dr. Greenhalgh, que, na ocasião, pediu que eu obtivesse mais informações junto à Polícia Federal. Como já havia dado a informação essencial ao advogado no que dizia respeito à segurança pessoal de seu cliente, não fiz contato algum nem com o Ministério da Justiça e nem com a direção ou qualquer integrante da Polícia Federal, conforme já declarado pelas respectivas autoridades.
Presidente diz a ministros ver excessos em operação policial
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em reunião ontem com seus principais ministros, o presidente Lula avaliou a Operação Satiagraha como “consistente do ponto de vista investigatório” e “positiva” para a imagem do governo, segundo relatos obtidos pela Folha.
Lula fez dois reparos à operação. Disse que o vazamento da prisão do ex-prefeito Celso Pitta para a TV Globo é um excesso e pediu que o ministro Tarso Genro (Justiça) tome providências disciplinares. Também julgou excessivo o uso de algemas. Disse, porém, que deve haver um critério único.
O presidente defendeu o chefe-de-gabinete, Gilberto Carvalho, que apareceu em um grampo conversando com Luiz Eduardo Greenhalgh (PT). Disse em conversa reservada que ele, Carvalho e o ministros devem redobrar cuidados com pleitos de amigos e de partidários sem cargo público em audiências e telefonemas. (KENNEDY ALENCAR E VALDO CRUZ)
Defesa critica Tarso e diz que Abin é “SNI”
Advogado de Dantas afirma ter constatado grampos ilegais de conversas entre advogados, segundo ele uma “barbaridade”
Para Nélio Machado, que vê interesse político de Tarso, é reprovável ministro ter dito que será “muito difícil” para Dantas provar sua inocência
ROBERTO MACHADO
DA SUCURSAL DO RIO
O advogado Nélio Machado, que defende Daniel Dantas, acusou a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) de estar agindo de forma ilegal e paralela à investigação da Polícia Federal e criticou o comportamento do ministro da Justiça, Tarso Genro, no episódio da prisão do dono do Opportunity.
Preso duas vezes na semana passada e beneficiado por habeas corpus concedido pelo STF ( Supremo Tribunal Federal ), Dantas é acusado de chefiar uma quadrilha responsável por diversos crimes financeiros e fiscais a partir das empresas do grupo Opportunity.
O advogado afirmou que existem indícios de que agentes da Abin interceptaram ilegalmente conversas telefônicas. “Eu constatei interceptação da conversa de advogados, o que é uma barbaridade. Tem inclusive interceptação de conversa do meu cliente com um advogado dele nos Estados Unidos.”
Segundo Machado, há indícios de que a Abin tenha monitorado a comunicação entre os advogados de Dantas, no Rio e em Brasília. “Incluindo troca de e-mails entre o meu escritório e o do Pedro Gordilho e Alberto Pavie. Também com o de Luiz Carlos Madeira, em Brasília. São todos advogados da maior seriedade. É uma audácia interferir mediante grampo, que eu acredito que seja ilegal.”
Disse ter indícios de que a ida de Pavie ao STF, na última terça, horas após a prisão de Dantas, foi monitorada pela Abin: “Essa investigação é muito estranha porque revela, de maneira chapada e indisfarçável, a presença de uma entidade que não tem nenhuma atribuição de atuar em investigação de natureza penal, que eu chamo de SNI [Serviço Nacional de Informações, antigo nome da Abin].”
O advogado de Dantas afirmou que Tarso teria interesses políticos no episódio. “Vê-se que o presidente da República lançou, ou pelo menos prestigiou, a ministra Dilma [ Rousseff ]. Subitamente vê-se o ministro Tarso ocupar espaço. Ele integra o Executivo e está agindo meio à solta. O próprio presidente deu declarações posteriores muito mais comedidas.”
Machado disse que a avaliação de Tarso, em entrevista à Folha publicada no domingo, de que seria “muito difícil” para Dantas provar inocência é “reprovável” ( OBS: “reprovável” é a Folha colocar a frase como manchete; isso o Genro não tem controle sobre; mas foi prematura essa entrevista, sim ) . “Ele está agindo como o algoz. Faz juízo de valor.”
Sobre o depoimento de Hugo Chicaroni, que disse ter recebido dinheiro para tentar subornar um delegado da PF em benefício de Dantas, Machado afirmou tratar-se de ação “isolada”. “Não há envolvimento do meu cliente com aquela ação.”
Ao criticar a atuação do juiz da 6ª Vara Criminal de São Paulo Fausto De Sanctis, que ordenou as prisões de Dantas, Machado antecipou uma das linhas que utilizará na defesa. “Um juiz tem que se preocupar com o julgamento técnico. Esse caso está viciado desde o início porque violaram o HD [disco rígido] do banco [Opportunity] contra uma ordem judicial do STF. Juiz de primeira instância não pode ir contra o Supremo.”
Agência admite atuação, mas nega “clandestinidade”
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) confirmou que agentes secretos, a pedido do delegado Protógenes Queiroz, participaram da Operação Satiagraha ( OBS: Não é necessário algum tipo de documento de requisição entre as agências? Lembrei dum caso envolvendo arapongas no Ministério da Saúde, à época de Serra; se não me engano, eram necessários certos procedimentos para tal fim ) O órgão negou ter atuado “clandestinamente”, mas sua atuação foi considerada irregular pelo governo.
Ontem, durante reunião de coordenação, o ministro Tarso Genro (Justiça) confirmou a participação de agentes da Abin na operação e afirmou que esse foi um dos erros cometidos por Queiroz. Tarso disse ao presidente Lula que o delegado não adotou o procedimento normal -fazer o pedido à Abin pela diretoria de operações da PF ( OBS: Ah! Tá aqui! ).
Em nota, a Abin afirmou ontem que o diretor-geral do órgão, Paulo Lacerda, “não tem e não teve nenhuma participação ou iniciativa, muito menos ingerência, nos fatos que resultaram” na ação, mas que é comum a “cooperação com os demais órgãos públicos”. “[A Abin] não realiza quaisquer atividades para as quais não possua respaldo na legislação.”
A Folha revelou, no dia 10, que agentes da Abin atuaram no caso à revelia da direção da PF. Em maio, agentes seguiram o carro de Humberto Braz, assessor de Dantas, pelas ruas do Rio. (LUCAS FERRAZ e VALDO CRUZ)
Procuradores avaliam pedido de impeachment para Mendes
DA REPORTAGEM LOCAL
Não está consolidado, mas procuradores da República estudam a possibilidade de pedir o impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, que determinou a soltura do banqueiro Daniel Dantas mesmo sem analisar as provas e a decisão do juiz de 1ª instância.
A idéia, que seria encabeçada pela procuradora Ana Lúcia Amaral, vem sendo discutida na intranet do Ministério Público. Procuradores entendem que Mendes cometeu crime de responsabilidade ao ignorar os tribunais de 2ª e 3ª instâncias.
Alguns acreditam que a iniciativa teria o apoio da classe (179 procuradores assinaram carta de apoio ao juiz Fausto Martin De Sanctis) e dos magistrados (cerca de 400 juízes do Tribunal Regional Federal assinaram manifesto de repúdio à decisão de Mendes).
O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), disse ontem que a Casa tem competência para avaliar um impeachment. “Mas acho difícil prosperar. O que está sendo discutido é uma decisão judicial, não é crime de responsabilidade, a não ser que o documento traga alguma consistência em relação ao crime.”

julho 14, 2008

Para a oposição, fora-da-lei é a Polícia Federal e não Dantas

DD se cevou sob o governo Fernando Henrique
Hora do Povo, ed. 2683
A oposição descobriu repentinamente que a PF está sendo muito brutal, arbitrária – um hooorror, como diria certo senador tucano. A descoberta aconteceu algumas horas após a prisão do notório Daniel Dantas, acusado de gestão fraudulenta, formação de quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, uso de informações privilegiadas, tentativa de suborno a um policial e outros crimes. Foram presos, também, o especulador Naji Nahas, o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta e mais 19 pessoas. Na noite de quarta-feira, o presidente do STF, Gilmar Mendes, concedeu habeas corpus a Dantas e a mais 10 presos ligados a ele.
A prisão de Dantas causou abalos sísmicos em alguns tucanos, demos & nos costumeiros comerciantes da pena. Uma comentarista “econômica” apareceu algo transtornada; um ingrato que faz ponto numa revista de má fama, na hora do aperto resolveu atacar o seu antigo benfeitor; o senador Heráclito Fortes (Dem-PI), que não tem esse problema de caráter, confirmou sua condição de luminar da “bancada DD” (bancada do Daniel Dantas), usando a sessão do Senado para questionar a prisão, e atalhou: “pelo menos, sou da bancada de um bandido que produz, que gera emprego”. Não se sabe o que o bandido em questão produz, mas, quanto aos empregos, é verdade – até agora ele empregou um batalhão de advogados. Porém, nenhum superou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio, nos últimos tempos em acendrada campanha para acabar com o etanol brasileiro pelo método do consumo interno (v. matéria abaixo).
Dantas é o empreendedor demo-tucano por excelência – até hoje não empreendeu nada, exceto um banquinho de segundo andar, o Opportunity, mas é um ás para se apropriar da propriedade pública (sempre com dinheiro alheio, de preferência do próprio Estado) e para comprar apoios na mídia e no Congresso, recorrendo àquele mercado onde alguns disponibilizam a honra e a consciência. Desde que seus sócios estejam no governo, ele faz milagres. Quando não estão, ele vai parar na cadeia – tentou usar seu tradicional método de atuação, oferecendo um suborno de US 1 milhão ao delegado Vitor Hugo Rodrigues Alves Pereira, o que só acrescentou mais um crime à sua lista. O emissário para esse suborno disse ao delegado, numa conversa gravada, que Dantas estava preocupado “apenas com o processo em primeira instância, uma vez vez que no STJ e no STF ele resolveria tudo”.
Em 1997, um ano antes que o governo Fernando Henrique iniciasse as privatizações, US$ 2,5 bilhões dos fundos de pensão das estatais foram depositados no CVC/Opportunity Equity Partners FIA, um fundo de Dantas. Foi esse dinheiro dos fundos estatais que ele apresentou como cacife ao Citibank para se tornar administrador também do CVC/Opportunity Equity Partners Ltd., um fundo estrangeiro. Foi com esses recursos que ele entrou no negócio das privatizações. Seu mesmo, havia 0,06% do capital.
No entanto, sob os auspícios do governo Fernando Henrique, ele montou, em 1998, um “consórcio” do Opportunity com os fundos de pensão e a multinacional canadense Telesystem International Wireless Inc. (TIW) para se apropriar da Telemig e da Telenorte celular. O então governo fez uma montagem acionária que obrigava os fundos de pensão das estatais a votar com Dantas nas assembléias do consórcio, denominado Telparte Participações S.A.
Depois, açambarcou a Brasil Telecom com apenas 0,56% de recursos próprios. O resto era dos fundos de pensão e do Citibank. Nesse caso, o consórcio era com a Italia Telecom. O então governo obrigou os fundos a assinarem um acordo pelo qual seriam necessários mais de 90% dos votos dos cotistas para destituir Dantas da direção do CVC. Se algum fundo estatal votasse contra Dantas, estava prevista a cassação de seu direito de voto por 12 anos.
O escândalo estourou quando foram divulgadas os grampos do BNDES. Nessas gravações, uma seleta cepa de tucanos (Mendonça de Barros, ministro das Comunicações; André Lara Resende, presidente do BNDES; Persio Arida, ex-presidente do Banco Central; Ricardo Sérgio, diretor internacional do Banco do Brasil; e o próprio Fernando Henrique, presidente da República) tramavam a entrega da Tele Norte Leste ao Opportunity e à Italia Telecom. A conspiração fracassou quando Ricardo Sérgio, ex-arrecadador de Fernando Henrique e José Serra, fez um acordo com o outro grupo que disputava esse naco da telefonia, a Telemar.
Em abril de 2002, os fundos de pensão revoltaram-se contra a submissão a Dantas. Este resolveu pressionar Fernando Henrique para que continuasse a sustentá-lo. Apareceu, então, na imprensa, as primeiras páginas de um dossiê sobre as privatizações. A fonte era Dantas. Na noite de 3 de maio de 2002, Dantas reuniu-se com Fernando Henrique na própria residência presidencial, o Palácio da Alvorada. Um mês depois, a 3 de junho de 2002, o governo interveio na Previ – o fundo de pensão do Banco do Brasil – demitindo os diretores que se opunham a Dantas.
Já tão cedo, Virgílio?
O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio, não se conteve depois que o senador Pedro Simon, mui justamente, afirmou que “usar algema, fazer figuração, filmar, essa coisa toda, é um exagero que não devia, mas se [gostar de] ver o Sr. Dantas preso, até de algema, é um pecado, eu o cometi!” e, comentando os protestos de alguns colegas, lembrou: “vocês já se deram conta do exagero de gente entrando na favela, prendendo os pobres dos gurizinhos, amarrando os pés, amarrando as mãos? Vocês já se deram conta de quantas vezes a Polícia Federal entrou na miséria e na fome e ainda matou? Eu não vi protestos. Agora…”.
Eis um resumo do que se seguiu:
VIRGÍLIO – Sr. Presidente, faço questão de falar após o senador Pedro Simon. Vou para a tribuna.
SIMON – V. Exª pode falar depois de mim, mas dizer que faz questão e que vai ser, não. Depois de mim, será o Jarbas, que foi anunciado. Depois, virá S. Exª. “Faço questão de falar” dá a entender que há um superpoder, [que] quem fala e determina é V. Exª.
VIRGÍLIO (depois de subir à tribuna) – Já estou aqui, senador. V. Exª me conhece e sabe que vou falar.
SIMON – Já há alguém na tribuna, Sr. Presidente. Não pode haver dois, Sr. Presidente. Ou estou falando e há alguém fora do prazo na tribuna ou ele está na tribuna e devo me sentar.
PRESIDENTE (Garibaldi Alves) – A palavra está assegurada a V. Exª.
SIMON – Ah, então, ele está irregularmente na tribuna.
VIRGÍLIO – Quem está irregular é o Presidente do Banrisul.
PRESIDENTE (Garibaldi Alves) – Senador Arthur Virgílio. Senador Arthur Virgílio.
SIMON – O que é isso? Há alguém na tribuna. O que é isso, Sr. Presidente?
PRESIDENTE (Garibaldi Alves) – Senador Arthur Virgílio, senador Arthur Virgílio, V. Exª está ocupando a tribuna indevidamente.
SIMON – Então, saia. Se está indevidamente, saia.
PRESIDENTE (Garibaldi Alves) – Peço a V. Exª que deixe a tribuna.
VIRGÍLIO – Eu vou ficar aqui.
SIMON – Se está indevidamente, saia!
(O presidente toca a campainha.)
SIMON – Sr. Presidente, espero a determinação de V. Exª. Se S. Exª for falar da tribuna, eu não quero que V. Exª seja humilhado. Eu sento para que ele fale. Mas acho que ele deve sair e eu continuar falando.
VIRGÍLIO – Não vou sair daqui!
SIMON – Ele disse que não sai, Sr. Presidente.
PRESIDENTE (Garibaldi Alves) – Senador Arthur Virgílio, peço a V. Exª que deixe a tribuna.
VIRGÍLIO – Não vou deixar a tribuna, Sr. Presidente.
SIMON – Não vou humilhar V. Exª. Havendo dois oradores, um na tribuna e outro no plenário, se for no sentido de homenagear V. Exª, eu homenageio V. Exª me sentando para que ele fale. Agora, eu falar aqui e ele da tribuna, isso não existe, Sr. Presidente. E ele diz que não sai.
PRESIDENTE (tocando a campainha.) – Senador Arthur Virgílio, eu faço um apelo a V. Exª. V. Exª terá a palavra logo quando for concedida a palavra a V. Exª. Deixe a tribuna, faço um apelo a V. Exª.
VIRGÍLIO – Vou atender a V. Exª embora não esteja num lugar irregular. Essa hipocrisia vai acabar hoje. Essa hipocrisia não passa de hoje. Vou acabar com ela hoje.
SIMON – Sr. Presidente.
PRESIDENTE – Com a palavra, o Senador Pedro Simon.
SIMON – Eu não tenho nenhuma dúvida, Sr. Presidente. Eu não tenho nenhuma dúvida de que o fato é grave.
VIRGÍLIO – Vai acabar hoje.
Pelos 3% que Virgílio teve como candidato a governador, dentro em breve vai acabar mesmo.
E MAIS:
Nahas inclui José Serra na quadrilha em golpe de R$ 80 milhões
Amigos do Presidente Lula
Folha ataca Protógenes para proteger a mídia
Blog do Rovai

julho 12, 2008

Caso Daniel Dantas. Nova soltura. Chegou a hora do Impeachman do ministro Mendes.

Wálter Fanganiello Maierovitch, do IBGF – Instituto Brasileiro Giovanni Falcone
12.07.08

Prezados, segue a entrevista que dei para o Portal do Terra e ao jornalista Diego Salmen.

Para o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo, Wálter Maierovitch, o novo habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, ao banqueiro Daniel Dantas mostra que o presidente do STF está “extrapolando suas funções”.
- Ele (Gilmar Mendes) está atuando com abuso de direito. Está extrapolando as funções dele. O Supremo virou ele – critica.
Presidente e fundador do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais, Maierovitch diz que já é hora de pensar num impeachment do presidente do presidente do Supremo.
- Para o presidente da Republica tem impeachment, o ministro Celso Mello considera que pode haver impeachment para ministros do próprio Supremo. Está na hora de se pensar num impeachment do Gilmar Mendes.
Leia a seguir a entrevista com Wálter Maierovtich:
Terra Magazine – Como avalia a nova libertação de Daniel Dantas?
Wálter Maierovitch - Eu vejo isso da pior forma possivel. Pelo seguinte: a prisão preventiva é necessária. O Daniel Dantas até falou hoje que ia abrir a boca. Se trata de uma potentíssima organização criminosa que age ininterruptamente. Os documentos comprovam o poder corruptor dela.
Na decisão, Gilmar Mendes argumenta que “não há fatos novos de relevância suficiente a permitir a nova ordem de prisão expedida”.
Os fatos novos existem, tanto que foram usados documentos aprendidos nas diligências da Polícia Federal. Os institutos são diferentes: a prisão temporária garante o sucesso das operações, a preventiva é para garantir a ordem pública. Outra coisa: o Supremo é um órgão colegiado. O Gilmar Mendes é um preparador do que os outros vão julgar. Ele está contrariando a jurisprudência, que diz que liminar em habeas corpus liberatório só pode ser concedida quando há abuso evidente. Quando não é evidente, tem que mandar para o plenário do Supremo. Ele está atuando com abuso de direito. Está extrapolando as funções dele. O Supremo virou ele.
Imagine alguém que esteja preso por homicídio. Aí a vítima aparece viva. Tem que assinar uma liminar para o acusado pelo homicidio sair da cadeia. Aí sim. Ele (Gilmar Mendes) tá exagerando nisso. Existe prova nova, não só isso, como também se aplicou outra forma de cautela, que é a prisão preventiva. E está evidente que Dantas em liberdade irá intimidar e atrapalhar as investigações.
Um assessor de Daniel Dantas disse que seria “fácil” resolver uma eventual indiciação de Daniel Dantas no STF. Isso não constrange o ministro Gilmar Mendes?
Isso pode ser uma bravata, mas o que dizer de um fato tão grave quanto esse, que é quando a Ellen Gracie impediu a abertura do disco rigído do Opportunity. O Daniel Dantas já foi muito beneficiado pela Justiça. Para o presidente da Republica tem impeachment, o ministro Celso Mello considera que pode haver impeachment para ministros do próprio Supremo. Está na hora de se pensar num impeachment do Gilmar Mendes.

MAIS:
Continue acompanhando o caso pelo TERRA MAGAZINE . Evite o imprensalão.
Em conversas na PF, Daniel Dantas afirma ter corrompido jornalistas
Portal Imprensa, 11.07.08
121 juízes demonstram indignação com Mendes
Terra, 11.07.08
Jornal confunde os Dantas e publica foto de ator no lugar de banqueiro
Comunique-se, 11.07.08

Apoiamos o juiz federal Fausto De Sanctis
Esse blog tem como único objetivo demonstrar o apoio de muitos brasileiros aos atos do juiz federal Fausto Martin De Sanctis no conhecido “caso Daniel Dantas”

Estadão mostra foto de Lênin e diz que é Stalin
ENCALHE 28.05.07
Jornal OESP, edição de Domingo, Caderno de Cultura, pag. D4
Resenha de Ronaldo Bressane, sobre livro de Martin Amis.
Ilustrando o texto a foto de uma estátua do camarada Lênin; sob ela, a inscrição: “ESCULTURA DE STALIN”. ( Só que, infelizmente, não traz a foto. Fica para registro, mas um dia eu descolo, devo ter em algum lugar )

Anamatra divulga nota sobre a Operação Satiagraha
Entidade se manifesta em defesa da independência judicial

julho 8, 2008

Dantas tentou subornar delegado da PF, afirma MP

AE, 08.07.08
A Procuradoria da República no Estado de São Paulo, do Ministério Público Federal (MPF), informou que duas pessoas que também tiveram a prisão preventiva decretada na Operação Satiagraha, da Polícia Federal (PF), ofereceram, a mando do sócio-fundador do Banco Opportunity, Daniel Dantas, cerca de US$ 1 milhão para um delegado federal que participava das investigações para que alguns nomes do inquérito policial fossem retirados. Para a operação deflagrada hoje, foram expedidos 24 mandados de prisão. Foram presos Daniel Dantas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas, além de outros suspeitos.
A tentativa de suborno foi revelada pelo delegado ao juiz, que autorizou uma ação controlada, ou seja, os contatos continuaram sem que fosse dado o flagrante de corrupção ativa contra os corruptores com o intuito de se obter mais informações e provas. “O grupo chegou a dar R$ 129 mil ao policial”, informa o comunicado do MPF. A Polícia Federal e o MPF informam que estão apurando o vazamento de informações sigilosas do inquérito e que isso será objeto de investigação própria.
Os laudos periciais obtidos nas investigações indicam que o grupo de Dantas teria cometido crime de evasão fiscal de divisas por meio do Opportunity Fund, uma offshore no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Caribe. De acordo com informações divulgadas hoje pelo MPF, o fundo movimentou quase US$ 2 bilhões entre 1992 e 2004. As investigações que deflagraram a operação da PF são decorrentes de informações enviadas pelo Supremo Federal (STF) para atender requerimento do Procurador Geral da República, Antonio Fernando Souza, no processo conhecido como Mensalão.
A partir daí, foram requeridas mais investigações em torno da informação obtida pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios de que as empresas Telemig e Amazônia Celular, nas quais o Banco Opportunity tem participação, foram as principais depositantes nas contas de Marcos Valério, apontado como o responsável pelo esquema do Mensalão. A partir dessas informações, a PF empreendeu uma série de diligências com autorização judicial, como escutas telefônicas e interceptação de dados.
Leia Mais:
Como sempre, Bob Fernandes deu show. Vejam no Terra Magazine:
BrOi: emissários de Dantas tentam chegar a Dilma
Dantas-Nahas: Para entender a organização

Dantas na cadeia!!!!!!!! Agora vai?????

Alvíssaras! A Polícia Federal prendeu hoje o escroque Daniel Dantas, juntamente com Naji Nahas (aquele que “só ganha dinheiro trabalhando”…), Celso “Jabuticaba” Pitta e Carlos Rodenburg (valerioduto).Foram anos e anos de investigações para desbaratar o intrincado nó górdio armado por Dantas, cujas cordas provém de todo o lado: PSDB, PT, DEM… Daniel Dantas foi acobertado até pelo STF: Ellen Gracie protege um HD apreendido pela PF melhor do que o Peter Norton. A irmã de Dantas (também presa) tinha sociedade com a filha de José Serra; o filho do Lula aceitou sociedade de Dantas na Gamecorp. Parabéns à PF, ao delegado Protógenes Queiroz, mas, principalmente, ao JORNALISTA Bob Fernandes, que desde os tempos da CPI do Banestado luta incansavelmente para ver esse lixo atrás das grades.
Agora é esperar para ver: os advogados dos pilantras, com o Código de Processo Penal embaixo do braço, montando suas defesas, visando convencer o venal Gilmar Mendes a soltar os desqualificados.
Essa pode ser, desculpe o otimismo, uma grande “opportunity” (não resisti…) de dar uma faxinada geral nesse país. Depende da pressão que se fizer.
Agora, as pesquisas: o confiável e incorruptível instituto DataVini informa: entrevistas realizadas com os “PEDIDORES DE JUSTIÇA” dessa terra, apontaram que:
- 99,75% não fazem a menor idéia de quem seja Daniel Dantas (0,25% disseram ser ator da Globo);
- 74,30% afirmaram que Naji Nahas tem uma loja de armarinhos na 25 de março (resposta estimulada); na resposta espontânea, 100% dos entrevistados não o conhecem;
- 84,25% votaram em Celso Pitta para prefeito de São Paulo em 1996; os 15,75% restantes não eram eleitores da capital paulista.
VINÍCIUS DUARTE
COM FEL E LIMÃO, 08.07.08

Leia mais:
DANTAS E NAHAS: VEM MAIS GENTE PRESA POR AÍ
Conversa Afiada, 08.07.08
HD sobre fundo em Cayman levou à prisão de Daniel Dantas e organização
Os Amigos do Presidente Lula, 08.07.08
Dantas atrás das grades
Redação Carta Capital, 08.07.08
Daniel Dantas e a cúpula de seu banco Opportunity foram presos em uma operação da Polícia Federal, denominada Satiagraha. Além de Dantas, a ação da PF também prendeu o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. A operação é o ponto final de investigações que começaram há quatro anos e remontam ao esquema de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro que seria comandado pelo publicitário Marcos Valério.
Segundo informações da assessoria de imprensa da Polícia Federal, cerca de 300 agentes cumprem 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador. O mesmo comunicado da PF faz referência à “existência de uma grande organização criminosa, comandada por um banqueiro, envolvida com a prática de diversos crimes”. A julgar pelas prisões efetuadas, o banqueiro em questão é Daniel Dantas. A Polícia Federal ainda explica que, para cometer os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha o grupo de acusados “possuía várias empresas de fachada”. Todos os acusados presos pela operação Satiagraha permanecerão na carceragem da Superintendência Regional da PF em São Paulo, no bairro da Lapa, zona oeste da capital.
Nassif mostra que Veja fez lobby para Daniel Dantas
Por André Lux, 08.07.08

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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