ENCALHE

março 16, 2007

Tolerância zero nas empresas – Tomo II

Filed under: investimentos, mundo corporativo — Humberto @ 1:45 am

Continuando…

( Se você caiu aqui agora e não sabe que continuação é essa, clique aqui nesse ponto .)

Depois eu penso na continuação do nosso reality show com pitadas de snuff movie. Por ora, e para atiçar vsa. imaginação, em uma das provas, o dilema será criado: não bastará expulsar um dos participantes. Quem matá-lo ganhará a liderança e assinará contrato com a emissora para se tornar apresentador de um programa infantil.

Lembrei. No Propaganda & Marketing havia aquele artigo “Tolerância Zero nas empresas”.
“Empresas” ? Fico aqui me perguntando quantas “empresas” existem no Brasil.
Não fica parecendo uma maneira de iludir o camarada? Manja, dar a impressão de que seu carrinho de pipoca é, na verdade, um empreendimento transnacional de carga e suprimentos?
Bem, no nosso “Tolerância Zero”, o autor – e não sei se o negócio é sério ou a mais fina ironia – alude a um best-seller que, por sua vez, foi inspirado em um artigo de dois criminologistas ( existe isso ? ).
O artigo chama-se “Teoria das janelas quebradas” e o tal best-seller “Tipping Point”. Tratar-se-ia daquele papo que foi adotado pela Polícia de NY, que se você deixar passar o pequeno crime, ele arrombará a porta para crimes maiores. Ou: “O Diabo está nos detalhes.”
Portanto, sejamos minuciosos e atentos.
( Vão acompanhando… )
Mas eis que o crime arrombou a porta e surgiu a oportunidade de ouro para um desses gurus motivacionais. Michael Levine apresentou a obra cujo nome não vou mais repetir.
Já o autor do artigo no Propaganda disse que o livro “começa bem” mas “perde qualidade nos capítulos finais”. E termina por recomendar sua leitura para “empresários e executivos ( N.do Blog: “As empresas, né?” ) que estão conscientes de que o jogo (sic !) que se joga nos dias de hoje é ganho nos detalhes.”

O jogo… Antes fosse um jogo. É da vida dos outros que estamos tratando.
E o livro de nosso herói traz conclusões – e recomendações – que talvez afetem nossa vida, de um jeito ou de outro.
Vou tentar adaptar para nosso blog essas conclusões:
“Não se deve cometer erros que comprometam a imagem que o cliente faz de sua “empresa” ( mas olha ela aí, de novo !! )” ;
“Olho vivo nos detalhes: o tapete sujo na entrada da “empresa” pode dar a impressão de que tudo o mais será sujo também.” ;
“No mundo dos negócios ( aqui transcrição literal, viu? ) é positivo ser obsessivo compulsivo. ( !!!!! ) “;
” Isso significa que você deverá estar sempre antecipando os fatos. Se ocorrerem, você já garantiu o antídoto. Se não ocorreu, é porque você tem poderes paranormais premonitórios, e deu um jeito para que não acontecesse. Correr atrás da insignificância. Deixar a faxineira maluca por causa de um cisco que você – e só você – estará enxergando. Seus olhos estarão atentos a tudo. Desenvolverá o chamado “ouvido absoluto” e saberá que uma mosca está vindo direto para entrar em seu escritório pela janela. Naturalmente ela se chocará contra o vidro, pois você o havia fechado quando a mosca ainda estava virando a esquina.” ;
“Nada é insignificante. ( transcrição literal ).” ;
“Não basta você ser obsessivo. Você deve contratar obsessivos. Você não é onipotente e nem onipresente e os obsessivos cuidarão obsessivamente daquilo que você – apesar de tentar obsessivamente – não consegue dar conta.” ;
“Essa obsessão não é legal na vida. Nos “negócios” ela é essencial.” ;

Aprenderam, proletas ?
Portanto, quando você for procurar alguém que lhe dê ( sim, você leu certo: não tem aqueles que, quando querem reclamar dos impostos a serem pagos, costumam dizer da injustiça, de que eles “dão” empregos ?
Pois é. O novo patriarcalismo. O privado. Eles não dão “Bolsa-Família”. Dão “empregos”. Quanta bondade. Não precisam ser tão bacanas conosco. Como podemos retribuir ? Já sei ! Que tal se nós, os empregados agradecidos pela oportunidade, nos tornarmos obsessivos compulsivos? Mas, já que estamos num mundo competitivo empresarial, onde os mais capazes conseguem as melhores oportunidades de negócios, dinamizando a carteira de clientes, otimizando a cesta de investimentos e agregando valor, nós – os colaboradores obsessivos compulsivos – abdicamos de algo, outrora chamado “vida própria”. E de nosso respeito próprio. Gastaremos todo o nosso tempo adquirindo ferramentas de adaptabilidade, objetivando acompanhas as novas tecnologias e mudanças rápidas que ocorrem no mundo corporativo.

E pensar que meu pai era marceneiro.





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