Jasson de Oliveira Andrade
Serra e Aécio Neves săo os principais nomes para se candidatar à presidência da República em 2010 pela sigla tucana. É o que diz a imprensa. No entanto, năo se deve descartar Geraldo Alckmin. Por esse motivo, o governador paulista está desmontando a máquina alckmista no Estado.
O desmonte começou depois do Carnaval, em 22 de fevereiro, com o recadastramento de servidores públicos estaduais. Segundo o Secretario de Gestăo Pública, Sidney Beraldo, a finalidade dessa medida é a valorizaçăo do servidor. Entretanto, a verdade seria outra. No dia 3 de janeiro, a Folha publicou: “Serra desconfia de “fantasmas” em SP”, reportagem da jornalista Lílian Christofoletti, revelando: “O novo governador de Săo Paulo, José Serra (PSDB), afirmou ontem [2/1] “desconfiar” da existência de funcionários “fantasmas”, que ganham sem trabalhar, na folha de pagamento do Estado, que é comandado desde 1995 pelos tucanos. (…) Por iniciativa de Serra, será publicado hoje [3/1] no “Diário Oficial” do Estado o decreto que torna obrigatório o recadastramento de todos os servidores. (…) “Desconfia-se de que haja pagamentos indevidos, gratificaçơes indevidas, e mesmo funcionários que năo existem”, disse o tucano em sua primeira entrevista no cargo à TV Globo. (…) A iniciativa desagradou o grupo ligado ao ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que entende que a medida coloca em suspeiçăo a administraçăo tucana anterior”. Posteriormente, em 13/2/2007, a Folha publicou: “Serra deve demitir afilhados de tucanos – Aviso à bancada paulista provoca tensăo no partido e é novo ponto de atrito entre o grupo do governador e o de Alckmin”. Provavelmente essa ameaça deve levar deputados alckmistas ao bloco serrista.
O desmonte da máquina alckmista iniciou-se na Segurança. O homem forte do ex-governador, Saulo Abreu, que seria o candidato ao governo caso Serra năo fosse o preferido, perdeu o cargo e pediu licença de sete meses da promotoria. Motivo, segundo o Estadăo (29/11/2006): “Sem espaço no futuro governo de José Serra, se voltasse a trabalhar no MPE, Saulo ficaria subordinado ao procurador-geral de Justiça, Rodrigo Pinho, que o denunciou por duas vezes pelos crimes de abuso de autoridade e desacato”. Triste fim do poderoso Secretário da Segurança Pública de Săo Paulo, que Alckmin gostaria de ver governando o Estado! O último a cair foi Luiz Carlos David, presidente do Metrô, nomeado por Alckmin, que pediu demissăo em 21/2 depois das denúncias do Jornal Nacional (TV Globo). A tragédia do metrô fez mais uma vítima. Quem gostou do pedido foi José Serra, que teria que demiti-lo.
Outro desmonte foi na Educaçăo. No setor, o homem forte de Alckmin, Chalita, também perdeu o cargo. Além disso, Serra fez drásticos cortes no programa Escola da Família. A regiăo foi atingida. O POPULAR noticiou: “Escola da Família” exclui a zona Leste [de Mogi Mirim]”. Um jornal de Mogi Guaçu trouxe essa manchete de Primeira Página: “Escola da Família reduz em 75%”. O mesmo jornal, em Editorial (Corte drástico), comentou: “O programa Escola da Família era a menina dos olhos do ex-secretário de Educaçăo do Estado, Gabriel Chalita, e foi encampado pelo ex-governador Geraldo Alckmin, que dava amplo destaque ao projeto, o qual pretendia expandir cada vez mais. Na campanha à presidência, o programa foi amplamente destacado como responsável pela queda das depredaçơes de alguns estabelecimentos de ensino e também como fonte para reduzir a criminalidade”.
O governo do Estado, na administraçăo passada, vendeu o aviăo que possuía. Agora José Serra, surpreendentemente, resolveu recomprá-lo. Essa medida foi considerada uma bofetada na cara de Alckmin, segundo Luiz Antonio Magalhăes. É que o candidato tucano derrotado no ano passado, na campanha eleitoral, bateu duro no “Aerolula”. Agora temos o “Aeroserra”! Manchete da Folha: “Governador tem que ter aviăo, diz Serra”. Presidente também!
No artigo “Coitado do Geraldo”, Xico de Sá escreveu: “Talvez tivesse sido melhor para Alckmin e sua turma um triunfo da oposiçăo nas últimas eleiçơes em Săo Paulo, năo acham? Serra năo tem perdoado as gestơes do colega de partido. Na moita, realiza auditorias em várias repartiçơes do governo, reestatizou o aviăo privatizado, mudou tudo na área de segurança, varreu as açơes de Chalita – escritor de auto-ajuda e biógrafo da ex-primeira-dama [Lú Alckmin] – na Educaçăo, além de năo defender o Geraldo, muito pelo contrário, no caso das obras da linha 4 do metrô. Com um tucano amigo desses, quem precisa de inimigos, né năo?”
Xico de Sá resumiu o que escrevi. Serra contra Alckmin: tucano bica tucano. Dois bicudos não se beijam… Năo é isso que está acontecendo?
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Postado por Redaçăo Portal Mogi Guaçu